segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Terras raras: guardiãs de Poços de Caldas defendem moradores das ações de mineradoras australianas

 

Rio de Janeiro, 10 de agosto de 2026 - 


"O que a vida quer da gente é coragem". A frase do romance Grande Sertão: Veredas (1956), de João Guimarães Rosa, se encaixa como  luva para definir as corajosas moradoras do município mineiro de Poços de Caldas, que têm enfrentado diversos desafios para defender as terras que abrigam as suas casas, no bairro conhecido como Zona Sul, com 60 mil habitantes, a 300 metros de onde deverão ser abertas as cavas para a extração das cobiçadas terras raras.  As guardiãs Julia Ávila e Rose Nascimento participam de eventos e debates sobre o tema, questionam a autorização do governo sobre as ações das mineradoras, denunciam as falhas apontadas nas licenças ambientais concedidas às empresas australianas Viridis e Meteoric, atuando na região faz pelo menos dois anos. 

Aos 26 anos, autônoma, Júlia não abre mão de reiterar as ações "predatórias" que as mineradoras estão promovendo nas proximidades da Zua Sul, onde já há notícias sobre leilões de terrenos e imóveis. “Se não leiloam agora, não vendem mais, depois que as cavas começarem a ser abertas, desvalorizando tudo, dando um banho de poeira em todos os lugares”, comentou. 

Júlia já enviou solicitação de informações sobre as notícias de contaminação radioativa que a mineração poderá causar a diversos órgãos do governo municipal, estadual e federal. Em seminário recente sobre terras raras promovido pele a deputada Duda Salabert (PSOL-MG), Júlia, questionou o que poderá ocorreu a seu filho, de quatro anos, portador da Síndrome de Li-Fraumeni, doença rara e hereditária que aumenta muito o risco do desenvolvimento de vários tipos de câncer ao longo da vida, muitas vezes ainda na infância ou na juventude. A síndrome, explicou, é causada por uma alteração no gene TP53, que funciona como um protetor contra tumores. A criança não pode receber qualquer dose de radiação e necessita de cuidados especiais. 


O caso do menino será encaminhado ao Ministério da Saúde, prometeu Duda Salabert. Júlia disse ao Blog que precisa de muitas informações sobre a situação dela e de outros moradores. Por isso, enviou documento ao Ministério Público Federal do Estado de Minas Gerais afirmando ter conhecimento sobre a decisão da Justiça Federal determinando uma análise técnica conclusiva sobre os aspectos radiológicos do empreendimento. “Enquanto essas questões permanecem em avaliação, preciso de informações claras, técnicas e individualizadas para compreender os possíveis impactos sobre meu filho. Caso essas evidências não demonstrem sua segurança, adotarei as medidas cabíveis para protegê-lo”, afirmou. 

Júlia aguarda o retorno e sabe que não está sozinha na busca de informações sobre o que se pretende fazer pela segurança dos moradores da região. 


A colega de luta no bairro, Rose Nascimento, 53 anos, doméstica, também não se deixa vencer pelos contatos das mineradoras a moradores da Zona Sul. No seminário, comentou que os moradores são tratados como “terroristas”, com locais invadidos, enquanto caminhões passam por ruas repletos de sacos, provavelmente com material retirado de algumas cavas. 

Rose chorou ao reiterar que moradores estão ficando doentes; com as primeiras notícias sobre a ação das mineradoras em 2023, que aumentam desde 2025. “Buscamos informações e a garantia de que não seremos cobaias das mineradoras”, afirmou. 

(FOTOS – ARQUIVO PESSOAL E APS) – COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – CONTATO: malheiros.tania@gmail.com      

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

TERRAS RARAS - Mineração pode afetar 60 mil moradores; e até as águas do povo Krenak

 


Rio de Janeiro, 06 de agosto de 2026 - Cerca de 60 mil moradores da localidade conhecida como Zona Sul, no município mineiro de Poços de Caldas, correm o risco de terem que deixar as suas habitações, caso as mineradoras australianas Viridis e Meteoric avancem nos projetos de escavações na área já mapeada com potencial para exploração de terras raras. Moradores, parlamentares e lideranças diversas, como a Associação Poços Sustentável (APS), têm se manifestado contra o projeto apoiado pelo governo estadual e municipal, que se unem com promessas de proteção às prováveis futuras vítimas, sem dizer como. Deputada alerta sobre impactos no território Krenak. 


A Prefeitura de Poços de Caldas anunciou anteontem a criação de um comitê para acompanhar e ampliar as discussões sobre a exploração de terras raras no município. “O objetivo é garantir que todo o processo seja conduzido com transparência, responsabilidade e ampla participação da sociedade, diante da relevância que o tema ganhou nos cenários nacional e internacional”, anunciou a Prefeitura em sua página na internet. A proposta, acrescentou, é “criar um espaço permanente de diálogo para acompanhar todas as etapas relacionadas ao tema, levando informações à população e promovendo discussões técnicas sobre os possíveis impactos econômicos, ambientais e sociais. A participação dos moradores da Zona Sul, onde estão localizadas as áreas mapeadas com potencial para exploração de terras raras, será uma das prioridades”. 

