quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Sociedade Brasileira de Física alerta sobre consulta pública visando aprovação de projeto para construção da bomba atômica

 


A Sociedade Brasileira de Física (SBF), com sede na Cidade Universitária, em São Paulo, está alertando os físicos brasileiros sobre consulta pública que tramita no Senado visando a aprovação de um projeto para construção da bomba atômica brasileira. A proposição foi encaminhada pelo médico pernambucano Vito Angelo Duarte Pascaretto, que mora no Paraná, e encontra-se em consulta pública sob a relatoria do senador Paulo Paim.  

Em novembro, a proposição já contabilizava mais de 27 mil apoios, embora o total de 20 mil assinaturas fosse o suficiente para o seu prosseguimento. A Comissão de Área de Física Nuclear da SBF sugere que os físicos brasileiros se informem sobre o tema e que votem. 

“As Forças Armadas Brasileiras necessitam de bomba nuclear para dissuadir interferência estrangeira em nosso território nacional. A Amazônia brasileira é nossa”, argumenta o médico. Qualquer cidadão pode apresentar uma ideia legislativa no portal e-Cidadania. Basta se cadastrar, acessar a página das ideias e enviar a proposta. Foi o que o médico fez no dia 13 de outubro. 

“Esse é um tema bastante sensível”, alerta a Comissão de Área de Física Nuclear, da SBF. Segundo a entidade, é preciso considerar que o possível financiamento de “tal projeto” poderia causar ainda mais cortes nas verbas destinadas à ciência brasileira. Na área nuclear, observa a SBF, traria problemas de para a entrada em operação da usina Angra 3 e a construção do reator multipropósito destinado à produção de radiofármacos para a medicina. 

O Brasil, lembrou a SBF, é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP-N), “que tem contribuído para a manutenção da paz mundial, não obstante divergências sobre a garantia do uso das armas nucleares asseguradas a apenas alguns países”.

O site da consulta pública é: https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=145430

https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=14543https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=145430

BOMBA ATÔMICA - Comentários.  

- O Brasil já sabe fazer a bomba atômica há muito tempo, mas acho que não deve fazer. Soberania a gente não compra A gente conquista. (Rex Nazaré, físico nuclear, ex-presidente da CNEN - 2018).  

- O Brasil não deve se envolver com a construção da bomba atômica. No campo diplomático, deveria militar pela eliminação das bombas atômicas no mundo. O Brasil deve construir o submarino de propulsão nuclear para a defesa de nossas plataformas de petróleo muito afastadas da costa. (Luiz Pinguelli Rosa, físico nuclear, Coppe/UFRJ- 2018). 

- O Brasil pode fazer uma bomba atômica em uns quatro meses – (contra-almirante Othon Luis Pinheiro, ex-diretor Copesp/SP, ex-presidente da Eletronuclear - Folha de S. Paulo, 2017). (FOTO- Portal Justiça)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Angra 3: quase 40 anos depois do início de sua construção Senado dá sinal verde para retomada das obras

 


Trinta e sete anos após o início de sua construção, a usina Angra 3 recebe mais um sinal verde do governo visando a retomada das suas obras. O Senado acaba de aprovar a conversão em lei da Medida Provisória 998, que trata sobre diversos aspectos do setor elétrico, incluindo Angra 3. A MP 998 foi divulgada em setembro estipulando regras para a contratação e comercialização de energia a ser produzida pela unidade atômica.

A holding Eletrobras e a subsidiária Eletronuclear divulgaram em seus sites a notícia da aprovação da MP, que ocorreu na quinta-feira (4/2). O texto segue agora para sanção presidencial e promulgação.

Em relação à retomada das obras, segundo a Eletronuclear, “um ponto de vista importante é o artigo 9, que permite a revisão do preço de contratação da energia a ser gerada pela usina”. Permite também a rescisão de contrato existente e a pactuação de um novo, com preço da energia que atenda a rentabilidade do empreendimento e a modicidade tarifária. Esse preço, informou a Eletronuclear, será calculado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As dívidas mensais acumuladas pelo empreendimento junto ao BNDES chegavam a R$ 30 milhões. Há também dividas junto à Caixa Econômica Federal (CEF). 

O BNDES terá que atualizar o investimento necessário para a conclusão de Angra 3. A mais recente paralisação das obras ocorreu em 2015, por conta de denúncias de corrupção na operação Lava-Jato, que rendeu a prisão do ex-presidente da Eletronuclear, contra-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, e posteriormente, do ex-presidente Michel Temer, ambos soltos depois. 

