terça-feira, 12 de novembro de 2019

"Arrogância" dificulta comunicação na área nuclear", diz Abel Gonzalez, em workshop sobre Chernobyl


“A arrogância” que norteia setores da área nuclear contribui para dificultar que a informação sobre fatos relevantes esteja ao alcance da população como deveria. A opinião é de Abel Julio Gonzalez, da Autoridade Regulatória Nuclear de Argentina (ARN), líder do projeto das organizações internacionais competentes das Nações Unidas (UN) sobre Chernobyl. Gonzalez fez esta e outras críticas ao falar para cerca de 100 técnicos de empresas nucleares, no Workshop “Chernobyl – olhar o passado como lição para o futuro”, realizado nesta segunda-feira (11/11), no auditório de Furnas, em Botafogo.

A explosão de um dos quatro reatores de Chernobyl, na Ucrânia, ex-União Soviética, ocorreu no dia 26 de abril de 1986. Desde então, Abel Gonzalez participou das reuniões para avaliação da tragédia. Disse que somente dois anos depois foram fechados os primeiros relatórios sobre o acidente. A arrogância, a que se referiu, pode ser constatada até mesmo em um vídeo que simula os diálogos entre a equipe que operava a sala de controle de Chernobyl, no dia do acidente. Um superior dá ordens ao operador do reator, quando eles entram em discussão, sem humildade. 

Abel Gonzalez tem na bagagem experiência de sobra sobre a tragédia. Ele foi diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), vice-presidente da International Comission on Radiological Protection (ICRP) e representante da United Nations Scientific Committee on the Effects of Atomic Radiation (UNSCEAR). “Há também inadequação linguística quando se usa termos técnicos que não comunicam”. O dirigente prosseguiu com as críticas lembrado que entre o fim da conclusão do primeiro relatório sobre o acidente, em 1987, até hoje, há uma grande lacuna e nada foi feito para o esclarecimento da população. 

“Uma verdade não completa pode induzir a uma mentira”, comentou.  Segundo ele, em 1989 membros de várias entidades pressionaram a delegação soviética a enviar informações. Somente em 1990 mais de 100 pessoas participaram de um relatório concluindo que foram centenas de milhares de vítimas: casos de depressão, interrupção indesejada de gravidez, por exemplo. 

O especialista também relembrou, segundo ele, “mentiras divulgadas sobre a tragédia”, como um número de um milhão de mortos, mulheres contaminadas que teriam defeitos físicos como várias mamas, e todo o tipo de informação errada, fruto da incapacidade de gerenciar o primeiro grande acidente nuclear no mundo, com consequências danosas que alcançaram diversos países.

Ele mostrou gráficos sobre sete mil crianças, que consumiram leite contaminado com iodo-131: resultado meninos e meninas com câncer de tireoide. A ocultação e o mutismo sobre a informação provocaram tragédias como essas em torno do acidente, que poderiam ter sido evitadas. “O que não pode se repetir jamais. Num acidente, não se pode consumir esse tipo de leite em hipótese alguma”. 

A tragédia não foi ainda maior porque temia-se uma guerra nuclear com os Estados Unidos e os hospitais estavam bem equipados, observou Abel González. 

CULTURA DA SEGURANÇA. 

O Presidente da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, disse que Chernobyl foi o “pior caso de marketing da história” na indústria nuclear. Ele acha que deve haver uma cultura de segurança em todas as unidades nucleares, nas quais o operador da sala de controle deve ser ouvido e, em caso de qualquer anormalidade, o que deve prevalecer é o “exercício da humildade”. 

A Eletronuclear, Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), Sociedade Brasileira de Proteção Radiológica (SBPR) e Furnas organizam o workshop "Chernobyl - olhar o passado como lição para o futuro". O evento teve outras palestras técnicas sobre níveis de radiação; remediação ambiental, eletricidade nuclear, proteção radiológica, entre outros.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Eletronuclear formaliza à CNEN pedido para extensão de vida útil de Angra 1


O presidente da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, formalizou à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), pedido de extensão da vida útil de Angra 1, de 40 para 60 anos. A documentação com o pedido foi entregue nesta quinta-feira (7/11) na sede da CNEN, no Rio de Janeiro. 

“Considerando que a vida licenciada pela CNEN de 40 anos de Angra 1 se encerra em 2024, a Eletronuclear apresenta com cinco anos de antecedência seu requerimento de extensão para mais 20 anos, com base em programas que implicam em investimentos na usina da ordem de R$1 bilhão. Esse investimento representa um baixíssimo custo para os 640 MW novos, a partir de 2025”, comentou o presidente da Eletronuclear. 

