domingo, 16 de agosto de 2026

“Poços de Caldas e os Desafios do Século XXI: Meio Ambiente, Tecnologia e Comunidade” é tema do 4º Seminário do Observatório Social Poços Sustentável

 



A Associação Poços Sustentável (APS) realiza nesta terça-feira (18/8),o 4º Seminário do Observatório Social Poços Sustentável, com o tema “Poços de Caldas e os Desafios do Século XXI: Meio Ambiente, Tecnologia e Comunidade”. O evento será realizado no Espaço Cultural da Urca, das 8h às 12h. A iniciativa faz parte do projeto Observatório Social Poços Sustentável, coordenado pela APS, com o apoio de empresas e instituições locais. 

O seminário é voltado a gestores públicos, pesquisadores, estudantes, professores, lideranças comunitárias, representantes de organizações da sociedade civil, empresários e cidadãos interessados na construção de uma Poços de Caldas mais sustentável, inovadora e preparada para os desafios do futuro. 

A edição reafirma o papel que o Observatório Social Poços Sustentável vem desempenhando como espaço independente de diálogo, participação cidadã e construção coletiva de soluções para os desafios locais. Debates abordam meio ambiente, tecnologia e participação social. A programação propõe uma reflexão sobre como inovação tecnológica, participação da sociedade e políticas públicas podem caminhar juntas na construção de um desenvolvimento mais sustentável para o município e para toda a região. 

Entre os participantes está o professor e pesquisador Luciel Henrique de Oliveira, especialista em inovação, ESG e economia circular, que apresentará a palestra “Você pergunta, a IA responde: qual é o custo invisível para o planeta?”, abordando tecnologia, consumo de recursos e impactos socioambientais. O educador e facilitador de processos colaborativos Eduardo Tatit Vitale conduzirá a palestra “Jovem que faz – Desafios e Soluções para Poços Sustentável”. 

Também participará Cristiane A. Hubner, Diretora de Resíduos Sólidos Urbanos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad). Ela apresentará as diretrizes para uma gestão adequada dos resíduos sólidos urbanos, abordando políticas públicas, coleta seletiva, planejamento municipal e o fortalecimento das organizações de catadores como agentes fundamentais da economia circular e da inclusão social. 

Ao final das apresentações, os palestrantes participarão de uma Roda de Conversa. O momento permitirá que o público faça perguntas, compartilhe experiências e participe da construção de propostas para os desafios ambientais da região. 

Sobre a APS. 

A APS – Associação Poços Sustentável é uma organização sem fins lucrativos, suprapartidária, formada por voluntários que têm por missão “sensibilizar e mobilizar os vários segmentos da sociedade para contribuir com a construção de uma cidade mais sustentável e justa”, respeitando a pluralidade e a diversidade no interesse coletivo, planejando, identificando demandas, colhendo opiniões, desenvolvendo projetos e mapeando indicadores. 

A APS tem como premissa buscar o melhor para as pessoas e para o meio ambiente tanto agora como para as futuras gerações, sendo ecologicamente correta, economicamente viável, socialmente justa e ética e culturalmente aceita. Entre os muitos projetos desenvolvidos pela APS, destaca-se o Floresta de Bolso, em parceria com a Alcoa Fundation. Desde 2017, quando foi iniciado o projeto, já foram implantadas 10 Florestas de Bolso, sendo oito em Poços de Caldas, uma em Andradas (MG) e outra em Divinolândia (SP). 

Estão programadas mais quatro edições, uma em cada cidade: Poços de Caldas, Andradas e Caldas, em Minas Gerais, e São Sebastião da Grama, em São Paulo. 

Programação - 

08h00: Credenciamento - 

08h15: Abertura - 

08h30: APS: Trajetória e Atuação – Professora Maria José Scassiotti de Souza - 

09h00: Você pergunta, a IA responde: qual é o custo invisível para o planeta? Tecnologia, consumo de recursos e impactos socioambientais – Professor Luciel Henrique de Oliveira - 

10h00: Jovem que faz – Desafios e Soluções para Poços Sustentável – Eduardo Tatit Vitale - 

10h40: Diretrizes para Gestão Adequada de Resíduos Sólidos Urbanos com a participação das organizações de catadores – Cristiane A. Hubner - 

11h20: Roda de Conversa – 

Serviço - 

4º Seminário do Observatório Social Poços Sustentável - 

Promoção: APS – Associação Poços Sustentável
Data: 18 de agosto de 2026 - 

Horário: das 8h às 12h - 

Local: Espaço Cultural da Urca. 

