terça-feira, 29 de novembro de 2022

Técnica nuclear é aplicada em aldeia indígena para detectar metais pesados em Brumadinho

 


Uma equipe de especialistas do Serviço de Meio Ambiente do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) está delimitando para análise o impacto causado pela mineração no município de Brumadinho (MG). A área delimitada para estudo está situada em uma aldeia indígena, conta com cerca de dois hectares e foi escolhida devido a uma inundação após uma cheia recente no Rio Paraopeba. A técnica a ser utilizada para análise do material é a de ativação neutrônica, através do Reator Nuclear Triga IPR-R1. 

“Por causa do rompimento da barragem em Brumadinho, em 2019, alguns poluentes ficaram acumulados nos sedimentos do rio, e podem ter sido depositados nos solos do local durante a cheia. Também fizemos coletas em pontos de controle e no local de chegada dos sedimentos no Rio Paraopeba após rompimento da barragem, a fim de auxiliar na interpretação dos resultados”, explica o pesquisador do CDTN, Ricardo Passos. 

O CDTN representa o Brasil em projeto que reúne 19 instituições em 18 países com o objetivo de avaliar o impacto de metais pesados, pesticidas e outros contaminantes de origem humana na água e no solo. A iniciativa é organizada pelo Acordo de Cooperação Regional para a Promoção da Ciência e Tecnologia Nuclear na América Latina (ARCAL), ligado à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). 

A primeira etapa do projeto consiste na avaliação preliminar da área. Moradores estão sendo entrevistados para que se possa compreender as atividades realizadas no local. A próxima etapa será realizada ainda neste mês de novembro, quando o CDTN irá participar de um treinamento sobre padronização global dos métodos de coleta dos materiais, em conjunto com os demais países participantes. 

Uma avaliação sobre o impacto de atividades no solo requer esforços internacionais, com o objetivo de equilibrar os processos analíticos e o conhecimento produzido durante o projeto. Segundo Ricardo, o CDTN poderá contribuir internacionalmente com práticas analíticas e de coleta já consolidadas na entidade, além de trazer novas práticas à rotina, por exemplo. 

PROJETO INTERNACIONAL RLA 5089. 

O projeto estabelece, como prioridade estratégica para a América Latina e Caribe, a preservação do solo, um recurso natural não renovável. Para isso, a identificação de metais pesados (como o mercúrio, chumbo, níquel e cobre), pesticidas e outros contaminantes é essencial para a avaliação dos processos de desertificação e da perda de fertilidade do solo, bem como o impacto das atividades humanas sobre o mesmo. 

Segundo o CDTN, o projeto também pretende estabelecer o conhecimento necessário para compartilhar e conscientizar os órgãos governamentais sobre a contaminação do solo e solicitar seus envolvimentos, contribuindo para o estabelecimento de normas regulatórias e para a adoção de medidas e estratégias de conservação e mitigação. 

CDTN -  

CDTN, instituição vinculada à CNEN, é uma autarquia federal do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Com destaque na atuação em Saúde, Meio Ambiente, Minerais, Materiais e Reatores em Minas Gerais e no Brasil. As aplicações resultadas de técnicas nucleares incluem a produção de radiofármacos, a esterilização de produtos médicos e farmacêuticos, a esterilização de hemocomponentes, o atendimento a emergências radiológicas e o recebimento de rejeitos radioativos. 

O CDTN conta ainda com um Programa de Pós-Graduação para contribuir com a pesquisa nacional e internacional, que hoje forma mestres e doutores em Ciência e Tecnologia das Radiações, Minerais e Materiais. Criado como Instituto de Pesquisas Radioativas (IPR), em 1952, o Centro está localizado no campus da Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, e possui uma vasta gama de interlocuções com setores da academia, indústria e inovação. 

