terça-feira, 16 de março de 2021

Angra 1: 26ª recarga de combustível (urânio enriquecido) chega à central nuclear

 


A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) acaba de finalizar a entrega da 26ª recarga de combustível (urânio enriquecido) de Angra 1 para a Eletronuclear, gestora das usinas. O primeiro transporte, dos seis realizados para entrega de 44 elementos combustíveis, aconteceu no dia 23/02, conforme o blog antecipou com exclusividade. 

Os comboios partiram da Fábrica de Combustível Nuclear, em Resende/RJ, com destino à Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis (RJ). Instituições federal, estadual e municipal acompanharam. 

A recarga é o processo de reabastecimento de uma usina nuclear por meio da substituição de elementos combustíveis já utilizados por novos, que ficam em média três anos no reator. Estes elementos são estruturas metálicas, com até cinco metros de altura, formadas por um conjunto de tubos, chamados de varetas, que recebem as pastilhas de urânio enriquecido. 

A etapa após a produção é o transporte até as usinas. Como as piscinas de Angra 1 estão no limite, a Eletronuclear informou recentemente que previa transferir o combustível usado para a Unidade de Armazenamento a Seco (UAS), mas a estatal não confirmou se a transferência já foi realizada.

 ANGRA 2: RECARGA - 

Em janeiro, a INB iniciou a produção de 44 elementos combustíveis para a 17ª Recarga de Angra 2. A previsão é que a fabricação seja concluída até o final de maio e o transporte seja realizado entre maio e junho. 

FOTO: Varetas com o combustível - acervo INB. 

Presidente Bolsonaro participa de evento de entrega de equipamentos para usina Angra 3, sexta-feira

 


O presidente da República, Jair Bolsonaro, participa nesta sexta-feira (19/3) da solenidade de entrega dos dois últimos acumuladores da usina nuclear Angra 3, fabricados pela Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), para a Eletronuclear, gestora das usinas atômicas. Haverá também a inauguração de uma linha de produção de torres de transmissão de energia. O evento será realizado no parque fabril da Nuclep, em Itaguaí, às 10h. 

Os acumuladores de Angra 3 são tanques com 14,2 metros de comprimento e 22 toneladas, utilizados para fazer o resfriamento do sistema primário, onde fica o reator. Por isso, são estratégicos para garantir a segurança de uma usina nuclear. Esses equipamentos armazenam água pressurizada rica em boro, que neutraliza a reação de fissão nuclear que ocorre no núcleo. Em caso de emergência, sua função é injetar o líquido rapidamente no sistema primário para resfriar o reator. A água é descarregada de forma passiva, por ação da gravidade, sem a necessidade de energia elétrica. 

Angra 3 terá, no total, oito acumuladores. Todos foram produzidos pela Nuclep, assim como os demais grandes equipamentos da usina, incluindo o vaso de pressão do reator, os geradores de vapor, os condensadores e o pressurizador. 

Quando entrar em operação, Angra 3, com potência de 1.405 megawatts, terá capacidade de gerar mais de 12 milhões de megawatts-hora por ano, energia suficiente para abastecer as cidades de Brasília e Belo Horizonte durante o período, segundo a Eletronuclear. 

Com a usina em funcionamento, a central nuclear de Angra produzirá energia equivalente a 60% do consumo do estado do Rio de Janeiro. As obras da unidade estão previstas para serem reiniciadas em outubro, com conclusão estimada para 2026. 

TORRES DE TRANSMISSÃO - 

A estatal informou que a nova linha de produção da Nuclep fabricará todos os tipos de torres de transmissão e telecomunicação. O objetivo da empresa é atuar como uma fornecedora do setor energético nacional, contribuindo para o seu desenvolvimento. A previsão é produzir até 35 mil toneladas de estruturas metálicas anualmente, possibilitando a instalação de 1,5 mil km por ano em linhas de transmissão. 

O Ministério de Minas e Energia prevê a instalação de 55 mil km de linhas de torres de transmissão no Brasil até 2027. Com a perspectiva de absorver a grande demanda que existe nesse mercado, a Nuclep foca na redução de sua dependência de recursos da União. “O faturamento pode chegar a R$ 300 milhões até 2022. Uma expansão da capacidade produtiva para 60 mil toneladas anuais também está nos planos, mas vai depender da resposta do mercado”. 

