terça-feira, 13 de outubro de 2026

Entidades científicas cobram do TSE equilíbrio e transparência nas decisões sobre as eleições de 2026

 


Uma carta aberta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em defesa da integridade e do equilíbrio das eleições de 2026, foi divulgada domingo (11/10) pelas mais importantes entidades científicas do país. O documento manifesta preocupação com a suspensão do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, determinada pelo presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, e cobra critérios isonômicos nas decisões da Justiça Eleitoral, além da investigação de denúncias de interferência no ambiente digital. 

A carta foi assinada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Academia Brasileira de Ciências (ABC), o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), a FASUBRA Sindical, a PROIFES-Federação e o movimento Reitores pela Democracia. 

“Não se trata de defender uma candidatura. Trata-se de impedir que a Justiça Eleitoral seja usada para silenciar eleitores, enquanto as interferências mais graves destas eleições seguem sem resposta”, afirmam as entidades. O documento defende a responsabilização por publicações falsas, mas questiona suspensões coletivas de canais e perfis sem análise individualizada. Também solicita a investigação do chamado token B22, que teria oferecido criptomoedas em troca de propaganda eleitoral, e a apuração independente de denúncias envolvendo plataformas digitais, com transparência e aplicação dos mesmos critérios a todas as candidaturas. 

“A Justiça Eleitoral brasileira é reconhecida no mundo por sua integridade. É essa integridade que pedimos que seja preservada agora: rigor contra quem paga para manipular o debate, proteção a quem apenas manifesta sua opinião e respeito à palavra do eleitor”, conclui as entidades na carta. 

Leia o documento na íntegra abaixo. 

Carta Aberta ao Tribunal Superior Eleitoral em Defesa da Integridade e do Equilíbrio das Eleições de 2026 - 

Ao Tribunal Superior Eleitoral, às autoridades da República, às plataformas digitais e à sociedade brasileira - 

As entidades que assinam esta carta dirigem-se ao Tribunal Superior Eleitoral em um momento decisivo. Faltam duas semanas para o segundo turno, e o Tribunal já começou a tomar decisões que alteram as condições da disputa. Não se trata de defender uma candidatura. Trata-se de impedir que a Justiça Eleitoral seja usada para silenciar eleitores, enquanto as interferências mais graves destas eleições seguem sem resposta. 

No domingo, 11 de outubro, atendendo a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal “Exército do Lula” no WhatsApp, administrado pelo deputado federal André Janones e com mais de 3 milhões de participantes. A mesma campanha pede ainda a suspensão de 32 perfis, a remoção de 221 publicações e a cassação do registro da chapa adversária, acusando uma rede de 1.525 contas de espalhar desinformação, embora os próprios autores reconheçam que nenhuma das publicações saiu do perfil do candidato adversário. Se houve publicações falsas, elas devem ser removidas e seus autores responsabilizados. Mas calar em bloco canais e perfis de apoiadores de um candidato, por decisão individual e provisória, a duas semanas da eleição presidencial, é medida de outra natureza: atinge milhões de eleitores, desequilibra a disputa e cria um precedente perigoso para todas as eleições futuras. O próprio Tribunal já mostrou o caminho certo ao remover, nos últimos dias, publicações específicas de ambas as campanhas, com fundamentação. É esse padrão que deve prevalecer. O contraste é evidente. A candidatura que pede a suspensão de canais adversários foi a beneficiária declarada de um dos esquemas mais graves de interferência destas eleições: o token B22, que ofereceu criptomoedas a quem publicasse pedidos de voto em Flávio Bolsonaro e enviou 120 milhões de tokens a um grupo de dança infantil de Uganda, que publicou um vídeo com crianças cantando uma mensagem eleitoral. O TSE suspendeu o mecanismo, a campanha nega envolvimento, e até hoje não se sabe quem o criou, quem o financiou e quem lucrou. Em teste independente, a Meta aprovou ainda uma montagem falsa em que Donald Trump declarava apoio ao mesmo candidato. O ambiente digital destas eleições já está contaminado. O NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, encontrou anúncios que se passavam pela Justiça Eleitoral e ofereciam uma falsa “votação remota” a eleitores com problemas de saúde, 568 anúncios irregulares no período em que a propaganda paga era proibida e anúncios contra as instituições que renderam até R$ 2,1 milhões à Meta. A campanha de Lula acusa a Meta de restringir seletivamente o alcance de suas publicações, o que a empresa nega, e o TSE determinou que a plataforma explique se aplica as mesmas regras às duas campanhas. É esse tipo de verificação que deve valer para todas as denúncias. A legislação oferece os instrumentos para agir com firmeza e equilíbrio. O Código Eleitoral pune quem oferece vantagem em troca de voto ou usa prêmios para atrair eleitores (arts. 299 e 334). A Lei das Eleições restringe a propaganda paga na internet e pune a captação ilícita de sufrágio (arts. 57-C e 41-A). A Resolução TSE nº 23.610/2019 proíbe remunerar quem divulga propaganda e responsabiliza as plataformas que não agem contra a desinformação. E a Constituição assegura a todos a liberdade de expressão, o contraditório e o devido processo legal, garantias que valem para os dois lados. Por isso, pedimos ao Tribunal Superior Eleitoral que submeta com urgência para apreciação do Plenário a decisão monocrática de suspensão do canal “Exército do Lula”, substituindo-a, se for o caso, pela remoção das publicações irregulares; que não conceda suspensões coletivas de canais e perfis sem análise individual, prova concreta e direito de defesa, aplicando os mesmos critérios a todas as candidaturas; que dê prioridade à investigação do B22, identificando quem criou, financiou e lucrou com o token; que apure por perícia independente as denúncias contra as plataformas, comparando os dados de todas as candidaturas; e que torne públicas as decisões e seus fundamentos. Às plataformas, pedimos revisão humana dos anúncios eleitorais até o segundo turno e acesso de pesquisadores independentes aos seus dados. A Justiça Eleitoral brasileira é reconhecida no mundo por sua integridade. É essa integridade que pedimos que seja preservada agora: rigor contra quem paga para manipular o debate, proteção a quem apenas manifesta sua opinião e respeito à palavra do eleitor. 11 de outubro de 2026. - 

