sábado, 7 de novembro de 2026

A inovação que nasce da comunidade universitária, por Fernando Peregrino

 

Concurso de Soluções Inovadoras da UFRJ mostra que a inteligência coletiva pode transformar a gestão das universidades públicas. 


As universidades são reconhecidas como centros de produção do conhecimento científico e tecnológico. Entretanto, existe um paradoxo: instituições que produzem tanta inovação nem sempre conseguem aplicá-la à solução dos problemas de sua própria gestão. Foi para enfrentar esse desafio que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio de sua Pró-Reitoria de Gestão e Governança (PR6), lançou, em fevereiro de 2026, o Concurso de Soluções Inovadoras, uma experiência de mobilização da inteligência coletiva da comunidade universitária para melhorar o funcionamento da instituição. 


A ideia nasceu de uma convicção simples: os problemas cotidianos da universidade não devem ser tratados apenas como dificuldades administrativas, mas também como oportunidades de inovação. Estudantes, professores, técnicos e demais integrantes da comunidade universitária convivem diariamente com questões de mobilidade, segurança, alimentação, limpeza, acessibilidade, conectividade e sustentabilidade. Conhecem os problemas e, muitas vezes, possuem ideias e conhecimentos capazes de contribuir para resolvê-los. 

Por que não mobilizar essa inteligência coletiva para transformar a própria universidade? A resposta foi surpreendente. O concurso recebeu 270 propostas, distribuídas por diferentes áreas da vida universitária. Mais do que números, essas inscrições revelaram a existência de uma enorme capacidade criativa, frequentemente pouco aproveitada pelos mecanismos tradicionais da administração pública. 

O processo envolveu avaliadores, especialistas e critérios previamente definidos para selecionar as melhores propostas. Vinte projetos chegaram à etapa final, com apresentações públicas realizadas em setembro. No dia 30 daquele mês, dez soluções foram premiadas em cerimônia na Inovateca da UFRJ. Mas a premiação não representa o ponto de chegada. 

Ao contrário, constitui o início de uma etapa ainda mais importante: transformar boas ideias em soluções concretas. Para isso, a UFRJ estabeleceu uma parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), buscando aproximar a universidade de competências tecnológicas, infraestrutura de desenvolvimento e possibilidades de prototipagem e experimentação. Essa aproximação é particularmente relevante porque permite construir uma ponte entre a criatividade da comunidade universitária, a capacidade científica da instituição e o desenvolvimento tecnológico aplicado. 

O concurso representa também uma mudança de paradigma na gestão pública. Tradicionalmente, as administrações procuram soluções por meio de processos internos, consultorias e contratações convencionais. Embora esses instrumentos sejam necessários, eles não esgotam as possibilidades de enfrentar problemas complexos. 

A inovação aberta oferece outro caminho: reconhecer que o conhecimento está distribuído e que sua mobilização pode produzir respostas mais criativas, participativas e eficientes. No caso da universidade pública, essa abordagem ganha significado especial. A instituição deixa de ser apenas produtora de conhecimento para a sociedade e passa a utilizar sua própria capacidade científica e tecnológica para aperfeiçoar suas atividades. 

A universidade transforma-se, assim, em um laboratório vivo de inovação. Esta experiência pode abrir perspectivas para a modernização da administração universitária brasileira. Se instituições de ensino e pesquisa conseguirem organizar mecanismos permanentes de identificação de problemas, mobilização de ideias, desenvolvimento de protótipos e implementação de soluções, estarão construindo uma nova cultura de gestão. Naturalmente, existem desafios. 

As propostas precisam demonstrar viabilidade técnica, econômica e institucional. A passagem de uma ideia para uma solução efetivamente implantada exige recursos, acompanhamento, segurança jurídica e mecanismos de avaliação de resultados. A inovação não acontece apenas quando surge uma boa ideia. Ela se concretiza quando essa ideia produz mudanças reais. 

O Concurso de Soluções Inovadoras da UFRJ demonstra que é possível aproximar gestão pública, ciência, tecnologia e participação da comunidade universitária em torno de objetivos concretos. Mais do que premiar projetos, a iniciativa procura valorizar o conhecimento das pessoas e estimular uma cultura na qual cada problema possa ser visto como uma oportunidade de transformação. Em um país que precisa fortalecer suas universidades públicas e ampliar a eficiência de suas instituições, experiências dessa natureza merecem ser acompanhadas, aperfeiçoadas e reproduzidas. Afinal, uma universidade que produz conhecimento para transformar a sociedade também deve ser capaz de inovar para transformar a si mesma. Artigo de Fernando Peregrino - Pró-Reitor de Gestão e Governança da UFRJ.

FOTOS : UFRJ

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terça-feira, 3 de novembro de 2026

Ministra Luciana Santos prestigia doação do acervo da química nuclear baiana Irene Meyer ao MAST

 


A Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, presidiu a cerimônia de doação do acervo pessoal da renomada química, professora e pesquisadora baiana Irene Alleluia Meyer ao Museu de Astronomia e Ciência Afins (MAST), dirigido por Marcio Rangel, que aconteceu na terça-feira (27/10). A incorporação desse conjunto documental ao MAST constitui uma iniciativa de especial relevância para a preservação da memória da ciência e da tecnologia no Brasil. Mulher negra e nordestina, que sofreu racismo o Brasil e na Alemanha, oriunda de uma família de poucos recursos e que não a incentivava a prosseguir nos estudos e na carreira acadêmica, Irene construiu uma trajetória científica marcada pela superação de importantes barreiras sociais, raciais e de gênero. Sua formação culminou em um feito pioneiro: tornou-se uma das primeiras mulheres a obter o título de doutora em Química Nuclear no mundo. 

