quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Lula promete concluir o submarino nuclear; "o BNDES pode ajudar a gente".

 


O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, prometeu conseguir recursos no orçamento para concluir o projeto do primeiro submarino nuclear brasileiro, iniciado há cerca de 40 anos. O presidente fez a promessa nesta quarta-feira (19/8) ao discursar durante a segunda visita oficial no Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), em Iperó, São Paulo, onde o Brasil enriquece urânio e desenvolve o projeto atômico, que inseriu o país no seleto clube do átomo, na década de 80. "Vamos conversar mais com o BNDES, que pode ajudar a gente", comentou o presidente. 

O presidente lembrou que em 2007, quando visitou Aramar, prometeu e conseguiu liberar R$ 1,4 bilhão para o projeto. Mas depois, questões no orçamento impediram os avanços do projeto, entre outros, como o desenvolvimento de turbinas a etanol da Aeronáutica também, em 2010, agora resolvido. 


A paralisação dos projetos prejudica estudantes de engenharia que acabam se formando e deixando o Brasil atraídos por empregos no exterior, reconhece Lula. Diretamente, ele disse a Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que o os projetos precisam também do Banco. O presidente comentou que as tecnologias em Aramar refletem décadas de investimentos técnicos, científicos e de capacitação profissional orientados pela Estratégia Nacional de Defesa, que não podem ser perdidas. Durante a visita foi destacado que esse domínio tecnológico é estratégico para a indústria e o desenvolvimento científico do país, com o submarino desempenhando papel importante na proteção do mar territorial e na soberania nacional. Lula disse que o submarino faz parte do projeto nuclear pacifico do Brasil, que tem acordo com a França desde 2009, quando ele e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, assinaram um acordo histórico para viabilizar o empreendimento atômico. Conforme amplamente divulgado na época, tratava-se de acordo de transferência de tecnologia para fabricação do submarino, sem envolver a tecnologia nuclear. O projeto caminha na base naval em Itaguaí (RJ). 

FINEP NO SETOR NUCLEAR - 

Em Aramar, a ministra de Ciência e Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, lembrou que por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) - empresa pública vinculada ao MCTI - a tecnologia do submarino recebe apoio direto em projetos como o Atomic, de R$ 88 milhões, que faz análises de transientes e acidentes operacionais nucleares com modelagem integrada computacional. Em outra frente, dentro do programa Finep Mais Inovação, inserido na Nova Indústria Brasil (NIB), há investimentos para o desenvolvimento do processo produtivo de obtenção de gás hexafluoreto de urânio (UF6), o gás que alimenta as ultracentrífugas que executam a fase de enriquecimento do urânio, de R$ 93 milhões. Mais um aporte de R$ 58 milhões está sendo realizado pela Finep para instalar uma linha de produção de combustíveis nucleares para reatores de pequeno porte a serem utilizados em plantas de produção naval. Também acompanharam a comitiva presidencial o ministro da Defesa, José Múcio, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Marcos Antonio Amaro, o comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen. 

LABORATÓRIO — 

O presidente Lula o Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE), que funciona como um protótipo em escala real e em terra da planta de propulsão que será instalada no futuro Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA).  Esta infraestrutura permite simular e testar, sob condições controladas de segurança, o reator e os diversos sistemas eletromecânicos integrados antes de sua instalação definitiva a bordo. “Quando estiver em plena operação, o LABGENE contará com uma planta nuclear de 48 megawatts de potência térmica. Essa capacidade é suficiente para alimentar todos os subsistemas de propulsão do submarino e equivale, comparativamente, à demanda energética necessária para iluminar uma cidade de aproximadamente 20 mil habitantes”. O domínio tecnológico do reator, além de capacitar o país para a proteção ágil e segura de suas águas territoriais, habilitará o Brasil no desenvolvimento futuro de pequenas centrais nucleares de energia elétrica, gerando também benefícios e aplicações práticas para setores como medicina e agricultura. 

AUTONOMIA — 

O complexo industrial de Aramar abriga instalações de alta complexidade técnica que compõem o ciclo integrado do combustível nuclear, voltadas para a garantia da autonomia científica e tecnológica do país:  Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI): Concentra o desenvolvimento de tecnologia nacional de separação isotópica por ultracentrifugação. É a única instalação no Brasil autorizada a realizar o enriquecimento de urânio nos níveis exigidos para o Reator Multipropósito Brasileiro.

 A Usina Piloto de Produção de Hexafluoreto de Urânio (USEXA), instalação de alta complexidade — sendo a única com tal finalidade abaixo da linha do Equador — encarregada de purificar e converter quimicamente o concentrado de urânio (yellow cake) em hexafluoreto de urânio. Quando operar em escala industrial, a USEXA reduzirá a dependência nacional de importação nessa etapa crítica do ciclo do combustível. 