Assinam esta carta: ABC – Academia Brasileira de Ciências. ANDES-SN – Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior. ANDIFES – Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior. ANPG – Associação Nacional de Pós-Graduandos. CONIF – Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica - FASUBRA Sindical – Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil. PROIFES-Federação – Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior. Reitores pela Democracia – Movimento Reitores pela Democracia. SBQ – Sociedade Brasileira de Química. SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. SINASEFE – Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica. 

(FOTO – SBPC) – 

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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Policia investiga autoria do roubo de veículo com material radioativo em SP; carro foi desmontado; produto localizado.

 



A polícia continua investigando a autoria do roubo de um veículo que transportava material radioativo Actínio-225 (Ac-225) para tratamento médico, ocorrido em Guarulhos, São Paulo, na quinta-feira (1/10). O material foi localizado intacto na noite de segunda-feira (5/10), em terreno baldio na Rua Um do Cruzeiro, no bairro São Rafael, zona leste da capital paulista. O material passa pelo crivo do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN), unidade da Comissão Nacional de Energia em São Paulo. O veículo roubado foi encontrado desmontado: era um Citroen Jumpy-Furgão, placa GGJ-3G06, com capacidade de 1,5 tonelada e tinha o símbolo internacional de radiação. 

Não é a primeira vez que crimes do mesmo modo ocorrem com veículos transportadores de material radioativo. Segundo o Ipen, o material foi encontrado pela 55º Delegacia Policiais. A transportadora Medical ALD realizou “a primeira avaliação da integridade do embalado, constatou que não houve perda de integridade”. O material importado dos Estados Unidos foi recolhido e levando para o Hospital AC Camargo Câncer Center”, onde é utilizado em tratamento de combate ao câncer.

 (FOTOS: ANSN – CNEN – IPEN – G1) – 

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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Empresas australianas se aliam de olho nas terras raras de Caldas, em Minas Gerais

 

Duas empresas australianas se aliam no projeto para extração e beneficiamento de terras raras no município mineiro de Caldas. O negócio anunciado na noite de ontem (30/9) estaria movimentando R$ 3,5 bilhões. A dupla empresarial australiana informa que dialoga com o governo brasileiro – 


Rio de Janeiro, 01 de outubro de 2026 - As empresas australianas Lynas Rare Earths e Meteoric Resources anunciaram ontem à noite (30/09) um acordo para aquisição e nova etapa do Projeto Caldeira, em Caldas, Minas Gerais, visando à extração e os processos de purificação de terras raras em argilas iônicas, o maior fora China. Segundo o anúncio, a Lynas mantém experiência global em produção e separação de terras raras e “abre novas perspectivas para investimento, desenvolvimento tecnológico e agregação de valor no Brasil”. O negócio estaria envolvendo R$ 3,5 bilhões. 

Em nota divulgaram que estabeleceram diálogos com representantes do governo brasileiro, diante da nova Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. “As companhias reafirmaram às autoridades brasileiras o compromisso com uma relação institucional transparente e construtiva e com o cumprimento integral dos procedimentos e aprovações regulatórias aplicáveis à transação”, consta em nota. Projeto Caldeira, informaram que, “ganha escala para uma nova etapa de desenvolvimento”. Qual? A combinação dos ativos das duas companhias reúne dois recursos minerais de terras raras de relevância internacional e características complementares: o depósito de Mt Weld, na Austrália Ocidental, desenvolvido em rocha dura, e o Projeto Caldeira, formado por mineralização em argilas iônicas em Minas Gerais. 


Os Recursos Minerais do Projeto Caldeira contêm aproximadamente 802 mil toneladas de NdPr (neodímio e praseodímio) e 41 mil toneladas de DyTb (disprósio e térbio)1. Esses elementos são utilizados em aplicações tecnológicas avançadas, incluindo ímãs permanentes de alta performance empregados em veículos elétricos, geração de energia eólica, produtos eletrônicos e outras tecnologias. Para a Lynas, a incorporação do Projeto Caldeira resulta em um aumento de 79% em seus Recursos Minerais existentes e de 26% em suas Reservas de Minério, com base nas premissas e referências técnicas utilizadas pelas empresas2.  