TERRITÓRIO KRENAK - (Foto Greenpeace) - 


Entidades ouvidas pelo Blog denunciaram o comitê pela falta de representatividade, realizado sem a publicação de ato, sem a participação da sociedade civil, apenas das mineradoras e do governo. 

As deputadas federais Duda Salabert e Celia Xakriabá (PSOL-MG), e as estaduais Bella Gonçalvez e Beatriz Cerqueira (PT) combatem as ações do governo de Minas com uma série de requerimentos para que as licenças ambientais das mineradoras sejam canceladas, por não conterem credibilidade. 

“O modelo predatório das mineradoras adoece o território”, afirmou Duda Salabert. Célia Xakiabá alertou que até as águas dos rios do território Krenak serão afetadas. 


As parlamentares prometem avançar nas ações de combate às mineradoras. 

COMITÊ - 

O comitê do governo será composto por representantes da administração municipal e por integrantes de outros setores da sociedade, que ainda serão convidados pela Prefeitura para participar das discussões. 

A administração municipal terá representantes fixos no comitê. Integram o grupo o vice-prefeito Eduardo Zanuzzi; o secretário de Educação, Marcus Lemos; o procurador-geral do Município, Thiago Arantes; o controlador-geral, Vinicius Gadbem; o presidente da DME Poços de Caldas Participações S.A., Itamir Ricci Dalla Rosa; o secretário de Desenvolvimento Econômico, Franco Martins; o secretário de Meio Ambiente, Stefano Zincone; e o secretário de Gestão de Pessoas, Alexander Dannias. 

“Nos últimos meses, a Prefeitura tem buscado informações técnicas e institucionais para acompanhar o


assunto de forma responsável. Recentemente, o prefeito Paulo Ney esteve em Brasília, no Ministério de Minas e Energia, para conhecer o posicionamento do Governo Federal sobre o tema”, divulgou no site. O governo federal fez uma ação de escuta nos dias 24 e 25 de julho em várias regiões mineiras sobre a questão das terras raras e seus impactos na vida das pessoas, mas nada foi divulgado até o momento. 

(FOTOS – VIRIDIS - PREFEITURA DE POÇOS DE CALDAS -CÂMARA DOS DEPUTADOS - GREENPEACE) – 

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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Rússia manda urânio enriquecido ao Brasil para fabricação de combustível da usina atômica Angra 2

 


Rio de Janeiro, 05 de agosto de 2026 - A Rússia acaba de mandar cerca de 240 toneladas de urânio enriquecido (UF6) com destino à Fábrica de Combustível Nuclear FCN, em Resende, da Indústrias Nucleares do Brasil (INB). O material foi fornecido pela TENEX, empresa do grupo Rosatom. O urânio faz parte do processo de fabricação do combustível nuclear para a usina atômica Angra 2. No dia 07 de julho a INB recebeu uma carga de 390 varetas de Urânio (U-Gadolínio), fabricado pela Framatome, na Alemanha, ambos chegaram pelo Porto do Rio e com o mesmo destino. O Brasil tem contrato antigo com a Rússia para a realização do negócio. 


A produção do combustível nuclear que irá abastecer a próxima recarga da usina nuclear Angra 2 já está em andamento. “A empresa concluiu a montagem do primeiro elemento combustível, certificado após ser aprovado em todas as inspeções de qualidade previstas no processo produtivo”, informou a INB. No total, serão fabricados 52 elementos combustíveis destinados à Angra 2. A previsão é de que toda a montagem seja concluída até dezembro de 2026, com entrega do conjunto à Eletronuclear, gestora da usina, em março de 2027. 

“Diferentemente das varetas que são produzidas pela INB – preenchidas apenas com pastilhas de dióxido de urânio enriquecido (UO₂), as varetas importadas de U-Gadolínio possuem, em seu interior, algumas pastilhas produzidas com uma mistura de dióxido de urânio e óxido de gadolínio”, informou a empresa. As operações de transporte do UF6 e das varetas de U-Gadolínio foram planejadas e coordenadas pela INB e realizadas em conformidade com os planos de proteção física aprovados pelos órgãos competentes, segundo a empresa. 

As ações contaram com o apoio de instituições como o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (Sipron), a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, a Guarda Portuária do Rio de Janeiro, a Cesportos-RJ, o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Ministério da Defesa. 

RECARGA

 A recarga é uma parada programada realizada para substituir parte do combustível utilizado pelo reator e executar inspeções e manutenções nos sistemas da usina. Em Angra 2, esse procedimento ocorre, em média, a cada 14 meses. Durante a parada, aproximadamente um terço dos elementos combustíveis é substituído por novos. Os demais permanecem em operação e continuam sendo utilizados nos ciclos seguintes. Esse processo garante que a usina continue produzindo energia elétrica de forma limpa, segura e confiável. 

