quinta-feira, 11 de abril de 2024

Angra 3: viabilidade econômica da central atômica gera choque entre Eletronuclear e TCU


A Eletronuclear, gestora das usinas nucleares de Angra dos Reis, divulgou nota nesta quinta-feira (11/04) que mostra o desacordo entre o que tem divulgado sobre a viabilidade econômica de Angra 3 e as informações do Tribunal de Contas da união (TCU). Segundo números oficiais da companhia, Angra 3, que começou a ser erguida em 1984, já consumiu cerca de R$ 8 bilhões e precisa de mais R$ 20 bilhões para entrar em operação em 2028. Mas os números do TCU ultrapassam o dobro. Conforme o BLOG vem divulgando desde 2021, a companhia devia ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e à Caixa Econômica Federal (CEF) cerca de R$ 6,6 bilhões por conta de Angra 3. 

Na nota, a Eletronuclear avisa que “vem a público se pronunciar sobre a recente decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a viabilidade econômica de Angra 3”, quando ontem, quarta-feira (10/4), no julgamento do TCU foi dito que a “usina representará um custo superior a outras opções de geração de energia da ordem de R$43 bilhões, além de provocar um aumento médio para os consumidores de energia elétrica na ordem de 2,9% nas tarifas das distribuidoras”. 

Segundo a Eletronuclear esta informação consta de um relatório da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) que se baseou em uma apresentação preliminar do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para o Ministério de Minas e Energia no passado. Conforme a Lei n. 14.120/2021, o preço da energia elétrica para ANGRA 3 será o resultante do estudo contratado junto ao BNDES. 

“Este estudo que não está concluído ainda pelo BNDES, após a sua conclusão será validado pela EPE e posteriormente submetido à aprovação pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética). Somente após a conclusão dos estudos independentes, realizados pelo BNDES, é que a EPE poderá exercer seu ofício e dimensionar os impactos do empreendimento de Angra 3 no sistema elétrico nacional”, afirmou a companhia usando várias palavras em caixa alta. A Eletronuclear esclarece a todos que “trabalha diuturnamente para que as eficiências operacional, financeira e de construção sejam devidamente apropriadas sempre em benefício do consumidor brasileiros para a modicidade tarifária”. 

E mais: “Além disso, aspectos tributários poderão contribuir com a queda do valor da tarifa final para o consumidor, a exemplo do que ocorrerá com a Reforma Tributária já aprovada pelo Congresso Nacional, com o PL 1379/2023 que retoma o Regime do Renuclear Federal (extinto em dezembro de 2022) e também com um Renuclear Estadual/RJ. Isso tudo considerado no cenário tarifário, certamente o preço da energia elétrica produzida por ANGRA 3 será competitivo para uma fonte termelétrica limpa, não poluente (não produzindo gases de efeito estufa), segura, firme, constante e de base”.

A companhia concluiu a nota afirmando que estudo recente da Fundação Getúlio Vargas (FGV/ENERGIA) “deixou claro que cada R$1 bilhão investido no setor de geração nuclear, gera-se R$3.1 bilhões na cadeia produtiva, gerando 22.500 empregos no Brasil, sendo 17.500 no Estado do Rio de Janeiro”. 

(FOTO; Eletronuclear) – 

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segunda-feira, 8 de abril de 2024

Submarino nuclear e enriquecimento de urânio sob nova direção: almirante Alexandre Rabello de Faria

 


O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), onde inclui-se o de propulsão nuclear, e o Programa Nuclear da Marinha (PNM), que envolve principalmente o enriquecimento de urânio, estão sob o comando do almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria que assumiu o cargo de Diretor-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM), sexta-feira (5/4), durante cerimônia presidida pelo Comandante da Marinha, almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen.

A posse aconteceu no Complexo do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), onde o Brasil dominou a tecnologia do enriquecimento na década de 80, ingressando para o restrito clube do átomo. O novo diretor-geral, presidente do Conselho de Delegados na Junta Interamericana de Defesa entre 2021 e 2023, substituiu o Almirante de Esquadra Petrônio Augusto Siqueira de Aguiar, que esteve à frente do cargo desde 15 de dezembro de 2021.