Para o Projeto Caldeira, “a transação representa acesso à experiência técnica e operacional da Lynas e a uma estrutura financeira com capacidade para apoiar seu desenvolvimento”. As empresas informaram seus bastidores financeiros: “Em 30 de junho de 2026, a Lynas possuía aproximadamente A$ 1,2 bilhão em caixa e depósitos de curto prazo. Como parte do acordo, a Lynas também concordou em disponibilizar à Meteoric uma linha de financiamento interina de até A$ 110 milhões, destinada à continuidade do desenvolvimento do Projeto Caldeira, aos custos relacionados à implementação da transação e às necessidades de capital de giro durante o processo”. 

(FOTOS – METEORIC) - 

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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Vazamento de material radioativo em unidade do ciclo do combustível alcançou sistema fluvial; mas "as avaliações não indicam contaminação do solo"

 


O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou nesta quarta-feira (23/9) que uma parcela do material que vazou na tarde de terça-feira (22/9) de uma caixa de fibra que se rompeu, na Unidade de Concentração de Urânio (URA), da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Caetité (BA), “atingiu o lado externo e alcançou o sistema fluvial, ainda dentro da propriedade da URA, sendo recolhido na caixa de coleta de efluentes”. O local onde ocorreu o vazamento foi interditado. Mesmo sem os resultados dos exames das amostras, segundo a fiscalização (ANSN), "as avaliações não indicam contaminação do solo". O Blog apurou que havia urânio (elemento radioativo) na mistura do material que vazou

O Ibama recebeu a informação de um representante da INB, na noite de terça-feira, ou seja, horas depois do ocorrido, registrado às 15h40. “O rompimento de uma caixa de fibra que armazenava efluente industrial resultou no derramamento de líquido destinado a tratamento químico, que ficou, em sua maior parte, restrito à área de contenção da própria instalação”, informou o Instituto. “Equipes iniciaram a limpeza da área, além de ter sido realizada coleta de amostra para análise”. 


No dia seguinte ao rompimento, o órgão licenciador nuclear, Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), informou nas redes sociais que estava acompanhando o caso; depois, “determinou a interrupção preventiva das atividades operacionais na área afetada”. 

A INB informou em comunicado oficial que a ocorrência não provocou impacto aos trabalhadores e à população ou liberação de material para fora das instalações da empresa. “A empresa classificou a situação como um evento não usual leve e informou que a ocorrência ficou restrita a uma área pavimentada, dotada de sistema de contenção com dupla camada de proteção”. Imagens mostram a fragilidade do local. 

De acordo com a reportagem publicada nesta quarta-feira (23/9), o rompimento de uma caixa de fibra com capacidade para 20 mil litros contendo solvente com material radioativo, como urânio, ocorreu nesta terça-feira (22), na URA, em Caetité (BA). A empresa divulgou que o “incidente” com “emulsão proveniente do processo industrial, não provocou impacto aos trabalhadores, à população ou liberação de material para fora das instalações”. O Blog apurou que não havia trabalhadores na hora do rompimento, mas parte do material vazou para local de circulação onde trafegam veículos e pessoas dentro da unidade. Foto exclusiva mostra o local do vazamento. A área 300 é onde é feita a regeneração do solvente. A maior parte do material ficou dentro da contenção do local que já é contaminado. 


EVENTO NÃO USUAL -

 A INB informou que a “situação foi classificada como evento não usual e ficou restrita às instalações da unidade, em área pavimentada e dotada de sistema de contenção com dupla camada de proteção, composta por concreto e PEAD”. Informou também que “as equipes da unidade foram imediatamente acionadas e já realizam a limpeza da área. Uma equipe multidisciplinar acompanha a situação e define as demais providências necessárias. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) foi imediatamente comunicada e acompanha as ações adotadas pela INB”. 

FISCALIZAÇÃO – AVALIAÇÃO – 

Mesmo antes dos resultados de testes com amostras, a ANSN, autarquia federal, vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), com sede em Botafogo, divulgou nas redes que “as avaliações não indicam contaminação do solo, permanecendo os efeitos da ocorrência restritos à área afetada e à calçada adjacente”. Entre as ações em curso estão coletas de amostras, monitorações locais, descontaminação e limpeza das áreas atingidas. A INB está providenciando a transferência do material retido na área de contenção para outro reservatório. Como “medida cautelar”, a ANSN determinou que as atividades operacionais na área afetada permaneçam interrompidas. ”A retomada ficará condicionada à demonstração, pela instalação, do cumprimento dos requisitos de segurança aplicáveis e das determinações decorrentes da avaliação da ocorrência. A INB deverá apresentar, no prazo de 30 dias, relatório consolidado com a avaliação das causas da ocorrência, as medidas corretivas adotadas e previstas, os respectivos prazos de implementação e os elementos necessários à verificação de sua efetividade”. 

Na URA o urânio passa pelo primeiro processo do ciclo do combustível nuclear: é transformado em yellowcake, seguindo viagem rumo ao exterior (Rússia) onde passa por outras transformações até o enriquecimento para alimentar as usinas nucleares de Angra dos Reis (Angra 1, desligada recentemente para a troca e combustível, entre outras operações; e Angra 2, em funcionamento). 