(FOTO E TEXTO – DIVUGAÇÃO APS) – 

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Terras raras: pressão popular e parlamentar chega às escolas "no olho do furacão" dos minerais críticos

 


Rio de Janeiro, 12 de agosto de 2026 - A soma da pressão popular, à cobrança de parlamentares (agora com visitas a escolas) e da sociedade civil em geral deve estar contribuído para ativar o “modo de espera” dos projetos das empresas australianas Viridis e Meteoric, para a extração de terras raras, em Poços e Caldas e Caldas, municípios na região Vulcânica de Minas Gerais, iniciados em 2024. Apesar de as deputadas estaduais Beatriz Cerqueira e Bella Rodrigues (PT), cobrarem explicações sobre os projetos há anos, visando inclusive a suspensão de licenças ambientais, somente ontem (11/8) a Câmara Municipal de Poços de Caldas anunciou algumas ações para que um comitê recém formado pelo estado, conte com representantes da sociedade, especialistas técnicos independentes e um ou mais integrantes da nova Comissão Especial de Estudo sobre Terras Raras do Legislativo. 


Em alguns eventos para debater a questão das terras raras, com denúncias relevantes sobre os malefícios que a exploração dos minerais críticos provocará nas comunidades, como a Zona Sul, com 60 mil habitantes e de povos originários, promovidos por parlamentares, a ausência de representantes estaduais era registrada e lamentada. A suposta mudança na postura da Câmara pode ter sido motivada pela perseverança das ações da sociedade e de parlamentares locais. Nesta quinta-feira (13/8), com apoio da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, as deputadas iniciam uma série de visitas a escolas estaduais e municipais localizadas no "olho do furacão": áreas onde as empresas pretendem abrir cavas para a extração das terras raras. 

Elas vão alertar sobre os riscos ambientais e de danos à saúde aos quais todos estarão expostos nesta mineração urbana. 

“Já identificamos vários problemas: as mineradoras sonegam informações, o governo do estado é ágil para beneficiar essas empresas, o modelo das audiências públicas é controlado por elas, impedindo a participação da sociedade. Não há transparência; comunidades têm seus direitos violados, há agressão ao meio ambiente, estamos diante de crime ambiental. Todos os pontos serão conversados nas visitas as escolas”, informou Beatriz Cerqueira. 


Enquanto a sociedade se movimenta para impedir o avanço das mineradoras visando a extração dos minerais críticos, os governos parecem desconhecer diversos requerimentos encaminhados pelas parlamentares solicitando informações que tramitam desde 2025 nas gavetas de órgãos estaduais e municipais: as deputadas requereram, por exemplo, pedido de providencias para que não sejam emitidas certidões de uso e ocupação do solo para os empreendedores minerários de terras raras das empresas Viridis e Meteroric; e que sejam anuladas as certidões que já tenham sido emitidas. O documento de número 18716, é de 2025, mostra que o comitê recém criado, é “para inglês ver”, conforme ditado popular.

(FOTOS ACERVO DA CÂMARA e VIRIDIS ) – COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – contato: malheiros.tania@gmail.com     

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Terras raras: guardiãs de Poços de Caldas defendem moradores das ações de mineradoras australianas

 

Rio de Janeiro, 10 de agosto de 2026 - 


"O que a vida quer da gente é coragem". A frase do romance Grande Sertão: Veredas (1956), de João Guimarães Rosa, se encaixa como  luva para definir as corajosas moradoras do município mineiro de Poços de Caldas, que têm enfrentado diversos desafios para defender as terras que abrigam as suas casas, no bairro conhecido como Zona Sul, com 60 mil habitantes, a 300 metros de onde deverão ser abertas as cavas para a extração das cobiçadas terras raras.  As guardiãs Julia Ávila e Rose Nascimento participam de eventos e debates sobre o tema, questionam a autorização do governo sobre as ações das mineradoras, denunciam as falhas apontadas nas licenças ambientais concedidas às empresas australianas Viridis e Meteoric, atuando na região faz pelo menos dois anos. 

