sexta-feira, 31 de julho de 2026

TERRAS RARAS: moratória para licenças ambientais de mineradoras australianas em MG, sugerem geólogos à Duda Salabert

 


Rio de Janeiro, 31 de julho de 2026 - As empresas australianas Viridis, em Poços de Caldas e Meteoric, em Caldas, respectivamente, em Minas Gerais, poderão ter as suas licenças ambientais canceladas, caso a Justiça aceite o pedido de moratória que deverá ser requerido nos próximos dias.  A moratória foi sugerida por geólogos do Centro de Desenvolvimento Tecnologia Nuclear (CDTN), que participaram do seminário sobre terras raras realizado pela deputada federal Duda Salabert (PSOL) que reuniu recentemente dezenas de ambientalistas contrários à exploração do mineral estratégico na região. 

Os geólogos Paulo Cesar Rodrigues e Gustavo Filemon foram enfáticos ao lembrar em suas apresentações que as duas empresas poderão causar fortes impactos ambientais nas regiões onde esperam atuar na exploração das terras raras. 

Rodrigues sugeriu que os dois empreendimentos sejam questionados a apresentar planos gestores de riscos radiológicos, e que, caso não tenham feito ainda é “um absurdo”. 


É fundamental, segundo eles, que sejam apresentados estudos complementares sobre a existência de materiais radioativos como urânio e tório nos locais onde se pretende realizar escavações na obtenção das terras raras. A exploração de terras raras, observaram, tem que passar pela esfera federal.  E mais,  é preciso muita atenção, alertaram, que a região evolve importante aquífero.  “O Brasil não dá atenção às suas águas subterrâneas”, observou Rodrigues.  Segundo a literatura disponível, o principal manancial subterrâneo da região é o Aquífero Alcalino de Poços de Caldas, um sistema associado à estrutura geológica da caldeira vulcânica local que desempenha um papel central no abastecimento hídrico e no complexo hidromineral regional. 

A deputada afirmou que as empresas apresentaram estudos ambientais produzidos por “consultorias envolvidas em escândalos de corrupção”. Á representante do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Tássia Arraes, Duda disse que o MCTI está trabalhando para beneficiar as mineradoras, em vez de proteger os moradores das regiões que serão afetadas. 

A deputada federal Célia Xakriabá, a primeira eleita por Minas Gerais, filiada ao PSOL e doutora em antropologia, combateu taxativamente a presença das duas empresas na região. Para Xakriabá e outros participantes os licenciamentos estão sendo feitos “a toque de caixa”. E mais “são modelos predatórios de mineração que adoecem os nossos territórios”, afirmou Duda. 

VIRIDIS E METEORIC - 

A Viridis afirmou, via assessoria de imprensa, que não vai se manifestar sobre a possibilidade de pedido de moratória, pois não recebeu nada sobre o assunto. O blog perguntou em que fase está o processo de licenciamento ambiental?O processo de licenciamento ambiental do Projeto Colossus está em andamento.”, com Licença Prévia aprovada por unanimidade. Em maio deste ano, “a empresa protocolou o pedido de Licença de Instalação, apresentando os estudos e documentos exigidos”. 

Quando a Viridis iniciará a extração das terras raras em MG? Qual a estratégia para iniciar o trabalho? Quais as medidas para evitar transtornos à população? perguntou o blog.A mineração e a produção de terras raras só terão início após a obtenção de todas as licenças ambientais e autorizações dos órgãos competentes. A previsão é que as operações comecem em 2028, seguindo todos os programas ambientais e medidas mitigadoras, como controle da qualidade da água e do ar, além da continuidade das iniciativas de diálogo”, informou a empresa. 

Outra pergunta do Blog, foi quando a Viridis começou a atuar em MG e o valor do investido. “A Viridis iniciou sua atuação em Poços de Caldas em 2023 e, em fevereiro de 2024, assinou protocolo de intenções com o Governo de Minas Gerais. Desde então, já investiu mais de R$ 200 milhões no projeto. A empresa está em fase de pesquisa mineral e, até o momento, não realizou nenhuma obra de instalação. A expectativa é que as obras tenham início após a concessão da Licença de Instalação pelo órgão ambiental”. 

A Meteoric enviou uma nota com informações gerais. “Atualmente, o Projeto Caldeira encontra-se na fase de licenciamento ambiental. Em dezembro de 2025, a empresa recebeu a Licença Prévia (LP), emitida pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). A licença atesta a viabilidade ambiental do empreendimento nessa etapa e estabelece condicionantes para o avanço do processo de licenciamento”, entre outras. 

O BLOG JÁ PUBLICOU ALGUMAS MATÉRIAS COM AMBAS AS EMPRESAS.  

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