 ACORDO COM A FRANÇA - 

O Prosub faz parte de um acordo de parceria estratégica assinado entre França e Brasil em 2008. Estimado em R$ 40 bilhões em valores atuais, engloba a construção de quatro submarinos convencionais e o nuclear. No último dia 27/3, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e da França, Emmanuel Macron participaram da cerimônia de lançamento do terceiro submarino convencional brasileiro, o Tonelero (S-42), em Itaguaí (RJ).

Conforme foi divulgado, Macron tem grande interesse no urânio brasileiro, pois 74% da energia elétrica francesa provém da energia nuclear. Muito se falou sobre o acordo do Brasil com a França, porque o Brasil tem a sétima maior reserva de urânio do mundo. Mas sem informações sobre de que forma o negócio será viabilizado. Foi bastante noticiado também que a França suprirá o submarino nuclear brasileiro de urânio enriquecido, mas o negócio terá que passar pelo crivo da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), por exemplo. 

O fato que vinha sendo guardado a sete chaves divulgado pelo BLOG é que militares da Marinha brasileira já estão embarcados em submarinos nucleares franceses para receber treinamento. Formar a tripulação para comandar o submarino de propulsão nuclear nacional é mais um desafio, além de concluir toda a montagem do submarino, com previsão de lançamento em 2033. 

Segundo o almirante de esquadra Petrônio Augusto Siqueira de Aguiar, ex-diretor do Prosub, o treinamento na França, faz parte da parceria estratégica. “Se não tivermos gente qualificada, nós vamos ter problemas”, comentou ao BLOG. Revelou também, durante palestra na COPPE/UFRJ, que a Marinha participa de edital na FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) visando passar o hexafluoreto da fase experimental para a industrial. Tudo vem sendo realizado no Centro Experimental de Aramar, em Iperó, São Paulo, dentro do PROSUB, comandado agora por seu sucessor, Alexandre Rabello de Faria. 

O projeto de construção do edifício para abrigar a Usina-Piloto de demonstração Industrial para a Produção de Hexafluoreto de Urânio (USEXA) foi concluído pela Marinha na década de 90. Custou US$ 60 milhões e conta com três subunidades operando desde 2012. Além dessas, desde aquela época, havia uma outra em fase de comissionamento e duas em fase de testes para começar a operar em 2019. Na época, também, a Marinha informava sobre planos de emergência para a USEXA. Nada mais foi dito sore o assunto.

NOVO COMANDO - 

O almirante Rabello disse estar pronto para o novo desafio e explicou que, historicamente, a coordenação científica e tecnológica da Marinha esteve concentrada no Rio de Janeiro, onde continua a desenvolver diversos projetos destinados a contribuir para o preparo e aplicação do Poder Naval. E que, em julho de 2023, a DGDNTM, estrategicamente, transferiu sua sede para a cidade de São Paulo, ocupando espaço na Cidade Universitária, ao lado do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), com quem a Marinha mantém parceria há cerca de 70 anos. 

“No Rio de Janeiro, estão sediados o Instituto de Pesquisas da Marinha, o Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira e o Centro de Análises de Sistemas Navais, que executam programas relacionados a sistemas de armas; sensores; sistemas de guerra eletrônica; sistemas acústicos submarinos; sistemas digitais e informatizados; tecnologia de materiais; criptologia e avaliação de segurança em sistemas; modelagem e simulação; pesquisa operacional; oceanografia; meteorologia; biotecnologia marinha; sensoriamento remoto; e engenharias costeira e oceânica. A essas áreas de pesquisa, somam-se outras de interesse do Corpo de Fuzileiros Navais, da Diretoria de Saúde da Marinha e da Diretoria de Hidrografia e Navegação, com projetos desenvolvidos pelas respectivas Instituições de Ciência e Tecnologia”, lembrou. 

