segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

FAETEC: abertas as inscrições para seleção de bolsistas no projeto "Educação que Transforma"

 


A Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), da Secretaria de Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, abriu inscrições para a seleção de bolsistas que irão atuar no projeto de pesquisa “Educação que Transforma – Promoção do Hábito da Leitura em Unidades de Ensino da Faetec”. As inscrições podem ser feitas até quinta-feira (12/2), exclusivamente pela internet. A Faetec conta com 135 unidades distribuídas em todo o Estado, que atendem crianças, jovens e adultos em todas as etapas de Ensino. 

A iniciativa contempla unidades localizadas em diferentes regiões do Estado do Rio de Janeiro e tem como objetivo fortalecer o hábito da leitura, a pesquisa e a formação educacional no ambiente escolar. O edital e o formulário de inscrição estão disponíveis no site do projeto. As bolsas terão duração de seis meses, com possibilidade de prorrogação por igual período, conforme critérios definidos em edital. 


O processo seletivo é destinado à formação de cadastro de reserva para atuação como bibliotecários e auxiliares de biblioteca. Os profissionais selecionados irão desenvolver atividades nas bibliotecas das unidades da Faetec, com mediação pedagógica e técnica. 

Segundo o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Anderson Moraes, o acesso a bibliotecas bem estruturadas é essencial para a formação de crianças e jovens. Ele destaca que esses espaços são fundamentais tanto para alunos quanto para professores, e que a presença de profissionais capacitados contribui para estimular a leitura e a pesquisa. Segundo o presidente da Faetec, Alexandre Valle, “essa é uma oportunidade valiosa para os universitários e graduados na área, especialmente por conta da necessidade que temos em ter profissionais capacitados para a orientação desses alunos”. 

Para concorrer à vaga de bibliotecário, é preciso ter diploma ou declaração de conclusão do curso de Biblioteconomia. Entre as atividades estão a organização e conservação dos acervos, além do apoio a alunos e profissionais no acesso ao material e na promoção de ações que incentivem a leitura e a pesquisa. Já para a função de auxiliar de biblioteca, é exigido diploma ou certificado de conclusão do ensino médio técnico na área. O edital e o formulário de inscrição estão disponíveis no link: https://leituratransforma.faetec.rj.gov.br – 

(FOTO - ALEXANDRE VALLE -  INFORMAÇÕES ASCOM FAETEC – LUCIA GUERRA) – 

COLABORE COM O BLOG – SETE ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849) – CONTATO: malheiros.tania@gmail.com

domingo, 8 de fevereiro de 2026

SBPC entrega o 7º prêmio "Carolina Bori Ciência & Mulher" na quarta-feira (11/2)

 


A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) promove, quarta-feira (11/2),  a cerimônia de entrega do 7º Prêmio “Carolina Bori Ciência & Mulher”, que nesta edição, a premiação contempla a categoria Mulheres Cientistas. O evento será realizado no Salão Nobre do Centro MariAntonia da USP (Rua Maria Antônia, 294 – 3º andar), às 14h, com transmissão ao vivo pelo canal da SBPC no YouTube. A data celebra o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, instituído pela Unesco. O evento contará com a participação da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. 


As vencedoras receberão um prêmio em dinheiro no valor de R$ 25 mil, além de outras homenagens. Entre as cientistas agraciadas estão Ana Mae Tavares Bastos Barbosa, professora emérita da Universidade de São Paulo (USP), premiada na categoria Humanidades; Iris Concepcion Linares de Torriani, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na área de Exatas e Ciências da Terra; e Luisa Lina Villa, professora da Universidade de São Paulo, vencedora na categoria Ciências Biológicas e da Saúde. 


A 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher também concedeu três menções honrosas. Na área de Humanidades, foi reconhecida Maria Arminda do Nascimento Arruda, professora da Universidade de São Paulo. Em Exatas e Ciências da Terra, a homenagem foi concedida a Marilia Oliveira Fonseca Goulart, docente da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Já na área de Ciências Biológicas e da Saúde, a menção honrosa foi atribuída a Nísia Verônica Trindade Lima, professora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ex-ministra da Saúde. 