FOTO: CDTN - ÁREA DELIMITADA  

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segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Brasil aumenta a produção de urânio enriquecido


A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) aumenta a produção nacional de urânio enriquecido na próxima sexta-feira, dia 25/11, com a inauguração da 10ª cascata de ultracentrífugas da Usina de Enriquecimento Isotópico de Urânio na Fábrica de Combustível Nuclear- FCN, em Resende/RJ. Com a ampliação, a INB finaliza a primeira fase da implantação e reduz o seu grau de dependência na contratação do serviço no exterior para a produção de combustível das usinas nucleares nacionais. As informações foram divulgadas pela empresa nesta segunda-feira (21/11). 

A entrada em operação da 10ª cascata de ultracentrífugas (equipamentos que enriquecem urânio) permite o alcance da capacidade de produção para atendimento de 70% da demanda das recargas anuais da usina nuclear Angra 1. Isto correspondendo a um acréscimo de cerca de 5% em relação à capacidade atual. 

A tecnologia de enriquecimento do urânio pelo processo da ultracentrifugação foi desenvolvida no Brasil, na década de 80, secretamente, pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), em parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN /CNEN). O projeto chamava-se programa paralelo (militar), depois, foi batizado de “autônimo”.  O Brasil estava dominando o ciclo do combustível, do qual poucos países faziam parte. Hoje, de acordo com a World Nuclear Association, o Brasil faz parte de um seleto grupo de 13 países reconhecidos internacionalmente pelo setor nuclear como detentores de instalações para enriquecimento de urânio com diferentes capacidades industriais de produção.

HISTÓRICO - 

A implantação da Usina de Enriquecimento de Urânio da empresa, projeto industrial estratégico do Ciclo do Combustível Nuclear, foi iniciada em 2000, em Resende/RJ. Em 2006, foi inaugurada a 1ª cascata de ultracentrífugas, fato que inseriu o Brasil no seleto grupo de países detentores dessa tecnologia.

A implantação da Usina de Enriquecimento Isotópico de Urânio da FCN está sendo realizada, de forma modular, em duas fases. A segunda será composta por trinta cascatas. O projeto para a implantação da 2ª fase, denominada Usina Comercial de Enriquecimento de Urânio (UCEU) já foi iniciado com o projeto básico, que se encontra em elaboração, e com a solicitação de licenças aos órgãos de fiscalização: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

Quando a implantação da Usina estiver concluída, o Brasil passará à condição de autossuficiência de enriquecimento de urânio. A previsão é que, até 2033, a INB seja capaz de atender, com produção totalmente nacional, as necessidades das usinas nucleares de Angra 1 e 2 e, até 2037, a demanda de Angra 3, prevista para ser inaugurada em 2027. 

FOTO: Fábrica de Enriquecimento - Resende - Acervo INB - 

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sábado, 19 de novembro de 2022

STJ mantém liminar da Justiça Federal que impede a mineração de amianto em Minaçu (GO)

 


O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) manteve esta semana a liminar que impede o funcionamento da mina do cancerígeno amianto, de propriedade da empresa Sama, do grupo Eternit, funcionando em Minaçu, localizada no Norte de Goiás. O caso da extração do amianto, que provoca graves doenças, como o câncer, vem sendo denunciado há anos pela Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (ABREA), mas parece não ter fim. A fiscal do Trabalho, Fernanda Giannasi, uma das fundadoras da ABREA, informou que a qualquer momento a empresa pode ser notificada para paralisar as suas atividades. 

Segundo Giannasi, os advogados de São Paulo, do poderoso grupo Eternit, estão se movimentando rapidamente para restabelecer a liminar e minimizar os efeitos negativos que a notícia poderá causar no mercado internacional de commodities (minério de amianto). Por decisão do STF em 2017, a exploração do minério ficou proibida no Brasil.  

“Espero que não presenciemos mais uma vez a ocorrência da guerra de liminares, que fecham a mina de manhã e reabrem à tarde. Isto precisa acabar. Não é admissível que a decisão do Supremo Tribunal Federal, de 2017, determinando o banimento do amianto, continue a ser desrespeitada sob os olhares benevolentes dos órgãos do Judiciário e da omissão conivente de nossos parlamentares, com flagrantes conflitos de interesse, e do Poder Legislativo como um todo”, alertou Giannasi. 