E acrescentou: “A vinda da sede desta Diretoria-Geral para São Paulo teve várias motivações, dentre elas a de aumentar a representatividade da Marinha no estado de São Paulo. A mudança também sinaliza que estamos avançando no alcance do objeto principal do Programa Nuclear da Marinha (PNM) e do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), que é a obtenção do primeiro submarino nuclear convencionalmente armado do Brasil. Nosso primeiro submarino nuclear carregará o nome do ilustre patrono da Ciência e Tecnologia da Marinha, o Almirante Álvaro Alberto, pioneiro do Programa Nuclear Brasileiro e responsável pela proposta de criação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do qual foi o primeiro presidente”, destacou o Almirante Rabello. 

O novo diretor-geral enfatizou que a cooperação entre a Marinha e a comunidade científica brasileira rendeu ao País importantes ganhos, como o domínio do ciclo do combustível nuclear. “Os desafios científicos, tecnológicos e industriais continuarão; cabendo à Marinha, por intermédio da DGDNTM, a tarefa de robustecer o ecossistema científico e de apoio à pesquisa e consolidar as cadeias industriais e de suprimentos correlatas, necessárias a proporcionar solidez e perenidade tanto ao PNM quanto ao PROSUB. Fortalecer e intensificar essa cooperação é um compromisso que assumo e no qual trabalharemos com energia, foco e prioridade, para transformar conhecimentos em inovação”, declarou. 

(FOTO E FONTE DA POSSE: Agência Marinha de Notícias.  Informações também do BLOG).

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quinta-feira, 4 de abril de 2024

Angra 2: problema em sensores do motor reduz potência da usina que voltou ao normal às 19h30

 


A usina Angra 2 sofreu uma redução de potência para 40%, na tarde desta quinta-feira (04/04), após a atuação indevida de em um dos sensores do motor de uma das bombas de refrigeração do reator. A informação é da Eletronuclear, gestora das usinas nucleares.

O problema foi identificado pelos técnicos da Eletronuclear e a situação normalizada. Seguindo os procedimentos operacionais e de segurança, a bomba foi religada normalmente. A unidade retornou a operação normal atingindo 100 % de potência as 19:30h.

(FOTO: Eletronuclear) – 

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A Eletronuclear, gestora das usinas atômicas, vive um "estresse de caixa", diz novo diretor financeiro

 


A Eletronuclear vive um “estresse de caixa”, afirmou o administrador Alexandre Caporal que acaba de assumir a direção financeira da companhia, gestora das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2 (funcionando) e Angra 3, em construção desde1984. O anúncio da sobre Caporal no cargo foi feito hoje pela companhia, que nos últimos meses tem reconhecido o que não é novidade há bastante tempo: a empresa vem acumulando dívidas, sem ter condições de quitar dívidas relacionadas à produção do combustível (urânio enriquecido) para alimentar os reatores das usina atômicas, junto a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), nem os juros de empréstimos devidos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal (CEF). Com ambos, a dívida chegava a R$ 6,6 bilhões, em 2021. 

“Vejo minha chegada como uma grande oportunidade para contribuir na resolução do atual momento da empresa, que vive um estresse de caixa, e dar continuidade aos projetos prioritários e estruturais da companhia e do país, como a extensão da vida útil de Angra 1 e a conclusão das obras de Angra 3”, disse. E completou: “é um momento de necessidade de maior esforço de toda empresa e de seus acionistas para atingir a conclusão desses projetos significativos para o país”.

Os projetos são de sempre: a extensão da vida útil de Angra 1 deve abarcar cerca de R$ 3 bilhões hoje; e a conclusão de Angra 3, mais R$ 20 bilhões. Lembremos mais uma vez que Angra 1, segundo técnicos do setor, deveria ter sido fechada em 2018. Além disso, a licença para o seu funcionamento expira em dezembro.

EXPERIÊNCIA - 

No campo acadêmico, Alexandre Caporal é graduado em administração pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre em administração de empresas com ênfase em finanças pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (IAG/PUC-RJ), além de possuir MBA In Company pelo Instituto Universitario de Posgrado (IUP) de Madri, na Espanha. 

Segundo a Eletronuclear, Caporal possui ampla experiência no setor, com mais de duas décadas de atuação na área, sendo os últimos 17 anos com passagens pela Enel, Abengoa, Eneva, Neoenergia e Elera. Mas sem recursos, nada poderá fazer. A retomada das obras de Angra 3, depende também do aval o presidente Lula. 

