As terras raras brasileiras
seguem no topo das atenções desde o interesse dos Estados Unidos, nas riquezas minerais
de Minaçu (Goiás), onde está localizada a mineradora Serra Verde, vendida aos
norte-americanos, passando por cima da soberania nacional sobre o território do
País. Em meio a tanta discussão, vale lembrar que o município de Poços de Caldas
(MG), é um dos mais ricos no mineral que atrai os EUA, por exemplo. E a riqueza
não está mantida sob nenhum manto secreto. Tanto que cerca de vinte quilos de
carbonato de terras raras foram apresentados a um grupo de empresários na
empresa australiana Meteoric, na região, em parceria com a Megabras, em fevereiro.
A estimativa é de 1,8 quilo por dia, até 38 quilos por mês.

Os testes que
resultaram no produto foram feitos na planta piloto da Meteoric, inaugurada no
ano passado. “Desde então, o objetivo é a obtenção de licença para que o
trabalho possa ser realizado em escala industrial, passando por toda a cadeia
produtiva, da extração das terras raras à produção de imãs, entre outros
produtos fundamentais para a área tecnológica”, informou a empresa. O diretor
da Meteorico, Marcelo Carvalho, disse na época, que testes realizados na planta
piloto indicam que o material produzido tem alto teor de elementos raros. “O
município de Caldas tem o melhor depósito de terras raras do mundo”, lembrou.
IMPULSO
COM 10 QUILOS -
A Meteoric tem produzido em fase de testes o carbonato de
terras raras. Em evento para apresentação da Planta Piloto para a MAGBRAS,
projeto que tem por objetivo o impulso da cadeia industrial de produtos com uso
de minerais críticos, a Meteoric concedeu 10 kg de terras raras para o projeto.
“O Licenciamento Ambiental do Projeto Caldeira é trifásico: Licença Prévia,
Licença de Instalação e Licença de Operação. A Meteoric obteve a Licença Prévia
com efeito e agora está em fase de submissão de documentos para obtenção de
Licença de Instalação. Não é um novo licenciamento, mas a segunda etapa do
processo”, conforme a empresa informou ao Blog.
ENTREVISTA PUBLICADA PELO BLOG
EM FEVEREIRO/2026 -
Terras raras: empresa australiana afirma que adquiriu
direitos de mineração no Brasil em transação com grupo privado; negócio passou
pela ANM -
Embora o ministro da
Secretaria- Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, tenha
afirmado que sobre as terras raras brasileiras nada será feito nas esferas
estadual e municipal, sem o aval federal, Eder Santo, um dos diretores da
empresa australiana Meteoric, em entrevista exclusiva ao Blog, informou que a
companhia adquiriu os direitos minerários em março de 2023, por meio de uma
transação privada com o Grupo Togni, “realizada em conformidade com a
legislação mineral brasileira e com os procedimentos regulatórios aplicáveis
junto à Agência Nacional de Mineração (ANM)”.
Desde então, “conduz estudos
geológicos, metalúrgicos, de engenharia e ambientais” visando o licenciamento
do empreendimento em Poços de Caldas (MG), onde mantém uma planta piloto que
reproduz o mesmo processo que será aplicado na planta industrial do projeto
Caldeira para a produção de Carbonato de Terras Raras. Eder Santo negou que já
exista contratos de venda de minerais aos estados Unidos. Mas admitiu:
“O que
há são Memorandos de entendimento assinados com as empresas norte-americanas e
europeias – como Ucore Rare Metais, a Metallium e a Neo Performance Materiais
que tratam de potenciais parcerias futuras para o fornecimento de carbonato de
terras raras. “São acordos preliminares, não contratos definitivos”. Diz
que não tem parceria com o governador Romeu Zema, mas admite “parcerias
institucionais com a FIEMG e a InvestMinas, que reforçam o alinhamento do
projeto às prioridades de desenvolvimento econômico e industrial do estado”. A
possibilidade de o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama) assumir o licenciamento colocada pela ministra
Marina Silva, ele “não encontra respaldo na legislação brasileira”. Marina,
segundo ele, talvez não tenha tido acesso a todas as informações sobre o
projeto Caldeira.
