quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Vazamento de material radioativo em unidade do ciclo do combustível alcançou sistema fluvial; mas "as avaliações não indicam contaminação do solo"

 


O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmou nesta quarta-feira (23/9) que uma parcela do material que vazou na tarde de terça-feira (22/9) de uma caixa de fibra que se rompeu, na Unidade de Concentração de Urânio (URA), da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Caetité (BA), “atingiu o lado externo e alcançou o sistema fluvial, ainda dentro da propriedade da URA, sendo recolhido na caixa de coleta de efluentes”. O local onde ocorreu o vazamento foi interditado. Mesmo sem os resultados dos exames das amostras, segundo a fiscalização (ANSN), "as avaliações não indicam contaminação do solo". O Blog apurou que havia urânio (elemento radioativo) na mistura do material que vazou

O Ibama recebeu a informação de um representante da INB, na noite de terça-feira, ou seja, horas depois do ocorrido, registrado às 15h40. “O rompimento de uma caixa de fibra que armazenava efluente industrial resultou no derramamento de líquido destinado a tratamento químico, que ficou, em sua maior parte, restrito à área de contenção da própria instalação”, informou o Instituto. “Equipes iniciaram a limpeza da área, além de ter sido realizada coleta de amostra para análise”. 


No dia seguinte ao rompimento, o órgão licenciador nuclear, Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), informou nas redes sociais que estava acompanhando o caso; depois, “determinou a interrupção preventiva das atividades operacionais na área afetada”. 

A INB informou em comunicado oficial que a ocorrência não provocou impacto aos trabalhadores e à população ou liberação de material para fora das instalações da empresa. “A empresa classificou a situação como um evento não usual leve e informou que a ocorrência ficou restrita a uma área pavimentada, dotada de sistema de contenção com dupla camada de proteção”. Imagens mostram a fragilidade do local. 

De acordo com a reportagem publicada nesta quarta-feira (23/9), o rompimento de uma caixa de fibra com capacidade para 20 mil litros contendo solvente com material radioativo, como urânio, ocorreu nesta terça-feira (22), na URA, em Caetité (BA). A divulgou que o “incidente” com “emulsão proveniente do processo industrial, não provocou impacto aos trabalhadores, à população ou liberação de material para fora das instalações”. O Blog apurou que não havia trabalhadores na hora do rompimento, mas parte do material vazou para local de circulação onde trafegam veículos e pessoas dentro da unidade. Foto exclusiva mostra o local do vazamento. A área 300 é onde é feita a regeneração do solvente. A maior parte do material ficou dentro da contenção do local que já é contaminado. 


EVENTO NÃO USUAL -

 A INB informou que a “situação foi classificada como evento não usual e ficou restrita às instalações da unidade, em área pavimentada e dotada de sistema de contenção com dupla camada de proteção, composta por concreto e PEAD”. Informou também que “as equipes da unidade foram imediatamente acionadas e já realizam a limpeza da área. Uma equipe multidisciplinar acompanha a situação e define as demais providências necessárias. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) foi imediatamente comunicada e acompanha as ações adotadas pela INB”. 

FISCALIZAÇÃO – AVALIAÇÃO – 

Mesmo antes dos resultados de testes com amostras, a ANSN, autarquia federal, vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), com sede em Botafogo, divulgou nas redes que “as avaliações não indicam contaminação do solo, permanecendo os efeitos da ocorrência restritos à área afetada e à calçada adjacente”. Entre as ações em curso estão coletas de amostras, monitorações locais, descontaminação e limpeza das áreas atingidas. A INB está providenciando a transferência do material retido na área de contenção para outro reservatório. Como “medida cautelar”, a ANSN determinou que as atividades operacionais na área afetada permaneçam interrompidas. ”A retomada ficará condicionada à demonstração, pela instalação, do cumprimento dos requisitos de segurança aplicáveis e das determinações decorrentes da avaliação da ocorrência. A INB deverá apresentar, no prazo de 30 dias, relatório consolidado com a avaliação das causas da ocorrência, as medidas corretivas adotadas e previstas, os respectivos prazos de implementação e os elementos necessários à verificação de sua efetividade”. 

Na URA o urânio passa pelo primeiro processo do ciclo do combustível nuclear: é transformado em yellowcake, seguindo viagem rumo ao exterior (Rússia) onde passa por outras transformações até o enriquecimento para alimentar as usinas nucleares de Angra dos Reis (Angra 1, desligada recentemente para a troca e combustível, entre outras operações; e Angra 2, em funcionamento). 

VALE LEMBRAR OUTRO VAZAMENTO - 

Em julho deste ano de 2026 o Blog divulgou um vazamento de amônia (produto altamente tóxico) ocorrido no dia 21 de junho (21/6) na URA. Na ocasião, o Ibama exigiu ao INB um documento com a descrição do acidente e “as medidas adotadas para seu atendimento e demais informações técnicas necessárias à avaliação da ocorrência”. Após o recebimento da comunicação, a Superintendência do Ibama na Bahia notificou a empresa, por meio do Ofício nº 571/2026/SUPES-BA, requerendo a apresentação, do “relatório circunstanciado com a descrição das causas do acidente’, entre as outras exigências. 

ACIDENTE - 

As instalações da INB em Caetité já registraram vários problemas, como o caso da queda de um operador na URA. O homem caiu e se feriu ao pisar numa tampa de ferro que estava aberta, em uma das oito células do setor de extração de urânio (área 160) às 10h30 em 1º de outubro de 2025. Em nota interna de esclarecimento a INB declarou que a informação “não procede”. Mas logo em seguida reiterou: “O fato envolveu um empregado que, durante atividade rotineira no setor de extração, sofreu uma queda em compartimento contendo solvente orgânico descarregado”. A empresa negou e confirmou ao mesmo tempo. Não informa como e porque o empregado sofreu a queda. E assim o caso foi encerrado, com a empresa tentando desqualificar a informação. 

VENDAVAL -

Danos provocados por vendaval, no dia 31 de dezembro de 2023, paralisam as atividades de lavra na mina do Engenho, da URA), por um tempo. Na época, a informação do BLOG foi confirmada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A área de produção do concentrado de urânio foi a mais danificada. Esta é uma prova de que eventos climáticos extremos podem afetar instalações que operam com material radioativo. 