(FOTO: Eletronuclear) – 

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sexta-feira, 29 de março de 2024

Angra 1 volta a operar. Licença para funcionamento expira em dezembro, como o blog informou em 2018.

 


A usina Angra 1 foi reconectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN), às 22h47 desta quarta-feira (27), após trabalhos de manutenção dos transmissores de fluxo de uma bomba de refrigeração e no sistema de instrumentação dos detectores de potência do reator, informou a Eletronuclear. Segundo a companhia, a central atômica passa por um processo de elevação gradual de potência antes de atingir 100%. Angra 1 foi desligada na terça-feira (26/3), quando sensores elétricos do equipamento emitiram um alerta como se a bomba de refrigeração não estivesse ligada, o que posteriormente foi verificado que não procedia. Dessa forma, o sistema automático de segurança desligou a usina preventivamente, segundo a companhia. 

Angra I funciona comercialmente desde 1985. A atual licença de operação da unidade expira em dezembro de 2024. Segundo a direção da companhia, são necessários R$ 3 bilhões para o projeto de extensão de vida útil da usina por mais 20 anos, que já consumiu US$ 27 nos últimos cinco anos antes de 2018, conforme divulgado na época.

VIDA ÚTIL - 

Em abril de 2018 o BLOG noticiou que Angra I, estava sendo preparada para ter vida útil prolongada por mais 20 anos.  A empresa norte-americana Westinghouse, que vendeu a usina para o Brasil em 1970, havia sido contratada para participar do trabalho de avaliação, que devia durar até 2019, mas ocorre ainda hoje. Há cerca de duas décadas, a projeção era de que a unidade atômica estaria em funcionamento até 2018. 

Como parte desse programa, foram realizadas várias substituições. Foram trocados os dois geradores de vapor e a tampa do vaso de pressão do reator, além do armazenamento da antiga. A tampa do vaso de pressão do reator e um mecanismo de inserção e extração das barras de controle foram fabricados pela empresa japonesa Mitsubishi Heavy Industries (MHI), que contratou a norte-americana Aquilex WSI Nuclear Services para realizar os serviços de troca, e a canadense Transco Plastic Industries, para fornecer o novo isolamento térmico. A empresa admitia naquela época que precisaria buscar recursos adicionais para viabilizar a extensão de vida de Angra 1, capaz de produzir 640 MW, quando funciona 100% sincronizada ao sistema elétrico.

(FOTO: Eletronuclear ) –

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quinta-feira, 28 de março de 2024

Unidade de produção de urânio com depósitos de materiais perigosos, degradação de estradas e rios gera processos do Ibama

 


Resíduos perigosos, degradação estrutural em recipientes elevando riscos de disposição do meio ambiente, potencias de poluição de solo e água, conflito de gestão dos impactos ambientais, são algumas das ocorrências verificadas na Unidade de Concentração de Urânio (URA) da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Caetité (BA), em vistorias do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizas no início e final de 2023. As ocorrências geraram duas multas. Uma, conforme auto de infração de 20/11/2023, de R$ 2.809.300,00 e outra que pode chegar a R$ 10.000.000,00. São mencionados problemas de assoreamento de leito de curso hídrico (Córrego do Engenho) relacionados à Mina do Engenho, e estrada de acesso ao local, entre outros. 


Segundo a literatura disponível, resíduos perigosos são aqueles que apresentam características de inflamabilidade, corrosividade, toxicidade, reatividade ou patogenicidade e que podem causar a morte. 

O documento do Ibama informa: “sobre os resíduos com contaminação radiológica, a empresa (INB) mantém estruturas de descontaminação nos domínios do pátio de britagem, controlado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), de forma independente do depósito de resíduos sólidos”. 

Em janeiro deste ano, um vendaval paralisou a produção de urânio da URA, que depende de autorização da CNEN para voltar a operar. Segundo informações, a unidade continua parada porque ainda não atendeu às determinações da CNEN. 


