sexta-feira, 31 de julho de 2026

TERRAS RARAS: moratória para licenças ambientais de mineradoras australianas em MG, sugerem geólogos à Duda Salabert

 


Rio de Janeiro, 31 de julho de 2026 - As empresas australianas Viridis, em Poços de Caldas e Meteoric, em Caldas, respectivamente, em Minas Gerais, poderão ter as suas licenças ambientais canceladas, caso a Justiça aceite o pedido de moratória que deverá ser requerido nos próximos dias.  A moratória foi sugerida por geólogos do Centro de Desenvolvimento Tecnologia Nuclear (CDTN), que participaram do seminário sobre terras raras realizado pela deputada federal Duda Salabert (PSOL) que reuniu recentemente dezenas de ambientalistas contrários à exploração do mineral estratégico na região. 

Os geólogos Paulo Cesar Rodrigues e Gustavo Filemon foram enfáticos ao lembrar em suas apresentações que as duas empresas poderão causar fortes impactos ambientais nas regiões onde esperam atuar na exploração das terras raras. 

Rodrigues sugeriu que os dois empreendimentos sejam questionados a apresentar planos gestores de riscos radiológicos, e que, caso não tenham feito ainda é “um absurdo”. 


É fundamental, segundo eles, que sejam apresentados estudos complementares sobre a existência de materiais radioativos como urânio e tório nos locais onde se pretende realizar escavações na obtenção das terras raras. A exploração de terras raras, observaram, tem que passar pela esfera federal.  E mais,  é preciso muita atenção, alertaram, que a região evolve importante aquífero.  “O Brasil não dá atenção às suas águas subterrâneas”, observou Rodrigues.  Segundo a literatura disponível, o principal manancial subterrâneo da região é o Aquífero Alcalino de Poços de Caldas, um sistema associado à estrutura geológica da caldeira vulcânica local que desempenha um papel central no abastecimento hídrico e no complexo hidromineral regional. 

A deputada afirmou que as empresas apresentaram estudos ambientais produzidos por “consultorias envolvidas em escândalos de corrupção”. Á representante do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Tássia Arraes, Duda disse que o MCTI está trabalhando para beneficiar as mineradoras, em vez de proteger os moradores das regiões que serão afetadas. 

A deputada federal Célia Xakriabá, a primeira eleita por Minas Gerais, filiada ao PSOL e doutora em antropologia, combateu taxativamente a presença das duas empresas na região. Para Xakriabá e outros participantes os licenciamentos estão sendo feitos “a toque de caixa”. E mais “são modelos predatórios de mineração que adoecem os nossos territórios”, afirmou Duda. 

VIRIDIS E METEORIC - 

A Viridis afirmou, via assessoria de imprensa, que não vai se manifestar sobre a possibilidade de pedido de moratória, pois não recebeu nada sobre o assunto. O blog perguntou em que fase está o processo de licenciamento ambiental?O processo de licenciamento ambiental do Projeto Colossus está em andamento.”, com Licença Prévia aprovada por unanimidade. Em maio deste ano, “a empresa protocolou o pedido de Licença de Instalação, apresentando os estudos e documentos exigidos”. 

Quando a Viridis iniciará a extração das terras raras em MG? Qual a estratégia para iniciar o trabalho? Quais as medidas para evitar transtornos à população? perguntou o blog.A mineração e a produção de terras raras só terão início após a obtenção de todas as licenças ambientais e autorizações dos órgãos competentes. A previsão é que as operações comecem em 2028, seguindo todos os programas ambientais e medidas mitigadoras, como controle da qualidade da água e do ar, além da continuidade das iniciativas de diálogo”, informou a empresa. 

Outra pergunta do Blog, foi quando a Viridis começou a atuar em MG e o valor do investido. “A Viridis iniciou sua atuação em Poços de Caldas em 2023 e, em fevereiro de 2024, assinou protocolo de intenções com o Governo de Minas Gerais. Desde então, já investiu mais de R$ 200 milhões no projeto. A empresa está em fase de pesquisa mineral e, até o momento, não realizou nenhuma obra de instalação. A expectativa é que as obras tenham início após a concessão da Licença de Instalação pelo órgão ambiental”. 

A Meteoric enviou uma nota com informações gerais. “Atualmente, o Projeto Caldeira encontra-se na fase de licenciamento ambiental. Em dezembro de 2025, a empresa recebeu a Licença Prévia (LP), emitida pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). A licença atesta a viabilidade ambiental do empreendimento nessa etapa e estabelece condicionantes para o avanço do processo de licenciamento”, entre outras. 

O BLOG JÁ PUBLICOU ALGUMAS MATÉRIAS COM AMBAS AS EMPRESAS.  

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terça-feira, 28 de julho de 2026

TERRAS RARAS: Brasil e Alemanha juntos no projeto "Regina"

 


Rio de Janeiro, 28 de julho de 2026 - O Brasil e a Alemanha mantêm um projeto voltado para minerais estratégicos: o Regina, em torno da utilização industrial de elementos de terras raras, praticamente desconhecido dos brasileiros. A informação sobre o Regina é da geóloga Tássia Arraes, coordenadora Setorial da Secretaria de Desenvolvimento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Ela participou de seminário sobre terras raras promovido recentemente pela deputada federal Duda Salabert (PSOL), em Poços de Caldas, MG. 

As pesquisas do Regina envolvem as cadeias produtivas de terras raras encontram-se em estágio avançado no País, o que acabou estimulando o envolvimento de instituições alemãs em busca do desenvolvimento tecnológico conjunto. 


A informação é do diretor-presidente do Instituto de Pesquisas, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), engenheiro metalúrgico, Fernando José Gomes Landgraf. Em dezembro do ano passado ele participou na cidade de Berlim do workshop ‘Strategic Minerals and Innovation in Brazil’, organizado conjuntamente pela embaixada brasileira e pela Câmara de Comércio Brasil-Alemanha. “A ideia é que o Brasil possa elaborar um produto – no caso, o superímã de terras raras – com valor agregado e não simplesmente a matéria-prima mineral. “Temos possibilidade de articular nossa cadeia produtiva para ir das minas ao superímã.”, disse Landgraf, no site do IPT. 

