Ibama embarga empresa que funcionava sem licencia ambiental, passando por cima das leis federais, exportando materiais estratégicos como monazitas, visando à obtenção de terras raras, urânio e tório, ambos radioativos, para o Canadá e Hong Kong. Leia no BLOG, que já denunciou diversas vezes as irregularidades, inclusive com trabalhadores doentes. Mas em sua página fixou o lema: "Escavando juntos o caminho para o futuro do Brasil".
RIO DE JANEIRO, 22 DE JULHO DE 2026 - Uma operação de fiscalização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) no município de São Francisco de Itabapoana, no norte do estado do Rio de Janeiro, resultou no embargo das atividades da empresa ADL Mining, responsável pela exploração e pelo beneficiamento de minerais pesados em área anteriormente operada pela Indústrias Nucleares do Brasil S.A. (INB). O objetivo da ação, ocorrida na quarta-feira passada (15/7), divulgada hoje (22/7) foi verificar a regularidade ambiental das atividades desenvolvidas pela empresa, que passou a operar no local em 2024 por meio de contrato de cessão onerosa firmado com a INB, na gestão de Adauto Seixas, no valor aproximado de R$ 70 milhões.
Durante a fiscalização, o Ibama constatou que a empresa realizava atividades de extração mineral e operava uma planta de beneficiamento sem o devido licenciamento ambiental. A licença ambiental originalmente concedida pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEARJ) à INB encontrava-se vencida desde 2015. Embora tenha havido tentativa de renovação e de transferência da licença para a ADL Mining, o pedido foi indeferido pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), uma vez que a legislação ambiental não permite a transferência desse tipo de licença para outra pessoa jurídica. Apesar disso, as operações foram iniciadas e incluíam, inclusive, a preparação e a exportação de minérios para Canadá e Hong Kong.
Além da ausência de licença válida, a fiscalização verificou que a atividade envolvia a exploração de monazita, mineral que contém naturalmente elementos radioativos, como tório e urânio. Nesses casos, o licenciamento ambiental é de competência federal, em razão dos potenciais impactos ambientais e dos riscos inerentes ao manejo desse tipo de recurso mineral.
Diante das irregularidades constatadas, o Ibama determinou o embargo de toda a área de exploração, correspondente a 20,6 hectares, com suspensão das atividades. Também foram lavrados autos de infração que totalizam R$ 7,5 milhões, por exploração mineral sem licença ambiental e pelo funcionamento irregular da planta de beneficiamento.
Irregularidade junto ao Cadastro Técnico Federal -
A fiscalização constatou ainda que a ADL Mining não possui inscrição no Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental (CTF/AIDA) do Ibama. O cadastro é obrigatório para pessoas jurídicas responsáveis pela elaboração de estudos, laudos, projetos e demais instrumentos técnicos relacionados a atividades potencialmente poluidoras ou utilizadoras de recursos ambientais, constituindo importante ferramenta de controle ambiental.
Durante a operação, foram apreendidas 419 toneladas de minério prontas para exportação, sendo 160 de ilmenita e 259 de monazita, que constitui uma das principais fontes de obtenção dos chamados elementos terras raras, insumos estratégicos para diversos setores de alta tecnologia. Esses elementos são empregados na fabricação de equipamentos eletrônicos, smartphones, baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos, sistemas de defesa e outras tecnologias consideradas essenciais para a transição energética e para a indústria de alta complexidade.
O Brasil possui importantes reservas de monazita e ocupa posição estratégica na cadeia global de fornecimento desses minerais. Entretanto, por conter naturalmente elementos radioativos, como tório e urânio, sua exploração e beneficiamento demandam controle ambiental rigoroso e fiscalização permanente dos órgãos competentes.
ÓRGÂOS NÃO SABAIAM?
Segundo o Ibama, em razão da gravidade das irregularidades identificadas e dos potenciais impactos ambientais e ocupacionais associados à atividade, o Instituto comunicará os fatos a outros órgãos competentes para adoção das providências cabíveis.