VISTORIA DO IBAMA -

Segundo a INB, entre os dias 15 e 17 de setembro deste ano, a URA recebeu vistoria técnica do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Participaram da vistoria equipes da Coordenação de Licenciamento Ambiental de Mineração (Comip) e da Coordenação de Registro e Informação sobre Remediação e Contaminação Ambiental (Cicam), ambas do Ibama, que durante os três dias, percorreram diferentes áreas para verificar, em campo, a execução das medidas de controle e mitigação ambiental que integram o licenciamento ambiental da unidade. O roteiro incluiu a plataforma da usina, a Mina do Engenho, estradas internas, áreas em processo de recuperação ambiental, as proximidades da Barragem de Águas Claras e pontos de monitoramento do meio biótico e da fauna. A equipe do Ibama também acompanhou as atividades do Gerenciamento de Áreas Contaminadas (GAC), observando o avanço das atividades previstas para tratamento de eventos não usuais pretéritos. A programação abrangeu ainda as ações do Programa de Comunicação Social e iniciativas desenvolvidas no âmbito dos programas de Educação Ambiental, contemplando diferentes aspectos da gestão ambiental da unidade”. 

IBAMA: RENOVAÇÃO DA LICENÇA COM CONDICIONANTES - 

Segundo a equipe técnica do Ibama, acrescentou a INB, a atividade integra o acompanhamento periódico realizado na URA. “Essa vistoria faz parte das inspeções que realizamos de forma frequente, com o objetivo de acompanhar se os sistemas de controle ambiental da unidade estão operando de acordo com o que é estabelecido pelo órgão ambiental”. 

E mais: “A equipe técnica do Ibama ressaltou ainda que a vistoria já estava programada e não decorre da recente renovação da Licença de Operação da unidade. Para eles, o acompanhamento ao longo dos anos permite observar a evolução dos procedimentos ambientais adotados. Como o Blog divulgou na semana passada, o Ibama concedeu a terceira renovação da Licença de Operação (LO) nº 274/2002 da Unidade de Concentração de Urânio (URA) da INB, com validade de 10 anos. Foi autorizada a continuidade das atividades como a lavra de urânio na Mina do Engenho e o beneficiamento do minério para produção de concentrado de urânio, únicos em operação no País. Mas o Ibama estabeleceu uma série de condicionantes gerais e específicas. A autorização poderá ser suspensa ou cancelada se houver “violação ou inadequação de quaisquer condicionantes ou normais legais”, “omissão ou falsa descrição de informações relevantes, que subsidiaram a expedição da licença; superveniências de graves riscos ambientais e à saúde”. O vazamento registrado nesta terça-feira leva à reflexão a segurança das instalações. 

CAETITÊ - 

A unidade ocupa uma área de 1.700 hectares, localizada em uma província mineral com recursos que chegam a 87 mil toneladas de urânio e onde estão identificados 17 depósitos minerais. De 2000 a 2015, a INB Caetité produziu 3.750 toneladas de concentrado de urânio a partir da extração a céu aberto de uma dessas jazidas – a mina Cachoeira. A mina que se encontra em operação hoje é a mina do Engenho. 

(FOTOS EXCLUSIVAS DO BLOG)- Vejam outras fotos exclusivas do local do vazamento, obtidas pela reportagem. A primeira foto mostra como ficou a área dentro da contenção; a segunda; a caixa que estourou ao fundo; a terceira, o local onde ocorreu o rompimento.  

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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

VAZAMENTO DE MATERIAL RADIOATIVO EM UNIDADE DO CICLO DO COMBUSTIÍVEL. VEJA FOTO EXCLUSIVA

 


O rompimento de uma caixa de fibra com capacidade para 20 mil litros contendo solvente com material radioativo, como urânio, ocorreu nesta terça-feira (22), na Unidade de Concentração de Urânio (URA), em Caetité (BA). O blog apurou que estrondo do rompimento foi ouvido às 16h. A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) divulgou que o “incidente” com “emulsão proveniente do processo industrial, não provocou impacto aos trabalhadores, à população ou liberação de material para fora das instalações”. O Blog apurou que não havia trabalhadores na hora do rompimento, mas parte do material vazou para local de circulação onde trafegam veículos e pessoas dentro da unidade. 

Foto exclusiva mostra o local do vazamento. A área 300 é onde é feita a regeneração do solvente. A maior parte do material ficou dentro da contenção do local que já é contaminado. 

EVENTO NÃO USUAL - 

A INB informou que a “situação foi classificada como evento não usual e ficou restrita às instalações da unidade, em área pavimentada e dotada de sistema de contenção com dupla camada de proteção, composta por concreto e PEAD”. Informou também que “as equipes da unidade foram imediatamente acionadas e já realizam a limpeza da área. Uma equipe multidisciplinar acompanha a situação e define as demais providências necessárias. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) foi imediatamente comunicada e acompanha as ações adotadas pela INB”. 

VAZAMENTO - 

Em julho deste ano de 2026 o Blog divulgou um vazamento de amônia (produto altamente tóxico) ocorrido no dia 21 de junho (21/6) na URA. Na ocasião, o Ibama exigiu ao INB um documento com a descrição do acidente e “as medidas adotadas para seu atendimento e demais informações técnicas necessárias à avaliação da ocorrência”. Após o recebimento da comunicação, a Superintendência do Ibama na Bahia notificou a empresa, por meio do Ofício nº 571/2026/SUPES-BA, requerendo a apresentação, do “relatório circunstanciado com a descrição das causas do acidente’, entre as outras exigências. 

ACIDENTE - 

As instalações da INB em Caetité já registraram vários problemas, como o caso da queda de um operador na URA. O homem caiu e se feriu ao pisar numa tampa de ferro que estava aberta, em uma das oito células do setor de extração de urânio (área 160) às 10h30 em 1º de outubro de 2025. Em nota interna de esclarecimento a INB declarou que a informação “não procede”. Mas logo em seguida reiterou: “O fato envolveu um empregado que, durante atividade rotineira no setor de extração, sofreu uma queda em compartimento contendo solvente orgânico descarregado”. A empresa negou e confirmou ao mesmo tempo. Não informa como e porque o empregado sofreu a queda. E assim o caso foi encerrado, com a empresa tentando desqualificar a informação. 

VENDAVAL - 

Danos provocados por vendaval, no dia 31 de dezembro de 2023, paralisam as atividades de lavra na mina do Engenho, da URA), por um tempo. Na época, a informação do BLOG foi confirmada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A área de produção do concentrado de urânio foi a mais danificada. Esta é uma prova de que eventos climáticos extremos podem afetar instalações que operam com material radioativo. 

