quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Rússia manda urânio enriquecido ao Brasil para fabricação de combustível da usina atômica Angra 2

 


Rio de Janeiro, 05 de agosto de 2026 - A Rússia acaba de mandar cerca de 240 toneladas de urânio enriquecido (UF6) com destino à Fábrica de Combustível Nuclear FCN, em Resende, da Indústrias Nucleares do Brasil (INB). O material foi fornecido pela TENEX, empresa do grupo Rosatom. O urânio faz parte do processo de fabricação do combustível nuclear para a usina atímica Angra 2. No dia 07 de julho a INB recebeu uma carga de 390 varetas de Urânio (U-Gadolínio), fabricado pela Framatome, na Alemanha, ambos chegaram pelo Porto do Rio e com o mesmo destino. O Brasil tem contrato antigo com a Rússia para a realização do negócio. 


A produção do combustível nuclear que irá abastecer a próxima recarga da usina nuclear Angra 2 já está em andamento. “A empresa concluiu a montagem do primeiro elemento combustível, certificado após ser aprovado em todas as inspeções de qualidade previstas no processo produtivo”, informou a INB. No total, serão fabricados 52 elementos combustíveis destinados à Angra 2. A previsão é de que toda a montagem seja concluída até dezembro de 2026, com entrega do conjunto à Eletronuclear, gestora da usina, em março de 2027. 

“Diferentemente das varetas que são produzidas pela INB – preenchidas apenas com pastilhas de dióxido de urânio enriquecido (UO₂), as varetas importadas de U-Gadolínio possuem, em seu interior, algumas pastilhas produzidas com uma mistura de dióxido de urânio e óxido de gadolínio”, informou a empresa. As operações de transporte do UF6 e das varetas de U-Gadolínio foram planejadas e coordenadas pela INB e realizadas em conformidade com os planos de proteção física aprovados pelos órgãos competentes, segundo a empresa. 

As ações contaram com o apoio de instituições como o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (Sipron), a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, a Guarda Portuária do Rio de Janeiro, a Cesportos-RJ, o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Ministério da Defesa. 

RECARGA

 A recarga é uma parada programada realizada para substituir parte do combustível utilizado pelo reator e executar inspeções e manutenções nos sistemas da usina. Em Angra 2, esse procedimento ocorre, em média, a cada 14 meses. Durante a parada, aproximadamente um terço dos elementos combustíveis é substituído por novos. Os demais permanecem em operação e continuam sendo utilizados nos ciclos seguintes. Esse processo garante que a usina continue produzindo energia elétrica de forma limpa, segura e confiável. 

O hexafluoreto de urânio (UF6) é a forma gasosa do urânio utilizada na produção do combustível nuclear. Após chegar à Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), ele passa pelo processo de reconversão, transformando-se em dióxido de urânio (UO₂). Em seguida, esse material é utilizado na fabricação das pastilhas que serão inseridas nas varetas e, posteriormente, montadas nos elementos combustíveis que abastecem o reator nuclear. 

As varetas de U-Gadolínio são componentes especiais utilizados na fabricação do combustível nuclear. Elas contêm, além das pastilhas de dióxido de urânio enriquecido, algumas pastilhas misturadas ao óxido de gadolínio, um elemento químico capaz de absorver parte dos nêutrons produzidos durante a reação nuclear. Na prática, o gadolínio funciona como um regulador da reação nuclear. Nos primeiros meses de operação do combustível, ele ajuda a controlar a intensidade da reação dentro do reator, tornando seu funcionamento mais estável. Com o passar do tempo, esse efeito diminui gradualmente, permitindo que a reação continue de forma equilibrada ao longo de todo o ciclo de operação. 

(FOTO- Informações INB) 

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