O presidente interino da Eletronuclear, Sinval
Zaidan Gama, comunicou a sua renúncia aos cargos de presidente interino e
diretor técnico da empresa, por motivos de ordem pessoal. Segundo nota da
empresa - agora também sob o comando da J&F, do grupo Âmbar, dos empresários Wesley e Joesley Batista- , Sinval apresentou a renúncia na segunda-feira (13/10), mas somente
hoje (17/10) foi divulgada. “O executivo informou que permanecerá no exercício
de suas funções até que sejam designados os substitutos para ambas as posições,
garantindo continuidade administrativa e operacional durante o período de
transição”, informa a nota da empresa.
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A Eletrobras informou, na quarta-feira (15/10), em
“fato relevante”, a venda integral de sua participação na Eletronuclear,
gestora das usinas nucleares, para Âmbar Energia, do Grupo J&F, dos irmãos
Wesley e Joesley Batista, pelo valor de R$ 535 milhões. A venda foi assinada na
terça-feira (14/10), segundo o comunicado, e refere-se à participação de 68% do
capital total e de 35,3% do capital votante da Eletronuclear antes detida pela
Eletrobras. A União, que não faz parte da transação, continuará controlando a
Eletronuclear por meio da Empresa Brasileira de Participações em Energia
Nuclear e Binacional (ENBPar), que detém 64,7% do capital votante e cerca de
32% do capital total. O negócio está sujeito à aprovação dos órgãos
reguladores. Segundo a Eletrobras, o acordo envolve ainda a assunção pela
J&F das garantias de empréstimos prestadas pela Eletrobras e a obrigação de
integralização das debêntures para a Eletronuclear previstas no acordo
celebrado entre a companhia e a União, no valor de R$ 2,4 bilhões.
A
Eletronuclear é gestora das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, em
funcionamento; e Angra 3, com as obras paradas desde 2015. Com o acordo, a
J&F será parceira da União na conclusão de Angra 3, cujas obras começaram
em 1984. caso o governo decida terminar a usina, que hoje está com 67% das
obras civis concluídas. Segundo a Eletrobras, a operação permitirá a plena
liberação da empresa “das responsabilidades remanescentes com sua coligada,
melhorando o perfil de risco e permitindo liberar capital alocável da
companhia”. A empresa informa também no fato relevante que a “transação
representa um marco importante para a Eletrobras e reforça o compromisso de
otimização de seu portfólio”. O presidente da Ambar, Marcelo Zanatta, informou
m nota que a aquisição vai diversificar ainda mais o seu portfólio de geração
de energia. “A energia nuclear combina estabilidade, previsibilidade e baixas
emissões, características fundamentais em um momento de descarbonização e de
crescente demanda por eletricidade impulsionada pela inteligência artificial e
pela digitalização da economia”.
“EMPRESA PROBLEMA” -
“A Eletronuclear virou
uma empresa problema para o país. Não é uma empresa saneada, dinâmica, enxuta,
eficiente para cumprir o seu mister. Vamos ter que achar uma solução para a
Eletronuclear. Vamos ter que pensar juntos: o parlamento brasileiro e a
política pública do Executivo para mudar a questão da Eletronuclear. Para fazer
uma obra de R$ 28 bilhões, sem gestão, é extremamente temerário. Então, essa é
uma preocupação, até uma angústia do ministro de Minas e Energia do Brasil”. Por
incrível que pareça, a declaração do ministro Alexandre Silveira, em agosto de
2024, durante audiência na comissão de Minas e Energia da Câmara, provocou
espanto nos bastidores do setor.
O que pretendia o ministro ao deixar clara a
sua visão tão pessimista sobre o destino da companhia, comentaram alguns
especialistas e técnicos experientes que conhecem bem a história da empresa. Na
bolsa de apostas, mesmo indignados, alguns comentaram que Silveira podia estar
pensando em fatiar a estatal, criada em 1997, para gerir as usinas nucleares,
Angra 1 e Angra 2, em operação, e Angra 3, com as obras paralisadas. Não estavam tão equivocados. Hoje, alguns
técnicos do setor acham que o fato da venda da Eletrobras é uma alternativa
viável, já que a Rússia e a China não estariam mais interessadas em angra 3.
