sábado, 5 de abril de 2025

Chuvas em Angra: dezenas de desalojados, serviços de saúde suspensos, comunidades indígenas sem energia elétrica. Centrais atômicas "sob controle"

 


Cerca de 200 pessoas estão desalojadas por conta das fortes chuvas desde ontem (4/4) em Angra dos Reis, informou a Prefeitura da cidade. Já o governador Cláudio Castro informou um número maior: 300. Moradores precisaram ser retirados em botes. Sirenes foram acionadas, rios transbordaram e importantes serviços de saúde foram suspensos, assim como linhas de ônibus. Comunidades indígenas estão sem energia elétrica. A rodovia Rio-Santos continua parcialmente fechada, com pontos de interdição do km 503 ao 500 (Angra dos Reis), km 542 ao 528 (Paraty), km 473 ao 455 (Angra dos Reis) e km 433 ao 428 (Mangaratiba).  


Como estava programado, a usina nuclear Angra 1 foi desligada para a troca de combustível (urânio enriquecido), e Angra 2 opera normalmente. “As centrais atômicas são preparadas para suportar impactos extremos, como terremotos, explosões e eventos meteorológicos intensos”.  

Após o acidente de Fukushima, no Japão, em março de 2011, as usinas passaram por reavaliações de segurança, informou a Eletronuclear. A Há anos, a Eletronuclear deve cerca de R$ 264 milhões à Prefeitura de Angra. Em nota hoje, se coloca à disposição da Prefeitura

INFORME PREFEITURA - 

Segundo a Prefeitura, o transbordamento dos rios Japuíba e Caputera, em razão das fortes chuvas que atingiram Angra dos Reis, entre a noite de sexta-feira (4) e a madrugada de sábado (5), deixaram um saldo de cerca de 200 desalojados na cidade, sem registro de feridos. O acumulado das chuvas nas últimas 48 horas já chega a 347mm. O resgate no bairro da Mambucaba está sendo feito com auxílio de botes. 

A falta de energia elétrica atinge comunidades indígenas. A rodovia Rio-Santos continua parcialmente fechada, com pontos de interdição do km 503 ao 500 (Angra dos Reis), km 542 ao 528 (Paraty), km 473 ao 455 (Angra dos Reis) e km 433 ao 428 (Mangaratiba). Desde o fim da noite de ontem, a Defesa Civil recebeu solicitação de nove cortes de árvores que caíram sobre residências e obstruíram vias em vários bairros da cidade. Nos bairros Belém, Morro da Velha, Carioca, Praia do Machado e Frade foram registrados deslizamentos de encostas. Também foram registrados pontos de inundação e alagamentos em locais como os rios Japuíba e Caputera, Pontal, Parque Belém, Vilage, Parque Mambucaba e Camorim. Até a manhã deste sábado, as sirenes de alerta tocaram em 42 bairros. Às 17h43 de ontem, o sistema Defesa Civil Alerta foi acionado pela primeira vez para alertar a população. 

SERVIÇOS DE SAÚDE - 

Devido às fortes chuvas, alguns atendimentos em unidades e serviços de saúde de Angra dos Reis foram temporariamente suspensos.As unidades da Estratégia de Saúde da Família dos bairros Belém, Bracuí, Parque Mambucaba, Camorim Grande e Jacuecanga estarão fechadas neste sábado (5/4). Os atendimentos no Centro de Especialidades Médicas (CEM) e no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) também serão reagendados.  

Todos os pacientes serão informados sobre as novas datas. As unidades de emergência (UPA/SPA) seguem funcionando normalmente, com atendimento 24 horas por dia, todos os dias da semana. Em caso de urgência, procure a unidade mais próxima. No entanto, devido à forte chuva que atinge a cidade, o Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do Parque Mambucaba está com os atendimentos temporariamente suspensos. 

LINHAS DO TRANSPORTE COLETIVO - 

Em razão do fechamento da BR-101, algumas linhas do transporte coletivo estão temporariamente fora de operação. No momento, não estão circulando as seguintes linhas: 101 (Cantagalo), 102 (Caputera), 105 (Morro do Moreno), 104 (Monsuaba Micro), 202 (Frade via Sertãozinho), 204 (Ariró), 227 (Expresso Parque Mambucaba), 230 (Itinga), T20 (Parque Mambucaba), T21 (Frade), T10 (Divisa com Mangaratiba), T11 (Ponta Leste) e 300 (Japuíba x Ponta Leste). Assim que as condições permitirem, os serviços serão retomados. 

(FOTO: PREFEITURA DE ANGRA E ELETRONUCLEAR) – 

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quinta-feira, 3 de abril de 2025

Funcionários da Eletronuclear decidem entrar em greve na terça-feira (8/4) contra demissões

 


Em assembleia realizada no final da tarde desta quinta-feira (03/4) funcionários da Eletronuclear decidiram entrar em greve na próxima terça-feira (8/4) por tempo indeterminado. O protesto é contra as medidas de austeridade tomadas pela direção da companhia, que iniciou anteontem (1/4) a demissão de 90 funcionários. 