Do projeto participam um total de 19 instituições (11 brasileiras e 9 alemãs) entre as quais três são empresas. Cerca de 70 profissionais ligados a empresas alemãs da área de tecnologias de mineração participaram do evento. Estiveram presentes: (Fichtner Water & Transportation), interessadas no uso de terras raras (Siemens e BMW) e academia (universidades de Duisburg e Técnica de Clausthal, THGA e ICTs) estiveram presentes. 


Foram apresentados trabalhos técnicos brasileiros sobre o momento das terras raras no País. Landgraf mostrou o trabalho conjunto entre o IPT e a Universidade de São Paulo (USP) intitulado ‘A implantação e a estruturação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para produção de superímãs de terras raras’; Marcos Flavio Campos, da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresentou ‘As reservas e a pesquisa brasileira em terras raras’, e Paulo Wendhausen, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), discorreu sobre ‘O projeto Brasil-Alemanha de Tecnologia de Terras Raras – projeto REGINA’ (de Rare Earth Global Industry and New Application). 

ESTADO DE GOIÁS - 

André Carlos Silva, da Universidade Federal de Goiás (UFG), tratou de projetos de terras raras no estado de Goiás e Eduardo Soriano, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, mostrou a estratégia brasileira de ciência, tecnologia e inovação em terras raras. Lá, o então governador Ronaldo Caiado passou para os Estados Unidos a mineradora Serra Verde, a maior e única no Brasil que opera com terras raras, fazendo a separação dos 17 elementos. A mineradora brasileira Serra Verde foi anunciada como adquirida pela empresa norte-americana USA Rare Earth em 20 de abril de 2026. 

BOLHA DE PREÇOS – 

Na avaliação de Landgraf, o crescimento da parceria entre os dois países prende-se ao fato de as empresas alemãs serem grandes consumidoras de terras raras, muito utilizadas na fabricação de geradores eólicos e carros elétricos, por exemplo, e o Brasil como potencial fornecedor de superímãs. “Hoje o mercado mundial de terras raras é dominado pela China; decorrente dessa dependência, uma ‘bolha’ de preços ocorreu em 2011, o que gerou insegurança quanto à oferta do mineral no mercado internacional. O fenômeno repetiu-se em 2017. O preço do neodímio metálico aumentou cinco vezes entre janeiro e setembro deste ano, retornando em novembro ao patamar de janeiro, quando o quilo custava cerca de US$ 40.”

Para ele, há duas causas possíveis para a ‘bolha’ especulativa de preços deste ano: a primeira, embutida no anúncio do governo chinês de que sua legislação ambiental reduziria o número de empresas fornecedoras de terras raras para o mercado internacional; a segunda pode ter sido reflexo do estabelecimento de uma data-limite para o fim da produção de motores a combustão interna na Europa, com o consequente aumento na demanda por superímãs de terras raras para a motorização dos carros elétricos. Sobre a união de esforços entre o IPT e a Escola Politécnica da USP, Landgraf explicou que as duas instituições estão trabalhando no desenvolvimento tecnológico para a elaboração e a solidificação controlada da liga de neodímio-ferro-boro usada na fabricação dos superímãs.

Landgraf disse que via crescer a possibilidade de sucesso desta iniciativa diante do avanço de outro projeto, iniciado em agosto deste ano e também com foco no desenvolvimento dos superímãs de terras raras, que envolve sete instituições de pesquisa brasileiras e sete alemãs. “No Brasil a coordenação é da UFSC e, na Alemanha, do Instituto Fraunhofer IWKS, neste esforço importante que coloca em foco a internacionalização da pesquisa tecnológica brasileira”, conclui ele. 

No dia 13 de janeiro deste ano, Landgraf concedeu entrevista ao jornalista Luiz Nassif, sobre a questão das terras raras que fervilhava no País, mas não mencionou a parceria do Brasil com a Alemanha. Lembrou que existiam três empresas interessadas em operar com as terras raras, como as australianas a Viridis e  Meteoric, em Minas Gerais, que uma terceira norte-americana, chamada Clara, teria desistido. Entre um comentário e outro, ele fez questão de enfatizar a importância de que se faça estudos sobre os impactos das operações no meio ambiente. 

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segunda-feira, 27 de julho de 2026

TERRAS RARAS: mineração pode gerar "refugiados ambientais"; das plantações de morangos ao medo da contaminação da paulista Águas da Prata

 


Rio de Janeiro, 27 de julho de 2026 - Exclusivo - As lembranças das plantações de morangos da família, no bairro da Cascata, em Águas da Prata-, Estância Hidromineral, SP -, esbarram-se hoje nos temores das ações de mineradoras em municípios vizinhos, de olhos nas terras raras, que poderão levá-los também a deixar a cidade na pele de “refugiados ambientais”. No limite da mineira Poços de Caldas, a paulista Águas da Prata reúne moradores que se tornaram guardiões do território enfrentando, em audiências públicas, o Projeto Colossus de Mineração de Terras Raras, da empresa australiana Viridis Mining and Minerals. É o caso de Alexandre Schippnick, graduado em Biologia, no Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos (UNIFEOB), mestre em Agroecologia e Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal de São Carlos, no Centro de Ciências Agrárias, que desde 2008, trabalha como educador, oficineiro, consultor e técnico de campo em projetos de Agroecologia e Agrofloresta. 


Alexandre contou ao Blog que as preocupações se acentuaram no dia 17 de maio de 2025 quando ele e vários ambientalistas da cidade participaram da audiência pública do Projeto Colossus e souberam do processo, que já estava avançado, de pedido de Licença Ambiental da empresa para minerar no município de Poços de Caldas. Logo após a audiência, eles se organizaram para entender a situação dos pedidos de licenciamento e os riscos ambientais a que a região e os municípios limítrofes estavam sujeitos. Em parceria com o poder público, os guardiões da sociedade civil, se articulavam com grupos de estudo, de whatsapp, organizando reuniões com lideranças da região, participando de audiências públicas para construção do Plano Diretor Municipal. 