O Ibama informou que serão notificados a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), a Agência Nacional de Mineração (ANM), a Receita Federal do Brasil e o Ministério Público do Trabalho (MPT). Os órgãos de fiscalização não sabiam? A atuação integrada, acrescenta o Ibama, “permitirá a apuração das responsabilidades nas esferas ambiental, minerária, radiológica, tributária e trabalhista, assegurando a proteção do meio ambiente, da população e dos trabalhadores envolvidos”.
Antes tarde do que nunca. O Brasil é o maior perdedor.
DENÚNCIAS -
As denúncias do Blog foram amplamente divulgadas. Casos de funcionários doentes com AVC, depressão e falecimentos, ameaça de falta de água, agravada por cerca de três quilômetros de tubulação perdidos, a falta de informações sobre o destino de equipamentos fora de uso, são alguns dos problemas envolvendo a desativação de uma unidade que operava com material radioativo (UDB), da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Buena. A INB não retornou os contatos sobre a matéria publicada no dia 15/5/2024. A Prefeitura, fez o mesmo, mas postou em sua página, no dia 19, a informação sobre a tubulação, que “não poderá ser aproveitada, sendo necessária a troca dos equipamentos”.
INTERRUPÇÃO DE ÁGUA -
CENÁRIO DE ABANDONO/SUCATA -
Depois de a notícia sobre a falta de água aqui divulgada, a Prefeitura informou que estava atuando junto a Águas do Rio para “resguardar os direitos da população e impedir a interrupção dos serviços’, que segundo o próprio órgão, há 35 anos de responsabilidade da INB. A Prefeitura também confirmou que a interrupção do fornecimento de água está prevista para julho daquele ano, conforme a reportagem na época.
O cenário de abandono na unidade da INB em Buena poderia ser visto em fotos exclusivas do BLOG. Na época, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) ciente de tudo - informou que possui “regulamentos específicos para nortear o descomissionamento de instalações nucleares, radioativas e minero-industriais”. A atuação da CNEN, conforme informou a Comissão, “abrange requisitos tais como “descontaminação de área gerenciamento de resíduos e rejeitos radioativos e monitoramento ambiental, bem como procedimentos para garantir a proteção radiológica dos trabalhadores e da população circunvizinha”.
Mas para onde iriam os equipamentos e demais as sucatas de Buena? “A destinação dos materiais radioativos presentes na instalação deve ser indicada pelo operador (INB), cabendo à CNEN avaliar a conformidade com as normas aplicáveis e, caso necessário, estabelecer exigências relacionadas ao armazenamento seguro do transporte dos mesmos”, afirmou a CNEN. Portanto, acrescentou a Comissão, o operador – INB-, “deve submeter relatórios específicos detalhando as etapas envolvidas e procedimentos a serem executados, para garantir que todas as medidas de segurança estejam sendo tomadas e que os materiais radioativos estejam sendo manuseados e transportados de acordo com as normais aplicáveis”. Afinal, está ou não?
SINDIMINA-RJ CONTESTOU INB -
Se a INB opera no local há décadas, por quais razões o encerramento das atividades acarreta tantos transtornos, como a ameaça de falta de água, a falta de informação sobre o desmonte e destino de equipamentos e aos graves problemas de saúde aos funcionários, que durante anos dedicaram a sua força de trabalho à instalação? Há exames de rotina? A saúde dos trabalhadores teve acompanhamento durante tantos anos? A INB não respondeu. Contatado pela reportagem, a direção do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Prospecção, Pesquisa e Extração de Minérios Estado do Rio de Janeiro (Sindimina-RJ), declarou que “não compactua com as atitudes impostas pelos atuais gestores da INB, principalmente no que se refere a transferência de empregados sem que eles tenham algum benefício”, em contrapartida, por exemplo.
