sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Lixo atômico: depósito definitivo custará R$ 120 milhões e será construído entre RJ, SP e MG.

 


O governo terá que escolher, nos próximos meses, o local onde será construído o depósito definitivo para armazenar os rejeitos radioativos, conhecidos como lixo atômico, produzidos pelas usinas Angra 1 e Angra 2, além de outras centenas de instalações no país, que produzem o material de baixa e média atividade. O projeto com cerca de 40 opções de locais nos estados do Rio, São Paulo e Minas Gerais, será apresentado em 2021, assim que a pandemia do coronavirus (COVID-19) estiver controlada.  A agência francesa ANDRA, especializada em gestão de rejeitos radioativos, está prestando consultoria ao Brasil. 

A construção do depósito está orçada em cerca de RS 120 milhões. O início da operação está previsto para 2024. Com o nome oficial de Repositório Nacional de Rejeitos Radioativos de Baixo e Médio Níveis de Radiação, o Projeto RBMN está em pleno desenvolvimento e receberá apenas rejeitos já tratados. Iniciado em 2009, o Projeto RBMN passa agora a ser acompanhamento pelo Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro, coordenado pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. 

O projeto está sendo realizado no Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN), da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), em Belo Horizonte, sob a coordenação da engenheira química, mestre e doutora no assunto, Clédola Cássia Oliveira de Tello. Segundo ela, os rejeitos terão que ser tratados e armazenados dentro dos padrões de segurança, antes de chegarem ao depósito definitivo. “Caberá a cada instituição a responsabilidade por esse trabalho”, avisou. 

Ela informou que, nos últimos anos, uma equipe do CDTN vem realizando o levantamento do inventário volumétrico dos rejeitos radioativos a serem armazenados no depósito. Essa contabilidade é constante., disse a especialista ao BLOG. Ela informou também que o depósito definitivo não poderá ser construído longe dos principais pontos de produção de rejeitos, para não dificultar o transporte do material radioativo. “O depósito terá total segurança”, garante. Prefeituras e governos estaduais vão participar das negociações. Haverá contrapartidas.

LIXO ATÔMICO - 

Desde o acidente com césio 137, em Goiânia, que chocou o país, em setembro de 1987, a construção do depósito definitivo para os rejeitos nacionais tem sido debatida. Depois de muita discussão, Goiânia construiu o depósito para os rejeitos produzidos pelo acidente, que provocou a morte de quatro pessoas, contaminou muitas outras e gerou toneladas de rejeitos radioativo. 

Por falta de local adequado para abrigar o lixo atômico e as fontes radioativas usadas em clinicas médicas, hospitais e pela indústria, as dependências de alguns institutos de pesquisas se transformaram em verdadeiros cemitérios de rejeitos. Segundo a literatura disponível, pelo menos até 1995, 143 toneladas de lixo atômico, mais 1700 fontes radioativas foram descartadas pelo setor médico e pela indústria. Até o ano de 2025, o Brasil terá produzido 126 mil tambores de 200 litros de rejeitos nucleares, previa a CNEN, em 1986. 

Nos últimos cinco anos, em média, Angra 1, produziu, por ano, 100 metros cúbicos de rejeitos. No mesmo período, em média, Angra 2 produziu 10 metros cúbicos/ano, de rejeitos. A Eletronuclear, gestora das usinas, informou que todo o rejeito de baixa e média atividade está acondicionados em piscinas dentro das usinas. Segundo a especialista responsável pelo projeto do deposito, cada instituição será responsável pelo armazenamento dos rejeitos que ficarão no depósito definitivo, previsto para durar pelo menos três séculos. 

FOTO: Maquete do depósito definitivo - CDTN/CNEN.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Mina cearense vai produzir 1.600 toneladas de concentrado de urânio

 


Cerca de 1.600 toneladas de concentrado de urânio serão extraídas do complexo mineroindustrial na cidade de Santa Quitéria, no Ceará. O produto radioativo será convertido em hexafluoreto de urânio (UF6) no exterior, retornando ao Brasil para uso na fabricação do combustível para a geração termonuclear das usinas Angra 1, 2 e, futuramente, 3. O Projeto Santa Quitéria prevê a construção e a operação desse complexo, também com o objetivo de produzir anual de 500 mil toneladas de fertilizantes fosfatados e 250 mil toneladas de fosfato bicálcico (usado na nutrição animal).  