Depois da decisão do STF, de acabar com a exploração do amianto no Brasil, a Eternit, através de liminares, tem conseguido a retomada de escavações para extração do amianto crisotila para exportação. De acordo com a empresa, o retorno destas atividades está amparado em uma lei estadual que autoriza o processo. 

Na divisa com Tocantins, Minaçu tem a única usina de amianto da América Latina, a terceira maior do mundo, perdendo apenas para uma instalada na China e outra na Rússia, parceiras no BRICS. Pertencente ao grupo Eternit, ela responde por 13% de toda a fibra comercializada no mundo. Misturado ao cimento, o amianto foi usado principalmente na confecção de telhas e caixas d'água. Com a metade das residências usando tais materiais, o país foi até recentemente o quarto maior consumidor mundial do mineral cancerígeno. A ABREA não deixa dúvidas sobre os malefícios provocados pelo amianto à saúde do trabalhador, com um número incalculável de mortes. 

Leia no BLOG outras notícias sobre os males provocados pelo amianto: em 16/4/2018, “Livro dá voz às vítimas e a luta pelo banimento do amianto no Brasil”; em 01/03/2019, “Fernanda Giannasi e a sua luta para banir o amianto. Ela também já sofreu preconceito”; 02/7/2019, “Banimento do amianto é tema de audiência pública na Câmara dos Deputados”; 19/07/2019, “Associação dos procuradores do Trabalho quer anular Lei Caiado a favor do amianto”; 14/02/2020, “Eternit passa por cima de decisão do STF e anuncia retomada da exploração do amianto, produto cancerígeno”; 16/08/2021, “Cancerígeno amianto: Justiça decide por suspensão imediata das atividades de extração, exploração, beneficiamento, comercialização, transporte e exportação, a pedido do Ministério Público Federal”. 

FOTO: acervo ABREA. 

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terça-feira, 15 de novembro de 2022

Angra 2 novamente desligada, em menos de 24 horas


A usina nuclear Angra 2 acaba de ser novamente deligada nesta terça-feira (15/11). Religada ontem (14/11), depois de ter sido desligada na semana passada (9/11), por problemas técnicos a central atômica está novamente fora do Sistema Interligado Nacional. A informação exclusiva do blog é de fontes do setor nuclear. Ainda hoje, a Eletronuclear deverá informar os motivos da parada de Angra 2. O site da Eletronuclear permanece informando que a usina está sem produzir energia, embora informações oficiais da empresa, no mesmo site, na área de noticias, informem o contrário. Fato, é que a usina religada ontem, voltou a parar hoje. Leia mais sobre as usinas nucleares. FOTO: acervo Eletronuclear - empregados na área controlada. COLABORE COM O BLOG – PIX: 21 996015849 

SENAI-SP lança "O IPEN e a Economia do Hidrogênio", de Marcelo Linardi

 


Acaba de sair do forno o livro “O IPEN (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) e a Economia do Hidrogênio”, do engenheiro químico Marcelo Linardi, pela editora SENAI, de São Paulo, com 288 páginas,   um importante trabalho sobre o tema, que no momento está sendo debatido no Brasil e no mundo. As mudanças climáticas apontam para a relevância do estudo da utilização do hidrogênio, considerado o pilar da descarbonização e, desde fevereiro de 2021, foram anunciados em todo o mundo 131 projetos de grande escala, em um total de 359, com investimentos estimados em cerca de US$ 500 bilhões até 2050. 

De acordo com o Marcelo Linardi, mais de 30 países possuem estratégias para o hidrogênio e a capacidade de sua produção pode ultrapassar 10 milhões de toneladas/ano, em 2030. Até 2050, a demanda por hidrogênio verde (de origem renovável) deverá chegar de 300 milhões de toneladas, segundo as previsões mais pessimistas, e a 800 milhões de toneladas, no cenário mais otimista, promovendo o desenvolvimento socioeconômico, tecnológico, a sustentabilidade e a proteção do meio ambiente.  