Outra etapa a ser concluída é o Laboratório de Materiais Nucleares (LABMAT), para a produção de combustíveis cerâmicos em formato de pastilhas de dióxido de urânio, cerâmicas avançadas (como alumina e carbeto de boro) e ligas absorvedoras de nêutrons de prata, índio e cádmio, componentes essenciais para o reator do LABGENE e do futuro submarino. Em uma leitura estritamente político-estratégica — sem avaliar eleitoralmente o presidente ou outros candidatos — eu atribuiria grande significado à visita de hoje a Aramar, sobretudo porque o conteúdo do discurso foi além de uma visita protocolar. Lula vinculou explicitamente o submarino de propulsão nuclear a soberania, capacidade tecnológica, enriquecimento de urânio, emprego qualificado e autonomia do Brasil, e afirmou que pretende buscar uma solução específica para assegurar os recursos necessários à conclusão do projeto. 

A VISITA DE LULA, SEGUNDO ESPECIALISTAS - 

Para alguns especialistas do setor nuclear, a visita do presidente Lula à Aramar mostra que o Programa Nuclear Brasileiro (PNM/PROSUB) voltou a ser tratado diretamente pela Presidência como projeto de Estado. “Isso é importante porque o principal risco desses programas não é propriamente tecnológico, mas a descontinuidade financeira. Lula identificou justamente esse problema ao criticar a dependência da disputa orçamentária anual e defender tratamento especial para o projeto.” 

Na opinião de especialistas, a escolha da visita à Aramar é simbolicamente muito forte. Não se trata apenas de visitar o submarino em construção. “Aramar é o núcleo da autonomia tecnológica: combustível, enriquecimento, engenharia nuclear e LABGENE. Ao visitar precisamente esse elo, o presidente colocou o domínio tecnológico nacional, e não apenas a aquisição de capacidade militar, no centro da narrativa. A própria agenda oficial registrou a visita especificamente ao Programa Nuclear da Marinha no Centro Industrial Nuclear de Aramar.” 

O discurso ampliou o significado do programa para além da Defesa, opinaram ao Blog. “A referência presidencial ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos e até à possibilidade de o Brasil comercializar essa capacidade internacionalmente é particularmente relevante. Isso aproxima, no plano político, três agendas que muitas vezes caminham separadas: PNM/PROSUB, ciclo do combustível nuclear e política industrial nuclear brasileira”. Na avaliação de especialistas, na visita do presidente existe uma mensagem geopolítica evidente. 

Lula relacionou diretamente tecnologia à capacidade de o Brasil exercer soberania e dizer “não” quando necessário. “Independentemente da retórica, isso insere o programa nuclear naval dentro de uma concepção mais ampla de autonomia estratégica brasileira num ambiente internacional mais competitivo”. Além disso, o ponto decisivo agora será transformar sinal político em mecanismo financeiro. Essa é provavelmente a questão mais importante depois da visita. A promessa de “arrumar os recursos” terá consequências concretas apenas se resultar em previsibilidade plurianual, proteção contra contingenciamentos ou alguma arquitetura financeira específica. O próprio presidente mencionou a inadequação do financiamento descontínuo para um projeto dessa natureza.

Na avaliação dos especialistas solicitada pelo Blog, há ainda uma dimensão histórica interessante. Lula já havia ido a Aramar em 2007, quando seu governo reforçou financeiramente o Programa Nuclear da Marinha; no ano seguinte vieram os acordos que impulsionaram o PROSUB. “A visita agora ocorre em outro estágio: não mais para demonstrar que a tecnologia pode ser desenvolvida, mas diante da necessidade de converter décadas de desenvolvimento tecnológico em capacidade operacional efetiva”. 

Sintetizando, o aspecto mais importante da visita não foi Lula ter ido a Aramar; foi ter assumido publicamente que a continuidade financeira do programa é uma questão de soberania e que precisa ser resolvida como tal. “Se essa orientação se materializar institucionalmente, a visita de 19 de agosto de 2026 poderá ser lembrada como um ponto de inflexão do PNM/PROSUB. Se permanecer apenas no discurso, seu significado será predominantemente simbólico”. Para os especialistas, existe uma possível consequência ainda mais ampla: “esse enquadramento pode abrir uma janela política para o setor nuclear brasileiro como um todo — ciclo do combustível, INB, Angra 3, RMB e, posteriormente, SMRs — porque recoloca a tecnologia nuclear dentro da agenda de soberania, política industrial e autonomia tecnológica, e não somente da política energética. Essa última conclusão é uma inferência estratégica minha a partir do conteúdo público da visita, não uma posição anunciada pelo governo”. 