Aos 26 anos, autônoma, Júlia não abre mão de reiterar as ações "predatórias" que as mineradoras estão promovendo nas proximidades da Zua Sul, onde já há notícias sobre leilões de terrenos e imóveis. “Se não leiloam agora, não vendem mais, depois que as cavas começarem a ser abertas, desvalorizando tudo, dando um banho de poeira em todos os lugares”, comentou. 

Júlia já enviou solicitação de informações sobre as notícias de contaminação radioativa que a mineração poderá causar a diversos órgãos do governo municipal, estadual e federal. Em seminário recente sobre terras raras promovido pele a deputada Duda Salabert (PSOL-MG), Júlia, questionou o que poderá ocorreu a seu filho, de quatro anos, portador da Síndrome de Li-Fraumeni, doença rara e hereditária que aumenta muito o risco do desenvolvimento de vários tipos de câncer ao longo da vida, muitas vezes ainda na infância ou na juventude. A síndrome, explicou, é causada por uma alteração no gene TP53, que funciona como um protetor contra tumores. A criança não pode receber qualquer dose de radiação e necessita de cuidados especiais. 


O caso do menino será encaminhado ao Ministério da Saúde, prometeu Duda Salabert. Júlia disse ao Blog que precisa de muitas informações sobre a situação dela e de outros moradores. Por isso, enviou documento ao Ministério Público Federal do Estado de Minas Gerais afirmando ter conhecimento sobre a decisão da Justiça Federal determinando uma análise técnica conclusiva sobre os aspectos radiológicos do empreendimento. “Enquanto essas questões permanecem em avaliação, preciso de informações claras, técnicas e individualizadas para compreender os possíveis impactos sobre meu filho. Caso essas evidências não demonstrem sua segurança, adotarei as medidas cabíveis para protegê-lo”, afirmou. 

Júlia aguarda o retorno e sabe que não está sozinha na busca de informações sobre o que se pretende fazer pela segurança dos moradores da região. 


A colega de luta no bairro, Rose Nascimento, 53 anos, doméstica, também não se deixa vencer pelos contatos das mineradoras a moradores da Zona Sul. No seminário, comentou que os moradores são tratados como “terroristas”, com locais invadidos, enquanto caminhões passam por ruas repletos de sacos, provavelmente com material retirado de algumas cavas. 

Rose chorou ao reiterar que moradores estão ficando doentes; com as primeiras notícias sobre a ação das mineradoras em 2023, que aumentam desde 2025. “Buscamos informações e a garantia de que não seremos cobaias das mineradoras”, afirmou. 

(FOTOS – ARQUIVO PESSOAL E APS) – COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – CONTATO: malheiros.tania@gmail.com      

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

TERRAS RARAS - Mineração pode afetar 60 mil moradores; e até as águas do povo Krenak

 


Rio de Janeiro, 06 de agosto de 2026 - Cerca de 60 mil moradores da localidade conhecida como Zona Sul, no município mineiro de Poços de Caldas, correm o risco de terem que deixar as suas habitações, caso as mineradoras australianas Viridis e Meteoric avancem nos projetos de escavações na área já mapeada com potencial para exploração de terras raras. Moradores, parlamentares e lideranças diversas, como a Associação Poços Sustentável (APS), têm se manifestado contra o projeto apoiado pelo governo estadual e municipal, que se unem com promessas de proteção às prováveis futuras vítimas, sem dizer como. Deputada alerta sobre impactos no território Krenak. 


A Prefeitura de Poços de Caldas anunciou anteontem a criação de um comitê para acompanhar e ampliar as discussões sobre a exploração de terras raras no município. “O objetivo é garantir que todo o processo seja conduzido com transparência, responsabilidade e ampla participação da sociedade, diante da relevância que o tema ganhou nos cenários nacional e internacional”, anunciou a Prefeitura em sua página na internet. A proposta, acrescentou, é “criar um espaço permanente de diálogo para acompanhar todas as etapas relacionadas ao tema, levando informações à população e promovendo discussões técnicas sobre os possíveis impactos econômicos, ambientais e sociais. A participação dos moradores da Zona Sul, onde estão localizadas as áreas mapeadas com potencial para exploração de terras raras, será uma das prioridades”. 