“Internamente, entre as maiores riquezas do Brasil estão as inúmeras fontes de produção de hidrogênio, em sua maioria renovável, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Temos sol, vento, água, biomassa, energia geotérmica, energia dos oceanos, biocombustíveis, e ainda vários tios de resíduos”, comenta Linardi. Para a diretora de Relações Institucionais da Associação da Associação Brasileira de Hidrogênio (ABH2), Monica Saraiva Panik, o hidrogênio já está entre as mais importantes fontes de energia no futuro. 

“Vislumbramos o sonho do hidrogênio tornando-se realidade, quando tantos pesquisadores e especialistas do IPEN e de outros institutos de ensino e pesquisa têm trabalhado, incansavelmente, durante os últimos 30 anos, nesse tema, no Brasil. De fato, considerando a imensa porta de oportunidades que se abriu em 2021, o que importa que tenha demorado tanto tempo? As experiências bem sucedidas serviram de legado e as experiências frustradas, de aprendizado. E agora, é preciso aproveitar esse momento do nascer do sol do hidrogênio, pelo qual todos nós espetávamos e que é tão maravilhoso que parece que ainda estamos sonhando. Mas não estamos”, escreveu a diretora da Associação, ao prefaciar o livro. 

Hoje, segundo eles, já está garantido que o hidrogênio passou a ser finalmente considerado veto energético importante e a sua demanda mundial está vinculada às metas de descarbonização. “Não se trata de mais uma onda ou moda, e sim de um processo sem volta”, afirmaram. 

Em fevereiro de 2021, segundo eles, o governo do Estado do Ceará lançou o primeiro hub de hidrogênio verde, atraindo outros estados. Para a presidente da ABH2, a obra de Marcelo Linardi, além de promover um resgate histórico, tem o mérito de demonstrar o legado cientifico, tecnológico e de formação de recursos humanos especializados que o IPEN deixou em áreas da economia do hidrogênio para o Brasil. Ela espera que o trabalho “estimule instituições de pesquisa e desenvolvimento do País a continuar contribuindo para a realizado do sonho, em parceria com órgãos do governo responsáveis”. 

No Brasil, segundo ela, o hidrogênio pode combinar a rota da eletrificação com a de biocombustíveis e o sonho brasileiro de ter um veiculo a hidrogênio movido a etanol pode virar, finalmente, realidade, conforma descrito no livro, que contou com a coautoria de uma equipe formada por 27 pesquisadores. Entre os temas estão a infraestrutura e ensino, as células a combustível, o programa brasileiro, os resultados institucionais das pesquisas nos últimos 20 anos, publicações de estaque e patentes, os grandes projetos entre outros. Para obter o trabalho, escreva para o endereço: dpde@ipen.br

MARCELO LINARDI – PERFIL - 

Pesquisador emérito do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Marcelo Linardi, é graduado em Engenharia Química pela Universidade Estadual de Campinas (1983), com mestrado em Ciências Nucleares pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (1987), doutorado em Engenharia Química - Universitat Karlsruhe (1992) e Pós-Doc pela Universidade de Darmstadt, Alemanha em 1998. Na área da Química, tem experiência em Eletroquímica, atuando principalmente nos seguintes temas: célula a combustível, eletroquímica, eletrocatálise, hidrogênio e etanol. Orientou 10 teses de doutorado, 10 dissertações de mestrado, 15 trabalhos de iniciação científica, 7 estágios e 5 pós-doc, na CPG USP/IPEN. 

Atuou no Programa Brasileiro de Células a Combustível e Hidrogênio do Ministério de Ciência e Tecnologia. Escreveu o primeiro livro em língua portuguesa sobre ciência e tecnologia de células a combustível. Possui atualmente mais de 100 publicações internacionais arbitradas, incluindo uma publicação na Advanced Materials, revista mais prestigiada na área de materiais do mundo. 