A negociação visando o mega empreendimento deu mais um passo esta semana, com a assinatura de um memorando de entendimentos entre o Consórcio Santa Quitéria - formado pela empresa privada Galvani e a estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) - com e o Governo do Estado do Ceará. Eles destacaram os benefícios que a implantação do complexo mineroindustrial irá trazer para o Estado e o País. Trata-se de investimento de US$ 400 milhões, informaram, que vai alavancar a economia local após a pandemia. 

PROJETO REPAGINADO - 

Representando o Ministério de Minas e Energia na solenidade, a secretária adjunta de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Lilia Mascarenhas Sant'Agostino, comentou sobre a diferença dessa retomada para o que já foi tentado em outras ocasiões. "É um projeto repaginado, que sofreu uma revisão nos seus processos tecnológicos, propiciando uma melhor abordagem e melhor equacionamento do uso da água na região".  

No acordo, as empresas que estão à frente do Projeto Santa Quitéria prometeram implantar o complexo mineroindustrial de lavra e beneficiamento de minério para a produção de fertilizante fosfatado e concentrado de urânio, criando cerca de 500 empregos diretos e 2 mil indiretos. Na etapa de construção serão 1,5 mil empregos. A massa salarial, segundo eles, que será gerada pelo empreendimento atingirá cerca de R$ 25 milhões por ano, o que fomentará a economia da região. 

Os empreendedores do Consórcio Santa Quitéria prometeram realizar os estudos necessários para a obtenção do licenciamento do projeto, sendo todas as etapas informadas às autoridades estaduais. “Temos avançado muito no desenvolvimento do empreendimento. Será um projeto que buscará contribuir com o estado do Ceará, seja na geração de empregos e renda, bem como na construção de um complexo que será sustentável do ponto de vista socioambiental, permitindo que tenhamos oportunidade para todos”, afirmou Ricardo Neves, presidente da Galvani.

 O Projeto Santa Quitéria foi incluído no PPI (Programa de Parcerias de Investimentos). Seguiremos os trâmites dos processos de licenciamento e avançaremos para a construção de um complexo que será muito importante para o Brasil e para o Ceará”, garantiu o presidente da INB, Carlos Freire. 

O governador do Ceará, Camilo Santana, (PT), reforçou os benefícios que o empreendimento trará para o estado. “Esse projeto é do Ceará, mas com certeza terá impacto em setores econômicos de todo o país. Esse era um projeto antigo que o Ceará almejava há muito tempo, e que vai gerar muito emprego e renda para o nosso estado. Vamos ter uma demanda importante na produção de fertilizantes e suplementos na alimentação animal, onde podemos ser autossuficientes”, disse o político. 

FOTO: Diário do Nordeste.


quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Sociedade Angrense: comunidades indígenas próximas às usinas nucleares pedem socorro

 


A Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (Sape), do município de Angra dos Reis, na Costa Verde, denuncia o abandono de cerca de 420 índios da Sapukay, a maior aldeia do Estado do Rio de Janeiro. Segundo a coordenadora geral da Sape, Maria Clara Valverde Sevalho, a aldeia está localizada a cerca de 10 Km da Central Nuclear de Angra, mas sobrevive em precárias condições, situação agravada pelo isolamento provocado pelo coronavirus (COVID-19). 

“Os índios chegaram muito antes das usinas nucleares, suas terras foram invadidas, eles têm medo da radiação e agora, do Covid-19. As compensações foram prometidas, mas praticamente nada aconteceu. A triste realidade deles está cada vez mais afetada”, denuncia a coordenadora da Sape. Segundo ela, 88 indígenas se contaminaram com o coronavirus, o percentual mais alto de Angra dos Reis. Lembrou que o em julho, o cacique Domingos Venite Guarani Mbya faleceu por complicações decorrentes do Covid-19. O líder, Algemiro, também contraiu o coronavirus, e se recupera aos poucos, disse Maria Clara. 

“Os índios estão mendigando. Há muito tempo eles reivindicam um posto de saúde, mas tudo não passa de promessa”, comenta.  O procurador da República, Ígor Miranda, ingressou na Justiça com ação civil pública obrigando a Eletronuclear, gestora das usinas nucleares,  a cumprir promessas socioambientais previstas nas licenças de operação de Angra 1 e Angra 2 e em relação à instalação de Angra 3. Na ação, ele pede que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) seja impedido de renovar  ou conceder licença ou autorização ambiental para o conjunto de usinas enquanto as condicionantes não forem cumpridas. 