O hexafluoreto de urânio (UF6) é a forma gasosa do urânio utilizada na produção do combustível nuclear. Após chegar à Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), ele passa pelo processo de reconversão, transformando-se em dióxido de urânio (UO₂). Em seguida, esse material é utilizado na fabricação das pastilhas que serão inseridas nas varetas e, posteriormente, montadas nos elementos combustíveis que abastecem o reator nuclear. 

As varetas de U-Gadolínio são componentes especiais utilizados na fabricação do combustível nuclear. Elas contêm, além das pastilhas de dióxido de urânio enriquecido, algumas pastilhas misturadas ao óxido de gadolínio, um elemento químico capaz de absorver parte dos nêutrons produzidos durante a reação nuclear. Na prática, o gadolínio funciona como um regulador da reação nuclear. Nos primeiros meses de operação do combustível, ele ajuda a controlar a intensidade da reação dentro do reator, tornando seu funcionamento mais estável. Com o passar do tempo, esse efeito diminui gradualmente, permitindo que a reação continue de forma equilibrada ao longo de todo o ciclo de operação. 

(FOTO- Informações INB) 

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sexta-feira, 31 de julho de 2026

TERRAS RARAS: moratória para licenças ambientais de mineradoras australianas em MG, sugerem geólogos à Duda Salabert

 


Rio de Janeiro, 31 de julho de 2026 - As empresas australianas Viridis, em Poços de Caldas e Meteoric, em Caldas, respectivamente, em Minas Gerais, poderão ter as suas licenças ambientais canceladas, caso a Justiça aceite o pedido de moratória que deverá ser requerido nos próximos dias.  A moratória foi sugerida por geólogos do Centro de Desenvolvimento Tecnologia Nuclear (CDTN), que participaram do seminário sobre terras raras realizado pela deputada federal Duda Salabert (PSOL) que reuniu recentemente dezenas de ambientalistas contrários à exploração do mineral estratégico na região. 

Os geólogos Paulo Cesar Rodrigues e Gustavo Filemon foram enfáticos ao lembrar em suas apresentações que as duas empresas poderão causar fortes impactos ambientais nas regiões onde esperam atuar na exploração das terras raras. 

Rodrigues sugeriu que os dois empreendimentos sejam questionados a apresentar planos gestores de riscos radiológicos, e que, caso não tenham feito ainda é “um absurdo”. 


É fundamental, segundo eles, que sejam apresentados estudos complementares sobre a existência de materiais radioativos como urânio e tório nos locais onde se pretende realizar escavações na obtenção das terras raras. A exploração de terras raras, observaram, tem que passar pela esfera federal.  E mais,  é preciso muita atenção, alertaram, que a região evolve importante aquífero.  “O Brasil não dá atenção às suas águas subterrâneas”, observou Rodrigues.  Segundo a literatura disponível, o principal manancial subterrâneo da região é o Aquífero Alcalino de Poços de Caldas, um sistema associado à estrutura geológica da caldeira vulcânica local que desempenha um papel central no abastecimento hídrico e no complexo hidromineral regional. 

A deputada afirmou que as empresas apresentaram estudos ambientais produzidos por “consultorias envolvidas em escândalos de corrupção”. Á representante do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Tássia Arraes, Duda disse que o MCTI está trabalhando para beneficiar as mineradoras, em vez de proteger os moradores das regiões que serão afetadas. 

A deputada federal Célia Xakriabá, a primeira eleita por Minas Gerais, filiada ao PSOL e doutora em antropologia, combateu taxativamente a presença das duas empresas na região. Para Xakriabá e outros participantes os licenciamentos estão sendo feitos “a toque de caixa”. E mais “são modelos predatórios de mineração que adoecem os nossos territórios”, afirmou Duda. 

VIRIDIS E METEORIC - 

A Viridis afirmou, via assessoria de imprensa, que não vai se manifestar sobre a possibilidade de pedido de moratória, pois não recebeu nada sobre o assunto. O blog perguntou em que fase está o processo de licenciamento ambiental?O processo de licenciamento ambiental do Projeto Colossus está em andamento.”, com Licença Prévia aprovada por unanimidade. Em maio deste ano, “a empresa protocolou o pedido de Licença de Instalação, apresentando os estudos e documentos exigidos”. 

Quando a Viridis iniciará a extração das terras raras em MG? Qual a estratégia para iniciar o trabalho? Quais as medidas para evitar transtornos à população? perguntou o blog.A mineração e a produção de terras raras só terão início após a obtenção de todas as licenças ambientais e autorizações dos órgãos competentes. A previsão é que as operações comecem em 2028, seguindo todos os programas ambientais e medidas mitigadoras, como controle da qualidade da água e do ar, além da continuidade das iniciativas de diálogo”, informou a empresa. 