VAGALUMES ILUMINAVAM AS NOITES - 

Uma infância feliz, cercada pela natureza, não é à toa que Alexandre está preocupado com as cavas que as mineradoras devem fazer em Poços de Caldas, atingindo as águas de sua cidade. “Na fase de criança, passei morando numa casa, no bairro Moneda, muito próxima de uma fazenda e de uma plantação de café, brincando nas ruas e entre os pés de café. A região toda, entre as montanhas da Serra da Mantiqueira, era repleta de vida, com as noites sendo iluminadas por revoadas de vagalumes, às margens do córrego que passa no bairro com dezenas de sapos fazendo uma sinfonia e as aleluias revoando em volta dos postes de luz. Minha adolescência, passei fazendo trilhas a pé ou de bicicleta para as várias cachoeiras que correm nos vales das Serras de Águas da Prata”. 

A vida profissional é rica de experiências junto a natureza. “Já trabalhei em projetos em assentamentos rurais do MST e agricultores familiares nas regiões de Ribeirão Preto, Itapeva, Andradina, Botucatu, Águas da Prata, todos no Estado de SP. Morei 10 anos em Botucatu e em 2023, voltei a morar em Águas da Prata buscando mais uma vez o refúgio que essa cidade tranquila, cheia de florestas e cachoeiras. Hoje, em casa, cultiva um jardim Agroecológico e Agroflorestal com plantas medicinais, hortaliças, e flores apícolas/meliponícolas e plantas ornamentais. Construiu também um viveiro de plantas para cuidar das mudas que utilizo em projetos sócioambientais em que trabalho, além de ter feito parte do Coletivo Sussuarana. 

Alexandre também integra o Coletivo Embaúba, em ambos desenvolvendo trabalhos de Educação Ambiental e plantio agroflorestal e convencional de árvores nativas. Atuo também na ONG Guará e no Conselho de Meio Ambiente de Águas da Prata (COMADs). 

IMPACTOS DEVASTADORES - 

Hoje disse, a luta está fortalecida para proteger as águas e florestas, pois a cidade depende diretamente ou indiretamente da água, e a sua qualidade depende da proteção dos solos, florestas, rios e nascentes, comentou.

“Já está mais do que claro que os projetos de mineração de terras raras Projeto Colossus, da empresa Viridis; e o Projeto Caldeira, e de outra empresa australiana, a Meteoric Resources, ameaçam causar impactos sem precedentes: impactos ambientais no solo, água, ar, ecossistemas naturais; impactos sócioeconômicos na economia dos municípios que vivem de ecoturismo ligado a florestas e água e que tem empresas que tem sua economia fundamentada na extração de água; impactos sócioculturais em comunidades tradicionais, comunidades indígenas e agricultores que tem sua vida intrinsecamente relacionada com a natureza e a ambientes rurais/periurbanos; impactos devastadores em projetos culturais que estão intimamente ligados às belezas naturais, cênicas, ao ecoturismo, as montanhas, trilhas e cachoeiras, projetos estes como o Caminho da Fé e a Associação Vereda Cultural, ambos em Águas da Prata”. 

REFUGIADOS AMBIENTAIS 

Para o biólogo, a destruição que a mineração de terras raras pode causar, com a ameaça de degradar ecossistemas e contaminar a água é profunda e pode acabar com as bases que sustentam territórios, municípios, ecossistemas naturais, comunidades, vidas. 

“A população de Águas da Prata construiu suas vidas, famílias, empresas e identidade cultural fundamentada nestas bases essenciais e destruir isso pode fazer com que a população tenha que deixar a cidade, transformando a população em refugiados ambientais”, comentou. Alexandre fala com conhecimento de causa, pois conhece a fundo a cidade. Ele nasceu em São/Paulo, capital no ano de 1983, onde viveu até os sete anos. A família mudou-se para Águas da Prata/SP buscando uma melhor qualidade de vida. 

“Minha família já tinha casa em sítio em Águas da Prata e frequentavam a cidade há anos a passeio”. A mãe, funcionária pública e pai, formado em administração. O pai se radicou em uma propriedade no bairro da Cascata, em Águas da Prata, cultivando hortas e morangos. “Meu pai também ajudava bastante a comunidade do bairro da Cascata, o qual é um bairro com uma população em situação de vulnerabilidade social, a mãe costumava caminhar até o Bosque Estadual de Águas da Prata, importante remanescente de Mata Atlântica que abriga nascentes de uma das melhores águas do país e as águas mais radioativas das Américas. Águas estas que são medicinais, ajudaram a tratar problemas de saúde de minha mãe e trouxeram fama a Estância Hidromineral de Águas da Prata”, contou 

Alexandre, que participa de projetos ambientais de preservação da natureza, com plantios e oficinas. A bióloga Mariana Montagner, bacharel e licenciada em Ciências Biológicas pela pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo – USP, também faz parte dos guardiões de Águas da Prata, em defesa da cidade. 

Mariana está nas fotos do plantio de mudas nativas realizado na Praça em frente ao Parque Estadual de Águas da Prata, em parceria com o Coletivo Sussuarana de Agroecologia, ONG Planeta Plantar, e a Prefeitura local, entre outros. Ela lembrou que a região é reconhecida internacionalmente pela UNESCO como Reserva da Biosfera, dada as suas especificidades botânica, faunística e  e geológica. "Águas da Prata é uma Estância Hidromineral, e toda a Caldeira produz água para milhões de pessoas. Daqui há nascentes que abastecem as Bacias do Rio Pardo, Rio Grande e Mogi Guaçu. Essas águas sustentam a população dos municípios banhados por essas bacias hidrográficas, indústrias, empresas agropecuárias e florestas".  Por isso, destacou Mariana, "não há argumentos plausíveis que possam justificar a contaminação e destruição de nossa região por mineração de terras raras".    

GUARDIÃ NA CÂMARA   


Moradora de Águas da Prata, a vereadora Lucinda de Almeida Noronha, (PT), também está no front dos guardiões para impedir prejuízos ao município. Ela disse ao Blog que está trabalhando pela defesa da cidade, na pauta da mineração de terras raras. 

“Quando surgiram as primeiras informações sobre os projetos de mineração de terras raras na região da Caldeira de Poços de Caldas, compreendi que o debate extrapolava a atividade minerária. Para Águas da Prata, tratava-se de discutir a proteção da água, da saúde, do patrimônio natural, do turismo e da própria identidade de uma Estância Hidromineral”, disse. E fez questão de esclarecer: “Antes de assumir qualquer posicionamento, optei por estudar o tema e buscar informações junto a pesquisadores e órgãos públicos, entre eles o IBAMA, a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Ministério de Minas e Energia, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério Público Federal”. 