Parte importante de sua trajetória profissional foi construída no Instituto Nacional de Tecnologia (INT), onde atuou como pesquisadora. A vinculação do INT ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) confere um significado adicional à preservação de seu legado por outra instituição vinculada ao MCTI, o Museu de Astronomia e Ciências Afins, que tem entre suas atribuições a preservação e a pesquisa da memória científica e tecnológica brasileira. 

LEIA REPORTAGEM PUBLICADA PELO BLOG:

 Sua trajetória de superação, dedicação à ciência e conquista da independência é detalhada em autobiografia "Alleluia: Passos e percalços de uma baiana lutadora", lançada em 2019. 

UM MARCO PARA O MUSEU - 

A doação representa também um marco para o próprio MAST: o acervo de Irene Alleluia Meyer será o primeiro acervo pessoal de uma pessoa negra a integrar as coleções sob a guarda da instituição. Sua incorporação contribui, assim, para ampliar a diversidade de trajetórias, experiências e sujeitos representados no patrimônio científico brasileiro e para preservar a memória das mulheres que participaram da construção da ciência e tecnologia no país. 

INFÂNCIA E SUPERAÇÃO - 

Irene nasceu em abril de 1944, em Salvador, Bahia. Após a morte prematura de sua mãe, ela e a irmã mais nova foram entregues pelo pai para serem criadas por uma tia materna. Em vez de acolhimento, as duas enfrentaram uma infância extremamente rígida e dolorosa, marcada por maus-tratos, falta de afeto e rotinas exaustivas de trabalho doméstico, sendo tratadas como empregadas da casa. Determinada a mudar o seu destino, Irene enxergou nos estudos e na educação a única via possível para conquistar sua autonomia profissional e liberdade financeira. Assim, com muito custo, conseguiu concluir o secundário e em seguida foi selecionada para cursar Química em Recife, tendo somente sido possível porque conseguiu uma bolsa de estudos que a ajudou se manter, não sem passar por dificuldades, sozinha em uma cidade que ela não conhecia e sem ajuda da família. Após a graduação, conseguiu aperfeiçoar sua formação na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, fez mestrado na PUC-RJ, seguido de especialização e doutorado na Alemanha. 

Todo seu percurso acadêmico foi feito como bolsista de diferentes programas de fomento à pesquisa. Quando Irene percebeu que somente por meio dos estudos ela teria alguma chance de mudar sua realidade, tinha consciência de que não seria uma experiência fácil e de fato não foi. Vivenciou diversos episódios de racismo, principalmente na Alemanha. 

Sua trajetória de superação, dedicação à ciência e conquista da independência é detalhada em autobiografia "Alleluia: Passos e percalços de uma baiana lutadora", lançada em 2019. Segundo a crítica da historiadora Maria Ferreira, no entanto, “racismo” é uma palavra que pouco aparece ao longo do livro, a autora prefere usar os termos “preconceito” ou “discriminação”, o que são escolhas válidas, mas que minimizam a gravidade dos fatos. 

“É preciso nomear o problema para que o mesmo seja visto em gravidade, pois racismo é crime e deveria ser enfrentado como tal”, observou a historiadora. E acrescentou: “Com a narrativa dos estudos de Irene, percebemos o quanto a área da Educação mudou para melhor ao longo dos anos, tornando-se mais acessível às pessoas das classes mais baixas. Além de termos noção do quanto o sistema educacional brasileiro evoluiu, também podemos vislumbrar o período da Ditadura Militar, pois a autora relata episódios em que foi diretamente afetada pelo regime”. E mais: “Irene passou por muitas privações e conseguiu superá-las, vencer as barreiras da vida, o que torna sua história admirável. É bom ver a evolução e sua ascensão social. Assim como, ficamos felizes que ela tenha se permitido viver o amor”. 

LIVRO – AUTOBIOGRAFIA - 

Em 2019, publicou o livro Alleluia: Passos e percalços de uma bailarina lutadora (Editora Gramma). Escrita de forma contundente e, ao mesmo tempo, bem-humorada, a obra narra desde as memórias difíceis de sua meninice até as conquistas da vida adulta e maturidade. “O livro serve como inspiração sobre o poder transformador da educação e da resiliência feminina”, comentou a crítica. 

"Alleluia: passos e percalços de uma baiana lutadora", além de trazer ilustrações belíssimas, também é enriquecido com fotografias de diferentes momentos da vida autora, como a que ilustra a capa, que foi tirada na ocasião de sua defesa do doutorado na Universidade de Karlsruhe, na Alemanha. Para a criadora do movimento de Escritoras Descoloniais da Bahia, Maria Ferreira, na leitura, o leitor percebe sinceridade nas palavras de Irene, principalmente por ela revelar segredos da família. 