A direção do Sindimina admitiu que, mesmo sem relacionar os casos de doenças e mortes ao problema, pesou a forma de pressão feita pelos gestores, problemas relatados em reuniões. Sem chance de escolha, empregados de Buena foram transferidos para Caetité, na Bahia, a 1.200 Km de distância, enquanto há outras unidades da empresa em Rezende (RJ), Caldas (MG) e na sede, no Rio. Dos 320 funcionários do passado, restam apenas 39 naquela época.
Em 15 de maio de 2023 – ACORDO SIGILOSO -
Na reportagem do ano passado, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) informou que possui “regulamentos específicos para nortear o descomissionamento de instalações nucleares, radioativas e minero-industriais”. A atuação da CNEN, conforme informou a Comissão, abrange requisitos tais como “descontaminação de área gerenciamento de resíduos e rejeitos radioativos e monitoramento ambiental, bem como procedimentos para garantir a proteção radiológica dos trabalhadores e da população circunvizinha”.
Mas para onde iriam os equipamentos e demais as sucatas de Buena? “A destinação dos materiais radioativos presentes na instalação deve ser indicada pelo operador (INB), cabendo à CNEN avaliar a conformidade com as normas aplicáveis e, caso necessário, estabelecer exigências relacionadas ao armazenamento seguro do transporte dos mesmos”, afirmou a CNEN. Portanto, acrescentou a Comissão, o operador – INB-, “deve submeter relatórios específicos detalhando as etapas envolvidas e procedimentos a serem executados, para garantir que todas as medidas de segurança estejam sendo tomadas e que os materiais radioativos estejam sendo manuseados e transportados de acordo com as normais aplicáveis”.
HERANÇA MALDITA -
A herança da Orquima, sucedida pela Nuclemon, fechada em 1992, ficou sob a responsabilidade da INB. Uma parte do material procedente de Buena também foi levado, principalmente nas décadas de 50 e 60, clandestinamente para outra unidade da INB em Caldas, Minas Gerais. Há depósitos com material radioativo da Nuclemon na Usina de Interlagos e sitio em Botuxim, em São Paulo, sem solução até hoje. Oficialmente, em documento obtido pela reportagem, a INB avisava que estava em “processo de finalização de suas atividades de produção em Buena. De acordo com o cronograma, a previsão era de encerramento das atividades em dezembro de 2023, inclusive com a redução do quadro de empregados atuando na localidade”, informou em nota, sem mencionar o número de trabalhadores que seria dispensado. E acrescentava: “Dessa forma, a INB somente terá condições de continuar fornecendo água para os moradores do entorno da UDB, até o mês de julho de 2023”.
ACÚMULO NO PÁTIO -
Segundo informações oficiais, a UDB atua no processo de separação e na comercialização dos minerais pesados conhecidos como ilmenita, zirconita, rutilo e monazita, extraídos de reservas minerais formadas pela regressão do mar – paleopraia. “Como as reservas estão esgotadas, a produção da Unidade se restringe atualmente à recuperação e comercialização do minério que ficou acumulado no pátio, junto à usina de beneficiamento primário e também às várias frações de minerais que foram estocados durante os últimos anos”, admite a estatal.
A Unidade de Buena, que operava com material radioativo da antiga Nuclemon, sucedida pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) , no município de São Francisco de Itabapoana, região turística da Costa Doce do Estado, está agora nas mãos da mineradora ADL após assinatura de contrato de cessão de direito de uso com a INB. O contrato tem 30 anos de duração. Em maio, a INB divulgou em seu site a decisão de firmar Acordo de Confiabilidade com empresa que estivesse interessada no negócio com a unidade que atua na comercialização de minerais como ilmenita, zirconita, rutilo e monazita. “Escavando juntos o caminho para o futuro do Brasil”, informava a ADL em sua página.
O BLOG TENTOU CONTATO COM A INB E ADL. SEM RETORNO.
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