TERRITÓRIO KRENAK - (Foto Greenpeace) - 


Entidades ouvidas pelo Blog denunciaram o comitê pela falta de representatividade, realizado sem a publicação de ato, sem a participação da sociedade civil, apenas das mineradoras e do governo. 

As deputadas federais Duda Salabert e Celia Xakriabá (PSOL-MG), e as estaduais Bella Gonçalvez e Beatriz Cerqueira (PT) combatem as ações do governo de Minas com uma série de requerimentos para que as licenças ambientais das mineradoras sejam canceladas, por não conterem credibilidade. 

“O modelo predatório das mineradoras adoece o território”, afirmou Duda Salabert. Célia Xakiabá alertou que até as águas dos rios do território Krenak serão afetadas. 


As parlamentares prometem avançar nas ações de combate às mineradoras. 

COMITÊ - 

O comitê do governo será composto por representantes da administração municipal e por integrantes de outros setores da sociedade, que ainda serão convidados pela Prefeitura para participar das discussões. 

A administração municipal terá representantes fixos no comitê. Integram o grupo o vice-prefeito Eduardo Zanuzzi; o secretário de Educação, Marcus Lemos; o procurador-geral do Município, Thiago Arantes; o controlador-geral, Vinicius Gadbem; o presidente da DME Poços de Caldas Participações S.A., Itamir Ricci Dalla Rosa; o secretário de Desenvolvimento Econômico, Franco Martins; o secretário de Meio Ambiente, Stefano Zincone; e o secretário de Gestão de Pessoas, Alexander Dannias. 

“Nos últimos meses, a Prefeitura tem buscado informações técnicas e institucionais para acompanhar o


assunto de forma responsável. Recentemente, o prefeito Paulo Ney esteve em Brasília, no Ministério de Minas e Energia, para conhecer o posicionamento do Governo Federal sobre o tema”, divulgou no site. O governo federal fez uma ação de escuta nos dias 24 e 25 de julho em várias regiões mineiras sobre a questão das terras raras e seus impactos na vida das pessoas, mas nada foi divulgado até o momento. 

(FOTOS – VIRIDIS - PREFEITURA DE POÇOS DE CALDAS -CÂMARA DOS DEPUTADOS - GREENPEACE) – 

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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Rússia manda urânio enriquecido ao Brasil para fabricação de combustível da usina atômica Angra 2

 


Rio de Janeiro, 05 de agosto de 2026 - A Rússia acaba de mandar cerca de 240 toneladas de urânio enriquecido (UF6) com destino à Fábrica de Combustível Nuclear FCN, em Resende, da Indústrias Nucleares do Brasil (INB). O material foi fornecido pela TENEX, empresa do grupo Rosatom. O urânio faz parte do processo de fabricação do combustível nuclear para a usina atômica Angra 2. No dia 07 de julho a INB recebeu uma carga de 390 varetas de Urânio (U-Gadolínio), fabricado pela Framatome, na Alemanha, ambos chegaram pelo Porto do Rio e com o mesmo destino. O Brasil tem contrato antigo com a Rússia para a realização do negócio. 


A produção do combustível nuclear que irá abastecer a próxima recarga da usina nuclear Angra 2 já está em andamento. “A empresa concluiu a montagem do primeiro elemento combustível, certificado após ser aprovado em todas as inspeções de qualidade previstas no processo produtivo”, informou a INB. No total, serão fabricados 52 elementos combustíveis destinados à Angra 2. A previsão é de que toda a montagem seja concluída até dezembro de 2026, com entrega do conjunto à Eletronuclear, gestora da usina, em março de 2027. 

“Diferentemente das varetas que são produzidas pela INB – preenchidas apenas com pastilhas de dióxido de urânio enriquecido (UO₂), as varetas importadas de U-Gadolínio possuem, em seu interior, algumas pastilhas produzidas com uma mistura de dióxido de urânio e óxido de gadolínio”, informou a empresa. As operações de transporte do UF6 e das varetas de U-Gadolínio foram planejadas e coordenadas pela INB e realizadas em conformidade com os planos de proteção física aprovados pelos órgãos competentes, segundo a empresa. 