O prêmio é realizado anualmente, alternando duas categorias – “Mulheres Cientistas” e “Meninas na Ciência”. Esta edição foi dedicada às “Mulheres Cientistas”, que homenageia pesquisadoras com trajetórias de destaque em três grandes áreas do conhecimento: Humanidades; Ciências Biológicas e da Saúde; e Engenharias, Exatas e Ciências da Terra. 

Nesta edição, a premiação recebeu 94 indicações de candidatas válidas, enviadas por 79 Sociedades Científicas Afiliadas à SBPC, um crescimento de 68% em relação à edição anterior desta categoria, realizada em 2023, que recebeu 56 indicações de 52 sociedades. “Tivemos um número excelente de candidatas, além de serem excelentes cientistas. Porque não só o número aumentou, mas a qualidade também, está cada vez mais difícil a escolha das ganhadoras. São pessoas com trajetórias bastantes longas na ciência, com dedicação enorme a vida toda. Mulheres que se dedicaram, mas também mostraram a sua capacidade de produzir um conhecimento que proporcionou a transformação de uma área, ou um conhecimento que trouxe benefícios para a saúde, o desenvolvimento humano, e que também gerou outros conhecimentos”, detalha a vice-presidente da SBPC e coordenadora desta edição, Soraya Smaili. 

CONHEÇA AS GANHADORAS - 

Vencedora da categoria Humanidades, Anna Mae Tavares Bastos Barbosa possui graduação em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (1960), mestrado em Art Education – Southern Connecticut State College (1974) e doutorado em Humanistic Education – Boston University (1978). Além de ser professora emérita da USP, é também professora da Universidade Anhembi Morumbi. Sua trajetória acadêmica é marcada pela atuação nas áreas de Ensino da Arte e contextos metodológicos, História do Ensino da Arte e do Desenho, Interculturalidade, Estudos de Museus de Arte, entre outros temas. É referência de arte-educação no Brasil, principalmente por conta da sua luta pelo reconhecimento da área e sistematização da Abordagem Triangular no ensino da Arte. 

Já a ganhadora da categoria Exatas e Ciências da Terra, Iris Concepcion Linares de Torriani, é física (Universidad de Buenos Aires/Universidad Nacional de La Plata, 1965) e doutora em Física pela Universidad Nacional de La Plata (1975), com estágio doutoral na University of Pennsylvania (Johnson Foundation, Dept. of Biophysics). Em 1976 chegou ao Instituto de Física “Gleb Wataghin” (IFGW) da Unicamp, onde consolidou uma trajetória acadêmica marcada pela liderança científica, formação de pessoas e pela implantação de uma infraestrutura estratégica para a comunidade de cristalografia e de materiais no Brasil. Entre 1989 e 2004, dirigiu o Laboratório de Cristalografia Aplicada e Raios X do IFGW, onde teve uma atuação intimamente associada ao Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS/CNPEM). Sua produção acadêmica abrange contribuições em matéria condensada, nanoestruturas, polímeros, biomateriais e biologia estrutural, além de interfaces com técnicas complementares (como NMR e instrumentação de feixe síncrotron). 

Por fim, a vencedora da categoria Ciências Biológicas e da Saúde, Luisa Lina Villa, possui graduação em Ciências Biológicas pela USP (1972) e doutorado em Ciências (Bioquímica) pelo Instituto de Química da USP (1978). É referência internacional em HPV, e trabalhou com o desenvolvimento da vacina profilática contra HPV – o HPV está relacionado a 100% dos casos de câncer de colo do útero. Foi diretora do Instituto Ludwig e coordenou o INCT-HPV. Professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), lidera o Laboratório de Inovação em Câncer do ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo). Também é membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e Comendadora do Mérito Científico. 

