“Em um cenário internacional marcado por conflitos e tensões geopolíticas, a Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Atividades Nucleares (ABDAN) tem papel fundamental na comunicação técnica, baseada em evidências sobre o uso pacífico da energia nuclear”, comentou Celso Cunha, presidente da entidade, que acaba de ser oficialmente admitida como organização observadora no processo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). “É essencial diferenciar, de forma clara, a tecnologia nuclear civil (amplamente regulada, monitorada e voltada à geração de energia, saúde e pesquisa) de contextos militares ou bélicos”, reiterou Cunha sobre a importância do papel pacifico da energia nuclear.
O reconhecimento da ABDAN foi formalizado durante a 30ª Conferência das Partes (COP30) e comunicado por meio de carta oficial da Secretaria da ONU, que dá as boas-vindas à entidade brasileira ao sistema multilateral de governança climática. Com o novo status, a ABDAN passa a integrar, de forma permanente, o grupo de organizações habilitadas a acompanhar e participar das discussões internacionais sobre clima, energia e desenvolvimento sustentável. A admissão confere à entidade o direito de indicar representantes para as sessões da UNFCCC, submeter contribuições técnicas aos órgãos negociadores, participar de processos seletivos para eventos paralelos e exposições oficiais, além de receber informações estratégicas sobre o andamento das negociações climáticas globais.
Segundo Cunha, o credenciamento amplia a atuação internacional da ABDAN e fortalece a presença brasileira no debate sobre transição energética, especialmente no que diz respeito às fontes de energia de baixo carbono. “A carta enviada pela UNFCCC destaca que a admissão como observadora reflete o reconhecimento institucional da contribuição técnica das organizações no processo climático e manifesta expectativa de engajamento ativo da entidade nas próximas conferências e instâncias do sistema ONU”.
Para o presidente da ABDAN, o reconhecimento consolida um movimento estratégico da associação no cenário internacional: “reforça o papel da energia nuclear nas discussões globais sobre descarbonização, segurança energética e sustentabilidade de longo prazo, além de ampliar a capacidade de diálogo técnico do Brasil com governos, organismos multilaterais e formadores de políticas públicas”.
A ABDAN já esteve presente na COP30 e, a partir de agora, passa a atuar de forma mais estruturada e contínua no ambiente da UNFCCC, acompanhando negociações, contribuindo com conhecimento técnico e ampliando a interlocução do setor nuclear brasileiro com a agenda climática global. A carta da ONU encerra o comunicado reafirmando que a Secretaria da UNFCCC “acolhe e aguarda o engajamento da organização no processo climático”, marcando oficialmente a entrada da ABDAN no seleto grupo de observadores permanentes do sistema.
Quais os maiores desafios para a ABDAN? “É qualificar o debate público e institucional sobre energia nuclear no Brasil, especialmente em um contexto de transição energética acelerada e de forte pressão por soluções de baixo carbono. Ainda há no país uma lacuna significativa entre o conhecimento técnico disponível e a percepção da sociedade e de parte dos formuladores de políticas públicas sobre o papel da tecnologia nuclear”. Outro desafio central, acrescentou, é integrar o setor nuclear brasileiro de forma mais estruturada às agendas globais de clima, energia e desenvolvimento sustentável.
“O reconhecimento da ABDAN como organização observadora da UNFCCC é um passo importante nesse sentido, pois amplia a capacidade de diálogo técnico do Brasil nos fóruns multilaterais e reforça a necessidade de alinhar o setor nuclear às melhores práticas internacionais em governança, segurança e sustentabilidade”, disse.
Além disso, afirmou, a ABDAN atua para promover previsibilidade regulatória, segurança jurídica e planejamento de longo prazo, condições essenciais para investimentos em um setor intensivo em capital, tecnologia e conhecimento especializado. “A atuação da ABDAN passa por traduzir temas complexos para a sociedade, reforçando conceitos como segurança nuclear, cooperação internacional, fiscalização por organismos multilaterais e os rígidos padrões adotados pelo setor civil. A participação da entidade no ambiente da ONU, por meio da UNFCCC, fortalece essa credibilidade institucional e amplia sua capacidade de diálogo com diferentes públicos”.
E completou: “Ao contribuir com informação qualificada, a ABDAN ajuda a reduzir o medo e a desinformação, promovendo uma compreensão mais equilibrada sobre os riscos reais, os benefícios comprovados e o papel estratégico da energia nuclear na segurança energética, na descarbonização e na saúde pública”.
(FOTO: ACERVO ABDAN) – (COM ASCOM Larissa Haddock Lobo) –
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