Para a troca do combustível (urânio enriquecido) e a execução de cinco mil atividades, em Angra 2, a Eletronuclear está mobilizando cerca de 1.200 profissionais, dos quais 1.090 brasileiros e 110 especialistas estrangeiros. A 21ª parada da usina nuclear está programada começar em meados deste mês (16/1), como o blog anunciou em novembro. Além do reabastecimento do núcleo do reator, os técnicos farão a revisão do gerador principal e a substituição do disjuntor principal do gerador, intervenções de alta complexidade estratégica, de procedência norte-americana.
A usina deve ficar parada cerca de 50 dias para o reabastecimento do combustível, produzido pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) que, há cerca de cinco anos custava à Eletronuclear cerca de R$ 300 milhões.
O urânio extraído da mina de Caetité, na Bahia, é transformado em yellowcake (pó ou pasta amarela) e de lá segue para a Rússia, onde passa por outras etapas em empresa estatal daquele país: hexafluoreto (gás) e enriquecimento. Assim, retorna ao Brasil para ser transformado em pastilhas que serão inseridas em varetas de zircaloy na Fábrica de Combustível Nuclear, na INB, em Resende (RJ), para depois segurem para Angra dos Reis.
A parada ocorre em regime contínuo, 24 horas por dia, com equipes organizadas em turnos de 12 horas, para garantir a continuidade dos trabalhos. Segundo a Eletronucear, a os serviços preparatórios já estão em andamento, incluindo a montagem do canteiro de apoio, com instalação de contêineres, oficinas e sistemas elétricos provisórios, garantindo a infraestrutura necessária para a execução da parada.
“As paradas de reabastecimento são procedimentos de rotina e ocorrem, aproximadamente, a cada 13 meses (duração de um ciclo de operação). São programadas com, pelo menos, um ano de antecedência, levando-se em consideração a duração do combustível nuclear e as necessidades do Sistema Interligado Nacional (SIN). Todo o processo é coordenado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e, enquanto a unidade permanecer desligada, o ONS despachará a energia de outras usinas do SIN, de forma a garantir um abastecimento seguro de eletricidade para o país”, informou o superintendente de Angra 2, Fabiano Portugal.
EMPRESA VIVE GRAVE CRISE -
A situação financeira da Eletronuclear tende a se agravar com esta parada de Angra 2, que envolve a contratação de mais de mil trabalhadores dos quais os mais de uma centena de estrangeiros, além da falta de recursos já mencionada várias vezes pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Para evitar problemas com empregados, a Eletronuclear fez um acordo bem satisfatório com os trabalhadores anistiando inclusive os dias parados na greve do ano passado. Um novo acordo está revisto para ocorreu em abril.
Além do desafio financeiro a Eletronuclear enfrenta outra questão: a manutenção dos elementos combustíveis usados (irradiados) que sairão do reator de Angra 2 para armazenados nas Unidades de Armazenamento a Seco (UAS) da central nuclear. E ainda a construção do Centena, a cargo da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), local para abrigar os rejeitos radioativos de baixa e média atividade, conforme reportagens publicadas várias vezes pelo Blog. As piscinas que armazenam os rejeitos dentro das usinas passaram por reformas no ano passado, atendendo a determinação do Tribunal de Contas da União (TCU).
UM POUCO DA HISTÓRIA -
Angra 2 faz parte do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, assinado pelo presidente Ernesto Geisel, em 27 de junho de 1975. A usina começou a ser construída em 1981, mas teve o ritmo das obras desacelerado a partir de 1983, parando de vez em 1986. A unidade foi retomada no final de 1994 e concluída em 2000, para entrar em operação em 2001. A usina conta com um reator de água pressurizada (PWR) de tecnologia alemã da Siemwns/KWU (hoje Areva NP). O custo da produção da usina não costuma ser revelado, nem as despesas com as paradas por problemas técnicos, muito menos, com a troca de combustível. Com potência de 1.350 megawatts, produz o equivalente a 20% da energia elétrica consumida na cidade do Rio de Janeiro.
(FOTO: ELETRONUCLEAR e INB) -
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