segunda-feira, 1 de junho de 2026

Especialistas promovem curso sobre "Prevenção e Diagnóstico de Câncer Ocupacional" como por radiação

 


O debate com trabalhadores e entidades civis sobre doenças ocupacionais como o câncer foi tema do curso realizado de 26 a 28/5, na Fundacentro, em são Paulo. Cerca de 300 trabalhadores entre presenciais e online participaram do evento “Prevenção e Diagnóstico de Câncer Ocupacional”, tema importante, que trata de uma doença prevenível e subdiagnosticada, comentou a médica Maria Vera Cruz de Oliveira Castellano, especialista no assunto, com trabalhos sobre os operários da Orquima/Usina de Santo Amaro (Usam), da Nuclemon, sucedida pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), onde dezenas de operários morreram contaminados com radiação ionizante. 

O curso reuniu representantes da Fundacentro, entidades sindicais e Associação da Fiocruz. Também palestrou a mais importante ativista pelo banimento do amianto no Brasil e no mundo, a fiscal do trabalho, Fernanda Giannasi. Giannasi fez vários alertas sobre os problemas de saúde que a mina de Serra Verde, em Goiás, a maior em exploração de terras raras, ocasionará aos trabalhadores. Os alertas de Giannasi foram fundamentais na luta em defesa dos operários da Nuclemon. As vistorias que fez resultaram no fechamento da empresa em 1991.“Importante que toda a sociedade esteja atenta ao problema do amianto”, alertou. 

TRABALHADORES EXPOSTOS - 


O curso é uma oportunidade de divulgar para todos que o trabalho, principalmente aqueles que no ambiente ocupacional exponham os trabalhadores a “fatores de risco como produtos químicos (benzeno), radiações ionizantes, entre outros, podem causar câncer”, comentou a especialista. Segundo ela, é possível fazer o nexo causal do câncer com o trabalho usando instrumentos como a classificação oficiais e como a Portaria GM/MS nº 1999 de 27/11/23, do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Todo caso de câncer ocupacional deve ser notificado no Sistema Nacional de Atendimento Médico (SINAN), reiterou a médica. 

Operários da então Nuclemon e familiares que integram a Associação Nacional dos Trabalhadores em Produção em Energia Nuclear (ANTPEN) participaram do evento. “A presença expressiva mostrou a união, o engajamento e luta por justiça, como pela manutenção do plano de saúde, o reconhecimento que o adoecimento causou num grupo de 65 trabalhadores 22 casos de câncer, ou seja, 34%, é devido as condições inadequadas de trabalho a que foram submetidos, e conclusão dos processos trabalhistas que já têm mais de 20 anos”, afirmou a médica. 

A atuação dela foi muito importante no diagnóstico dos operários nas décadas de 80 e 90, pois ela trabalhava no posto de Saúde próximo à Usam, onde os trabalhadores chegavam doentes buscando ajuda. “Importante lembrar que estes trabalhadores não foram informados sobre as radiações ionizantes e os riscos inerentes enquanto trabalhavam na empresa”, reiterou. 

A especialista também mencionou a importância da criação do Hiroshima International Council for Health, Care of the Radiation-Exposed, criado pelas instituições médicas e de pesquisa que acompanham os sobreviventes da bomba atômica - atirada pelos Estados Unidos em agosto de 1945, contra aquela cidade - uma cooperação da prefeitura de Hiroshima, com o objetivo de treinar para o atendimento de pacientes que tenham sofrido exposição às radiações ionizantes. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), nos países industrializados 2% a 8% dos cânceres são ocupacionais. “Embora vários cânceres são listados como ocupacionais, apenas um pequeno número é reconhecido legalmente como tal. É uma doença prevenível. Muitas vezes existe um período de latência entre o trabalho e o diagnóstico do câncer”, comentou a médica. 

AMIANTO – RISCOS DE CÂNCER - 


A auditora fiscal do Trabalho, fundadora da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (ABREA), Fernanda Giannasi, apresentou informações sobre as dezenas de casos de doenças provocadas pelo mineral cancerígeno no Brasil.  Giannasi reiterou informações que tem divulgado sobre a extração de amianto na mineradora Serra Verde, em Goiás, de terras raras, negociada pelo então governador Ronaldo Caiado, a um grupo norte-americano. 

Giannasi alertou para “os riscos de doenças como o câncer nos trabalhadores na mineradora Serra Verde, instalada no mesmo sitio da indústria do amianto e que a região de Minaçu está comemorando, lamentavelmente”, disse. 


(FOTOS – DIVULGAÇÃO) – 

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