SERVIÇO: A cerimônia de entrega do Prêmio será na próxima quarta-feira, dia 11 fevereiro, no Salão Nobre do Centro MariAntonia da USP, em São Paulo, com transmissão ao vivo pelo canal da SBPC no YouTube a partir das 14h. O evento é aberto a todos e gratuito. 

Esta 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher tem o patrocínio da Fundação Conrado Wessel e da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema); e apoio da Fundação Péter Murányi, do CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) e do Centro MariAntonia. 

(FOTOS E INFORMAÇÕES – JORNAL DA CIÊNCIA - SBPC) – 

COLABORE COM O BLOG – SETE ANOS DE JORNALISMO INDEPEDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 996015849 – CONTATO: malheiros.tania@gmail.com   

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Denúncia contra servidora, autora de alertas não comprovados sobre material radioativo, está em fase final de análise de juízo na Fiocruz


As denúncias contra a servidora Isabel Braga da Fiocruz - autora de alertas não comprovados sobre contaminação radioativa com acetato de uranila -  chegaram à Ouvidoria da fundação em 2025 e seguiram para a área de apuração. Segundo a Fiocruz, a abertura de processo administrativo disciplinar no âmbito da Corregedoria Setorial da Fundação está em fase final de análise de juízo de admissibilidade. A etapa preliminar ao processo judicial ou administrativo. A Fundação não informou o que poderá ocorrer a servidora. 

Hoje (05/02) o Blog contatou a Fiocruz depois de ter recebido o vídeo via leitores, que Isabel divulgou nas redes.  No vídeo, principalmente no Instagram, Isabel faz denúncias sobre possível contaminação de substância radioativa com urânio na instituição. E a Fiocruz divulgou nota em sua página com desmentidos. 

Eis a nota: 

“Diante de conteúdos recentes que circulam nas redes sociais sobre o uso de substâncias químicas em atividades científicas, a Fiocruz esclarece que o uso de acetato de uranila integra procedimentos laboratoriais de rotina em contextos científicos específicos. Este tipo de utilização é realizado em laboratórios de todo o mundo, seguindo parâmetros éticos e legais, de forma adequada à proteção da saúde humana e ambiental. A Fiocruz reafirma seu compromisso com a ciência, a transparência e a saúde pública e repudia tentativas de propagação de desinformação e posicionamentos anticiência”. 

O vídeo está sendo divulgado no Instagram de Ainda Zorkot, com a denúncia de Isabel Braga, que é servidora da Fiocruz. No Instagram “Zorkotaída”, consta “denuncia expõe possível negligência no uso de acetato de uranila no Rio de Janeiro. Isso é gravíssimo! Compartilhem para que sejam tomadas as providencias cabíveis”, com o título “Escândalo científico”. O Blog apurou que Isabel é servidora pública federal da Fiocruz, onde atua especificamente na Coordenação de Saúde do Trabalhador (CST/Direh), integrando o Núcleo de Perícia e Avaliação Funcional (NUPAFS). Além de médica (UFRJ), com doutorado em Saúde e Meio Ambiente (ENSP/Fiocruz), ela também possui formação em Direito, que fundamenta sua atuação técnica e pericial. 

ANÁLISE DE JUÍZO EM FASE FINAL - 

Desde ontem à noite, leitores estão enviando o vídeo para o BLOG, que acionou a Fiocruz hoje (5/2) cedo para saber de posição da instituição sobre o caso. 

Na tarde de hoje, o BLOG solicitou mais esclarecimentos à Fiocruz. Veja as respostas: “Em relação ao questionamento sobre a referida servidora, a Fiocruz informa que denúncias recebidas pela Ouvidoria em 2025 foram encaminhadas para a área de apuração. Atualmente, a abertura de processo administrativo disciplinar no âmbito da Corregedoria Setorial da Fundação está em fase final de análise de juízo de admissibilidade.  No que se refere a conteúdos com teor de desinformação sobre o uso de acetato de uranila em atividades científicas laboratoriais, a Fundação publicou nota com foco na transparência e no esclarecimento à sociedade”. 