Outra pergunta do Blog, foi quando a Viridis começou a atuar em MG e o valor do investido. “A Viridis iniciou sua atuação em Poços de Caldas em 2023 e, em fevereiro de 2024, assinou protocolo de intenções com o Governo de Minas Gerais. Desde então, já investiu mais de R$ 200 milhões no projeto. A empresa está em fase de pesquisa mineral e, até o momento, não realizou nenhuma obra de instalação. A expectativa é que as obras tenham início após a concessão da Licença de Instalação pelo órgão ambiental”. 

A Meteoric enviou uma nota com informações gerais. “Atualmente, o Projeto Caldeira encontra-se na fase de licenciamento ambiental. Em dezembro de 2025, a empresa recebeu a Licença Prévia (LP), emitida pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). A licença atesta a viabilidade ambiental do empreendimento nessa etapa e estabelece condicionantes para o avanço do processo de licenciamento”, entre outras. 

O BLOG JÁ PUBLICOU ALGUMAS MATÉRIAS COM AMBAS AS EMPRESAS.  

(FOTOS- FONTES) – COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 – 99601-5849 – contato: malheiros.tania@gmail.com

 

terça-feira, 28 de julho de 2026

TERRAS RARAS: Brasil e Alemanha juntos no projeto "Regina"

 


Rio de Janeiro, 28 de julho de 2026 - O Brasil e a Alemanha mantêm um projeto voltado para minerais estratégicos: o Regina, em torno da utilização industrial de elementos de terras raras, praticamente desconhecido dos brasileiros. A informação sobre o Regina é da geóloga Tássia Arraes, coordenadora Setorial da Secretaria de Desenvolvimento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Ela participou de seminário sobre terras raras promovido recentemente pela deputada federal Duda Salabert (PSOL), em Poços de Caldas, MG. 

As pesquisas do Regina envolvem as cadeias produtivas de terras raras encontram-se em estágio avançado no País, o que acabou estimulando o envolvimento de instituições alemãs em busca do desenvolvimento tecnológico conjunto. 


A informação é do diretor-presidente do Instituto de Pesquisas, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), engenheiro metalúrgico, Fernando José Gomes Landgraf. Em dezembro do ano passado ele participou na cidade de Berlim do workshop ‘Strategic Minerals and Innovation in Brazil’, organizado conjuntamente pela embaixada brasileira e pela Câmara de Comércio Brasil-Alemanha. “A ideia é que o Brasil possa elaborar um produto – no caso, o superímã de terras raras – com valor agregado e não simplesmente a matéria-prima mineral. “Temos possibilidade de articular nossa cadeia produtiva para ir das minas ao superímã.”, disse Landgraf, no site do IPT. 

Do projeto participam um total de 19 instituições (11 brasileiras e 9 alemãs) entre as quais três são empresas. Cerca de 70 profissionais ligados a empresas alemãs da área de tecnologias de mineração participaram do evento. Estiveram presentes: (Fichtner Water & Transportation), interessadas no uso de terras raras (Siemens e BMW) e academia (universidades de Duisburg e Técnica de Clausthal, THGA e ICTs) estiveram presentes. 


Foram apresentados trabalhos técnicos brasileiros sobre o momento das terras raras no País. Landgraf mostrou o trabalho conjunto entre o IPT e a Universidade de São Paulo (USP) intitulado ‘A implantação e a estruturação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para produção de superímãs de terras raras’; Marcos Flavio Campos, da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresentou ‘As reservas e a pesquisa brasileira em terras raras’, e Paulo Wendhausen, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), discorreu sobre ‘O projeto Brasil-Alemanha de Tecnologia de Terras Raras – projeto REGINA’ (de Rare Earth Global Industry and New Application). 

ESTADO DE GOIÁS - 

André Carlos Silva, da Universidade Federal de Goiás (UFG), tratou de projetos de terras raras no estado de Goiás e Eduardo Soriano, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, mostrou a estratégia brasileira de ciência, tecnologia e inovação em terras raras. Lá, o então governador Ronaldo Caiado passou para os Estados Unidos a mineradora Serra Verde, a maior e única no Brasil que opera com terras raras, fazendo a separação dos 17 elementos. A mineradora brasileira Serra Verde foi anunciada como adquirida pela empresa norte-americana USA Rare Earth em 20 de abril de 2026. 

BOLHA DE PREÇOS – 

Na avaliação de Landgraf, o crescimento da parceria entre os dois países prende-se ao fato de as empresas alemãs serem grandes consumidoras de terras raras, muito utilizadas na fabricação de geradores eólicos e carros elétricos, por exemplo, e o Brasil como potencial fornecedor de superímãs. “Hoje o mercado mundial de terras raras é dominado pela China; decorrente dessa dependência, uma ‘bolha’ de preços ocorreu em 2011, o que gerou insegurança quanto à oferta do mineral no mercado internacional. O fenômeno repetiu-se em 2017. O preço do neodímio metálico aumentou cinco vezes entre janeiro e setembro deste ano, retornando em novembro ao patamar de janeiro, quando o quilo custava cerca de US$ 40.”

