quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Presidente Lula é contra a exploração de terras raras por estrangeiros na mineradora Serra Verde

 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é contra a exploração de terras raras em Goiás por empresa americana e avalia como rever negócio que vem sendo anunciado desde abril, como se fosse definitivo. Lula disse hoje (26/8) que tem 'muita gente estrangeira' comprando minerais críticos do Brasil antes da regulamentação do setor no país. O ponto do contrato mais criticado pelo governo é a previsão de envio de 100% da produção inicial para os Estados Unidos. A USA Rare Earth firmou um acordo para adquirir participação na mineradora Serra Verde, responsável por uma mina no município de Minaçu, anunciando anteontem, por exemplo, o aporte de mais recursos para a aquisição. 

O negócio prevê a combinação das operações das duas companhias para criar uma cadeia completa de produção de ímãs — da extração à fabricação — fora da Ásia, região que hoje domina esse mercado. Mas ainda é necessária a aprovação dos acionistas em assembleia que deverá ocorrer nesta sexta-feira (28/8). 

O presidente falou sobre a Serra Verde ao defender a aprovação no Senado do projeto que cria a política nacional para minerais críticos após um almoço no Palácio da Alvorada com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). 

"Se a gente não regular e definir que essa riqueza mineral não é minha, não é do Alcolumbre, não é do Hugo Motta, não é individualmente de ninguém e de nenhum empresário e muito menos de outro país, que é uma riqueza do Brasil e por ser do Brasil a gente tem que garantir que essas coisas se transforme em uma coisa que faça o povo brasileiro sonhar de que a possibilidade que nós temos de garimpar, tratar e produzir coisas importantes nesse país é uma coisa sagrada para o futuro do nosso país", disse o presidente Lula. 

A Política Nacional de Minerais Críticos cria uma legislação específica para atrair investimentos nacionais para o setor, com um fundo de R$ 5 bilhões. O projeto já foi aprovado na Câmara em maio e aguarda somente a votação no Senado. Alcolumbre anunciou que levará ao plenário da Casa a proposta para a votação na próxima semana. Os minerais críticos ou estratégicos, como as terras raras, são fundamentais para a produção de imãs para a indústria de tecnologia, armamento, baterias de veículos elétrico, entre muitas outras. 

Leia hoje MATÉRIA EXCLUSIVA blog: 

Terras raras: acordos antigos passam pelas Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas, na misteriosa trajetória da mineradora Serra Verde - Acordos antigos de investimentos que passam pelas Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas, por Toronto no Canadá, cercam de mistérios a trajetória da mineradora Serra Verde, em Minaçu (Goiás). 

Desde abril a venda da Serra Verde para os Estados Unidos tem sido anunciada, com a cobiça do presidente Donald Trump pelas terras rara, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a soberania nacional, sobre os preciosos minerais estratégicos. 

(FOTOS – PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA) – 

Matéria principal com o 247, G1 e mídias do governo -  

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Terras raras: acordos antigos passam pelas Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas, na misteriosa trajetória da mineradora Serra Verde

 

Acordos antigos de investimentos que passam pelas Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas, por Toronto no Canadá, cercam de mistérios a trajetória da mineradora Serra Verde, em Minaçu (Goiás). Desde abril a venda da Serra Verde para os Estados Unidos tem sido anunciada, com a cobiça do presidente Donald Trump pelas terras rara, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a soberania nacional, sobre os preciosos minerais estratégicos. Leia a reportagem exclusiva Blog. 


Rio de Janeiro, 26 de agosto de 2026 - Por meio de um contrato de crédito, de 21 de outubro de 2021, o OMF Fund III Ltda, um fundo de investimento, que opera de acordo com as leis das Ilhas Cayman, concordou em fornecer à SVRE Holding Ltda, empresa das Ilhas Virgens Britânicas, de acordo com as leis da região, uma determinada linhas de crédito de cerca de US$ 115 milhões. Tudo dentro do pacote da Serra Verde Pesquisa e Mineração, em Minaçu, Goiás, a maior operadora de terras raras no Brasil, no processo nº 48406.861427/2010-21, da Agência Nacional de Mineração (ANM), sobre Penhor de direitos Minerários. 

O negócio prossegue, conforme documentos, que o blog teve acesso, informando que tal facilidade está garantida pelo credor pignoratício (pessoa ou instituição que possui uma garantia real de penhor sobre um bem móvel de um devedor), e em conjunto com fiadores. Isto, conforme definido no contrato de crédito, “uma empresa validamente organizada e existente sob as Leis do Canadá, com sede estatutária neste endereço: University Avenue, 3rd Floor, Toronto, ON M5J 2P1, registrada no Business Corporations Act (Ontário, província mais populosa do Canadá, na região central-leste do país), sob o número 5027634 (Agente Global de Garantia), conforme consta no documento, “atuando como agente administrativo global e de garantias, “por si e em nome do Mutuante em relação às obrigações garantidas”. 