(FOTO – FIOCRUZ - ) 

COLABORE COM O BLOG – SETE ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – contato: malheiros.tania@gmail.com     

Fiocruz desmente denúncias de servidora sobre contaminação radioativa envolvendo a instituição

 


A Fiocruz divulgou nota no início desta tarde (05/02) desmentindo informações que desde ontem circulam em um vídeo na Internet, principalmente no Instagram, sobre possível contaminação de substância radioativa como urânio envolvendo a instituição. A denúncia parte de uma servidora, com doutorado, Isabel Braga, perita e formada em Direito.

“Diante de conteúdos recentes que circulam nas redes sociais sobre o uso de substâncias químicas em atividades científicas, a Fiocruz esclarece que o uso de acetato de uranila integra procedimentos laboratoriais de rotina em contextos científicos específicos. Este tipo de utilização é realizado em laboratórios de todo o mundo, seguindo parâmetros éticos e legais, de forma adequada à proteção da saúde humana e ambiental”, segundo a nota. E completa: “A Fiocruz reafirma seu compromisso com a ciência, a transparência e a saúde pública e repudia tentativas de propagação de desinformação e posicionamentos anticiência”. 


O vídeo está sendo divulgado no Instagram de Ainda Zorkot, com a denúncia de Isabel Braga, que funcionária da Fiocruz. No Instagram “Zorkotaída”, consta “denuncia expõe possível negligência no uso de acetato de uranila no Rio de Janeiro. Isso é gravíssimo! Compartilhem para que sejam tomadas as providencias cabíveis”, com o título “Escândalo científico”. 

O Blog apurou que Isabel atua na Coordenação de Saúde do Trabalhador (CST/Direh), integrando o Núcleo de Perícia e Avaliação Funcional (NUPAFS). Além de médica (UFRJ), com doutorado em Saúde e Meio Ambiente (ENSP/Fiocruz), ela também possui formação em Direito, que fundamenta sua atuação técnica e pericial. O Blog tenta falar com ela. Desde ontem à noite, leitores estão enviando o vídeo para a editora do BLOG, que acionou a Fiocruz hoje (5/2) cedo para saber de posição da instituição sobre o caso. A Fiocruz também teve conhecimento na noite de ontem. 

(FOTO – INSTAGRAM e FIOCRUZ) – 

COLABORE COM O BLOG – SETE ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – contato: malheiros.tania@gmail.com     

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Justiça mantém ação a favor de sobreviventes da radiação, enquanto a INB busca arquivamento

 



Rio de Janeiro, 30 de janeiro de 2026 - O Tribunal Superior do Trabalho (TST), através do ministro relator Sergio Pinto Martins, acaba de manter a ação contra a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), movida pelo advogado Luiz Carlos Moro, em defesa dos sobreviventes da contaminação por material radioativo, lesionados ao longo de décadas. A INB vem tentando arquivar o processo alegando que o caso prescreveu, mas a 8ª Turma do TST entendeu que os sobreviventes buscaram à Justiça ao descobrir as doenças que demoraram a se manifestar, como ocorre quando envolve radiação. “A exposição à radiação provoca doença ocupacional de manifestação tardia”, reiterou o advogado. Ele afirmou que a decisão representa a “redenção das vítimas” que resistem à luta por justiça. 

A ação tem como autor o presidente da Associação Nacional dos Trabalhadores da Produção Nuclear (ANTPEN), através do presidente José Venancio Alves, entre outros. As vítimas trabalharam na Usina de Santo Amaro (Usam), da extinta Nuclemon, em São Paulo, sucedida pela INB. Já a Usam sucedeu a Orquima, fundada entre as décadas de 40 e 50, que operava com material radioativo, usando mão-de-obra operária recrutada nas roças e construção civil. 

