terça-feira, 23 de outubro de 2018

Energia nuclear e debate político (artigo)

"Ausente no debate político que se travou em todo o país entre os presidenciáveis no primeiro turno das eleições, a geração de energia elétrica, fundamental para a retomada do desenvolvimento, convive com riscos eventuais de suprimento, em razão da falta de investimentos no setor. Como todos sabem, a retomada do ritmo de crescimento da economia exige vigoroso desenvolvimento energético, sem o qual, o Brasil não avança. Eis ai, portanto, uma interessante pauta para o debate final no segundo turno das eleições presidências.

Esgotado o sistema hidrelétrico sul-sudeste e diante da inviabilidade, por razões 
ambientais, tecnológicas e econômicas, da transmissão da hidroeletricidade amazônica para os grandes centros consumidores, uma das alternativas segura que resta ao Brasil, são as grandes reservas de urânio, mineral estratégico utilizado para geração de energia elétrica, via usinas nucleares.

A energia nuclear é hoje a terceira maior fonte de produção de energia elétrica do mundo. E o Brasil ocupa posição privilegiada entre os países detentores de reservas desse mineral. É o sexto no mundo.  Portanto, a solução do nosso problema energético está em nossas mãos.

Chegou a hora de o setor nuclear saltar os obstáculos e com coragem  mostrar o papel que pode desempenhar no desenvolvimento do Brasil. Um papel que envolve como ideia principal o entendimento da sua dimensão como força geradora de grandes blocos de  eletricidade. Nesse sentido, há anos a INB – Indústrias Nucleares do Brasil, empresa responsável pela produção do combustível que abastece as usinas de Angra, vem dando preciosa contribuição. Prepara-se para retomar ainda esse ano a produção de urânio em Caetité/BA e continua avançando no domínio completo do chamado ciclo do combustível nuclear. Em setembro desse ano, inaugurou mais uma cascata do processo de enriquecimento de urânio, a sétima.

Mas, a ousadia brasileira nessa sofisticada tecnologia nuclear, não para por ai. Caminha em processo de licenciamento a implantação da Usina Comercial de Enriquecimento de Urânio (UCEU), no parque industrial da INB em Resende. 

A UCEU vai ampliar a capacidade de produção de urânio enriquecido no Brasil, de forma a atender plenamente a demanda nacional e ainda exportar o excedente, gerando divisas para o país. O enriquecimento de urânio é uma realidade no Brasil. E como tal, precisa crescer! 

Ao alcançar esse patamar, com base no conhecimento técnico genuinamente brasileiro, o setor nuclear manda um respeitoso recado ao futuro presidente do Brasil: “não tem volta!” É irreversível o avanço da tecnologia nuclear no Brasil, nas suas múltiplas aplicações. É incontestável a sua contribuição para a matriz energética brasileira. Ela garante a estabilidade e o equilíbrio do sistema, hoje fundamentalmente assentado na hidroeletricidade. A energia de origem térmica soma apenas cerca de 5% à energia elétrica produzida no País, mas estima-se que essa participação deverá subir para 10% nos próximos anos, principalmente na região Sul – Sudeste. Há necessidade de uma das pontas do sistema gerador possuir base térmica, com vistas à sua maior confiabilidade e segurança. 

Fica claro, portanto, que a conclusão de Angra 3 se torna indispensável para o Brasil, não só porque é a única fonte disponível no momento capaz de gerar energia em grandes blocos, como pela necessidade de se manter a tecnologia conquistada pelo País.


A utilização da fonte nuclear para geração de energia elétrica ainda é vista com injustificável incompreensão, oriunda basicamente pela desinformação e pelo preconceito, estimulados por grupos de pressão, muitos dos quais de âmbito multinacional. Mas o setor nuclear está atento, trabalhando com responsabilidade, expandindo as informações, desenvolvendo programas de comunicação com a sociedade, expondo-se à transparência, em busca de cada vez maior credibilidade. Esse é o caminho".

Engenheiro Reinaldo Gonzaga 
Presidente da Indústrias Nucleares do Brasil (INB)

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