O negócio menciona alguns aditamentos. Este seria o terceiro. De acordo com o documento, o contrato de obrigações para fins do artigo 1424 do código brasileiro, as condições das obrigações, têm o mesmo significado do segundo contrato de crédito, de Royalties Original da A&R, com uma série de pontuações. Menciona juros, taxas, datas de pagamento, de 31 de dezembro de 2029, reembolso, valores que vão de U$S 2,5 milhões, a U$S 20 milhões, com a seguinte observação: “a partir de tal data, podendo chegar a U$S 50.000,00. 

NEGÓCIOS ANTIGOS - 

Tem mais de uma década as tratativas da Serra Verde com o Ministério de Minas e Energia (MME). De acordo com o processo nº 48406.861428/2010-75, o requerimento para pesquisa de lavra para terras raras, foi apresentado em 19 de outubro de 2010, pela Mining Ventures Brasil Pesquisas e Mineração Ltda, em uma área de 1446.81 hectares. O Alvará de Pesquisa nº 753/2011 foi publicado no Diário Oficial da União no dia 31 de janeiro de 2011, autorizou a requerente a pesquisar terras raras pelo prazo de três anos, nume área de 1.633.54 hectares no município de Minaçu. 

A trajetória da empresa que hoje pertenceria aos Estados Unidos está relatada neste documento: O relatório final de pesquisa para a substância foi apresentado em 6 de dezembro de 2013 e aprovado em 29 de abril de 2015 com redução de área de 1.633,54 hectares para 1.446,82 hectares consignando uma reserva medida de 5.287.102 toneladas, entre outras informações. 

26 DE ABRIL DE 2016 - 

O requerimento de lavra foi protocolizado em 26 de abril de 2016, acompanhado de plano de aproveitamento econômico integrado para as áreas de alguns processos, objetivando a lavra conjunta das reservas aprovadas em cada processo para ser beneficiado em uma única usina. “Assim, em que pese a ANM (Agência Nacional de Mineração) ter aprovado uma jazida em cada um dos oito processos minerários, a Serra Verde está considerando para efeito de projeto como sendo uma jazida integrada denominada de Projeto ALF (sigla em Inglês) para exploração e beneficiamento de terras raras. 

IMPACTOS AMBIENTAIS - 

Em 28 de março de 2019, no mesmo documento do MME, consta que a Serra Verde Pesquisa e Mineração protocolou um plano de aproveitamento econômico integrado atualizado, substituindo o anterior, com o objeto de “otimizar os processos de beneficiamento e as operações de lavra, para reduzir o impacto ambiental do projeto”. Eis algumas informações do que a empresa declarou ter feito: alterou o ambiente em que ocorre a lixiviação das pilhas a céu aberto para tanques, com agitação em circuito fechado; reduziu as etapas de remoção de impurezas e osmose reserva, sendo que esta última foi eliminada; otimizou as operações de lavra. Reduziu a quantidade de minério a ser transportado”. 

No mesmo documento consta que a Serra Verde contava com 360 funcionários, que prorizav a contatação de moradores; o faturamento anual projetado integrado era de R$ 367.376.178,66, o faturamento anual estimado para o processo ANM nº 861.428/2010 era de R$ 9.515.043,03; custo anual direto do projeto integrado, R$ 151.600,000,00/ano; por exemplo. 

REJEITOS E PASTAGEM PLANTADA -

 “Os resíduos gerados pelo projeto ALF serão compactados e dispostos em duas pilhas, cujo volume total será de 140 Mm3 (cento e quarenta milhões de metros cúbicos), sendo que a pilha 1ocuparám uma área de 1.186.237 metros quadrados, com 111 metros de altura e a pilha 2, ocupará uma área de 1.712.355 metros quadrados, com uma altura de 101 metros. Segundo o documento do MME, “a utilização futura da área consistia na recuperação ambiental final buscando devolver a área parte de sua aptidão inicial que era a de pastagem plantada”. 

ABRIL DE 2026 - 

SERRA VERDE AOS ESTADOS UNIDOS.

 Tanto tempo depois, a direção da Serra Verde anuncia em alto e bom som que a empresa foi vendida para os Estados Unidos. Desde abril deste ano de 2026, os primeiros anúncios parecem surpreender. Aqui, o Blog relembra alguns amplamente divulgados pela direção da Serra Verde: 

“Temos o prazer de anunciar uma combinação acordada com a USA Rare Earth, Inc. (Nasdaq: USAR) para criar um líder global em terras raras, com operações em toda a cadeia de suprimentos de terras raras leves e pesadas, incluindo mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs. As operações de mineração e processamento da Serra Verde desempenharão um papel fundamental no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras — da mina ao ímã — fora da Ásia, quando combinadas com as operações de separação, processamento e fabricação de metais de classe mundial da USA Rare Earth, além de suas parcerias estratégicas que abrangem os EUA e os seus aliados”. 