ARAMAR E A BOMBA - 


No dia 4 de setembro de 1987, em cadeia nacional de rádio e televisão, o então presidente José Sarney anunciava: “O Brasil já domina todas as tecnologias para enriquecer urânio por ultracentrifugação”. O país ingressava, assim, para o restrito “Clube do Átomo”. A declaração de Sarney sinalizava ao mundo que seu governo dava o primeiro passo concreto para obter todas as condições para a fabricar a bomba atômica. Como sempre aconteceu em todos os governos anteriores – à exceção da declaração histórica de Maximiano da Fonseca, Sarney dizia que seu governo não tinha a intenção de fabricar a bomba. O domínio do ciclo do combustível destinava-se ao uso pacifico da energia nuclear. 

Em 1997, no governo de Fernando Henrique Cardoso, o Brasil assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP-N), contrariando civis e militares. Afinal, o Tratado não permite que países em desenvolvimento nuclear tenham a bomba, mas não desarma os que já possuem. 

“Tratados como o TNP-N não conseguiram eliminar os arsenais nucleares. Temos hoje (2018) mais quatro países no Clube Atômico, além dos cinco fundadores. A lógica que sustenta a busca desse poder e a lógica da política de dissuasão são semelhantes a que sustenta o terrorismo. Não acredito, portanto, que o mundo deva alcançar um ambiente de Paz, enquanto ele estiver sustentado pela ameaça da destruição nuclear”, afirmou a engenheira nuclear, Olga Simbalista. 

(FOTOS MARINHA – GOVERNO FEDERAL/REPRODUÇÃO YOUTUBE)-COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – contato: malheiros.tania@gmail.com

 

terça-feira, 18 de agosto de 2026

EXCLUSIVO: INB planeja galpão para transferir material radioativo de SP, venda de terreno e urânio.

 


Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2026 - A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) planeja construir um galpão para armazenar de forma definitiva cerca de 1.757 toneladas de material radioativo denominado Torta II (contendo urânio, tório e terras raras) estocados há décadas na Usina de Interlagos (USIN), em São Paulo. Na conta estão também equipamentos, peças e ferramentas da antiga Usina de Santo Amaro (Usam), da Nuclemon, que sucedeu a Orquima, no Brooklin, desativada na década entre as décadas de 80 e 90, onde centenas de operários se contaminaram, ficaram doentes, morreram: uma das maiores manchas na História Trabalhista Brasileira. 

A ideia agora é tentar se livrar da USIN e colocar seu terreno à venda por R$ 210 milhões. A INB quer também vender toneladas de Pó de U02 (urânio em pó) para fazer caixa, já que as suas contas atravessam momento cada vez mais difícil. 


A decisão da criação do galpão e da venda do urânio, além da venda do imóvel em São Paulo, consta em documento da INB datado de 30 de junho, obtido pelo Blog. A reportagem buscou informações junto à INB, sem sucesso. Entre as indagações, o Blog quis saber sobre o local de construção do galpão: será no município mineiro de Caldas, onde a INB mantém instalações desativas e repletas de material radioativo? Não houve resposta. O terreno da USIN era de cerca de 24 mil metros quadrados, mas no site da INB consta 60 mil metros quadrados. 

Em São Paulo a INB mantém também armazenados cerca de 3.500 toneladas de Torta II no Sítio São Bento, em Botuxim. O material estava estocado em sete silos, que são grandes depósitos em forma de piscinas retangulares, construídas em concreto. 


Os silos ocupam aproximadamente 800 metros quadrados em área isolada de 20 mil metros quadrados da propriedade, em local isolado por cercas e muros. O Sítio São Bento possui uma área total de aproximadamente 300 mil metros quadrados. O documento da INB não faz menção a este local. No documento de 30/6, o Conselho de Administração da INB relata as dificuldades da empresa com propostas orçamentarias não suficientes para 2027, apontando orientação estratégica para o seu reequilíbrio. 

No âmbito do Programa de Dispêndios Globais e Orçamento de Investimento para o exercício de 2027, composto pela estimativa da Receita no valor de R$ 1.314.602.68,23 (mais de um bilhão) e pela fixação de despesas correntes e investimentos no valor de R$ 1.394.774.910,64 (mais de um bilhão) e depreciação e amortização e previsões de contingências judiciais prováveis no montante de R$ 209.172.000,00 (duzentos e nove milhões). 

