A Polícia Federal continua
investigando a autoria dos ataques cibernéticos ocorridos na estatal Nuclebras
Equipamentos Pesados (NUCLEP), em Itaguaí, em 2023, de acordo com o
inquerido instaurado nº. 2023.0049482-DPF/NIG/RJ. A chantagem pretendida não
deu certo, mas as buscas são prioridades, segundo a PF. Não é a primeira vez
que empresas do setor nuclear são alvo de ataques cibernéticos. Os ataques têm
motivado ações e debates sobre como se posicionar diante de casos previstos
para ocorrer, como a Eletronuclear, por exemplo, que já recebeu até denúncias e
ameaças de bomba em suas instalações na central nuclear de Angra dos Reis.
No caso
da Nuclep, em 24 de maio de 2023, após a detecção do ataque de hackers, a investigação
identificou atividades maliciosas e tentativas de manipulação de bancos de
dados da empresa. “Identificamos a presença de um malware nos nossos sistemas,
o que acionou uma resposta imediata da equipe de segurança. Para a
investigação, contratamos uma empresa especializada em cibersegurança que
conduziu uma análise forense detalhada, utilizando tecnologia avançada para
garantir uma avaliação precisa do ocorrido”, informou a direção da Nuclep.
Garantiu
que “dados considerados sigilosos não foram comprometidos, pois estavam
armazenados em servidores seguros, não conectados à internet”, informou a
empresa, responsável pelo desenvolvimento de partes importantes do primeiro submarino
nuclear, equipamentos para usina nucleares, como Angra 3, entre outros.
FUTUROS
INCIDENTES -
De acordo com a companhia, “embora a exfiltração de dados não
tenha sido confirmada devido à falta de logs do roteador do fornecedor de
internet, algumas credenciais e informações da NUCLEP foram encontradas na Deep
e Dark Web, indicando um possível comprometimento”. A Nuclep reforçou os
sistemas de segurança e o monitoramento de suas defesas cibernéticas para
evitar futuros incidentes.
De
acordo com a Agência Pública, que divulgou o caso, o grupo que assumiu a
autoria do ataque, identificado como Meow Leaks, utilizou um fórum para
oferecer o que seriam informações confidenciais da estatal brasileira no dia 14
de julho deste ano. O grupo alega ser especializado em exfiltração e venda de
dados e deter informações de grandes empresas estrangeiras, incluindo a
Hewlett-Packard, a HP.
A Nuclep confirmou informações da imprensa de que dois grupos
hackers internacionais alegaram estar de posse de 250 GB de informações
internas da empresa, de estudos, projetos e até senhas de funcionários no valor
de 500 mil dólares – cerca de R$ 2,7 milhões na cotação atual. Nada
aconteceu, segundo a Nuclep, e o caso está desde então com a PF. A Nuclep está
sob a direção do contra-almirante da reserva Carlos Henrique Silva Seixas desde
2016.
ELETRONUCLEAR DEBATE INCIDENTES CIBERNÉTICOS -
Gestora das usinas Angra 1
e Angra 2, em funcionamento e Angra 3, com obras paradas, a Eletronuclear já
tem um histórico de ataques cibernéticos e até ameaça de bomba em suas instalações.
Por isso, a companhia tenta debater as ações, como está realizando agora, ao
realizar um
“workshop” prático sobre resposta a incidentes de
segurança cibernética, em parceria com a National Nuclear Security
Administration (NNSA), do Departamento de Energia dos Estados Unidos. O evento
iniciado nesta terça-feira (20/8), reunirá até sexta (23/8) especialistas de
diversas instituições, como o Gabinete de Segurança Institucional da
Presidência da República (GSI/PR), a Marinha do Brasil, a Comissão Nacional de
Energia Nuclear (CNEN), as Indústrias Nucleares Brasileiras (INB) e a
Internacional Nuclear Security (INS).
Durante o workshop, a NNSA apresenta
cenários simulados de ataques cibernéticos, que são solucionados por cerca de
25 especialistas, incluindo engenheiros nucleares, engenheiros de segurança,
analistas de sistemas e técnicos de TI. As atividades, com alto grau de
realismo, visam aprimorar a capacidade dos profissionais em enfrentar possíveis
ameaças à segurança cibernética no setor nuclear.