“A compra da brasileira Serra Verde por cerca de US$ 2,8 bilhões, segundo a companhia, o acordo prevê a aquisição de 100% da Serra Verde, dona da mina e da planta de processamento Pela Ema, em Goiás. A operação será paga com US$ 300 milhões em dinheiro e 126,849 milhões de novas ações da USA Rare Earth, o que implica um valor de aproximadamente US$ 2,8 bilhões para a mineradora brasileira. O fechamento está previsto para o terceiro trimestre de 2026, sujeito a aprovações regulatórias e outras condições usuais. A Serra Verde é controlada por investidores privados e fundos, entre eles Denham Capital, Vision Blue Resources e Energy & Minerals Group”. 

“Em janeiro, a USA Rare Earth assinou uma carta de intenções não vinculante com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos para ter acesso potencial a até US$ 1,6 bilhão em apoio financeiro do governo dos EUA. Desse total, até US$ 277 milhões seriam em recursos federais diretos e até US$ 1,3 bilhão em um empréstimo sênior garantido. Na prática, o documento não representa liberação imediata de recursos, mas sinaliza que Washington vê a empresa como peça estratégica na tentativa de montar, fora da China, uma cadeia de terras raras, metais e ímãs voltada a setores considerados sensíveis, como semicondutores, defesa e energia. A Serra Verde iniciou a produção comercial em 2024 e já recebeu mais de US$ 1,1 bilhão em investimentos. A expectativa é que a mina atinja capacidade plena até 2027, com potencial de expansão nos anos seguintes”. 

“O governo dos Estados Unidos se comprometeu com pelo menos US$ 1,6 bilhão em empréstimos, aportes e compras futuras ligados à mineradora e à sua produção. Agora, os acionistas da USA Rare Earth podem dar nesta sexta-feira (28/8, segundo a jornalista Camila Alves Barros, do InvestNews,“o último grande passo para a conclusão da compra da mineradora brasileira. Eles decidirão se autorizam a emissão de 126,8 milhões de novas ações, que serão usadas como parte do pagamento. A USA Rare Earth espera concluir a operação logo após a assembleia, desde que as demais condições previstas no acordo sejam cumpridas”. 

O Blog tentou ouvir a Serra Verde. 

(FOTO- SITE DA SERRA VERDE) - 

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Ministério Público investiga presença de amianto em cosméticos com talco


O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) está averiguando os cosméticos à base de talco mineral vendidos no Brasil, desde a última segunda-feira (24/8). A investigação visa apurar se fabricantes e importadores estão de acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), cumprindo os deveres de segurança e de informação. O procedimento administrativo foi aberto pela 3ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (3ª Prodecon), informou a ativista pelo banimento do amianto no Brasil e no Mundo, fiscal do trabalho, Fernanda Giannasi. 

A Promotoria busca reunir informações técnicas sobre a utilização do produto, informou Giannasi. De acordo com o MPDFT, cosméticos com o material na composição continuam sendo vendidos no Brasil, mesmo que exista alternativas, como o amido de milho. Algumas empresas já fizeram a troca, disse. Segundo ela, “a situação acontece após repercussões de processos e acordo de valor exorbitante na Justiça feitos pela Johnson & Johnson nos Estados Unidos”. 

Giannasi lembrou que desde 2009, a empresa foi processada diversas vezes, com a alegação de que os produtos fabricados à base de talco causaram câncer de ovário nos consumidores, por conta da suposta presença de amianto. “Em julho, o acordo polêmico foi o pagamento de US$ 5,5 bilhões, cerca de R$ 28 bilhões, para encerrar a ação”. 

A Diretoria de Vigilância Sanitária (DIVISA), lembrou, terá que explicar os trâmites da regulamentação desses produtos no país, o que deve ser cumprido para comprovar a ausência de amianto e quais métodos são autorizados para fazer a verificação. “O órgão também informará se houve registros de contaminação nos últimos 10 anos. No caso de os fabricantes e importadores, terão que dizer quais produtos comercializados por eles contêm talco mineral, a origem da matéria-prima e como é feito o controle dos fornecedores”. 

Ela disse que quando analisar as respostas, a Promotoria decidirá o que pode ser feito. “As possíveis ações vão desde a realização de audiência pública ou técnica à abertura de um Inquérito Civil. Se forem comprovadas as medidas de segurança dos produtos, o procedimento pode ser arquivado.” Giannasi levou amostras de talco para análise nos EUA. 

(FOTO - BLOG -FERNANDA GIANNASI) – 

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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Lula promete concluir o submarino nuclear; "o BNDES pode ajudar a gente".

 


O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, prometeu conseguir recursos no orçamento para concluir o projeto do primeiro submarino nuclear brasileiro, iniciado há cerca de 40 anos. O presidente fez a promessa nesta quarta-feira (19/8) ao discursar durante a segunda visita oficial no Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), em Iperó, São Paulo, onde o Brasil enriquece urânio e desenvolve o projeto atômico, que inseriu o país no seleto clube do átomo, na década de 80. "Vamos conversar mais com o BNDES, que pode ajudar a gente", comentou o presidente. 