Eis a entrevista -
BLOG - Desde quando a
empresa está em Poços de Caldas? Qual o perfil da empresa, principais
interesses no Brasil?
EDER SANTO -
A Meteoric é uma empresa australiana de capital aberto responsável pelo
desenvolvimento do Projeto Caldeira, localizado no município de Caldas (MG), no
Planalto Vulcânico de Poços de Caldas. A companhia adquiriu os direitos
minerários em março de 2023 e, desde então, conduz estudos geológicos,
metalúrgicos, de engenharia e ambientais necessários ao processo de
licenciamento do empreendimento. Os direitos minerários correspondem às
autorizações e títulos concedidos pela ANM que permitem a realização de
atividades de pesquisa mineral em uma determinada área. No Brasil, os direitos
minerários são solicitados junto à Agência Nacional de Mineração (ANM) por meio
de requerimentos administrativos previstos no Código de Mineração e em suas
normas regulamentares. Esses direitos não se confundem com licenças ambientais
nem com autorizações para lavra ou exploração econômica, que dependem de etapas
posteriores de licenciamento e autorizações específicas junto aos órgãos
competentes.
BLOG: COMO A EMPRESA ADQUIRIU OS DIREITOS MINERÁRIOS?
EDER
SANTO: A Meteoric adquiriu os direitos minerários relacionados ao
Projeto Caldeira em março de 2023, por meio de uma transação privada com o
Grupo Togni, realizada em conformidade com a legislação mineral brasileira e
com os procedimentos regulatórios aplicáveis junto à Agência Nacional de
Mineração (ANM).
BLOG: NOVIDADES HOJE.
EDER SANTO: Hoje, a Meteoric recebeu no seu Centro
de Inovação e Pesquisa a equipe técnica do Projeto MAGBRAS e autoridades
locais. Para mais informações sobre a iniciativa MAGBRAS, da qual a Meteoric
também participa.
BLOG – CONTE MAIS SOBRE A METEORIC -
EDEN SANTO - A
matriz da empresa está em Perth, na Austrália, e sua base acionária é formada
por investidores institucionais especializados em minerais críticos. O
interesse da Meteoric no Brasil é desenvolver o Projeto Caldeira e contribuir
para que o país se posicione como um fornecedor global competitivo de terras
raras.
BLOG - Qual o resultado da audiência pública para o
licenciamento ambiental da empresa? Hoje está em qual fase? Qual o passo
adiante? A empresa já está instalada na região? Onde?
EDER SANTO - A
audiência pública do Projeto Caldeira ocorreu em 9 de novembro de 2024, em
Caldas (MG), seguindo as determinações da Deliberação Normativa COPAM 255/2018.
O evento reuniu mais de 500 participantes e foi transmitido integralmente e ao
vivo pelo Youtube. Todas as manifestações foram registradas em Relatório
Síntese e protocoladas junto ao órgão ambiental de Minas Gerais (FEAM),
responsável pelo licenciamento ambiental. O Projeto Caldeira recebeu Licença
Prévia com efeito em dezembro de 2025, emitida pelo COPAM, atestando a
viabilidade ambiental preliminar e estabelecendo condicionantes para as
próximas etapas. Atualmente, a Meteoric desenvolve os estudos complementares
exigidos para o pedido de Licença de Instalação. Não existe operação instalada.
As atividades em curso envolvem pesquisa mineral, estudos ambientais, projeto
de engenharia e testes metalúrgicos. A empresa mantém em Poços de Caldas uma
planta piloto que reproduz o mesmo processo que será aplicado na planta
industrial do Projeto Caldeira para produção de Carbonato de Terras Raras. Não
há extração mineral.
BLOG - Onde exatamente a empresa pretende ou já está
operando em MG? Quais as metas e quantidades de terras raras a ser
extraída?
