sexta-feira, 24 de abril de 2026

Terras raras: australiana Meteoric a caminho da escala industrial, em Poços de Caldas (MG)

 


As terras raras brasileiras seguem no topo das atenções desde o interesse dos Estados Unidos, nas riquezas minerais de Minaçu (Goiás), onde está localizada a mineradora Serra Verde, vendida aos norte-americanos, passando por cima da soberania nacional sobre o território do País. Em meio a tanta discussão, vale lembrar que o município de Poços de Caldas (MG), é um dos mais ricos no mineral que atrai os EUA, por exemplo. E a riqueza não está mantida sob nenhum manto secreto. Tanto que cerca de vinte quilos de carbonato de terras raras foram apresentados a um grupo de empresários na empresa australiana Meteoric, na região, em parceria com a Megabras, em fevereiro. A estimativa é de 1,8 quilo por dia, até 38 quilos por mês. 


Os testes que resultaram no produto foram feitos na planta piloto da Meteoric, inaugurada no ano passado. “Desde então, o objetivo é a obtenção de licença para que o trabalho possa ser realizado em escala industrial, passando por toda a cadeia produtiva, da extração das terras raras à produção de imãs, entre outros produtos fundamentais para a área tecnológica”, informou a empresa. O diretor da Meteorico, Marcelo Carvalho, disse na época, que testes realizados na planta piloto indicam que o material produzido tem alto teor de elementos raros. “O município de Caldas tem o melhor depósito de terras raras do mundo”, lembrou. 

IMPULSO COM 10 QUILOS - 

A Meteoric tem produzido em fase de testes o carbonato de terras raras. Em evento para apresentação da Planta Piloto para a MAGBRAS, projeto que tem por objetivo o impulso da cadeia industrial de produtos com uso de minerais críticos, a Meteoric concedeu 10 kg de terras raras para o projeto. “O Licenciamento Ambiental do Projeto Caldeira é trifásico: Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação. A Meteoric obteve a Licença Prévia com efeito e agora está em fase de submissão de documentos para obtenção de Licença de Instalação. Não é um novo licenciamento, mas a segunda etapa do processo”, conforme a empresa informou ao Blog. 

ENTREVISTA PUBLICADA PELO BLOG EM FEVEREIRO/2026 - 

Terras raras: empresa australiana afirma que adquiriu direitos de mineração no Brasil em transação com grupo privado; negócio passou pela ANM

Embora o ministro da Secretaria- Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, tenha afirmado que sobre as terras raras brasileiras nada será feito nas esferas estadual e municipal, sem o aval federal, Eder Santo, um dos diretores da empresa australiana Meteoric, em entrevista exclusiva ao Blog, informou que a companhia adquiriu os direitos minerários em março de 2023, por meio de uma transação privada com o Grupo Togni, “realizada em conformidade com a legislação mineral brasileira e com os procedimentos regulatórios aplicáveis junto à Agência Nacional de Mineração (ANM)”. 

Desde então, “conduz estudos geológicos, metalúrgicos, de engenharia e ambientais” visando o licenciamento do empreendimento em Poços de Caldas (MG), onde mantém uma planta piloto que reproduz o mesmo processo que será aplicado na planta industrial do projeto Caldeira para a produção de Carbonato de Terras Raras. Eder Santo negou que já exista contratos de venda de minerais aos estados Unidos. Mas admitiu: 

“O que há são Memorandos de entendimento assinados com as empresas norte-americanas e europeias – como Ucore Rare Metais, a Metallium e a Neo Performance Materiais que tratam de potenciais parcerias futuras para o fornecimento de carbonato de terras raras. “São acordos preliminares, não contratos definitivos”. Diz que não tem parceria com o governador Romeu Zema, mas admite “parcerias institucionais com a FIEMG e a InvestMinas, que reforçam o alinhamento do projeto às prioridades de desenvolvimento econômico e industrial do estado”. A possibilidade de o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) assumir o licenciamento colocada pela ministra Marina Silva, ele “não encontra respaldo na legislação brasileira”. Marina, segundo ele, talvez não tenha tido acesso a todas as informações sobre o projeto Caldeira. 

Eis a entrevista -  

BLOG - Desde quando a empresa está em Poços de Caldas? Qual o perfil da empresa, principais interesses no Brasil?  

EDER SANTO - A Meteoric é uma empresa australiana de capital aberto responsável pelo desenvolvimento do Projeto Caldeira, localizado no município de Caldas (MG), no Planalto Vulcânico de Poços de Caldas. A companhia adquiriu os direitos minerários em março de 2023 e, desde então, conduz estudos geológicos, metalúrgicos, de engenharia e ambientais necessários ao processo de licenciamento do empreendimento. Os direitos minerários correspondem às autorizações e títulos concedidos pela ANM que permitem a realização de atividades de pesquisa mineral em uma determinada área. No Brasil, os direitos minerários são solicitados junto à Agência Nacional de Mineração (ANM) por meio de requerimentos administrativos previstos no Código de Mineração e em suas normas regulamentares. Esses direitos não se confundem com licenças ambientais nem com autorizações para lavra ou exploração econômica, que dependem de etapas posteriores de licenciamento e autorizações específicas junto aos órgãos competentes. 

BLOG: COMO A EMPRESA ADQUIRIU OS DIREITOS MINERÁRIOS? 