Segundo o procurador, duas recomendações já foram feitas pelo Ministério Público Federal (MPF) cobrando o cumprimento das condicionantes: uma em julho de 2017, outra em julho de 2020, sem avanço na execução das medidas. Ele acredita que o ponto de partida pode ser a atualização do projeto Tekoa, produzido há cerca de 10 anos pelas comunidades indígenas, em parceria com os estudiosos do Museu do Índio. 

FUNAI PEDE AJUDA - 

A Eletronuclear afirmou que não se pronunciará sobre a ação movia pelo procurador. A estatal divulgou que acaba de doar 183 cestas básicas a famílias em diversas comunidades indígenas da Costa Verde, por solicitação da Coordenadoria Técnica Local de Paraty da Fundação Nacional do Indio (Funai). Foram beneficiadas a Aldeia Sapukai, localizada na Terra Indígena Guarani do Bracuí; a Terra Indígena Guarani Araponga; a Terra Indígena Parati-Mirim; a Aldeia Indígena Rio Pequeno; e o Aldeamento Pataxó. 

A Funai ressaltou, segundo a Eletronuclear, que essa população foi afetada diretamente pelo isolamento social imposto pelas autoridades sanitárias como prevenção contra a covid-19. “A medida impactou de forma determinante a comercialização do artesanato nas ruas das cidades, atividade que representa a principal fonte de renda para as famílias indígenas da região e a garantia de sua segurança alimentar”. A Prefeitura de Angra informou que libera um vale alimentação no valor mensal de R$ 100,00, a cerca de 100 famílias; e que todas estão cadastradas para receber o bolsa família do governo federal.

FOTO: Cacique Guarani Mbya - Jornais da Costa Verde.

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Procurador propõe ação civil pública para proteger comunidades indígenas próximas às usinas nucleares em Angra dos Reis

 


O Ministério Público Federal (MPF) propôs ação civil pública para obrigar a Eletronuclear a dar efetivo início ao cumprimento das condicionantes socioambientais indígenas previstas nas licenças de operação das usinas Angra 1 e 2 e na licença de instalação da usina Angra 3. A ação divulgada nesta quarta-feira (23/09) também pede que o Ibama seja impedido de renovar ou conceder qualquer licença ou autorização ambiental para o conjunto de usinas enquanto não forem cumpridas as condicionantes. A Funai também é ré na ação, pois deve encaminhar o termo de referência para o cumprimento das condicionantes e acompanhar o processo de consulta prévia e informada às comunidades indígenas da região. 

As licenças preveem a criação de um programa dedicado às comunidades indígenas, e o MPF acompanha o cumprimento das condicionantes desde 2011. Em 2017, a Eletronuclear se comprometeu a executar, às suas expensas, o projeto de implementação de bacias de evapotranspiração nas aldeias indígenas de Angra dos Reis e Paraty e a ampliação, em duas salas, do Colégio Estadual localizado na aldeia indígena do Bracuí e Paraty-Mirim. Em paralelo, foi elaborado o projeto Tekoa, em parceria dos estudiosos do Museu do Índio e pelas próprias Comunidades Indígenas locais, em ação inovadora e que eleva os povos indígenas ao protagonismo das ações compensatórias que lhes atingirão. “A despeito de a referida consulta (Projeto Tekoa) ter sido realizada há quase dez anos, estando desatualizada em relação às reivindicações dos índios e que pode ser ampliado, certamente pode ser utilizado como ponto de partida de debate”, argumenta na ação o procurador da República Ígor Miranda. 

A ação também levanta a necessidade de facilitar aos indígenas o acesso ao transporte em caso de necessidade de atendimento à saúde e eventual evacuação, na hipótese de acidente severo. Em julho, o cacique Domingos Venite Guarani Mbya faleceu por complicações decorrentes da covid-19 e foi constatado que houve demora no socorro em função da necessidade de ambulância com tração nas quatro rodas, veículo que foi posteriormente disponibilizado pela Prefeitura de Angra dos Reis. 

A melhoria das estradas de acesso às aldeias para evacuação da população, bem como o provimento de pontos de internet e de serviço de telefonia são necessidades apontadas para garantir a pronta comunicação e a rápida retirada dos habitantes das comunidades indígenas em situação de emergência.

 Duas recomendações já foram feitas pelo MPF cobrando o cumprimento das condicionantes, uma em julho de 2017, outra em julho de 2020, sem avanço na execução das medidas. Para o MPF, a mera retórica, desacompanhada de medidas concretas para efetivação do direito do cumprimento de condicionante indígena em licenças expedidas, traduz na necessidade de procura da tutela jurisdicional. 