Não foi uma narrativa fácil de escrever, porque mesmo depois de adulta, há feridas que não saram nunca e ter que relembrar todas elas, com certeza deve ter sido bastante doloroso. Ainda no prefácio, a autora diz que não é um livro apresentado linearmente e que prefere nomeá-lo como “relato de vida”, no qual apresenta diversos tipos de memórias. É uma história que começou a ser escrita em 2010, mas só foi publicada em 2019, tendo passado por um momento de perda completa dos arquivos em 2012. De nossa parte, fica o agradecimento por Irene ter tido a disposição de dividir sua história com o mundo, que ela possa inspirar e motivar muitas outras pessoas que passam pelas adversidades da vida e pensam que não podem vencê-las. 

Trajetória Acadêmica e Científica - 

Sua dedicação à ciência a levou a construir um perfil acadêmico de destaque nacional e internacional. Graduação: Mudou-se para Recife em 1964, onde se formou em Química pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) em 1969. Rio de Janeiro e Fitoquímica: Em 1970, ingressou na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Lá, tornou-se pupila do professor Otto Richard Gottlieb — cientista indicado ao Prêmio Nobel e uma das maiores referências mundiais em fitoquímica (química de plantas). Mestrado e Docência: Concluiu seu mestrado em Química Analítica pela PUC-Rio em 1975. Pouco antes, em 1974, havia sido aprovada em um concurso público para lecionar Química Geral na Universidade Federal Fluminense (UFF). Doutorado na Alemanha: Em maio de 1975, após ser selecionada em um processo altamente concorrido (com mais de 500 candidatos), viajou para a Alemanha para dar continuidade à sua especialização científica. 

CARREIRA POSTERIOR E APOSENTADORIA - 

Irene consolidou sua carreira como pesquisadora de carreira no Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Em 2010, aos 66 anos de idade e com 36 anos de serviço formalizado, tirou uma licença de três meses para fazer um curso de capacitação em Auckland, na Nova Zelândia. Essa viagem serviu como um período de reflexão que a levou a decidir, finalmente, por sua aposentadoria definitiva no retorno ao Brasil, garantindo o que ela chamou de sua "completa liberdade" após uma vida inteira de batalhas. 

(FONTE: ASCOM MAST – FOTOS DIVULGAÇÃO) – 

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terça-feira, 27 de outubro de 2026

Uma das pioneiras em Química Nuclear, a baiana que já sofreu racismo, doa acervo pessoal ao Museu de Astronomia e Ciências, no Rio

 


Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2026 - 

Baiana, negra, origem na pobreza, órfã na infância, superou dificuldades, enfrentou o racismo, destacando-se nos estudos, via políticas públicas e muita dedicação para alcançar altos vôos, e chegar à Alemanha, ao doutorado, e registrar no currículo o pioneirismo de ser uma das primeiras mulheres químicas no mundo. Ela é Irene Alleluia Meyer, que acaba de doar seu acervo pessoal ao Museu de Astronomia e Ciência Afins (MAST), no Rio de Janeiro. 

O MAST recebeu na tarde desta terça-feira (27/10) uma das mais importantes doações dos últimos anos: o acervo pessoal da renomada química, professora e pesquisadora baiana, escritora Irene Alleluia Meyer. A incorporação desse conjunto documental ao MAST constitui uma iniciativa de especial relevância para a preservação da memória da ciência e da tecnologia no Brasil. 


Mulher negra e nordestina, que sofreu racismo no Brasil e na Alemanha, oriunda de uma família de poucos recursos e que não a incentivava a prosseguir nos estudos e na carreira acadêmica, Irene construiu uma trajetória científica marcada pela superação de importantes barreiras sociais, raciais e de gênero. Sua formação culminou em um feito pioneiro: tornou-se uma das primeiras mulheres a obter o título de doutora em Química Nuclear no mundo. 

Parte importante de sua trajetória profissional foi construída no Instituto Nacional de Tecnologia (INT), onde atuou como pesquisadora. A vinculação do INT ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) confere um significado adicional à preservação de seu legado por outra instituição vinculada ao MCTI, o Museu de Astronomia e Ciências Afins, que tem entre suas atribuições a preservação e a pesquisa da memória científica e tecnológica brasileira. Sua trajetória de superação, dedicação à ciência e conquista da independência é detalhada em autobiografia "Alleluia: Passos e percalços de uma baiana lutadora", lançada em 2019. 

UM MARCO PARA O MUSEU - 

A doação representa também um marco para o próprio MAST: o acervo de Irene Alleluia Meyer será o primeiro acervo pessoal de uma pessoa negra a integrar as coleções sob a guarda da instituição. Sua incorporação contribui, assim, para ampliar a diversidade de trajetórias, experiências e sujeitos representados no patrimônio científico brasileiro e para preservar a memória de mulheres que participaram da construção da ciência e da tecnologia no país. 