VALE LEMBRAR OUTRO VAZAMENTO - 

Em julho deste ano de 2026 o Blog divulgou um vazamento de amônia (produto altamente tóxico) ocorrido no dia 21 de junho (21/6) na URA. Na ocasião, o Ibama exigiu ao INB um documento com a descrição do acidente e “as medidas adotadas para seu atendimento e demais informações técnicas necessárias à avaliação da ocorrência”. Após o recebimento da comunicação, a Superintendência do Ibama na Bahia notificou a empresa, por meio do Ofício nº 571/2026/SUPES-BA, requerendo a apresentação, do “relatório circunstanciado com a descrição das causas do acidente’, entre as outras exigências. 

ACIDENTE - 

As instalações da INB em Caetité já registraram vários problemas, como o caso da queda de um operador na URA. O homem caiu e se feriu ao pisar numa tampa de ferro que estava aberta, em uma das oito células do setor de extração de urânio (área 160) às 10h30 em 1º de outubro de 2025. Em nota interna de esclarecimento a INB declarou que a informação “não procede”. Mas logo em seguida reiterou: “O fato envolveu um empregado que, durante atividade rotineira no setor de extração, sofreu uma queda em compartimento contendo solvente orgânico descarregado”. A empresa negou e confirmou ao mesmo tempo. Não informa como e porque o empregado sofreu a queda. E assim o caso foi encerrado, com a empresa tentando desqualificar a informação. 

VENDAVAL -

Danos provocados por vendaval, no dia 31 de dezembro de 2023, paralisam as atividades de lavra na mina do Engenho, da URA), por um tempo. Na época, a informação do BLOG foi confirmada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A área de produção do concentrado de urânio foi a mais danificada. Esta é uma prova de que eventos climáticos extremos podem afetar instalações que operam com material radioativo. 

VISTORIA DO IBAMA -

Segundo a INB, entre os dias 15 e 17 de setembro deste ano, a URA recebeu vistoria técnica do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Participaram da vistoria equipes da Coordenação de Licenciamento Ambiental de Mineração (Comip) e da Coordenação de Registro e Informação sobre Remediação e Contaminação Ambiental (Cicam), ambas do Ibama, que durante os três dias, percorreram diferentes áreas para verificar, em campo, a execução das medidas de controle e mitigação ambiental que integram o licenciamento ambiental da unidade. O roteiro incluiu a plataforma da usina, a Mina do Engenho, estradas internas, áreas em processo de recuperação ambiental, as proximidades da Barragem de Águas Claras e pontos de monitoramento do meio biótico e da fauna. A equipe do Ibama também acompanhou as atividades do Gerenciamento de Áreas Contaminadas (GAC), observando o avanço das atividades previstas para tratamento de eventos não usuais pretéritos. A programação abrangeu ainda as ações do Programa de Comunicação Social e iniciativas desenvolvidas no âmbito dos programas de Educação Ambiental, contemplando diferentes aspectos da gestão ambiental da unidade”. 

IBAMA: RENOVAÇÃO DA LICENÇA COM CONDICIONANTES - 

Segundo a equipe técnica do Ibama, acrescentou a INB, a atividade integra o acompanhamento periódico realizado na URA. “Essa vistoria faz parte das inspeções que realizamos de forma frequente, com o objetivo de acompanhar se os sistemas de controle ambiental da unidade estão operando de acordo com o que é estabelecido pelo órgão ambiental”. 

E mais: “A equipe técnica do Ibama ressaltou ainda que a vistoria já estava programada e não decorre da recente renovação da Licença de Operação da unidade. Para eles, o acompanhamento ao longo dos anos permite observar a evolução dos procedimentos ambientais adotados. Como o Blog divulgou na semana passada, o Ibama concedeu a terceira renovação da Licença de Operação (LO) nº 274/2002 da Unidade de Concentração de Urânio (URA) da INB, com validade de 10 anos. Foi autorizada a continuidade das atividades como a lavra de urânio na Mina do Engenho e o beneficiamento do minério para produção de concentrado de urânio, únicos em operação no País. Mas o Ibama estabeleceu uma série de condicionantes gerais e específicas. A autorização poderá ser suspensa ou cancelada se houver “violação ou inadequação de quaisquer condicionantes ou normais legais”, “omissão ou falsa descrição de informações relevantes, que subsidiaram a expedição da licença; superveniências de graves riscos ambientais e à saúde”. O vazamento registrado nesta terça-feira leva à reflexão a segurança das instalações. 

CAETITÊ - 

A unidade ocupa uma área de 1.700 hectares, localizada em uma província mineral com recursos que chegam a 87 mil toneladas de urânio e onde estão identificados 17 depósitos minerais. De 2000 a 2015, a INB Caetité produziu 3.750 toneladas de concentrado de urânio a partir da extração a céu aberto de uma dessas jazidas – a mina Cachoeira. A mina que se encontra em operação hoje é a mina do Engenho. 

(FOTOS EXCLUSIVAS DO BLOG)- Vejam outras fotos exclusivas do local do vazamento, obtidas pela reportagem. A primeira foto mostra como ficou a área dentro da contenção; a segunda; a caixa que estourou ao fundo; a terceira, o local onde ocorreu o rompimento.  