“Cumpre ressaltar que habitam o estado do Rio de Janeiro atualmente índios Mbyá-Guarani nos seguintes locais: Aldeia Indígena Itaxi (Terra Indígena de Paratiirim – Paraty), Aldeia Indígena Arandu-Mirim (Aldeamento em fase de identificação – bairro Mamanguá –Paraty), Aldeia Indígena Karai-Oca (Terra Indígena Araponga – Paraty), Aldeia Indígena Rio Pequeno (Aldeamento em fase de identificação – Paraty), Aldeia Itaxi Kanaa Pataxo, também conhecida como Aldeia Iriri bairro Sertão do Iriri (município de Paraty) e Aldeia Indígena Sapukai (Terra Indígena Bracui – Angra do Reis), sendo certo que todas essas comunidades são diretamente afetadas pelas usinas nucleares localizadas em Angra dos Reis, em virtude do modo de vida indígena, das andanças que os Guarani praticam, estando sempre uns nos territórios dos outros, em constante interação e, por tais motivos, existe impacto em todas as aldeias indígenas”, destaca o procurador Ígor Miranda. 

A subsistência das comunidades decorre principalmente do artesanato que é vendido ao longo da rodovia Rio-Santos e do precário cultivo da terra. Entre os produtos indígenas destacam-se os colares, arco e flechas, chocalhos e cestos de palha. “O impacto da presença das usinas nucleares é uma ameaça constante para o seu habitat e, consequentemente, o seu modo de vida. Para o ar que respiram, as roças, a água das nascentes, os animais e todo o meio ambiente circundante, com o qual guardam relações de subsistência material e espiritual. Todo o mundo Guarani é estruturado com base na intensa troca com a natureza e qualquer risco ao equilíbrio da relação Guarani-Natureza é um risco à possibilidade de ser Guarani, existir Guarani, viver Guarani”, ressalta a ação. 

Entre os pedidos do MPF está a realização de consulta prévia e informada às comunidades indígenas para a definição das medidas compensatórias e que se considere o impacto ambiental em todas as aldeias de Angra dos Reis e Paraty. A Funai deve apresentar em 30 dias o termo de referência atualizado para que a Eletronuclear possa dar início ao cumprimento das condicionantes. A empresa, por sua vez, deve apresentar em 90 dias a matriz de impacto compatível com o termo de referência e dar início, no prazo máximo de 180 dias, às medidas compensatórias. A Eletronuclear também deve ser impedida de reiniciar as obras de Angra 3 enquanto a condicionante não começar a ser cumprida. 

FOTO: Eletronuclear - Divulgação - Texto: Reprodução Ministério Público Federal 

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Procurador da República quer informações sobre segurança do depósito para urânio irradiado de usinas nucleares Angra 1 e Angra 2

 



O procurador da República de Guarulhos/Mogi, em São Paulo, Igor Miranda da Silva, solicitou esclarecimentos à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), sobre o licenciamento da Unidade de Armazenamento a Seco (UAS), que servirá de depósito para os elementos combustíveis usado (urânio enriquecido) de Angra 1 e Angra 2, em Angra dos Reis (RJ). 

Em oficio datado de 7 de setembro, que o BLOG teve acesso, o procurador afirma que a CNEN ainda não esclareceu ao Ministério Público Federal de que forma garante que “as taxas de doses nos limites da cerca da instalação estarão abaixo das doses de limites ocupacionais”. 

O procurador requisita informações num prazo de 60 dias, com documentação referente ao Programa de Levantamento radiométrico da UAS. Ele quer que a CNEN se manifeste sobre o impacto da construção e operação da UAS no plano de emergência da central Nuclear. E sobre eventual incompatibilidade, necessidades de adaptações e eventuais ocorrências de conflitos entre os projetos originais das tecnologias utilizadas nas plantas de Angra 1 e Angra 2. 

A CNEN deve informar como se dará o transporte de combustível irradiado por supervisores de proteção radiológica, com detalhamento técnico do órgão, além de seus impactos e riscos da retirada dos produtos físseis dos locais onde estão armazenados. 