As vistorias do Ibama, antes do vendaval, apresentam um quadro preocupante na instalação. O Parecer Técnico nº 106/2023 – relativo ao Processo 02001.021153/2023-19, na qualificação da infração, consta a potencial consequência para a saúde pública. E aponta irregularidades e a necessidade de a INB dar continuidade à execução de programas ambientais, com gerenciamento de resíduos sólidos das áreas administrativas e de apoio. Consta, por exemplo, que no programa “são postuladas diretrizes para a gestão de resíduos recicláveis, orgânicos, perigosos, não recicláveis, de logísticas reversa e construção civil”. 

REPAROS NA LONA – RUPTURA - 

Durante a inspeção, o Ibama constatou: “... foram evidenciados problemas nos galpões destinados ao armazenamento de resíduos perigosos, uma vez que tais estruturas encontravam-se desprovidas de devida cobertura, possibilitando a exposição de tais resíduos às intempéries. Além disso verificou-se alguns recipientes (bombonas) de guarda dos resíduos que não se encontravam devidamente lacrados, além de outros recipientes dispostos de forma isolada (latas)”, potencializando ainda mais a exposição. 

O Ibama entendeu como agravante da situação o fato de a INB não ter atentado para observações anteriores, “que embora não tivesse registrado inconformidade, já apontava a necessidade de reparos na lona de cobertura em um dos galpões de armazenamento de resíduos perigosos, que havia apresentado “pequena ruptura”. 

DEGRADAÇÃO ESTRUTURAL – POLUIÇÃO DE SOLO E ÁGUA - 

O Ibama acrescentou: “O fato concreto é que, mesmo decorridos 15 meses desde relatório, o reparo não ocorreu e a situação se agravou a ponto de se ter na atualidade, dois galpões desprovidos de cobertura com efetiva exposição dos resíduos perigosos às intempéries”. Por isso, a situação pode resultar na degradação estrutural desses recipientes, portanto, elevando os “riscos de disposição dos resíduos não inertes no meio ambiente, além de criar condições potenciais e poluição de solo e água”. 

Em relação às questões relacionadas à licença de renovação da INB de 30/07/2021, com vigência até 20/01/2026, o Ibama relaciona problemas que a estatal teria que apresentar como a revisão do projeto de recuperação de taludes, mapeamento de das áreas alvo de recuperação, cronograma de execução das atividades; programa de manutenção das estradas com a manutenção do leito, conservação do sistema de drenagem, implantação de bacias de contenção demais ações necessárias ao correto disciplinamento de águas pluviais e controle de processos erosivos. 

ESTRUTURA MAIS CRÍTICA - 


Segundo o Ibama, essas exigências visam a assegurar no escopo do licenciamento ambiental da URA, que a INB mantenha protocolos para “mitigação dos impactos ambientais” associados com às estradas que a empresa utiliza, por exemplo. “Importa registrar – assegura o Ibama - que em decorrência da implantação da Mina do Engenho e da efetiva exploração dessa estrutura a partir do final de 2020, a estrada de acesso a essa Mina demanda da estrada de acesso a Mina do Engenho, que passou a constituir a estrutura viária mais crítica da URA quanto ao uso e a intensidade de tráfego. 

ACESSO DANIFICADO - O

s processos do Ibama registram outros graves problemas em torno da URA. O sistema de drenagem da estrada de acesso a Mina do Engenho encontra-se danificado, resultado inclusive em feições erosivas. Isso, com efeito significativo no  carreamento de materiais para o leito o curso hídrico, “caracterizando não atendimento ao que determina condicionantes da licença de operação, bem como implicando em efeitos negativos para o meio ambiente (assoreamento)”, além de trechos da rampa com um “canal de drenagem cujos arrestes de materiais tem implicado em efeitos indesejáveis na rede de drenagem natural, caracterizando assoreamento no curso hídrico e comprometimento da linha talvegue do leito do rio com material carreado. 

Em suas conclusões o Ibama sustenta que a situação das estruturas de armazenamento temporário de resíduos não inertes da URA conflita e estão em desacordo com “as premissas de gestão dos impactos ambientais, postuladas no licenciamento ambiental da URA”. A situação do sistema de drenagem da estrada de acesso à Mina do Engenho mostra que medidas mitigadoras não foram executadas de forma satisfatória. Isso, informa o Ibama, mostra que a empresa deixou de cumprir as medidas que a própria empresa prometeu executar, o que levaria o caso às instâncias superiores. 