A usina Angra 1, comprada da Westinghouse, empresa norte-americana, entrou em operação em 1985. “Seus 40 anos de atividade, portanto, se completam no ano de 2024. O pedido de extensão ocorre agora porque há um compromisso da Eletronuclear de fazer esta solicitação cinco anos antes do vencimento da licença operacional”, informou. 

“A CNEN se empenhará para que o processo de análise do pedido ocorra dentro do prazo adequado, mas com foco na segurança, radioproteção e no extremo rigor técnico”, frisou a chefe de gabinete da instituição, Cássia Helena Pereira Lima, representando o presidente da Comissão, Paulo Roberto Pertusi. 

O titular da Diretoria de Radioproteção e Segurança Nuclear (DRS) da CNEN, Ricardo Fraga Gutterres, recebeu a documentação, em formato digital. Para Gutterres, a Eletronuclear e a DRS/CNEN exercem funções claramente distintas no setor nuclear, mas “as reuniões realizadas entre técnicos das duas instituições podem colaborar para troca de informações nos processos críticos da Central Nuclear”. Ele acredita que o pedido de extensão da vida útil de Angra 1 também deverá contar com esta forma de relacionamento, permitindo à CNEN uma análise bastante detalhada e rigorosa da solicitação. 

Segundo o engenheiro Jefferson Borges Araújo, diretor da unidade da CNEN em Angra dos Reis, as usinas nucleares brasileiras, seguindo um padrão dos Estados Unidos, foram licenciadas para operar por 40 anos. Conforme o padrão norte-americano adotado no Brasil, o pedido de extensão de vida útil deve ser feito cinco anos antes do fim da licença de operação. 

Entre os vários itens que serão analisados na solicitação, estão o Programa de Gestão de Envelhecimento (PGE) e também procedimentos relacionados à gestão do conhecimento e à obsolescência. Angra 2, que ainda tem um prazo mais amplo de sua vida útil inicialmente licenciada, já iniciou estudos para implementar um Programa Integrado de Gestão do Envelhecimento de Sistemas, Estruturas e Componentes. 

De acordo com Jefferson Borges, as extensões de vida útil de reatores nucleares vêm ocorrendo no mundo todo e foram possíveis por dois fatores principais. Um deles é o avanço tecnológico, o que permitiu que novos materiais e técnicas sustentassem a segurança das usinas por um tempo maior que o inicialmente projetado. Também pesa na decisão de estender a vida útil o fato de os padrões de segurança adotados inicialmente serem tão rigorosos que permitam uma ampliação do prazo de operação licenciado. 

Segundo os técnicos, os Estados Unidos, por exemplo, já realizaram extensão de operação para mais de 70 usinas nucleares, nas quais a vida útil passou, na maioria dos casos, de 40 para 60 anos. Naquele país, já foram iniciados estudos que podem estender a operação das usinas para até 80 anos. Procedimentos de extensão de vida útil de reatores nucleares também ocorreram na França e na República Checa, entre outros países.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Processo da Antpen contra INB tem audiência dia 28/11, em SP


A Justiça acolheu o pedido do procurador do trabalho do Ministério Público do Trabalho/PRT 2, Cristiano Lourenço Rodrigues, que requereu o ingresso na ação civil pública (ACP) como litisconsorte (coautor) no processo movido pela Associação Nacional dos Trabalhadores da Produção de Energia Nuclear (Antpen), contra a Indústrias Nucleares do Brasil (INB). A decisão ocorreu em audiência realizada nesta terça-feira (05/11). Outra audiência foi agendada para o dia 28/11, com depoimentos de testemunhas e apresentação de contestação por parte da INB.

O caso envolve ex-empregados da Nuclemon, sucedida pela INB, expostos à radiação e a agentes químicos. Entre os pedidos do MPT estão R$ 12 milhões de indenização por dano moral coletivo, a ser revertido a instituições e/ou projetos de pesquisa que estudam os riscos da radiação ionizante para a saúde dos trabalhadores e da população em geral. A ACP, proposta pela Antpen, com pedido de máxima urgência, pela gravidade da situação dos doentes, requer entre outros, a implementação de assistência médica integral para todos os ex-empregados da Nuclemon, e não apenas para os 65 trabalhadores, que obtiveram, através da Justiça, a concessão um plano de saúde. 