A situação prevê a necessidade de “uma celebração de novo termo entre a INB e a ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia) para a transferência de recursos a serem aplicados em Projetos Estratégicos e investimentos já apresentados na modalidade de adiantamento para Futuro Aumento de Capital (AFAC) com valor estimado de R$ 99.510.084,00. E recomenda afastar a necessidade de contingenciamento orçamentário ou constituição de operações de crédito, tais como: veda de 11 toneladas de Pó de U02 (urânio) com receita estimada em R$ 105 milhões; venda de cerca de 10 toneladas de materiais (rejeitos de processo) com receita de R$ 25 milhões), venda de 30 toneladas de pó de U02 com fornecimento de material pela cliente (Eletronuclear), resultado de receita estimada de R$ 50 milhões; venda de imóvel onde está localizada a unidade de São Paulo com receita estimada em R$ 210 milhões. 


Ao longo de seus oito anos de existência o Blog já publicou dezenas de reportagens sobre as unidades da INB, principalmente em Caldas, onde as instalações com materiais radioativos avançaram na época da ditadura. O Blog registrou rios, fauna e flora contaminados, devastados pela contaminação, árvores cortadas e muito mais. A história da Orquima, a primeira unidade nuclear brasileira tem sido constantemente relembrada: leia no livro Cobaias da Radiação, a história não contada da marcha nuclear brasileira e de quem ela deixou para trás (Tania Malheiros). 

(FOTOS USIN e Caldas - BLOG) – 

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BNDES analisa 12 projetos para investimentos de R$ 9 bilhões no setor mineral, como terras raras

 


Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2026 - 

As iniciativas voltadas ao financiamento de empreendimentos no setor mineral, como terras raras, estão em andamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), informou o presidente da instituição, Aloizio Mercadante. Entre elas, ele citou o fundo de investimento em participações (FIP) estruturado pelo BNDES em parceria com a Vale, com R$ 2 bilhões destinados ao apoio de projetos de mineração e ao desenvolvimento de novos empreendimentos no setor. A chamada pública realizada pelo fundo recebeu 56 propostas de projetos, que representam uma demanda potencial de aproximadamente R$ 57 bilhões em investimentos e crédito. De acordo com Mercadante, 12 projetos encontram-se em estágio avançado de negociação, somando cerca de R$ 9 bilhões.

A iniciativa, disse Mercadante, busca ampliar o acesso de empresas de mineração a instrumentos de financiamento e contribuir para o desenvolvimento de projetos relacionados a minerais estratégicos e às cadeias produtivas associadas. Mercadante destacou ainda a longa trajetória do Banco de apoio ao setor. “O BNDES está na mineração desde os anos 1970". Mercadante participou nesta terça-feira, 18, em Brasília (DF), do fórum “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, promovido pela Editora Globo. Durante sua apresentação, ele abordou o papel dos minerais críticos, estratégicos e das terras raras no contexto das transformações tecnológicas, energéticas e industriais em curso no cenário internacional. 

Segundo Mercadante, o Brasil possui condições favoráveis para ampliar sua participação nas cadeias globais ligadas à produção e ao processamento de minerais estratégicos. Para ele, o avanço da atividade mineral pode estar associado ao desenvolvimento de etapas de maior agregação de valor e ao fortalecimento de setores industriais relacionados. “O desafio é ampliar a integração entre a produção mineral e as atividades industriais associadas, especialmente em segmentos vinculados aos minerais estratégicos e críticos”, afirmou. 

Durante a palestra, o presidente do BNDES observou que o aumento da demanda global por minerais utilizados em tecnologias de transição energética, eletrificação e manufatura avançada tem ampliado a relevância econômica desses insumos. Nesse contexto, destacou a importância de iniciativas voltadas ao fortalecimento de cadeias produtivas nacionais relacionadas ao processamento mineral e à produção de bens industriais de maior valor agregado. 

Ainda segundo Mercadante, o BNDES atua no apoio a projetos voltados à mineração e aos segmentos econômicos associados à cadeia de valor dos minerais estratégicos. “A estratégia está voltada para o adensamento das cadeias produtivas e para o desenvolvimento de capacidades industriais associadas a esses recursos minerais”, disse. Entre os minerais mencionados durante o evento estão cobre, lítio e terras raras, considerados relevantes para setores ligados à mobilidade, ao armazenamento de energia, à digitalização e à produção de tecnologias de baixa emissão de carbono. 