O presidente lembrou que em 2007, quando visitou Aramar, prometeu e conseguiu liberar R$ 1,4 bilhão para o projeto. Mas depois, questões no orçamento impediram os avanços do projeto, entre outros, como o desenvolvimento de turbinas a etanol da Aeronáutica também, em 2010, agora resolvido. 


A paralisação dos projetos prejudica estudantes de engenharia que acabam se formando e deixando o Brasil atraídos por empregos no exterior, reconhece Lula. Diretamente, ele disse a Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que o os projetos precisam também do Banco. O presidente comentou que as tecnologias em Aramar refletem décadas de investimentos técnicos, científicos e de capacitação profissional orientados pela Estratégia Nacional de Defesa, que não podem ser perdidas. Durante a visita foi destacado que esse domínio tecnológico é estratégico para a indústria e o desenvolvimento científico do país, com o submarino desempenhando papel importante na proteção do mar territorial e na soberania nacional. Lula disse que o submarino faz parte do projeto nuclear pacifico do Brasil, que tem acordo com a França desde 2009, quando ele e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, assinaram um acordo histórico para viabilizar o empreendimento atômico. Conforme amplamente divulgado na época, tratava-se de acordo de transferência de tecnologia para fabricação do submarino, sem envolver a tecnologia nuclear. O projeto caminha na base naval em Itaguaí (RJ). 

FINEP NO SETOR NUCLEAR - 

Em Aramar, a ministra de Ciência e Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, lembrou que por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) - empresa pública vinculada ao MCTI - a tecnologia do submarino recebe apoio direto em projetos como o Atomic, de R$ 88 milhões, que faz análises de transientes e acidentes operacionais nucleares com modelagem integrada computacional. Em outra frente, dentro do programa Finep Mais Inovação, inserido na Nova Indústria Brasil (NIB), há investimentos para o desenvolvimento do processo produtivo de obtenção de gás hexafluoreto de urânio (UF6), o gás que alimenta as ultracentrífugas que executam a fase de enriquecimento do urânio, de R$ 93 milhões. Mais um aporte de R$ 58 milhões está sendo realizado pela Finep para instalar uma linha de produção de combustíveis nucleares para reatores de pequeno porte a serem utilizados em plantas de produção naval. Também acompanharam a comitiva presidencial o ministro da Defesa, José Múcio, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Marcos Antonio Amaro, o comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen. 

LABORATÓRIO — 

O presidente Lula conheceu o Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE), que funciona como um protótipo em escala real e em terra da planta de propulsão que será instalada no futuro Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA).  Esta infraestrutura permite simular e testar, sob condições controladas de segurança, o reator e os diversos sistemas eletromecânicos integrados antes de sua instalação definitiva a bordo. “Quando estiver em plena operação, o LABGENE contará com uma planta nuclear de 48 megawatts de potência térmica. Essa capacidade é suficiente para alimentar todos os subsistemas de propulsão do submarino e equivale, comparativamente, à demanda energética necessária para iluminar uma cidade de aproximadamente 20 mil habitantes”. O domínio tecnológico do reator, além de capacitar o país para a proteção ágil e segura de suas águas territoriais, habilitará o Brasil no desenvolvimento futuro de pequenas centrais nucleares de energia elétrica, gerando também benefícios e aplicações práticas para setores como medicina e agricultura. 

AUTONOMIA — 

O complexo industrial de Aramar abriga instalações de alta complexidade técnica que compõem o ciclo integrado do combustível nuclear, voltadas para a garantia da autonomia científica e tecnológica do país:  Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI): Concentra o desenvolvimento de tecnologia nacional de separação isotópica por ultracentrifugação. É a única instalação no Brasil autorizada a realizar o enriquecimento de urânio nos níveis exigidos para o Reator Multipropósito Brasileiro.

 A Usina Piloto de Produção de Hexafluoreto de Urânio (USEXA), instalação de alta complexidade — sendo a única com tal finalidade abaixo da linha do Equador — encarregada de purificar e converter quimicamente o concentrado de urânio (yellow cake) em hexafluoreto de urânio. Quando operar em escala industrial, a USEXA reduzirá a dependência nacional de importação nessa etapa crítica do ciclo do combustível. 

Outra etapa a ser concluída é o Laboratório de Materiais Nucleares (LABMAT), para a produção de combustíveis cerâmicos em formato de pastilhas de dióxido de urânio, cerâmicas avançadas (como alumina e carbeto de boro) e ligas absorvedoras de nêutrons de prata, índio e cádmio, componentes essenciais para o reator do LABGENE e do futuro submarino. Em uma leitura estritamente político-estratégica — sem avaliar eleitoralmente o presidente ou outros candidatos — eu atribuiria grande significado à visita de hoje a Aramar, sobretudo porque o conteúdo do discurso foi além de uma visita protocolar. Lula vinculou explicitamente o submarino de propulsão nuclear à soberania, capacidade tecnológica, enriquecimento de urânio, emprego qualificado e autonomia do Brasil, e afirmou que pretende buscar uma solução específica para assegurar os recursos necessários à conclusão do projeto. 

