A empresa australiana Viridis Mining and Minerals acaba de firmar parceria com a Solvay, na França - gerida na Bélgica - visando o processamento das terras raras no município de Poços de Caldas, em Minas Gerais, onde está instalada. O negócio visa garantir “um fornecimento estratégico de materiais de terras raras, matéria-prima essencial para atender à demanda global por terras raras até 2028, reforçando a resiliência e a diversificação das cadeias de suprimentos de materiais críticos. Ambas as empresas trabalharão agora para finalizar um acordo de fornecimento definitivo. A Viridis afirma que seus direitos minerários foram autorizados pela Agência Nacional de Mineração (ANM).
Em documento para o presidente Lula divulgado na sexta-feira passada (19/6), o Ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira destaca que a Viridis foi uma das empresas internacionais visitadas.
O Blog buscou as informações através da assessoria da Solvay, em São Paulo, quando a Viridis anunciou recentemente que “protocolou o pedido de Licença de Instalação (LI), colocou em operação uma planta de demonstração avaliada em cerca de R$ 25 milhões em Poços de Caldas e firmou a parceria estratégica com a multinacional química francesa Solvay”. A assessoria da Solvay respondeu algumas questões, mas avisou que o negócio de terras raras da Solvay é gerido diretamente da Bélgica.
Nos termos da Carta de Intenções, “espera-se que a Viridis forneça matérias-primas essenciais de terras raras do Brasil para a planta da Solvay em La Rochelle, França. A Solvay contribuirá com sua reconhecida expertise em separação de terras raras e tecnologia de processamento para acelerar o fornecimento de matéria-prima do Brasil”. Essa colaboração, acrescentou, “alavancará as avançadas capacidades de processamento, separação e formulação da Solvay para refinar matérias-primas de terras raras em óxidos individuais de alta pureza, essenciais para motores de veículos elétricos, energia renovável, eletrônica avançada e sistemas de defesa”.
Segundo a Solvay, a matéria-prima inclui terras raras essenciais para ímãs permanentes, notadamente neodímio (Nd), praseodímio (Pr), disprósio (Dy) e térbio (Tb), atendendo à crescente demanda global. Contém também uma importante distribuição de outras terras raras pesadas, como samário (Sm), gadolínio (Gd) e ítrio (Y), utilizadas em setores de tecnologia avançada críticos, como automotivo, eletrônico, médico e aeroespacial.
UMA DAS MAIORES PLANTAS DE SEPARAÇÃO FORA DA CHINA -
A unidade da Solvay em La Rochelle é uma das maiores plantas de separação de terras raras fora da China e um dos poucos locais no mundo capazes de processar todos os elementos de terras raras em escala industrial. “A parceria apoia a ambição mais ampla da Solvay de expandir a capacidade de produção e contribuir para o desenvolvimento de uma cadeia de valor de terras raras mais resiliente”, informou a empresa. Observou, contudo, que a “transação em questão permanece sujeita à documentação definitiva, ao cumprimento dos requisitos aplicáveis e a outras condições habituais; consequentemente, não há garantia de que a transação será concluída ou quanto aos seus termos finais”.
DEMANDA GLOBAL – ESCALA INDUSTRIAL -
"Esta transação proposta representaria um marco significativo no fortalecimento e diversificação de nossa cadeia de suprimentos upstream", disse An Nuyttens, presidente da divisão de Produtos Químicos Especiais da Solvay . "Ao firmarmos parceria com a Viridis, garantiríamos outra fonte confiável de matérias-primas, o que nos permitiria maximizar nossa capacidade de processamento e atender à crescente demanda global por elementos de terras raras de alta pureza e processados de forma sustentável. Isso inclui a separação em escala industrial de disprósio (Dy) e térbio (Tb) até setembro de 2026 em nossa unidade de La Rochelle, na França. A Solvay mantém sua meta de fornecer 30% do mercado europeu de terras raras leves e pesadas de grau magnético até 2030."
