segunda-feira, 6 de julho de 2026

Ibama quer saber as causas de vazamento de amônia (produto altamente tóxico) em unidade de urânio da INB, revelado pelo Blog

 


O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) determinou que, em prazo de 30 dias, a estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) apresente relatório sobre as causas do vazamento de amônia (produto altamente tóxico) ocorrido no dia 21 de junho (21/6) na Unidade de Concentração de Urânio (URA), em Caetité, na Bahia, relevado pelo Blog.   O Ibama quer que a INB apresente a descrição do acidente e “as medidas adotadas para seu atendimento e demais informações técnicas necessárias à avaliação da ocorrência”. 

O Ibama informou que no dia 21/6 recebeu comunicado do Acidente Ambiental na URA, posteriormente registrado no sistema de comunicação de emergências ambientais do Instituto. Após o recebimento da comunicação, a Superintendência do Ibama na Bahia notificou a empresa, por meio do Ofício nº 571/2026/SUPES-BA, requerendo a apresentação, do “relatório circunstanciado com a descrição das causas do acidente’, entre as outras exigências. 


"FAKE NEWS"

Segundo as informações apresentadas pela INB, “o Plano de Emergência da instalação foi acionado, foram adotadas medidas de contenção e isolamento da área, o vazamento foi interrompido pela equipe técnica da empresa e, preliminarmente, não teriam sido registrados impactos ambientais além da área industrial da unidade nem pessoas atingidas pela substância”, de acordo com o Ibama. Mas o Blog apurou que nada disso foi feito pela gestão da URA, em Caetité. Ou seja, a gestão em Caetité informou “Fake News” à própria direção geral da empresa. As “Fake News” foram repassadas também a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

A CNEN confirmou ter recebido o comunicado do vazamento, e informou que cabe à INB verificar as demais denúncias formuladas pelo Blog. O Ibama também reiterou que “as informações apresentadas são de responsabilidade da empresa”, mas alertou que “estão sujeitas a análise e verificação pelos órgãos competentes que atuam no acompanhamento da ocorrência”. Dessa forma, adverte o Instituto, “caso sejam constatadas irregularidades ou impactos ambientais decorrentes, o Ibama adotará as medidas cabíveis”. 

Em situações envolvendo vazamento de substâncias perigosas, como a amônia, o Ibama realiza fiscalização ambiental, acompanhando as providências adotadas pelo empreendedor e verificando o cumprimento das medidas necessárias para prevenir ou minimizar danos ambientais. Entre elas, estão “o acionamento do plano de emergência, a contenção da fonte de vazamento, o isolamento da área afetada, o monitoramento ambiental, a avaliação dos potenciais impactos ao meio ambiente e a adoção de medidas corretivas e preventivas, além da apresentação de informações e relatórios técnicos sempre que solicitados pelo órgão ambiental”, informou o Instituto. 

(FOTO: BLOG – INB) – 

COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – CONTATO: malheiros.tania@gmail.com

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Barragem contaminada com urânio, em estado de emergência, é mote de duas licitações com diferenças de valores que chagam a R$ 4,5 milhões

 


A Barragem D4 da Unidade de Descomissionamento de Caldas (UDC), da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), contaminada  por urânio, é protagonista de duas licitações para a contratação de empresa visando à regressão de seu estado de nível de emergência, que apresentam valores bem diferentes de 27 de março de 2025 a 29 de abril deste ano.  O Blog perguntou a INB as razões de duas licitações para a mesma Barragem com preços que variam bastante, mas ainda não recebeu a resposta. Em 2025, a licitação apresentava valor de R4 3.718.759,62; e recentemente, passou para R$ 8.189.850,00. Uma diferença de cerca de R$ 4,5 milhões. 


A Barragem D4 sempre esteve na lista de problemas da Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que fiscaliza a UDC há anos, relacionando condicionantes em algumas áreas da instalação. A UDC faz parte do processo de extração de urânio na Mina da Cava, a primeira do Brasil, iniciada na década de 70, que provocou um rasto de contaminação radioativa na região. 