A VISITA DE LULA, SEGUNDO ESPECIALISTAS - 

Para alguns especialistas do setor nuclear, a visita do presidente Lula à Aramar mostra que o Programa Nuclear Brasileiro (PNM/PROSUB) voltou a ser tratado diretamente pela Presidência como projeto de Estado. “Isso é importante porque o principal risco desses programas não é propriamente tecnológico, mas a descontinuidade financeira. Lula identificou justamente esse problema ao criticar a dependência da disputa orçamentária anual e defender tratamento especial para o projeto.” 

Na opinião de especialistas, a escolha da visita à Aramar é simbolicamente muito forte. Não se trata apenas de visitar o submarino em construção. “Aramar é o núcleo da autonomia tecnológica: combustível, enriquecimento, engenharia nuclear e LABGENE. Ao visitar precisamente esse elo, o presidente colocou o domínio tecnológico nacional, e não apenas a aquisição de capacidade militar, no centro da narrativa. A própria agenda oficial registrou a visita especificamente ao Programa Nuclear da Marinha no Centro Industrial Nuclear de Aramar.” 

O discurso ampliou o significado do programa para além da Defesa, opinaram ao Blog. “A referência presidencial ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos e até à possibilidade de o Brasil comercializar essa capacidade internacionalmente é particularmente relevante. Isso aproxima, no plano político, três agendas que muitas vezes caminham separadas: PNM/PROSUB, ciclo do combustível nuclear e política industrial nuclear brasileira”. Na avaliação de especialistas, na visita do presidente existe uma mensagem geopolítica evidente. 

Lula relacionou diretamente tecnologia à capacidade de o Brasil exercer soberania e dizer “não” quando necessário. “Independentemente da retórica, isso insere o programa nuclear naval dentro de uma concepção mais ampla de autonomia estratégica brasileira num ambiente internacional mais competitivo”. Além disso, o ponto decisivo agora será transformar sinal político em mecanismo financeiro. Essa é provavelmente a questão mais importante depois da visita. A promessa de “arrumar os recursos” terá consequências concretas apenas se resultar em previsibilidade plurianual, proteção contra contingenciamentos ou alguma arquitetura financeira específica. O próprio presidente mencionou a inadequação do financiamento descontínuo para um projeto dessa natureza.

Na avaliação dos especialistas solicitada pelo Blog, há ainda uma dimensão histórica interessante. Lula já havia ido a Aramar em 2007, quando seu governo reforçou financeiramente o Programa Nuclear da Marinha; no ano seguinte vieram os acordos que impulsionaram o PROSUB. “A visita agora ocorre em outro estágio: não mais para demonstrar que a tecnologia pode ser desenvolvida, mas diante da necessidade de converter décadas de desenvolvimento tecnológico em capacidade operacional efetiva”. 

Sintetizando, o aspecto mais importante da visita não foi Lula ter ido a Aramar; foi ter assumido publicamente que a continuidade financeira do programa é uma questão de soberania e que precisa ser resolvida como tal. “Se essa orientação se materializar institucionalmente, a visita de 19 de agosto de 2026 poderá ser lembrada como um ponto de inflexão do PNM/PROSUB. Se permanecer apenas no discurso, seu significado será predominantemente simbólico”. Para os especialistas, existe uma possível consequência ainda mais ampla: “esse enquadramento pode abrir uma janela política para o setor nuclear brasileiro como um todo — ciclo do combustível, INB, Angra 3, RMB e, posteriormente, SMRs — porque recoloca a tecnologia nuclear dentro da agenda de soberania, política industrial e autonomia tecnológica, e não somente da política energética. Essa última conclusão é uma inferência estratégica minha a partir do conteúdo público da visita, não uma posição anunciada pelo governo”. 

ARAMAR E A BOMBA - 


No dia 4 de setembro de 1987, em cadeia nacional de rádio e televisão, o então presidente José Sarney anunciava: “O Brasil já domina todas as tecnologias para enriquecer urânio por ultracentrifugação”. O país ingressava, assim, para o restrito “Clube do Átomo”. A declaração de Sarney sinalizava ao mundo que seu governo dava o primeiro passo concreto para obter todas as condições para a fabricar a bomba atômica. Como sempre aconteceu em todos os governos anteriores – à exceção da declaração histórica de Maximiano da Fonseca, Sarney dizia que seu governo não tinha a intenção de fabricar a bomba. O domínio do ciclo do combustível destinava-se ao uso pacifico da energia nuclear. 

Em 1997, no governo de Fernando Henrique Cardoso, o Brasil assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP-N), contrariando civis e militares. Afinal, o Tratado não permite que países em desenvolvimento nuclear tenham a bomba, mas não desarma os que já possuem. 

“Tratados como o TNP-N não conseguiram eliminar os arsenais nucleares. Temos hoje (2018) mais quatro países no Clube Atômico, além dos cinco fundadores. A lógica que sustenta a busca desse poder e a lógica da política de dissuasão são semelhantes a que sustenta o terrorismo. Não acredito, portanto, que o mundo deva alcançar um ambiente de Paz, enquanto ele estiver sustentado pela ameaça da destruição nuclear”, afirmou a engenheira nuclear, Olga Simbalista. 

