A instalação de alarmes nas comunidades inseridas
na Zona de Autossalvamento (ZAS), em Caldas
(MG), onde há unidade com 15 mil tambores de Torta II (material radioativo),
corre o risco de ser adiada, pois o custo
estimado para a contratação, no valor de RS 6 milhões, “não é compatível” com o
orçamento da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB). Para a atividade de
descomissionamento este ano, a empresa conta com R$ 4,7 milhões, verba liberada
apenas em junho.
Segundo a literatura disponível
, ZAS é a “região
imediatamente a jusante da barragem, em que se considera não haver tempo
suficiente para uma adequada intervenção dos serviços e agentes de proteção
civil em caso de acidente". Há duas décadas, na unidade de Caldas, a INB armazena toneladas
de Torta II (material radioativo),
procedentes da Nuclemom, em São Paulo. Parte da Torta II, guardada em tambores,
na Usina de Interlagos (USIN/SP) deverá seguir para Caldas também.
As informações
constam em documentos obtidos pelo blog na semana passada e nesta terça-feira
(31/8). Ambos compõem o inquérito civil da Procuradoria da República do Ministério
Público Federal (MPF), de São Paulo, sob a responsabilidade do procurador Gustavo
Torres Soares; e de Pouso Alegre (MG), com o procurador Júlio Carlos Motta
Noronha. O MPF em São Paulo instaurou o inquerido para apurar a regularização
ambiental relativa a materiais e rejeitos radioativos armazenados na USIN e
cobra solução à INB.
No inquérito, a estatal apresentou cronograma de atividades
no qual prevê a conclusão total do descomissionamento da USIN (retirada de solo
contaminado e da Torta II), até o final de 2025. Uma parte do material irá para
Buena, distrito do município de São Francisco de Itabapoana (RJ); e Caldas
(MG), informou a INB. A estatal afirma
nos documentos que não há riscos ao meio ambiente.
Questionada sobra segurança de
barragens, a INB respondeu: “Os serviços prestados pela empresa Tecwise Sistemas
de Automação Ltda para a automatização de todos os piezômetros das duas barragens
da UDC (unidade de Caldas), Barragem de Rejeitos (radioativos) e Barragem de
Águas Claras foram concluídos em junho de 2021”.
O procurador da República,
Júlio Carlos Motta Noronha, em oficio, enviou documento da INB ao prefeito de
Caldas, Ailton Pereira Goulart, no qual a estatal declara que a destinação da
torta II, é tema que pertence à União, conforme rege à Constituição nos casos
de bens minerais. O prefeito tem prazo de 10 dias para se manifestar. O
prefeito já se manifestou publicamente em redes sociais sobre a sua decisão de
não receber mais material radioativo na cidade. Hoje, a Câmara Municipal de Caldas
requereu audiência pública sobre o caso.
FOTO: Conteiners na USIN. Leia exclusivo
para o blog: “Risco de contaminação radioativa na troca de cobertura que abriga
15 mil tambores com torta II, em Minas, em 10/6/2021.