Nesta quinta-feira (02/7) uma equipe do Ibama finalizou, nesta quinta-feira (02/07), uma vistoria técnica na UDC, iniciada há uma semana (30/6).  “A atividade integra o acompanhamento da execução das condicionantes ambientais estabelecidas na Licença de Operação concedida pelo órgão”, informou a INB. 


Essa foi a terceira inspeção do Ibama desde que a UDC obteve a Licença de Operação, em janeiro de 2025, embora funcione há décadas, armazenando material radioativo em suas instalações. O grupo de trabalho do Ibama foi composto por 11 profissionais da Diretoria de Licenciamento Ambiental, envolvendo as áreas de Qualidade e Licenciamento Ambiental e equipes multidisciplinares do Ibama de Minas Gerais, São Paulo e Brasília, que percorreram diferentes pontos da unidade para verificar in loco as ações da empresa. 

NOTA DO IBAMA - 

Nesta semana, uma equipe do Ibama está realizando vistoria técnica na Unidade em Descomissionamento de Caldas, da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), no sul de Minas Gerais, com a finalidade de acompanhar as ações executadas pela empresa em atendimento às condicionantes ambientais estabelecidas na Licença de Operação nº 1709/2025. Após a conclusão da vistoria, será elaborado o respectivo relatório. 

(FOTO – BLOG – INB) – 

COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 996015849 – contato: malheiros.tania@gail.com   

terça-feira, 30 de junho de 2026

Exercício simulado de incêndio mobiliza civis e militares na central nuclear de Angra dos Reis

 


Um exercício simulado de combate a incêndio na Central Nuclear de Angra dos Reis mobilizou equipes de várias instituições na quinta-feira (25/6), sob a coordenação do Comando de Bombeiros de Área VII – Costa Verde (CBA VII). Participaram militares de unidades da região, equipes da Eletronuclear e órgãos especializados em proteção radiológica com o objetivo de aperfeiçoar a atuação integrada e validar os protocolos de resposta a emergências em instalações nucleares. O cenário simulou um incêndio em uma área controlada da Usina Nuclear Angra 2, exigindo a aplicação de protocolos específicos para atuação em instalações nucleares. 


Durante toda a operação, as equipes foram acompanhadas por profissionais de Proteção Radiológica, responsáveis pelo monitoramento das condições do ambiente, pelo controle de acesso e pelo suporte técnico aos militares. O treinamento também contou com a ativação de um Posto de Comando, estruturado conforme os princípios de gerenciamento de incidentes. A estrutura permitiu a coordenação integrada das ações, o compartilhamento de informações em tempo real e a tomada de decisões entre as instituições participantes. 

Por sediar duas centrais nucleares (Angra 1e Angra 2) em operação no Brasil, a Costa Verde demanda preparo permanente das equipes do CBMERJ para ocorrências de alta complexidade, informou o Corpo de Bombeiros.  Exercícios como esse permitem testar protocolos, aperfeiçoar a comunicação entre os órgãos envolvidos e manter elevado o nível de prontidão operacional para a resposta a emergências nucleares e radiológicas. 

Também participam militares do 3º Destacamento do 10º GBM (Frade), do 1º Destacamento do 26º GBM (Mambucaba), além de equipes do 10º GBM (Angra dos Reis) e do 26º GBM (Paraty). A ação contou ainda com o apoio da Brigada de Emergência da Eletronuclear, do Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD) e do Centro de Coordenação e Controle de Emergência Nuclear (CCCEN). 

(FOTOS- CORPO DE BOMBEIROS) – 

COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – Contato: malheiros.tania@gmail.com

sábado, 27 de junho de 2026

EXCLUSIVO. Gestores de instalação de urânio usam "fake news" para esconder a gravidade do vazamento de amônia (produto altamente tóxico).

 


Com uma grande “fake News” os gestores da Unidade de Concentração de Urânio (URA) em Caetité, na Bahia, tentaram abafar a gravidade do vazamento de amônia (produto altamente tóxico e asfixiante que pode levar à morte) em uma válvula de dreno no tanque de armazenamento da instalação, da Indústrias Nucleares do Brasil (INB). O vazamento não foi logo verificado, o local não foi isolado e continuou expelindo amônia, sirenes e o plano de emergência não foram acionados. Os funcionários souberam do problema dentro de ônibus quando deixaram a instalação. 