Em Angra dos Reis, a assembleia reuniu dezenas de trabalhadores sob a liderança de entidades sindicais que representam a categoria. Eles também reivindicam a assinatura do acordo coletivo, que está no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Angra 1 será desligada sábado (5/4) para a troca de combustível (urânio enriquecido) e centenas de outras atividades. 

Para isto, cerca de 1.373 profissionais, entre eles, 238 estrangeiros, contratados por empresas nacionais e internacionais atuarão em conjunto aos técnicos da Eletronuclear. Enquanto isso, a direção da companhia tem reafirmado demissões e outras medidas de austeridade. Desta vez, a usina ficará fora do Sistema Interligado Nacional (SIN), 85 dias, quando deixará de gerar 640 Megawatts, o equivalente a 10% da energia elétrica consumida na cidade do Rio de Janeiro. Isto, quando opera com 100% de sua potência, sem os desligamentos registrados com frequência. Angra 1 está sendo preparada para durar mais 20 anos. (

FOTO- BLOG) – 

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Angra 1 será desligada sábado; chega a 1.373 contratados no Brasil e exterior para ações na usina; companhia mantém demissões de funcionários

 


Rio de Janeiro, 03 de abril de 2025


Cerca de 1.373 profissionais, entre eles, 238 estrangeiros, contratados por empresas nacionais e internacionais atuarão em conjunto aos técnicos da Eletronuclear na troca de combustível (urânio enriquecido) de Angra 1, que está sendo preparada para ser desligada neste sábado (5/4). Enquanto isso, a direção da companhia tem anunciado a demissão de pelo menos 90 funcionários, entre outras medidas de austeridade. Sindicatos devem promover manifestações nos próximos dias. O clima é tenso na central nuclear.

Desta vez, a usina ficará fora do Sistema Interligado Nacional (SIN), 85 dias, quando deixará de gerar 640 Megawatts, o equivalente a 10% da energia elétrica consumida na cidade do Rio de Janeiro. Isto, quando opera com 100% de sua potência, sem os desligamentos registrados com frequência. Angra 1 está sendo preparada para durar mais 20 anos.  A Eletrobras divulgou que injetará cerca de R$ 2,4 bilhões na extensão de Angra 1. 

A usina foi comprada da norte-americana Westinghouse na década de 70, passou anos em obras, com diversos atrasos, sendo inaugurada em 1985. Problemas diversos, atrasaram mais um ano e Angra 1 entrou em operação em 1986. 


Desligamentos por problemas técnicos, ações judiciais, entre outros, obrigaram a paralisação da usina muitas vezes; dando o apelido de “vagalume” à central nuclear. No mês passado, cerca de 90 toneladas de equipamentos norte-americanos, chegaram de Miami num Boeing 747 ao aeroporto de Cabo Frio, rumo à Central de Angra dos Reis. Apenas o transporte teria custado R$ 8 milhões. 

PRÓXIMA PARADA - 

Nesta 29ª parada da central atômica para a troca de combustível (urânio enriquecido a cerca de 4%), serão realizadas 5.700 tarefas. Entre as ações estão: manutenção dos transformadores principais de energia elétrica; atualizações tecnológicas nos sistemas de instrumentação; inspeções e melhorias em soldas das tubulações do circuito primário e do reator; e testes e manutenções preventivas nos componentes dos circuitos primário e secundário. 

No Programa de Extensão de Vida de Angra 1, visando a modernização da infraestrutura da unidade, estão as ações manutenção dos transformadores principais de energia elétrica; atualizações tecnológicas nos sistemas de instrumentação; inspeções e melhorias em soldas das tubulações do circuito primário e do reator; e testes e manutenções preventivas nos componentes dos circuitos primário e secundário. 

O urânio usado (irradiado)  - que poderá ser utilizado no futuro como plutônio- retirado do reator, em outra operação complexa, seguirá para a Unidade de Armazenamento a Seco (UAS), também com tecnologia norte-americana, que terá capacidade para abrigar os combustíveis irradiados de Angra 1 e Angra 2 por mais 25 anos.  Vale lembrar que as piscinas das duas usinas que armazenam rejeitos radioativos estarão esgotadas em 2028, segundo levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU). A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) ainda não decidiu onde será construído o depósito definitivo para esses e outros rejeitos de média e baixa atividade. O projeto é o CENTENA, mote de várias reportagens do BLOG.       

URÂNIO: DA BAHIA, RÚSSIA, RESENDE E ANGRA - 

O combustível da usina é produzido pela Indústria Nucleares do Brasil (INB). O urânio é extraído da mina que faz parte da Unidade de Concentrado, em Caetité, na Bahia. Lá, na URA (Unidade de Concentrado de urânio), passa para a forma de yellowcake. Como o país depende do produto na conversão para gás e enriquecimento, ele é enviado para o exterior (desta vez para a Rússia), retornando à Resende (RJ) onde é transformado em pastilhas até estar em condições de ser inserido em varetas de zircaloy. 