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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

VAZAMENTO DE MATERIAL RADIOATIVO EM UNIDADE DO CICLO DO COMBUSTIÍVEL. VEJA FOTO EXCLUSIVA

 


O rompimento de uma caixa de fibra com capacidade para 20 mil litros contendo solvente com material radioativo, como urânio, ocorreu nesta terça-feira (22), na Unidade de Concentração de Urânio (URA), em Caetité (BA). O blog apurou que estrondo do rompimento foi ouvido às 16h. A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) divulgou que o “incidente” com “emulsão proveniente do processo industrial, não provocou impacto aos trabalhadores, à população ou liberação de material para fora das instalações”. O Blog apurou que não havia trabalhadores na hora do rompimento, mas parte do material vazou para local de circulação onde trafegam veículos e pessoas dentro da unidade. 

Foto exclusiva mostra o local do vazamento. A área 300 é onde é feita a regeneração do solvente. A maior parte do material ficou dentro da contenção do local que já é contaminado. 

EVENTO NÃO USUAL - 

A INB informou que a “situação foi classificada como evento não usual e ficou restrita às instalações da unidade, em área pavimentada e dotada de sistema de contenção com dupla camada de proteção, composta por concreto e PEAD”. Informou também que “as equipes da unidade foram imediatamente acionadas e já realizam a limpeza da área. Uma equipe multidisciplinar acompanha a situação e define as demais providências necessárias. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) foi imediatamente comunicada e acompanha as ações adotadas pela INB”. 

VAZAMENTO - 

Em julho deste ano de 2026 o Blog divulgou um vazamento de amônia (produto altamente tóxico) ocorrido no dia 21 de junho (21/6) na URA. Na ocasião, o Ibama exigiu ao INB um documento com a descrição do acidente e “as medidas adotadas para seu atendimento e demais informações técnicas necessárias à avaliação da ocorrência”. Após o recebimento da comunicação, a Superintendência do Ibama na Bahia notificou a empresa, por meio do Ofício nº 571/2026/SUPES-BA, requerendo a apresentação, do “relatório circunstanciado com a descrição das causas do acidente’, entre as outras exigências. 

ACIDENTE - 

As instalações da INB em Caetité já registraram vários problemas, como o caso da queda de um operador na URA. O homem caiu e se feriu ao pisar numa tampa de ferro que estava aberta, em uma das oito células do setor de extração de urânio (área 160) às 10h30 em 1º de outubro de 2025. Em nota interna de esclarecimento a INB declarou que a informação “não procede”. Mas logo em seguida reiterou: “O fato envolveu um empregado que, durante atividade rotineira no setor de extração, sofreu uma queda em compartimento contendo solvente orgânico descarregado”. A empresa negou e confirmou ao mesmo tempo. Não informa como e porque o empregado sofreu a queda. E assim o caso foi encerrado, com a empresa tentando desqualificar a informação. 

VENDAVAL - 

Danos provocados por vendaval, no dia 31 de dezembro de 2023, paralisam as atividades de lavra na mina do Engenho, da URA), por um tempo. Na época, a informação do BLOG foi confirmada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A área de produção do concentrado de urânio foi a mais danificada. Esta é uma prova de que eventos climáticos extremos podem afetar instalações que operam com material radioativo. 

VISTORIA DO IBAMA - 

Segundo a INB, entre os dias 15 e 17 de setembro deste ano, a URA recebeu vistoria técnica do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Participaram da vistoria equipes da Coordenação de Licenciamento Ambiental de Mineração (Comip) e da Coordenação de Registro e Informação sobre Remediação e Contaminação Ambiental (Cicam), ambas do Ibama, que durante os três dias, percorreram diferentes áreas para verificar, em campo, a execução das medidas de controle e mitigação ambiental que integram o licenciamento ambiental da unidade. “O roteiro incluiu a plataforma da usina, a Mina do Engenho, estradas internas, áreas em processo de recuperação ambiental, as proximidades da Barragem de Águas Claras e pontos de monitoramento do meio biótico e da fauna. A equipe do Ibama também acompanhou as atividades do Gerenciamento de Áreas Contaminadas (GAC), observando o avanço das atividades previstas para tratamento de eventos não usuais pretéritos. A programação abrangeu ainda as ações do Programa de Comunicação Social e iniciativas desenvolvidas no âmbito dos programas de Educação Ambiental, contemplando diferentes aspectos da gestão ambiental da unidade”. 

IBAMA: RENOVAÇÃO DA LICENÇA COM CONDICIONANTES - 

Segundo a equipe técnica do Ibama, acrescentou a INB, a atividade integra o acompanhamento periódico realizado na URA. “Essa vistoria faz parte das inspeções que realizamos de forma frequente, com o objetivo de acompanhar se os sistemas de controle ambiental da unidade estão operando de acordo com o que é estabelecido pelo órgão ambiental”. E mais: “A equipe técnica do Ibama ressaltou ainda que a vistoria já estava programada e não decorre da recente renovação da Licença de Operação da unidade. Para eles, o acompanhamento ao longo dos anos permite observar a evolução dos procedimentos ambientais adotados. 

Como o Blog divulgou na semana passada, o Ibama concedeu a terceira renovação da Licença de Operação (LO) nº 274/2002 da Unidade de Concentração de Urânio (URA) da INB, com validade de 10 anos. Foi autorizada a continuidade das atividades como a lavra de urânio na Mina do Engenho e o beneficiamento do minério para produção de concentrado de urânio, únicos em operação no País. Mas o Ibama estabeleceu uma série de condicionantes gerais e específicas. A autorização poderá ser suspensa ou cancelada se houver “violação ou inadequação de quaisquer condicionantes ou normais legais”, “omissão ou falsa descrição de informações relevantes, que subsidiaram a expedição da licença; superveniências de graves riscos ambientais e à saúde”. O vazamento registrado nesta terça-feira leva à reflexão a segurança das instalações. 