As ações contaram com o apoio de instituições como o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (Sipron), a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, a Guarda Portuária do Rio de Janeiro, a Cesportos-RJ, o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Ministério da Defesa. 

RECARGA

 A recarga é uma parada programada realizada para substituir parte do combustível utilizado pelo reator e executar inspeções e manutenções nos sistemas da usina. Em Angra 2, esse procedimento ocorre, em média, a cada 14 meses. Durante a parada, aproximadamente um terço dos elementos combustíveis é substituído por novos. Os demais permanecem em operação e continuam sendo utilizados nos ciclos seguintes. Esse processo garante que a usina continue produzindo energia elétrica de forma limpa, segura e confiável. 

O hexafluoreto de urânio (UF6) é a forma gasosa do urânio utilizada na produção do combustível nuclear. Após chegar à Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), ele passa pelo processo de reconversão, transformando-se em dióxido de urânio (UO₂). Em seguida, esse material é utilizado na fabricação das pastilhas que serão inseridas nas varetas e, posteriormente, montadas nos elementos combustíveis que abastecem o reator nuclear. 

As varetas de U-Gadolínio são componentes especiais utilizados na fabricação do combustível nuclear. Elas contêm, além das pastilhas de dióxido de urânio enriquecido, algumas pastilhas misturadas ao óxido de gadolínio, um elemento químico capaz de absorver parte dos nêutrons produzidos durante a reação nuclear. Na prática, o gadolínio funciona como um regulador da reação nuclear. Nos primeiros meses de operação do combustível, ele ajuda a controlar a intensidade da reação dentro do reator, tornando seu funcionamento mais estável. Com o passar do tempo, esse efeito diminui gradualmente, permitindo que a reação continue de forma equilibrada ao longo de todo o ciclo de operação. 

(FOTO- Informações INB) 

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sexta-feira, 31 de julho de 2026

TERRAS RARAS: moratória para licenças ambientais de mineradoras australianas em MG, sugerem geólogos à Duda Salabert

 


Rio de Janeiro, 31 de julho de 2026 - As empresas australianas Viridis, em Poços de Caldas e Meteoric, em Caldas, respectivamente, em Minas Gerais, poderão ter as suas licenças ambientais canceladas, caso a Justiça aceite o pedido de moratória que deverá ser requerido nos próximos dias.  A moratória foi sugerida por geólogos do Centro de Desenvolvimento Tecnologia Nuclear (CDTN), que participaram do seminário sobre terras raras realizado pela deputada federal Duda Salabert (PSOL) que reuniu recentemente dezenas de ambientalistas contrários à exploração do mineral estratégico na região. 

Os geólogos Paulo Cesar Rodrigues e Gustavo Filemon foram enfáticos ao lembrar em suas apresentações que as duas empresas poderão causar fortes impactos ambientais nas regiões onde esperam atuar na exploração das terras raras. 

Rodrigues sugeriu que os dois empreendimentos sejam questionados a apresentar planos gestores de riscos radiológicos, e que, caso não tenham feito ainda é “um absurdo”. 


É fundamental, segundo eles, que sejam apresentados estudos complementares sobre a existência de materiais radioativos como urânio e tório nos locais onde se pretende realizar escavações na obtenção das terras raras. A exploração de terras raras, observaram, tem que passar pela esfera federal.  E mais,  é preciso muita atenção, alertaram, que a região evolve importante aquífero.  “O Brasil não dá atenção às suas águas subterrâneas”, observou Rodrigues.  Segundo a literatura disponível, o principal manancial subterrâneo da região é o Aquífero Alcalino de Poços de Caldas, um sistema associado à estrutura geológica da caldeira vulcânica local que desempenha um papel central no abastecimento hídrico e no complexo hidromineral regional. 

A deputada afirmou que as empresas apresentaram estudos ambientais produzidos por “consultorias envolvidas em escândalos de corrupção”. Á representante do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Tássia Arraes, Duda disse que o MCTI está trabalhando para beneficiar as mineradoras, em vez de proteger os moradores das regiões que serão afetadas. 

