A União Europeia também quer usufruir das terras raras brasileiras, e seus representantes já deixaram bem claro que estão dispostos a entrar na disputa pelo material estratégico mais cobiçado por Donald Trump. Uma comitiva Europeia participou de reunião com o Ministério de Minas e Energia (MME) ontem (terça-feira, 23/6), em Brasília; e dias antes (sábado, 20/6), visitou a empresa australiana Mining and Minerals, em Poços de Caldas (MG) - que já selou acordos com a francesa Solvvay, passando pela Bélgica -, que visa reduzir “a dependência da China”. O comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, esteve nos dois momentos, de uma agenda oficial iniciada dia 18/6 que termina hoje (24/6), segundo o MME. Contudo, têm sido constantes as manifestações populares, de entidades civis, ambientalistas e parlamentares, como a deputada Bella Gonçalves (PT/MG) contra a exploração do solo mineiro.
MERCADO SEGURADOR –
O negócio da Viridis em Poços de Caldas está indo de “vento em popa”, que a iniciativa vem atraindo a atenção de instituições financeiras internacionais. A empresa australiana já recebeu uma carta de interesse não vinculante da agência francesa Bpifrance Assurance Export, que atua em nome do governo francês oferecendo garantias e seguros para projetos considerados estratégicos para o país. Além da busca por financiamento, a empresa também avança nas negociações para comercialização futura da produção.
ABUNDÂNCIA DE RECURSOS -
No Ministério, a reunião esteva voltada ao fortalecimento para discutir oportunidades concretas de cooperação e investimentos nos setores de energia e mineração, cooperação internacional e os investimentos externos, por exemplo. O secretário-executivo do MME, Gustavo Ataíde, destacou que o Brasil reúne condições singulares para receber investimentos, graças à combinação entre abundância de recursos naturais e uma matriz energética predominantemente limpa.
Segundo ele, a parceria com a União Europeia é fundamental para transformar o potencial brasileiro em projetos concretos capazes de gerar emprego, renda e desenvolvimento tecnológico. “Há um alinhamento estratégico importante entre Brasil e União Europeia, e a determinação do ministro Alexandre Silveira é de que aproveitemos o momento de transformar intenções em ações concretas, capazes de gerar investimentos, empregos e renda. O Brasil oferece condições únicas para isso, mas busca parcerias que promovam a agregação de valor local, a formação de capital humano e a transferência de tecnologia”, afirmou.
VANTAGEM GEOLÓGICA -
Ao tratar das oportunidades na mineração, a secretária nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Ana Paula Bittencourt, ressaltou que o Brasil oferece previsibilidade regulatória, estabilidade institucional e elevados padrões de sustentabilidade. Segundo ela, a diretriz do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é transformar a vantagem geológica brasileira em desenvolvimento socioeconômico e industrial. A secretária destacou que o desafio atual vai além da expansão da produção mineral e passa pelo domínio tecnológico e pela formação de mão de obra especializada. Também defendeu o fortalecimento das cadeias produtivas para reduzir a concentração global do processamento desses minerais.
AVANÇAR EM SALTOS -
“Com um parceiro estratégico como a União Europeia, o Brasil pode avançar em saltos, e não apenas em passos. Temos condições de produzir materiais e insumos industriais de baixa pegada de carbono, aproveitando uma matriz elétrica com cerca de 90% de fontes renováveis”, disse. O encontro ocorre em um momento de crescente interesse internacional pelas reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras, consideradas estratégicas para setores como mobilidade elétrica, semicondutores, indústria de defesa e tecnologias de baixo carbono. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras e busca ampliar a agregação de valor às cadeias produtivas associadas a esses recursos.
HIDROGÊNIO – NOVAS CADEIAS -
A secretária substituta de Transição Energética e Planejamento, Lorena Perim, destacou o protagonismo do Brasil como um dos principais polos globais de energias renováveis e ressaltou o interesse de empresas europeias em projetos de hidrogênio de baixa emissão. Segundo ela, o país trabalha para garantir que os investimentos em novas cadeias energéticas resultem em benefícios estruturantes para a economia brasileira. A regulamentação do hidrogênio de baixa emissão, atualmente em fase final de elaboração, deverá contribuir para acelerar decisões de investimento e ampliar a cooperação com parceiros internacionais. "Nós sabemos que há um grande interesse por parte dos investidores, considerando que o Brasil é um grande hub de energia renovável, mas a nossa regulamentação e as nossas discussões internas sempre passam por internalizar ganhos além de simplesmente a implantação do projeto; nós precisamos trazer parte desse valor, dessa cadeia para o Brasil", destacou Lorena.