INFÂNCIA E SUPERAÇÃO - 

Irene nasceu em abril de 1944, em Salvador, Bahia. Após a morte prematura de sua mãe, ela e a irmã mais nova foram entregues pelo pai para serem criadas por uma tia materna. Em vez de acolhimento, as duas enfrentaram uma infância extremamente rígida e dolorosa, marcada por maus-tratos, falta de afeto e rotinas exaustivas de trabalho doméstico, sendo tratadas como empregadas da casa. Determinada a mudar o seu destino, Irene enxergou nos estudos e na educação a única via possível para conquistar sua autonomia profissional e liberdade financeira. Assim, com muito custo, conseguiu concluir o secundário e em seguida foi selecionada para cursar Química em Recife, tendo somente sido possível porque conseguiu uma bolsa de estudos que a ajudou se manter, não sem passar por dificuldades, sozinha em uma cidade que ela não conhecia e sem ajuda da família. 

Após a graduação, conseguiu aperfeiçoar sua formação na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, fez mestrado na PUC-RJ, seguido de especialização e doutorado na Alemanha. Todo seu percurso acadêmico foi feito como bolsista de diferentes programas de fomento à pesquisa. Quando Irene percebeu que somente por meio dos estudos ela teria alguma chance de mudar sua realidade, tinha consciência de que não seria uma experiência fácil e de fato não foi. Vivenciou diversos episódios de racismo, principalmente na Alemanha. 

Sua trajetória de superação, dedicação à ciência e conquista da independência é detalhada em autobiografia "Alleluia: Passos e percalços de uma baiana lutadora", lançada em 2019. Segundo a crítica da historiadora Maria Ferreira, no entanto, “racismo” é uma palavra que pouco aparece ao longo do livro, a autora prefere usar os termos “preconceito” ou “discriminação”, o que são escolhas válidas, mas que minimizam a gravidade dos fatos. “É preciso nomear o problema para que o mesmo seja visto em gravidade, pois racismo é crime e deveria ser enfrentado como tal”, observou a historiadora. 

E acrescentou: “Com a narrativa dos estudos de Irene, percebemos o quanto a área da Educação mudou para melhor ao longo dos anos, tornando-se mais acessível às pessoas das classes mais baixas. Além de termos noção do quanto o sistema educacional brasileiro evoluiu, também podemos vislumbrar o período da Ditadura Militar, pois a autora relata episódios em que foi diretamente afetada pelo regime”. 


E mais: “Irene passou por muitas privações e conseguiu superá-las, vencer as barreiras da vida, o que torna sua história admirável. É bom ver a evolução e sua ascensão social. Assim como, ficamos felizes que ela tenha se permitido viver o amor”. Em 26 de março de 2015, dias antes de completar 70 anos, casou com Karl-Rudolph Meyer, alemão da cidade de Colônia, oitenta anos. 

AUTOBIOGRAFIA BEM HUMORADA - 

Em 2019, publicou o livro Alleluia: Passos e percalços de uma bailarina lutadora (Editora Gramma). Escrita de forma contundente e, ao mesmo tempo, bem-humorada, a obra narra desde as memórias difíceis de sua meninice até as conquistas da vida adulta e maturidade. “O livro serve como inspiração sobre o poder transformador da educação e da resiliência feminina”, comentou a crítica. 

"Alleluia: passos e percalços de uma baiana lutadora", além de trazer ilustrações belíssimas, também é enriquecido com fotografias de diferentes momentos da vida autora, como a que ilustra a capa, que foi tirada na ocasião de sua defesa do doutorado na Universidade de Karlsruhe, na Alemanha. Para a criadora do movimento de Escritoras Descoloniais da Bahia, Maria Ferreira, na leitura, o leitor percebe sinceridade nas palavras de Irene, principalmente por ela revelar segredos da família. 

Não foi uma narrativa fácil de escrever, porque mesmo depois de adulta, há feridas que não saram nunca e ter que relembrar todas elas, com certeza deve ter sido bastante doloroso. Ainda no prefácio, a autora diz que não é um livro apresentado linearmente e que prefere nomeá-lo como “relato de vida”, no qual apresenta diversos tipos de memórias. É uma história que começou a ser escrita em 2010, mas só foi publicada em 2019, tendo passado por um momento de perda completa dos arquivos em 2012. De nossa parte, fica o agradecimento por Irene ter tido a disposição de dividir sua história com o mundo, que ela possa inspirar e motivar muitas outras pessoas que passam pelas adversidades da vida e pensam que não podem vencê-las. 

Trajetória Acadêmica e Científica -  

Sua dedicação à ciência a levou a construir um perfil acadêmico de destaque nacional e internacional. Graduação: Mudou-se para Recife em 1964, onde se formou em Química pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP) em 1969. Rio de Janeiro e Fitoquímica: Em 1970, ingressou na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Lá, tornou-se pupila do professor Otto Richard Gottlieb — cientista indicado ao Prêmio Nobel e uma das maiores referências mundiais em fitoquímica (química de plantas). Mestrado e Docência: Concluiu seu mestrado em Química Analítica pela PUC-Rio em 1975. Pouco antes, em 1974, havia sido aprovada em um concurso público para lecionar Química Geral na Universidade Federal Fluminense (UFF). Doutorado na Alemanha: Em maio de 1975, após ser selecionada em um processo altamente concorrido (com mais de 500 candidatos), viajou para a Alemanha para dar continuidade à sua especialização científica. 

