terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Infiltração e problemas de drenagem em córrego e barragem de Caldas registrados pela CNEN

 


Infiltração e problemas com uma pluma de drenagem ácida estão impactando o Córrego Consulta, em Poços de Caldas (MG). A Bacia de Águas Claras também possui em seu leito sedimentos que de fato são resíduos gerados pelo sistema de tratamento de águas ácidas do empreendimento conhecido por suas origens recheadas de contaminação radioativa: Unidade em descomissionamento de Caldas (UDDC), da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), do Ministério de Minas e Energia. Por diversos transtornos ambientais e trabalhistas acumulados ao longo das últimas décadas, o “Relatório de Situação Ambiental e Atividades nº 7/2022, de 20/12/2022, da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) mostra que está longe o ponto final da herança radioativa da Nuclemon, no Brooklin paulista. Foi de lá que saíram toneladas de material radioativo (Torta II) para Caldas.  

Segundo fontes da empresa, no local, desde setembro de 2022, a INB não bombeia as águas ácidas da mina de Caldas com a regularidade necessária a manter a cota de drenagem determinada pela CNEN. A CNEN, por garantia ambiental, determinou a cota 1328 para garantir que a mina não transborde para o meio ambiente. Em início de setembro do ano passado, as três balsas que abrigavam as bombas de drenagem da mina afundaram e desde então, o bombeamento estria precário e a cota de segurança vem sendo ultrapassada. A CNEN sem fiscalização não cobra da INB o reestabelecimento das balsas para instalação das bombas de drenagem. Até o momento as balsas estariam com problemas, segundo as fontes locais. 

Embora o documento datado dias antes do Natal pareça tentar minimizar o problema, no segundo parágrafo informa que “há exigências abertas pela CNEN solicitando soluções para os problemas”. Para remover sedimentos acumulados na Bacia de Águas Claras foi iniciada a contratação de empresa para desassorear parcialmente a Bacia. Algumas medidas foram pontuadas no documento. Está em andamento, por exemplo, o contrato de 24 meses entre a INB e o Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN), para, entre outros objetivos, aperfeiçoar o modelo hidrogeológico do complexo, especificamente nas regiões da pilha de estéreis 4 e bacia de rejeitos. O contrato está em vigência até junho de 2024. Ficou ainda especificada a necessidade de perfuração de 20 novos poços. Um primeiro estaria no rol de contratação pela INB, no início deste ano. Está nos planos da empresa, segundo o documento, uma nova estação de tratamento de águas ácidas. 

A INB assinou contrato com uma empresa privada – não informou qual - para a elaboração do projeto conceitual da estação, que terá capacidade para tratar 600 metros cúbicos por hora; em duas linhas independentes das águas ácidas. O desmantelamento da planta industrial, com a alienação de bens patrimoniais, vai exigir a venda de “sucata e equipamentos que não estejam radiologicamente contaminados, sem necessidade de descontaminação”. Para resolver o problema da infiltração, seria necessária a impermeabilização dos 200 metros inicial do desvio do Córrego Consulta. A elaboração do projeto estaria prevista para ocorrer em março próximo, com execução das obras para dezembro de 2024. Não faltam projetos e datas para início, meio e fim dos problemas. A contratação de empresa solucionar a remoção e disposição dos resíduos está prevista para setembro. 

O relatório da empresa a ser contratada está previsto para março do ano que vem. Um plano de descomissionamento da barragem de rejeitos, está mais adiante: junho de 2025, com a contratação da empresa em dezembro daquele ano. O documento não mostra orçamentos, valores estimados dos contratos. Além dos problemas com o Córrego, a barragem, a UDC mantém tambores metálicos contendo Torta II (material radioativo), na instalação. A troca de tambores iniciada em setembro do ano passado vai durar 14 meses. De um total de 19600 tambores, 3.200 foram sobre-embalados. Outros 3500 também. A complicada operação exige a coleta de amostras de Torta II para análise das concentrações de urânio e tório.  A CNEN quer mais detalhes para a contabilização do inventário de Torta II armazenado em um dos galpões. Estaria disposta a passar adiante no futuro? No complexo de Poços de Caldas funcionou a primeira mina de extração de urânio no Brasil, fechada em 1982. 

FOTO: INB - CALDAS - 

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