
Carioca de nascimento, mineira por adoção, avó,
jogadora de esgrima, a engenheira nuclear Clédola Cássia Oliveira de Tello, é
quem está no comando do projeto nacional de construção do depósito definitivo
para armazenar os rejeitos radioativos de baixa e média atividade, produzidos no
país. A libriana de 67 anos, que fala seis idiomas, não concorda que esses
rejeitos sejam chamados de “lixo atômico” (leia box). Apaixonada pelo trabalho
no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), da Comissão Nacional
de Energia Nuclear (CNEN), em MG, onde está há 41 anos, ela admite que já
sofreu preconceito por ser mulher, mas soube driblar as situações muito bem.
Clédola coordena cursos de pós-graduação em energia nuclear, e atribui o pouco
interesse das mulheres, à preferência do mercado de trabalho por homens.
Preconceito a parte, ela conversou com exclusividade com o BLOG e adiantou porque
o projeto, iniciado em 2008, sofreu uma série de atrasos. Finalmente, em 2021,
quando a pandemia estiver controlada, Clédola e equipe apresentarão o trabalho
completo ao governo. Orçado em R$ 120 milhões, o depósito deverá ser construído
no Rio, em São Paulo ou Minas Gerais. Eis a entrevista. BLOG: Por que o CDTN, em
Belo Horizonte, está à frente do projeto do depósito nacional para rejeitos
radioativos de baixa e média atividade?
CLÉDOLA: O CDTN foi escolhido para
coordenar o projeto para a implantação do Repositório
– também designado depósito final –
Nacional para os Rejeitos de Baixo e Médio Nível de radiação (RBMN), devido
à experiência de seu grupo de Rejeitos Radioativos (RR), do qual faço parte.
BLOG:
Como a senhora chegou à coordenação do trabalho?
CLÉDOLA: Por conta da grande
experiência, adquirida ao longo de minha vida profissional. Eu trabalho no CDTN
há 41 anos. Sempre fiz parte da equipe do setor de Gerência de Rejeitos. Ao
longo do tempo fui me especializando em tratamento de rejeitos radioativos e
perigosos.
BLOG: O acidente com césio 137, em Goiânia, em 1987, teve
influência?
CLÉDOLA: Sim. Trabalhei durante a descontaminação de Goiânia devido
ao acidente radiológico com a fonte de radioterapia de césio 137. A partir daí
o tema armazenamento e deposição de rejeitos radioativos foi despertando meu
interesse. Fiz especialização e mestrado em engenharia nuclear. O mestrado e o
doutorado (em engenharia química) tiveram ênfase em rejeitos radioativos.
BLOG:
Conte mais sobre a sua experiência.
CLÉDOLA: Fiz um curso de especialização na
França sobre gerência de rejeitos radioativos no instituto de pesquisas de
Saclay; um estágio profissional de 18 meses em Karlsruhe, na Alemanha, onde aprendi
técnicas de tratamento de rejeitos e avaliação de rejeitos solidificados e por
último outro estágio no BNL, nos Estados Unidos, também na área de rejeitos.
Fiz cursos sobre repositórios pela Agência Internacional de Energia Atômica
(AIEA) na Suíça, nos Estados Unidos e na Áustria. De modo que participei como
perito de algumas atividades da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA),
na Espanha, México e Colômbia.
BLOG: O
projeto do depósito brasileiro é um dos mais importantes no setor nuclear
brasileiro, pois é a solução para o armazenamento dos rejeitos. Qual a sua
avaliação nesse sentido?
CLÉDOLA: Sim. Mostra o compromisso e a
responsabilidade do País no uso da energia nuclear em diversas atividades,
apresentando a solução para o armazenamento final dos rejeitos radioativas, dentro
de padrões internacionais. Faz parte da garantia de sustentabilidade da
indústria nuclear no Brasil.
BLOG: Desde
o acidente de Goiânia que se busca essa solução, mas até hoje nada aconteceu de
concreto. Por que até hoje o país corre o risco de acidentes, por conta dessa
demora?