EDER SANTO: A Meteoric adquiriu os direitos minerários relacionados ao Projeto Caldeira em março de 2023, por meio de uma transação privada com o Grupo Togni, realizada em conformidade com a legislação mineral brasileira e com os procedimentos regulatórios aplicáveis junto à Agência Nacional de Mineração (ANM). 

BLOG: NOVIDADES HOJE.  

EDER SANTO: Hoje, a Meteoric recebeu no seu Centro de Inovação e Pesquisa a equipe técnica do Projeto MAGBRAS e autoridades locais. Para mais informações sobre a iniciativa MAGBRAS, da qual a Meteoric também participa. 

BLOG – CONTE MAIS SOBRE A METEORIC - 

EDEN SANTO - A matriz da empresa está em Perth, na Austrália, e sua base acionária é formada por investidores institucionais especializados em minerais críticos. O interesse da Meteoric no Brasil é desenvolver o Projeto Caldeira e contribuir para que o país se posicione como um fornecedor global competitivo de terras raras. 

BLOG - Qual o resultado da audiência pública para o licenciamento ambiental da empresa? Hoje está em qual fase? Qual o passo adiante? A empresa já está instalada na região? Onde? 

EDER SANTO - A audiência pública do Projeto Caldeira ocorreu em 9 de novembro de 2024, em Caldas (MG), seguindo as determinações da Deliberação Normativa COPAM 255/2018. O evento reuniu mais de 500 participantes e foi transmitido integralmente e ao vivo pelo Youtube. Todas as manifestações foram registradas em Relatório Síntese e protocoladas junto ao órgão ambiental de Minas Gerais (FEAM), responsável pelo licenciamento ambiental. O Projeto Caldeira recebeu Licença Prévia com efeito em dezembro de 2025, emitida pelo COPAM, atestando a viabilidade ambiental preliminar e estabelecendo condicionantes para as próximas etapas. Atualmente, a Meteoric desenvolve os estudos complementares exigidos para o pedido de Licença de Instalação. Não existe operação instalada. As atividades em curso envolvem pesquisa mineral, estudos ambientais, projeto de engenharia e testes metalúrgicos. A empresa mantém em Poços de Caldas uma planta piloto que reproduz o mesmo processo que será aplicado na planta industrial do Projeto Caldeira para produção de Carbonato de Terras Raras. Não há extração mineral. 

BLOG - Onde exatamente a empresa pretende ou já está operando em MG? Quais as metas e quantidades de terras raras a ser extraída? 

EDER SANTO - Como mencionado, não há nenhuma operação comercial em andamento. A empresa mantém em Poços de Caldas uma planta piloto experimental, que serve exclusivamente para geração de dados técnicos, simulação de rotas de processamento e produção de amostras de carbonato de terras raras, além de capacitação de operadores para trabalharem na futura planta comercial. Esta é uma etapa padrão em projetos minerais de grande porte. O Projeto Caldeira possui hoje uma reserva estimada de 103 milhões de toneladas, conforme divulgado ao mercado, e seu Estudo de Pré-Viabilidade (PFS) apresenta projeções técnicas que indicam o potencial do depósito. Segundo esse estudo, a operação, quando for implantada, teria como parâmetros preliminares: capacidade de processamento de 6 milhões de toneladas por ano, produção anual estimada de 13.584 toneladas de TREO, o equivalente a cerca de 6% do mercado global; além de 4.228 toneladas/ano de NdPr (aprox. 5% da demanda mundial) e 135 t/ano de DyTb, elementos essenciais à fabricação de ímãs permanentes de alta performance. Esses números representam projeções técnicas e econômicas, mas não são metas operacionais. O Projeto Caldeira é concebido como um projeto estratégico para a transição energética, com potencial para contribuir com cadeias globais de mobilidade elétrica, turbinas eólicas e tecnologias de baixo carbono. Todo seu desenvolvimento segue o compromisso de rigor ambiental, inovação tecnológica e transparência regulatória, em conformidade com as normas brasileiras e com as exigências dos órgãos ambientais estaduais e federais. 

BLOG - Qual a negociação com o governador Romeu Zema? Está em que fase? 

EDER SANT0 - Não existe negociação específica com o governador Romeu Zema. O foco da Meteoric está no processo técnico de licenciamento e no desenvolvimento sustentável do Projeto Caldeira. A empresa mantém diálogo institucional e técnico com governos e órgãos reguladores, sempre dentro dos limites previstos pela legislação brasileira. Em Minas Gerais, a Meteoric estabeleceu parcerias institucionais com a FIEMG e a InvestMinas, que reforçam o alinhamento do projeto às prioridades de desenvolvimento econômico e industrial do estado. Essas alianças têm como objetivo desenvolver a cadeia industrial da produção de ímãs e outras tecnologias que utilizam terras raras como componente, além de fortalecer o posicionamento de Minas Gerais e do Brasil na produção de minerais críticos, na transição energética e inovação industrial, ampliando a relevância de Minas Gerais nesse cenário estratégico. 

BLOG - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não aceitará iniciativas isoladas do governo de Minas Gerais para autorizar a exploração de terras raras no estado. A posição foi reafirmada semana passada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, após reuniões em Brasília (DF) com uma comitiva de movimentos populares, que denunciou irregularidades no licenciamento concedido pela gestão de Romeu Zema (Novo). Se o presidente Lula impedirá autorizações para a extração em MG, o que a empresa fará? 