O pagamento do plano, lembra a direção da Antpen, ainda sofre reiteradas contestações por parte da INB; processo este que tramita há mais de uma década e que “não se vislumbra seu término a curto prazo”. Ao Blog, a INB respondeu que a “Consultoria Jurídica” da empresa “atua no processo, que segue seu curso na 20ª Vara do Trabalho de São Paulo”. 

No processo, a INB alega, por exemplo, que os ex-empregados da Nuclemon não têm direito ao plano de saúde, embora sofram de diversas doenças ocupacionais, do aparelho respiratório e diversos tipos de cânceres, que só se manifestam muitos anos após o primeiro contato com os agentes tóxicos presentes na empresa, em especial a radiação ionizante. 

No decorrer do processo, dos 65 ex-empregados que promoveram a ação, cerca de 15 vítimas já faleceram, ficando seus familiares responsáveis pela continuidade dos processos de indenização. “Na ação civil pública, a INB exige que os trabalhadores sejam submetidos a novas perícias médicas com o objetivo único de protelar o cumprimento de suas obrigações, incluindo a indenização das vítimas e dos familiares dos falecidos”, critica a Antpen. O próximo passo da ACP será uma audiência no dia 28 de novembro, na 20ª. Vara do Trabalho de São Paulo. A ação seguirá seu curso e serão ouvidas testemunhas para, finalmente, a Justiça formar convicção e decidir se os ex-empregados têm razão e, com isto, fazer a empresa cumprir com suas obrigações.

A Nuclemon funcionou no bairro paulistano do Brooklin, entre as décadas de 40 e 90, período em que chegou a ter entre 500 a 700 empregados na planta, manuseando material radioativo, extraído de terras raras, como urânio e tório, sem as mínimas condições de segurança. A empresa fechou no início da década de 90, após denúncia de contaminação divulgada pela imprensa, deixando como herança um número incontável de doentes. 

O extinto Ministério do Trabalho, a direção do Sindicato dos Químicos de São Paulo, o CEREST (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador) de Santo Amaro e o Ministério Público Estadual realizaram várias inspeções no local e comprovaram que os estabelecimentos de beneficiamento das terras raras do Brooklin (USAM) e de Interlagos (USIN) estavam totalmente contaminados e identificaram mais de 150 trabalhadores doentes. A Antpen foi fundada em 2006, e desde então luta na Justiça em defesa das vítimas. 


terça-feira, 29 de outubro de 2019

Exercício simulado de emergência nuclear mobiliza população de Angra dos Reis


Um grande exercício simulado de emergência, em caso de necessidade de retirada da população próxima das usinas nucleares (Angra 1 e Angra 2) será realizado nesta quarta (30/10) e quinta-feira (31/10). As Forças Armadas e organizações federais, estaduais e municipais mobilizarão aeronaves, embarcações e veículos terrestres. Integrantes de Órgão de Segurança Pública organizarão o deslocamento de automóveis e pedestres. 

O Hospital de Campanha da Marinha será instalado no Cefet do Parque Mambucaba. Já Hospital de Campanha do Exército ficará no Estádio Municipal. Em uma ação social das Forças Armadas, estes hospitais estarão disponíveis para que a população local realize consultas médicas de diferentes especialidades. 

Segundo a Eletronuclear, o objetivo é avaliar a “eficácia dos planos de emergência”, anteriores, “ identificar pontos vulneráveis e aperfeiçoar os procedimentos de atendimento a situações de emergência”. Visa também demonstrar a capacidade de mobilização de recursos previstos nos diversos planos de emergência e de implementar em tempo hábil as medidas de proteção para a população. “Mesmo baseado em uma situação fictícia, é uma operação que envolve entidades civis e militares, além de parte da população da região de Angra dos Reis”. 

A população de Angra pode se preparar: estão previstas, durante a realização do exercício, em caráter de voluntariado, ações de remoção de parcela dos residentes do entorno da Central Nuclear. As sirenes do Plano de Emergência Externo do Rio de Janeiro, localizadas nessas áreas, serão acionadas durante a atividade. 

Estão sendo planejadas, também, ações destinadas a um pronto atendimento médico, em uma situação de emergência, com a instalação de Hospitais de Campanha na região. Em uma ação social das Forças Armadas, estes hospitais estarão disponíveis para que a população local realize consultas médicas de diferentes especialidades. 