CLÉDOLA: A questão dos rejeitos gerados pelo acidente radiológico em
Goiânia foi solucionada. Estão armazenados em Abadia de Goiás, em áreas de
deposição projetadas de acordo com a legislação nacional e internacional. Desde
1992, fazem parte do Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste (CRCN-CO).
Normalmente, esses em empreendimentos são de responsabilidade da alta direção
do país.
BLOG: O depósito nacional será bem diferente...
CLÉDOLA: O Repositório a
ser implantado pelo Projeto que coordeno será construído para receber rejeitos
gerados em todo o território nacional, contendo vários radionuclídeos. Houve
sempre por parte da CNEN a preocupação da implantação deste repositório. A CNEN
é responsável pela parte técnica e vem dedicando-se com sua equipe de
servidores de prover todas as necessidades para que o repositório seja
implantado.
BLOG: Mas até hoje não saiu do papel.
CLÉDOLA: Como a CNEN não é
uma empresa e não tem orçamento para uma obra deste vulto, é preciso que haja
um compromisso do governo federal para que seja possível sua construção e
operação. Porém, embora a parte construtiva seja de média complexidade, as
atividades que a antecedem apresentam a maior complexidade, principalmente
aquelas ligadas ao licenciamento; neste caso, composto da parte ambiental e da
parte radiológica.
BLOG: Como será feita a seleção do local?
CLÉDOLA: A seleção
de local envolve critérios técnicos, sociais e ambientais que devem ser equacionados
para o sucesso do empreendimento. O perigo de acidente com rejeitos por este
atraso é muito pequeno. O atraso causa prejuízos maiores nas áreas financeiras,
sociais e técnicas.
BLOG: Esse projeto nacional começou há muito tempo.
CLÉDOLA:
O projeto teve seu termo de abertura assinado em novembro de 2009. Os maiores
atrasos foram devido a eventos internos a CNEN, nacionais e internacionais.
Exemplos foram as mudanças na Presidência da República e nos Ministérios,
consequentemente na Presidência da CNEN e suas diretorias, trazendo descompasso
ao projeto. O acidente ocorrido em Fukushima trouxe uma carga negativa para a
área nuclear e os orçamentos voltados para a área foram cortados.
BLOG: O que
aconteceu depois?
CLÉDOLA: Felizmente, em 2018, foi reconhecido como projeto de
Estado, graças a um trabalho conjunto da CNEN/MCTI juntamente com o GSI. Durante
este período muita coisa foi realizada: Estabelecimento do projeto conceitual
do repositório e da deposição; Estudo do inventário de rejeitos radioativos
existentes e previsão do inventário futuro; seleção de áreas potenciais para
busca de locais candidatos para a implantação do repositório, dentro da
normativa nacional e requisitos técnicos reconhecidos internacionalmente; definição
e detalhamento de atividades em cada uma das edificações do repositório; Estabelecimento
de um plano preliminar para as atividades de pesquisa e desenvolvimento a serem
realizadas na Instalação; e a elaboração do plano preliminar para a análise de
segurança.
BLOG: E agora?
CLÉDOLA: Nosso principal desafio é ter um orçamento
próprio, seguro e suficiente para que possamos fazer as aquisições de serviços
e materiais no momento em que estes são necessários, independente dos recursos da
CNEN. Lidamos também com a diminuição de recursos humanos especializados em
geral por aposentadoria.
BLOG: Os governos anteriores não se importaram com a
solução ou não havia recursos?
CLÉDOLA: Houve um pouco de cada. Na publicação
do Ministério de Ciência e Tecnologia, em 2006, já havia o Programa 18.5 “Implementação de uma Política Brasileira de
Gerenciamento de Rejeitos Radioativos”. Tinha como objetivo: “Implementar
uma Política Brasileira de Gerenciamento de Rejeitos Radioativos, visando
garantir o gerenciamento e o armazenamento seguro dos rejeitos radioativos
produzidos no território nacional”.
BLOG: Como era?
CLÉDOLA: Este programa
tinha cinco metas e uma delas era “Projetar e iniciar a construção de um
depósito definitivo para rejeitos de baixo e médio níveis de radiação, com
entrada em operação prevista para entrar em operação em 2013”. Com expectativa
de aplicação de orçamento. Assim em 2008 foi incentivada a criação de um
projeto para atingir esta meta e, em novembro de 2009, o Projeto RBMN foi
lançado.