EDER SANTO - A Meteoric segue rigorosamente as determinações legais e requisitos que regem o processo de licenciamento, tanto ambiental como mineral, no Estado de Minas Gerais e no Brasil, e acredita que a autonomia de Estados e Municípios, definida pela Constituição Federal e aplicável ao licenciamento ambiental do Projeto Caldeira, será mantida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A empresa mantém interlocução institucional e técnica regular com os governos federal, estadual e municipal dentro dos limites previstos pela legislação. Desde o início das atividades do Projeto Caldeira, a Meteoric estabelece diálogo participativo com o Governo Federal, atuando em ações estratégicas do próprio governo para o desenvolvimento e inovação do setor minerário, tanto que o Projeto Caldeira integra a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e Transformação Ecológica (BIP), iniciativa federal voltada à estruturação de projetos estratégicos para a transição energética. Tal fato demonstra alinhamento institucional e participação ativa do governo federal na agenda de minerais críticos. 

BLOG - A agenda com Guilherme Boulos foi articulada pela deputada estadual Bella Gonçalves (Psol) e incluiu encontros com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e com o próprio Boulos. Nas reuniões, representantes de comunidades e movimentos populares apresentaram denúncias sobre a concessão de uma chamada “licença prévia sem efeitos” para exploração de terras raras no Planalto Vulcânico do Sul de Minas, instrumento jurídico que não existe na legislação federal. O que a empresa acha disso? O que fará ou já está fazendo? 

EDER SANTO - É importante informá-la que a Licença Prévia (LPemitida para o Projeto Caldeira é com efeito e, portanto, um instrumento legal e previsto na legislação ambiental brasileira.  Ressalta-se que Meteoric segue à risca a legislação federal, estadual e municipal. Todas as informações técnicas foram disponibilizadas aos órgãos ambientais e à sociedade.  

BLOG – A companhia possui contratos de venda desses minerais para os Estados Unidos. É verdade? 

EDER SANTO - A Meteoric ainda não possui contratos de venda firmados para os Estados Unidos. O que há são Memorandos de Entendimento (MoUs) assinados com empresas norte-americanas e europeias — como a Ucore Rare Metals, a Metallium e a Neo Performance Materials — que tratam de potenciais parcerias futuras para fornecimento de carbonato de terras raras. Esses MoUs são acordos preliminares, não contratos definitivos. 

BLOG - Mas segundo Guilherme Boulos, qualquer tentativa do governo mineiro de avançar sem a coordenação federal está fadada a não produzir efeitos. “O presidente Lula determinou que toda discussão sobre terras raras seja conduzida no âmbito da Presidência da República. Foi criado um grupo estratégico para tratar desse assunto, e qualquer tentativa de atropelar esse processo nacional será inócua”, afirmou o ministro. Como a empresa está administrando a questão? 

EDER SANTO - A Meteoric mantém diálogo institucional com o Governo Federal e participa das iniciativas relacionadas ao desenvolvimento de minerais críticos no país. Em 2025, o projeto foi incluído na Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e Transformação Ecológica (BIP). Caso o Governo Federal estabeleça procedimentos adicionais, a empresa seguirá as normas estabelecidas. 

BLOG - As empresas australianas não estariam tentando passar por cima das questões da soberania nacional brasileira? 

EDER SANTO - Não há qualquer iniciativa da Meteoric que possa ser vista como tentativa de afrontar a soberania nacional, uma vez que o licenciamento ambiental do Projeto Caldeira segue estritamente a legislação estabelecida em nível federal, estadual e municipal e não há qualquer impedimento de uma empresa de origem estrangeira atuar no desenvolvimento de projeto de mineração no Brasil. Pelo contrário, a atuação de empresas estrangeiras no país é garantida pela Constituição Federal. Ademais, a Meteoric tem atuado em parceria com o Governo Federal com objetivo de contribuir para que o país transforme seu potencial geológico em protagonismo internacional na transição energética e nas cadeias tecnológicas globais baseadas em minerais críticos, ou seja, a empresa tem atuado para que seja desenvolvido no país um parque industrial capaz de produzir do minério ao ímã de terras raras. O Projeto Caldeira se encontra atualmente na fase de licenciamento ambiental e recebeu, em dezembro de 2025, a Licença Prévia com efeito. Nenhuma etapa do projeto avança sem autorização das autoridades brasileiras. A Meteoric reconhece que as terras raras são um recurso estratégico para o país, especialmente diante da transição energética e das cadeias globais de tecnologia. Todo o processo é conduzido com transparência, participação social e respeito integral às instituições brasileiras. 

BLOG - Boulos também se comprometeu a levar o caso diretamente ao presidente e a discutir medidas para proteger a soberania nacional sobre um recurso considerado estratégico para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia. O que acha? Qual a posição? 

EDER SANTO - Como respondido anteriormente, não há qualquer iniciativa da Meteoric que possa ser vista como tentativa de afrontar a soberania nacional. Pelo contrário, o Projeto Caldeira fortalece o protagonismo do Brasil na produção de minerais críticos, essenciais para a transição energética e para a indústria de alta tecnologia. O trabalho é conduzido com transparência, participação social e respeito integral às instituições brasileiras, consolidando o país como um ator relevante nas cadeias globais de tecnologia. 

BLOG - Quais as medidas que estão sendo tomadas para que não haja riscos ambientais? 