Além de Bolsonaro, estarão no evento o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque; e o governador em exercício do Estado do Rio, Cláudio Castro. Também participarão os presidentes da Nuclep, Carlos Henrique Seixas, e da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães. Local: Parque fabril da Nuclep (Av. General Euclydes de Oliveira Figueiredo, 200, Brisamar, Itaguaí. 

FOTO:  Acumuladores - Acervo Nuclep - 

Eletrobras a caminho da privatização

 

O governo informou na tarde desta terça-feira (16/3) que o Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI), acaba de incluir a Eletrobras, no Programa de Nacional de Desestatização (PND), como vinha sendo anunciado desde 23 de fevereiro.  Em nota divulgada há pouco, a Eletrobras comunicou o fato aos seus acionistas e ao mercado em geral. 

A Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras, gestora das usinas nucleares, fica fora da privatização, de acordo com a Constituição, que mantém à União o monopólio da energia atômica. O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, participaram da reunião do PPI, na qual o anúncio da privatização foi feito. 

A privatização da Eletrobras terá ainda que ser submetida ao Congresso Nacional para a aprovação da Medida Provisória enviada pelo governo, que poderá ser aprovada até junho. O Ministério de Minas e Energia, divulgou nota sobre a privatização da Eletrobras:  O objetivo da privatização é aumentar a capacidade de investimento da estatal, “gerando mais emprego e renda para o país”.  

A inclusão na Eletrobras no PND tem como objetivo permitir o início dos estudos que serão realizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), informou em nota a estatal.

quinta-feira, 11 de março de 2021

Em 60 dias, governo deve liberar recursos visando mapear sítios para futuras usinas nucleares

 

O Ministério de Minas e Energia deverá destinar recursos de pesquisa e desenvolvimento para a conclusão dos estudos visando o mapeamento de novos sítios para a implantação de futuras usinas nucleares no Brasil. O prazo para a liberação dos recursos é de 60 dias. A Articulação Antinuclear, que reúne dezenas de entidades civis no país, tem promovido diversas manifestações contra a intenção do governo de construir novas usinas, como as já anunciadas para o Nordeste. 

Mas a decisão do governo está em andamento. Especialistas projetam investimentos de cerca de US$ 50 bilhões em um período de 30 anos, o que representa cerca de R$ 300 bilhões em três décadas, o equivalente a R$ 10 bilhões por ano, apenas para as novas plantas nucleares. A possibilidade de construção de oito usinas nucleares até 2050 no Nordeste, assumirá “papel estratégico na retomada econômica pós-pandemia do coronavirus (Covid-19)”, asseguram. 

As informações estão sendo divulgadas por especialistas que vão participar do XII Seminário Internacional de Energia Nuclear (SIEN) este ano, e que já participaram no ano passado. As metas fazem parte do Plano Nacional de Energia – PNE 2050, que poderá gerar forte movimentação de recursos no setor nuclear, segundo eles. Isso, além da expectativa de investimentos de R$ 15,5 bilhões na retomada das obras da usina nuclear Angra 3, cujo edital foi divulgado no Diário Oficial da União (DOU), em 25 de fevereiro. 

A coordenação do SIEN divulgou há pouco que a medida que determina o prazo de 60 dias para a conclusão dos estudos sobre o mapeamento para as novas usinas já foi aprovada pelo presidente Jair Bolsonaro e publicada no DOU. “O mapeamento de novos locais para abrigar as próximas usinas atômicas é um tema central nas discussões do setor nuclear”, garantiram. 

A resolução aprovada pelo presidente também definiu a nova orientação estratégica para ações de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação no setor de energia. De acordo com o texto, a energia nuclear será um dos temas que ganhará prioridade no recebimento de recursos. As novas usinas brasileiras e os possíveis sítios que vão abriga-las estão na agenda do XII SIEN 2021, marcado para agosto.

Além disso, também ganharão especial destaque as pesquisas envolvendo hidrogênio, biocombustíveis, armazenamento de energia, geração termelétrica sustentável, transformação digital e minerais estratégicos para o setor energético. O texto traz ainda a determinação para que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) realize estudos sobre o setor de energia. 

