terça-feira, 26 de maio de 2026

Boulos afirma a Datena que venda da mineradora Serra Verde à empresa norte-americana "vai cair"

 


O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou nesta terça-feira (26/5), que a venda da mineradora brasileira Serra Verde, em Goiás, para a empresa norte-americana USA Rare Earth, por cerca de US$ 2,8 bilhões, “vai cair”.  A afirmação de Boulos foi feita por volta das 21h45, durante o programa “Na Mesa com Datena”, na TV Brasil. Boulos disse à Datena que o então governador de Goiás, Ronaldo Caiado, é “um entreguista” porque fez o negócio antes de o tema terras raras passar por todos os trâmites no Congresso Nacional. A venda “vai cair”, prometeu Boulos pelos menos duas vezes.  


Conforme foi divulgado em abril, quando o negócio foi anunciado pela empresa norte americana, o acordo prevê a aquisição de 100% da Serra Verde, dona da mina e da planta de processamento Pela Ema, em Goiás. A operação será paga com US$ 300 milhões em dinheiro e 126,849 milhões de novas ações da USA Rare Earth, o que implica um valor de aproximadamente US$ 2,8 bilhões para a mineradora brasileira. 

O negócio coloca em evidência a questão da soberania sobre as riquezas minerais brasileiras. O fechamento está previsto para o terceiro trimestre de 2026, sujeito a aprovações regulatórias e outras condições usuais. A Serra Verde é controlada por investidores privados e fundos, entre eles Denham Capital, Vision Blue Resources e Energy & Minerals Group. 

A Serra Verde é dona da mina Pela Ema, em Goiás, considerada um ativo estratégico por ser o único produtor em escala fora da Ásia capaz de fornecer os quatro principais elementos magnéticos de terras raras. A operação ganha ainda mais relevância porque, segundo a USA Rare Earth, a Serra Verde deve responder por mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China até 2027. A USA Rare Earth destaca que conta com apoio do governo americano e que a operação inclui um contrato de 15 anos para venda de 100% da produção inicial de elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, com pisos de preço definidos, o que reduz riscos de mercado. 

Com a aquisição, a USA Rare Earth busca criar uma cadeia integrada fora da Ásia, que vai da mineração à produção de ímãs. A empresa projeta que a operação combinada pode gerar até US$ 1,8 bilhão em EBITDA anual até 2030, embora esses números dependam de condições de mercado e execução dos projetos. Em janeiro, a USA Rare Earth assinou uma carta de intenções não vinculante com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos para ter acesso potencial a até US$ 1,6 bilhão em apoio financeiro do governo dos EUA. Desse total, até US$ 277 milhões seriam em recursos federais diretos e até US$ 1,3 bilhão em um empréstimo sênior garantido. 

Na prática, o documento não representa liberação imediata de recursos, mas sinaliza que Washington vê a empresa como peça estratégica na tentativa de montar, fora da China, uma cadeia de terras raras, metais e ímãs voltada a setores considerados sensíveis, como semicondutores, defesa e energia. A Serra Verde iniciou a produção comercial em 2024 e já recebeu mais de US$ 1,1 bilhão em investimentos. A expectativa é que a mina atinja capacidade plena até 2027, com potencial de expansão nos anos seguintes. 

(FOTO – BOULOS/DATENA - (Divulgação) - (SERRA VERDE - MINERADORA SITE ) - 

INFORMAÇÕES – MINERADORA USA RARE EARTH) - 

COLABORE COM O BLOG - OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA via pix: 21 99601-5849 – contato: malheiros.tania@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Em destaque

Bomba atômica! Pra quê? Brasil e Energia Nuclear - Editora Lacre

O livro “Bomba atômica! Pra quê? Brasil e Energia Nuclear”, da jornalista Tania Malheiros, em lançamento pela Editora Lacre, avança e apr...