Segundo dados mais recentes da Eletronuclear, a usina tem 67% das obras civis finalizadas; já consumiu cerca de R$ 7 bilhões e precisará de mais cerca de R$ 15 bilhões para ser concluída.  

Sem recursos, desde 2018, a Eletronuclear anunciou que discutia a possibilidade de parcerias com empresas Chinesa, Russa e francesa. Nada mais foi divulgado sobre o assunto. 

ACORDO BRASIL-ALEMANHA – 

Angra 3 faz parte do pacote do acordo nuclear Brasil-Alemanha, assinado pelo general Ernesto Geisel, em Bonn, no dia 27 de junho de 1975. O “negócio do século” previa a construção de oito centrais atômicas de 1.300 MW, cada, num prazo de 15 anos. Previa também a implantação de diversas empresas, como a “holding” Nuclebras, que chegou a ter cinco mil empregados e foi batizada de “elefante branco”.  

Do acordo, apenas Angra 2 saiu do papel e está em funcionamento, apesar de recorrentes paradas por problemas técnicos, como a mais recente, em junho, divulgada pelo Blog. Em geral, nos últimos anos, a performance da usina tem sido positiva, gerando 1.300 MW para o Sistema Interligado Nacional. 

Já a usina Angra 1, de origem norte-americana (Westinghouse), teria custado cerca de US$ 2 bilhões, e está sendo avaliada para durar mais 20 anos. A avaliação deverá custar cerca de US$ 23,5 milhões, como o Blog divulgou em setembro. 

FOTO: Acumuladores para Angra 3, produzidos pela Nuclep - acervo Nuclep.

 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Ataque cibernético alcançou servidores administrativos da Eletronuclear, sem atingir usinas nucleares

 


A Eletronuclear, gestora das usinas nucleares, detectou um ataque por software nocivo (ransomware) que alcançou parte dos servidores da rede administrativa da empresa na noite desta quarta-feira (03/02). Mais conhecido como ataque cibernético, o problema foi comunicado pela holding Eletrobras aos acionistas e mercado em geral. O incidente não afetou as usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, que não se conectam com os sistemas atingidos. Por razões de segurança, as unidades atômicas estão isoladas da rede administrativa. 

Segundo a Eletrobras, o ataque não causou prejuízos para o fornecimento da energia elétrica ao Sistema Interligado Nacional. Por medidas preventivas, a estatal suspendeu temporariamente o funcionamento de alguns dos seus sistemas administrativos para proteger a integridade dos seus dados. 

A Eletronuclear comunicou o fato ao Centro de Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo (CTIR.Gov), com cópia para representante do Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (SIPRON), subordinado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. 

O ataque está sendo investigado por entidades governamentais responsáveis ​​pela segurança da energia nuclear. Mesmo sem afetar as unidades nucleares, segundo fontes, o ataque gerou apreensão em setores operacionais das unidades.

FOTO: Central Nuclear de Angra dos Reis - Acervo Eletronuclear

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Continua o impasse sobre a transferência do urânio usado de Angra 1 e Angra 2 para a UAS; piscinas estão no limite

 


Continua o impasse judicial sobre a transferência do combustível usado (urânio enriquecido) das piscinas de Angra 1 e Angra 2, para a Unidade de Armazenamento a Seco (UAS), que está sendo construída no complexo de Angra dos Reis.  As piscinas que armazenam o combustível usado estão praticamente esgotadas.

O Ministério Público Federal, através do procurador Igor Miranda, em ação civil pública, argumenta que o local não é seguro e que não está descartada a possibilidade de ocorrer acidente com radiação na instalação. A ação tenta proibir a transferência do combustível. Enquanto isso, as obras continuam, sob a aprovação do Instituto de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). 

Ao blog, o Ibama informou que a UAS “não é um novo empreendimento, mas sim, uma parte do processo de licenciamento ambiental” da Central Nuclear de Angra. A UAS, segundo o Ibama, consiste em “estrutura auxiliar” das duas usinas, “conforme as demais estruturas existentes no local”. Segundo o Ibama, para o licenciamento da UAS foram emitidas a Licença Prévia nº 617/2019 e a Licença de Instalação nº 1310/2019. 

O Instituto se defende das acusações de ambientalistas contra a forma “meramente protocolar e sem transparência” na qual realizou a audiência pública virtual para o licenciamento da UAS, no último dia 22/01, às 18h. O Ibama afirma que o evento foi divulgado diariamente, com 15 dias de antecedência. Mas os ambientalistas argumentam que o Ibama deveria ter realizado a audiência antes de a Unidade de Armazenamento a Seco começar a ser erguida e já batizaram a UAS de “puxadinho”. 