SOBERANIA NACIONAL 

Em Brasília, informou que esteve com a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, acompanhada do ambientalista Daniel Tigre e da deputada estadual mineira Bela Gonçalves. “A principal orientação recebida foi fortalecer o conhecimento sobre o território e construir instrumentos permanentes de proteção ambiental, independentemente da existência de um empreendimento específico. Entre as sugestões apresentadas pela ministra estava a aproximação com a UNESCO, como forma de valorizar e fortalecer o reconhecimento do patrimônio natural da nossa região”. 

Na mesma agenda, acrescentou, reunião também com o ministro Guilherme Boulos. 

“Apresentamos a preocupação com o avanço dos projetos minerários na divisa entre Minas Gerais e São Paulo e defendemos que a discussão sobre a soberania nacional em torno das terras raras deveria partir da escuta dos territórios diretamente afetados. O ministro comprometeu-se a levar essa preocupação ao Governo Federal”. 

RADIOATIVIDADE - 

Ao lado do prefeito Carlos Henrique Fortes Dezena, do presidente da Câmara Rafael Dezena de Freitas, do vereador José Sebastião Chiodetto da Silva e do secretário municipal de Meio Ambiente, Marcos Santos, Lucinda disse que participou de audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, conduzida pelas deputadas Bela Gonçalves e Beatriz Cerqueira. 

“Na ocasião, apresentamos aos órgãos federais presentes uma série de questionamentos sobre o processo de licenciamento ambiental, especialmente quanto à suficiência dos estudos constantes no EIA-RIMA, aos riscos relacionados à radioatividade, aos impactos sobre os recursos hídricos, à ausência de parâmetros internacionalmente consolidados para esse tipo de empreendimento e à necessidade de aplicação do princípio da precaução”. 

Em busca de maiores informações sobre a questão da mineração e seus prováveis potenciais efeitos prejudiciais à cidade, Lucinda solicitou orientação técnica junto à Fundação SOS Mata Atlântica, com os mesmos parlamentares, para discutir estratégias de proteção de um território inserido nos biomas Mata Atlântica e Cerrado. “A partir das orientações recebidas em Brasília, iniciamos as aproximações com a UNESCO e, paralelamente, construímos uma cooperação técnica com pesquisadores da Unicamp. Essa parceria começou com uma reunião entre pesquisadores e representantes do Município de Águas da Prata e vem reunindo profissionais de diversas áreas do conhecimento para desenvolver estudos ambientais, hidrológicos, geológicos, jurídicos e socioeconômicos sobre o território. A expectativa é que esse trabalho também conte com a participação da Associação Brasileira de Avaliação de Impacto (ABAI), ampliando a rede de especialistas envolvidos”. 

ANDRADAS NA ESCUTA - 

Os guardiões estão atentos e buscam outras forças para ampliar a proteção dos territórios. Lucina participou da Assembleia Popular realizada em Andradas, município mineiro, e de outras reuniões regionais sobre o tema, “sempre defendendo que decisões dessa magnitude sejam tomadas com base em evidências científicas, transparência e ampla participação das comunidades potencialmente afetadas” Apresentou propostas voltadas ao fortalecimento da proteção ambiental do município, entre elas alterações na Lei Orgânica relacionadas à proteção dos recursos hídricos e a defesa da elaboração de um Zoneamento Ambiental como instrumento permanente de planejamento territorial. Desse processo, disse ela, nasceu o programa “Águas da Prata – Território da Água e da Vida”, bem como a elaboração de um dossiê técnico reunindo informações históricas, ambientais, culturais, econômicas e institucionais do município, com o objetivo de subsidiar pesquisadores, órgãos públicos e autoridades. Anunciou o apoio do deputado federal Paulo Teixeira, e destacou:

 “A minha atuação nunca foi pautada por uma oposição genérica à mineração. Tenho consciência da importância estratégica das terras raras para o desenvolvimento tecnológico e para a transição energética. O que defendo é que decisões dessa natureza sejam tomadas com responsabilidade, base científica, transparência e participação social, respeitando a vocação de cada território. No caso de Águas da Prata, essa vocação está diretamente ligada à água. Somos uma Estância Hidromineral, e nossa economia, nossa identidade e nossa qualidade de vida dependem da preservação dos recursos hídricos e do patrimônio natural. É essa convicção que tem orientado toda a minha atuação”. 

PROJETO CALDEIRA - 

O Projeto Caldeira é composto por 69 licenças (com uma área total de 193 km2) localizadas na região sudoeste do Estado de Minas Gerais, perto da cidade de Poços de Caldas, segundo o site da empresa. A Caldeira possui uma Estimativa de Recursos Minerais de grande dimensão e de elevado grau, com caraterísticas que permitem a extração seletiva de áreas de grau ultra elevado para gerar retornos económicos atrativos ao longo do ciclo de preços das mercadorias. “O projeto também tem credenciais de sustentabilidade superiores devido à sua baixa intensidade energética e à não necessidade de uma instalação de armazenamento de rejeitos”. 


ZEMA FECHOU ACORDO COM A VIRIDIS - 

No dia 29 de fevereiro de 2024, o então governador Romeu Zema fechou acordo com a australiana Viridis, ao chegar em Poços de Caldas de helicóptero. “O foco da visita’ foi a assinatura de um protocolo de investimentos com a Viridis Mineração e Minerais, uma proeminente empresa australiana que escolheu a cidade mineira para implantar o novo projeto. 

O governador foi recebido pelo prefeito, Sérgio Azevedo e demais autoridades, que discutem demandas da cidade. As informações estão no site da Prefeitura deda cidade. A assinatura acontece no Palace Casino e sela o compromisso da Viridis com o estado de Minas Gerais, mediante um investimento da ordem de R$ 1,35 bilhão destinado ao beneficiamento e tratamento de elementos de terras raras. “A iniciativa não só promete consolidar a posição de Minas Gerais como um hub de mineração e tecnologia de ponta, mas também trará benefícios diretos à população local, com a criação de aproximadamente 120 empregos permanentes”. A instalação de empresas australianas, envolvendo importantes polêmicas, não mereceria maior reflexão? Acompanhe outras reportagens no Blog.  