Cabe à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) a avaliação das condições de segurança das usinas e dos seus respectivos trabalhadores, da população e do meio ambiente e, dessa forma, recomendar as devidas medidas de proteção. O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, órgão central do Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (Sipron), é o responsável pela supervisão do Simulado de Emergência Nuclear em Angra dos Reis. 

O planejamento das ações foi realizado pelo Comitê de Planejamento de Resposta a Situações de Emergência Nuclear no Município de Angra dos Reis (Copren/AR), órgão colegiado que tem a finalidade de planejar ações de resposta a situações de emergência nuclear na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto. 

O comitê reúne representantes do GSI, que o coordena; Ministério da Defesa; Ministério da Saúde; Ministério do Desenvolvimento Regional, por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil; Superintendência Estadual do Rio de Janeiro da Agência Brasileira de Inteligência do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República; Comissão Nacional de Energia Nuclear; Eletronuclear; Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis; Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro e do Instituto Estadual do Ambiente do Governo do Estado do Rio de Janeiro; Secretaria Especial de Proteção e Defesa Civil da Prefeitura Municipal de Angra dos Reis; e Coordenadoria Municipal de Defesa Civil da Prefeitura Municipal de Paraty. 

PASSADO: Segundo a Eletronuclear, desde 1996 são realizados exercícios de resposta à emergência nuclear na CNAAA. Em anos ímpares, ocorrem os simulados gerais, que treinam a estrutura de forma completa. Em anos pares, ocorrem os exercícios parciais, focados nos pontos onde são identificadas maiores necessidades de treinamento e aperfeiçoamento. 

A empresa informou que as atividades contam com a participação de peritos e observadores nacionais. Essa troca de experiências resulta na constante revisão da legislação afeta às atividades nucleares no país e tem permitido um aperfeiçoamento contínuo dos respectivos planos de emergência, evidenciando o alto grau de comprometimento do setor nuclear com a segurança nuclear do Programa Nuclear Brasileiro.

Usinas nucleares: construção do depósito de combustível usado vai começar


Estão sendo concluídos os preparativos para o início das obras de construção da Unidade de Armazenamento Complementar a Seco de Combustível Irradiado (UAS), destinada à estocagem, em dois anos, de combustível usado (urânio enriquecido), das usinas Angra 1 e Angra 2I. Conforme o blog antecipou no ano passado, o custo ficará em torno de R$ 246 milhões.

Segundo a Eletronuclear, a Licença de Construção da foi publicada no Diário Oficial. Com aval da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), a Eletronuclear já possui as autorizações necessárias para dar início efetivamente às obras do empreendimento. Na semana passada, o Ibama emitiu a licença de instalação para o UAS e a prefeitura de Angra dos Reis já havia concedido o alvará para uso do solo.

As obras preparatórias do local, que incluíram a remoção do talude, foram finalizadas no mês passado. A empresa americana Holtec já está se mobilizando no canteiro para dar início em breve à construção da unidade. A expectativa é que a UAS fique pronta em 2020.
Como a capacidade de armazenamento das piscinas de Angra 1 e 2 se esgotará nos próximos anos, a Eletronuclear construirá a unidade dentro do próprio sítio da central nuclear de Angra.

 INSTALAÇÃO: Angra 1 e 2 utilizam elementos combustíveis no interior do reator para gerar calor e, consequentemente, produzir energia. Após um período de três a quatro anos, os elementos combustíveis são retirados do reator e armazenados em piscinas localizadas dentro das próprias unidades. À medida que a estocagem atinge a capacidade máxima, há necessidade de construir um novo repositório, de forma a permitir a continuidade da operação das usinas.

A UAS ficará localizada dentro da Central Nuclear, fora das áreas das usinas, com fundação sobre rocha sã. Inicialmente, serão instalados 15 módulos. Na primeira transferência, que acontecerá em 2021, 288 elementos combustíveis serão retirados de Angra 2 e 222, de Angra 1, o que abrirá espaço nas piscinas das usinas para mais cinco anos de operação. No total, a UAS poderá comportar até 72 módulos, com capacidade para armazenar o combustível usado de Angra 1 e 2 até 2045.

É importante ressaltar que combustível usado não é sinônimo de rejeito”, destaca a Eletronuclear. “Num elemento usado, como os que serão armazenados na UAS, apenas 5% da massa de combustível são considerados rejeitos de alta atividade. O restante pode ser reprocessado, como já é feito em diversos países. Trata-se de uma tecnologia em franco desenvolvimento, e o Brasil tem plenas condições de guardar seu combustível nuclear usado com segurança antes que seja necessário tomar uma decisão definitiva sobre a destinação desse material”, informou a empresa.