Para ele, há duas causas possíveis para a ‘bolha’ especulativa de preços deste ano: a primeira, embutida no anúncio do governo chinês de que sua legislação ambiental reduziria o número de empresas fornecedoras de terras raras para o mercado internacional; a segunda pode ter sido reflexo do estabelecimento de uma data-limite para o fim da produção de motores a combustão interna na Europa, com o consequente aumento na demanda por superímãs de terras raras para a motorização dos carros elétricos. Sobre a união de esforços entre o IPT e a Escola Politécnica da USP, Landgraf explicou que as duas instituições estão trabalhando no desenvolvimento tecnológico para a elaboração e a solidificação controlada da liga de neodímio-ferro-boro usada na fabricação dos superímãs.

Landgraf disse que via crescer a possibilidade de sucesso desta iniciativa diante do avanço de outro projeto, iniciado em agosto deste ano e também com foco no desenvolvimento dos superímãs de terras raras, que envolve sete instituições de pesquisa brasileiras e sete alemãs. “No Brasil a coordenação é da UFSC e, na Alemanha, do Instituto Fraunhofer IWKS, neste esforço importante que coloca em foco a internacionalização da pesquisa tecnológica brasileira”, conclui ele. 

No dia 13 de janeiro deste ano, Landgraf concedeu entrevista ao jornalista Luiz Nassif, sobre a questão das terras raras que fervilhava no País, mas não mencionou a parceria do Brasil com a Alemanha. Lembrou que existiam três empresas interessadas em operar com as terras raras, como as australianas a Viridis e  Meteoric, em Minas Gerais, que uma terceira norte-americana, chamada Clara, teria desistido. Entre um comentário e outro, ele fez questão de enfatizar a importância de que se faça estudos sobre os impactos das operações no meio ambiente. 

(FOTOS: MCTI e IPT) – COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – CONTAT0: malheiros.tania@gmail.com   

segunda-feira, 27 de julho de 2026

TERRAS RARAS: mineração pode gerar "refugiados ambientais"; das plantações de morangos ao medo da contaminação da paulista Águas da Prata

 


Rio de Janeiro, 27 de julho de 2026 - Exclusivo - As lembranças das plantações de morangos da família, no bairro da Cascata, em Águas da Prata-, Estância Hidromineral, SP -, esbarram-se hoje nos temores das ações de mineradoras em municípios vizinhos, de olhos nas terras raras, que poderão levá-los também a deixar a cidade na pele de “refugiados ambientais”. No limite da mineira Poços de Caldas, a paulista Águas da Prata reúne moradores que se tornaram guardiões do território enfrentando, em audiências públicas, o Projeto Colossus de Mineração de Terras Raras, da empresa australiana Viridis Mining and Minerals. É o caso de Alexandre Schippnick, graduado em Biologia, no Centro Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos (UNIFEOB), mestre em Agroecologia e Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal de São Carlos, no Centro de Ciências Agrárias, que desde 2008, trabalha como educador, oficineiro, consultor e técnico de campo em projetos de Agroecologia e Agrofloresta. 


Alexandre contou ao Blog que as preocupações se acentuaram no dia 17 de maio de 2025 quando ele e vários ambientalistas da cidade participaram da audiência pública do Projeto Colossus e souberam do processo, que já estava avançado, de pedido de Licença Ambiental da empresa para minerar no município de Poços de Caldas. Logo após a audiência, eles se organizaram para entender a situação dos pedidos de licenciamento e os riscos ambientais a que a região e os municípios limítrofes estavam sujeitos. Em parceria com o poder público, os guardiões da sociedade civil, se articulavam com grupos de estudo, de whatsapp, organizando reuniões com lideranças da região, participando de audiências públicas para construção do Plano Diretor Municipal. 

VAGALUMES ILUMINAVAM AS NOITES - 

Uma infância feliz, cercada pela natureza, não é à toa que Alexandre está preocupado com as cavas que as mineradoras devem fazer em Poços de Caldas, atingindo as águas de sua cidade. “Na fase de criança, passei morando numa casa, no bairro Moneda, muito próxima de uma fazenda e de uma plantação de café, brincando nas ruas e entre os pés de café. A região toda, entre as montanhas da Serra da Mantiqueira, era repleta de vida, com as noites sendo iluminadas por revoadas de vagalumes, às margens do córrego que passa no bairro com dezenas de sapos fazendo uma sinfonia e as aleluias revoando em volta dos postes de luz. Minha adolescência, passei fazendo trilhas a pé ou de bicicleta para as várias cachoeiras que correm nos vales das Serras de Águas da Prata”. 

A vida profissional é rica de experiências junto a natureza. “Já trabalhei em projetos em assentamentos rurais do MST e agricultores familiares nas regiões de Ribeirão Preto, Itapeva, Andradina, Botucatu, Águas da Prata, todos no Estado de SP. Morei 10 anos em Botucatu e em 2023, voltei a morar em Águas da Prata buscando mais uma vez o refúgio que essa cidade tranquila, cheia de florestas e cachoeiras. Hoje, em casa, cultiva um jardim Agroecológico e Agroflorestal com plantas medicinais, hortaliças, e flores apícolas/meliponícolas e plantas ornamentais. Construiu também um viveiro de plantas para cuidar das mudas que utilizo em projetos sócioambientais em que trabalho, além de ter feito parte do Coletivo Sussuarana. 

