quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Indústrias Nucleares do Brasil (INB) se manifesta sobre inadimplência da Eletronuclear

 


A gravidade da falta de recursos da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) levou o presidente da empresa, Tomas Albuquerque Filho, a admitir publicamente, em vídeo, que está buscando uma solução para o problema provocado pela inadimplência da Eletronuclear. Junto à ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional S.A), do Ministério de Minas, ele busca alternativas para a manutenção das operações da empresa, salários e segurança do funcionários. O comunicado, segundo ele, visa manter uma comunicação direta com os funcionários preocupados com a saúde financeira da empresa, evitando boatos. 

É fato que a Eletronuclear não realiza pagamento a INB, desde novembro. É a INB que produz o combustível (urânio enriquecido) para os reatores das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, da Eletronuclear. 


Segundo o Sindicato dos Trabalhadores (NOTA ABAIXO), as duas usinas geram lucro, mas os recursos são destinados ao pagamento de dívidas de Angra 3, com as obras paradas. A dívida que a Eletronuclear tem com a INB envolve pagamento a empresa internacional Russa Rosatom que produz a parte do ciclo do combustível hexafluoreto (urânio em forma de gás) e em seguida, o enriquecimento, pagos pela INB. Há cerca de 15 dias Angra 2 foi desliada para receber o combustível. Há cerca de cinco anos, o combustível custava em torno de R$ 300 milhões. 

INTERSINDICAL COBRA TRANSPARÊNCIA - 

A Intersindical, Sindicato dos trabalhadores da INB em todo o Brasil, quer reunião com o presidente nesta sexta-feira (30/01) e divulgou nota reiterando as preocupações dos trabalhadores com a crise. Eis a nota: “As empresas da área nuclear vinculadas ao MME e à ENBPAR vivem uma grande crise em função da indefinição do governo sobre a continuidade e conclusão das obras da usina de Angra 3. 

A INTERSINDICAL da INB já manifestou, diversas vezes, sobre a necessidade e importância desta decisão e da conclusão da usina. A Eletronuclear é uma empresa sólida e lucrativa se levarmos em conta a cobertura tarifária que garante a manutenção da empresa com a operação de Angra 1 e 2. Quando a empresa é levada a cobrir os custos financeiros e de manutenção dos equipamentos da futura usina, as contas não fecham. A indefinição sobre a conclusão da obra se arrasta e a ETN agoniza. Nós na INB, que temos a concentração de nosso faturamento com a ETN, acabamos também sofrendo com esta indecisão e com esta crise. 

Tem nos preocupado nos últimos tempos os boatos sobre as dificuldades financeiras da INB e sua incapacidade de honrar seus compromissos, inclusive dos nossos salários. Avaliamos que a direção da empresa deveria ser transparente com as informações, por um lado, e deveria estar prioritariamente engajada na solução dos nossos problemas do outro, o que não temos visto. 

Neste sentido a INTERSINDICAL solicitou formalmente uma agenda com o Presidente interino para tratar do tema e trará ao conjunto dos empregados o informe desta reunião e nossa análise do atual momento para debatermos qual deverá ser a posição dos empregados caso medidas contrarias aos nossos interesses sejam tomadas”. 

O BLOG tem tentado contato com o MME, ENBPAR e Eletronuclear. 

(FOTO: TOMAS, INB – E CENTRAL NUCLEAR – ABDAN) – COLABORE COM O BLOG – SETE ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – Contato: malheiros.tania@gmail.com    

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