EDER SANTO - Como mencionado, não há nenhuma operação
comercial em andamento. A empresa mantém em Poços de Caldas uma planta piloto
experimental, que serve exclusivamente para geração de dados técnicos,
simulação de rotas de processamento e produção de amostras de carbonato de
terras raras, além de capacitação de operadores para trabalharem na futura
planta comercial. Esta é uma etapa padrão em projetos minerais de grande porte.
O Projeto Caldeira possui hoje uma reserva estimada de 103 milhões de toneladas,
conforme divulgado ao mercado, e seu Estudo de Pré-Viabilidade (PFS) apresenta
projeções técnicas que indicam o potencial do depósito. Segundo esse estudo, a
operação, quando for implantada, teria como parâmetros preliminares: capacidade
de processamento de 6 milhões de toneladas por ano, produção anual estimada de
13.584 toneladas de TREO, o equivalente a cerca de 6% do mercado global; além
de 4.228 toneladas/ano de NdPr (aprox. 5% da demanda mundial) e 135 t/ano de
DyTb, elementos essenciais à fabricação de ímãs permanentes de alta
performance. Esses números representam projeções técnicas e econômicas, mas não
são metas operacionais. O Projeto Caldeira é concebido como um projeto
estratégico para a transição energética, com potencial para contribuir com
cadeias globais de mobilidade elétrica, turbinas eólicas e tecnologias de baixo
carbono. Todo seu desenvolvimento segue o compromisso de rigor ambiental,
inovação tecnológica e transparência regulatória, em conformidade com as normas
brasileiras e com as exigências dos órgãos ambientais estaduais e federais.
BLOG
- Qual a negociação com o governador Romeu Zema? Está em que fase?
EDER
SANT0 - Não existe negociação específica com o governador Romeu Zema. O foco da
Meteoric está no processo técnico de licenciamento e no desenvolvimento
sustentável do Projeto Caldeira. A empresa mantém diálogo institucional e
técnico com governos e órgãos reguladores, sempre dentro dos limites previstos
pela legislação brasileira. Em Minas Gerais, a Meteoric estabeleceu parcerias
institucionais com a FIEMG e a InvestMinas, que reforçam o alinhamento do
projeto às prioridades de desenvolvimento econômico e industrial do estado.
Essas alianças têm como objetivo desenvolver a cadeia industrial da produção de
ímãs e outras tecnologias que utilizam terras raras como componente, além de
fortalecer o posicionamento de Minas Gerais e do Brasil na produção de minerais
críticos, na transição energética e inovação industrial, ampliando a relevância
de Minas Gerais nesse cenário estratégico.
BLOG - O governo do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não aceitará iniciativas isoladas do governo de
Minas Gerais para autorizar a exploração de terras raras no estado. A posição
foi reafirmada semana passada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência
da República, Guilherme Boulos, após reuniões em Brasília (DF) com uma comitiva
de movimentos populares, que denunciou irregularidades no licenciamento
concedido pela gestão de Romeu Zema (Novo). Se o presidente Lula impedirá
autorizações para a extração em MG, o que a empresa fará?
EDER SANTO -
A Meteoric segue rigorosamente as determinações legais e requisitos que regem o
processo de licenciamento, tanto ambiental como mineral, no Estado de Minas
Gerais e no Brasil, e acredita que a autonomia de Estados e Municípios,
definida pela Constituição Federal e aplicável ao licenciamento ambiental do
Projeto Caldeira, será mantida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A
empresa mantém interlocução institucional e técnica regular com os governos
federal, estadual e municipal dentro dos limites previstos pela legislação.
Desde o início das atividades do Projeto Caldeira, a Meteoric estabelece
diálogo participativo com o Governo Federal, atuando em ações estratégicas do
próprio governo para o desenvolvimento e inovação do setor minerário, tanto que
o Projeto Caldeira integra a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e
Transformação Ecológica (BIP), iniciativa federal voltada à estruturação de
projetos estratégicos para a transição energética. Tal fato demonstra
alinhamento institucional e participação ativa do governo federal na agenda de
minerais críticos.