Mercadante destacou que o tema tem adquirido crescente importância na agenda econômica internacional devido ao papel desses minerais em diversos segmentos industriais. Ao abordar o potencial brasileiro, o presidente do BNDES observou que o país dispõe de reservas relevantes de minerais estratégicos e ressaltou a importância do desenvolvimento de atividades de beneficiamento, processamento e transformação industrial. “Há oportunidades para ampliar a participação nacional em diferentes etapas da cadeia produtiva, agregando valor aos recursos minerais disponíveis no país”, afirmou. 

MENOR EMISSÃO - 

Mercadante destacou ainda o potencial do minério de ferro de alto teor produzido no Brasil para aplicações em processos siderúrgicos que buscam reduzir a intensidade de emissões de carbono. Segundo ele, as características desse insumo podem contribuir para a adoção de tecnologias mais eficientes do ponto de vista energético e ambiental. 

Na avaliação apresentada durante o evento, a competitividade futura da siderurgia tende a considerar não apenas os volumes produzidos, mas também a capacidade de atender a requisitos associados à eficiência produtiva e à transição para modelos de menor emissão. 

Ao tratar do papel da mineração no desenvolvimento econômico, Mercadante ressaltou a importância da articulação entre expansão produtiva, inovação tecnológica, transparência e responsabilidade ambiental. Segundo ele, o aproveitamento do potencial mineral brasileiro deve considerar aspectos relacionados à sustentabilidade e à geração de valor ao longo das cadeias produtivas. 

(BNDES - INFORMAÇÕES – FOTO LUCAS RODRIGUES) – 

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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Terras raras: professores relatam preocupações com provável exploração próxima às escolas

 


Depois de visitar oito escolas na região onde duas mineradoras australianas pretendem explorar terras raras, em Poços de Caldas, as deputadas estaduais Beatriz Cerqueira e Bella Rodrigues (PT) devem agendar audiências públicas para alavancar o debate contra as atividades minerárias prejudiciais à população, principalmente na localidade conhecida como Zona Sul, com cerca de 60 mil moradoras. Durante a visita na sexta-feira (13/8), as parlamentares ouviram diversos relatos sobre o medo que a população está sentindo, e o temor é ampliado pela desinformação a respeito dos projetos e pelo assédio de representantes das empresas em busca de apoio dos moradores. 


As australianas Viridis e Meteoric negam as acusações, mas há relatos da comunidade escolar, registrados pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que visitou as escolas. A cidade está localizada dentro cratera de um vulcão extinto há 80 milhões de anos. As riquezas minerais como as terras raras estão próximas a escolas e hospitais, e segundo as parlamentares, a preocupação é ouvir os moradores e saber sobre o que estão sentindo diante do problema. 


A área mais impactada é a zona sul, onde está prevista a instalação do Projeto Colossus, da mineradora australiana Viridis. São 373 hectares e estimativa de produção de cinco milhões de toneladas por ano, além do uso de três milhões de litros de água por dia. A área destinada à exploração fica a cerca de 300 metros de residências, escolas e hospital, como tem sido divulgado por moradores. 

“Tem escolas públicas ao lado das cavas. Isso é muito assustador. Mais assustador ainda é a falta de informação", indigna-se a deputada Beatriz Cerqueira. Após a escuta nas oito escolas, ela listou as reclamações mais impactantes e criticou a prática da empresa de tentar convencer a comunidade com práticas como patrocinar eventos culturais e falar de forma técnica “para as pessoas não compreenderem quais são os impactos”. 

Bella Gonçalves também criticou a falta de informações sobre os impactos na saúde respiratória, os riscos da radioatividade, a contaminação das águas, o fluxo de caminhões, os níveis de ruído e outras consequências que a atividade pode gerar. A deputada citou que o Ibama soltou uma nota técnica apontando a necessidade de mais estudos para o licenciamento ambiental da mineração. “O documento mostra que mesmo os órgãos públicos precisam de mais informações”, comentou.

RISCOS - 

O professor Reinaldo Souza, da Escola Estadual Professor José Castro de Araújo, uma das visitadas, afirmou que o grande temor da comunidade é a proximidade das cavas à área urbana. Ele diz que estudos independentes apontam que a atividade vai causar impacto no recurso hídrico da cidade, que é totalmente dependente da água da chuva. Como a mineração utiliza grande quantidade de água, o receio é aprofundar o problema de escassez já vivido em algumas épocas do ano. “Gera essa preocupação também, além da contaminação, a poluição atmosférica, a perda de biodiversidade, várias outras questões que estão envolvidas com a exploração”, complementa o professor. 