Alexandre também integra o Coletivo Embaúba, em ambos desenvolvendo trabalhos de Educação Ambiental e plantio agroflorestal e convencional de árvores nativas. Atuo também na ONG Guará e no Conselho de Meio Ambiente de Águas da Prata (COMADs). 

IMPACTOS DEVASTADORES - 

Hoje disse, a luta está fortalecida para proteger as águas e florestas, pois a cidade depende diretamente ou indiretamente da água, e a sua qualidade depende da proteção dos solos, florestas, rios e nascentes, comentou.

“Já está mais do que claro que os projetos de mineração de terras raras Projeto Colossus, da empresa Viridis; e o Projeto Caldeira, e de outra empresa australiana, a Meteoric Resources, ameaçam causar impactos sem precedentes: impactos ambientais no solo, água, ar, ecossistemas naturais; impactos sócioeconômicos na economia dos municípios que vivem de ecoturismo ligado a florestas e água e que tem empresas que tem sua economia fundamentada na extração de água; impactos sócioculturais em comunidades tradicionais, comunidades indígenas e agricultores que tem sua vida intrinsecamente relacionada com a natureza e a ambientes rurais/periurbanos; impactos devastadores em projetos culturais que estão intimamente ligados às belezas naturais, cênicas, ao ecoturismo, as montanhas, trilhas e cachoeiras, projetos estes como o Caminho da Fé e a Associação Vereda Cultural, ambos em Águas da Prata”. 

REFUGIADOS AMBIENTAIS 

Para o biólogo, a destruição que a mineração de terras raras pode causar, com a ameaça de degradar ecossistemas e contaminar a água é profunda e pode acabar com as bases que sustentam territórios, municípios, ecossistemas naturais, comunidades, vidas. 

“A população de Águas da Prata construiu suas vidas, famílias, empresas e identidade cultural fundamentada nestas bases essenciais e destruir isso pode fazer com que a população tenha que deixar a cidade, transformando a população em refugiados ambientais”, comentou. Alexandre fala com conhecimento de causa, pois conhece a fundo a cidade. Ele nasceu em São/Paulo, capital no ano de 1983, onde viveu até os sete anos. A família mudou-se para Águas da Prata/SP buscando uma melhor qualidade de vida. 

“Minha família já tinha casa em sítio em Águas da Prata e frequentavam a cidade há anos a passeio”. A mãe, funcionária pública e pai, formado em administração. O pai se radicou em uma propriedade no bairro da Cascata, em Águas da Prata, cultivando hortas e morangos. “Meu pai também ajudava bastante a comunidade do bairro da Cascata, o qual é um bairro com uma população em situação de vulnerabilidade social, a mãe costumava caminhar até o Bosque Estadual de Águas da Prata, importante remanescente de Mata Atlântica que abriga nascentes de uma das melhores águas do país e as águas mais radioativas das Américas. Águas estas que são medicinais, ajudaram a tratar problemas de saúde de minha mãe e trouxeram fama a Estância Hidromineral de Águas da Prata”, contou 

Alexandre, que participa de projetos ambientais de preservação da natureza, com plantios e oficinas. A bióloga Mariana Montagner, bacharel e licenciada em Ciências Biológicas pela pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo – USP, também faz parte dos guardiões de Águas da Prata, em defesa da cidade. 

Mariana está nas fotos do plantio de mudas nativas realizado na Praça em frente ao Parque Estadual de Águas da Prata, em parceria com o Coletivo Sussuarana de Agroecologia, ONG Planeta Plantar, e a Prefeitura local, entre outros. Ela lembrou que a região é reconhecida internacionalmente pela UNESCO como Reserva da Biosfera, dada as suas especificidades botânica, faunística e  e geológica. "Águas da Prata é uma Estância Hidromineral, e toda a Caldeira produz água para milhões de pessoas. Daqui há nascentes que abastecem as Bacias do Rio Pardo, Rio Grande e Mogi Guaçu. Essas águas sustentam a população dos municípios banhados por essas bacias hidrográficas, indústrias, empresas agropecuárias e florestas".  Por isso, destacou Mariana, "não há argumentos plausíveis que possam justificar a contaminação e destruição de nossa região por mineração de terras raras".    

GUARDIÃ NA CÂMARA   


Moradora de Águas da Prata, a vereadora Lucinda de Almeida Noronha, (PT), também está no front dos guardiões para impedir prejuízos ao município. Ela disse ao Blog que está trabalhando pela defesa da cidade, na pauta da mineração de terras raras. 