CAETITÊ - 

A unidade ocupa uma área de 1.700 hectares, localizada em uma província mineral com recursos que chegam a 87 mil toneladas de urânio e onde estão identificados 17 depósitos minerais. De 2000 a 2015, a INB Caetité produziu 3.750 toneladas de concentrado de urânio a partir da extração a céu aberto de uma dessas jazidas – a mina Cachoeira. A mina que se encontra em operação hoje é a mina do Engenho. (FOTO: EXCLUSIVA do Blog)- COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – contato – malheiros.tania@gmail.com 

23º Congresso Nacional de Meio Ambiente de Poços de Caldas debate a extinção das espécies e os desafios para o futuro do planeta

 


Começa hoje (23/9) o 23º Congresso Nacional de Meio Ambiente de Poços de Caldas debate a extinção das espécies e os desafios para o futuro do planeta –
Desta quarta-feira (23/9) até sexta (25/), evento reúne pesquisadores, especialistas, empresas, instituições e estudantes para discutir biodiversidade, conservação da fauna, ciência, sustentabilidade e os impactos das transformações ambientais. 

A cidade de Poços de Caldas promove a 23ª edição do Congresso Nacional de Meio Ambiente de Poços de Caldas, que neste ano coloca no centro das discussões um dos maiores desafios ambientais da atualidade: “Extinção das Espécies: O Colapso Silencioso do Planeta”. 

Realizado no Teatro da Urca, o Congresso reunirá pesquisadores, professores, estudantes, profissionais, empresas, organizações ambientais, gestores públicos e representantes de diferentes setores da sociedade para discutir as causas e consequências da acelerada perda da biodiversidade e os caminhos possíveis para a conservação. 

A programação será aberta na manhã do dia 23 com a conferência magna “O Silêncio da Natureza: Extinção das Espécies e o Futuro da Vida na Terra”, com o Prof. Dr. Mauro Galetti, docente da UNESP, coordenador de Disseminação do CBioClima e vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico pelo livro Um naturalista no Antropoceno, um biólogo em busca do selvagem. A conferência propõe uma reflexão sobre a perda da biodiversidade, as transformações dos ecossistemas e os impactos da ação humana sobre o planeta. 

Ao longo dos três dias, o Congresso apresentará uma programação multidisciplinar, mostrando que a conservação da biodiversidade depende da participação integrada de diferentes setores. Entre os destaques está a mesa “Biodiversidade na Alcoa: Integrando Conservação e Desenvolvimento Sustentável”, que apresentará experiências desenvolvidas nas unidades da empresa em Alumar (MA), Juruti (PA) e Poços de Caldas (MG), abordando planos de biodiversidade, serviços ecossistêmicos, conservação da fauna e monitoramento. 

A vida marinha também estará em pauta no painel “Quando o Oceano Perde seus Gigantes: Baleias, Tubarões e o Colapso Silencioso da Vida Marinha”, com discussões sobre o papel das grandes espécies na saúde dos oceanos, a conservação dos tubarões e a recuperação das populações de baleias. 

Outro eixo importante será a relação entre ciência e sociedade. A mesa “A Educomunicação e os desafios da Socialização da Ciência” discutirá como transformar o conhecimento científico em informação acessível e capaz de estimular pensamento crítico, consciência ambiental e participação social em um cenário marcado pela desinformação e pela complexidade dos desafios socioambientais. 

A programação também abordará o papel dos zoológicos modernos na conservação, com a palestra “Dos cuidados à reintrodução: como os zoológicos contribuem com a Conservação?”, além dos desafios provocados pela infraestrutura de transportes. A mesa “Empreendimentos de Transporte e Fauna: Limites, Responsabilidades e Caminhos Possíveis” reunirá representantes de empresas, órgãos ambientais, academia e organizações especializadas para discutir rodovias, ferrovias, licenciamento ambiental, monitoramento e medidas de redução dos impactos sobre a fauna. 

Um dos debates abordará ainda um problema menos visível, mas fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas: o declínio mundial dos insetos. A mesa “Declínio da entomofauna mundial e a conservação dos insetos: aspectos ecológicos, sociais e educacionais” discutirá o papel dos insetos na polinização, decomposição, controle biológico e segurança alimentar, além das causas e consequências da redução de suas populações. 

A realidade ambiental de Poços de Caldas também terá espaço de destaque. A mesa “Fauna Silvestre em Territórios em Transformação: Desafios para a Conservação no Planalto de Poços de Caldas” discutirá os efeitos da expansão urbana, das atividades econômicas, da infraestrutura e das mudanças climáticas sobre a fauna de uma região de grande importância para a biodiversidade do Sudeste brasileiro. 

O Congresso também contará com uma programação dedicada à sustentabilidade e aos desafios econômicos da transição ambiental, incluindo a palestra “ESG e Financiamento Sustentável: Os Requisitos Internacionais para Projetos de Infraestrutura”, que discutirá como critérios ambientais, sociais e de governança vêm influenciando investimentos e projetos nos setores de mineração, energia, transporte e logística. 