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terça-feira, 18 de agosto de 2026

EXCLUSIVO: INB planeja galpão para transferir material radioativo de SP, venda de terreno e urânio.

 


Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2026 - A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) planeja construir um galpão para armazenar de forma definitiva cerca de 1.757 toneladas de material radioativo denominado Torta II (contendo urânio, tório e terras raras) estocados há décadas na Usina de Interlagos (USIN), em São Paulo. Na conta estão também equipamentos, peças e ferramentas da antiga Usina de Santo Amaro (Usam), da Nuclemon, que sucedeu a Orquima, no Brooklin, desativada na década entre as décadas de 80 e 90, onde centenas de operários se contaminaram, ficaram doentes, morreram: uma das maiores manchas na História Trabalhista Brasileira. 

A ideia agora é tentar se livrar da USIN e colocar seu terreno à venda por R$ 210 milhões. A INB quer também vender toneladas de Pó de U02 (urânio em pó) para fazer caixa, já que as suas contas atravessam momento cada vez mais difícil. 


A decisão da criação do galpão e da venda do urânio, além da venda do imóvel em São Paulo, consta em documento da INB datado de 30 de junho, obtido pelo Blog. A reportagem buscou informações junto à INB, sem sucesso. Entre as indagações, o Blog quis saber sobre o local de construção do galpão: será no município mineiro de Caldas, onde a INB mantém instalações desativas e repletas de material radioativo? Não houve resposta. O terreno da USIN era de cerca de 24 mil metros quadrados, mas no site da INB consta 60 mil metros quadrados. 

Em São Paulo a INB mantém também armazenados cerca de 3.500 toneladas de Torta II no Sítio São Bento, em Botuxim. O material estava estocado em sete silos, que são grandes depósitos em forma de piscinas retangulares, construídas em concreto. 


Os silos ocupam aproximadamente 800 metros quadrados em área isolada de 20 mil metros quadrados da propriedade, em local isolado por cercas e muros. O Sítio São Bento possui uma área total de aproximadamente 300 mil metros quadrados. O documento da INB não faz menção a este local. No documento de 30/6, o Conselho de Administração da INB relata as dificuldades da empresa com propostas orçamentarias não suficientes para 2027, apontando orientação estratégica para o seu reequilíbrio. 

No âmbito do Programa de Dispêndios Globais e Orçamento de Investimento para o exercício de 2027, composto pela estimativa da Receita no valor de R$ 1.314.602.68,23 (mais de um bilhão) e pela fixação de despesas correntes e investimentos no valor de R$ 1.394.774.910,64 (mais de um bilhão) e depreciação e amortização e previsões de contingências judiciais prováveis no montante de R$ 209.172.000,00 (duzentos e nove milhões). 

A situação prevê a necessidade de “uma celebração de novo termo entre a INB e a ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia) para a transferência de recursos a serem aplicados em Projetos Estratégicos e investimentos já apresentados na modalidade de adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC) com valor estimado de R$ 99.510.084,00. E recomenda afastar a necessidade de contingenciamento orçamentário ou constituição de operações de crédito, tais como: veda de 11 toneladas de Pó de U02 (urânio) com receita estimada em R$ 105 milhões; venda de cerca de 10 toneladas de materiais (rejeitos de processo) com receita de R$ 25 milhões), venda de 30 toneladas de pó de U02 com fornecimento de material pela cliente (Eletronuclear), resultado de receita estimada de R$ 50 milhões; venda de imóvel onde está localizada a unidade de São Paulo com receita estimada em R$ 210 milhões. 


Ao longo de seus oito anos de existência o Blog já publicou dezenas de reportagens sobre as unidades da INB, principalmente em Caldas, onde as instalações com materiais radioativos avançaram na época da ditadura. O Blog registrou rios, fauna e flora contaminados, devastados pela contaminação, árvores cortadas e muito mais. A história da Orquima, a primeira unidade nuclear brasileira tem sido constantemente relembrada: leia no livro Cobaias da Radiação, a história não contada da marcha nuclear brasileira e de quem ela deixou para trás (Tania Malheiros). 

(FOTOS USIN e Caldas - BLOG) – 

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BNDES analisa 12 projetos para investimentos de R$ 9 bilhões no setor mineral, como terras raras

 


Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2026 - 

As iniciativas voltadas ao financiamento de empreendimentos no setor mineral, como terras raras, estão em andamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), informou o presidente da instituição, Aloizio Mercadante. Entre elas, ele citou o fundo de investimento em participações (FIP) estruturado pelo BNDES em parceria com a Vale, com R$ 2 bilhões destinados ao apoio de projetos de mineração e ao desenvolvimento de novos empreendimentos no setor. A chamada pública realizada pelo fundo recebeu 56 propostas de projetos, que representam uma demanda potencial de aproximadamente R$ 57 bilhões em investimentos e crédito. De acordo com Mercadante, 12 projetos encontram-se em estágio avançado de negociação, somando cerca de R$ 9 bilhões.