NÍVEL DE REALISMO -
O
coordenador do evento, Rodrigo Albernaz, que faz parte do Departamento de
Gestão de Processos da Eletronuclear, destacou a importância da capacitação
contínua: “Capacitar-se para conhecer os riscos e buscar soluções e prevenção é
o melhor caminho”, conta o também encarregado pelo Tratamento de Dados
Pessoais da empresa - na sigla em inglês DPO. Essa foi a primeira vez que um
workshop com esse nível de realismo foi realizado na Central Nuclear,
refletindo a cultura de segurança da Eletronuclear, que busca preparar os
funcionários para enfrentar cenários adversos.
“O conceito de cibersegurança
que adotamos é que não se trata de ‘se’ um ataque vai acontecer, mas ‘quando’ e
‘como’. Por isso, é fundamental estarmos todos preparados para defender nossas
usinas, que são de segurança nacional”, afirmou o analista de sistemas do
Departamento de Arquitetura e Segurança de TI da Eletronuclear, Thiago
Bisquolo, com 16 anos de experiência na empresa.
Esse workshop segue uma série
de iniciativas da Eletronuclear para fortalecer a segurança cibernética no setor
nuclear brasileiro. Em março de 2023, a empresa sediou um workshop sobre gestão
de riscos cibernéticos, organizado pelo GSI/PR e conduzido por especialistas do
INS, reunindo 21 profissionais para a troca de experiências e qualificação
contra ameaças digitais.
ATAQUES TEM ACONTECIDO -
Os ataques e ameaças cibernéticas
já estão na biografia das empresas do setor nuclear do país. Nos primeiros dias
de fevereiro de 2021, um a
taque
cibernético alcançou servidores administrativos da Eletronuclear, sem atingir
usinas nucleares. A empresa detectou um ataque por software nocivo
(ransomware) que alcançou parte dos servidores da rede administrativa da
empresa na noite desta quarta-feira (03/02). Mais conhecido como ataque
cibernético, o problema foi comunicado pela holding Eletrobras aos acionistas e
mercado em geral. O incidente não afetou as usinas nucleares Angra 1 e Angra 2,
que não se conectam com os sistemas atingidos. Por razões de segurança, as
unidades atômicas estão isoladas da rede administrativa.
Segundo a Eletrobras,
o ataque não causou prejuízos para o fornecimento da energia elétrica ao
Sistema Interligado Nacional. Por medidas preventivas, a estatal suspendeu
temporariamente o funcionamento de alguns dos seus sistemas administrativos
para proteger a integridade dos seus dados. A Eletronuclear comunicou o fato ao
Centro de Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo
(CTIR.Gov), com cópia para representante do Sistema de Proteção ao Programa
Nuclear Brasileiro (SIPRON), subordinado ao Gabinete de Segurança Institucional
da Presidência da República.
Em outubro do mesmo ano (2021) as ameaças
cibernéticas à área nuclear estavam entre as prioridades em simulação do
Ministério da Defesa. Ameaças virtuais a setores prioritários para a
segurança nacional, como água, energia, telecomunicações, finanças, transporte
e nuclear foram simulados no Exercício Guardião Cibernético, coordenado pelo
Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), de 5 a 7/10, em Brasília.
Segundo o
Ministério da Defesa, foi o maior treinamento para proteção cibernética do
Hemisfério Sul, com 350 participantes civis e militares de 65 organizações. Em 15
de junho de 2023, a Eletronuclear
garantia: é falsa a denúncia de bomba nas usinas nucleares de Angra. Mais uma vez a Eletronuclear se via às
voltas com denúncias de ataques às suas instalações nucleares. A denúncia fora
recebida na segunda-feira (12) à noite, e, apesar de “não ser considerada
confiável”, foram cumpridos todos os protocolos de segurança, como a varredura
total da central nuclear, que não identificou nenhum material explosivo no
local, informou a empresa.
Até julho de 2022, ações “maliciosas” contra
instalações nucleares do Brasil foram registradas no primeiro Relatório
Nacional das Ameaças à Segurança Físico Nuclear (Renasf) elaborado pela Agência
Brasileira de Inteligência (ABIN), que teria sido concluído na época. “A ABIN
realiza o acompanhamento de grupos ou indivíduos com capacidade e intenção de
cometer ações maliciosas contra instalações nucleares selecionadas, como
sabotagem e obtenção ilegal de agentes selecionados, descritas no Renasf”.
(FONTE: NUCLEP-ELETRONUCLEAR – 2024 – ABIN/2022
) –
FOTOS – NUCLEP E ELETRONUCLEAR) –
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