A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) confirmou a informação divulgada pelo Blog sobre o vazamento de amônia (produto altamente tóxico) na Unidade de Concentração de Urânio (URA), da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Caetité, na Bahia. A CNEN foi informada pela INB de que a equipe de manutenção da unidade industrial detectou, no dia 21/6, “um escapamento de amônia em uma válvula de dreno do tanque de armazenamento desse material”.
A ocorrência, segundo a CNEN, “não envolveu qualquer substância radioativa que pudesse caracterizar situação de potencial risco radiológico, tendo sido devidamente sanada pela equipe de manutenção”. Mas segundo apuração do Blog, a amônia estava sendo usada no processo de produção de yellowcake (urânio e pó ou pasta), material radioativo.
“A CNEN é acionada sempre que necessário e em conjunto com o sistema de resposta a emergências. Deve-se ressaltar que cada instalação nuclear ou radiativa tem seu plano de resposta a emergências radiológicas e segue rígidos protocolos de resposta a incidentes ou acidentes”. A CNEN, acrescentou, “permanece ativa no seu papel de resposta sempre que for identificada a necessidade de acionamento, treinando e qualificando continuamente seus profissionais”.
De acordo com a apuração do Blog, a partir de documentos obtidos, o vazamento ocorreu na Área 310: vaso de estocagem de amônia, e as equipes seguem monitorando o local. Não há registros de feridos, nem feridos por exposição ao produto, segundo fontes. O Plano de Emergência foi acionado imediatamente, logo após a ocorrência do vazamento, por trabalhadores. Os funcionários foram direcionados ao ponto de encontro. Cerca de 40 pessoas trabalham no local em esquema de revezamento. O problema foi controlado, mas ainda há muita preocupação e temor de que possa haver outras ocorrências; apesar de os técnicos terem realizado o reparo da válvula com rapidez.
A amônia é o insumo utilizado na precipitação do diuranato de amônio (U-30-8) na fase final do beneficiamento do urânio (yellowcake). Segundo a literatura disponível, o produto tem efeito tóxico à saúde humana. “O contato com a Amônia líquida pode causar severas queimaduras nos olhos e na pele. Sua ação tóxica sobre as mucosas interrompe a respiração e impede a visão, mesmo a baixas concentrações. Pode causar queimadura e asfixia”. Dependendo da quantidade de concentração, pode causar irritação na garganta, mas também pode ser fatal, mesmo no caso de breve exposição. A inalação da Amônia gasosa, em grandes concentrações, pode causar morte, de acordo com a literatura.
INB E ANSN NÃO SE MANIFESTARAM -
A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) não se manifestou até o momento. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), criada no Governo Bolsonaro e sacramentada no atual, pelo Ministério de Minas e Energia (MME), responsável pela fiscalização de instalações como a URA, também não se pronunciou. Recentemente, um técnico caiu dentro de uma célula na URA. A unidade que dispõe de mina de urânio e opera o processo de produção de yellowcake, também tem registros de problemas sérios em suas instalações a partir de vendaval no final do ano retrasado.
O urânio da URA passa pelo seguinte roteiro: segue para a Europa (Urenco) ou para a Rússia para ser transformado em hexafluoreto (urânio em forma de gás) e depois enriquecido. Em seguida, volta ao Brasil, em geral, pelo Porto do Rio, de onde parte para a unidade da INB, em Resende (RJ), para ser transformado em pastilhas, inserido e varetas de zircaloy e assim servir de combustível para alimentar os reatores das usinas nucleares de Angra dos Reis (Angra 1 e Angra 2).
(FOTOS – INB – BLOG) -
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