(FOTOS – PROJETOS DE ÁGUAS DA PRATA – PESSOAIS – PREFEITURA DE POÇOS DE CALDAS) – COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – contato – malheiros.tania@gmail.com   

sexta-feira, 24 de julho de 2026

BNDES e IBP firmam parceria para fortalecer inovação no setor de energia e apoiar startups

 

Cooperação com o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis proporciona intercâmbio de conhecimento e busca por soluções voltadas à transição energética e descarbonização. Rio de Janeiro,


24 de julho de 2026 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio de sua subsidiária integral, a BNDES Participações S.A. (BNDESPAR), e o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) celebraram acordo de cooperação técnica com o objetivo de fortalecer o ecossistema de inovação no Brasil, promovendo conexões estratégicas entre startups, empresas e especialistas do setor de energia. 

A iniciativa está inserida na estratégia de ampliação da frente de parcerias do programa BNDES Garagem e tem como foco fomentar o intercâmbio de conhecimento, incentivar agendas estratégicas de inovação e identificar oportunidades de colaboração em temas prioritários, como transição energética e descarbonização. A cooperação permitirá aproximar startups apoiadas pelo BNDES Garagem de demandas concretas da indústria de petróleo, gás e biocombustíveis, criando oportunidades de validação de soluções, acesso a especialistas e interação com potenciais clientes. 

De forma complementar, empresas do setor energético poderão acessar soluções inovadoras, novas tecnologias e modelos de negócio desenvolvidos pelas startups, contribuindo para processos de transformação digital, eficiência operacional e transição energética. O acordo terá vigência inicial de 24 meses, podendo ser prorrogado por até 60 meses, e não envolve transferência de recursos financeiros entre as instituições, sendo baseado em cooperação institucional e desenvolvimento conjunto de iniciativas. 

“O acordo cria condições para maior interação entre startups e agentes do setor de energia, contribuindo para o desenvolvimento de soluções alinhadas aos desafios tecnológicos e ambientais do país”, destaca o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Para o IBP, a iniciativa reforça o papel do instituto como elo entre empresas, governo e sociedade, promovendo soluções inovadoras para desafios reais do setor energético. O instituto, que reúne mais de 200 empresas associadas e coordena o hub de inovação iUP, tem atuação relevante em pautas como transição energética, hidrogênio de baixo carbono e captura de carbono. "A parceria está alinhada com o papel do Instituto de conectar empresas, startups, centros de pesquisa e investidores para acelerar o desenvolvimento tecnológico, fortalecer a competitividade do setor e apoiar a transição energética", explica Roberto Ardenghy, presidente do IBP. 

AGENDA DE INOVAÇÃO – 

O BNDES Garagem é o programa de aceleração de startups de impacto do Sistema BNDES, lançado em 2018, que atua como plataforma de apoio ao empreendedorismo inovador, oferecendo mentorias, capacitação e conexão com investidores. Na atual edição, o programa prioriza soluções voltadas a desafios socioambientais, tendo como algumas das temáticas prioritárias economia verde e descarbonização e economia azul. O BNDES Garagem também conta com mecanismos que fomentam a diversidade regional e social, incentivando a participação de empreendedores diversos de todo o país. A atuação por meio de uma rede parcerias permite maior coordenação entre as iniciativas de inovação. 

(FOTO – GETTY IMAGENS) – FONTE – BNDES -   – COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – CONTATO: malheiros.tania@gmail.com

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Ibama embarga empresa sem licença ambiental operando com terras raras, urânio e tório, para exportação ao Canadá e Hong Kong

 


Ibama embarga empresa que funcionava sem licencia ambiental, passando por cima das leis federais, exportando materiais estratégicos como monazitas, visando à obtenção de terras raras, urânio e tório, ambos radioativos, para o Canadá e Hong Kong. Leia no BLOG, que já denunciou diversas vezes as irregularidades, inclusive com trabalhadores doentes. Mas em sua página fixou o lema: "Escavando juntos o caminho para o futuro do Brasil". 


RIO DE JANEIRO, 22 DE JULHO DE 2026 - Uma operação de fiscalização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) no município de São Francisco de Itabapoana, no norte do estado do Rio de Janeiro, resultou no embargo das atividades da empresa ADL Mining, responsável pela exploração e pelo beneficiamento de minerais pesados em área anteriormente operada pela Indústrias Nucleares do Brasil S.A. (INB). O objetivo da ação, ocorrida na quarta-feira passada (15/7), divulgada hoje (22/7) foi verificar a regularidade ambiental das atividades desenvolvidas pela empresa, que passou a operar no local em 2024 por meio de contrato de cessão onerosa firmado com a INB, na gestão de Adauto Seixas, no valor aproximado de R$ 70 milhões. 

Durante a fiscalização, o Ibama constatou que a empresa realizava atividades de extração mineral e operava uma planta de beneficiamento sem o devido licenciamento ambiental. A licença ambiental originalmente concedida pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEARJ) à INB encontrava-se vencida desde 2015. Embora tenha havido tentativa de renovação e de transferência da licença para a ADL Mining, o pedido foi indeferido pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), uma vez que a legislação ambiental não permite a transferência desse tipo de licença para outra pessoa jurídica. Apesar disso, as operações foram iniciadas e incluíam, inclusive, a preparação e a exportação de minérios para Canadá e Hong Kong.  



Além da ausência de licença válida, a fiscalização verificou que a atividade envolvia a exploração de monazita, mineral que contém naturalmente elementos radioativos, como tório e urânio. Nesses casos, o licenciamento ambiental é de competência federal, em razão dos potenciais impactos ambientais e dos riscos inerentes ao manejo desse tipo de recurso mineral.  

Diante das irregularidades constatadas, o Ibama determinou o embargo de toda a área de exploração, correspondente a 20,6 hectares, com suspensão das atividades. Também foram lavrados autos de infração que totalizam R$ 7,5 milhões, por exploração mineral sem licença ambiental e pelo funcionamento irregular da planta de beneficiamento. 