VISTORIA DO IBAMA - 

Segundo a INB, entre os dias 15 e 17 de setembro deste ano, a URA recebeu vistoria técnica do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Participaram da vistoria equipes da Coordenação de Licenciamento Ambiental de Mineração (Comip) e da Coordenação de Registro e Informação sobre Remediação e Contaminação Ambiental (Cicam), ambas do Ibama, que durante os três dias, percorreram diferentes áreas para verificar, em campo, a execução das medidas de controle e mitigação ambiental que integram o licenciamento ambiental da unidade. “O roteiro incluiu a plataforma da usina, a Mina do Engenho, estradas internas, áreas em processo de recuperação ambiental, as proximidades da Barragem de Águas Claras e pontos de monitoramento do meio biótico e da fauna. A equipe do Ibama também acompanhou as atividades do Gerenciamento de Áreas Contaminadas (GAC), observando o avanço das atividades previstas para tratamento de eventos não usuais pretéritos. A programação abrangeu ainda as ações do Programa de Comunicação Social e iniciativas desenvolvidas no âmbito dos programas de Educação Ambiental, contemplando diferentes aspectos da gestão ambiental da unidade”. 

IBAMA: RENOVAÇÃO DA LICENÇA COM CONDICIONANTES - 

Segundo a equipe técnica do Ibama, acrescentou a INB, a atividade integra o acompanhamento periódico realizado na URA. “Essa vistoria faz parte das inspeções que realizamos de forma frequente, com o objetivo de acompanhar se os sistemas de controle ambiental da unidade estão operando de acordo com o que é estabelecido pelo órgão ambiental”. E mais: “A equipe técnica do Ibama ressaltou ainda que a vistoria já estava programada e não decorre da recente renovação da Licença de Operação da unidade. Para eles, o acompanhamento ao longo dos anos permite observar a evolução dos procedimentos ambientais adotados. 

Como o Blog divulgou na semana passada, o Ibama concedeu a terceira renovação da Licença de Operação (LO) nº 274/2002 da Unidade de Concentração de Urânio (URA) da INB, com validade de 10 anos. Foi autorizada a continuidade das atividades como a lavra de urânio na Mina do Engenho e o beneficiamento do minério para produção de concentrado de urânio, únicos em operação no País. Mas o Ibama estabeleceu uma série de condicionantes gerais e específicas. A autorização poderá ser suspensa ou cancelada se houver “violação ou inadequação de quaisquer condicionantes ou normais legais”, “omissão ou falsa descrição de informações relevantes, que subsidiaram a expedição da licença; superveniências de graves riscos ambientais e à saúde”. O vazamento registrado nesta terça-feira leva à reflexão a segurança das instalações. 

CAETITÊ - 

A unidade ocupa uma área de 1.700 hectares, localizada em uma província mineral com recursos que chegam a 87 mil toneladas de urânio e onde estão identificados 17 depósitos minerais. De 2000 a 2015, a INB Caetité produziu 3.750 toneladas de concentrado de urânio a partir da extração a céu aberto de uma dessas jazidas – a mina Cachoeira. A mina que se encontra em operação hoje é a mina do Engenho. (FOTO: EXCLUSIVA do Blog)- COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – contato – malheiros.tania@gmail.com 

23º Congresso Nacional de Meio Ambiente de Poços de Caldas debate a extinção das espécies e os desafios para o futuro do planeta

 


Começa hoje (23/9) o 23º Congresso Nacional de Meio Ambiente de Poços de Caldas debate a extinção das espécies e os desafios para o futuro do planeta –
Desta quarta-feira (23/9) até sexta (25/), evento reúne pesquisadores, especialistas, empresas, instituições e estudantes para discutir biodiversidade, conservação da fauna, ciência, sustentabilidade e os impactos das transformações ambientais. 

A cidade de Poços de Caldas promove a 23ª edição do Congresso Nacional de Meio Ambiente de Poços de Caldas, que neste ano coloca no centro das discussões um dos maiores desafios ambientais da atualidade: “Extinção das Espécies: O Colapso Silencioso do Planeta”. 

Realizado no Teatro da Urca, o Congresso reunirá pesquisadores, professores, estudantes, profissionais, empresas, organizações ambientais, gestores públicos e representantes de diferentes setores da sociedade para discutir as causas e consequências da acelerada perda da biodiversidade e os caminhos possíveis para a conservação. 

A programação será aberta na manhã do dia 23 com a conferência magna “O Silêncio da Natureza: Extinção das Espécies e o Futuro da Vida na Terra”, com o Prof. Dr. Mauro Galetti, docente da UNESP, coordenador de Disseminação do CBioClima e vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico pelo livro Um naturalista no Antropoceno, um biólogo em busca do selvagem. A conferência propõe uma reflexão sobre a perda da biodiversidade, as transformações dos ecossistemas e os impactos da ação humana sobre o planeta. 

Ao longo dos três dias, o Congresso apresentará uma programação multidisciplinar, mostrando que a conservação da biodiversidade depende da participação integrada de diferentes setores. Entre os destaques está a mesa “Biodiversidade na Alcoa: Integrando Conservação e Desenvolvimento Sustentável”, que apresentará experiências desenvolvidas nas unidades da empresa em Alumar (MA), Juruti (PA) e Poços de Caldas (MG), abordando planos de biodiversidade, serviços ecossistêmicos, conservação da fauna e monitoramento. 

A vida marinha também estará em pauta no painel “Quando o Oceano Perde seus Gigantes: Baleias, Tubarões e o Colapso Silencioso da Vida Marinha”, com discussões sobre o papel das grandes espécies na saúde dos oceanos, a conservação dos tubarões e a recuperação das populações de baleias. 

Outro eixo importante será a relação entre ciência e sociedade. A mesa “A Educomunicação e os desafios da Socialização da Ciência” discutirá como transformar o conhecimento científico em informação acessível e capaz de estimular pensamento crítico, consciência ambiental e participação social em um cenário marcado pela desinformação e pela complexidade dos desafios socioambientais. 