“Quando surgiram as primeiras informações sobre os projetos de mineração de terras raras na região da Caldeira de Poços de Caldas, compreendi que o debate extrapolava a atividade minerária. Para Águas da Prata, tratava-se de discutir a proteção da água, da saúde, do patrimônio natural, do turismo e da própria identidade de uma Estância Hidromineral”, disse. E fez questão de esclarecer: “Antes de assumir qualquer posicionamento, optei por estudar o tema e buscar informações junto a pesquisadores e órgãos públicos, entre eles o IBAMA, a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Ministério de Minas e Energia, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério Público Federal”. 

SOBERANIA NACIONAL 

Em Brasília, informou que esteve com a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, acompanhada do ambientalista Daniel Tigre e da deputada estadual mineira Bela Gonçalves. “A principal orientação recebida foi fortalecer o conhecimento sobre o território e construir instrumentos permanentes de proteção ambiental, independentemente da existência de um empreendimento específico. Entre as sugestões apresentadas pela ministra estava a aproximação com a UNESCO, como forma de valorizar e fortalecer o reconhecimento do patrimônio natural da nossa região”. 

Na mesma agenda, acrescentou, reunião também com o ministro Guilherme Boulos. 

“Apresentamos a preocupação com o avanço dos projetos minerários na divisa entre Minas Gerais e São Paulo e defendemos que a discussão sobre a soberania nacional em torno das terras raras deveria partir da escuta dos territórios diretamente afetados. O ministro comprometeu-se a levar essa preocupação ao Governo Federal”. 

RADIOATIVIDADE - 

Ao lado do prefeito Carlos Henrique Fortes Dezena, do presidente da Câmara Rafael Dezena de Freitas, do vereador José Sebastião Chiodetto da Silva e do secretário municipal de Meio Ambiente, Marcos Santos, Lucinda disse que participou de audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, conduzida pelas deputadas Bela Gonçalves e Beatriz Cerqueira. 

“Na ocasião, apresentamos aos órgãos federais presentes uma série de questionamentos sobre o processo de licenciamento ambiental, especialmente quanto à suficiência dos estudos constantes no EIA-RIMA, aos riscos relacionados à radioatividade, aos impactos sobre os recursos hídricos, à ausência de parâmetros internacionalmente consolidados para esse tipo de empreendimento e à necessidade de aplicação do princípio da precaução”. 

Em busca de maiores informações sobre a questão da mineração e seus prováveis potenciais efeitos prejudiciais à cidade, Lucinda solicitou orientação técnica junto à Fundação SOS Mata Atlântica, com os mesmos parlamentares, para discutir estratégias de proteção de um território inserido nos biomas Mata Atlântica e Cerrado. “A partir das orientações recebidas em Brasília, iniciamos as aproximações com a UNESCO e, paralelamente, construímos uma cooperação técnica com pesquisadores da Unicamp. Essa parceria começou com uma reunião entre pesquisadores e representantes do Município de Águas da Prata e vem reunindo profissionais de diversas áreas do conhecimento para desenvolver estudos ambientais, hidrológicos, geológicos, jurídicos e socioeconômicos sobre o território. A expectativa é que esse trabalho também conte com a participação da Associação Brasileira de Avaliação de Impacto (ABAI), ampliando a rede de especialistas envolvidos”. 

ANDRADAS NA ESCUTA - 

Os guardiões estão atentos e buscam outras forças para ampliar a proteção dos territórios. Lucina participou da Assembleia Popular realizada em Andradas, município mineiro, e de outras reuniões regionais sobre o tema, “sempre defendendo que decisões dessa magnitude sejam tomadas com base em evidências científicas, transparência e ampla participação das comunidades potencialmente afetadas” Apresentou propostas voltadas ao fortalecimento da proteção ambiental do município, entre elas alterações na Lei Orgânica relacionadas à proteção dos recursos hídricos e a defesa da elaboração de um Zoneamento Ambiental como instrumento permanente de planejamento territorial. Desse processo, disse ela, nasceu o programa “Águas da Prata – Território da Água e da Vida”, bem como a elaboração de um dossiê técnico reunindo informações históricas, ambientais, culturais, econômicas e institucionais do município, com o objetivo de subsidiar pesquisadores, órgãos públicos e autoridades. Anunciou o apoio do deputado federal Paulo Teixeira, e destacou:

 “A minha atuação nunca foi pautada por uma oposição genérica à mineração. Tenho consciência da importância estratégica das terras raras para o desenvolvimento tecnológico e para a transição energética. O que defendo é que decisões dessa natureza sejam tomadas com responsabilidade, base científica, transparência e participação social, respeitando a vocação de cada território. No caso de Águas da Prata, essa vocação está diretamente ligada à água. Somos uma Estância Hidromineral, e nossa economia, nossa identidade e nossa qualidade de vida dependem da preservação dos recursos hídricos e do patrimônio natural. É essa convicção que tem orientado toda a minha atuação”. 