COBAIAS DA RADIAÇÃO - 

Os operários foram enganados, pois não sabiam que o material era radioativo (urânio e tório), procedente das areias monazíticas subtraídas do litoral do Espirito Santo, Bahia e Rio de Janeiro. A Orquima usava os trabalhadores como “cobaias”, e o material, em sua maioria, era enviado para os Estados Unidos. O advogado lembrou que a descoberta dos operários doentes aconteceu graças ao trabalho da médica Maria Vera Castellano, que trabalhava no posto de saúde de Santo Amaro, onde constatou um grande número de operários da Usam, que buscava atendimento apresentando graves doenças como câncer e outras, pulmonares. “Ela foi a chave da comprovação dos malefícios causados pela contaminação radioativa”, comentou. 


Os casos de doenças do trabalho e as diversas denúncias na época, levaram a fiscal do Trabalho, Fernanda Giannasi, a fechar a Usam na década de 90. Dezenas de operários morreram ao longo dos anos.  Do processo movido pelo advogado há mais de 10 anos dezenas de vítimas também já morreram. Hoje, a ação reúne cerca de 50 pessoas, inclusive familiares representantes dos mortos. A

INB costuma recorrer contra a ação visando indenizar as vítimas. Recorre até mesmo para negar o plano de saúde através do qual os pacientes com câncer tratam de doenças como câncer com radioterapia e quimioterapia. Na mais recente audiência o advogado conseguiu a manutenção do plano. O grupo sobrevivente costuma se reunir mensalmente, mesmo na pandemia. 

Segundo o presidente da ANTPEN, José Venâncio, “apesar de tudo, o grupo mantém a esperança de que se faça Justiça, com o pagamento de indenização que será o reconhecimento, mesmo tardio, de tanto mal causado aos operários brasileiros”. 

DEPOIMENTO - 2019 - OTAVIANO INÁCIO DE OLIVEIRA - "Pesava 46 quilos em 2019, contou na época que ficou na empresa de março de 1977 a agosto de 1993, sozinho, em um forno, no setor do tório. E relatou: "Me mandaram embora quando a empresa fechou, disse enquanto amparava a bolsa injetada em seu corpo, que fazia parte de tratamento de sessões de quimioterapia, por conta do câncer. FALECEU LOGO DEPOIS. 

Leia o livro: Cobaias da Radiação – a história não contada da marcha nuclear brasileira e de quem ela deixou para trás - autoria Tania Malheiros – 

(FOTOS: BLOG- ARQUIVOS) – 

COLABORE COM O BLOG – SETE ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE- CONTRIBUA VIA PIX: 21 996015849 – CONTATO: malheiros.tania@gmail.com   

  

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Indústrias Nucleares do Brasil (INB) se manifesta sobre inadimplência da Eletronuclear

 


A gravidade da falta de recursos da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) levou o presidente da empresa, Tomas Albuquerque Filho, a admitir publicamente, em vídeo, que está buscando uma solução para o problema provocado pela inadimplência da Eletronuclear. Junto à ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional S.A), do Ministério de Minas, ele busca alternativas para a manutenção das operações da empresa, salários e segurança do funcionários. O comunicado, segundo ele, visa manter uma comunicação direta com os funcionários preocupados com a saúde financeira da empresa, evitando boatos. 

É fato que a Eletronuclear não realiza pagamento a INB, desde novembro. É a INB que produz o combustível (urânio enriquecido) para os reatores das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, da Eletronuclear. 


Segundo o Sindicato dos Trabalhadores (NOTA ABAIXO), as duas usinas geram lucro, mas os recursos são destinados ao pagamento de dívidas de Angra 3, com as obras paradas. A dívida que a Eletronuclear tem com a INB envolve pagamento a empresa internacional Russa Rosatom que produz a parte do ciclo do combustível hexafluoreto (urânio em forma de gás) e em seguida, o enriquecimento, pagos pela INB. Há cerca de 15 dias Angra 2 foi desliada para receber o combustível. Há cerca de cinco anos, o combustível custava em torno de R$ 300 milhões. 