Irregularidade junto ao Cadastro Técnico Federal   - 

A fiscalização constatou ainda que a ADL Mining não possui inscrição no Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental (CTF/AIDA) do Ibama. O cadastro é obrigatório para pessoas jurídicas responsáveis pela elaboração de estudos, laudos, projetos e demais instrumentos técnicos relacionados a atividades potencialmente poluidoras ou utilizadoras de recursos ambientais, constituindo importante ferramenta de controle ambiental. 

Durante a operação, foram apreendidas 419 toneladas de minério prontas para exportação, sendo 160 de ilmenita e 259 de monazita, que constitui uma das principais fontes de obtenção dos chamados elementos terras raras, insumos estratégicos para diversos setores de alta tecnologia. Esses elementos são empregados na fabricação de equipamentos eletrônicos, smartphones, baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos, sistemas de defesa e outras tecnologias consideradas essenciais para a transição energética e para a indústria de alta complexidade.  

O Brasil possui importantes reservas de monazita e ocupa posição estratégica na cadeia global de fornecimento desses minerais. Entretanto, por conter naturalmente elementos radioativos, como tório e urânio, sua exploração e beneficiamento demandam controle ambiental rigoroso e fiscalização permanente dos órgãos competentes. 

ÓRGÂOS NÃO SABAIAM?  

Segundo o Ibama, em razão da gravidade das irregularidades identificadas e dos potenciais impactos ambientais e ocupacionais associados à atividade, o Instituto comunicará os fatos a outros órgãos competentes para adoção das providências cabíveis. 

O Ibama informou que serão notificados a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), a Agência Nacional de Mineração (ANM), a Receita Federal do Brasil e o Ministério Público do Trabalho (MPT). Os órgãos de fiscalização não sabiam? A atuação integrada, acrescenta o Ibama, “permitirá a apuração das responsabilidades nas esferas ambiental, minerária, radiológica, tributária e trabalhista, assegurando a proteção do meio ambiente, da população e dos trabalhadores envolvidos”. 

Antes tarde do que nunca. O Brasil é o maior perdedor. 

DENÚNCIAS - 

As denúncias do Blog foram amplamente divulgadas.  Casos de funcionários doentes com AVC, depressão e falecimentos, ameaça de falta de água, agravada por cerca de três quilômetros de tubulação perdidos, a falta de informações sobre o destino de equipamentos fora de uso, são alguns dos problemas envolvendo a desativação de uma unidade que operava com material radioativo (UDB), da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Buena. A INB não retornou os contatos sobre a matéria publicada no dia 15/5/2024. A Prefeitura, fez o mesmo, mas postou em sua página, no dia 19, a informação sobre a tubulação, que “não poderá ser aproveitada, sendo necessária a troca dos equipamentos”. 

INTERRUPÇÃO DE ÁGUA - 

CENÁRIO DE ABANDONO/SUCATA - 

Depois de a notícia sobre a falta de água aqui divulgada, a Prefeitura informou que estava atuando junto a Águas do Rio para “resguardar os direitos da população e impedir a interrupção dos serviços’, que segundo o próprio órgão, há 35 anos de responsabilidade da INB. A Prefeitura também confirmou que a interrupção do fornecimento de água está prevista para julho daquele ano, conforme a reportagem na época. 

O cenário de abandono na unidade da INB em Buena poderia ser visto em fotos exclusivas do BLOG. Na época, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) ciente de tudo - informou que possui “regulamentos específicos para nortear o descomissionamento de instalações nucleares, radioativas e minero-industriais”. A atuação da CNEN, conforme informou a Comissão, “abrange requisitos tais como “descontaminação de área gerenciamento de resíduos e rejeitos radioativos e monitoramento ambiental, bem como procedimentos para garantir a proteção radiológica dos trabalhadores e da população circunvizinha”. 

Mas para onde iriam os equipamentos e demais as sucatas de Buena? “A destinação dos materiais radioativos presentes na instalação deve ser indicada pelo operador (INB), cabendo à CNEN avaliar a conformidade com as normas aplicáveis e, caso necessário, estabelecer exigências relacionadas ao armazenamento seguro do transporte dos mesmos”, afirmou a CNEN.  Portanto, acrescentou a Comissão, o operador – INB-, “deve submeter relatórios específicos detalhando as etapas envolvidas e procedimentos a serem executados, para garantir que todas as medidas de segurança estejam sendo tomadas e que os materiais radioativos estejam sendo manuseados e transportados de acordo com as normais aplicáveis”. Afinal, está ou não? 

SINDIMINA-RJ CONTESTOU INB - 

Se a INB opera no local há décadas, por quais razões o encerramento das atividades acarreta tantos transtornos, como a ameaça de falta de água, a falta de informação sobre o desmonte e destino de equipamentos e aos graves problemas de saúde aos funcionários, que durante anos dedicaram a sua força de trabalho à instalação? Há exames de rotina? A saúde dos trabalhadores teve acompanhamento durante tantos anos? A INB não respondeu. Contatado pela reportagem, a direção do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Prospecção, Pesquisa e Extração de Minérios Estado do Rio de Janeiro (Sindimina-RJ), declarou que “não compactua com as atitudes impostas pelos atuais gestores da INB, principalmente no que se refere a transferência de empregados sem que eles tenham algum benefício”, em contrapartida, por exemplo. 

A direção do Sindimina admitiu que, mesmo sem relacionar os casos de doenças e mortes ao problema, pesou a forma de pressão feita pelos gestores, problemas relatados em reuniões. Sem chance de escolha, empregados de Buena foram transferidos para Caetité, na Bahia, a 1.200 Km de distância, enquanto há outras unidades da empresa em Rezende (RJ), Caldas (MG) e na sede, no Rio. Dos 320 funcionários do passado, restam apenas 39 naquela época. 

Em 15 de maio de 2023 – ACORDO SIGILOSO - 

Pela primeira vez, informações confidenciais guardadas a sete chaves sobre a unidade que durante décadas extraiu e guardou material radioativo, em Buena, puderam ser reveladas a partir de Acordo de Confiabilidade firmado entre a empresa interessada e a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), proprietária da instalação.  A empresa que assinasse o acordo sigiloso para a cessão de uso da Unidade de Descomissionamento de Buena (UDB) -identidade oficial -, teria que manter o mais absoluto sigilo sobre a instalação. A quebra do dever de confidencialidade obrigaria a empresa a pagar a INB indenização de valor mínimo de R$ 11 milhões. Se o negócio não for fechado, a empresa terá que destruir todos os documentos que contenham ou reflitam as informações confidenciais. Este foi o começo da história daria da cessão? Fontes consultadas pelo BLOG comentaram que a INB devia ter mesmo muitas informações secretas sobre Buena. 