Em seguida, em varetas, o combustível segue para a Central Nuclear em Angra dos Reis, onde será introduzido no reator. É uma operação complexa, que envolve diversas etapas e investimentos no mínimo milionários. Toda a parte de produção do combustível, incluindo a conversão em gás e o enriquecimento, tem sido feito na Rússia; cabe à Eletronuclear pagar à INB. No passado, o contrato era feito com a Urenco (consórcio de empresas na Inglaterra, Holanda e Alemanha). 

Leia no BLOG: 

28/2/2025 – Eletrobras vai injetar R$ 2,4 bilhões na extensão de vida útil de Angra 1; e nada mais em Angra 3, além dos R$ 6,1 bi comprometidos via BNDES e CEF; 27/02/2025 - Angra 1: refém dos EUA aos 40 anos, mais dívidas por equipamentos chegando de Miami a Cabo Frio; 8/1/2025 – Usina nuclear Angra 1 foi reconectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN), às 05h54 desta quarta-feira (08), após o desarme ocorrido ; 19/01/2025 - Em menos de 20 dias, a usina nuclear Angra 1 foi novamente desconectada do Sistema Interligado Nacional neste sábado (18/1), às 19h35. O fato ocorreu em função de um problema no sistema de óleo de selagem do Gerador Elétrico Principal; 26/01/2025 - Desligada desde o dia 18/1, a usina nuclear Angra 1 foi reconectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN), neste sábado (25/1), após reparos e testes no sistema de óleo de selagem do Gerador Elétrico principal;  28/2/2025 - A Eletrobras, como acionista da Eletronuclear, apoiará o projeto de extensão da vida útil da usina de Angra 1, por mais 20 anos. Para isso, a Eletronuclear emitirá R$ 2,4 bilhões em debêntures conversíveis, com prazo de 10 anos e custo equivalente à NTN-B, que serão adquiridas pela Eletrobras, de acordo com andamento do projeto. 

(FOTOS – ELETRONUCLEAR - ABDAN - CNEN) – 

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quarta-feira, 2 de abril de 2025

Unidade de urânio na Bahia continua com espaços degradados desde o vendaval do ano passado

 


A planta de produção da Unidade de Concentração de Urânio (URA), em Caetité, na Bahia, paralisada em janeiro do ano passado, por conta de forte vendaval, permanece ainda hoje com vários problemas, como nas áreas de manutenção, caldeiraria e pátio. Nas áreas que deveriam estar protegidas, estão guindastes, motores, cobertos com telhas do cancerígeno e amianto, que continuam quebradas. Contatada pelo Blog, a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), responsável pelo empreendimento, não se manifestou. 

Na mina, que faz parte da URA, trabalhadores extraem e separam o urânio das rochas. Na URA, é feito o beneficiamento, quando o urânio é transformado em yellowcake (pasta amarela). Em seguida, o segundo passo do ciclo do combustível. 

O processo consiste na transformação do yellowcake em hexafluoreto de urânio (UF6), um composto que tem como propriedade passar para o estado gasoso em baixas temperaturas. Feito no exterior. 

Na forma de gás é realizada a etapa de enriquecimento, o que o Brasil também ainda não faz em escala industrial. 


Embora domine todo o ciclo do combustível, o País ainda tão possui condições para a realização de todo o processo, como a transformação do urânio em forma de gás e o mais complexo: o enriquecimento na quantidade e teor (cerca de 4%) necessários para alimentar os reatores de Angra 1 e Angra 2. 

URÂNIO, DO PORTO DE SALVADOR À RÚSSIA - 

Por manter as usinas, com a dependência externa, a INB firmou contrato com a Internexco GmbH, do grupo Rosatom, da Rússia, para a exportação temporária para processamento no exterior de até 275 mil kg de concentrado de urânio (U3O8) produzidos na URA. 

Pelo contrato, serão realizadas as duas etapas de beneficiamento: conversão e enriquecimento. Os valores nunca são revelados. 

“O produto final beneficiado será devolvido, até dezembro de 2027, na forma de UF6 enriquecido a 4,25% e será utilizado na fabricação do combustível nuclear, que abastece a central nuclear de Angra dos Reis”.



A empresa está planejando a logística para operações terrestres no Brasil, a contratação do transporte marítimo internacional do porto de Salvador até a Rússia, e o licenciamento da exportação. Desde o início das entradas em operação das usinas, o Brasil depende da importação das duas etapas do combustível para os reatores. Quando o contratante devolve o urânio enriquecido, a última etapa é realizada no Fábrica de Elementos Combustíveis (FEC), em Resende (RJ), da INB. 

Lá, o urânio é colocado em pastilhas, em varetas de zircaroy e segue para Angra dos Reis. Todo o processo envolve investimentos milionários, para a manutenção dos reatores nucleares das usinas. 

(FOTOS – BLOG - URA) – 

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