CARREIRA E APOSENTADORIA - 

Irene consolidou sua carreira como pesquisadora de carreira no Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Em 2010, aos 66 anos de idade e com 36 anos de serviço formalizado, tirou uma licença de três meses para fazer um curso de capacitação em Auckland, na Nova Zelândia. Essa viagem serviu como um período de reflexão que a levou a decidir, finalmente, por sua aposentadoria definitiva no retorno ao Brasil, garantindo o que ela chamou de sua "completa liberdade" após uma vida inteira de batalhas. (FONTE: ASCOM MAST – FOTOS DIVULGAÇÃO) – COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE - CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – contato: malheiros.tania@gmail.com

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Cientistas brasileiros se manifestam em defesa da democracia e do futuro do Brasil


Pesquisadoras, pesquisadores, professoras, professores, estudantes e profissionais da educação e da ciência lançam carta pública sobre o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e convidam a comunidade científica e educacional a aderir à mobilização. 

Entidades científicas e educacionais – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia Brasileira de Ciências (ABC), Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES), Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (CONIF), União Nacional dos Estudantes (UNE), União dos Estudantes do Brasil (UNES), Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (FASUBRA Sindical) e Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN) – apresentam carta em defesa da democracia e do futuro do Brasil. No documento, as instituições alertam para o rompimento da base democrática do país. 

“O autoritarismo nem sempre anuncia o fim da democracia. Pode chegar pelas urnas, prometer respeitar a Constituição e, uma vez no poder, esvaziar as instituições que deveriam limitá-lo: transformar adversários em inimigos, apresentar a imprensa como ameaça, tratar universidades como espaços de doutrinação e chamar de defesa da liberdade a perseguição política. Assim os direitos são corroídos sem serem abolidos, uma regra enfraquecida hoje, uma instituição intimidada amanhã, uma minoria desprotegida depois e, quando a sociedade percebe, o excepcional já parece normal. Não é preciso fechar o Congresso para enfraquecer a democracia: basta tornar as instituições incapazes de exercer suas responsabilidades. Uma democracia começa a adoecer quando seus cidadãos aceitam para os outros a perda dos direitos que exigem para si”, destaca. 

A carta está aberta à adesão de pesquisadoras, pesquisadores, professoras, professores, estudantes e profissionais da educação e da ciência de todo o País. Os interessados em apoiar o documento e fortalecer a mobilização em defesa da democracia podem registrar sua assinatura por meio do formulário disponível neste link. 

Leia o documento na íntegra: Carta de cientistas brasileiros em razão do segundo turno das eleições presidenciais – 2026 -  