Quérima Franco, professora da Escola Municipal Maria Ovídia Junqueira, escolheu morar na região há 30 anos para ter mais qualidade de vida. Ela relata que os moradores sempre consideraram o local “uma minicidade dentro de uma cidade grande”. Até dois anos atrás, contava com comércio e serviços que facilitavam a vida dos moradores. A professora lamentou que o bairro perdeu equipamentos como o banco, a unidade policial e o Samu. Segundo ela, a propaganda entre a comunidade é de que, se a mineração for aceita, tudo vai melhorar. “Parece que foi uma moeda de troca. Parece que nós estamos recebendo uma imposição", desconfia. Quérrima lembra que a qualidade do ar é muito boa e o temor dos moradores é com as mudanças que possam advir da mineração. “Da porta da janela da minha casa, eu vejo aquela mata, vejo água, vejo tudo e agora tudo vai se acabar porque, a 300 metros da minha casa, vai acontecer a mineração e tudo vai ser retirado de lá”. 

ASSÉDIO - 

Professor da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio, a Escola Padrão, Vinícius Hilário de Lima, reclama que a chegada da mineração pegou a comunidade de surpresa e as informações ainda não são muito transparentes. De acordo com o professor, representantes da empresa têm feito propagandas em veículos locais e procurado escolas e a comunidade, fazendo assembleias para convencimento dos benefícios da atividade. “Só que ela (a empresa) sempre deixava de explicar como seria feita essa exploração. E aí a gente foi descobrindo depois, por iniciativa dos próprios moradores e da comunidade escolar e comunidade dos bairros aqui da Zona Sul, qual seria a proporção da cava dessa mineradora, a proximidade que estaria aqui da nossa escola”, conta ele. 

Vinícius Hilário, professor da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio, a Escola Padrão, reclama, ainda, da falta de transparência no processo de instalação da mineradora. A prefeitura já teria autorizado a instalação de equipamentos da empresa, sem consultar ou comunicar à comunidade. “A gente começou a perceber o tanto que a comunidade não só não sabia que isso aconteceria, que poderia acontecer, muito menos das consequências negativas de devastação ambiental e do assédio que já tinha começado”. 

Na Escola Municipal Vitalina Rossi, uma turma chegou a receber camisas com patrocínio da Viridis, o que chamou a atenção da Comissão. Para Beatriz Cerqueira, um problema grave é a desinformação da população sobre o que está acontecendo na região. Os questionamentos feitos pelas comunidades escolares serão encaminhados para os órgãos ambientais e uma audiência pública deve ser marcada para debater os resultados da visita e cobrar das autoridades esclarecimentos. 

AUDIÊNCIA - CENTRO DE INTELIGÊNCIA E TECNOLOGIA AVANÇADAS EM TERRAS RARAS, proposto pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas - Campos Poços de Caldas e Universidade Federal de Alfenas - Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação - será na próxima terça-feira (25/8) - às 10h  

(FOTOS E TEXTOS COM ENTREVISTAS NAS ESCOLAS – ASSESSORIA DA ALMG – ASSESSORIA DAS PARLANTARES) – 

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domingo, 16 de agosto de 2026

“Poços de Caldas e os Desafios do Século XXI: Meio Ambiente, Tecnologia e Comunidade” é tema do 4º Seminário do Observatório Social Poços Sustentável

 



A Associação Poços Sustentável (APS) realiza nesta terça-feira (18/8),o 4º Seminário do Observatório Social Poços Sustentável, com o tema “Poços de Caldas e os Desafios do Século XXI: Meio Ambiente, Tecnologia e Comunidade”. O evento será realizado no Espaço Cultural da Urca, das 8h às 12h. A iniciativa faz parte do projeto Observatório Social Poços Sustentável, coordenado pela APS, com o apoio de empresas e instituições locais. 

O seminário é voltado a gestores públicos, pesquisadores, estudantes, professores, lideranças comunitárias, representantes de organizações da sociedade civil, empresários e cidadãos interessados na construção de uma Poços de Caldas mais sustentável, inovadora e preparada para os desafios do futuro. 

A edição reafirma o papel que o Observatório Social Poços Sustentável vem desempenhando como espaço independente de diálogo, participação cidadã e construção coletiva de soluções para os desafios locais. Debates abordam meio ambiente, tecnologia e participação social. A programação propõe uma reflexão sobre como inovação tecnológica, participação da sociedade e políticas públicas podem caminhar juntas na construção de um desenvolvimento mais sustentável para o município e para toda a região. 

Entre os participantes está o professor e pesquisador Luciel Henrique de Oliveira, especialista em inovação, ESG e economia circular, que apresentará a palestra “Você pergunta, a IA responde: qual é o custo invisível para o planeta?”, abordando tecnologia, consumo de recursos e impactos socioambientais. O educador e facilitador de processos colaborativos Eduardo Tatit Vitale conduzirá a palestra “Jovem que faz – Desafios e Soluções para Poços Sustentável”. 