EDER SANTO - O Projeto Caldeira foi concebido para gerar o mínimo impacto possível ao longo de sua vida útil. Para tanto, foi projetado adotando boas práticas de mineração disseminadas por instituições como o ICMM (International Council on Mineral and Metals). Uma dessas boas práticas é o Fechamento Progressivo das áreas mineradas, que é destacado na publicação Integrated Mine Closure Good Practice Guide, 3rd Edition (ICMM, 2025). O Fechamento Progressivo do Projeto Caldeira prevê o preenchimento (com a argila lavada – resíduo do processo de separação das terras raras – e estéreis) e a reabilitação das cavas ainda durante a fase de operação. Este processo elimina a necessidade de construção de barragens de rejeitos, garantindo menor risco operacional. Além disso, o Fechamento Progressivo das áreas de lavras faz com que o relevo, ao final das operações, retorne a uma condição similar ao que era antes do processo de mineração, uma vez que as cavas serão aterradas e o relevo reconfigurado. No âmbito do Projeto Caldeira foram desenvolvidos 26 programas socioambientais que serão conduzidos desde antes do início da operação do empreendimento e perdurarão até o final da vida útil do projeto. Tais programas visam mitigar todos os potenciais impactos negativos identificados durante as fases de estudos socioambientais. Além do Fechamento Progressivo, o projeto tem alguns diferenciais como: Foi projetado para ter o mínimo impacto sobre o meio ambiente e as comunidades; Não serão utilizados explosivos para a extração do minério; Utilizará energia elétrica 100% de fonte renovável. Zero emissão de gases do efeito estufa pelo uso de energia elétrica; Não possui risco radioativo, conforme atestado pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN); Zero emissão de esgotos e de efluentes industriais. O esgoto será tratado no local e a água reutilizada no processo de produção de carbonato de terras raras; Mais de 90% da água será reutilizada; Não possui barragem de rejeitos. 

BLOG - Durante a reunião com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foram destacados os riscos ambientais associados à extração e ao armazenamento das terras raras, que podem conter elementos radioativos. Esses materiais representam ameaças ao solo, aos recursos hídricos e à saúde das populações locais, segundo Marina. O que a empresa tem a dizer?  

EDER SANTO- O tema radioatividade é tratado com rigor absoluto pela Meteoric. As análises de radionuclídeos realizadas em amostradas do processo de mineração e do processo industrial de produção de Carbonato de Terras Raras e submetidas à verificação pelo órgão responsável pelo controle nuclear no Brasil, a ANSN (Autoridade Nacional de Segurança Nuclear), demonstraram que não há risco radiológico decorrente das atividades previstas no Projeto Caldeira. A ANSN inclusive se manifestou recentemente a respeito em sua página oficial: https://www.gov.br/ird/pt-br/assuntos/noticias/noticias-2025/esclarecimento-sobre-empreendimentos-de-mineracao-de-terras-raras-em-pocos-de-caldas. A ANSN será responsável pelo monitoramento contínuo das atividades do empreendimento, justamente para garantir que nossas operações não ofereçam riscos ao meio ambiente e nem às pessoas. 

BLOG - Diante do potencial impacto ambiental e do alcance interestadual do empreendimento, Marina Silva sinalizou que o Ministério do Meio Ambiente avalia a possibilidade de o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) assumir o licenciamento, por meio da evocação de competência federal. O diz a empresa sobre a questão? 

EDER SANTO - Como a Ministra do Meio Ambiente Marina Silva possui um perfil técnico e sensato, a Meteoric entende que talvez a Ministra não tenha tido acesso a todas as informações do Projeto Caldeira, fato que pode tê-la levado a entender que o empreendimento deveria ser licenciado pelo IBAMA, o que não encontra respaldo na legislação brasileira, já que quaisquer projetos propostos em território nacional somente são licenciados pelo IBAMA quando: Possui radioatividade natural acima do limite definido pela Norma ANSN NN 4.01; A área diretamente afetada pelo empreendimento abrange dois ou mais estados brasileiros. Como nenhum destes dois critérios se aplica ao Projeto Caldeira, portanto não se enquadra na competência federal, motivo pelo qual o licenciamento ambiental do empreendimento vem sendo conduzido pelo Estado de Minas Gerais, por meio da Fundação Estadual de Meio Ambiente (FEAM), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD). 

PROJETO MAGBRAS - 

O Projeto MagBras tem como objetivo estabelecer no Brasil o ciclo completo de produção de ímãs permanentes de terras raras, abrangendo desde a pesquisa mineral e o beneficiamento até a fabricação, aplicação e reciclagem. Esses ímãs são insumos estratégicos para setores como mobilidade elétrica, geração de energia limpa, indústria de defesa e eletrônica de ponta, segundo informações divulgadas pela empresa. No âmbito do projeto, o CETEM é responsável pelo desenvolvimento e aplicação de rotas tecnológicas nacionais para a extração, separação por solvente e refino de elementos terras-raras críticos — como praseodímio, neodímio, térbio e disprósio — a partir de diferentes matrizes minerais brasileiras e de ímãs pós-consumo. Esses elementos serão utilizados na produção de ímãs permanentes, contribuindo para reduzir a dependência externa e fortalecer a capacidade tecnológica do país. 