TECNOLOGIA: O sistema a seco utilizado na UAS é baseado em cânisters (cascos). A empresa optou por esse tipo de tecnologia como solução para o armazenamento complementar dos combustíveis irradiados de Angra 1 e 2. Para chegar a essa definição, a Eletronuclear considerou os seguintes fatores: tecnologia segura, utilização em escala mundial, processo de licenciamento consolidado, prazo de implantação e custos compatíveis com a necessidade da empresa.

A instalação confina os elementos combustíveis dentro de um casco cilíndrico em aço inoxidável fechado hermeticamente, com gás hélio em seu interior. A refrigeração é feita de forma passiva, sem utilização de energia elétrica, pela movimentação do ar exterior. Esse casco fica protegido por um módulo de armazenamento construído com dois cilindros de aço preenchidos com concreto de alta densidade. O módulo mede cerca de 6,0 m de altura x 3,6 m de diâmetro e tem a função estrutural de resistir aos eventos externos.

“A tecnologia da UAS é segura e amplamente utilizada há mais de 30 anos nos Estados Unidos e em outros países. No mundo todo, já existem cerca de 100 mil elementos usados guardados em mais de 2.400 cascos”, assegura a empresa.

OPERAÇÃO DE TRASFERÊNCIA: Um cânister colocado na piscina de combustível recebe os elementos combustíveis que serão transferidos. O recipiente é colocado em uma blindagem especial e levado para fora do edifício da contenção. Em seguida, é transferido para o módulo de armazenamento. Uma meticulosa operação de transporte leva o módulo carregado até a UAS. Lá, esse material é mantido sob vigilância e monitoração permanentes.

INVESTIMENTOS E PRAZOS: Segundo reiterou a empresa, a estimativa de gastos para a construção da UAS é de R$ 246 milhões. Conforme o blog também antecipou no ano passado, para tocar o empreendimento, foi feita uma licitação internacional, cuja vencedora foi a empresa americana Holtec International. A licitação também contemplou a transferência dos elementos combustíveis irradiados para a instalação.

Angra 1 recebe combustível nuclear


A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) concluiu a entrega da 25ª recarga de combustível para a usina nuclear Angra 1, apesar do contingenciamento no orçamento, que motivou a possibilidade de a Eletronuclear buscar a solução no exterior. Segundo a INB, foram entregues à Eletronuclear na quinta-feira passada (24/10), os 44 Elementos Combustíveis previstos para esta recarga dentro do prazo. O primeiro transporte, dos seis realizados este mês, aconteceu no dia 04 de outubro. 
O comboio partiu da Fábrica de Combustível Nuclear, em Resende (RJ), com destino à Central Nuclear em Angra dos Reis (RJ). O transporte foi acompanhado por um esquema de segurança envolvendo as áreas federal, estadual e municipal. Cabe aos técnicos da INB a embalagem do material e à Eletronuclear o planejamento e coordenação do transporte. 
A direção da empesa lembra que a recarga é um processo de reabastecimento de uma usina nuclear por meio da substituição de elementos combustíveis descarregados por novos. “Para ilustrar, é possível comparar figurativamente à troca de pilhas sem cargas de uma lanterna”. O Elemento Combustível é uma estrutura metálica, com até 5 metros de altura, formada por um conjunto de tubos, chamadas varetas, dentro das quais são colocadas pastilhas de urânio enriquecido entre 2 e 5%. 
PRÓXIMAS RECARGAS. A produção da 16ª recarga de Angra 2 já está sendo produzida. O urânio enriquecido nacionalmente pela INB Resende será fundamental para que esta recarga seja atendida dentro do prazo. A previsão é concluir a entrega em maio de 2020. A INB também começou os preparativos para iniciar a produção da 26ª recarga de Angra 1 em março de 2020, na sequência da 16ª, com a produção de pó de UO2 (Dióxido de urânio).