A direção da Viridis também teceu louros aos negócios em solo mineiro. “A parceria com a Solvay nos permitiria conectar nossa base de recursos a uma das plataformas de processamento de terras raras mais avançadas do mundo”, disse Rafael Moreno, Diretor Geral e CEO da Viridis Mining and Minerals. “Juntos, estaríamos promovendo um fornecimento mais diversificado e responsável de materiais críticos para atender à crescente demanda global.
” NEGÓCIO ABRANGE ACORDO COM DISTRIBUIDORA DE ENERGIA -
A mineradora australiana Viridis avança em seus negócios se preparando no setor fundamental, o de energia. A empresa anunciou recentemente a assinatura de seu primeiro grande contrato de execução para o Projeto Colossus, empreendimento de terras raras localizado em Poços de Caldas. O acordo, firmado com a DME, Distribuidora de Energia, prevê investimentos de aproximadamente R$ 3,97 milhões na implantação da infraestrutura elétrica necessária para conectar o complexo minerador diretamente à rede elétrica brasileira. Segundo a Viridis, “o contrato representa um dos principais marcos da fase de desenvolvimento do projeto” e, segundo a companhia, reduz significativamente os riscos para o início das operações, previsto para o primeiro semestre de 2028. O acordo garante toda a infraestrutura necessária para o fornecimento de energia ao empreendimento e inclui o licenciamento, engenharia, aquisição de equipamentos e construção de uma linha de transmissão exclusiva de alta tensão.
FUTURA MINA E PLANTA DE PROCESSANENTO -
A conexão, informou a Viridis,” será feita por meio de uma linha de 138 kV com aproximadamente 3,2 quilômetros de extensão, ligando a Subestação Saturnino ao Projeto Colossus”. E a estrutura “permitirá que a operação tenha fornecimento de energia dedicado, considerado essencial para o funcionamento da futura mina e da planta de processamento. Além da construção da linha, a Viridis assegurou uma reserva inicial de 27 megawatts (MW) de potência elétrica para abastecer a primeira fase da operação.
MODELO “CHAVE NA MÃO” -
A implantação da infraestrutura será realizada pela DME no modelo turnkey, também conhecido como “chave na mão”. A Viridis informou ainda que “nesse formato de contratação, uma única empresa assume integralmente todas as etapas do empreendimento, desde os processos de licenciamento e elaboração dos projetos de engenharia até a aquisição dos equipamentos, construção, testes e energização do sistema”. E acrescentou: “Ao final do processo, a infraestrutura é entregue pronta para operar, restando ao cliente apenas iniciar sua utilização. O modelo é amplamente empregado em grandes projetos industriais e de infraestrutura por reduzir a complexidade da gestão e concentrar a responsabilidade técnica em um único executor”.
CONTRA OSCILAÇÕES -
De acordo com o cronograma divulgado pela empresa, a capacidade de energia reservada estará disponível a partir de dezembro de 2027, atendendo ao planejamento de implantação do Projeto Colossus. Outro destaque do contrato é o valor fixo de aproximadamente R$ 3,97 milhões para a execução das obras. Segundo a mineradora, o modelo protege o empreendimento contra oscilações nos custos de engenharia, materiais e construção ao longo da execução.
EXPANSÃO -
Embora a reserva inicial seja de 27 MW, a infraestrutura está sendo projetada para suportar até 90 MVA de capacidade. Na prática, isso significa que o sistema poderá atender futuras ampliações da operação sem a necessidade de investimentos significativos em novas estruturas de transmissão e subestações. A empresa considera esse planejamento estratégico para acompanhar o crescimento do projeto nos próximos anos. Com a assinatura do contrato de conexão elétrica, a Viridis dá mais um passo rumo à implantação do empreendimento em Poços de Caldas, reforçando a meta de iniciar a produção comercial no primeiro semestre de 2028.