Em evento realizado em 14/07/2025, no Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras Raras (CIT SENAI ITR), em Lagoa Santa-MG, marcou o início do Projeto Estruturante “MagBras: Demonstrador Industrial do Ciclo Completo de Produção Brasileira de Ímãs Permanentes de Terras Raras”. A iniciativa foi selecionada na Chamada Pública de Projetos Estruturantes, lançada em julho de 2024, fruto de uma parceria entre a Fundação de Apoio da UFMG (Fundep) e o SENAI, instituições responsáveis pela coordenação de quatro dos sete programas prioritários do Mover (Mobilidade Verde e Inovação). Também segundo a página da empresa, a gerente de Programas da Fundep, Ana Eliza Braga, esteve presente na solenidade e ressaltou que o Projeto Estruturante MagBras pode mudar o patamar da indústria instalada no Brasil a nível mundial. “O projeto tem evidente porte para elevar a capacidade industrial e setorial, não estando restrito apenas às demandas de uma empresa ou conjunto de empresas. É um exemplo brilhante do que pode uma aliança academia e indústria realizar”, comenta a executiva.   

TOGNI - GRUPO QUE FEZ NEGÓCIO COM A METEORIC - A TOGNI S/A - MATERIAIS REFRATÁRIOS - 

Está instalada desde o princípio do século XX em Poços de Caldas. “Originalmente, a empresa fabricava tijolos para construção civil e telhas curvas do tipo colonial. O início da produção de refratários deu-se em 1954, ano em que a TOGNI começa o aproveitamento pioneiro das argilas refratárias do Planalto e divulga sua alta qualidade para este fim”. No site da empresa consta: “Hoje, detentora de avançada tecnologia, possui duas fábricas totalmente integradas em Poços de Caldas e uma terceira unidade em Sacramento, no Triângulo Mineiro. Importantes reservas e empresas de mineração próprias garantem o abastecimento das matérias primas estratégicas. A TOGNI faz parte atualmente de um grupo de empresas que atuam nas áreas de refratários, mecânica especializada, mineração, florestamento e rochas ornamentais. 

(FOTOS – METEORIC – E TOGNI ) –  

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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Terras raras: mineradora dos EUA anuncia compra de brasileira Serra Verde, em Goiás

 


A mineradora americana USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira (20/4) a compra da brasileira Serra Verde por cerca de US$ 2,8 bilhões. Segundo a companhia, o acordo prevê a aquisição de 100% da Serra Verde, dona da mina e da planta de processamento Pela Ema, em Goiás. A operação será paga com US$ 300 milhões em dinheiro e 126,849 milhões de novas ações da USA Rare Earth, o que implica um valor de aproximadamente US$ 2,8 bilhões para a mineradora brasileira. O negócio coloca em evidência a questão da soberania sobre as riquezas minerais brasileiras.

O fechamento está previsto para o terceiro trimestre de 2026, sujeito a aprovações regulatórias e outras condições usuais. A Serra Verde é controlada por investidores privados e fundos, entre eles Denham Capital, Vision Blue Resources e Energy & Minerals Group. A Serra Verde é dona da mina Pela Ema, em Goiás, considerada um ativo estratégico por ser o único produtor em escala fora da Ásia capaz de fornecer os quatro principais elementos magnéticos de terras raras. 

A operação ganha ainda mais relevância porque, segundo a USA Rare Earth, a Serra Verde deve responder por mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China até 2027. A USA Rare Earth destaca que conta com apoio do governo americano e que a operação inclui um contrato de 15 anos para venda de 100% da produção inicial de elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, com pisos de preço definidos, o que reduz riscos de mercado. Com a aquisição, a USA Rare Earth busca criar uma cadeia integrada fora da Ásia, que vai da mineração à produção de ímãs. 

A empresa projeta que a operação combinada pode gerar até US$ 1,8 bilhão em EBITDA anual até 2030, embora esses números dependam de condições de mercado e execução dos projetos. Em janeiro, a USA Rare Earth assinou uma carta de intenções não vinculante com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos para ter acesso potencial a até US$ 1,6 bilhão em apoio financeiro do governo dos EUA. Desse total, até US$ 277 milhões seriam em recursos federais diretos e até US$ 1,3 bilhão em um empréstimo sênior garantido. 

Na prática, o documento não representa liberação imediata de recursos, mas sinaliza que Washington vê a empresa como peça estratégica na tentativa de montar, fora da China, uma cadeia de terras raras, metais e ímãs voltada a setores considerados sensíveis, como semicondutores, defesa e energia. A Serra Verde iniciou a produção comercial em 2024 e já recebeu mais de US$ 1,1 bilhão em investimentos. A expectativa é que a mina atinja capacidade plena até 2027, com potencial de expansão nos anos seguintes. 

(FOTO – SERRA VERDE) - INFORMAÇÕES – MINERADORA USA RARE EARTH) 

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Terras raras: Lula diz que erros do passado não se repetem ao firmar acordo com a Espanha

 



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não repetirá erros históricos na exploração de recursos naturais ao comentar o acordo firmado ontem (19/4) com a Espanha na área de terras raras. A declaração foi feita após a assinatura de um pacto de cooperação com o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez. 

O acordo prevê colaboração entre os dois países em toda a cadeia produtiva desses minerais estratégicos, incluindo desenvolvimento, mineração, refino, gestão ambiental, uso de tecnologias digitais e intercâmbio de conhecimento. 

O acordo de cooperação incluiu o desenvolvimento, mineração, refino, gestão ambiental, uso de tecnologias digitais e a troca de conhecimentos na área de terras raras. Por serem utilizados na fabricação de baterias e eletrônicos, entre outros produtos, os elementos — encontrados em abundância no Brasil — atraem interesse de vários países. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras. 