A deputada federal Célia Xakriabá, a primeira eleita por Minas Gerais, filiada ao PSOL e doutora em antropologia, combateu taxativamente a presença das duas empresas na região. Para Xakriabá e outros participantes os licenciamentos estão sendo feitos “a toque de caixa”. E mais “são modelos predatórios de mineração que adoecem os nossos territórios”, afirmou Duda. 

VIRIDIS E METEORIC - 

A Viridis afirmou, via assessoria de imprensa, que não vai se manifestar sobre a possibilidade de pedido de moratória, pois não recebeu nada sobre o assunto. O blog perguntou em que fase está o processo de licenciamento ambiental?O processo de licenciamento ambiental do Projeto Colossus está em andamento.”, com Licença Prévia aprovada por unanimidade. Em maio deste ano, “a empresa protocolou o pedido de Licença de Instalação, apresentando os estudos e documentos exigidos”. 

Quando a Viridis iniciará a extração das terras raras em MG? Qual a estratégia para iniciar o trabalho? Quais as medidas para evitar transtornos à população? perguntou o blog.A mineração e a produção de terras raras só terão início após a obtenção de todas as licenças ambientais e autorizações dos órgãos competentes. A previsão é que as operações comecem em 2028, seguindo todos os programas ambientais e medidas mitigadoras, como controle da qualidade da água e do ar, além da continuidade das iniciativas de diálogo”, informou a empresa. 

Outra pergunta do Blog, foi quando a Viridis começou a atuar em MG e o valor do investido. “A Viridis iniciou sua atuação em Poços de Caldas em 2023 e, em fevereiro de 2024, assinou protocolo de intenções com o Governo de Minas Gerais. Desde então, já investiu mais de R$ 200 milhões no projeto. A empresa está em fase de pesquisa mineral e, até o momento, não realizou nenhuma obra de instalação. A expectativa é que as obras tenham início após a concessão da Licença de Instalação pelo órgão ambiental”. 

A Meteoric enviou uma nota com informações gerais. “Atualmente, o Projeto Caldeira encontra-se na fase de licenciamento ambiental. Em dezembro de 2025, a empresa recebeu a Licença Prévia (LP), emitida pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). A licença atesta a viabilidade ambiental do empreendimento nessa etapa e estabelece condicionantes para o avanço do processo de licenciamento”, entre outras. 

O BLOG JÁ PUBLICOU ALGUMAS MATÉRIAS COM AMBAS AS EMPRESAS.  

(FOTOS- FONTES) – COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 – 99601-5849 – contato: malheiros.tania@gmail.com

 

terça-feira, 28 de julho de 2026

TERRAS RARAS: Brasil e Alemanha juntos no projeto "Regina"

 


Rio de Janeiro, 28 de julho de 2026 - O Brasil e a Alemanha mantêm um projeto voltado para minerais estratégicos: o Regina, em torno da utilização industrial de elementos de terras raras, praticamente desconhecido dos brasileiros. A informação sobre o Regina é da geóloga Tássia Arraes, coordenadora Setorial da Secretaria de Desenvolvimento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Ela participou de seminário sobre terras raras promovido recentemente pela deputada federal Duda Salabert (PSOL), em Poços de Caldas, MG. 

As pesquisas do Regina envolvem as cadeias produtivas de terras raras encontram-se em estágio avançado no País, o que acabou estimulando o envolvimento de instituições alemãs em busca do desenvolvimento tecnológico conjunto. 


A informação é do diretor-presidente do Instituto de Pesquisas, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), engenheiro metalúrgico, Fernando José Gomes Landgraf. Em dezembro do ano passado ele participou na cidade de Berlim do workshop ‘Strategic Minerals and Innovation in Brazil’, organizado conjuntamente pela embaixada brasileira e pela Câmara de Comércio Brasil-Alemanha. “A ideia é que o Brasil possa elaborar um produto – no caso, o superímã de terras raras – com valor agregado e não simplesmente a matéria-prima mineral. “Temos possibilidade de articular nossa cadeia produtiva para ir das minas ao superímã.”, disse Landgraf, no site do IPT. 