CENÁRIOS DE RISCO - 

Igor Miranda da Silva quer saber também se a CNEN avaliou a situação de integridade dos elementos combustíveis em caso de acidente severo que atinja a UAS. “Um sismo além das bases de projeto ou simular”, indaga. No documento, ele também pergunta se foram identificados e analisados os perigos e cenários de risco, seja em operação normal ou em condição de acidente ou eventos externos: incêndios, acidentes de manipulação e eventos sísmicos, por exemplo. 

“Foram avaliados cenários possíveis que poderiam resultar em liberação de radioatividade para o meio ambiente?  Foram avaliadas as probabilidades e realizadas análises quantitativas da radioatividade liberada? Atendem as limitações regulatórias para situações de operação normal e em acidente. A UAS é a prova de tornados?” pergunta o procurador da República. 

INVASORES - 

Para o procurador, a localização da UAS preocupa, pois a unidade está “extremamente próxima à rodovia BR 101. Daí, segundo ele, “indaga-se quanto a integridade física da UAS em termos de salvaguardas”. Por exemplo, mencionou no documento, é preciso “assegurar quanto à possibilidade de invasores” se aproximarem do local. 

O procurador anexou ao oficio reportagens mostrando que duas agências bancárias foram destruídas durante uma tentativa de furto na madrugada de 21 de julho, na Vila Residencial de Mambucaba. A polícia teria sido acionada por causa de um furto de uma lancha, motivando um cerco por mar e terra. Os bandidos teriam fugido pela mata. A polícia informou que o crime não afetou a segurança da central nuclear, que fica a 15 km do local. 

Em reportagem exclusiva publicada nesta terça-feira (15/9), no BLOG, a Eletronuclear, garante total segurança no empreendimento, transporte e armazenamento. Leia a integra da matéria. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), não se manifestou sobre o assunto. 

FOTO - Divulgação Eletronuclear – local da UAS.   

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Começa em outubro treinamento inédito de pessoal para transferir combustível usado (urânio) de Angra 1 e Angra 2 para Unidade de Armazenamento a Seco


Pela primeira vez, no Brasil, técnicos da área nuclear começam a ser treinados, em outubro, para a operação inédita de transferência de combustível usado (urânio enriquecido) das piscinas de Angra 1 e Angra 2, para a Unidade de Armazenamento a Seco (UAS), conforme o Blog apurou com exclusividade. Com capacidade para armazenar combustível usado até 2045, a UAS custará cerca de R$ 246 milhões e deve ficar pronta em dezembro. 

Com o esgotamento da piscina de elementos combustíveis irradiados de Angra 2, previsto para junho de 2021, a Eletronuclear, pretende iniciar a transferência do material da usina dois meses antes (março). Já o esgotamento da piscina de Angra 1 está previsto para 2022. A transferência dos combustíveis usados da primeira unidade será no segundo semestre de 2021. 

A Eletronuclear garante que não será necessário um esquema de segurança especial para a transferência, porque a UAS está localizada dentro da central nuclear de Angra. “Os canisteres (filtros de carvão) com elementos combustíveis usados serão retirados das usinas hermeticamente fechados, com as tampas soldadas”. 

CORONAVIRUS E SEGURANÇA -

 A tecnologia da Unidade de Armazenamento Complementar a Seco de Combustível Irradiado (UAS) é comprovadamente segura, afirma a Eletronuclear. Segundo a estatal, existem unidades do tipo em operação em vários países do mundo, sendo que apenas nos Estados Unidos, há cerca de 80 instalações similares à UAS. 

Sua construção, garante, vem seguindo, com rigor, padrões de segurança internacionais e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), órgão regulador e fiscalizador do setor nuclear brasileiro. 

A UAS está situada dentro da central nuclear de Angra. A instalação da UAS deve ficar pronta até o final deste ano. A estatal informou que a obra segue em ritmo acelerado, mesmo com a crise provocada pelo coronavírus. 

REPROCESSAMENTO – 

As piscinas de Angra 1 e 2 contam apenas com combustíveis usados. Esse material não é considerado rejeito porque ainda existe energia que “pode ser aproveitada no futuro, por meio do processo de reprocessamento do combustível”. A UAS é considerada um armazenamento complementar ao das piscinas existentes dentro das usinas. Os rejeitos de baixa e média atividade são armazenados em repositórios próprios, localizados dentro do terreno da central nuclear. 

A estatal informa que as obras civis estão avançadas, com trabalho seguindo até dezembro. As atividades envolvem a construção da laje principal e de um almoxarifado e a instalação de uma cerca dupla, de iluminação externa e de uma guarita. Também serão instalados sistemas de monitoração de temperatura e radiação. 