Segundo o Ministério de Minas e Energia, outras medidas de médio e longo prazos estão sendo elaboradas por meio de articulação com o Ministério de Ciência Tecnologia e Inovação para estimular a inovação em energia e mineração. “Para tanto, os ministérios estão concebendo uma estrutura de governança para lidar com esse desafio, possibilitando que a discussão possa ser feita de forma estruturada e coordenada pelas pastas, ampliando o diálogo com instituições e associações setoriais, indústria e sociedade civil”, explicou o MME, em comunicado.

terça-feira, 2 de março de 2021

Eletrobras divulga comunicado sobre retomada das obras de Angra 3

 


Acaba de ser dado mais um passo para agilizar a retomada das obras da usina nuclear Angra 3, paralisadas desde 2015, por denúncias de corrupção. A Eletrobras informou na noite desta terça-feira (02/03) que foi sancionada nesta data a Lei nº 14.120/21 de conversão da Medida Provisória 998, que permite a revisão do preço de contratação da energia a ser gerada por Angra 3. Também estabelece um marco legal para diversas questões relacionadas ao empreendimento, “dando segurança jurídica para que se possa investir na retomada” da usina atômica. 

A Eletrobras reiterou que o preço de referência da energia de Angra 3 será atualizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que já vem trabalhando na reestruturação financeira e contratual do projeto. O BNDES levará em conta a manutenção da viabilidade econômica -financeira do empreendimento, a contratação de um financiamento nas condições do mercado, por exemplo. 

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) será responsável por autorizar a celebração de um novo contrato de venda de energia, a outorga e também acompanhará a construção de Angra 3. Já a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEE) acompanhará o cumprimento da data de entrada de operação de Angra 3, prevista para novembro de 2026. 

O edital para a retomada das obras foi publicado pela Eletronuclear, gestora das usinas, no dia 25/2, no Diário Oficial da União. Angra 3 já consumiu R$ 7 bilhões e precisa de outros R$ 15 bilhões para ser concluída. A dívida da empresa com o BNDES e a Caixa Econômica Federal (CEF) chega a R$ 6,6 bilhões.  A Eletronuclear informou que vem pagando, mensalmente, R$ 30,1 milhões ao BNDES. e R$ 24,7 milhões mensais, a CEF. 

Angra 3 foi comprada no pacote do acordo nuclear Brasil-Alemanha, assinado pelo presidente da República, general Ernesto Geisel, em Boon, no dia 27 de junho de 1975. 

Leia no blog outras matérias sobre o acordo e a usina. (FOTO: Angra 3 – Acervo Eletronuclear)


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Angra 3: edital para retomada das obras põe fim à saga iniciada nos anos 70.

 


A Eletronuclear publicou nesta quinta-feira (25/02), no Diário Oficial da União, o edital de contratação da empresa que retomará a obra civil de Angra 3 e realizará parte da montagem eletromecânica da usina nuclear. O objetivo é adiantar algumas atividades de construção antes mesmo de se contratar a empreiteira que irá empreender a obra global e concluirá a construção da usina. A expectativa é de que o contrato seja assinado até maio, conforme a subsidiária da Eletrobras divulgou hoje. 

Desde que assumiu o governo, o presidente Jair Bolsonaro manifestou várias vezes a intenção de concluir Angra 3, uma obra que há décadas vem sendo palco de muitos problemas. 

A história da usina começou nas décadas de 70 e 80, época do apogeu da energia nuclear no Brasil, por conta das pressões e dos boicotes norte-americanas contra o país. 

Para se ter ideia, até o ex-presidente Juscelino Kubitschek pediu a amigos que transmitissem felicitações ao general Ernesto Geisel, quando o presidente assinou o acordo nuclear Brasil-Alemanha, em Bom, no dia 27 de junho de 1975. Em carta, escrita de próprio punho, datada de 8 de julho de 1975, Kubitschek registrou que considerava o ato o mais importante praticado pela Revolução nos últimos dez anos. Foi assinando o acordo que o Brasil, entre outros negócios, comprava oito usinas da Alemanha, uma delas, batizada de Angra 3. 