INTERSINDICAL COBRA TRANSPARÊNCIA - 

A Intersindical, Sindicato dos trabalhadores da INB em todo o Brasil, quer reunião com o presidente nesta sexta-feira (30/01) e divulgou nota reiterando as preocupações dos trabalhadores com a crise. Eis a nota: “As empresas da área nuclear vinculadas ao MME e à ENBPAR vivem uma grande crise em função da indefinição do governo sobre a continuidade e conclusão das obras da usina de Angra 3. 

A INTERSINDICAL da INB já manifestou, diversas vezes, sobre a necessidade e importância desta decisão e da conclusão da usina. A Eletronuclear é uma empresa sólida e lucrativa se levarmos em conta a cobertura tarifária que garante a manutenção da empresa com a operação de Angra 1 e 2. Quando a empresa é levada a cobrir os custos financeiros e de manutenção dos equipamentos da futura usina, as contas não fecham. A indefinição sobre a conclusão da obra se arrasta e a ETN agoniza. Nós na INB, que temos a concentração de nosso faturamento com a ETN, acabamos também sofrendo com esta indecisão e com esta crise. 

Tem nos preocupado nos últimos tempos os boatos sobre as dificuldades financeiras da INB e sua incapacidade de honrar seus compromissos, inclusive dos nossos salários. Avaliamos que a direção da empresa deveria ser transparente com as informações, por um lado, e deveria estar prioritariamente engajada na solução dos nossos problemas do outro, o que não temos visto. 

Neste sentido a INTERSINDICAL solicitou formalmente uma agenda com o Presidente interino para tratar do tema e trará ao conjunto dos empregados o informe desta reunião e nossa análise do atual momento para debatermos qual deverá ser a posição dos empregados caso medidas contrarias aos nossos interesses sejam tomadas”. 

O BLOG tem tentado contato com o MME, ENBPAR e Eletronuclear. 

(FOTO: TOMAS, INB – E CENTRAL NUCLEAR – ABDAN) – COLABORE COM O BLOG – SETE ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – Contato: malheiros.tania@gmail.com    

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Angra 3: Leonam contesta artigo de Scalambrini

 


"O artigo Por que o governo não deve concluir Angra 3, - de Heitor Scalambrini -, publicado nesta sexta-feira (23/01) no blog da jornalista Tania Malheiros, apresenta uma narrativa fortemente opinativa, porém metodologicamente frágil, ao tentar desqualificar a conclusão da usina nuclear por meio de uma combinação de episódios históricos, generalizações e afirmações não sustentadas por evidências técnicas ou econômicas verificáveis.

 O texto inicia com uma longa enumeração de controvérsias passadas associadas ao setor nuclear brasileiro, incluindo acidentes radiológicos, episódios de contrabando, programas paralelos e falhas institucionais. Embora seja legítimo reconhecer erros históricos e problemas de governança, essa estratégia argumentativa é intelectualmente problemática. Listar eventos heterogêneos ocorridos ao longo de décadas não constitui, por si só, uma demonstração de inviabilidade técnica ou econômica de um empreendimento específico no contexto atual. A análise séria de Angra 3 exige dados contemporâneos, avaliação de engenharia, critérios regulatórios vigentes e projeções energéticas atualizadas, e não a simples evocação de um passado conflituoso. 

No campo econômico, o artigo incorre em outra fragilidade central ao afirmar que a energia produzida por Angra 3 custaria entre quatro e seis vezes mais do que fontes renováveis, citando supostamente um estudo recente do BNDES, mas sem apresentar referência formal, metodologia utilizada ou parâmetros considerados. Não se esclarece se os valores incluem custos financeiros, amortização de capital, vida útil da planta, fatores de capacidade, estabilidade do suprimento ou externalidades ambientais. Sem transparência metodológica, esses números perdem valor analítico e assumem caráter meramente retórico. Estudos internacionais amplamente reconhecidos demonstram que os custos de geração variam fortemente conforme hipóteses adotadas, regime de financiamento, escala de operação e perfil do sistema elétrico, sendo incorreto tratar a comparação entre nuclear e renováveis como uma relação simples e linear. 