O vazamento não foi logo estancado a ponto de ter havido tempo para a produção de vídeos, como o blog divulgou desde ontem. “Parece aquele programa é tudo mentira”, comentou um servidor indignado, pois estava no ônibus quando foi avisado por um outro, igualmente revoltado “com tantas mentiras”. 

A gestão da URA enviou comunicado fake News à direção geral da INB. O mesmo comunicado repleto de fake News chegou à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), e a outros órgãos do governo.  Os trabalhadores estão preocupados, pois além de não terem sido informados sobre o vazamento, não sabem também o tempo que a amônia circulou pela unidade. O vazamento teria ocorrido por volta das 7h30 de domingo (21/6).  "E caso de saúde pública", comentaram ao Blog, que também recebeu as informações fake News ontem.

Cerca de 40 pessoas trabalham no local em esquema de revezamento. O Blog está tentando contato com a direção da INB e da CNEN, ambos enganados pela gestão da URA. A amônia é o insumo utilizado na precipitação do diuranato de amônio (U-30-8) na fase final do beneficiamento do urânio (yellowcake). Segundo a literatura disponível, o produto tem efeito tóxico à saúde humana.

 “O contato com a Amônia líquida pode causar severas queimaduras nos olhos e na pele. Sua ação tóxica sobre as mucosas interrompe a respiração e impede a visão, mesmo a baixas concentrações. Pode causar queimadura e asfixia”. Dependendo da quantidade de concentração, pode causar irritação na garganta, mas também pode ser fatal, mesmo no caso de breve exposição.  A inalação da Amônia gasosa, em grandes concentrações, pode causar morte, segundo a literatura. 

A mina de Caetité é uma mina de urânio a céu aberto localizada no Brasil, no município de Caetité, na Bahia. É a única mina de urânio da América Latina. A produção de urânio desta mina destina-se exclusivamente à indústria civil brasileira. Descoberto em 1977, este depósito de urânio é explorado desde 1999. A Unidade de Concentração de Urânio (URA), localizada em Caetité (BA), é a única mina de urânio em atividade no Brasil. Operada pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), ela realiza as duas primeiras etapas do ciclo do combustível nuclear: a extração do minério e o seu beneficiamento. O processo realizado na unidade converte o minério bruto em um produto final de alta densidade energética denominado concentrado de urânio ou yellowcake. 

(FOTOS: BLOG e INB ) -  

COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – CONTATO – malheiros.tania@gmail.com

Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) confirma vazamento de amônia (produto altamente tóxico) na Unidade de Concentração de Urânio

 


A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) confirmou a informação divulgada pelo Blog sobre o vazamento de amônia (produto altamente tóxico) na Unidade de Concentração de Urânio (URA), da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Caetité, na Bahia. A CNEN foi informada pela INB de que a equipe de manutenção da unidade industrial detectou, no dia 21/6, “um escapamento de amônia em uma válvula de dreno do tanque de armazenamento desse material”. 

A ocorrência, segundo a CNEN, “não envolveu qualquer substância radioativa que pudesse caracterizar situação de potencial risco radiológico, tendo sido devidamente sanada pela equipe de manutenção”. Mas segundo apuração do Blog, a amônia estava sendo usada no processo de produção de yellowcake (urânio e pó ou pasta), material radioativo. 

“A CNEN é acionada sempre que necessário e em conjunto com o sistema de resposta a emergências. Deve-se ressaltar que cada instalação nuclear ou radiativa tem seu plano de resposta a emergências radiológicas e segue rígidos protocolos de resposta a incidentes ou acidentes”. A CNEN, acrescentou, “permanece ativa no seu papel de resposta sempre que for identificada a necessidade de acionamento, treinando e qualificando continuamente seus profissionais”. 