BLOG: O que houve depois?
CLÉDOLA: Entretanto, nenhum orçamento
foi colocado para a execução de suas atividades. Com as constantes mudanças
ministeriais e consequentes mudança nos escalões da CNEN, o projeto não teve
apoio suficiente para se estabelecer totalmente. O avanço do projeto ocorreu
graças à persistência de seus técnicos, que buscaram soluções, conseguindo
progressos significantes, mesmo sem o protagonismo necessário nas esferas
superiores.
BLOG: Caso o governo não decida pela construção, o que poderá
acontecer?
CLÉDOLA: Teremos uma
acumulação de rejeitos nas instalações geradoras e cada gerador terá que
dedicar grande parte de seus recursos para construir e licenciar novos
depósitos iniciais e cuidar garantir sua guarda, até que no futuro o
repositório seja construído. O mesmo ocorrerá com qualquer instalação radiativa
ou nuclear que vier a ser licenciada e ou construída no país. De qualquer forma, agora ou no futuro próximo, este empreendimento terá que ser implantado e quanto
mais se posterga esta solução, mais caro e mais preocupante é a situação dos
geradores. Outra implicação refere-se ao cumprimento de acordo internacional
estabelecido na Convenção Conjunta de Rejeitos Radioativos e de Combustível
Irradiado, ratificada pelo Brasil em 2005, de construir depósitos definitivos
para os rejeitos radioativos gerados em território nacional. Mais uma implicação
é a imagem da energia nuclear como um todo, pois cria-se a percepção que não há
solução adequada para estes rejeitos, o que é uma inverdade.
BLOG: Pelo
inventário atual de rejeitos, como está a situação brasileira no momento?
CLÉDOLA: Para os próximos anos os geradores conseguem gerenciar seus rejeitos
sem ônus extras, porém depois da metade desta década, precisará pensar em novas
construções e licenciamento para continuar cuidando destes rejeitos. Com a
entrada em operação de Angra 3 e aumentando as aplicações da energia nuclear e
radionuclídeos estas iniciativas serão mais prementes. Tudo isto se o
repositório não estiver pronto até lá.
BLOG: Na sua avaliação, por que o
assunto não tem sido amplamente debatido junto à sociedade?
CLÉDOLA: Acredito
que seja porque nos ensinos fundamental e médio fala-se de outras formas de
energia, mas não de nuclear. E na mídia quando se fala do assunto é sempre com
um viés negativo, dificultando este debate.
BLOG: A mídia divulga os fatos. O
que tem sido feito para mudar essa imagem?
CLÉDOLA: Nossa equipe tem buscado
sempre fazer ações para informar e discutir com diversos públicos sobre a
gerência de rejeitos e o repositório. Temos apresentado palestras, seminários e
publicações abertas, para estudantes e professores dos diversos níveis de
ensino, como também em congressos e seminários. Atualmente estamos buscando
mais esta visibilidade, mostrando que este assunto não é tabu, e que casos de
sucesso nesta área existem há mais de 25 anos em alguns países.
BLOG: Se a
construção não ocorrer logo, poderá haver possibilidades de acidentes?
CLÉDOLA:
Em princípio não. Como os rejeitos radioativos são tratados, guardados e seu
volume é relativamente pequeno, quando comparado a outras atividades, a
possibilidade de acidentes com os rejeitos é mínima. A discussão aqui é tornar
o uso da energia nuclear mais eficiente trazendo uma solução centralizada para
os rejeitos, economizando divisas e aumentando o conhecimento das partes
interessadas no assunto, buscando criar essa cultura nas indústrias.
BLOG:
Como as entidades procedem com os seus materiais radioativos hoje? Estão bem
armazenados? Quantos fiscais trabalham nessa área?
CLÉDOLA: Atualmente os
maiores geradores são as usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, que cuidam e
armazenam seus rejeitos tratados. Os pequenos geradores guardam seus rejeitos
contendo radionuclídeos de meia-vida curta para decaimento e aqueles
classificados como de baixo e médio nível são geralmente enviados aos
institutos da CNEN para tratamento e guarda em depósitos intermediários. A
fiscalização fica a cargo da Diretoria de Radioproteção e Segurança.