Participou de mais de 100 eventos científicos nacionais e internacionais e ministrou vária palestras e conferências como convidado. Ocupou o cargo de Diretor de P&D e Ensino do IPEN de 2013 a 2019, onde atuou em Inovação, Ensino, Projeto Institucionais e Gestão de Tecnologias. Coordena projetos institucionais na FAPESP, chamada da Secretaria do Estado de SP, na área de radiofarmácia e nanotecnologia; e na FINEP, de equipamentos multiusuários. É responsável por várias ações de Internacionalização do instituto, como o livro sobre o passado, presente e futuro da inovação tecnológica no IPEN; e o livro sobre o IPEN, entre outros. 

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segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Angra 2 é reconectada ao Sistema Interligado Nacional

 


Desligada desde a quarta-feira passada (09/11), por problemas técnicos, a usina nuclear Angra 2, foi reconectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN), nesta segunda-feira (14), à 1h36.

A usina foi desligada porque o conjunto turbogerador, na parte não nuclear da planta, foi desarmado automaticamente, devido ao acionamento da proteção de falha para terra do rotor do gerador principal. 

“Na ocasião, o reator teve sua potência reduzida, também de forma automática, para 23%, sendo, posteriormente, desligado”, informou a Eletronuclear. Profissionais da companhia investigaram e solucionaram o problema, que não representou risco à segurança nuclear, aos trabalhadores da central nuclear, à população ou ao meio ambiente. 

FOTO: Angra 2 - Acervo Eletronuclear - 

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sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Seminário Internacional de Energia Nuclear (SIEN) debate a comunicação no setor

 


“Comunicação” foi tema de debate ontem (10/11) no XIII Seminário Internacional de Energia Nuclear, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), no Centro, que teve início na terça-feira (08/11). Participaram os jornalistas Ana Paula Freire Artaxo, coordenadora dos projetos de divulgação cientifica do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) e Rodrigo Polito, mestrando em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (PPED) pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

Ana Paula falou sobre a importância de a comunicação da área nuclear privilegiar a ciência que fundamenta o setor e coloca o Brasil na condição de pioneiro em pesquisas e soluções inovadoras nas aplicações da tecnologia em benefício da sociedade. A partir da valorização da ciência para a comunicação da área, mencionou um segundo desafio: como falar de ciência, da ciência nuclear, para a sociedade, enfatizando o uso pacífico? 

“O jornalismo científico, que é uma subárea da divulgação científica, ajuda, mas não resolve. É preciso atuar nas bases, introduzindo a área nuclear nos currículos de ensino fundamental e médio. Mas não o ensino de ciências nos moldes em que é feito em muitas escolas”, comentou. Ela acredita que é preciso tocar as pessoas, mostrar que a energia nuclear e tecnologias estão presentes no dia a dia. “É uma alfabetização científica, considerando que a área é vista com desconfiança e (pre)conceito, a partir de um pré-construído de energia nuclear como sinônimo de bomba atômica e de acidente em reatores de potência, como Chernobyl e Fukushima”. 

Rodrigo Polito é jornalista especializado nos mercados de energia elétrica e petróleo e gás natural. Foi repórter na revista Brasil Energia e no jornal Valor Econômico e, desde 2020, é consultor editorial da MegaWhat, plataforma de inteligência e informação para o mercado de energia. Ele acredita que a fonte nuclear é uma alternativa diante do aumento do aquecimento global. 

“Precisamos escolher nossas batalhas. Se a batalha hoje é conter o aquecimento global e minimizar os efeitos da mudança climática, a fonte nuclear é uma alternativa que precisa estar dentro dessa discussão. Não se pode descartar a fonte nuclear para depois discutir mudanças climáticas”. Na avaliação do jornalista, para uma melhor comunicação entre as empresas e a sociedade sobre os benefícios da energia nuclear, é necessário haver investimentos e recursos para uma estrutura de comunicação por parte das empresas. 

“Não pode ser uma ação isolada, inconstante, e sim estrutural. A internet e as redes sociais também são um canal importante para a difusão de informações relativas à fonte nuclear”, finalizou. O debate foi mediado e apresentado por Tania Malheiros. Todo o evento está disponível no canal do Youtube do SIEN. 

FOTO:  Diego Rodrigues/Realizar Estúdio, para Casa Viva-SIEN. 

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