De acordo com a apuração do Blog, a partir de documentos obtidos, o vazamento ocorreu na Área 310: vaso de estocagem de amônia, e as equipes seguem monitorando o local. Não há registros de feridos, nem feridos por exposição ao produto, segundo fontes. O Plano de Emergência foi acionado imediatamente, logo após a ocorrência do vazamento, por trabalhadores. Os funcionários foram direcionados ao ponto de encontro. Cerca de 40 pessoas trabalham no local em esquema de revezamento. O problema foi controlado, mas ainda há muita preocupação e temor de que possa haver outras ocorrências; apesar de os técnicos terem realizado o reparo da válvula com rapidez. 

A amônia é o insumo utilizado na precipitação do diuranato de amônio (U-30-8) na fase final do beneficiamento do urânio (yellowcake). Segundo a literatura disponível, o produto tem efeito tóxico à saúde humana. “O contato com a Amônia líquida pode causar severas queimaduras nos olhos e na pele. Sua ação tóxica sobre as mucosas interrompe a respiração e impede a visão, mesmo a baixas concentrações. Pode causar queimadura e asfixia”. Dependendo da quantidade de concentração, pode causar irritação na garganta, mas também pode ser fatal, mesmo no caso de breve exposição.  A inalação da Amônia gasosa, em grandes concentrações, pode causar morte, de acordo com a literatura. 

INB E ANSN NÃO SE MANIFESTARAM - 

A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) não se manifestou até o momento. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), criada no Governo Bolsonaro e sacramentada no atual, pelo Ministério de Minas e Energia (MME), responsável pela fiscalização de instalações como a URA, também não se pronunciou. Recentemente, um técnico caiu dentro de uma célula na URA. A unidade que dispõe de mina de urânio e opera o processo de produção de yellowcake, também tem registros de problemas sérios em suas instalações a partir de vendaval no final do ano retrasado. 

O urânio da URA passa pelo seguinte roteiro: segue para a Europa (Urenco) ou para a Rússia para ser transformado em hexafluoreto (urânio em forma de gás) e depois enriquecido. Em seguida, volta ao Brasil, em geral, pelo Porto do Rio, de onde parte para a unidade da INB, em Resende (RJ), para ser transformado em pastilhas, inserido e varetas de zircaloy e assim servir de combustível para alimentar os reatores das usinas nucleares de Angra dos Reis (Angra 1 e Angra 2). 

(FOTOS – INB – BLOG) - 

COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – contato: malheiros.tania@gmail.com

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Unidade de Concentração de Urânio registra vazamento de amônia, produto altamente tóxico, da INB. Plano de emergência acionado; não há feridos

 


Um vazamento de amônia (produto altamente tóxico e asfixiante que pode levar à morte) em uma válvula de dreno no tanque de armazenamento da Unidade de Concentração de Urânio (URA), da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Caetité, na Bahia, foi registrado por volta das 7h30 de domingo (21/6). O blog obteve documentos sobre o incidente nesta sexta-feira (26/6); e tenta contado com a INB. O vazamento ocorreu na Área 310: vaso de estocagem de amônia. Equipes seguem monitorando o local. Não há registros de feridos, nem feridos por exposição ao produto, segundo fontes.

O Plano de Emergência foi acionado imediatamente quando o vazamento foi verificado por trabalhadores. Os funcionários foram direcionados ao ponto de encontro. Cerca de 40 pessoas trabalham no local em esquema de revezamento. O problema foi controlado, mas há muita preocupação e temor de que possa haver outras ocorrências. Embora técnicos tenham realizado o reparo da válvula com rapidez. 

A amônia é o insumo utilizado na precipitação do diuranato de amônio (U-30-8) na fase final do beneficiamento do urânio (yellowcake). Segundo a literatura disponível, o produto tem efeito tóxico à saúde humana. “O contato com a Amônia líquida pode causar severas queimaduras nos olhos e na pele. Sua ação tóxica sobre as mucosas interrompe a respiração e impede a visão, mesmo a baixas concentrações. Pode causar queimadura e asfixia”. Dependendo da quantidade de concentração, pode causar irritação na garganta, mas também pode ser fatal, mesmo no caso de breve exposição.  A inalação da Amônia gasosa, em grandes concentrações, pode causar morte, de acordo com a literatura. 