Desde a década de 50, pelo menos, toneladas de areias monazitas, (ricas em urânio e tório), foram subtraídas das praias do Espirito Santo, Bahia e Buena e transportadas para serem processadas na Orquima, no Brooklin paulista, sucedida pela Nuclemon; depois, INB, nas quais centenas de operários se contaminaram, adoeceram e morreram vítimas de radiação. Em 2006, os sobreviventes se uniram a formaram a Associação dos Trabalhadores da Produção Nuclear (ANTPEN) para lutar por seus direitos, até hoje não reconhecidos pela Justiça.  

CONTRATO CONFIDENCIAL - 

Na cláusula primeira, a INB informava que o objetivo do Acordo de Confiabilidade é “disciplinar as condições para a revelação de informações confidenciais e definir as regras relativas ao seu uso e proteção”. Na segunda, explicava que confidenciais significa “toda e qualquer informação, documento, correspondência, respostas e questionamentos ou quais outros que sejam prestadas, não se limitando a informações técnicas, financeiras, operacionais, econômicas, jurídicas, comerciais de marketing, engenharia, por exemplo. Na quarta, deixa bem claro que tudo deve ser “mantendo sempre estrito sigilo acerca das informações”. Na terceira clausula, sobre as limitações da confidencialidade consta no item 3.1: “As estipulações e obrigações constantes deste acordo não serão aplicadas à informação que seja de domínio público no momento da revelação ou após a revelação; já esteja em poder da parte receptora no momento de assinatura do acordo como resultado de sua própria pesquisa; seja revelada em razão de norma legal, ordem judicial ou por determinação de autoridade competente por meio de questionamento oral, interrogatório, requisição de informações, citações, investigações ou outra forma, somente até a extensão necessária ao seu cumprimento, , devendo a parte receptora notificar, o quanto antes” a INB. No edital da INB, de 2023, consta que as visitas técnicas poderiam ser agendadas durante um período de aproximadamente 30 dias iniciando no dia 8 de janeiro até 8 de fevereiro de 2024. O aviso para a cessão permaneceu no site da empresa. Estava assim nas mãos da mineradora ADL após assinatura de contrato de cessão de direito de uso com a INB. O contrato tem 30 anos de duração. Em maio daquele ano, a INB divulgou em seu site a decisão de firmar Acordo de Confiabilidade com empresa que estivesse interessada no negócio com a unidade que atua na comercialização de minerais como ilmenita, zirconita, rutilo e monazita.  

DEPRESSÃO E FALECIMENTOS - 

Em maio de 2023, o BLOG, divulgou reportagem sobre casos de funcionários da UDB doentes com AVC, depressão e falecimentos, ameaça de falta de água, agravada por cerca de três quilômetros de tubulação perdidos, a falta de informações sobre o destino de equipamentos fora de uso, alguns dos problemas envolvendo a desativação da unidade. 

O BLOG publicou fotos exclusivas na ocasião mostrando o cenário de abandono da instalação. Contatada na época, a direção do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Prospecção, Pesquisa e Extração de Minérios Estado do Rio de Janeiro (Sindimina-RJ), declarou que “não compactuava com atitudes da INB, pois sem chances de escolha, empregados de Buena foram transferidos para Caetité, na Bahia, a 1.200 Km de distância, enquanto havia outras unidades da empresa em Rezende (RJ), Caldas (MG) e na sede, no Rio. Dos 320 funcionários do passado, hoje restam apenas 39, naquela época. 

Na reportagem do ano passado, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) informou que possui “regulamentos específicos para nortear o descomissionamento de instalações nucleares, radioativas e minero-industriais”. A atuação da CNEN, conforme informou a Comissão, abrange requisitos tais como “descontaminação de área gerenciamento de resíduos e rejeitos radioativos e monitoramento ambiental, bem como procedimentos para garantir a proteção radiológica dos trabalhadores e da população circunvizinha”. 

Mas para onde iriam os equipamentos e demais as sucatas de Buena? “A destinação dos materiais radioativos presentes na instalação deve ser indicada pelo operador (INB), cabendo à CNEN avaliar a conformidade com as normas aplicáveis e, caso necessário, estabelecer exigências relacionadas ao armazenamento seguro do transporte dos mesmos”, afirmou a CNEN.  Portanto, acrescentou a Comissão, o operador – INB-, “deve submeter relatórios específicos detalhando as etapas envolvidas e procedimentos a serem executados, para garantir que todas as medidas de segurança estejam sendo tomadas e que os materiais radioativos estejam sendo manuseados e transportados de acordo com as normais aplicáveis”. 

HERANÇA MALDITA - 

A herança da Orquima, sucedida pela Nuclemon, fechada em 1992, ficou sob a responsabilidade da INB.  Uma parte do material procedente de Buena também foi levado, principalmente nas décadas de 50 e 60, clandestinamente para outra unidade da INB em Caldas, Minas Gerais. Há depósitos com material radioativo da Nuclemon na Usina de Interlagos e sitio em Botuxim, em São Paulo, sem solução até hoje.  Oficialmente, em documento obtido pela reportagem, a INB avisava que estava em “processo de finalização de suas atividades de produção em Buena. De acordo com o cronograma, a previsão era de encerramento das atividades em dezembro de 2023, inclusive com a redução do quadro de empregados atuando na localidade”, informou em nota, sem mencionar o número de trabalhadores que seria dispensado. E acrescentava: “Dessa forma, a INB somente terá condições de continuar fornecendo água para os moradores do entorno da UDB, até o mês de julho de 2023”. 

ACÚMULO NO PÁTIO - 

Segundo informações oficiais, a UDB atua no processo de separação e na comercialização dos minerais pesados conhecidos como ilmenita, zirconita, rutilo e monazita, extraídos de reservas minerais formadas pela regressão do mar – paleopraia. “Como as reservas estão esgotadas, a produção da Unidade se restringe atualmente à recuperação e comercialização do minério que ficou acumulado no pátio, junto à usina de beneficiamento primário e também às várias frações de minerais que foram estocados durante os últimos anos”, admite a estatal. 