Perguntado por jornalistas sobre a pressão dos Estados Unidos para ter acesso às reservas brasileiras, Lula frisou que as terras raras são "questão de segurança nacional", e que, apesar de o Brasil estar disposto a cooperar, não abrirá mão do controle de suas reservas. "Nós estamos dispostos a fazer acordo com todos os países que fizerem acordo com o Brasil. E o processo de transformação se dará dentro do Brasil. Nós não vamos repetir com as terras raras o que aconteceu com o minério de ferro, com a bauxita, nós não vamos. Nós vamos agora assumir a responsabilidade. Essa é uma questão de segurança nacional para nós", comentou Lula. 

(FOTO: Ricardo Stuckert/PR)- FONTE: Governo Federal – Mídias nacional e internacional). 

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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Monazita com as cobiçadas terras raras embarcam de Buena (RJ) para o Canadá pela ADL mineração

 



A partir de um contrato firmado com a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em 2024, a ADL Mineração acaba de exportar monazita para o Canadá. O mineral, rico em elementos de terras raras como cério, lantânio e neodímio, além de tório, “é peça-chave nas cadeias produtivas de tecnologias estratégicas, da fabricação de ímãs permanentes de alta potência para veículos elétricos e turbinas eólicas a componentes eletrônicos, equipamentos de defesa e aplicações nucleares”. A empresa não informou a data do embarque, a quantidade exportada e quanto rendeu para o Brasil, via INB. A expectativa da ADL, conforme a empresa informou, é exportar entre 500 e 1.000 toneladas de monazita até o final de 2026, com destino a outros mercados como Estados Unidos e China, além do Canadá. 


Em prazo de dois anos, a empresa projeta alcançar cerca de 3 mil toneladas exportadas. Além da monazita, a empresa atua na produção de ilmenita, zirconita e rutilo — os mesmos minerais que a Unidade de Buena já processava sob a operação da INB. "A retomada da produção e, sobretudo, da exportação de monazita representa um marco histórico para o setor mineral brasileiro", afirma Adelina Lee, CEO da ADL Mineração. “O último registro de exportação do mineral havia ocorrido há sete anos, conduzido pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB), estatal vinculada ao governo federal”, completou. 

ARRANJO CONTRATUAL - 

A operação da ADL foi possível por conta de “um arranjo contratual inédito” firmado com a INB em 2024, quando a estatal era presidida por Adauto Seixas. Por meio de uma oferta pública, a ADL venceu a disputa e assinou um contrato de cessão onerosa de direito de uso, por 30 anos, da Unidade em Descomissionamento de Buena (UDB), localizada em São Francisco de Itabapoana, no norte fluminense. “

Na prática, a cessão onerosa transferiu à ADL a operação da usina de beneficiamento e das áreas associadas, permitindo que a empresa processe minerais extraídos de jazidas sob sua própria titularidade. A ADL não adquiriu a propriedade do ativo, que segue pertencendo à INB, mas obteve o direito de uso produtivo da infraestrutura”. E acrescentou:

 “Em contrapartida, a INB — que antes arcava com custos fixos de manutenção da unidade na ordem de R$ 1,1 milhão por mês — passou a receber uma receita composta por três elementos; um pagamento fixo mensal de R$ 100 mil, royalties calculados sobre o faturamento da operação e um percentual adicional destinado a um Fundo de Descomissionamento da unidade. A estimativa é que o contrato gere para a estatal uma economia de R$ 390 milhões ao longo dos 30 anos de vigência, além de transformar o que era um custo em fonte de receita. O modelo é o primeiro do tipo adotado pela INB e pode servir como referência para outros ativos da estatal”. 

Na Unidade de Buena, a INB operava o beneficiamento das areias, separando ilmenita, zirconita, rutilo e monazita. Porém, a partir de 2010, a estatal suspendeu a lavra e a produção se limitou ao processamento de estoques remanescentes. A cessão onerosa para a ADL representa a fórmula encontrada para viabilizar a retomada: a empresa privada opera a infraestrutura e processa minerais de suas próprias jazidas, enquanto a INB mantém a titularidade do ativo e o controle sobre os materiais nucleares. "Esta é a primeira vez, após décadas, que uma empresa privada brasileira realiza esse movimento, o que reforça o potencial do país no mercado global de terras raras", diz Lee. Segundo a executiva, o amadurecimento do ambiente regulatório foi determinante para viabilizar a operação. 

MONOPÓLIO - No texto divulgado, a ADL tenta contar um pouco a história oficial nuclear brasileira. “A presença da INB nesse mercado é reflexo do arcabouço legal brasileiro: a Constituição Federal estabelece que a pesquisa, a lavra e o aproveitamento de minerais nucleares são monopólio da União. Como a monazita contém cerca de 6% de tório e 0,3% de urânio, sua exploração sempre ficou sob o guarda-chuva da estatal”. 

Tenta também relembrar fatos históricos mencionados em pesquisas e livros, como Cobaias da Radiação – a história não contada da marcha nuclear brasileira e de quem ela deixou para trás”, sem registrar qualquer menção ou referência aos profissionais que executaram o trabalho. “Em 1960, o governo estatizou as operações privadas de extração de monazita no litoral — empresas como a Orquima e a Mibra foram incorporadas ao aparato que se transformaria na INB”. 