A mina de Caetité é uma mina de urânio a céu aberto localizada no Brasil, no município de Caetité, na Bahia. É a única mina de urânio da América Latina. A produção de urânio desta mina destina-se exclusivamente à indústria civil brasileira. Descoberto em 1977, este depósito de urânio é explorado desde 1999. 

A Unidade de Concentração de Urânio (URA), localizada em Caetité (BA), é a única mina de urânio em atividade no Brasil. Operada pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), ela realiza as duas primeiras etapas do ciclo do combustível nuclear: a extração do minério e o seu beneficiamento. O processo realizado na unidade converte o minério bruto em um produto final de alta densidade energética denominado concentrado de urânio ou yellowcake. 

(FOTOS: FONTES BLOG - MINA FOTO DA INB-

 COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – CONTATO – malheiros.tania@gmail.com

Acordo Nuclear Brasil-Alemanha faz 51 anos com obras de Angra 3 paradas; decisão sobre retomada, depois das eleições

 


Neste sábado (27/6) faz 51 anos da assinatura em Bonn, do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, que previa a construção de até oito usinas nucleares e a criação de empresas voltadas para a fabricação de equipamentos, enriquecimento de urânio, entre outras atividades. Mas pelo que se vê nos últimos anos, o “contrato do século”, deixou incontáveis problemas para o Brasil. Um deles envolve a construção da usina Angra 3, marcada por atos ilícitos de corrupção, falcatruas, desvio de dinheiro público, prisão de executivos, que serviram para adiar ainda mais a finalização do empreendimento. 


Hoje, a conclusão das obras de Angra 3 é o que mobiliza frentes de direita e de esquerda no País. Entidades como a Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), presidida por Celso Cunha; técnicos independentes e parlamentares de esquerda, como os deputados federais Reimont Otoni (PT-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), e Lindbergh Farias (PT-RJ), criador da Frente Parlamentar Nuclear no Congresso Nacional, defendem o término das obras de Angra 3. O deputado federal Júlio Lopes, (PP-RJ), é um dos mais ferrenhos apoiadores da central atômica. Nos bastidores o comentário é de que a decisão final virá após as eleições. 


(Leia o artigo de Carlos Mariz, da Associação Brasileira de Energia Nuclear – Leia também a matéria do Blog publicada em agosto de 2021, no governo Bolsonaro, na qual Ailton Krenak manifesta categoricamente a sua rejeição ao projeto de uma usina nuclear em Pernambuco. Na época, quando a  previsão de inaugurar Angra 3 era neste ano de 2026, Krenak já duvidava e apostava no contrário. Acertou em cheio. 

BANHO DE ÁGUA GELADA - 

Em várias reuniões, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) do governo federal coloca e retira o assunto da pauta, dando um banho de água gelada no setor e em alguns parlamentares que apoiam o término das obras. Também estaria em mais uma fase um novo estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As alternativas para a busca de recursos para o término da usina pesam sempre e muito na balança das decisões. Desde o ano passado fontes comentam que será necessário buscar uma modelagem com o Tesouro Nacional, garantindo a captação de recursos no mercado. 


As obras de Angra 3 começaram em 1984. Angra 3 já consumiu cerca de R$ 8 bilhões e ainda precisa de mais R$ 21 bilhões, pelo menos para entrar em operação. As dívidas com o BNDES e a Caixa Econômica Federal (CEF) chegavam a R$ 6,4 bilhões.  Há cerca de dois anos o BLOG registrou o anúncio com mais promessas sobre a usina, em estação do metrô da Zona Sul do Rio de Janeiro. 

DENÚNCIAS - As denúncias de corrupção envolvendo Angra 3 começaram em 2015, quando o contra-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silvam presidia a Eletronuclear, gestora das usinas Angra 1, norte-americana, e Angra 2, a primeira e única do acordo, em operação. Na época, outros cinco executivos da companhia foram presos, mas todos respondem processos em liberdade, incluindo o ex-presidente Michel Temer. 

ACORDO DO SÉCULO - 


O general Ernesto Geisel tomou posse em março de 1974. Até pouco antes o Brasil possuía relações comerciais muito amigáveis com a norte-americana Westinghouse, que vendera Angra 1 para o país. Logo após a posse de Geisel, os EUA suspenderam a exportação de urânio enriquecido para Angra 1, já acertada pela Westinghouse. As obras da usina estavam sempre atrasadas e o Brasil teve que importar urânio da África do Sul para a usina. 