CESSÃO POR 30 ANOS - 

A Unidade de Buena, que operava com material radioativo da antiga Nuclemon, sucedida pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) , no município de São Francisco de Itabapoana, região turística da Costa Doce do Estado, está agora nas mãos da mineradora ADL após assinatura de contrato de cessão de direito de uso com a INB. O contrato tem 30 anos de duração. Em maio, a INB divulgou em seu site a decisão de firmar Acordo de Confiabilidade com empresa que estivesse interessada no negócio com a unidade que atua na comercialização de minerais como ilmenita, zirconita, rutilo e monazita.  “Escavando juntos o caminho para o futuro do Brasil”, informava a ADL em sua página. 

O BLOG TENTOU CONTATO COM A INB E  ADL. SEM RETORNO.

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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Ibama quer saber as causas de vazamento de amônia (produto altamente tóxico) em unidade de urânio da INB, revelado pelo Blog

 


O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) determinou que, em prazo de 30 dias, a estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) apresente relatório sobre as causas do vazamento de amônia (produto altamente tóxico) ocorrido no dia 21 de junho (21/6) na Unidade de Concentração de Urânio (URA), em Caetité, na Bahia, relevado pelo Blog.   O Ibama quer que a INB apresente a descrição do acidente e “as medidas adotadas para seu atendimento e demais informações técnicas necessárias à avaliação da ocorrência”. 

O Ibama informou que no dia 21/6 recebeu comunicado do Acidente Ambiental na URA, posteriormente registrado no sistema de comunicação de emergências ambientais do Instituto. Após o recebimento da comunicação, a Superintendência do Ibama na Bahia notificou a empresa, por meio do Ofício nº 571/2026/SUPES-BA, requerendo a apresentação, do “relatório circunstanciado com a descrição das causas do acidente’, entre as outras exigências. 


"FAKE NEWS"

Segundo as informações apresentadas pela INB, “o Plano de Emergência da instalação foi acionado, foram adotadas medidas de contenção e isolamento da área, o vazamento foi interrompido pela equipe técnica da empresa e, preliminarmente, não teriam sido registrados impactos ambientais além da área industrial da unidade nem pessoas atingidas pela substância”, de acordo com o Ibama. Mas o Blog apurou que nada disso foi feito pela gestão da URA, em Caetité. Ou seja, a gestão em Caetité informou “Fake News” à própria direção geral da empresa. As “Fake News” foram repassadas também a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

A CNEN confirmou ter recebido o comunicado do vazamento, e informou que cabe à INB verificar as demais denúncias formuladas pelo Blog. O Ibama também reiterou que “as informações apresentadas são de responsabilidade da empresa”, mas alertou que “estão sujeitas a análise e verificação pelos órgãos competentes que atuam no acompanhamento da ocorrência”. Dessa forma, adverte o Instituto, “caso sejam constatadas irregularidades ou impactos ambientais decorrentes, o Ibama adotará as medidas cabíveis”. 

Em situações envolvendo vazamento de substâncias perigosas, como a amônia, o Ibama realiza fiscalização ambiental, acompanhando as providências adotadas pelo empreendedor e verificando o cumprimento das medidas necessárias para prevenir ou minimizar danos ambientais. Entre elas, estão “o acionamento do plano de emergência, a contenção da fonte de vazamento, o isolamento da área afetada, o monitoramento ambiental, a avaliação dos potenciais impactos ao meio ambiente e a adoção de medidas corretivas e preventivas, além da apresentação de informações e relatórios técnicos sempre que solicitados pelo órgão ambiental”, informou o Instituto. 

(FOTO: BLOG – INB) – 

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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Barragem contaminada com urânio, em estado de emergência, é mote de duas licitações com diferenças de valores que chagam a R$ 4,5 milhões

 


A Barragem D4 da Unidade de Descomissionamento de Caldas (UDC), da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), contaminada  por urânio, é protagonista de duas licitações para a contratação de empresa visando à regressão de seu estado de nível de emergência, que apresentam valores bem diferentes de 27 de março de 2025 a 29 de abril deste ano.  O Blog perguntou a INB as razões de duas licitações para a mesma Barragem com preços que variam bastante, mas ainda não recebeu a resposta. Em 2025, a licitação apresentava valor de R4 3.718.759,62; e recentemente, passou para R$ 8.189.850,00. Uma diferença de cerca de R$ 4,5 milhões. 


A Barragem D4 sempre esteve na lista de problemas da Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que fiscaliza a UDC há anos, relacionando condicionantes em algumas áreas da instalação. A UDC faz parte do processo de extração de urânio na Mina da Cava, a primeira do Brasil, iniciada na década de 70, que provocou um rasto de contaminação radioativa na região. 

Nesta quinta-feira (02/7) uma equipe do Ibama finalizou, nesta quinta-feira (02/07), uma vistoria técnica na UDC, iniciada há uma semana (30/6).  “A atividade integra o acompanhamento da execução das condicionantes ambientais estabelecidas na Licença de Operação concedida pelo órgão”, informou a INB. 


Essa foi a terceira inspeção do Ibama desde que a UDC obteve a Licença de Operação, em janeiro de 2025, embora funcione há décadas, armazenando material radioativo em suas instalações. O grupo de trabalho do Ibama foi composto por 11 profissionais da Diretoria de Licenciamento Ambiental, envolvendo as áreas de Qualidade e Licenciamento Ambiental e equipes multidisciplinares do Ibama de Minas Gerais, São Paulo e Brasília, que percorreram diferentes pontos da unidade para verificar in loco as ações da empresa. 

NOTA DO IBAMA - 

Nesta semana, uma equipe do Ibama está realizando vistoria técnica na Unidade em Descomissionamento de Caldas, da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), no sul de Minas Gerais, com a finalidade de acompanhar as ações executadas pela empresa em atendimento às condicionantes ambientais estabelecidas na Licença de Operação nº 1709/2025. Após a conclusão da vistoria, será elaborado o respectivo relatório. 

(FOTO – BLOG – INB) – 

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