Do projeto participam um total de 19 instituições (11 brasileiras e 9 alemãs) entre as quais três são empresas. Cerca de 70 profissionais ligados a empresas alemãs da área de tecnologias de mineração participaram do evento. Estiveram presentes: (Fichtner Water & Transportation), interessadas no uso de terras raras (Siemens e BMW) e academia (universidades de Duisburg e Técnica de Clausthal, THGA e ICTs) estiveram presentes. 


Foram apresentados trabalhos técnicos brasileiros sobre o momento das terras raras no País. Landgraf mostrou o trabalho conjunto entre o IPT e a Universidade de São Paulo (USP) intitulado ‘A implantação e a estruturação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para produção de superímãs de terras raras’; Marcos Flavio Campos, da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresentou ‘As reservas e a pesquisa brasileira em terras raras’, e Paulo Wendhausen, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), discorreu sobre ‘O projeto Brasil-Alemanha de Tecnologia de Terras Raras – projeto REGINA’ (de Rare Earth Global Industry and New Application). 

ESTADO DE GOIÁS - 

André Carlos Silva, da Universidade Federal de Goiás (UFG), tratou de projetos de terras raras no estado de Goiás e Eduardo Soriano, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, mostrou a estratégia brasileira de ciência, tecnologia e inovação em terras raras. Lá, o então governador Ronaldo Caiado passou para os Estados Unidos a mineradora Serra Verde, a maior e única no Brasil que opera com terras raras, fazendo a separação dos 17 elementos. A mineradora brasileira Serra Verde foi anunciada como adquirida pela empresa norte-americana USA Rare Earth em 20 de abril de 2026. 

BOLHA DE PREÇOS – 

Na avaliação de Landgraf, o crescimento da parceria entre os dois países prende-se ao fato de as empresas alemãs serem grandes consumidoras de terras raras, muito utilizadas na fabricação de geradores eólicos e carros elétricos, por exemplo, e o Brasil como potencial fornecedor de superímãs. “Hoje o mercado mundial de terras raras é dominado pela China; decorrente dessa dependência, uma ‘bolha’ de preços ocorreu em 2011, o que gerou insegurança quanto à oferta do mineral no mercado internacional. O fenômeno repetiu-se em 2017. O preço do neodímio metálico aumentou cinco vezes entre janeiro e setembro deste ano, retornando em novembro ao patamar de janeiro, quando o quilo custava cerca de US$ 40.”

Para ele, há duas causas possíveis para a ‘bolha’ especulativa de preços deste ano: a primeira, embutida no anúncio do governo chinês de que sua legislação ambiental reduziria o número de empresas fornecedoras de terras raras para o mercado internacional; a segunda pode ter sido reflexo do estabelecimento de uma data-limite para o fim da produção de motores a combustão interna na Europa, com o consequente aumento na demanda por superímãs de terras raras para a motorização dos carros elétricos. Sobre a união de esforços entre o IPT e a Escola Politécnica da USP, Landgraf explicou que as duas instituições estão trabalhando no desenvolvimento tecnológico para a elaboração e a solidificação controlada da liga de neodímio-ferro-boro usada na fabricação dos superímãs.

Landgraf disse que via crescer a possibilidade de sucesso desta iniciativa diante do avanço de outro projeto, iniciado em agosto deste ano e também com foco no desenvolvimento dos superímãs de terras raras, que envolve sete instituições de pesquisa brasileiras e sete alemãs. “No Brasil a coordenação é da UFSC e, na Alemanha, do Instituto Fraunhofer IWKS, neste esforço importante que coloca em foco a internacionalização da pesquisa tecnológica brasileira”, conclui ele. 

No dia 13 de janeiro deste ano, Landgraf concedeu entrevista ao jornalista Luiz Nassif, sobre a questão das terras raras que fervilhava no País, mas não mencionou a parceria do Brasil com a Alemanha. Lembrou que existiam três empresas interessadas em operar com as terras raras, como as australianas a Viridis e  Meteoric, em Minas Gerais, que uma terceira norte-americana, chamada Clara, teria desistido. Entre um comentário e outro, ele fez questão de enfatizar a importância de que se faça estudos sobre os impactos das operações no meio ambiente. 

(FOTOS: MCTI e IPT) – COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – CONTAT0: malheiros.tania@gmail.com   

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