A programação também abordará o papel dos zoológicos modernos na conservação, com a palestra “Dos cuidados à reintrodução: como os zoológicos contribuem com a Conservação?”, além dos desafios provocados pela infraestrutura de transportes. A mesa “Empreendimentos de Transporte e Fauna: Limites, Responsabilidades e Caminhos Possíveis” reunirá representantes de empresas, órgãos ambientais, academia e organizações especializadas para discutir rodovias, ferrovias, licenciamento ambiental, monitoramento e medidas de redução dos impactos sobre a fauna. 

Um dos debates abordará ainda um problema menos visível, mas fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas: o declínio mundial dos insetos. A mesa “Declínio da entomofauna mundial e a conservação dos insetos: aspectos ecológicos, sociais e educacionais” discutirá o papel dos insetos na polinização, decomposição, controle biológico e segurança alimentar, além das causas e consequências da redução de suas populações. 

A realidade ambiental de Poços de Caldas também terá espaço de destaque. A mesa “Fauna Silvestre em Territórios em Transformação: Desafios para a Conservação no Planalto de Poços de Caldas” discutirá os efeitos da expansão urbana, das atividades econômicas, da infraestrutura e das mudanças climáticas sobre a fauna de uma região de grande importância para a biodiversidade do Sudeste brasileiro. 

O Congresso também contará com uma programação dedicada à sustentabilidade e aos desafios econômicos da transição ambiental, incluindo a palestra “ESG e Financiamento Sustentável: Os Requisitos Internacionais para Projetos de Infraestrutura”, que discutirá como critérios ambientais, sociais e de governança vêm influenciando investimentos e projetos nos setores de mineração, energia, transporte e logística. 

A participação da sociedade será outro ponto central. A mesa “Caminhos para engajar os brasileiros na proteção da fauna silvestre” apresentará resultados da pesquisa nacional realizada pelo Instituto Vida Livre e pela Quaest, discutindo percepções, valores, motivações e barreiras relacionadas à conservação da fauna e os caminhos para ampliar a mobilização social em torno da causa. 

Um encerramento que coloca Poços de Caldas no centro de uma discussão mundial. 

O grande painel de encerramento, sexta-feira (25), levará o Congresso para uma questão estratégica que conecta meio ambiente, mineração, tecnologia, transição energética e geopolítica: “Por que o mundo inteiro disputa as terras raras?” Em dois momentos, especialistas discutirão a importância desses minerais para a economia e para as tecnologias do século XXI, os desafios ambientais e sociais de sua exploração e o papel do Brasil — e especialmente de Poços de Caldas — diante da crescente disputa internacional por recursos minerais estratégicos. 

O primeiro debate, “Poços no Centro do Mundo: Terras Raras, transição energética e soberania mineral”, terá a participação do Prof. Carlos Ernesto Gonçalves Reynaud Schaefer, titular do Instituto de Geociências da UFRJ, com mediação do Prof. Dr. Amilcar Saporetti. Na sequência, o painel “O Dia Seguinte: Que Planeta Vamos Deixar para as Próximas Gerações?” reunirá o jornalista, escritor e ambientalista Fernando Gabeira e a jornalista e escritora Tania Malheiros e com mediação do escritor e analista de geopolítica Dr. Pedro Costa Júnior. 

Além das mesas e painéis, o Congresso oferecerá minicursos, apresentações de trabalhos científicos, atividades educativas para estudantes e visitas técnicas, ampliando a experiência de formação e aproximando ciência, educação e sociedade. 

Entre as visitas técnicas estão o Parque Ambiental da Alcoa e o Jardim Botânico, enquanto os minicursos abordarão temas como conservação da flora ameaçada, educação ambiental com insetos, fotografia ambiental, mudanças climáticas e risco de extinção, conservação dos polinizadores, contaminantes ambientais, políticas públicas, sustentabilidade, economia circular e reaproveitamento de recursos. Ao final do evento, serão reconhecidos os 10 melhores trabalhos científicos apresentados no Congresso. 

Serviço: 23º Congresso Nacional de Meio Ambiente de Poços de Caldas - 23 a 25 de setembro de 2026 | Teatro da Urca | Poços de Caldas – MG.

Tema: “Extinção das Espécies: O Colapso Silencioso do Planeta” - 

O 23º Congresso Nacional de Meio Ambiente de Poços de Caldas será realizado entre os dias 23 e 25 de setembro, no Espaço Cultural da Urca. Toda programação é exclusiva para congressistas inscritos no evento. As inscrições serão recebidas somente na secretaria do evento a partir das 8h no Espaço Cultural da Urca. Para mais informações pelo site oficial www.meioambientepocos.com.br 

O Congresso é uma realização GSC Eventos Especiais em parceria com o IF Sul de Minas – Campus Muzambinho. Conta com o patrocínio da Alcoa e apoio da Loren Eventos, Descubra Poços, Revista Científica Regnellea Scientia, Jardim Botânico, Ateliê Alexandre Kantowitz, Café Goulart, Divers for Sharks, GEEM Lagos – Grupo de Estudos de Mamíferos Marinhos – Região dos Lagos. Parceiro de Mídia Oficial Arena Ambiental. Instituições parceiras IF Sul de Minas – Campus Poços de Caldas, UEMG – Universidade do Estado de Minas Gerais, Unifal – Campus Poços. Para mais informações entre em contato pelo 35 3697 1550 e celular 35 99848 9164. Legenda Foto: Congresso acontece no Espaço Cultural da Urca em Poços de Caldas. Não percam!


segunda-feira, 21 de setembro de 2026

TERRAS RARAS: outra mineradora australiana avança na exploração do cobiçado mineral; em Morro do Ferro (MG)

 


A mineradora australiana Power Minerals avança nos preparativos para desbravar as riquezas do território mineiro de olho nos minerais críticos, especialmente as terras raras. Em julho deste ano, a mineradora iniciou o “desenvolvimento” do Projeto Morro do Ferro, localizado nos munícipios de Poços de Caldas e Caldas. Em “carta de apresentação” representantes da mineradora mencionam que está sendo realizada uma avaliação socioeconômica que incluiu mapeamento de stakeholders (partes interessadas), por exemplo. 

Mas segundo informações em sites, a empresa já firmou acordo com o Governo de Minas Gerais para enquadrar o projeto como “prioritário” no Estado. Fotos mostram árvores cortadas, trabalhadores em cabanas, manuseando com equipamentos. 