BLOG: Quantas
instituições manuseiam esses materiais?
CLÉDOLA: Existem muitas instituições
que usam materiais radioativos, como por exemplo instalações médicas,
industriais, de pesquisa e desenvolvimento, os reatores nucleares, etc. Cada
uma produz rejeitos que são classificados diferentemente e cuja gerência e
destinação serão também diferentes. Não sei precisar o número de instalações
que temos no Brasil. Para o tratamento de rejeitos radioativos, além dos
grandes geradores, os institutos da CNEN estão habilitados para tratar e
armazenar rejeitos radioativos e fontes fora de uso em suas instalações.
BLOG:
Com ocorreu a participação da empresa francesa ANDRA nesse projeto?
CLÉDOLA: Diversos
países possuem empresas públicas que têm a responsabilidade da gerência dos
rejeitos radioativos, incluindo a deposição. Na França, a gerência de rejeitos
radioativos está a cargo da empresa ANDRA – Agence Nationale pour la gestion
des Dechets Radioactifs – que foi responsável pela construção de dois
repositórios, L’Aube e CIRES, na França e colaborou e colabora com a construção
de outros em países da Europa e da Ásia. Uma vez que o conceito selecionado
para o nosso repositório, conforme recomendado pelas normas brasileiras, é
semelhante ao de L’Aube, e tendo ANDRA experiência comprovada na área, ela foi
contratada para a elaboração do projeto conceitual. Este projeto está pronto e
terá sua versão final tão logo se tenha o local para a construção do
repositório.
BLOG: Como avalia o tamanho de sua responsabilidade nesse projeto?
CLÉDOLA: A responsabilidade neste projeto é muito grande, pois vai além da
responsabilidade técnica. Durante o tempo em que o projeto não teve
reconhecimento nas esferas decisórias, a responsabilidade de manter a equipe
motivada e de buscar recursos humanos e financeiros propôs desafios maiores do
que conhecimento técnico, passando pelas áreas administrativas, financeira, de
comunicação, chegando até às esferas políticas. Durante um tempo a
responsabilidade passou principalmente por meu lado cidadã, sabendo que se o projeto
fosse esquecido, demoraria muito mais para que fosse retomado, principalmente,
devido à falta de recursos humanos com a capacitação nesta área, que estão
diminuindo com o tempo.
BLOG: Por ser mulher, à frente de um projeto tão
importante, já sofreu algum preconceito?
CLÉDOLA: Sim, principalmente no início
do projeto. Está diminuindo, mas ainda existe. Porém não percebi nenhum preconceito
da parte da equipe que trabalha comigo.
BLOG:
A senhora chefia uma equipe com quantas pessoas? É fácil?
CLÉDOLA: Fácil
não é. Como se diz, se fosse fácil era outro que estaria fazendo. Nossa equipe
é multidisciplinar e a coordenação é matricial, quer dizer, administrativamente
não tenho cargo de chefia. Dentro do projeto procuro os perfis que são
adequados para executar as tarefas e negocio com os servidores e seus chefes
administrativos o trabalho que necessitamos. Atualmente estão trabalhando
diretamente no projeto cerca de 20 pessoas. A maior parte do pessoal é
compromissado e capaz, trazendo tranquilidade para a coordenação. A dificuldade
maior é que, como a equipe não pode dedicar-se exclusivamente ao projeto,
muitas vezes demandas concorrentes impedem que as atividades aconteçam no prazo
esperado. Tarefas dependentes de setores não técnicos são no momento minha
maior preocupação.
BLOG: Por que se interessou por energia nuclear (rejeitos)?
CLÉDOLA:
Nos dois últimos anos da universidade fiz alguns estágios na área ambiental e
na área de petróleo e mineração, mas sempre com processos inovadores. Sempre
gostei da pesquisa tecnológica, que tem aplicação nos processos e produtos
agregando valor. Quando me inscrevi para o concurso da Nuclebrás, fiquei
seduzida pela ideia de trabalhar em algo novo e desafiador como a energia
nuclear. Duas áreas chamaram mais a minha atenção, a operação de reatores e o
cuidado que era dedicado ao setor de rejeitos. No CDTN já havia um grupo
formado para o tema de gerência de rejeitos e durante alguns encontros com este
e outros grupos foi natural a escolha.