URA – INB -

A Unidade de Concentração de Urânio (URA), situada no município de Caetité (BA), está implantada a única mineração de urânio em atividade no país, segundo a própria INB. Nela são realizadas as duas primeiras etapas do ciclo do combustível nuclear: a mineração e o beneficiamento do minério, que resulta no produto chamado concentrado de urânio ou yellowcake. A unidade ocupa uma área de 1.700 hectares, localizada em uma província mineral com recursos que chegam a 87 mil toneladas de urânio e onde estão identificados 17 depósitos minerais. De 2000 a 2015, a INB Caetité produziu 3.750 toneladas de concentrado de urânio a partir da extração a céu aberto de uma dessas jazidas – a mina Cachoeira. A mina que se encontra em operação hoje é a mina do Engenho. “Para assegurar a qualidade do meio ambiente e preservar a saúde de seus empregados e da população que mora nas proximidades da mineradora, a INB desenvolve permanentemente programas de monitoração ambiental e de proteção radiológica”, informa a empresa em seu site. E mais: “O concentrado de urânio produzido pela INB é transportado até o porto de Salvador, de onde segue para a Europa, onde é submetido a outro processo do ciclo do combustível nuclear: a conversão, que é a transformação do concentrado em gás (hexafluoreto de urânio – UF6). Somente em forma de gás o urânio pode ser enriquecido”. 

FOTOS: IBAMA- INB- FONTES – 

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quarta-feira, 27 de março de 2024

Associação de Fiscais do setor nuclear pede ao Presidente Lula para implementar a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear com quadro técnico

 


O diretor presidente da Associação dos Fiscais de Radioproteção e Segurança Nuclear (AFEN), formada por servidores da Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN, Neilson Marino Ceia,  divulgou nesta quarta-feira (27/3) carta aberta que será encaminhada ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, solicitando a implementação imediata da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), tendo como base a Diretoria de Radioproteção e Segurança Nuclear (DRS), da própria CNEN. A ANSN foi crida m 2021, mas até hoje não saiu do papel. Marino Ceia informou na carta a importância de a ANSN ficar sob a responsabilidade da DRS porque cabe ao setor o licenciamento e fiscalização de instalações nucleares e radiativas no País. 

“A nossa solicitação vem, de acordo com a política adotada pelo Governo do Presidente Lula, acompanhada da forte recomendação em priorizar que técnicos de carreira da DRS sejam indicados para presidência e diretorias da ANSN”, informou na carta. 

Lembrou que a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), expressa pelo acordão 240/2024, “também anseia pela imediata nomeação do Diretor Presidente da ANSN, ato que possibilitará a entrada em funcionamento do novo Órgão com o objetivo de preservar, garantir e ampliar, de forma independente, a segurança nuclear para a sociedade, trabalhadores, público e meio ambiente”. 

E acrescentou: “É importante ressaltar a necessidade que haja uma harmonia entre os três diretores técnicos com um profundo conhecimento da conjuntura atual da Diretoria de Segurança Nuclear, para que seja feita a implantação do novo órgão, com a expertise de quem conhece a “casa”. Para o diretor presidente da AFEN, “uma indicação política em uma das três diretorias, poderá trazer consequências inimagináveis na criação desse órgão”. 

Assinalou que  a ANSN é um órgão de Estado, técnico, não político, voltado para o licenciamento e fiscalização do setor nuclear, o qual se vê envolto, além da intensa rotina atual, em novos e complexos desafios como a concessão da extensão de vida útil da usina Angra 1, o licenciamento do empreendimento de mineração de Santa Quitéria, a continuidade do licenciamento da Usina Angra 3, o licenciamento do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), as discussões relacionadas ao submarino nuclear brasileiro, a área médica e industrial, dentre muitos outros. “Mais uma vez insistimos na urgência da nomeação do presidente e dos diretores da ANSN, prioritária e unicamente com servidores egressos do quadro da DRS”, completou. 

(FOTO: Santa Quitéria/INB ) - 

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