Rio de Janeiro, 30 de janeiro de 2026 - O Tribunal Superior do Trabalho (TST), através do ministro relator Sergio Pinto Martins, acaba de manter a ação contra a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), movida pelo advogado Luiz Carlos Moro, em defesa dos sobreviventes da contaminação por material radioativo, lesionados ao longo de décadas. A INB vem tentando arquivar o processo alegando que o caso prescreveu, mas a 8ª Turma do TST entendeu que os sobreviventes buscaram à Justiça ao descobrir as doenças que demoraram a se manifestar, como ocorre quando envolve radiação. “A exposição à radiação provoca doença ocupacional de manifestação tardia”, reiterou o advogado. Ele afirmou que a decisão representa a “redenção das vítimas” que resistem à luta por justiça.
A ação tem como autor o presidente da Associação Nacional dos Trabalhadores da Produção Nuclear (ANTPEN), através do presidente José Venancio Alves, entre outros. As vítimas trabalharam na Usina de Santo Amaro (Usam), da extinta Nuclemon, em São Paulo, sucedida pela INB. Já a Usam sucedeu a Orquima, fundada entre as décadas de 40 e 50, que operava com material radioativo, usando mão-de-obra operária recrutada nas roças e construção civil.
COBAIAS DA RADIAÇÃO -
Os operários foram enganados, pois não sabiam que o material era radioativo (urânio e tório), procedente das areias monazíticas subtraídas do litoral do Espirito Santo, Bahia e Rio de Janeiro. A Orquima usava os trabalhadores como “cobaias”, e o material, em sua maioria, era enviado para os Estados Unidos. O advogado lembrou que a descoberta dos operários doentes aconteceu graças ao trabalho da médica Maria Vera Castellano, que trabalhava no posto de saúde de Santo Amaro, onde constatou um grande número de operários da Usam, que buscava atendimento apresentando graves doenças como câncer e outras, pulmonares. “Ela foi a chave da comprovação dos malefícios causados pela contaminação radioativa”, comentou.
Os casos de doenças do trabalho e as diversas denúncias na época, levaram a fiscal do Trabalho, Fernanda Giannasi, a fechar a Usam na década de 90. Dezenas de operários morreram ao longo dos anos. Do processo movido pelo advogado há mais de 10 anos dezenas de vítimas também já morreram. Hoje, a ação reúne cerca de 50 pessoas, inclusive familiares representantes dos mortos. A
INB costuma recorrer contra a ação visando indenizar as vítimas. Recorre até mesmo para negar o plano de saúde através do qual os pacientes com câncer tratam de doenças como câncer com radioterapia e quimioterapia. Na mais recente audiência o advogado conseguiu a manutenção do plano. O grupo sobrevivente costuma se reunir mensalmente, mesmo na pandemia.
Segundo o presidente da ANTPEN, José Venâncio, “apesar de tudo, o grupo mantém a esperança de que se faça Justiça, com o pagamento de indenização que será o reconhecimento, mesmo tardio, de tanto mal causado aos operários brasileiros”.
DEPOIMENTO - 2019 - OTAVIANO INÁCIO DE OLIVEIRA - "Pesava 46 quilos em 2019, contou na época que ficou na empresa de março de 1977 a agosto de 1993, sozinho, em um forno, no setor do tório. E relatou: "Me mandaram embora quando a empresa fechou, disse enquanto amparava a bolsa injetada em seu corpo, que fazia parte de tratamento de sessões de quimioterapia, por conta do câncer. FALECEU LOGO DEPOIS.
Leia o livro: Cobaias da Radiação – a história não contada da marcha nuclear brasileira e de quem ela deixou para trás - autoria Tania Malheiros –
(FOTOS: BLOG- ARQUIVOS) –
COLABORE
COM O BLOG – SETE ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE- CONTRIBUA VIA PIX: 21
996015849 – CONTATO: malheiros.tania@gmail.com

Nenhum comentário:
Postar um comentário