Um galo sozinho não tece uma manhã -  “O sertanejo é, antes de tudo, um forte.” Euclides da Cunha escreveu isso há mais de um século, olhando para gente que o Brasil oficial preferia não ver. É dessa força que falamos, a de um povo que atravessou seca, enchentes, fome, ditadura e pandemia e segue de pé, trabalhando, criando os filhos, enchendo escolas e postos de saúde, pedindo pouco e entregando muito. Somos pesquisadoras e pesquisadores, professoras e professores, estudantes e técnicos de todas as regiões do país. Muitos de nós somos a primeira geração da família a entrar numa universidade. Aprendemos a ler na escola pública, estudamos com bolsas, pesquisamos em laboratórios financiados pelo povo brasileiro. Não falamos de cima: falamos de dentro. E, se você pensa diferente de nós, leia mesmo assim, o que defendemos protege também o seu direito de discordar. Defendemos a Constituição de 1988: o pacto que assegura eleições livres, imprensa sem censura, autonomia universitária, direito de greve, educação, Sistema Único de Saúde e limites ao poder de quem governa. Nenhuma dessas conquistas caiu do céu — cada uma tem uma história, resulta de lutas concretas e foi construída com mobilização e resistência. Por isso nenhum grupo, partido ou família é dono da nação, nem pode monopolizar valores como pátria, família, liberdade e fé, que pertencem a milhões de brasileiros honestos e trabalhadores. Sabemos reconhecer esse método porque o vimos ser empregado aqui. Primeiro, ataca-se quem mede: em 2019, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais foi exonerado em meio à controvérsia sobre os dados de desmatamento produzidos pelo próprio instituto, dados que não eram opinião, mas evidência. Quem quebra o termômetro não cura a febre; apenas impede que ela seja vista. Depois, desqualifica-se quem sabe: na pandemia, tratamentos sem eficácia comprovada foram promovidos publicamente enquanto vacinas e recomendações científicas eram desacreditadas, essa conta foi paga em velórios. Em seguida, sufoca-se quem forma: universidades chamadas de lugares de “balbúrdia”, bolsas de pesquisa sem reajuste por anos, financiamento da ciência bloqueado mesmo depois de o Congresso proibir o bloqueio. Então, fabrica-se a desconfiança nas urnas eletrônicas: anos de insinuações, sem prova capaz de demonstrar fraude, de que elas não expressavam a vontade popular. Foi nesse ambiente que ocorreram, em 8 de janeiro de 2023, a invasão e a depredação das sedes dos Três Poderes. E, quando nada basta, silencia-se quem testemunha: o jornalista Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira foram assassinados na Amazônia enquanto documentavam atividades ilegais. O autoritarismo nem sempre anuncia o fim da democracia. Pode chegar pelas urnas, prometer respeitar a Constituição e, uma vez no poder, esvaziar as instituições que deveriam limitá-lo: transformar adversários em inimigos, apresentar a imprensa como ameaça, tratar universidades como espaços de doutrinação e chamar de defesa da liberdade a perseguição política. Assim os direitos são corroídos sem serem abolidos, uma regra enfraquecida hoje, uma instituição intimidada amanhã, uma minoria desprotegida depois e, quando a sociedade percebe, o excepcional já parece normal. Não é preciso fechar o Congresso para enfraquecer a democracia: basta tornar as instituições incapazes de exercer suas responsabilidades. Uma democracia começa a adoecer quando seus cidadãos aceitam para os outros a perda dos direitos que exigem para si. A literatura já nos contou onde isso termina. Em Os Sertões, Euclides narra como a República convenceu a si mesma de que um povoado de sertanejos pobres ameaçava a nação e enviou contra Canudos sucessivas expedições, até a destruição completa. O inimigo interno era gente pobre, vivendo e rezando no sertão. É esse o pior serviço do discurso de ódio: ele procura quem foi esquecido o ano inteiro e oferece, em troca do voto, não comida nem escola nem remédio, mas um culpado, o vizinho, o professor, o cientista, o imigrante, o indígena, o pobre do outro lado. Promete devolver a dignidade e deixa intactas as estruturas que produzem a desigualdade. Vale perguntar a quem interessam certas escolhas. A quem interessa um país onde a casa de apostas chega ao celular antes de o posto de saúde chegar ao bairro? A quem interessa exportar matérias-primas estratégicas e depender de tecnologias que poderíamos desenvolver? A quem interessa transformar a fé sincera de milhões em instrumento de poder? A quem interessa desacreditar as instituições capazes de revelar fatos inconvenientes? Perguntar quem ganha também é método. E quando se atacam políticas de inclusão, como na lei catarinense que proibiu cotas étnico-raciais nas universidades estaduais e foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal este ano, não se está apenas discutindo uma política de acesso. Está-se decidindo quem terá oportunidades de chegar à universidade e, com elas, de pensar, pesquisar e ensinar neste país. Pátria se defende com ciência e indústria, não apenas com bandeira na janela. Família se defende com creche, merenda, posto de saúde e emprego, não apenas com discurso. Liberdade se defende garantindo que o outro também possa falar. E soberania não se proclama: constrói-se. O mundo disputa tecnologias, dados, minerais estratégicos e energia, e o Brasil não pode aceitar um destino em que outros desenvolvem as tecnologias, controlam as plataformas e decidem o valor das nossas riquezas. A cooperação internacional é indispensável; a submissão não é. Um país não é soberano quando precisa alugar aquilo que deveria saber fazer. A ciência avança onde se pode perguntar, verificar e corrigir. Foi ela que ajudou a transformar a agricultura, a extrair petróleo em águas profundas, a produzir vacinas em instituições públicas e a antecipar secas e enchentes, e dela dependem respostas para as mudanças do clima, para a inteligência artificial e para as transformações do trabalho. Enfraquecer universidades, imprensa, institutos e tribunais reduz a capacidade coletiva de reconhecer erros, justamente o que permite a um país aprender, em vez de repetir suas tragédias. Quanto vale um voto? Em quatro anos, ele ajuda a decidir se haverá creche no bairro e médico no posto, se a filha de quem nunca entrou numa universidade poderá estudar nela, se produziremos nossas próprias vacinas ou seguiremos dependendo da decisão de outros países. O voto é a expressão mais igualitária da nossa cidadania, uma pessoa, um voto, e seu valor não depende de riqueza, escolaridade, sobrenome, religião ou lugar de nascimento. Por isso não podemos permitir que o medo, a mentira ou o ódio decidam por nós. Quem assina esta carta reafirma seu compromisso com a Constituição, as eleições livres, a integridade das urnas, a liberdade de ensinar e pesquisar e o direito de discordar. 

É à luz desses princípios, e das escolhas que estão diante do Brasil, que declaramos nosso apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. 

Esse posicionamento expressa uma escolha política coletiva de seus signatários, sem significar adesão irrestrita a um governo ou renúncia ao direito de crítica. Nosso compromisso permanece sendo com a democracia, com a população brasileira e com o futuro do país. João Cabral de Melo Neto escreveu que “um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos”. É esse o pedido desta carta. Assine, convide outras pessoas a assinar e leve essa conversa à escola, ao laboratório, ao hospital e à sua família. Uma assinatura é um gesto; milhares de vozes tecem uma manhã e o Brasil não pode desistir de pensar por si, decidir por si e construir o próprio futuro. 

(FOTO – Divulgação SBPC - Foto: Ricardo Stuckert) – 

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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Entidades científicas cobram do TSE equilíbrio e transparência nas decisões sobre as eleições de 2026

 


Uma carta aberta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em defesa da integridade e do equilíbrio das eleições de 2026, foi divulgada domingo (11/10) pelas mais importantes entidades científicas do país. O documento manifesta preocupação com a suspensão do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, determinada pelo presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, e cobra critérios isonômicos nas decisões da Justiça Eleitoral, além da investigação de denúncias de interferência no ambiente digital. 

A carta foi assinada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Academia Brasileira de Ciências (ABC), o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), a FASUBRA Sindical, a PROIFES-Federação e o movimento Reitores pela Democracia. 