Há cerca de 10 dias o Blog encaminhou perguntas para a Power Minerals: Solicitamos informações sobre o projeto Morro do Ferro, em Minas Gerais, que teve início em julho do corrente ano para reportagem a ser publicada no Blog. Seguem as perguntas: 1 – De que forma a Power Minerals obteve autorização para iniciar o projeto em Morro do Ferro? 2 – Como a empresa chegou ao local? 3 – O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva já anunciou que não autoriza essa atividade no território nacional.  A empresa contatou o governo federal? E o Estadual? Como está sendo realizado o contato com os municípios de Poços, Caldas e o distrito de Oliveira? 4 – Como está sendo realizado o contato com a população? 5 – Quais as etapas do projeto iniciado em julho? 6- A empresa INTEGRATIO está trabalhando de que forma? &- Existe uma forte rejeição de parte da população, políticos e ambientalistas quanto à exploração de minerais críticos, como terras raras, na região. Como a empresa analisa a questão? 8 – Como projetar escavar, explorar materiais críticos em Morro do Ferro, local turístico, histórico, repleto de histórias? 9 – Avaliação do investimento inicial, de agora, julho e posteriores? 10 – O que o Brasil ganha com o projeto Morro do Ferro? 

A Power Minerals retornou duas vezes, mas sem as respostas. Segundo a Brasil Mineral, em abril,  o negócio foi fechado por R$ 80 milhões. 

Na Carta de Apresentação, consta que a iniciativa da empresa visa um “estudo primário”. Os trabalhos de campo serão conduzidos pela Integratio – Mediação Social e Sustentabilidade contratada para apoiar os trabalhos de escuta, empresa fundada em 2005, em Belo Horizonte. 

Nos sites do setor de mineração e da própria mineradora australiana constam outras informações, que não estão na Carta de Apresentação que o Blog teve acesso, tais como: 

“A Power Minerals firmou acordo com o Governo de Minas Gerais para enquadrar o projeto de Terras Raras Morro do Ferro como projeto prioritário do estado. O empreendimento, localizado em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, passa a integrar o regime previsto pela Lei Estadual nº 21.972/2016, que estabelece tratamento diferenciado para projetos considerados estratégicos”. 

Consta também que a o “acordo prevê a atuação coordenada de órgãos estaduais de meio ambiente e desenvolvimento econômico enquanto a empresa avança na exploração, nos estudos técnicos e, posteriormente, no licenciamento ambiental do projeto”. Na parte de licenciamento, informa que a mineradora terá “tramitação especializada”. 

E acrescenta:  com o novo enquadramento, o licenciamento do Morro do Ferro deverá ser direcionado à Superintendência de Projetos Prioritários (SUPPRI), vinculada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) ficará responsável pela análise técnica ambiental, incluindo inspeções no local e avaliações dos estudos apresentados pela empresa”. Não seria importante uma inspeção independente? 

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), por meio também da Invest Minas, segundo os sites, “deverá apoiar a companhia na interlocução com órgãos estaduais e municipais, na aproximação com fornecedores e prestadores de serviços e na avaliação de possíveis incentivos estaduais”. Mas ressalva que o acordo, contudo, não concede licenças ambientais ao empreendimento. “As Licenças Prévia (LP), de Instalação (LI) e de Operação (LO) continuam condicionadas às três etapas do processo de licenciamento, que deverá incluir EIA e Rima quando a empresa estiver preparada para apresentar o pedido”. 

Segundo a Power Minerals, em sites, o acordo representa uma etapa institucional para o desenvolvimento do empreendimento, mas não substitui os trabalhos técnicos necessários para avançar o projeto. “O Estado concordou em aplicar seu regime de projetos prioritários ao nosso projeto de terras raras em Poços de Caldas e em coordenar os órgãos de desenvolvimento econômico e ambiental à medida que avançamos da sondagem para os estudos e, posteriormente, para o licenciamento”, afirmou o CEO da Power Minerals, Alistair Stephens. “Vamos continuar avançando com o Morro do Ferro na ordem correta: concluir o atual programa de sondagem, finalizar os testes mineralógicos e metalúrgicos e trabalhar para obter uma primeira estimativa de recursos minerais conforme o código JORC. O acordo apoia esse trabalho, sem substituí-lo“; disse. 

ALTOS TEORES DE TERRAS RARAS - 

O Morro do Ferro está inserido no Complexo Alcalino de Poços de Caldas e possui mineralização de terras raras desde a superfície, associada à mineralogia de bastnasita e cerianita. A Power Minerals concluiu a aquisição do projeto em abril de 2026 e atualmente conduz sua primeira campanha de sondagem diamantada. 

Esta informação oficial contrasta com a Carta de Apresentação na qual os trabalhos estão sendo iniciados, os de mapeamento, inclusive.  Entre os resultados divulgados pela companhia estão 116 metros com teor de 4,78% de óxidos totais de terras raras (TREO) no furo MFSR-051; 137 metros com 4,31% de TREO no MFSR-052; e 108,55 metros com 4,15% de TREO no MFSR-053. A empresa ainda não possui uma estimativa de recurso mineral JORC para o Morro do Ferro. Os resultados de sondagem divulgados anteriormente, portanto, não constituem um recurso mineral ou reserva de minério. 

Até o momento as mineradoras australianas no foco da mídia são a Viridis, inclusive contemplada com financiamento do BNDES, e a Meteoric. A Power Minerals ganha visibilidade nos últimos meses.   

(FOTOS E FONTES- AGÊNCIA MINERAL BRASIL – SITES BRASIL MINERAL)– 

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domingo, 20 de setembro de 2026

STF decide pelo fim do amianto no Brasil. "É a vitória das vítimas e entidades nesta luta de décadas", diz Fernanda Giannasi

 


O Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade de votos, decidiu nesta sexta-feira (18/9) pela inconstitucionalidade da Lei 20.514/2019 (Lei Caiado) que mantinha em funcionamento a mina de amianto da Sama/Eternit em Minaçu, Goiás. A produção do amianto, altamente cancerígeno, chega ao fim, depois de décadas de lutas e denúncias e processos na Justiça e um incontável número de mortes e doentes. A decisão determina o fechamento da mina. 


“Acabou o nosso sofrimento. É a vitória da luta aguerrida e resiliente das vítimas do amianto e das entidades unidas por esta causa”, comentou a auditora fiscal e engenheira de Segurança do Trabalho civil, Fernanda Giannasi, uma das fundadoras da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (ABREA), recebeu vários prêmios como o “Faz a Diferença”, do jornal O Globo, em 2017. 