BLOG - A agenda com Guilherme Boulos foi articulada pela
deputada estadual Bella Gonçalves (Psol) e incluiu encontros com a ministra do
Meio Ambiente, Marina Silva, e com o próprio Boulos. Nas reuniões,
representantes de comunidades e movimentos populares apresentaram denúncias
sobre a concessão de uma chamada “licença prévia sem efeitos” para exploração
de terras raras no Planalto Vulcânico do Sul de Minas, instrumento jurídico que
não existe na legislação federal. O que a empresa acha disso? O que fará ou já
está fazendo?
EDER SANTO - É importante informá-la que a Licença
Prévia (LP) emitida para o Projeto Caldeira é com efeito e,
portanto, um instrumento legal e previsto na legislação ambiental brasileira.
Ressalta-se que Meteoric segue à risca a legislação federal, estadual e
municipal. Todas as informações técnicas foram disponibilizadas aos órgãos
ambientais e à sociedade.
BLOG – A companhia possui contratos de venda
desses minerais para os Estados Unidos. É verdade?
EDER SANTO - A
Meteoric ainda não possui contratos de venda firmados para os Estados Unidos. O
que há são Memorandos de Entendimento (MoUs) assinados com empresas
norte-americanas e europeias — como a Ucore Rare Metals, a Metallium e a Neo
Performance Materials — que tratam de potenciais parcerias futuras para
fornecimento de carbonato de terras raras. Esses MoUs são acordos preliminares,
não contratos definitivos.
BLOG - Mas segundo Guilherme Boulos, qualquer
tentativa do governo mineiro de avançar sem a coordenação federal está fadada a
não produzir efeitos. “O presidente Lula determinou que toda discussão sobre
terras raras seja conduzida no âmbito da Presidência da República. Foi criado
um grupo estratégico para tratar desse assunto, e qualquer tentativa de
atropelar esse processo nacional será inócua”, afirmou o ministro. Como a
empresa está administrando a questão?
EDER SANTO - A Meteoric mantém
diálogo institucional com o Governo Federal e participa das iniciativas
relacionadas ao desenvolvimento de minerais críticos no país. Em 2025, o
projeto foi incluído na Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e Transformação
Ecológica (BIP). Caso o Governo Federal estabeleça procedimentos adicionais, a
empresa seguirá as normas estabelecidas.
BLOG - As empresas australianas não
estariam tentando passar por cima das questões da soberania nacional
brasileira?
EDER SANTO - Não há qualquer iniciativa da Meteoric que
possa ser vista como tentativa de afrontar a soberania nacional, uma vez que o
licenciamento ambiental do Projeto Caldeira segue estritamente a legislação
estabelecida em nível federal, estadual e municipal e não há qualquer
impedimento de uma empresa de origem estrangeira atuar no desenvolvimento de
projeto de mineração no Brasil. Pelo contrário, a atuação de empresas
estrangeiras no país é garantida pela Constituição Federal. Ademais, a Meteoric
tem atuado em parceria com o Governo Federal com objetivo de contribuir para
que o país transforme seu potencial geológico em protagonismo internacional na
transição energética e nas cadeias tecnológicas globais baseadas em minerais
críticos, ou seja, a empresa tem atuado para que seja desenvolvido no país um
parque industrial capaz de produzir do minério ao ímã de terras raras. O
Projeto Caldeira se encontra atualmente na fase de licenciamento ambiental e
recebeu, em dezembro de 2025, a Licença Prévia com efeito. Nenhuma etapa do
projeto avança sem autorização das autoridades brasileiras. A Meteoric
reconhece que as terras raras são um recurso estratégico para o país,
especialmente diante da transição energética e das cadeias globais de
tecnologia. Todo o processo é conduzido com transparência, participação social
e respeito integral às instituições brasileiras.
BLOG - Boulos também se
comprometeu a levar o caso diretamente ao presidente e a discutir medidas para
proteger a soberania nacional sobre um recurso considerado estratégico para a
transição energética e para a indústria de alta tecnologia. O que acha? Qual a
posição?