Desde outubro, técnicos da Eletronuclear, gestora das usinas, estão sendo treinados para operar a transferência prevista para ocorrer entre o primeiro e o segundo semestre. As entidades de proteção do meio ambiente, entre elas, a Sociedade Angrense de Proteção Ambiental (SAPÊ), reiteraram que vão insistir junto à Justiça para tentar impedir que o local se transforme num “cemitério nuclear a céu aberto”. 

(Ilustração da localização da UAS - Acervo Eletronuclear) 

Governo cria Batalhão de Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica, na Ilha das Flores (RJ)

 


O governo cria nesta quarta-feira (3/2), o Batalhão de Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica, Organização Militar com semiautonomia administrativa, “devendo ser apoiada pela Base de Fuzileiros Navais da Ilha das Flores, que proverá os recursos de pessoal e financeiros necessários à execução de suas tarefas, com sede na cidade de São Gonçalo”, Rio de Janeiro. 

A Base está subordinada ao Comando da Tropa de Reforço, com o propósito de integrar o Sistema de Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica da Marina e “contribuir para a defesa nuclear, biológica, química e radiológica aos Grupamentos Operacionais de Fuzileiros Navais, sob o comando de um capitão de Fragata do Corpo de Fuzileiros Navais”. 

O governo criou um núcleo para a implantação do Batalhão, responsável pela elaboração dos estudos e subsídios relativos ao projeto de regulamentação da Organização Militar. As informações estão na Portaria nº 16/MB/MD, de 1º /02/2021, do Diário Oficial da União (DOU) assinada pelo Ministro Ilques Barbosa Junior, que entra em vigor hoje.  

É ampla a literatura disponível sobre a Ilha das Flores. 

(FOTO: Tropa de Reforço - Guia Turístico e Cultural de São Gonçalo.)  

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Angra 3: retomada das obras envolve compromisso socioambiental de R$ 217 milhões para o município; usina depende de R$ 15 bilhões

 


Está na ordem dos R$ 217 milhões o valor dos compromissos socioambientais da Eletronuclear com a Prefeitura de Angra dos Reis, por conta da aprovação da retomada das obras da usina Angra 3, paralisadas desde 2015, com base em denúncias de corrupção da operação “Lava Jato”. O valor foi informado pelo prefeito reeleito, Fernando Jordão. Segundo ele, as obras vão recomeçar nos próximos meses, de acordo com a Eletronuclear. 

Nesta quarta-feira (27/01), em outra reunião entre representantes da estatal e da prefeitura, ficou acertado um aporte de R$ 55 milhões, aproximadamente, em projetos nas áreas de infraestrutura, defesa civil, saneamento, obras e saúde, frutos do convênio em contrapartida pela retomada da construção de Angra 3. 

O prazo para a execução desses projetos é até o final de 2021. A exceção é para alguns deles na área de saneamento, cuja primeira etapa se dará em 2021 e a conclusão está prevista para o ano seguinte. 

Segundo informações oficiais da Eletronuclear, Angra 3 já consumiu cerca de R$ 7 bilhões. Para ser concluída, precisa de outros 15 bilhões. A usina está com 67% de suas obras civis concluídas. Equipamentos produzidos pela Nuclep, em Itaguaí, nos últimos anos, têm sido transportados para a Central Nuclear.

Em 2018, a Eletronuclear negociava com o BNDES e a Caixa Econômica Federal (CEF) adiar o pagamento das parcelas da dívida da construção da unidade. Só para o BNDES a empresa estava pagando cerca de R$ 30 milhões por mês. Não se falou mais nisso. 

Até agora, não se sabe qual a torneira será aberta para a liberação desse valor. Há pouco tempo, havia a discussão de aporte internacional, com parcerias provavelmente com empresas chinesa, russa e francesa, o que não vingou. 

Angra 3 é a segunda usina comprada no pacote do acordo nuclear Brasil-Alemanha, assinado no dia 27 de junho de 1975, pelo general Ernesto Geisel, em Bonn, para a construção de oito usinas, criação de empresas, como a Nuclebras, o “elefante branco”, que chegou a ter cinco mil empregados. Durante todos esses anos, as obras de Angra 3 se arrastam envolvidas em problemas. 

A unidade virou também usina de denúncias e de suspeitas, inclusive a de que alguns de seus equipamentos teriam se tornado obsoletos frente ao avanço da indústria nuclear mundial. A Eletronuclear costuma negar, garantindo a segurança da unidade. 