“Não se trata de defender uma candidatura. Trata-se de impedir que a Justiça Eleitoral seja usada para silenciar eleitores, enquanto as interferências mais graves destas eleições seguem sem resposta”, afirmam as entidades. O documento defende a responsabilização por publicações falsas, mas questiona suspensões coletivas de canais e perfis sem análise individualizada. Também solicita a investigação do chamado token B22, que teria oferecido criptomoedas em troca de propaganda eleitoral, e a apuração independente de denúncias envolvendo plataformas digitais, com transparência e aplicação dos mesmos critérios a todas as candidaturas. 

“A Justiça Eleitoral brasileira é reconhecida no mundo por sua integridade. É essa integridade que pedimos que seja preservada agora: rigor contra quem paga para manipular o debate, proteção a quem apenas manifesta sua opinião e respeito à palavra do eleitor”, conclui as entidades na carta. 

Leia o documento na íntegra abaixo. 

Carta Aberta ao Tribunal Superior Eleitoral em Defesa da Integridade e do Equilíbrio das Eleições de 2026 - 

Ao Tribunal Superior Eleitoral, às autoridades da República, às plataformas digitais e à sociedade brasileira - 

As entidades que assinam esta carta dirigem-se ao Tribunal Superior Eleitoral em um momento decisivo. Faltam duas semanas para o segundo turno, e o Tribunal já começou a tomar decisões que alteram as condições da disputa. Não se trata de defender uma candidatura. Trata-se de impedir que a Justiça Eleitoral seja usada para silenciar eleitores, enquanto as interferências mais graves destas eleições seguem sem resposta. 

No domingo, 11 de outubro, atendendo a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal “Exército do Lula” no WhatsApp, administrado pelo deputado federal André Janones e com mais de 3 milhões de participantes. A mesma campanha pede ainda a suspensão de 32 perfis, a remoção de 221 publicações e a cassação do registro da chapa adversária, acusando uma rede de 1.525 contas de espalhar desinformação, embora os próprios autores reconheçam que nenhuma das publicações saiu do perfil do candidato adversário. Se houve publicações falsas, elas devem ser removidas e seus autores responsabilizados. Mas calar em bloco canais e perfis de apoiadores de um candidato, por decisão individual e provisória, a duas semanas da eleição presidencial, é medida de outra natureza: atinge milhões de eleitores, desequilibra a disputa e cria um precedente perigoso para todas as eleições futuras. O próprio Tribunal já mostrou o caminho certo ao remover, nos últimos dias, publicações específicas de ambas as campanhas, com fundamentação. É esse padrão que deve prevalecer. O contraste é evidente. A candidatura que pede a suspensão de canais adversários foi a beneficiária declarada de um dos esquemas mais graves de interferência destas eleições: o token B22, que ofereceu criptomoedas a quem publicasse pedidos de voto em Flávio Bolsonaro e enviou 120 milhões de tokens a um grupo de dança infantil de Uganda, que publicou um vídeo com crianças cantando uma mensagem eleitoral. O TSE suspendeu o mecanismo, a campanha nega envolvimento, e até hoje não se sabe quem o criou, quem o financiou e quem lucrou. Em teste independente, a Meta aprovou ainda uma montagem falsa em que Donald Trump declarava apoio ao mesmo candidato. O ambiente digital destas eleições já está contaminado. O NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, encontrou anúncios que se passavam pela Justiça Eleitoral e ofereciam uma falsa “votação remota” a eleitores com problemas de saúde, 568 anúncios irregulares no período em que a propaganda paga era proibida e anúncios contra as instituições que renderam até R$ 2,1 milhões à Meta. A campanha de Lula acusa a Meta de restringir seletivamente o alcance de suas publicações, o que a empresa nega, e o TSE determinou que a plataforma explique se aplica as mesmas regras às duas campanhas. É esse tipo de verificação que deve valer para todas as denúncias. A legislação oferece os instrumentos para agir com firmeza e equilíbrio. O Código Eleitoral pune quem oferece vantagem em troca de voto ou usa prêmios para atrair eleitores (arts. 299 e 334). A Lei das Eleições restringe a propaganda paga na internet e pune a captação ilícita de sufrágio (arts. 57-C e 41-A). A Resolução TSE nº 23.610/2019 proíbe remunerar quem divulga propaganda e responsabiliza as plataformas que não agem contra a desinformação. E a Constituição assegura a todos a liberdade de expressão, o contraditório e o devido processo legal, garantias que valem para os dois lados. Por isso, pedimos ao Tribunal Superior Eleitoral que submeta com urgência para apreciação do Plenário a decisão monocrática de suspensão do canal “Exército do Lula”, substituindo-a, se for o caso, pela remoção das publicações irregulares; que não conceda suspensões coletivas de canais e perfis sem análise individual, prova concreta e direito de defesa, aplicando os mesmos critérios a todas as candidaturas; que dê prioridade à investigação do B22, identificando quem criou, financiou e lucrou com o token; que apure por perícia independente as denúncias contra as plataformas, comparando os dados de todas as candidaturas; e que torne públicas as decisões e seus fundamentos. Às plataformas, pedimos revisão humana dos anúncios eleitorais até o segundo turno e acesso de pesquisadores independentes aos seus dados. A Justiça Eleitoral brasileira é reconhecida no mundo por sua integridade. É essa integridade que pedimos que seja preservada agora: rigor contra quem paga para manipular o debate, proteção a quem apenas manifesta sua opinião e respeito à palavra do eleitor. 11 de outubro de 2026. - 