E acrescentou: “Se por um lado comemoramos a sofrida vitória do banimento definitivo do amianto, a fibra letal, por outro lado lamentamos as milhares de vítimas, que tiveram suas vidas ceifadas pela irresponsabilidade das empresas da imensa cadeia produtiva do mineral cancerígeno”. 

Dia 18 de setembro de 2026, destacou Giannasi, “será lembrado para sempre como o dia em que a Corte Suprema do país bateu finalmente o martelo numa situação insustentável que se arrastava há 7 anos, referente a uma lei ilegal e imoral, que permitia que o amianto proibido no Brasil desde 2017 fosse exportado para países com menos regulações nas áreas de saúde, trabalho e meio ambiente, especialmente para o continente asiático. Como tão bem disse o nosso brilhante orador, Ruy Barbosa, o Águia de Haia, em sua icônica obra “Oração aos Moços”: “Justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta”.



"A injustiça está perfeitamente comprovada na placa no “Memorial das Vítimas do Amianto”, no centro de Osasco, com mais de 700 nomes de vítimas, que continuarão a acontecer por, no mínimo mais 50 anos”. 

O minério estava sendo produzido na mina de Cana Brava, em Minaçu, a 490 km de Goiânia. Conforme a imprensa tem divulgado, apenas no terceiro trimestre do ano passado, a mineração gerou R$ 156 milhões em exportações. 

A LUTA TRANSFORMADA EM FILME - 

O novo longa do premiado diretor de cinema e roteirista José Eduardo Belmonte, terá a atriz Grazi Massafera protagonizando a ativista Fernanda Giannasi, em suas mais três décadas de luta pelo banimento do cancerígeno amianto, o acolhimento às vítimas, o amparo judicial e as ameaças de poderosos do setor. A notícia foi revelada site “Oxentepipoca”. 

De acordo com a biografia disponível, o renomado cineasta, Belmonte é conhecido por filmes como Alemão (2014) e Alemão 2 (2022), Carcereiros - O Filme (2019), Entre Idas e Vindas (2016), O Auto da Boa Mentira (2021), e mais recentemente O Pastor e o Guerrilheiro (2023) e Quase Deserto (2024), abordando temas sociais e políticos, com destaque para a experiência da imigração em sua obra mais recente. Sua filmografia também inclui Se Nada Mais Der Certo (2008), premiado em festivais, e curtas como Tepê (1999). 

A trama acompanha Giannasi, como engenheira, que entra para o serviço público durante a ditadura militar no Brasil, informa o site, e descobre uma contaminação por amianto, que muda a sua vida. Em reportagens para o BLOG, na época, ela falou sobre “o silêncio epidemiológico reinante no país em função de diversos mecanismos de invisibilidade social, tais como a inércia das instituições de saúde, que não cumprem seu papel de vigilância, como previsto em nossa legislação”, por exemplo.

O BLOG entrevistou Fernanda Giannasi no ano passado. Quantas pessoas foram vitimadas pelo amianto no Brasil? Há provas documentais sobre quantas pessoas morreram no Brasil? 

Fernanda:  Um número preciso de vítimas do amianto no Brasil ainda não foi possível de se obter. 

BLOG: Por quê? 

Fernanda: Por conta de vários motivos: o  silêncio epidemiológico reinante no país em função de diversos mecanismos de invisibilidade social, tais como a inércia das instituições de saúde, que não cumprem seu papel de vigilância  à saúde dos expostos, como previsto em nossa legislação; pelos pactos estabelecidos entre empresas e vítimas, através de acordos extrajudiciais (mais de três mil instrumentos particulares de transação firmados pelas duas empresas líderes do mercado de fibrocimento e da mineração), que remuneram parcimoniosamente o silêncio das vítimas e de seus familiares pelas doenças adquiridas e por uma nefasta liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que protegeu as empresas até recentemente de não serem obrigadas a informar os dados de seus trabalhadores expostos e os doentes para os órgãos de saúde. 

BLOG: É um problema de grande subnotificação....

Fernanda: Certamente e outro agravante para esta subnotificação está no fato de que as doenças relacionadas ao amianto são de grande latência, isto é, levam em média de 20 até 60 anos para se manifestarem, quando em geral o trabalhador já está retirado de seu local de trabalho. Os casos diagnosticados têm sido registrados parcialmente tanto nos órgãos da Previdência Social como os da Saúde, representando apenas a ponta de um imenso iceberg. 

BLOG: Quantas estão em tratamento? 

Fernanda: Em todo o país, por onde se utilizou o amianto de maneira intensiva e sem nenhum controle, diariamente nos deparamos com novos casos de doenças sendo diagnosticadas, entre as quais a asbestose (fibrose pulmonar que endurece o pulmão, tornando-o rígido – o chamado “pulmão de pedra”), diversos tipos de cânceres, entre eles o de pulmão, laringe, aparelho digestório, ovário, túnica vaginal e o mesotelioma, chamado o “câncer do amianto”, que atinge as membras que envolvem o pulmão (pleura), a cavidade abdominal (peritônio) e o coração (pericárdio). São centenas de casos em tratamento nas diversas estruturas do Sistema Único de Saúde (SUS) e em entidades privadas para aqueles que celebraram os acordos extrajudiciais. 

BLOG: Há indenizações? 

Fernanda: Com a Emenda Constitucional 45, que atribuiu à Justiça do Trabalho o poder decisório em processos de indenização por doenças adquiridas no e pelo trabalho, os processos individuais das vítimas do amianto se tornaram mais céleres. E, em geral, mais bem-sucedidos em relação ao que ocorria anteriormente na esfera cível, em especial quanto aos valores de dano moral. Nosso país ainda não goza de uma cultura judicial sobre as ações civis públicas, coletivas ou também chamadas “class actions”, e se percebe uma certa timidez nos julgamentos destes processos, diferentemente do que ocorre nas ações individuais. Essas ações, depois da EC 45, têm indenizado de maneira mais justa e rápida às vítimas e seus familiares. 

BLOG: Onde estão localizadas as fábricas de amianto no Brasil? Quantas pessoas trabalham nessas fábricas? Estão cientes do perigo? 