Nos últimos anos, são dezenas de anúncios de presidentes de estatais e de ministros sobre a retomada das obras de Angra 3. O mais recente é este agora, fruto das reuniões em Angra dos Reis. 

FOTO: Acervo Eletrobras/Eletronuclear.   

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Entidades protestam contra audiência pública para licenciar depósito de combustível usado (urânio) de usinas nucleares em Angra dos Reis

 


Entidades civis estão acusando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de omissão na divulgação da audiência pública virtual sobre o processo de licenciamento ambiental da Unidade de Armazenamento a Seco (UAS), para abrigar o urânio já utilizado pelas usinas Angra 1 e Angra 2. A audiência está agendada para acontecer nesta sexta-feira (22/1), às 18h, pela plataforma Webex, por causa da pandemia do coronavirus, restringindo a participação das comunidades indígenas residentes no local, “potencialmente afetadas” pelo empreendimento. 

A UAS está sendo construída pela Eletronuclear para armazenar os combustíveis usados nas usinas, porque a capacidade de armazenamento das piscinas das instalações nucleares da empresa está chegando ao limite. Com o esgotamento das piscinas, os elementos irradiados terão que ser transferidos para a UAS. 

Foi uma ação civil movida pelo procurador da República, Igor Miranda, que apontou as deficiências da construção, que está sendo realizada sem o licenciamento do Ibama. O procurador questiona a segurança das obras, em relação ao local e a possibilidade de acidentes radioativos, entre outros problemas. 

A UAS deverá custar cerca de US$ 50 milhões, conforme o BLOG noticiou há cerca de dois anos.  A vencedora da concorrência para a construção foi a Holtec, com sede em Camden, Nova Jersey, nos Estados Unidos. A transferência inicial está prevista para ocorrer no primeiro semestre de 2021:  288 elementos combustíveis serão retirados de Angra 2 e outros 222, de Angra 1, no segundo semestre, para abrir espaço nas piscinas das usinas para mais cinco anos de operação. No total, a UAS poderá comportar até 72 módulos, com capacidade para armazenar o combustível usado de Angra 1 e 2 até 2045.  

A construção da UAS permitirá que os combustíveis usados sejam guardados com toda a segurança até que o governo brasileiro defina seu destino”. Informa a Eletronuclear.  As agências internacionais acompanhavam todo o processo, porque combustível irradiado, se reprocessado, vira plutônio, e pode servir para alimentar artefatos atômicos. 

OMISSÃO E DEFICIÊNCIA - 

O professor associado do Departamento de Engenharia Sanitária e do Meio Ambiente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), da Comissão de Saúde do Conselho Estadual de Direitos Indígenas (CEDIND), Adacto Benedicto Ottoni, apontou uma série de falhas no processo de licenciamento, em documento enviado ao Ministério Público. 

Segundo ele, é preciso levar em consideração o risco de grandes impactos ambientais negativos do empreendimento, onde um eventual acidente radioativo pode afetar toda a população no entorno e o meio ambiente, podendo atingir as cidades de Mangaratiba, Angra dos Reis, Paraty e até mesmo o Rio de Janeiro, ele observou que o Ibama citou, mas não apresentou  vários documentos técnicos no Relatório Ambiental Simplificado (RAS). “Reforço a importância da apresentação prévia desses documentos para o real conhecimento das ações ambientais efetivas planejadas para evitar acidentes e dar segurança a toda população da viabilidade ambiental do empreendimento”, afirmou. 

O ambientalista Chico Whitaker, da Articulação Nacional Antinuclear, amplia a lista dos opositores da construção da UAS e da audiência, em cartas enviadas ao Ibama. O Fórum de Comunidades Tradicionais de Angra, Parati e Ubatuba, também reclama da falta de transparência do processo, em documento enviado ao Ibama. A data e a hora da audiência pública “não estão sendo amplamente divulgados na região, restringindo e impedindo a participação das comunidades indígenas, portanto, será “incapaz de atingir seus objetivos. 

Em que pese a atual pandemia do coronavirus, o formato em que a audiência será realizada, seria prejudicial a diversas comunidades que não dispõem de condições tecnológicas para acesso à internet. Assinam os documentos representantes da Comissão Guarani Yvyrupa; Fórum de Comunidades Tradicionais; Conselho Indígena Missionário; Assessoramento, Defesa e Garantia de Diretos do Instituto das Irmãs da Santa Cruz; Coordenação Nacional Caiçara, Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos, Conselho Estadual dos Direitos Indígenas, entre outros. 