EDER SANTO - Como respondido anteriormente, não há qualquer
iniciativa da Meteoric que possa ser vista como tentativa de afrontar a
soberania nacional. Pelo contrário, o Projeto Caldeira fortalece o protagonismo
do Brasil na produção de minerais críticos, essenciais para a transição
energética e para a indústria de alta tecnologia. O trabalho é conduzido com
transparência, participação social e respeito integral às instituições
brasileiras, consolidando o país como um ator relevante nas cadeias globais de
tecnologia.
BLOG - Quais as medidas que estão sendo tomadas para que não
haja riscos ambientais?
EDER SANTO - O Projeto Caldeira foi concebido para
gerar o mínimo impacto possível ao longo de sua vida útil. Para tanto, foi
projetado adotando boas práticas de mineração disseminadas por instituições
como o ICMM (International Council on Mineral and Metals). Uma dessas
boas práticas é o Fechamento Progressivo das áreas mineradas, que é destacado
na publicação Integrated Mine Closure Good Practice Guide, 3rd Edition (ICMM,
2025). O Fechamento Progressivo do Projeto Caldeira prevê o preenchimento (com
a argila lavada – resíduo do processo de separação das terras raras – e
estéreis) e a reabilitação das cavas ainda durante a fase de operação. Este
processo elimina a necessidade de construção de barragens de rejeitos,
garantindo menor risco operacional. Além disso, o Fechamento Progressivo das
áreas de lavras faz com que o relevo, ao final das operações, retorne a uma
condição similar ao que era antes do processo de mineração, uma vez que as
cavas serão aterradas e o relevo reconfigurado. No âmbito do Projeto Caldeira
foram desenvolvidos 26 programas socioambientais que serão conduzidos desde
antes do início da operação do empreendimento e perdurarão até o final da vida
útil do projeto. Tais programas visam mitigar todos os potenciais impactos
negativos identificados durante as fases de estudos socioambientais. Além do
Fechamento Progressivo, o projeto tem alguns diferenciais como: Foi projetado
para ter o mínimo impacto sobre o meio ambiente e as comunidades; Não serão
utilizados explosivos para a extração do minério; Utilizará energia elétrica
100% de fonte renovável. Zero emissão de gases do efeito estufa pelo uso de
energia elétrica; Não possui risco radioativo, conforme atestado pela
Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN); Zero emissão de esgotos e de
efluentes industriais. O esgoto será tratado no local e a água reutilizada no
processo de produção de carbonato de terras raras; Mais de 90% da água será
reutilizada; Não possui barragem de rejeitos.
BLOG - Durante a reunião com a
ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foram destacados os riscos ambientais
associados à extração e ao armazenamento das terras raras, que podem conter
elementos radioativos. Esses materiais representam ameaças ao solo, aos
recursos hídricos e à saúde das populações locais, segundo Marina. O que a
empresa tem a dizer?
EDER SANTO- O tema radioatividade é tratado com
rigor absoluto pela Meteoric. As análises de radionuclídeos realizadas em
amostradas do processo de mineração e do processo industrial de produção de
Carbonato de Terras Raras e submetidas à verificação pelo órgão responsável
pelo controle nuclear no Brasil, a ANSN (Autoridade Nacional de Segurança
Nuclear), demonstraram que não há risco radiológico decorrente das atividades
previstas no Projeto Caldeira. A ANSN inclusive se manifestou recentemente a
respeito em sua página oficial: https://www.gov.br/ird/pt-br/assuntos/noticias/noticias-2025/esclarecimento-sobre-empreendimentos-de-mineracao-de-terras-raras-em-pocos-de-caldas.
A ANSN será responsável pelo monitoramento contínuo das atividades do
empreendimento, justamente para garantir que nossas operações não ofereçam
riscos ao meio ambiente e nem às pessoas.
BLOG - Diante do potencial impacto
ambiental e do alcance interestadual do empreendimento, Marina Silva sinalizou
que o Ministério do Meio Ambiente avalia a possibilidade de o Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) assumir
o licenciamento, por meio da evocação de competência federal. O diz a empresa
sobre a questão?