A iniciativa, disse Mercadante, busca ampliar o acesso de empresas de mineração a instrumentos de financiamento e contribuir para o desenvolvimento de projetos relacionados a minerais estratégicos e às cadeias produtivas associadas. Mercadante destacou ainda a longa trajetória do Banco de apoio ao setor. “O BNDES está na mineração desde os anos 1970". Mercadante participou nesta terça-feira, 18, em Brasília (DF), do fórum “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, promovido pela Editora Globo. Durante sua apresentação, ele abordou o papel dos minerais críticos, estratégicos e das terras raras no contexto das transformações tecnológicas, energéticas e industriais em curso no cenário internacional. 

Segundo Mercadante, o Brasil possui condições favoráveis para ampliar sua participação nas cadeias globais ligadas à produção e ao processamento de minerais estratégicos. Para ele, o avanço da atividade mineral pode estar associado ao desenvolvimento de etapas de maior agregação de valor e ao fortalecimento de setores industriais relacionados. “O desafio é ampliar a integração entre a produção mineral e as atividades industriais associadas, especialmente em segmentos vinculados aos minerais estratégicos e críticos”, afirmou. 

Durante a palestra, o presidente do BNDES observou que o aumento da demanda global por minerais utilizados em tecnologias de transição energética, eletrificação e manufatura avançada tem ampliado a relevância econômica desses insumos. Nesse contexto, destacou a importância de iniciativas voltadas ao fortalecimento de cadeias produtivas nacionais relacionadas ao processamento mineral e à produção de bens industriais de maior valor agregado. 

Ainda segundo Mercadante, o BNDES atua no apoio a projetos voltados à mineração e aos segmentos econômicos associados à cadeia de valor dos minerais estratégicos. “A estratégia está voltada para o adensamento das cadeias produtivas e para o desenvolvimento de capacidades industriais associadas a esses recursos minerais”, disse. Entre os minerais mencionados durante o evento estão cobre, lítio e terras raras, considerados relevantes para setores ligados à mobilidade, ao armazenamento de energia, à digitalização e à produção de tecnologias de baixa emissão de carbono. 

Mercadante destacou que o tema tem adquirido crescente importância na agenda econômica internacional devido ao papel desses minerais em diversos segmentos industriais. Ao abordar o potencial brasileiro, o presidente do BNDES observou que o país dispõe de reservas relevantes de minerais estratégicos e ressaltou a importância do desenvolvimento de atividades de beneficiamento, processamento e transformação industrial. “Há oportunidades para ampliar a participação nacional em diferentes etapas da cadeia produtiva, agregando valor aos recursos minerais disponíveis no país”, afirmou. 

MENOR EMISSÃO - 

Mercadante destacou ainda o potencial do minério de ferro de alto teor produzido no Brasil para aplicações em processos siderúrgicos que buscam reduzir a intensidade de emissões de carbono. Segundo ele, as características desse insumo podem contribuir para a adoção de tecnologias mais eficientes do ponto de vista energético e ambiental. 

Na avaliação apresentada durante o evento, a competitividade futura da siderurgia tende a considerar não apenas os volumes produzidos, mas também a capacidade de atender a requisitos associados à eficiência produtiva e à transição para modelos de menor emissão. 

Ao tratar do papel da mineração no desenvolvimento econômico, Mercadante ressaltou a importância da articulação entre expansão produtiva, inovação tecnológica, transparência e responsabilidade ambiental. Segundo ele, o aproveitamento do potencial mineral brasileiro deve considerar aspectos relacionados à sustentabilidade e à geração de valor ao longo das cadeias produtivas. 

(BNDES - INFORMAÇÕES – FOTO LUCAS RODRIGUES) – 

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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Terras raras: professores relatam preocupações com provável exploração próxima às escolas

 


Depois de visitar oito escolas na região onde duas mineradoras australianas pretendem explorar terras raras, em Poços de Caldas, as deputadas estaduais Beatriz Cerqueira e Bella Rodrigues (PT) devem agendar audiências públicas para alavancar o debate contra as atividades minerárias prejudiciais à população, principalmente na localidade conhecida como Zona Sul, com cerca de 60 mil moradoras. Durante a visita na sexta-feira (13/8), as parlamentares ouviram diversos relatos sobre o medo que a população está sentindo, e o temor é ampliado pela desinformação a respeito dos projetos e pelo assédio de representantes das empresas em busca de apoio dos moradores. 


As australianas Viridis e Meteoric negam as acusações, mas há relatos da comunidade escolar, registrados pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que visitou as escolas. A cidade está localizada dentro cratera de um vulcão extinto há 80 milhões de anos. As riquezas minerais como as terras raras estão próximas a escolas e hospitais, e segundo as parlamentares, a preocupação é ouvir os moradores e saber sobre o que estão sentindo diante do problema. 