CEMITÉRIO NUCLEAR - 

A coordenadora da Sociedade Angrense de Proteção Ambiental (Sape), Maria Clara, está entre os que contestam a construção da UAS. “Angra dos Reis não possui capacidade estrutural para abrigar um cemitério nuclear a céu aberto, beirando o mar. É insano corrermos mais este risco, tendo em vista que já não possuímos um plano emergencial decente que atenda as reais necessidades da população”, afirma Maria Clara Sevalho. 

Segundo ela, a audiência pública sobre as UAS é prova de que a Eletronuclear não cumpre a condicionante para as obras de Angra III, que são os depósitos definitivos para os rejeitos de Angra I e II. Ela condena o fato de “os depósitos a seco que querem implantar vão estar localizados próximo ao centro de visitantes das usinas, ao lado da estrada, na beira de um morro. E avisa que os angrenses não precisam viver mais este risco. “Exigimos um depósito definitivo que atenda as condições básicas de segurança a longo prazo. Estes depósitos a seco serão ventilados naturalmente, terão maresia no seu interior o que pode danificar a estrutura interna dos cilindros que armazenam os rejeitos

Angra II em junho do ano passado, conforme este blog denunciou, “teve ferrugens encontradas no interior do vaso do reator, mesmo com toda blindagem que eles apresentam. Imagina um depósito radioativo a céu aberto?”, indagou Maria Clara. 

ESTATAL GARANTE SEGURANÇA - 

Na audiência, segundo a Eletronuclear, gestora das usinas e da UAS, será possível conhecer melhor o empreendimento e tirar dúvidas. No site da empresa, consta que, além do Webex, o evento poderá ser acompanhado pelo canal da Eletronuclear no YouTube (Eletronuclear01) e pela Master TV (canal 10 da NET Angra). Os participantes terão ainda diversos canais à disposição para enviar perguntas às entidades presentes, incluindo a companhia. 

Consta no site que, “aqueles que tiverem dificuldade para acessar a audiência por meios digitais podem assisti-la no Observatório Nuclear (ON), centro de visitação da empresa. O local receberá até 40 pessoas, de forma a respeitar o distanciamento social. Na ocasião, as demais medidas de prevenção contra a covid-19 recomendadas pelas autoridades de saúde também serão observadas”. Não é pouco, para um acontecimento de tanta importância? Todas as entidades acham que sim. 

Sobre a segurança da UAS, a estatal garante que não há riscos.  A Eletronuclear garante que escolheu um local dentro do sítio da central, localizado entre as usinas Angra 2 e 3, nas proximidades do Observatório Nuclear (ON), após análise das condições geológicas e geotécnicas do sítio, e que o local foi submetido a estudos meteorológico e hidrológico. “Existem unidades do tipo em operação em vários países do mundo. Apenas nos Estados Unidos, há cerca de 90 instalações similares à UAS, sem qualquer registro de vazamento de material radioativo”. 

Segundo a estatal, esse sistema de armazenamento a seco com base em canisteres se caracteriza por ser um casco de metal em aço inoxidável, soldado, com capacidade de armazenar até 37 elementos combustíveis e dimensões aproximadas de 2,0 m de diâmetro, 4,6 m de altura e 25 mm espessura. “Sua função principal é confinar todo o material radioativo no seu interior, garantir a subcriticalidade (ou seja, manter os elementos combustíveis espaçados, para não provocar uma reação nuclear) e permitir a troca de calor com o meio externo”. 

Cada cânister é envolvido por um casco de transferência, constituído em aço carbono de 300 mm de espessura, que tem funções de blindagem radiológica e estabilidade estrutural durante as operações de carregamento, descarregamento e movimentação entre as piscinas das usinas e a UAS. 

Como a UAS está localizada dentro da central nuclear de Angra, não será necessário um esquema de segurança especial para a transferência. Inicialmente, a UAS contará com 15 módulos. 

NOTA DO IBAMA 

O Blog tentou ouvir ao Ibama. Nesta sexta-feira (22/01), em nota, o Ibama informou que a audiência "foi concebida para que haja uma participação de todos os interessados, incluindo os indígenas"; afirmou também que foram cumpridos todos os prazos legais para a divulgação do evento, disponibilizando as informações no portal do Instituto.  

(FOTO: ACERVO ELETRONUCLEAR) – Leia no BLOG matérias sobre o depósito definitivo para rejeitos radioativos, entre outras abordando o mesmo tema.

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