PARCERIA – FAZER ACONTECER -
Representando a União Europeia, o comissário para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, destacou que Brasil e Europa compartilham valores e interesses estratégicos e defendeu maior foco na implementação das iniciativas em curso. “Temos valores compartilhados, competências dos dois lados e determinação. Agora precisamos fazer acontecer. Precisamos acelerar, avançar em medidas práticas e alinhar marcos e propostas específicas”, afirmou.
Síkela também ressaltou o crescente interesse de empresas europeias em investir no Brasil e defendeu a construção de projetos emblemáticos capazes de impulsionar novos investimentos, inclusive em outros mercados da América Latina. A reunião no MME integra uma agenda mais ampla de aproximação entre Brasil e União Europeia, que inclui iniciativas no âmbito da estratégia Global Gateway e da parceria em matérias-primas críticas. A cooperação busca fortalecer cadeias produtivas resilientes, promover investimentos sustentáveis e ampliar a participação brasileira em segmentos de maior valor agregado ligados à transição energética global.
REDUZIR DEPENDÊNCIA DA CHINA -
O comissário da união europeia percorreu o solo de Poços de Caldas, onde conheceu o projeto Colossus, desenvolvido pela empresa australiana Viridis Mining and Minerals. Segundo a Viridis, a agenda faz parte da estratégia europeia para ampliar parcerias internacionais e reduzir a dependência da China no fornecimento de minerais críticos. A visita ocorreu no sábado (20), durante a missão oficial da União Europeia ao Brasil que antecede o Fórum de Investimentos UE-Brasil, realizado em Brasília. Segundo a mineradora, a comitiva contou com integrantes do gabinete do comissário, representantes da Comissão Europeia, do Banco Europeu de Investimento e da Delegação da União Europeia no Brasil.
CHINA - O DOMÍNIO
Localizado no complexo alcalino de Poços de Caldas, o Projeto Colossus é apontado como um dos empreendimentos mais promissores do país no setor de terras raras, informou a Viridis. São minerais considerados essenciais para a fabricação de ímãs permanentes utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Segundo a Viridis, o interesse europeu está diretamente ligado à busca por fornecedores alternativos de minerais estratégicos. “Atualmente, a China domina grande parte da cadeia global de terras raras, especialmente nas etapas de processamento, refino e fabricação de ímãs”.
De acordo com a Viridis, durante a visita foram discutidas oportunidades de cooperação entre Brasil e Europa para a construção de cadeias de fornecimento consideradas “seguras e resilientes”. Também entraram na pauta mecanismos de apoio para facilitar o desenvolvimento de projetos estratégicos de minerais críticos. As conversas de sábado fazem parte de um “processo contínuo de diálogo com instituições europeias sobre possíveis formas de apoio futuro ao Projeto Colossus”.
MERCADO SEGURADOR FRANCÊS -
A Viridis informou que a iniciativa já vem atraindo atenção de instituições financeiras internacionais. E mais: Informou também ter recebido uma carta de interesse não vinculante da agência francesa Bpifrance Assurance Export, que atua em nome do governo francês oferecendo garantias e seguros para projetos considerados estratégicos para o país. Além da busca por financiamento, a empresa também avança nas negociações para comercialização futura da produção.
Recentemente, a mineradora assinou uma carta de intenção não vinculante com a empresa belga Solvay para o fornecimento de carbonato misto de terras raras. Pela proposta, o material extraído em Poços de Caldas poderá ser processado na unidade da companhia em La Rochelle, na França, enquanto as empresas negociam um acordo definitivo, conforme o Blog divulgou esta semana.
EUROPA - TRANSIÇÃO ENERGÉTICA -
Segundo a Viridis, o Projeto Colossus tem potencial para contribuir com os objetivos industriais, tecnológicos e de transição energética da Europa. A companhia também participou recentemente do Fórum de Investimento em Minerais Críticos do G7, ampliando a aproximação com governos e consumidores industriais de países ocidentais. A expectativa da empresa é iniciar a operação de uma planta comercial para produção de carbonato misto de terras raras em 2028.
“O avanço das negociações internacionais ocorre em um momento em que o governo brasileiro discute formas de transformar suas reservas minerais em desenvolvimento industrial, defendendo investimentos em beneficiamento, refino, tecnologia e agregação de valor dentro do país”, informou a Viridis. E completou: “Poços de Caldas, que já possui tradição na atividade mineral e abriga importantes ocorrências geológicas, passa a ocupar posição de destaque em uma disputa global cada vez mais estratégica pelo controle e fornecimento de minerais essenciais para a economia do futuro”.
(FONTES E FOTOS – MME E VIRIDIS) –
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