O Governo Carter tratou logo de assinar o “Ato de Não Proliferação” que proibia a venda de qualquer material nuclear para países, como o Brasil, não signatário do Tratado de Não – Proliferação Nuclear (TNP), de 1968. A indústria nuclear norte-americana começava a registrar as primeiras quedas na exportação de reatores. O agravamento da crise do petróleo foi usado pelo governo Geisel como forte argumento na   propaganda oficial sobre a suporta necessidade de comprar outras usinas nucleares. Desde a década de 60ª indústria nuclear alemã vislumbrava realizar negócios com o Brasil. Mas foi em 1974 que os dois países iniciaram conversações sob veementes protestos dos EUA. 

Na Alemanha, o movimento antinuclear pressionava o Governo com inúmeras críticas ao Programa de Desenvolvimento Atômico. Em 1975, cerca de dois mil cientistas alemães assinaram um manifesto contra a política nuclear governamental. No dia 27 de junho de 1975, o Governo Geisel assinou em Bonn o Acordo de Cooperação no Campo do Uso Pacífico da Energia Nuclear. Sob o controle da Agência Internacional de Energia atômica (AIEA), Brasil e Alemanha festejaram o “Acordo do século”. 

EM DEFESA DE ANGRA 3 - 


“A retomada de Angra 3 deve ser lida como mais do que a conclusão de uma obra parada. Ela pode ser o teste de seriedade do Brasil com planejamento elétrico de longo prazo.  A decisão econômica mudou de eixo. Antes a pergunta era: “Angra 3 é cara?” Agora a pergunta correta passou a ser: “é mais racional concluir ou abandonar?” Estudos citados indicam cerca de R$ 23,9 bilhões para concluir e algo entre R$ 21,9 bilhões e R$ 25,97 bilhões para abandonar o projeto. Ou seja: abandonar pode custar quase o mesmo, ou até mais, sem gerar um único MWh.
O custo da paralisação virou argumento central. A obra parada custa cerca de R$ 1 bilhão por ano, entre dívida, preservação de equipamentos e manutenção do canteiro. Esse é o pior dos mundos: gasto recorrente, ativo improdutivo e nenhuma contribuição à segurança energética.
A tarifa é o ponto político sensível. A Fazenda aceita a retomada desde que haja esforço para reduzir a tarifa, estimada na faixa de R$ 778,86 a R$ 817,27/MWh. A comparação não deve ser feita apenas com energia eólica ou solar “na barra da usina”. A comparação correta é com o custo sistêmico: lastro, transmissão, reserva, curtailment, térmicas de apoio e confiabilidade.
Angra 3 tem valor sistêmico, não apenas energético. Ela entrega potência firme, previsível, com alto fator de capacidade, baixa emissão e operação contínua. Num sistema com participação crescente de fontes intermitentes, esse tipo de geração passa a ter valor estratégico. A energia nuclear não concorre apenas em R$/MWh; concorre em segurança de suprimento. A retomada é pré-condição para um novo programa nuclear. Se o Brasil não consegue concluir Angra 3, dificilmente terá credibilidade institucional para lançar novas centrais. O PNE 2055 da EPE já trata trajetórias até 2055 e considera a expansão nuclear como parte da estratégia de longo prazo. Para Itacuruba, a retomada é decisiva. Angra 3 consolidaria o polo nuclear do Sudeste e manteria viva a cadeia de engenharia, licenciamento, operação, combustível e regulação. A partir daí, faria sentido pensar em um segundo polo no Nordeste, com Itacuruba em Pernambuco como sítio estratégico: interiorizado, próximo ao eixo mineral de Santa Quitéria no Ceará e capaz de funcionar como base de desenvolvimento tecnológico e industrial. Minha leitura: retomar Angra 3 é tecnicamente defensável, economicamente menos irracional que abandonar e estrategicamente indispensável. O erro seria tratá-la apenas como uma usina cara. O correto é vê-la como um ativo de planejamento, segurança energética e reconstrução da competência nuclear brasileira”. AUTOR – Carlos Moriz – Diretor regional da Associação Braseira de Energia Nuclear (ABEN) – Engenheiro Eletricista pela UFPE com mestrado em Engenharia de Sistemas pela COPPE-UFRJ).  