O mundo nuclear não era para principiantes e envolvia grandes jogadas: depois de vender Angra 1 para o Brasil, os EUA se negaram a fornecer o combustível (urânio enriquecido) para alimentar o reator fabricado pela norte-americana Westinghouse. Diante da crise, o Brasil fez a compra da África do Sul, enquanto o nacionalismo fervilhava. Cientistas defendiam que o Brasil deveria projetar o seu próprio reator comercial, mas foram vencidos.  O acordo estava assinado. 

Na Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio de Janeiro, eclodiam os mais veementes discursos em prol da ditatura nuclear brasileira. Em 1978 ainda havia muito otimismo em torno do “negócio do século”, pois as obras da primeira usina fruto do acordo, Angra 2, estavam em andamento. Na Europa, porém, havia um forte movimento contra o programa nuclear brasileiro. Aqui, houve até Comissão Parlamentar de Inquerido (CPI), que acabou em “pizza”.  

A SAGA DE ANGRA 3 -

 Mais de quatro décadas se passaram, e parece que a saga de Angra 3 chegou ao fim. 

Para resgatar mais um pouco essa história, dados oficiais informam que as obras civis de Angra 3 tiveram início em 1984; sendo interrompidas em 1986. Nesse período, foram realizados cortes na rocha, abertura de cavas para a colocação de blocos de fundação e a preparação parcial do sítio. O governo também executou instalações parciais de infraestrutura do canteiro de obras. O material procedente da escavação foi utilizado para a construção do molhe de proteção da Baia de Itaorna, em frente à central nuclear de Angra. 

A Eletronuclear reconhece que a paralisação das obras de Angra 3 ocorreu por fatores políticos e econômicos, principalmente nas décadas de 1980 e 1990. Só depois da entrada em operação de Angra 2 – a primeira usina o acordo com a Alemanha – a construção de Angra 3 voltou à pauta. Problemas diversos foram entravando a continuidade das obras, que se arrastaram até 2015. 

O ano de 2015 marcou a mais recente parada das obras da usina, após denúncias de corrupção do então presidente da Eletronuclear, contra-almirante Othon Luiz Pinheiro, que acabou sendo preso. Até o ex-presidente da República, Michel Temer, e executivos da estatal, acusados de corrupção, também foram presos. Todos soltos, depois. 

FESTA NO CANTEIRO -

 Agora, com a publicação do edital para a retomada das obras, a indústria nuclear se movimenta aliviada para alavancar um processo que até bem pouco tempo, muitos duvidavam. 

Em outubro, provavelmente, haverá festa no canteiro de obras da usina: será colocado o primeiro concreto – marco da retomada das obras de Angra 3. Técnicos do setor acham que o momento será de festa no canteiro. A contratação da empreiteira está prevista para o segundo semestre de 2022. Por fim, a entrada em operação programada para 2026. 

A Sociedade Angrense de Proteção Ambiental (SAPÊ) lamenta a falta de diálogo com   moradores e comunidades indígenas, originais daquelas terras. 

Defensores de Angra 3 ressaltam que as obras não podem parar, porque Angra 3 já consumiu R$ 7 bilhões e agora, com o edital, terá como obter os R$ 15 bilhões necessários para a sua conclusão. Argumentam também Angra 3 terá capacidade para gerar 1.350 Megawatts (MW), quando funcionar 100% sincronizada ao Sistema Integrado Nacional SIN), e que poderá atender ao consumo de uma cidade de 2 milhões de habitantes, como Belo Horizonte. 

Ambientalistas alertam sobre os perigos de acidentes radioativos, que provocaram milhões de mortes em todo o mundo. Membros da SAPÊ e da Articulação Antinuclear, que reúne dezenas de entidades civis no país, protestam. Cobram que ainda hoje não há um plano de emergência aprovado por todas as partes para a retirada da população em caso de acidente com radiação. 

A Eletronuclear garante que a instalação nuclear é segura. E anuncia a criação de sete mil empregos por conta da retomada das obras de Angra 3.  O prefeito reeleito de Angra, Fernando Jordão, tem participado de reuniões com a Eletronuclear visando obter recursos para a cidade, relativos às contrapartidas negociadas anteriormente. Ele disse que confia. 