A participação da sociedade será outro ponto central. A mesa “Caminhos para engajar os brasileiros na proteção da fauna silvestre” apresentará resultados da pesquisa nacional realizada pelo Instituto Vida Livre e pela Quaest, discutindo percepções, valores, motivações e barreiras relacionadas à conservação da fauna e os caminhos para ampliar a mobilização social em torno da causa. 

Um encerramento que coloca Poços de Caldas no centro de uma discussão mundial. 

O grande painel de encerramento, sexta-feira (25), levará o Congresso para uma questão estratégica que conecta meio ambiente, mineração, tecnologia, transição energética e geopolítica: “Por que o mundo inteiro disputa as terras raras?” Em dois momentos, especialistas discutirão a importância desses minerais para a economia e para as tecnologias do século XXI, os desafios ambientais e sociais de sua exploração e o papel do Brasil — e especialmente de Poços de Caldas — diante da crescente disputa internacional por recursos minerais estratégicos. 

O primeiro debate, “Poços no Centro do Mundo: Terras Raras, transição energética e soberania mineral”, terá a participação do Prof. Carlos Ernesto Gonçalves Reynaud Schaefer, titular do Instituto de Geociências da UFRJ, com mediação do Prof. Dr. Amilcar Saporetti. Na sequência, o painel “O Dia Seguinte: Que Planeta Vamos Deixar para as Próximas Gerações?” reunirá o jornalista, escritor e ambientalista Fernando Gabeira e a jornalista e escritora Tania Malheiros e com mediação do escritor e analista de geopolítica Dr. Pedro Costa Júnior. 

Além das mesas e painéis, o Congresso oferecerá minicursos, apresentações de trabalhos científicos, atividades educativas para estudantes e visitas técnicas, ampliando a experiência de formação e aproximando ciência, educação e sociedade. 

Entre as visitas técnicas estão o Parque Ambiental da Alcoa e o Jardim Botânico, enquanto os minicursos abordarão temas como conservação da flora ameaçada, educação ambiental com insetos, fotografia ambiental, mudanças climáticas e risco de extinção, conservação dos polinizadores, contaminantes ambientais, políticas públicas, sustentabilidade, economia circular e reaproveitamento de recursos. Ao final do evento, serão reconhecidos os 10 melhores trabalhos científicos apresentados no Congresso. 

Serviço: 23º Congresso Nacional de Meio Ambiente de Poços de Caldas - 23 a 25 de setembro de 2026 | Teatro da Urca | Poços de Caldas – MG.

Tema: “Extinção das Espécies: O Colapso Silencioso do Planeta” - 

O 23º Congresso Nacional de Meio Ambiente de Poços de Caldas será realizado entre os dias 23 e 25 de setembro, no Espaço Cultural da Urca. Toda programação é exclusiva para congressistas inscritos no evento. As inscrições serão recebidas somente na secretaria do evento a partir das 8h no Espaço Cultural da Urca. Para mais informações pelo site oficial www.meioambientepocos.com.br 

O Congresso é uma realização GSC Eventos Especiais em parceria com o IF Sul de Minas – Campus Muzambinho. Conta com o patrocínio da Alcoa e apoio da Loren Eventos, Descubra Poços, Revista Científica Regnellea Scientia, Jardim Botânico, Ateliê Alexandre Kantowitz, Café Goulart, Divers for Sharks, GEEM Lagos – Grupo de Estudos de Mamíferos Marinhos – Região dos Lagos. Parceiro de Mídia Oficial Arena Ambiental. Instituições parceiras IF Sul de Minas – Campus Poços de Caldas, UEMG – Universidade do Estado de Minas Gerais, Unifal – Campus Poços. Para mais informações entre em contato pelo 35 3697 1550 e celular 35 99848 9164. Legenda Foto: Congresso acontece no Espaço Cultural da Urca em Poços de Caldas. Não percam!


segunda-feira, 21 de setembro de 2026

TERRAS RARAS: outra mineradora australiana avança na exploração do cobiçado mineral; em Morro do Ferro (MG)

 


A mineradora australiana Power Minerals avança nos preparativos para desbravar as riquezas do território mineiro de olho nos minerais críticos, especialmente as terras raras. Em julho deste ano, a mineradora iniciou o “desenvolvimento” do Projeto Morro do Ferro, localizado nos munícipios de Poços de Caldas e Caldas. Em “carta de apresentação” representantes da mineradora mencionam que está sendo realizada uma avaliação socioeconômica que incluiu mapeamento de stakeholders (partes interessadas), por exemplo. 

Mas segundo informações em sites, a empresa já firmou acordo com o Governo de Minas Gerais para enquadrar o projeto como “prioritário” no Estado. Fotos mostram árvores cortadas, trabalhadores em cabanas, manuseando com equipamentos. 