Também participará Cristiane A. Hubner, Diretora de Resíduos Sólidos Urbanos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad). Ela apresentará as diretrizes para uma gestão adequada dos resíduos sólidos urbanos, abordando políticas públicas, coleta seletiva, planejamento municipal e o fortalecimento das organizações de catadores como agentes fundamentais da economia circular e da inclusão social. 

Ao final das apresentações, os palestrantes participarão de uma Roda de Conversa. O momento permitirá que o público faça perguntas, compartilhe experiências e participe da construção de propostas para os desafios ambientais da região. 

Sobre a APS. 

A APS – Associação Poços Sustentável é uma organização sem fins lucrativos, suprapartidária, formada por voluntários que têm por missão “sensibilizar e mobilizar os vários segmentos da sociedade para contribuir com a construção de uma cidade mais sustentável e justa”, respeitando a pluralidade e a diversidade no interesse coletivo, planejando, identificando demandas, colhendo opiniões, desenvolvendo projetos e mapeando indicadores. 

A APS tem como premissa buscar o melhor para as pessoas e para o meio ambiente tanto agora como para as futuras gerações, sendo ecologicamente correta, economicamente viável, socialmente justa e ética e culturalmente aceita. Entre os muitos projetos desenvolvidos pela APS, destaca-se o Floresta de Bolso, em parceria com a Alcoa Fundation. Desde 2017, quando foi iniciado o projeto, já foram implantadas 10 Florestas de Bolso, sendo oito em Poços de Caldas, uma em Andradas (MG) e outra em Divinolândia (SP). 

Estão programadas mais quatro edições, uma em cada cidade: Poços de Caldas, Andradas e Caldas, em Minas Gerais, e São Sebastião da Grama, em São Paulo. 

Programação - 

08h00: Credenciamento - 

08h15: Abertura - 

08h30: APS: Trajetória e Atuação – Professora Maria José Scassiotti de Souza - 

09h00: Você pergunta, a IA responde: qual é o custo invisível para o planeta? Tecnologia, consumo de recursos e impactos socioambientais – Professor Luciel Henrique de Oliveira - 

10h00: Jovem que faz – Desafios e Soluções para Poços Sustentável – Eduardo Tatit Vitale - 

10h40: Diretrizes para Gestão Adequada de Resíduos Sólidos Urbanos com a participação das organizações de catadores – Cristiane A. Hubner - 

11h20: Roda de Conversa – 

Serviço - 

4º Seminário do Observatório Social Poços Sustentável - 

Promoção: APS – Associação Poços Sustentável
Data: 18 de agosto de 2026 - 

Horário: das 8h às 12h - 

Local: Espaço Cultural da Urca. 

(FOTO E TEXTO – DIVUGAÇÃO APS) – 

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Terras raras: pressão popular e parlamentar chega às escolas "no olho do furacão" dos minerais críticos

 


Rio de Janeiro, 12 de agosto de 2026 - A soma da pressão popular, à cobrança de parlamentares (agora com visitas a escolas) e da sociedade civil em geral deve estar contribuído para ativar o “modo de espera” dos projetos das empresas australianas Viridis e Meteoric, para a extração de terras raras, em Poços e Caldas e Caldas, municípios na região Vulcânica de Minas Gerais, iniciados em 2024. Apesar de as deputadas estaduais Beatriz Cerqueira e Bella Rodrigues (PT), cobrarem explicações sobre os projetos há anos, visando inclusive a suspensão de licenças ambientais, somente ontem (11/8) a Câmara Municipal de Poços de Caldas anunciou algumas ações para que um comitê recém formado pelo estado, conte com representantes da sociedade, especialistas técnicos independentes e um ou mais integrantes da nova Comissão Especial de Estudo sobre Terras Raras do Legislativo. 


Em alguns eventos para debater a questão das terras raras, com denúncias relevantes sobre os malefícios que a exploração dos minerais críticos provocará nas comunidades, como a Zona Sul, com 60 mil habitantes e de povos originários, promovidos por parlamentares, a ausência de representantes estaduais era registrada e lamentada. A suposta mudança na postura da Câmara pode ter sido motivada pela perseverança das ações da sociedade e de parlamentares locais. Nesta quinta-feira (13/8), com apoio da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, as deputadas iniciam uma série de visitas a escolas estaduais e municipais localizadas no "olho do furacão": áreas onde as empresas pretendem abrir cavas para a extração das terras raras. 

Elas vão alertar sobre os riscos ambientais e de danos à saúde aos quais todos estarão expostos nesta mineração urbana. 