A área mais impactada é a zona sul, onde está prevista a instalação do Projeto Colossus, da mineradora australiana Viridis. São 373 hectares e estimativa de produção de cinco milhões de toneladas por ano, além do uso de três milhões de litros de água por dia. A área destinada à exploração fica a cerca de 300 metros de residências, escolas e hospital, como tem sido divulgado por moradores. 

“Tem escolas públicas ao lado das cavas. Isso é muito assustador. Mais assustador ainda é a falta de informação", indigna-se a deputada Beatriz Cerqueira. Após a escuta nas oito escolas, ela listou as reclamações mais impactantes e criticou a prática da empresa de tentar convencer a comunidade com práticas como patrocinar eventos culturais e falar de forma técnica “para as pessoas não compreenderem quais são os impactos”. 

Bella Gonçalves também criticou a falta de informações sobre os impactos na saúde respiratória, os riscos da radioatividade, a contaminação das águas, o fluxo de caminhões, os níveis de ruído e outras consequências que a atividade pode gerar. A deputada citou que o Ibama soltou uma nota técnica apontando a necessidade de mais estudos para o licenciamento ambiental da mineração. “O documento mostra que mesmo os órgãos públicos precisam de mais informações”, comentou.

RISCOS - 

O professor Reinaldo Souza, da Escola Estadual Professor José Castro de Araújo, uma das visitadas, afirmou que o grande temor da comunidade é a proximidade das cavas à área urbana. Ele diz que estudos independentes apontam que a atividade vai causar impacto no recurso hídrico da cidade, que é totalmente dependente da água da chuva. Como a mineração utiliza grande quantidade de água, o receio é aprofundar o problema de escassez já vivido em algumas épocas do ano. “Gera essa preocupação também, além da contaminação, a poluição atmosférica, a perda de biodiversidade, várias outras questões que estão envolvidas com a exploração”, complementa o professor. 

Quérima Franco, professora da Escola Municipal Maria Ovídia Junqueira, escolheu morar na região há 30 anos para ter mais qualidade de vida. Ela relata que os moradores sempre consideraram o local “uma minicidade dentro de uma cidade grande”. Até dois anos atrás, contava com comércio e serviços que facilitavam a vida dos moradores. A professora lamentou que o bairro perdeu equipamentos como o banco, a unidade policial e o Samu. Segundo ela, a propaganda entre a comunidade é de que, se a mineração for aceita, tudo vai melhorar. “Parece que foi uma moeda de troca. Parece que nós estamos recebendo uma imposição", desconfia. Quérrima lembra que a qualidade do ar é muito boa e o temor dos moradores é com as mudanças que possam advir da mineração. “Da porta da janela da minha casa, eu vejo aquela mata, vejo água, vejo tudo e agora tudo vai se acabar porque, a 300 metros da minha casa, vai acontecer a mineração e tudo vai ser retirado de lá”. 

ASSÉDIO - 

Professor da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio, a Escola Padrão, Vinícius Hilário de Lima, reclama que a chegada da mineração pegou a comunidade de surpresa e as informações ainda não são muito transparentes. De acordo com o professor, representantes da empresa têm feito propagandas em veículos locais e procurado escolas e a comunidade, fazendo assembleias para convencimento dos benefícios da atividade. “Só que ela (a empresa) sempre deixava de explicar como seria feita essa exploração. E aí a gente foi descobrindo depois, por iniciativa dos próprios moradores e da comunidade escolar e comunidade dos bairros aqui da Zona Sul, qual seria a proporção da cava dessa mineradora, a proximidade que estaria aqui da nossa escola”, conta ele. 

Vinícius Hilário, professor da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio, a Escola Padrão, reclama, ainda, da falta de transparência no processo de instalação da mineradora. A prefeitura já teria autorizado a instalação de equipamentos da empresa, sem consultar ou comunicar à comunidade. “A gente começou a perceber o tanto que a comunidade não só não sabia que isso aconteceria, que poderia acontecer, muito menos das consequências negativas de devastação ambiental e do assédio que já tinha começado”. 

Na Escola Municipal Vitalina Rossi, uma turma chegou a receber camisas com patrocínio da Viridis, o que chamou a atenção da Comissão. Para Beatriz Cerqueira, um problema grave é a desinformação da população sobre o que está acontecendo na região. Os questionamentos feitos pelas comunidades escolares serão encaminhados para os órgãos ambientais e uma audiência pública deve ser marcada para debater os resultados da visita e cobrar das autoridades esclarecimentos. 

AUDIÊNCIA - CENTRO DE INTELIGÊNCIA E TECNOLOGIA AVANÇADAS EM TERRAS RARAS, proposto pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas - Campos Poços de Caldas e Universidade Federal de Alfenas - Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação - será na próxima terça-feira (25/8) - às 10h  

(FOTOS E TEXTOS COM ENTREVISTAS NAS ESCOLAS – ASSESSORIA DA ALMG – ASSESSORIA DAS PARLANTARES) – 

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