Há cerca de 10 dias o Blog encaminhou perguntas para a Power Minerals: Solicitamos informações sobre o projeto Morro do Ferro, em Minas Gerais, que teve início em julho do corrente ano para reportagem a ser publicada no Blog. Seguem as perguntas: 1 – De que forma a Power Minerals obteve autorização para iniciar o projeto em Morro do Ferro? 2 – Como a empresa chegou ao local? 3 – O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva já anunciou que não autoriza essa atividade no território nacional.  A empresa contatou o governo federal? E o Estadual? Como está sendo realizado o contato com os municípios de Poços, Caldas e o distrito de Oliveira? 4 – Como está sendo realizado o contato com a população? 5 – Quais as etapas do projeto iniciado em julho? 6- A empresa INTEGRATIO está trabalhando de que forma? &- Existe uma forte rejeição de parte da população, políticos e ambientalistas quanto à exploração de minerais críticos, como terras raras, na região. Como a empresa analisa a questão? 8 – Como projetar escavar, explorar materiais críticos em Morro do Ferro, local turístico, histórico, repleto de histórias? 9 – Avaliação do investimento inicial, de agora, julho e posteriores? 10 – O que o Brasil ganha com o projeto Morro do Ferro? 

A Power Minerals retornou duas vezes, mas sem as respostas. Segundo a Brasil Mineral, em abril,  o negócio foi fechado por R$ 80 milhões. 

Na Carta de Apresentação, consta que a iniciativa da empresa visa um “estudo primário”. Os trabalhos de campo serão conduzidos pela Integratio – Mediação Social e Sustentabilidade contratada para apoiar os trabalhos de escuta, empresa fundada em 2005, em Belo Horizonte. 

Nos sites do setor de mineração e da própria mineradora australiana constam outras informações, que não estão na Carta de Apresentação que o Blog teve acesso, tais como: 

“A Power Minerals firmou acordo com o Governo de Minas Gerais para enquadrar o projeto de Terras Raras Morro do Ferro como projeto prioritário do estado. O empreendimento, localizado em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, passa a integrar o regime previsto pela Lei Estadual nº 21.972/2016, que estabelece tratamento diferenciado para projetos considerados estratégicos”. 

Consta também que a o “acordo prevê a atuação coordenada de órgãos estaduais de meio ambiente e desenvolvimento econômico enquanto a empresa avança na exploração, nos estudos técnicos e, posteriormente, no licenciamento ambiental do projeto”. Na parte de licenciamento, informa que a mineradora terá “tramitação especializada”. 

E acrescenta:  com o novo enquadramento, o licenciamento do Morro do Ferro deverá ser direcionado à Superintendência de Projetos Prioritários (SUPPRI), vinculada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) ficará responsável pela análise técnica ambiental, incluindo inspeções no local e avaliações dos estudos apresentados pela empresa”. Não seria importante uma inspeção independente? 

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), por meio também da Invest Minas, segundo os sites, “deverá apoiar a companhia na interlocução com órgãos estaduais e municipais, na aproximação com fornecedores e prestadores de serviços e na avaliação de possíveis incentivos estaduais”. Mas ressalva que o acordo, contudo, não concede licenças ambientais ao empreendimento. “As Licenças Prévia (LP), de Instalação (LI) e de Operação (LO) continuam condicionadas às três etapas do processo de licenciamento, que deverá incluir EIA e Rima quando a empresa estiver preparada para apresentar o pedido”. 

Segundo a Power Minerals, em sites, o acordo representa uma etapa institucional para o desenvolvimento do empreendimento, mas não substitui os trabalhos técnicos necessários para avançar o projeto. “O Estado concordou em aplicar seu regime de projetos prioritários ao nosso projeto de terras raras em Poços de Caldas e em coordenar os órgãos de desenvolvimento econômico e ambiental à medida que avançamos da sondagem para os estudos e, posteriormente, para o licenciamento”, afirmou o CEO da Power Minerals, Alistair Stephens. “Vamos continuar avançando com o Morro do Ferro na ordem correta: concluir o atual programa de sondagem, finalizar os testes mineralógicos e metalúrgicos e trabalhar para obter uma primeira estimativa de recursos minerais conforme o código JORC. O acordo apoia esse trabalho, sem substituí-lo“; disse. 

ALTOS TEORES DE TERRAS RARAS - 

O Morro do Ferro está inserido no Complexo Alcalino de Poços de Caldas e possui mineralização de terras raras desde a superfície, associada à mineralogia de bastnasita e cerianita. A Power Minerals concluiu a aquisição do projeto em abril de 2026 e atualmente conduz sua primeira campanha de sondagem diamantada. 

Esta informação oficial contrasta com a Carta de Apresentação na qual os trabalhos estão sendo iniciados, os de mapeamento, inclusive.  Entre os resultados divulgados pela companhia estão 116 metros com teor de 4,78% de óxidos totais de terras raras (TREO) no furo MFSR-051; 137 metros com 4,31% de TREO no MFSR-052; e 108,55 metros com 4,15% de TREO no MFSR-053. A empresa ainda não possui uma estimativa de recurso mineral JORC para o Morro do Ferro. Os resultados de sondagem divulgados anteriormente, portanto, não constituem um recurso mineral ou reserva de minério. 

Até o momento as mineradoras australianas no foco da mídia são a Viridis, inclusive contemplada com financiamento do BNDES, e a Meteoric. A Power Minerals ganha visibilidade nos últimos meses.   

(FOTOS E FONTES- AGÊNCIA MINERAL BRASIL – SITES BRASIL MINERAL)– 

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