Assinam esta carta: ABC – Academia Brasileira de Ciências. ANDES-SN – Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior. ANDIFES – Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior. ANPG – Associação Nacional de Pós-Graduandos. CONIF – Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica - FASUBRA Sindical – Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil. PROIFES-Federação – Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior. Reitores pela Democracia – Movimento Reitores pela Democracia. SBQ – Sociedade Brasileira de Química. SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. SINASEFE – Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica. 

(FOTO – SBPC) – 

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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Policia investiga autoria do roubo de veículo com material radioativo em SP; carro foi desmontado; produto localizado.

 



A polícia continua investigando a autoria do roubo de um veículo que transportava material radioativo Actínio-225 (Ac-225) para tratamento médico, ocorrido em Guarulhos, São Paulo, na quinta-feira (1/10). O material foi localizado intacto na noite de segunda-feira (5/10), em terreno baldio na Rua Um do Cruzeiro, no bairro São Rafael, zona leste da capital paulista. O material passa pelo crivo do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN), unidade da Comissão Nacional de Energia em São Paulo. O veículo roubado foi encontrado desmontado: era um Citroen Jumpy-Furgão, placa GGJ-3G06, com capacidade de 1,5 tonelada e tinha o símbolo internacional de radiação. 

Não é a primeira vez que crimes do mesmo modo ocorrem com veículos transportadores de material radioativo. Segundo o Ipen, o material foi encontrado pela 55º Delegacia Policiais. A transportadora Medical ALD realizou “a primeira avaliação da integridade do embalado, constatou que não houve perda de integridade”. O material importado dos Estados Unidos foi recolhido e levando para o Hospital AC Camargo Câncer Center”, onde é utilizado em tratamento de combate ao câncer.

 (FOTOS: ANSN – CNEN – IPEN – G1) – 

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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Empresas australianas se aliam de olho nas terras raras de Caldas, em Minas Gerais

 

Duas empresas australianas se aliam no projeto para extração e beneficiamento de terras raras no município mineiro de Caldas. O negócio anunciado na noite de ontem (30/9) estaria movimentando R$ 3,5 bilhões. A dupla empresarial australiana informa que dialoga com o governo brasileiro – 


Rio de Janeiro, 01 de outubro de 2026 - As empresas australianas Lynas Rare Earths e Meteoric Resources anunciaram ontem à noite (30/09) um acordo para aquisição e nova etapa do Projeto Caldeira, em Caldas, Minas Gerais, visando à extração e os processos de purificação de terras raras em argilas iônicas, o maior fora China. Segundo o anúncio, a Lynas mantém experiência global em produção e separação de terras raras e “abre novas perspectivas para investimento, desenvolvimento tecnológico e agregação de valor no Brasil”. O negócio estaria envolvendo R$ 3,5 bilhões. 

Em nota divulgaram que estabeleceram diálogos com representantes do governo brasileiro, diante da nova Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. “As companhias reafirmaram às autoridades brasileiras o compromisso com uma relação institucional transparente e construtiva e com o cumprimento integral dos procedimentos e aprovações regulatórias aplicáveis à transação”, consta em nota. Projeto Caldeira, informaram que, “ganha escala para uma nova etapa de desenvolvimento”. Qual? A combinação dos ativos das duas companhias reúne dois recursos minerais de terras raras de relevância internacional e características complementares: o depósito de Mt Weld, na Austrália Ocidental, desenvolvido em rocha dura, e o Projeto Caldeira, formado por mineralização em argilas iônicas em Minas Gerais. 


Os Recursos Minerais do Projeto Caldeira contêm aproximadamente 802 mil toneladas de NdPr (neodímio e praseodímio) e 41 mil toneladas de DyTb (disprósio e térbio)1. Esses elementos são utilizados em aplicações tecnológicas avançadas, incluindo ímãs permanentes de alta performance empregados em veículos elétricos, geração de energia eólica, produtos eletrônicos e outras tecnologias. Para a Lynas, a incorporação do Projeto Caldeira resulta em um aumento de 79% em seus Recursos Minerais existentes e de 26% em suas Reservas de Minério, com base nas premissas e referências técnicas utilizadas pelas empresas2.  

Para o Projeto Caldeira, “a transação representa acesso à experiência técnica e operacional da Lynas e a uma estrutura financeira com capacidade para apoiar seu desenvolvimento”. As empresas informaram seus bastidores financeiros: “Em 30 de junho de 2026, a Lynas possuía aproximadamente A$ 1,2 bilhão em caixa e depósitos de curto prazo. Como parte do acordo, a Lynas também concordou em disponibilizar à Meteoric uma linha de financiamento interina de até A$ 110 milhões, destinada à continuidade do desenvolvimento do Projeto Caldeira, aos custos relacionados à implementação da transação e às necessidades de capital de giro durante o processo”. 

(FOTOS – METEORIC) - 

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