A abordagem dos riscos e da segurança nuclear também carece de rigor técnico. O texto enfatiza acidentes históricos como Chernobyl e Fukushima sem contextualizar diferenças fundamentais entre projetos antigos e as tecnologias atualmente adotadas em usinas modernas. Ignora-se que os padrões internacionais de segurança evoluíram significativamente, incorporando sistemas passivos, múltiplas camadas de redundância e requisitos regulatórios muito mais rigorosos. Além disso, a questão dos rejeitos radioativos é apresentada como um problema sem solução estrutural, o que não corresponde à realidade. Países como Finlândia e Suécia já avançaram para a implantação de repositórios geológicos profundos definitivos, baseados em décadas de pesquisa científica e validação internacional. A ausência dessa informação reforça uma narrativa alarmista que não reflete o estado atual do conhecimento técnico. 

Outro ponto recorrente do artigo é a suposta obsolescência tecnológica de Angra 3, associada ao fato de parte dos equipamentos ter sido adquirida nas décadas passadas. Essa argumentação confunde atraso cronológico com inviabilidade tecnológica. Grandes projetos de infraestrutura, em especial no setor nuclear, frequentemente passam por longos ciclos de implantação, nos quais componentes são atualizados, sistemas são modernizados e padrões normativos são revisados ao longo da obra. A simples antiguidade de determinados equipamentos não constitui, por si só, prova de inadequação técnica, especialmente quando processos de requalificação, retrofit e certificação fazem parte da prática internacional. 

Do ponto de vista lógico, o texto recorre repetidamente a estratégias retóricas pouco consistentes, como o apelo ao medo, a construção de falsos dilemas entre nuclear e fontes renováveis e a associação indevida entre problemas institucionais passados e a inviabilidade estrutural da tecnologia nuclear como um todo. Ao fazer isso, o artigo deixa de tratar o tema como uma questão de política pública baseada em dados e passa a operar no campo da persuasão emocional. 

Em síntese, embora o debate público sobre Angra 3 seja legítimo e necessário, o artigo analisado não apresenta o rigor técnico, econômico e metodológico exigido para sustentar suas conclusões. Ao substituir análise estruturada por generalizações históricas, números não referenciados e narrativas alarmistas, o texto enfraquece o próprio debate que pretende estimular. A decisão sobre a conclusão ou não de Angra 3 deve ser fundamentada em estudos de engenharia, avaliações econômico-financeiras transparentes, análises de segurança nuclear atualizadas e planejamento energético de longo prazo — e não em construções retóricas descoladas da realidade técnica do setor".

 AUTOR RESPONSÁVEL - 

LEONAM DOS SANTOS GUIMARÃES: Doutor em Engenharia Naval e Oceânica pela USP e Mestre em Engenharia Nuclear pela Universidade de Paris XI, é CEO da Eletrobrás Eletronuclear, membro do Grupo Permanente de Assessoria em Energia Nuclear do Diretor Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), membro do Conselho de Representantes da World Nuclear Association (WNA). Foi Presidente da Seção Latino Americana da Sociedade Nuclear Americana, Diretor Técnico-Comercial da Amazônia Azul Tecnologias de Defesa SA – AMAZUL, Assistente da Presidência da Eletrobrás Eletronuclear e Coordenador do Programa de Propulsão Nuclear do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP). 

FOTO – ACERVO PESSOAL - 

COLABORE COM O BLOG – SETE ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – CONTATO – malheiros.tania@gmail.com

Em destaque

Bomba atômica! Pra quê? Brasil e Energia Nuclear - Editora Lacre

O livro “Bomba atômica! Pra quê? Brasil e Energia Nuclear”, da jornalista Tania Malheiros, em lançamento pela Editora Lacre, avança e apr...