Ailton Krenak condena usinas nucleares no Nordeste, como em Itacuruba (PE): 

"Eles vão receber um sonoro não!" 


Uma cidade pouco conhecida dos brasileiros, outrora ocupada por comunidades indígenas, vivia sob o medo de abrigar uma usina nuclear que, consequentemente, produzirá lixo atômico e incertezas quanto ao seu futuro. Trata-se de Itacuruba, que significa “grão de pedra, seixo”, no tupi antigo itakuruba, localizada nas proximidades do Rio São Francisco, o tão castigado “Velho Chico”, em Pernambuco. 

A história de Itacuruba remonta ao século XVII, em pleno sertão da região Nordeste, com índios catequisados por jesuítas, que marcaram o seu passado. A velha cidade foi inundada e passou por várias transformações.  A atual Itacuruba foi projetada na década de 1980 para receber a população deslocada em decorrência da criação do Lago Itaparica, a Barragem Luiz Gonzaga, entre outras. A possibilidade de transformar a cidade num polo de produção de energia nuclear - primeiro no Nordeste – vem fortalecendo os movimentos sociais e ambientais contrários ao empreendimento. 

Natural da aldeia Krenak na região do médio Rio Doce (MG), líder que influenciou a inclusão de um capítulo na Constituição sobre a proteção dos direitos dos indígenas, Ailton Krenak concede esta entrevista exclusiva ao Blog.  Aqui, ele critica a intenção do governo de construir a usina nuclear em Itacuruba, aponta falhas históricas, entre outras coisas.  A primeira vez que eu soube dessa intenção foi através de indígenas da região, o povo Pancararu, perto de Paulo Afonso, durante o governo de Michel Temer. Eles viram o movimento de engenheiros e técnicos por lá e ficaram apavorados. Sondei, na época, quando fiquei sabendo que o Brasil não estava com dinheiro para retomar o projeto de usinas nucleares. Mas há cerca de dez dias o assunto voltou novamente à tona, com sujeitos do governo anunciando a construção da usina. Estamos vendo novamente esse movimento. São projetos políticos e oportunistas.  Sabemos que o Brasil não tem dinheiro pra isso, comentou Krenak. 

Ele lembra que Organizações Não Governamentais (ONGs) como a Articulação Antinuclear Brasileira, formada por mais de trinta entidades civis; e a Diocese da Floresta, em Pernambuco, estão organizadas, promovendo eventos virtuais, debatendo o assunto, mostrando os problemas decorrentes da energia nuclear e os estragos que poderá provocar em Itacuruba.

 “Há um movimento forte no Nordeste, atento às intenções dos governos em levar esse projeto adiante, mas eu acho difícil, porque não há dinheiro”, comentou. Krenak chama a atenção para problemas ambientais já ocorridos em polos atômicos no Brasil. Não à toa os índios tupis-guaranis, antigos habitantes de Angra dos Reis, batizaram de “Itaorna”, a praia em que está erguida a central nuclear com as usinas Angra 1 e Angra 2, em funcionamento. Em tupi-guarani “Itaorna” significa “pedra mole”. 

No caso específico do município de Angra dos Reis, Krenak lembra que, na década de 60, início do projeto de instalação da central nuclear, o governo militar promoveu uma das maiores remoções de populações indígenas nativas. - Foi uma desocupação desordenada com índios sendo levados para as regiões próximas e hoje vimos que eles estão muito próximos às usinas nucleares (Angra 1 e Angra 2 e Angra 3 em construção), o que é lamentável. Hoje, além do momento complicado da pandemia do coronavirus (COVID-19), da escassez de recursos e da falta de credibilidade do governo, Krenak utiliza o caso da usina Angra 3, a fim de exemplificar o quanto o projeto de Itacuruba tem poucas chances. Com as obras iniciadas em 1984, interrompidas por falta de decisão política e denúncias de corrupção, apesar de o governo garantir que estão sendo retomadas e que a usina entrará em operação em 2026, Krenak reitera que não leva fé nisso. (KRENAK ESTAVA CERTO!!!) - 