BLOG: Conte sobre o seu projeto para
estimular estudantes mulheres a se interessarem pelo tema.
CLÉDOLA: Há cerca de
quatro anos, verifiquei que na busca de vagas para bolsas de iniciação
científica e pós-graduação, quando homens e mulheres tinham o mesmo desempenho,
havia uma tendência geral pela escolha de homens. A partir de então resolvi
fazer o inverso e assim proporcionar mais oportunidade às mulheres. Atualmente
trabalho com um grupo de estudantes de graduação e pós-graduação, composto em
sua maioria de mulheres, que têm tido excelente desempenho e do qual tenho
muito orgulho de orientar.
BLOG: Por que poucas mulheres se interessam por
energia nuclear nas faculdades?
CLÉDOLA: O que mais dificulta o interesse das
mulheres pela energia nuclear são as oportunidades de trabalho, pois temos
ainda poucas empresas trabalhando na área. Na medicina nuclear há mais espaço
para mulheres. Porém para a Engenharia Nuclear, como acontece para todas as
demais engenharias, embora sejamos muitas, talvez numericamente mais que os
homens, a maioria das empresas dá preferência aos homens, mesmo quando menos
qualificados. Ainda existe muito preconceito.
BLOG: Como se define pessoalmente?
CLÉDOLA: Sou brasileira, de uma família de seis irmãos;
mãe de um filho e uma filha e avó. Sou esposa e tia. Apaixonada pela família e
encontros familiares. Meus prazeres são ler, falar e aprender idiomas, dançar e
cozinhar. Amo esportes, a maioria para assistir, e esgrima para praticar:
paixão descoberta aos 50 anos.
BLOG: Profissionalmente?
CLÉDOLA: Como engenheira, contei com professores em
todo o tempo de formação (Norma, Heloísa, Paulo, Maria Augusta) para saber
exatamente que eu amo a engenharia. Por isto, a felicidade de poder ir para o
CDTN todos os dias sem sentir o peso que muitos sentem. Gosto muito do que faço
e tento fazê-lo da melhor forma que consigo. Busco ser justa, mas sou exigente.
Diversos colegas de trabalho são amigos e companheiros de vida, pois começamos
juntos nossa trajetória profissional, e aí fomos crescendo, namorando, casando,
tendo filhos, separando, tendo netos, acumulando dores do corpo e da alma e
apoiando-nos uns aos outros e ficando cada dia mais fortes.
CLÉDOLA DESAPROVA O USO DA EXPRESSÃO POPULAR LIXO ATÔMICO -
“Primeiramente quero dizer que o termo lixo
atômico é totalmente inapropriado. Pela definição de lixo estaria incorreto,
pois lixo joga-se fora e toda e qualquer matéria é atômica (contém átomos). O
rejeito radioativo por sua vez é gerenciado, tratado e armazenado
adequadamente. Eles são classificados como: Isentos, podem ser descartados sem
restrição; meia-vida muito curta, contêm elementos com meia-vida até 100 dias
e, portanto, deixam de ser radioativos entre poucas horas até dois ou três
anos. (São guardados nas instalações até que possam ser descartados sem
restrição); Baixo e médio nível de radiação, contêm elementos com meia-vida
maior do que 100 dias até cerca de 30 anos, provenientes da operação das usinas
nucleares (luvas, filtros, soluções etc.), de trabalhos de PD&I, usos na
medicina, na indústria etc. Representam o maior volume. Estão incluídos nesta
classe materiais que apresentam radionuclídeos da série natural do urânio e do
tório. E também: Alto nível de radiação, rejeitos com potência térmica superior
a 2 kW/m3 e com concentrações de radionuclídeos de meia-vida longa.
No Brasil ainda não há nenhum material nesta classificação". FOTO: CLÉDOLA DE TELLO - ARQUIVO PESSOAL.