Os principais equipamentos da UAS já chegaram à central nuclear. Inicialmente, a UAS contará com 15 módulos. No total, 288 elementos combustíveis usados serão retirados de Angra 2 e 222, de Angra 1, o que abrirá espaço nas piscinas de armazenamento para mais cinco anos de operação de cada planta. A UAS poderá comportar até 72 módulos. A unidade está localizada dentro da central nuclear de Angra, fora da área das usinas. 

REJEITOS SÓLIDOS - 

A usina Angra 1, comprada da norte-americana Westinghouse, opera comercialmente desde 1985, já poderia estar desligada, mas há estudos para prorrogar a sua vida útil por mais 20 anos, com investimento de cerca de US$ 27 milhões. Angra 1 mantém 1.062 elementos combustíveis armazenados em sua piscina, dentro da usina. 

Angra 1 já produziu 3.166 metros cúbicos de rejeitos sólidos (de baixa e média atividade), guardados em 7.602 tambores e caixas metálicas no Centro de Gerenciamento de rejeitos. 

Cada recarga de Angra 1 custava aproximadamente R$ 188 milhões, sem contar os investimentos com o transporte. Em 2018, o custo total da parada para a troca de combustível, incluindo mão de obra, era de cerca de R$ 80 milhões. Angra 1 produz 650 MW, quando funciona com 100% de sua potência sincronizada ao Sistema Interligado Nacional (SIN). 

Angra 2, comprada pelo acordo nuclear Brasil Alemanha, em 1975, entrou em operação em 2001. A segunda usina tem capacidade para gerar 1.350 MW.  Angra 2 mantém em sua piscina, 888 elementos combustíveis usados. Armazena 201 metros cúbicos de rejeitos sólidos, embalados em tambores e caixas metálicas. 

FERRUGEM EM INVESTIGAÇÃO - 

Em junho último, Angra 2 foi desligada para a troca de combustível (urânio enriquecido), mas precisou ficar desconectada do sistema um mês acima do previsto: foram detectadas oxidação (ferrugem) em elementos combustíveis. A Eletronuclear ainda não divulgou o que provocou o problema, que continua sendo investigado. Os elementos combustíveis são de responsabilidade da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e a francesa Framatome, responsável pelo projeto da usina.

 Angra 2 voltou a operar, usando elementos combustíveis de Angra 3, também alemã, cujas obras estão paradas desde 2015, por denúncias de corrupção na operação “lava jato”. Não se sabe também porque os combustíveis de Angra 3 já estavam comprados e estocados, se a usina continua com as obras paradas, sem que se saiba quando será de fato inaugurada. 

Foto/Eletronuclear: Cilindros que serão preenchidos com concreto de alta densidade para fazer a blindagem radiológica dos canisteres. 

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Angra 2: ferrugem ainda sendo investigada. Veja fotos exclusivas do problema nos elementos combustíveis



 

A oxidação (ferrugem) identificada em tubos com elementos combustíveis da usina nuclear Angra 2, em Angra dos Reis (RJ), continua sendo alvo de investigação. Veja as fotos exclusivas do problema encaminhas pela Eletronuclear à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). 

O BLOG divulgou o caso da oxidação no início de julho. A usina havia sido desligada para a troca de combustível (urânio enriquecido) no dia 22 de junho. Deveria ter sido religada cerca de um mês depois, mas a conexão com o Sistema Interligado Nacional (SIN) foi postergada para agosto, por causa do problema. 


Partículas de aspecto metálico nas bordas do vaso do reator”, como também em “bocais inferiores dos elementos combustíveis, que estavam sendo içados”, foram detectados na época. 

A Eletronuclear confirmou a ocorrência. Segundo a estatal, na inspeção foi detectada, “nos elementos combustíveis carregados no último ciclo, uma oxidação inesperada no revestimento dos tubos que contém as pastilhas de urânio enriquecido”. 

A Eletronuclear informou que para religar Angra 2, utilizou elementos combustíveis de Angra 3, mas técnicos consideraram o fato curioso, por alguns motivos: por que a estatal comprou elementos combustíveis para Angra 3, com tanta antecedência, já que a usina tem apenas 60% de suas obras civis concluídas? Há quanto tempo os elementos combustíveis de Angra 3 estão comprados? Eis algumas dúvidas encaminhadas à estatal. FOTOS: Identificação - 1 - anormalidade encontrada no EC R009 . 2 - material se desprendendo.  



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