O debate com trabalhadores e
entidades civis sobre doenças ocupacionais como o câncer foi tema do curso
realizado de 26 a 28/5, na Fundacentro, em são Paulo. Cerca de 300 trabalhadores
entre presenciais e online participaram do evento “Prevenção e Diagnóstico de Câncer
Ocupacional”, tema importante, que trata de uma doença prevenível e
subdiagnosticada, comentou a médica Maria Vera Cruz de Oliveira Castellano,
especialista no assunto, com trabalhos sobre os operários da Orquima/Usina de
Santo Amaro (Usam), da Nuclemon, sucedida pela estatal Indústrias Nucleares do
Brasil (INB), onde dezenas de operários morreram contaminados com radiação
ionizante.
O curso reuniu representantes da Fundacentro, entidades sindicais e
Associação da Fiocruz. Também palestrou a mais importante ativista pelo
banimento do amianto no Brasil e no mundo, a fiscal do trabalho, Fernanda
Giannasi. Giannasi fez vários alertas sobre os problemas de saúde que a mina de
Serra Verde, em Goiás, a maior em exploração de terras raras, ocasionará aos
trabalhadores. Os alertas de Giannasi foram fundamentais na luta em defesa dos
operários da Nuclemon. As vistorias que fez resultaram no fechamento da empresa
em 1991.“Importante que toda a sociedade esteja atenta ao problema do amianto”,
alertou.
TRABALHADORES EXPOSTOS -
O curso é uma oportunidade de divulgar para
todos que o trabalho, principalmente aqueles que no ambiente ocupacional
exponham os trabalhadores a “fatores de risco como produtos químicos (benzeno),
radiações ionizantes, entre outros, podem causar câncer”, comentou a
especialista. Segundo ela, é possível fazer o nexo causal do câncer com o
trabalho usando instrumentos como a classificação oficiais e como a Portaria
GM/MS nº 1999 de 27/11/23, do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Todo caso de
câncer ocupacional deve ser notificado no Sistema Nacional de Atendimento
Médico (SINAN), reiterou a médica.
Operários da então Nuclemon e familiares que
integram a Associação Nacional dos Trabalhadores em Produção em Energia Nuclear
(ANTPEN) participaram do evento. “A presença expressiva mostrou a união, o engajamento
e luta por justiça, como pela manutenção do plano de saúde, o reconhecimento
que o adoecimento causou num grupo de 65 trabalhadores 22 casos de câncer, ou
seja, 34%, é devido as condições inadequadas de trabalho a que foram submetidos,
e conclusão dos processos trabalhistas que já têm mais de 20 anos”, afirmou a
médica.
A atuação dela foi muito importante no diagnóstico dos operários nas
décadas de 80 e 90, pois ela trabalhava no posto de Saúde próximo à Usam, onde
os trabalhadores chegavam doentes buscando ajuda. “Importante lembrar que estes
trabalhadores não foram informados sobre as radiações ionizantes e os riscos
inerentes enquanto trabalhavam na empresa”, reiterou.
A especialista também
mencionou a importância da criação do Hiroshima International Council for
Health, Care of the Radiation-Exposed, criado pelas instituições médicas e
de pesquisa que acompanham os sobreviventes da bomba atômica - atirada pelos Estados
Unidos em agosto de 1945, contra aquela cidade - uma cooperação da prefeitura
de Hiroshima, com o objetivo de treinar para o atendimento de pacientes que
tenham sofrido exposição às radiações ionizantes. Segundo a Agência
Internacional de Energia Atômica (AIEA), nos países industrializados 2% a 8%
dos cânceres são ocupacionais. “Embora vários cânceres são listados como ocupacionais,
apenas um pequeno número é reconhecido legalmente como tal. É uma doença
prevenível. Muitas vezes existe um período de latência entre o trabalho e o
diagnóstico do câncer”, comentou a médica.
AMIANTO – RISCOS DE CÂNCER -
A
auditora fiscal do Trabalho, fundadora da Associação Brasileira dos Expostos ao
Amianto (ABREA), Fernanda Giannasi, apresentou informações sobre as dezenas de
casos de doenças provocadas pelo mineral cancerígeno no Brasil.
Giannasi reiterou informações que tem divulgado
sobre a extração de amianto na mineradora Serra Verde, em Goiás, de terras
raras, negociada pelo então governador Ronaldo Caiado, a um grupo
norte-americano.
Giannasi alertou para “os riscos de doenças como o câncer nos
trabalhadores na mineradora Serra Verde, instalada no mesmo sitio da indústria do
amianto e que a região de Minaçu está comemorando, lamentavelmente”, disse.
(FOTOS – DIVULGAÇÃO) –
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