No
ano passado, o ministro visitou o canteiro de obras da central nuclear em Angra
dos Reis e tem sido árduo defensor do final das obras Angra 3; e até mesmo da
instalação de usinas na Amazônia; como também da extensão da vida útil de Angra
1, por mais 20 anos. Quando Silveira coloca “com tristeza” tantas dúvidas sobre
a empresa, acaba provocando insegurança no quadro de funcionários,
principalmente nos mais antigos e qualificados, segundo especialistas. A dívida da Eletronuclear com o BNDES e a CEF,
por conta de Angra 3, girava em torno de R$ 6,4 bilhões. O BNDES realiza novos
estudos sobre a situação da viabilidade de Angra 3. Os resultados dos estudos
estavam previstos para ocorrer este ano, quando seriam analisados pela Empresa
de Pesquisa Energética (EPE) e pelo CNPE.
ANGRA
3: CONSTRUÇÃO COMEÇOU EM 1984 -
Angra 3 faz parte do pacote do acordo nuclear
Brasil-Alemanha assinado em 1975, pelo general Ernesto Geisel, então presidente
da República, que previa a construção de oito centrais atômicas. As obras
começaram em 1984, mas foram paralisadas diversas vezes por problemas variados.
O então presidente da República Michel Temes chegou a ser preso por acusações
de corrupção, na usina, tendo sido depois absolvido e liberado depois. Conforme
dados oficiais, Angra 3 já consumiu cerca de R$ 8 bilhões e depende de outros
R$ 20 bilhões para ser concluída. Se entrar em operação poderá gerar o
equivalente a 1.340 Megawatts.
ANGRA 2 – ÚNICA DO ACORDO BRASIL- ALEMANHA EM
OPERAÇÃO -
Angra 2 é a única usina nuclear do acordo com a Alemanha que opera
desde 2001. Mas há registrou diversos problemas técnicos. Em 2022, um desarme
automático do conjunto turbogerador, na parte não nuclear da central
atômica, devido ao “acionamento da proteção de falha para terra do rotor
do gerador principal”, desconectou a usina nuclear do Sistema Interligado
Nacional (SIN), ontem à noite. A unidade operava a 100% de potência quando
ocorreu o problema. Quando funciona com 100% de sua potência, Angra 2 pode
produzir 1.350 Megawatts, o equivalente a 20% da energia elétrica consumida na
cidade do Rio de Janeiro. Ao longo dos anos a usina já foi desligada várias
vezes. No momento, está funcionando, como Angra 1.
ANGRA 1 – COMPRADA DOS EUA -
Angra 1 já foi desligada dezenas de vezes. Em julho de 2023, por exemplo, foi
desconectada do Sistema Interligado Nacional (SIN), “por conta de um desarme do
reator ocorrido durante teste de operabilidade das barras de controle”. Popularmente,
a usina foi batizada de “Vagalume” pela quantidade de vezes que parou. Quando
opera 100% sincronizada ao sistema elétrico, gera 654 Megawatts, o equivalente
a 10% da energia elétrica consumida da cidade do Rio de Janeiro, que entra no
Sistema Integrado Nacional. Angra 1 foi comprada em 1970 da norte-americana
Westinghouse. Depois de uma série de adiamentos, a central nuclear foi inaugurada
em 1981. Outros entraves fizeram com que a usina entrasse em operação comercial
em 1985. Em 1994, preia-se que Angra 1 poderia durar 24 anos, ou seja, até o
ano de 2018. Nos últimos três anos, a usina está sendo preparada para durar
mais 20 anos.
FONTE: Acervo Eletronuclear – AMBA -
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