DISTRIBUIDORA CONFIRMA EM NOTA AO BLOG -
“DME Distribuição S.A – DMED, empresa pública municipal, responsável pela distribuição de energia elétrica para todo o município de Poços de Caldas, conforme contrato de concessão celebrado com o governo federal, por intermédio da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), informa que atualmente qualquer empresa, que se instale no Brasil, deve procurar a concessionária competente para conexão e uso do sistema de distribuição de energia, ou seja, um procedimento normal e recorrente. Assim, não se trata de um acordo, mas, sim, de um contrato celebrado entre as partes, para garantia da execução das obras de conexão em rede de distribuição. Esse processo é devidamente regulamentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), por meio da Resolução Normativa nº 1.000/2021. As obras e serviços, objetos do contrato celebrado, compreenderão, em síntese, a implantação de linha de distribuição/transmissão em 138 kV, entre a subestação da distribuidora e a subestação do acessante, no caso a empresa Viridis, bem como a implantação do respectivo bay de conexão na subestação da distribuidora, tudo conforme orçamento técnico previamente encaminhado ao acessante e aceito por este”.
VIRIDIS NEGA CONTAMINAÇAO RADIOATIVA -
As denúncias de contaminação radioativa veiculadas pela imprensa, a Viridis se defendeu informando que trata as questões radiológicas relacionadas ao Projeto Colossus com rigor técnico e total conformidade regulatória desde as fases iniciais de desenvolvimento do projeto. “Em atendimento à Norma CNEN NN 4.01, a empresa realizou uma ampla campanha de caracterização radiológica, envolvendo mais de 6 mil amostras de minério, estéril, produtos e rejeitos. Os resultados foram submetidos à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) para avaliação técnica. Após análise independente, a ANSN concluiu preliminarmente que os níveis de radioatividade identificados encontram-se dezenas de vezes abaixo dos limites de isenção regulatória estabelecidos pela legislação brasileira, indicando que o projeto pode ser enquadrado como isento de controle regulatório radiológico. O projeto também foi concebido com foco em segurança operacional e sustentabilidade ambiental. O processo industrial operará em circuito fechado, com recirculação de água e recuperação de reagentes, sem lançamento de efluentes industriais no meio ambiente”, informou em nota.
O BLOG encaminhou questões gerais à Viridis. Veja as perguntas e as respostas:
BLOG: Quem autorizou os direitos minerários da Viridis?
Viridis: Os direitos minerários foram adquiridos em conformidade com as normas legais vigentes e estão devidamente registrados junto à Agência Nacional de Mineração (ANM), órgão federal responsável por regular, fiscalizar e administrar o patrimônio mineral no País. As autorizações podem ser consultadas no site da ANM, garantindo a legalidade e a transparência dos processos.
BLOG: O projeto possui um recurso total de cerca de 500 milhões de toneladas em argilas. O que isto quer dizer? O que representa?
Viridis: Isso significa que, com base nos estudos geológicos realizados até o momento, estima-se que os depósitos da Viridis contenham cerca de 500 milhões de toneladas de argilas iônicas. Essa estimativa é fundamentada em dados obtidos por meio de sondagens, amostragem, análises laboratoriais e modelagem geológica, que permitem calcular o volume de material presente no subsolo e convertê-lo em toneladas. O valor representa, portanto, uma estimativa do tamanho do depósito de argilas iônicas na área pesquisada, com base nas informações geológicas atualmente disponíveis. No caso específico do Projeto Colossus, que está em processo de licenciamento ambiental, é prevista a extração de aproximadamente cinco milhões de toneladas por ano.
BLOG: De que forma a Magbras trabalha com a Viridis?
Viridis: O Projeto MagBras integra o Programa Mover, desenvolvido pelo SENAI e pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP), com o objetivo de estruturar a cadeia de produção de ímãs em escala industrial no Brasil, por meio da participação de diversas instituições de ciência e tecnologia, fundações e empresas, entre elas a Viridis. O projeto abrange todas as etapas do processo, desde a lavra do minério, o beneficiamento e a produção dos óxidos, até a metalização e a fabricação dos ímãs. Como parte de sua atuação, a Viridis contribui com conhecimento técnico e apoio financeiro. Neste contexto, em maio de 2025, a Viridion Rare Earth Technologies Ltda., joint venture entre a Viridis e a Ionic Technologies, realizou a primeira entrega de óxidos de terras raras obtidos a partir da reciclagem de ímãs permanentes – um marco histórico para a indústria nacional de minerais críticos.
(FOTOS: INSTALAÇÕES DA VIRIDIS) –
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