EDER SANTO - Como a Ministra do Meio Ambiente Marina
Silva possui um perfil técnico e sensato, a Meteoric entende que talvez a
Ministra não tenha tido acesso a todas as informações do Projeto Caldeira, fato
que pode tê-la levado a entender que o empreendimento deveria ser licenciado
pelo IBAMA, o que não encontra respaldo na legislação brasileira, já que
quaisquer projetos propostos em território nacional somente são licenciados
pelo IBAMA quando: Possui radioatividade natural acima do limite definido pela Norma
ANSN NN 4.01; A área diretamente afetada pelo empreendimento abrange dois ou
mais estados brasileiros. Como nenhum destes dois critérios se aplica ao
Projeto Caldeira, portanto não se enquadra na competência federal, motivo pelo
qual o licenciamento ambiental do empreendimento vem sendo conduzido pelo
Estado de Minas Gerais, por meio da Fundação Estadual de Meio Ambiente (FEAM),
da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD).
PROJETO MAGBRAS -
O Projeto MagBras tem como objetivo estabelecer no Brasil o
ciclo completo de produção de ímãs permanentes de terras raras, abrangendo
desde a pesquisa mineral e o beneficiamento até a fabricação, aplicação e
reciclagem. Esses ímãs são insumos estratégicos para setores como mobilidade
elétrica, geração de energia limpa, indústria de defesa e eletrônica de ponta,
segundo informações divulgadas pela empresa. No âmbito do projeto, o CETEM
é responsável pelo desenvolvimento e aplicação de rotas tecnológicas nacionais
para a extração, separação por solvente e refino de elementos terras-raras
críticos — como praseodímio, neodímio, térbio e disprósio — a partir de
diferentes matrizes minerais brasileiras e de ímãs pós-consumo. Esses elementos
serão utilizados na produção de ímãs permanentes, contribuindo para reduzir a
dependência externa e fortalecer a capacidade tecnológica do país.
Em evento
realizado em 14/07/2025, no Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras
Raras (CIT SENAI ITR), em Lagoa Santa-MG, marcou o início do Projeto
Estruturante “MagBras: Demonstrador Industrial do Ciclo Completo de Produção
Brasileira de Ímãs Permanentes de Terras Raras”. A iniciativa foi selecionada
na Chamada Pública de Projetos Estruturantes, lançada em julho de 2024,
fruto de uma parceria entre a Fundação de Apoio da UFMG (Fundep) e o SENAI,
instituições responsáveis pela coordenação de quatro dos sete programas prioritários
do Mover (Mobilidade Verde e Inovação). Também segundo a página da
empresa, a gerente de Programas da Fundep, Ana Eliza Braga, esteve presente na
solenidade e ressaltou que o Projeto Estruturante MagBras pode mudar o patamar
da indústria instalada no Brasil a nível mundial. “O projeto tem evidente porte
para elevar a capacidade industrial e setorial, não estando restrito apenas às
demandas de uma empresa ou conjunto de empresas. É um exemplo brilhante do que
pode uma aliança academia e indústria realizar”, comenta a
executiva.
TOGNI - GRUPO QUE FEZ NEGÓCIO COM A METEORIC - A TOGNI S/A - MATERIAIS
REFRATÁRIOS -
Está instalada desde o princípio do século XX em Poços de Caldas.
“Originalmente, a empresa fabricava tijolos para construção civil e telhas
curvas do tipo colonial. O início da produção de refratários deu-se em 1954,
ano em que a TOGNI começa o aproveitamento pioneiro das argilas refratárias do
Planalto e divulga sua alta qualidade para este fim”. No site da empresa
consta: “Hoje, detentora de avançada tecnologia, possui duas fábricas
totalmente integradas em Poços de Caldas e uma terceira unidade em Sacramento,
no Triângulo Mineiro. Importantes reservas e empresas de mineração próprias
garantem o abastecimento das matérias primas estratégicas. A TOGNI faz parte
atualmente de um grupo de empresas que atuam nas áreas de refratários, mecânica
especializada, mineração, florestamento e rochas ornamentais.
(FOTOS – METEORIC –
E TOGNI ) –
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