PROJETO CALDEIRA - 

O Projeto Caldeira é composto por 69 licenças (com uma área total de 193 km2) localizadas na região sudoeste do Estado de Minas Gerais, perto da cidade de Poços de Caldas, segundo o site da empresa. A Caldeira possui uma Estimativa de Recursos Minerais de grande dimensão e de elevado grau, com caraterísticas que permitem a extração seletiva de áreas de grau ultra elevado para gerar retornos económicos atrativos ao longo do ciclo de preços das mercadorias. “O projeto também tem credenciais de sustentabilidade superiores devido à sua baixa intensidade energética e à não necessidade de uma instalação de armazenamento de rejeitos”. 


ZEMA FECHOU ACORDO COM A VIRIDIS - 

No dia 29 de fevereiro de 2024, o então governador Romeu Zema fechou acordo com a australiana Viridis, ao chegar em Poços de Caldas de helicóptero. “O foco da visita’ foi a assinatura de um protocolo de investimentos com a Viridis Mineração e Minerais, uma proeminente empresa australiana que escolheu a cidade mineira para implantar o novo projeto. 

O governador foi recebido pelo prefeito, Sérgio Azevedo e demais autoridades, que discutem demandas da cidade. As informações estão no site da Prefeitura deda cidade. A assinatura acontece no Palace Casino e sela o compromisso da Viridis com o estado de Minas Gerais, mediante um investimento da ordem de R$ 1,35 bilhão destinado ao beneficiamento e tratamento de elementos de terras raras. “A iniciativa não só promete consolidar a posição de Minas Gerais como um hub de mineração e tecnologia de ponta, mas também trará benefícios diretos à população local, com a criação de aproximadamente 120 empregos permanentes”. A instalação de empresas australianas, envolvendo importantes polêmicas, não mereceria maior reflexão? Acompanhe outras reportagens no Blog.  

(FOTOS – PROJETOS DE ÁGUAS DA PRATA – PESSOAIS – PREFEITURA DE POÇOS DE CALDAS) – COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – contato – malheiros.tania@gmail.com   

sexta-feira, 24 de julho de 2026

BNDES e IBP firmam parceria para fortalecer inovação no setor de energia e apoiar startups

 

Cooperação com o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis proporciona intercâmbio de conhecimento e busca por soluções voltadas à transição energética e descarbonização. Rio de Janeiro,


24 de julho de 2026 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio de sua subsidiária integral, a BNDES Participações S.A. (BNDESPAR), e o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) celebraram acordo de cooperação técnica com o objetivo de fortalecer o ecossistema de inovação no Brasil, promovendo conexões estratégicas entre startups, empresas e especialistas do setor de energia. 

A iniciativa está inserida na estratégia de ampliação da frente de parcerias do programa BNDES Garagem e tem como foco fomentar o intercâmbio de conhecimento, incentivar agendas estratégicas de inovação e identificar oportunidades de colaboração em temas prioritários, como transição energética e descarbonização. A cooperação permitirá aproximar startups apoiadas pelo BNDES Garagem de demandas concretas da indústria de petróleo, gás e biocombustíveis, criando oportunidades de validação de soluções, acesso a especialistas e interação com potenciais clientes. 

De forma complementar, empresas do setor energético poderão acessar soluções inovadoras, novas tecnologias e modelos de negócio desenvolvidos pelas startups, contribuindo para processos de transformação digital, eficiência operacional e transição energética. O acordo terá vigência inicial de 24 meses, podendo ser prorrogado por até 60 meses, e não envolve transferência de recursos financeiros entre as instituições, sendo baseado em cooperação institucional e desenvolvimento conjunto de iniciativas. 

“O acordo cria condições para maior interação entre startups e agentes do setor de energia, contribuindo para o desenvolvimento de soluções alinhadas aos desafios tecnológicos e ambientais do país”, destaca o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Para o IBP, a iniciativa reforça o papel do instituto como elo entre empresas, governo e sociedade, promovendo soluções inovadoras para desafios reais do setor energético. O instituto, que reúne mais de 200 empresas associadas e coordena o hub de inovação iUP, tem atuação relevante em pautas como transição energética, hidrogênio de baixo carbono e captura de carbono. "A parceria está alinhada com o papel do Instituto de conectar empresas, startups, centros de pesquisa e investidores para acelerar o desenvolvimento tecnológico, fortalecer a competitividade do setor e apoiar a transição energética", explica Roberto Ardenghy, presidente do IBP. 

AGENDA DE INOVAÇÃO – 

O BNDES Garagem é o programa de aceleração de startups de impacto do Sistema BNDES, lançado em 2018, que atua como plataforma de apoio ao empreendedorismo inovador, oferecendo mentorias, capacitação e conexão com investidores. Na atual edição, o programa prioriza soluções voltadas a desafios socioambientais, tendo como algumas das temáticas prioritárias economia verde e descarbonização e economia azul. O BNDES Garagem também conta com mecanismos que fomentam a diversidade regional e social, incentivando a participação de empreendedores diversos de todo o país. A atuação por meio de uma rede parcerias permite maior coordenação entre as iniciativas de inovação. 

(FOTO – GETTY IMAGENS) – FONTE – BNDES -   – COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – CONTATO: malheiros.tania@gmail.com

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