As notícias sobre a retomada das obras de Angra 3 podem ser um “ensaio” para distrair a opinião pública. Pode ser que haja a intenção de manter o mundo em suspense, em estado de sofrimento permanente, gerando mais uma crise social, em plena pandemia. Eles tentam retomar uma fissura nuclear, num governo precário. Em vez de anunciar investimentos sem recursos, o governo deveria arrumar emprego para 30 milhões de brasileiros que vivem hoje na linha da pobreza. O que mais me preocupa é a insegurança institucional política e permanente. 

MINAS DE URÂNIO, OUTRO PROBLEMA - Ailton Krenak também opinou sobre a intenção do governo, já colocava em prática, de extrair urânio de jazidas que estavam praticamente desativadas, por conta de riscos de contaminação do solo e meio ambiente, além de registros de doenças como o câncer na população próxima ao local. O nome Caetité deriva da língua tupi e significa “Mata da pedra grande”, segundo a literatura disponível. Pelo nome original de batismo, os índios possivelmente conheciam muito bem a riqueza que a região guardava. A retomada da extração de urânio em Caetité, criticada por pesquisadores e ambientalistas, no Brasil, faz parte de “um pacote gerido por tecnocratas”, avalia Krenak. 

- Esses tecnocratas têm ideia fixa em projetões e sentem saudades da época do Brasil grande, que não se importavam com questões ecológicas e ambientais. É uma visão que às vezes até desanima. Eles querem lidar com tecnologia de alto risco, sem respeitar a terra, a natureza. No caso de Itacuruba, os movimentos estão muito fortes. Seria uma aventura insana. Eles vão receber um sonoro não”. E completou: “O mundo é cada um de nós”. 

PERFIL - Um dos mais respeitados líderes indígenas do País, que influenciou a inclusão de um capítulo na Constituição sobre a proteção dos direitos dos indígenas segue lutando pela questão ambiental: Ailton Krenak. Ele fincou definitivamente seu nome, símbolo na de luta pelos povos indígenas, desde a década de 80. No discurso em setembro de 1987, na Assembleia Nacional Constituinte, chamou a atenção do mundo sobre a questão indígena. No plenário da Câmara dos Deputados, ao mesmo tempo em que fazia um apelo às lideranças políticas para que aprovassem uma emenda constitucional tratando dos direitos dos índios, Krenak  aplicava sobre a própria face tinta preta de jenipapo, produto usado por sua tribo, os Krenaks, em situações de luto. Registrado para ficar na História, o gesto significava um protesto contra o risco de a emenda não ser aprovada. O discurso chamou a atenção do país e, como resultado do trabalho de Krenak e de outras lideranças da época, foi incluído na Constituição um capítulo sobre a proteção dos direitos dos indígenas, uma conquista inédita até então. 

A carreira de liderança de Krenak vai muito além. Pesquisas mostram que em seu histórico de luta pelos povos indígenas constam a participação na fundação de entidades como a União das Nações Indígenas, que existiu nos anos 1980, a Aliança dos Povos da Floresta (que, além de índios, incluía grupos extrativistas, como seringueiros) e a criação do Núcleo de Cultura Indígena, na Serra do Cipó, em Minas Gerais. Com vários livros publicados, recentemente, a sua vida foi tema do documentário Ailton Krenak: o sonho de pedra

(FOTOS: ACERVO ABDAN - E FOTO DO BLOG - NO METRÕ EM 2023 - PROPAGANDA ENGANOSA) – FOTOS DO CONGRESSO – E PESSOAL - GEISEL VISITA ANGRA/ACERVO FURNAS 

COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX 21 99601-5849 – CONTATO: malheiros.tania@gmail.com

Em destaque

Bomba atômica! Pra quê? Brasil e Energia Nuclear - Editora Lacre

O livro “Bomba atômica! Pra quê? Brasil e Energia Nuclear”, da jornalista Tania Malheiros, em lançamento pela Editora Lacre, avança e apr...