(Carta - Reprodução dos livros da autora)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Angra 3: edital para retomada das obras sai nesta quinta-feira (25/2). Dívidas com BNDES e CEF chegam a R$ 6,6 bi

 


A Eletrobras acaba de informar aos acionistas e ao mercado que a subsidiária Eletronuclear publicará nesta quinta-feira (25/2) o edital para a contratação de empresa que retomará a obra civil de Angra 3 e realizará parte da montagem eletromecânica da usina nuclear, em Angra dos Reis. “O objetivo é adiantar algumas atividades de construção entes mesmo de se contratar a empreiteira que irá empreender a obra global e concluirá a construção da planta”, informou a holding. 

(Na terça-feira o presidente Jair Bolsonaro entregou ao Congresso a Medida Provisória (MP) nº 1031, visando a privatização da Eletrobras. Segundo especialistas, a MP é “simbólica:  autoriza o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES a iniciar estudos nesse sentido; mantém a Eletronuclear e a Itaipu sob controle do governo, por exemplo, parecida com a anterior, que não saiu do papel). 

Em nota divulgada há pouco (24/2), a Eletrobras informou que a iniciativa da publicação do edital integra o plano de aceleração do caminho crítico da usina.  A expectativa é que a contratação ocorra até maio. Assim, o primeiro concreto – marco da retomada das obras de Angra 3 – deve ser lançado em outubro. Informa também que a contratação da empreiteira que dará sequência à obra está prevista para o segundo semestre de 2022. Angra 3 tem 65% de suas obras civis concluídas e a previsão da Eletrobras é de entre em operação em novembro de 2026. 

Esta semana, a Eletronuclear divulgou a sua dívida, fruto de financiamentos de Angra 3, com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal (CEF):   R$ 6,6 bilhões.  A empresa vem pagando, mensalmente, R$ 30,1 milhões ao BNDES. Já a CEF, paga R$ 24,7 milhões mensais. Angra 3 terá autorização para operar por 50 anos, prorrogável por mais 20 anos. A usina já consumiu R$ 7 bilhões e precisa de outros R$ 15 bilhões para ser concluída. 

As principais empresas internacionais da área nuclear já demonstraram interesse na conclusão de Angra 3. Conforme o blog vem divulgando, quase todas já visitaram o sítio da usina e assinaram Memorandos de Entendimento (MOU, em inglês) com a Eletronuclear para troca de informações sobre o empreendimento. O grupo é composto por Westinghouse (EUA), EDF (França), Rosatom (Rússia), CNNC e SNPTC (China). Essas companhias também participaram de uma consulta ao mercado, conhecida como market sounding, sobre a construção da unidade, realizada pela Eletronuclear em 2019. 

 SANAR DÍVIDAS -

Em janeiro, a Eletrobras aprovou o descontingenciamento dos recursos para a Eletronuclear publicar esse edital. Esses recursos são provenientes do Adiamento para Futuro Aumento de Capital (Afac) aprovado pela Eletrobras em julho do ano passado. Em 2020, a empresa liberou R$ 1,052 bilhão para a Eletronuclear. Para este ano, estão previstos R$ 2,447 bilhões adicionais. 

“Vale ressaltar ainda que, no final de junho de 2020, a Eletrobras aprovou a conversão de contratos de Afac em novas ações da Eletronuclear, no valor total de R$ 850 milhões. Além disso, autorizou a capitalização de contratos de financiamento nos quais a holding é credora de sua subsidiária, no montante de quase R$ 1,036 bilhão. Esses foram passos importantes para sanar as dívidas da Eletronuclear com a Eletrobras”. 

A decisão da Eletrobras de conceder a Afac à Eletronuclear  ”vem na esteira da aprovação” pelo Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI) em junho último, do relatório de um comitê interministerial sobre o modelo de negócio para concluir Angra 3. O documento recomenda a contratação de uma empresa especializada por contrato EPC (engenharia, gestão de compras e construção) para terminar a obra, com base em avaliação independente feita pelo BNDES. “Apesar de ter decidido pela contratação de uma empresa epecista para concluir a usina, o CPPI abriu espaço para a entrada de um sócio no empreendimento. Caso a Eletronuclear resolva selecionar um parceiro para terminar a unidade, a participação será minoritária. A exploração da energia nuclear no Brasil é monopólio da União, segundo a Constituição.  

Leia no BLOG outras matérias sobre Angra 3

(FOTO: Angra 3 - acervo Eletronuclear  - 

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