“Já identificamos vários problemas: as mineradoras sonegam informações, o governo do estado é ágil para beneficiar essas empresas, o modelo das audiências públicas é controlado por elas, impedindo a participação da sociedade. Não há transparência; comunidades têm seus direitos violados, há agressão ao meio ambiente, estamos diante de crime ambiental. Todos os pontos serão conversados nas visitas as escolas”, informou Beatriz Cerqueira. 


Enquanto a sociedade se movimenta para impedir o avanço das mineradoras visando a extração dos minerais críticos, os governos parecem desconhecer diversos requerimentos encaminhados pelas parlamentares solicitando informações que tramitam desde 2025 nas gavetas de órgãos estaduais e municipais: as deputadas requereram, por exemplo, pedido de providencias para que não sejam emitidas certidões de uso e ocupação do solo para os empreendedores minerários de terras raras das empresas Viridis e Meteroric; e que sejam anuladas as certidões que já tenham sido emitidas. O documento de número 18716, é de 2025, mostra que o comitê recém criado, é “para inglês ver”, conforme ditado popular.

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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Terras raras: guardiãs de Poços de Caldas defendem moradores das ações de mineradoras australianas

 

Rio de Janeiro, 10 de agosto de 2026 - 


"O que a vida quer da gente é coragem". A frase do romance Grande Sertão: Veredas (1956), de João Guimarães Rosa, se encaixa como  luva para definir as corajosas moradoras do município mineiro de Poços de Caldas, que têm enfrentado diversos desafios para defender as terras que abrigam as suas casas, no bairro conhecido como Zona Sul, com 60 mil habitantes, a 300 metros de onde deverão ser abertas as cavas para a extração das cobiçadas terras raras.  As guardiãs Julia Ávila e Rose Nascimento participam de eventos e debates sobre o tema, questionam a autorização do governo sobre as ações das mineradoras, denunciam as falhas apontadas nas licenças ambientais concedidas às empresas australianas Viridis e Meteoric, atuando na região faz pelo menos dois anos. 

Aos 26 anos, autônoma, Júlia não abre mão de reiterar as ações "predatórias" que as mineradoras estão promovendo nas proximidades da Zua Sul, onde já há notícias sobre leilões de terrenos e imóveis. “Se não leiloam agora, não vendem mais, depois que as cavas começarem a ser abertas, desvalorizando tudo, dando um banho de poeira em todos os lugares”, comentou. 

Júlia já enviou solicitação de informações sobre as notícias de contaminação radioativa que a mineração poderá causar a diversos órgãos do governo municipal, estadual e federal. Em seminário recente sobre terras raras promovido pele a deputada Duda Salabert (PSOL-MG), Júlia, questionou o que poderá ocorreu a seu filho, de quatro anos, portador da Síndrome de Li-Fraumeni, doença rara e hereditária que aumenta muito o risco do desenvolvimento de vários tipos de câncer ao longo da vida, muitas vezes ainda na infância ou na juventude. A síndrome, explicou, é causada por uma alteração no gene TP53, que funciona como um protetor contra tumores. A criança não pode receber qualquer dose de radiação e necessita de cuidados especiais. 


O caso do menino será encaminhado ao Ministério da Saúde, prometeu Duda Salabert. Júlia disse ao Blog que precisa de muitas informações sobre a situação dela e de outros moradores. Por isso, enviou documento ao Ministério Público Federal do Estado de Minas Gerais afirmando ter conhecimento sobre a decisão da Justiça Federal determinando uma análise técnica conclusiva sobre os aspectos radiológicos do empreendimento. “Enquanto essas questões permanecem em avaliação, preciso de informações claras, técnicas e individualizadas para compreender os possíveis impactos sobre meu filho. Caso essas evidências não demonstrem sua segurança, adotarei as medidas cabíveis para protegê-lo”, afirmou. 

Júlia aguarda o retorno e sabe que não está sozinha na busca de informações sobre o que se pretende fazer pela segurança dos moradores da região. 


A colega de luta no bairro, Rose Nascimento, 53 anos, doméstica, também não se deixa vencer pelos contatos das mineradoras a moradores da Zona Sul. No seminário, comentou que os moradores são tratados como “terroristas”, com locais invadidos, enquanto caminhões passam por ruas repletos de sacos, provavelmente com material retirado de algumas cavas. 

Rose chorou ao reiterar que moradores estão ficando doentes; com as primeiras notícias sobre a ação das mineradoras em 2023, que aumentam desde 2025. “Buscamos informações e a garantia de que não seremos cobaias das mineradoras”, afirmou. 

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