Fernanda: Atualmente só a mineração de amianto, em Minaçu, continua a explorar a fibra cancerígena. As demais fábricas substituíram esta matéria-prima reconhecidamente nociva para a saúde dos seres humanos. Na mineração, atualmente, trabalhavam cerca de 300 empregados diretamente contratados na mina de Cana Brava, da Sama, em Minaçu, no Estado de Goiás. A cidade tem ainda uma dependência econômica muito grande desta empresa, que é a maior atividade produtiva do local, o que faz com que a população tenha estabelecido um pacto de silêncio, negando fortemente a nocividade de sua principal riqueza local. Inclusive se autointitula orgulhosamente de a “capital nacional do amianto”, como podemos ver no pórtico de entrada da cidade. Outros equipamentos públicos e privados de Minaçu têm a marca registrada do poderio econômico exercido pela atividade de exploração do minério de amianto, como pode-se ver na decoração do principal hotel da cidade, que tem o sugestivo nome de CRISOTILA (o amianto branco explorado em Minaçu) Palace Hotel, e na porta do fórum, ambos ostentando enormes pedras do minério in natura. 

BLOG:  O que as autoridades da saúde no Brasil têm feito pelas vítimas do amianto? E as autoridades da segurança do trabalho? 

Fernanda: Muito pouco tem sido feito pelos órgãos de saúde e trabalho, em geral, no país, com raríssimas e notórias exceções como a Fundacentro e INCOR em São Paulo e a Fiocruz no Rio de Janeiro, que realizam os diagnósticos das doenças relacionadas ao amianto dos ex-empregados expostos. As fiscalizações praticamente estão paralisadas pelo desmonte de órgãos como o Ministério do Trabalho, que carecem de profissionais qualificados para estas ações. 

BLOG: Quando a luta pelo banimento começou no Brasil? O que motivou essa luta? 

Fernanda: A luta pelo banimento no Brasil se iniciou mais efetivamente após o evento da conferência das Nações Unidas (ONU), a UNCED, popularmente conhecida como a Rio/92, onde tivemos a oportunidade de conhecer e interagir com movimentos sociais internacionais na luta para a eliminação dos produtos tóxicos, os quais incluíam o amianto, a tecnologia nuclear etc. 

BLOG: Por que a senhora entrou nessa luta? 

Fernanda: Desde 1983, quando fui admitida em concurso público para a inspeção do trabalho, em São Paulo, me dediquei a estudar e inspecionar empresas que utilizavam produtos e tecnologias cancerígenas. Em 1985, criei com um colega médico o GIA-Grupo Interinstitucional do Asbesto, outro nome para o amianto, para fiscalizar as empresas usuárias do mineral cancerígeno. Isto, no momento em que a Organização Internacional do Trabalho (OIT), ligada à ONU, discutia se o amianto deveria ser proibido em todo o mundo ou permitido seu uso sob restritas condições de segurança. Dali para frente, os enfrentamentos com a indústria do amianto foram se sucedendo e se tornando cada vez mais acirrados, nos diversos campos, pois enfrentamos um dos mais organizados e poderosos lobbies industriais mundiais, comparado em importância e poderio ao do tabaco. 

BLOG:  A senhora ganhou o prêmio Faz a Diferença de O GLOBO por sua atuação pelo banimento do amianto no Brasil e no mundo. O que representou esse prêmio? 

Fernanda: A coroação de um esforço, inicialmente solitário, mas que foi ganhando adeptos e se tornando numa luta coletiva ao longo desta jornada de 40 anos. O prestigioso prêmio tornou a nossa batalha ainda mais visível e palatável para uma grande parcela da sociedade brasileira. Uma grande honra tê-lo recebido junto a tantas personalidades brilhantes deste país. 

BLOG: No Brasil, quais os próximos passos para acabar de vez com o amianto? 

Fernanda: O mais importante no momento é o julgamento pelo STF da inconstitucionalidade da lei que permite a exploração do minério de amianto para fins de exportação. O julgamento em curso porá um fim definitivo à exploração da fibra mortal, que condena não somente os trabalhadores da mineração, transporte e nas atividades portuárias em nosso país, como das populações em países importadores em situação ainda mais vulneráveis socio-política-ambientalmente do que a sociedade brasileira, constituindo-se numa prática cruel de duplo padrão ou mesmo um crime de racismo ambiental. 

PERFIL: 

FERNANDA GIANNASI - Engenheira Civil e de Segurança do Trabalho. Auditora Fiscal do Trabalho por 30 anos no Ministério do Trabalho e Emprego (MTb) em São Paulo, onde atuou na inspeção das condições de saúde e segurança no trabalho com ênfase na insalubridade, letalidade e periculosidade dos agentes cancerígenos (amianto, nuclear, sílica) e outros tóxicos. Atualmente, aposentada, é consultora na área de saúde, trabalho e meio ambiente para entidades de trabalhadores (as) e vítimas de processos industriais. Fundou a Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (ABREA) em 1995 e é coordenadora da Rede Virtual-Cidadã pelo Banimento do Amianto para a América Latina desde 1993. Tem recebido vários prêmios nacionais e internacionais, como mencionado anteriormente, entre os quais: a Ordem do Mérito Judiciário tanto pelo Tribunal Regional da 15ª. região (TRT -15), como pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) de Brasília. Em novembro de 2018, foi agraciada com o Prêmio Bernardino Ramazzini, em homenagem ao Pai da Medicina do Trabalho, pelo prestigiado Collegium Ramazzini, de Carpi, na Província de Módena, Itália. 

(FOTOS: AGÊNCIA PÚBLICA E ACERVO ABREA) – 

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sábado, 19 de setembro de 2026

TERRAS RARAS: BNDES confirma liberação de recursos para mineradora australiana Viridis

 


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) confirmou a liberação de recursos para a empresa australiana Viridis, em Poços de Caldas (MG). Em nota ao Blog o BNDES informou que aprovou financiamento no valor de R$ 77,5 milhões, com recursos do BNDES Mais Inovação, para a Viridis Mineração Ltda. “A companhia vai implantar seu Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras (CPTR), que vai produzir Carbonato Misto de Terras Raras em escala piloto e realizar pesquisas para o desenvolvimento de técnicas metalúrgicas específicas e otimização de rotas de processamento de argilas iônicas encontradas na região de Poços de Caldas (MG)”. 