Das páginas 63 em diante, o livro, resgata diversas informações que a ADL usa, sem mencionar os créditos, inclusive dos pesquisadores citados em Cobaias da Radiação; “A monazita brasileira tem uma história que remonta ao século XIX. O potencial das areias monazíticas do litoral foi identificado na década de 1880, quando o engenheiro americano John Gordon notou a coloração diferenciada das areias nas praias do sul da Bahia, na região de Prado e Cumuruxatiba. Análises confirmaram a presença de monazita rica em tório, e as areias passaram a abastecer a indústria europeia de iluminação a gás — o sistema do austríaco Carl Auer utilizava óxido de tório para produzir a chama incandescente das luminárias públicas. A exploração se estendeu rapidamente do sul da Bahia ao litoral do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. A areia monazítica é composta por minerais pesados como ilmenita, magnetita, monazita, zircão, granada e rutilo, com concentração que varia de zero a mais de 60% dependendo do local. O ponto mais emblemático dessas ocorrências é Guarapari (ES), conhecida como "Cidade Saúde" desde a década de 1930 pela fama terapêutica de suas praias da Areia Preta e de Meaípe. Pesquisas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) apresentaram evidências de que a radiação natural dessas areias, baseada no tório, não oferece riscos à saúde e pode ter efeitos benéficos. A história das areias monazíticas, porém, também carrega um capítulo sombrio. Entre as décadas de 1930 e 1950, grandes quantidades foram exportadas clandestinamente — sobretudo pela empresa Mibra, de Boris Davidovitch — para abastecer o programa nuclear americano. Estima-se que mais de 200 mil toneladas de areia foram retiradas do litoral brasileiro ao longo de cinco décadas. O escândalo resultou em uma CPI da Energia Atômica e foi um dos fatores que levaram à estatização do setor na década de 1960”. 

Dados oficiais informam que o Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, estimada em 14 milhões de toneladas (cerca de 15% do total global), atrás apenas da China (44 milhões de toneladas). No entanto, essa riqueza nunca se converteu em protagonismo produtivo — enquanto a China chegou a controlar mais de 90% da produção mundial, o Brasil permaneceu como ator marginal. Além da ADL, o único outro produtor ativo no país é a Serra Verde, que opera em Goiás com argilas iônicas, mas sem realizar a separação dos elementos individuais". 

O livro Cobaias da Radiação, de Tania Malheiros, foi prefaciado pelos jornalistas Cristina Serra e André Trigueiro. 

O BLOG tenta contato com a direção da ADI desde anteontem. 

(FOTO – ADL e INB ) – 

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segunda-feira, 30 de março de 2026

Causas de fumaça detectada na sala de controle do reator nuclear em SP continuam em investigação

 


Continua em processo de apuração as causas que teriam provocado a interdição da sala de controle do reator nuclear de pesquisa IEA-RI, onde o Sistema de Combate a Incêndio do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN), detectou fumaça densa na segunda-feira passada (23/3). As evidências iniciais indicam a possibilidade de sobreaquecimento em painéis de distribuição, contendo componentes elétricos, segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).” Os módulos de controle foram “potencialmente danificados”. Não houve vazamento de radiação. Mesmo com o reator fora de operação, alguns sistemas permanecem energizados. 

No IEA-RI, em setembro do ano passado, técnicos conseguiram produzir um radioisótopo (medicamento) para combater o câncer, em especial o de próstata. Segundo a CNEN, o IEA-RI “encontra-se parado desde novembro de 2025 para troca dos refletores de grafite, que ficam ao redor do núcleo”. Os componentes, estão em “estágio de fabricação”, entre outras providências. 

Conforme nota divulgada pela Comissão semana passada, a equipe de operação que identificou ocorrência de fumaça, às 15, desligou a alimentação de energia elétrica do prédio do reator e adotou as medidas previstas em protocolo de segurança. “Não havia qualquer material radioativo nesta sala, apenas a instrumentação de controle do reator”, garantiu a Comissão. 

“Estamos contratando uma empresa para fornecer um laudo. No momento, estamos trabalhando com apoio da CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para limpar o ar do prédio e contratar uma empresa para fazer a limpeza com equipamentos especializados. Assim que isso ocorrer, a empresa de engenharia irá trabalhar na execução do laudo técnico. Esta empresa já está contratada”, informou a Comissão. 

Caso o reator estivesse operando, segundo a CNEN, a situação poderia ser controlada mais rapidamente. “É possível que pessoas na sala de controle sentiriam o odor e logo tomariam as ações pertinentes, antes do alarme ser acionado. No entanto, do ponto de vista de segurança, o reator seria imediatamente desligado, ou em uma hipótese muito rara, com combinação de muitos cenários ruins, a queda da força da instalação levaria a isso”. 

BREVE HISTÓRIA DO REATOR, POR FREDERICO GENEZINI. 

"Na madrugada de 16 de setembro de 1957, o reator nuclear de pesquisas IEA-R1, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen/Cnen-SP), atingiu sua primeira criticalidade e permanece, desde então, operando com segurança. São inumeráveis as contribuições do reator na ciência, impulsionando o Programa Nuclear Brasileiro (PNB) há mais de seis décadas. O IEA-R1 é um reator de pesquisas tipo piscina, moderado e refrigerado à água e que utiliza elementos de berílio e de grafite como refletores. 