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

INB poderá ter de pagar mais de R$ 12 milhões de indenização


O procurador do Ministério Público do Trabalho (PRT), Cristiano Lourenço Rodrigues, acaba de requerer ingresso na ação civil pública (ACP) como litisconsorte (coautor) no processo movido pela Associação Nacional dos Trabalhadores da Produção de Energia Nuclear (Antpen), contra a Indústrias Nucleares do Brasil (INB). O caso envolve ex-empregados da Nuclemon, sucedida pela INB, expostos à radiação e a agentes químicos. Entre os pedidos do MPT estão R$ 12 milhões de indenização por dano moral coletivo, a ser revertido a instituições e/ou projetos de pesquisa que estudam os riscos da radiação ionizante para a saúde dos trabalhadores e da população em geral. 

A ACP, proposta pela Antpen, com pedido de máxima urgência, pela gravidade da situação dos doentes, requer entre outros, a implementação de assistência médica integral para todos os ex-empregados da Nuclemon, e não apenas para os 65 trabalhadores, que obtiveram, através da Justiça, a concessão um plano de saúde. O pagamento do plano, lembra a direção da Antpen, ainda sofre reiteradas contestações por parte da INB; processo este que tramita há mais de uma década e que “não se vislumbra seu término a curto prazo”.

Ao Blog, a INB respondeu nesta sexta-feira (18/10), que a “Consultoria Jurídica” da empresa “atua no processo, que segue seu curso na 20ª Vara do Trabalho de São Paulo”, do Fórum da Zona Sul. 

No processo, a INB alega, por exemplo, que os ex-empregados da Nuclemon não têm direito ao plano de saúde, embora sofram de diversas doenças ocupacionais, do aparelho respiratório e diversos tipos de cânceres, que só se manifestam muitos anos após o primeiro contato com os agentes tóxicos presentes na empresa, em especial a radiação ionizante. No decorrer do processo, dos 65 ex-empregados que promoveram a ação, cerca de 15 vítimas já faleceram, ficando seus familiares responsáveis pela continuidade dos processos de indenização. 

“Na ação civil pública, a INB exige que os trabalhadores sejam submetidos a novas perícias médicas com o objetivo único de protelar o cumprimento de suas obrigações, incluindo a indenização das vítimas e dos familiares dos falecidos”, critica a Antpen. O próximo passo da ACP será uma audiência no dia 5 de novembro, na 20ª. Vara do Trabalho de São Paulo, com presença confirmada do MPT, visando ouvir as partes em busca de um acordo para solucionar o problema. Os dois lados terão oportunidade de defender seus pontos de vista e, caso não se chegue a um acordo, a ação seguirá seu curso e serão ouvidas testemunhas para, finalmente, a Justiça formar convicção e decidir se os ex-empregados têm razão e, com isto, fazer a empresa cumprir com suas obrigações. 

A Nuclemon funcionou no bairro paulistano do Brooklin, entre as décadas de 40 e 90, período em que chegou a ter entre 500 a 700 empregados na planta, manuseando material radioativo, extraído de terras raras, como urânio e tório, sem as mínimas condições de segurança. A empresa fechou no início da década de 90, após denúncia de contaminação divulgada pela imprensa, deixando como herança um número incontável de doentes. 

O extinto Ministério do Trabalho, a direção do Sindicato dos Químicos de São Paulo, o CEREST (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador) de Santo Amaro e o Ministério Público Estadual realizaram várias inspeções no local e comprovaram que os estabelecimentos de beneficiamento das terras raras do Brooklin (USAM) e de Interlagos (USIN) estavam totalmente contaminados e identificaram mais de 150 trabalhadores doentes. A Antpen foi fundada em 2006, e desde então luta na Justiça em defesa das vítimas. 

LICITAÇÃO 

A INB está realizando licitação para a contratação de plano de saúde para 41 empregados em atividade lotados nas unidades de São Paulo (SP), Fortaleza (CE), Santa Quitéria (CE) e Caldas (MG). Informa que todos os seus empregados são assistidos por convênio privado de saúde; porém, nesses casos específicos, “onde o número de empregados é pequeno, é realizada contratação de um plano local para atendê-los, assim como a seus dependentes”. 

Em relação aos ex-empregados da Nuclemon, “em virtude de determinação judicial”, a INB mantém o plano de saúde que atende atualmente 50 beneficiários, que são os autores da referida ação trabalhista e aguarda julgamento final de recurso no TST (Tribunal Superior do Trabalho), em Brasília, como nos informou a empresa.

Em destaque

Bomba atômica! Pra quê? Brasil e Energia Nuclear - Editora Lacre

O livro “Bomba atômica! Pra quê? Brasil e Energia Nuclear”, da jornalista Tania Malheiros, em lançamento pela Editora Lacre, avança e apr...