O BLOG PERGUNTOU AO BNDES - 

Solicitamos informações sobre a liberação de verba para a empresa australiana Viridis, notícia divulgada pela imprensa nesta quarta-feira. É fato? Solicitamos informações. Geólogos do CDTN/CNEN apontaram falhas nas licenças ambientais da Viridis e Meteoric e declararam em seminário gravado que as licenças deveriam ser canceladas. Caso tenha liberado os recursos, perguntamos se o BNDES analisou a questão. 

SEGUE A RESPOSTA DO BNDES - 

A Viridis Mineração, subsidiária integral da australiana Viridis Mining and Minerals, é titular de 100% dos direitos de pesquisa e lavra do Projeto Colossus IAC (Ionic Adsorption Clay), em Poços de Caldas, local reconhecido como um dos depósitos de argilas iônicas mais promissores fora da Ásia, tanto pela alta concentração de terras raras pesadas (Disprósio, Térbio, Neodímio e Praseodímio), quanto pela viabilidade técnica da extração. Carbonato Misto de Terras Raras é um produto intermediário obtido no processamento de minérios que contêm elementos de terras raras. Argilas iônicas são depósitos geológicos nos quais elementos de terras raras ficam retidos na forma de íons adsorvidos (depósitos que são uma importante fonte de terras raras para aplicações tecnológicas). 

O CPTR é a primeira etapa do Projeto Colossus da Viridis Mineração, que compreende a planta-piloto da companhia e suas atividades subsequentes voltadas para o desenvolvimento tecnológico e validação de técnicas e da rota de processamento de terras raras. A planta piloto tem como objetivo simular as condições da planta industrial do Projeto Colossus, cuja implantação está prevista para iniciar no primeiro trimestre de 2027 e deverá entrar em operação ao final de 2028. 

“É um investimento voltado para o fomento da produção nacional de terras raras, que contribui para posicionar o Brasil como fornecedor estratégico global de minerais críticos para a transição energética. O projeto envolve o apoio ao ecossistema de inovação na região de Poços de Caldas e à cadeia nacional de fornecedores, com geração de empregos qualificados”, explica o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “Uma linha de financiamento com prazo de 16 anos e custo indicativo atual de aproximadamente 4,8% representa uma condição de captação extremamente atrativa e demonstra o apoio disponível no Brasil para projetos estratégicos como o Colossus”, diz o diretor-geral da Viridis, Rafael Moreno. 

CHAMADA PÚBLICA - A Viridis Mineração teve o projeto selecionado na chamada pública do BNDES e da Finep, lançada em 2025 para financiar projetos relacionados à cadeia de valor de minerais estratégicos para a transição energética e a descarbonização da economia. O resultado com a lista dos projetos contemplados está disponível no portal do Banco. “Quando a Viridis foi selecionada na chamada lançada pelo BNDES e pela Finep no ano passado, nosso objetivo era transformar esse apoio em recursos concretos para o desenvolvimento de nossas atividades relacionadas a terras raras no Brasil. 

A aprovação deste financiamento de R$ 77,5 milhões representa uma importante entrega em relação a esse objetivo e, juntamente com os US$ 154 milhões em recursos de capital próprio já captados, fortalece ainda mais nossa posição financeira à medida que avançamos na obtenção do restante do financiamento sênior necessário para viabilizar o projeto Colossus”, acrescentou Rafael Moreno. “O Grupo Viridis atua no setor de minerais estratégicos e tecnológicos, com foco na pesquisa, lavra, beneficiamento, refino e reciclagem de Elementos de Terras Raras (ETRs), que são insumos essenciais para a produção de ímãs permanentes de alto desempenho (NdFeB), materiais críticos para cadeias produtivas ligadas à mobilidade elétrica, energia renovável, tecnologia médica e eletrônica de precisão”. 

(FOTO – VIRIDIS/BNDES) – 

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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Lula sanciona Projeto de Lei dos minerais críticos como as terras raras e critica "traidores da pátria"

 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou os “traidores da pátria” ao sancionar nesta quarta-feira (16/9) o Projeto de Lei (PL 2780/2024) que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República. Ao sancionar o projeto, Lula afirmou que o Brasil propõe uma nova agenda de mineração para o mundo. "Antes de tudo, é preciso vencer os adversários internos. Como sempre, os traidores da pátria, mais uma vez, caíram de joelhos diante dos Estados Unidos. Prometeram entregar nossos minerais críticos e terras raras em estado bruto, a preço de banana, como aconteceu no passado com nosso minério de ferro", disse Lula. 

"Não permitiremos que a história se repita. Que os inimigos do Brasil entendam uma vez por todas: nossa soberania não está à venda. A riqueza do Brasil tem um único dono: o povo brasileiro", completou. A legislação prevê a criação de um fundo garantidor para estimular investimentos no setor e institui um crédito tributário de R$ 5 bilhões para incentivar o processamento e a transformação de minerais em território nacional. Também autoriza a União a criar um fundo de natureza privada, do qual poderá participar como cotista com aporte de até R$ 2 bilhões. 

O presidente defendeu uma atividade mineradora social e ambientalmente justa, sustentável e industrializante. A proposta é que a exploração das terras raras gere empregos qualificados, royalties justos e desenvolvimento tecnológico no território nacional. Para isso, o Marco Legal prevê incentivos à verticalização da cadeia, estimulando a instalação de plantas de separação e produção de ímãs e ligas metálicas no Brasil. A medida pode beneficiar diretamente o setor industrial do interior paulista, que já possui polos metalmecânicos e eletroeletrônicos em cidades como Araçatuba, Birigui e Penápolis. 

CAPÍTULO À PARTE - 


O governo começou a manifestar grande preocupação em relação aos minerais críticos nacionais depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump declarou seu interesse pelas terras raras brasileiras. Recentemente, a empresa americana USA Rare Earth comprou a Serra Verde, a única mineradora em operação no Brasil, localizada em Minaçu, Goiás. 

Enquanto isso, empresas australianas como a Viridis e Meteoric ingressaram no território mineiro (Caldas e Poços de Caldas) por volta de 2024, depois de acordo com o governador estadual, com o objetivo de explorar as terras raras. Há muito o que se esclarecer sobre a operação das empresas que já causaram críticas do Ibama, moradores, parlamentares e ambientalistas. 

As empresas australianas estariam participando de processo seletivo de projetos para financiamento do BNDES, a fim de serem contempladas com verbas públicas, conforme já foi noticiado. O Blog tenta informações oficiais sobre o caso. 

(FOTO: Primeira foto de Ricardo Stuckert - Serra Verde) – 

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