Operou nas duas primeiras décadas a uma potência de dois megawatts (2 MW), atualmente é licenciado para operar a uma potência máxima de 5 MW. Atua em P&D e serviços de irradiação com nêutrons para as seguintes finalidades: produção de radioisótopos para uso em Medicina Nuclear, produção de fontes radioativas para gamagrafia industrial e de radioisótopos para uso como radiotraçadores, irradiação de amostras para a realização de análises multielementares, pesquisas em Física Nuclear, serviços de neutrongrafia e treinamento de pessoal licenciado para operação de reatores". Frederico Antonio Genezini - Responsável pelos dois reatores nucleares de pesquisas do IPEN/CNEN - 

(FOTO -IPEN) - 

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terça-feira, 24 de março de 2026

Sistema de combate a incêndio detecta fumaça na sala de controle do reator de pesquisa do IPEN

 



O Sistema de Combate a Incêndio do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN), detectou fumaça nesta segunda-feira (23/3) na sala de controle do reator nuclear de pesquisa IEA-RI, que estava desligado, segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Informou que “não foi constatado foco de incêndio e sim a presença de fumaça densa na sala de controle da instalação. As evidências iniciais indicam a possibilidade de sobreaquecimento em painéis de distribuição, contendo componentes elétricos”. Os módulos de controle foram “potencialmente danificados”. Mesmo com o reator fora de operação, alguns sistemas permanecem energizados. 

O IPEN, em São Paulo, é um dos mais importantes institutos de pesquisa do setor nuclear da América Latina e está completando 70 anos de fundação. O IPEN é responsável pela produção de radioisótpos (medicamentos) para Medicina Nuclear brasileira. 

FUMAÇA

 A direção da CNEN comunicou o fato a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) que fará avaliação técnica em todo o local. “Havia poucas pessoas no interior do prédio no momento da ocorrência, que foi evacuado e foi realizada uma conferência desse contingente, considerando os registros eletrônicos de acesso”, completou a Comissão. 

Em nota, a CNEN informou que a fumaça foi verificada por volta das 15h, quando foram acionados “os procedimentos operacionais estabelecidos no Relatório de Análise de Segurança da instalação”, segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). “Foram acionadas a brigada de incêndio — composta por equipes do IPEN/CNEN e do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) —, o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar, equipes de proteção radiológica, de logística e de proteção física do Instituto”, informou a Comissão. 

Segundo nota divulgada pela Comissão, a equipe de operação identificou ocorrência de fumaça, desligou a alimentação de energia elétrica do prédio do reator de pesquisa e adotou as medidas previstas em protocolo de segurança. “Em resposta à ocorrência, os bombeiros atuaram rapidamente no local, devidamente equipados. Não foi constatado foco de incêndio e sim a presença de fumaça densa na sala de controle da instalação. As evidências iniciais indicam a possibilidade de sobreaquecimento em painéis de distribuição, contendo componentes elétricos”. 

“Vale destacar que, mesmo com o reator fora de operação, alguns sistemas permanecem energizados, para garantir condições adequadas de segurança, tais como o sistema de refrigeração dos circuitos primário e secundário e o sistema de aquisição de dados operacionais, dentre outros”, informa a Comissão. 

Equipes técnicas das instituições CNEN e ANSN “atuarão de forma conjunta na análise detalhada do evento “e na definição das ações necessárias para o restabelecimento seguro dos sistemas, para operação futura do reator de pesquisa IEA-R1. Autuaram no caso equipes do CTMSP e do IPEN/CNEN, bem como do 4º Grupamento de Bombeiros da Polícia Militar (Equipe Prontidão Verde – Butantã).  “Uma análise detalhada será conduzida para a apuração completa dos fatos”, afirmou a direção da Comissão. 

(FOTO – IPEN/CNEN)

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segunda-feira, 23 de março de 2026

O evento "Nuclear Summit 2026" começa hoje no Rio, promovido pela ABDAN, na Casa FIRJAN .

 


O Nuclear Summit 2026 começou nesta segunda-feira (23/3). Evento promovido pela Abdan, foi recebido na Casa FIRJAN, em Botafogo no Rio de Janeiro. Carlos Magno, gerente de eventos da FIRJAN, abriu os trabalhos. Carlos salientou a importância do setor para a economia do estado do Rio de Janeiro e passou a palavra para, Celso Cunha, presidente de Abdan. Celso falou sobre o crescimento previsto da demanda por energia elétrica em momento de transição nas fontes de energia, o que vem gerando forte demanda para energia nuclear. “O mundo voltou a olhar com seriedade a energia nuclear.” 


Os especialistas frisaram que, ou o Brasil inclui a energia nuclear no planejamento do setor ou vamos continuar discutindo enquanto o resto do mundo produz. Primeiro palestrante do dia, Deputado Federal Júlio Lopes, presidente da Comissão de Energia na Câmara dos Deputados, demostrou sua preocupação com a falta de mobilização do setor no convencimento da sociedade sobre as vantagens e a necessidade de investir pesado em energia nuclear. 

A primeira mesa de debates foi moderada por Leonardo Mattos, professor de geopolítica da EGN - Escola de Guerra Naval, que salientou a oportunidade de falar sobre geopolítica em face da tumultuada conjuntura mundial com os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia. 

O Almirante Rabello dissertou sobre a necessidade de produzir submarinos nucleares para a segurança nacional, o professor Júlio César, salientou que se tornou fundamental de parar de exportar derivados de urânio para importar o urânio enriquecido para abastecer as usinas nucleares brasileiras. “E nós temos o urânio e sabemos enriquecê-lo.”

(TEXTO E FOTOS – REVISTA PLURALE - Colunista, Luiz Fernando de Almeida Bello). 

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