quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Conselho de Administração da Eletronuclear elege novos titulares. Eduardo de Souza Grivot Grand Court assume a presidência no lugar de Leonam Guimarães

 

O Conselho de Administração da Eletronuclear, reunido nesta quinta-feira (13/10), decidiu alterar a composição da Diretoria Executiva da empresa, elegendo novos titulares. Para a presidência da Eletronuclear, o eleito é Eduardo de Souza Grivot Grand Court, atual presidente do Conselho de Administração da empresa e diretor de Gestão Corporativa e Sustentabilidade da ENBPar, que substituirá Leonam Guimarães, no cargo desde 2017, responsável pela continuidade das obras de Angra 3, projeto para armazenar os combustíveis usados de Angra 1 e 2, e extensão da vida útil de Angra 1. Considerado grande gestor e técnico do setor nuclear no Brasil e exterior, segundo fontes, tem se mantido longe de políticas partidárias. 

As mudanças ocorrerão num prazo máximo de 30 dias e atingem todas as diretorias. Os nomes dos candidatos passaram pela avaliação das instâncias de governança da companhia, bem como da Casa Civil e da Presidência da República. A decisão consta da Deliberação do Conselho de Administração (DCA) n° 489.001/22, expedida nesta quinta-feira. Para a Diretoria de Operação e Comercialização, o novo titular é Ricardo Luis Pereira da Silva, atual diretor Técnico, que continuará acumulando a Diretoria de Angra 3. 

Assume a Diretoria Técnica Sinval Zaidan Gama, ex-diretor de Operação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e ex-presidente da Chesf. A Diretoria Administrativa será ocupada pelo almirante Hélio Mourinho Garcia Júnior, que ocupou recentemente o cargo de subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração do Ministério de Minas e Energia (MME). Marcello Cabral continua como diretor Financeiro. No próximo dia 24, acontecerá uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de acionistas que irá deliberar sobre a revisão do estatuto social e eleger novos membros para os conselhos de Administração e Fiscal. COLABORE COM O BLOG. PIX: 21 99601-5849.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Um programa nuclear estratégico para o Estado Brasileiro, por Olga Simbalista

 


O contexto global passou a ser da maior relevância para as questões energéticas das nações. A pandemia ensejada pela Covid-19 desnudou a incapacidade mundial de se defender de um novo inimigo que surgiu do desconhecido, desafiando indústrias farmacêuticas, os sistemas de saúde públicos e os conhecimentos científicos sobre pandemias. Descobriu-se, inclusive, que vírus não tem fronteiras, nacionalidades ou classes sociais preferenciais. Não só o Brasil, mas o mundo, não estavam preparados para uma pandemia global. No Brasil, centros de excelência em pesquisas se engajaram em uma grande corrida, na busca de vacinas, mas sequer tínhamos seringas injetáveis esterilizadas em número e qualidade, disponíveis em nossos centros de excelência nuclear. 

A pandemia foi uma centelha que acelerou transformações latentes nas sociedades, inclusive, acentuando as desigualdades sociais, face ao pagamento de seus custos pelo desemprego e a falta de atendimento social. Após um aparente controle da pandemia fomos surpreendidos pela invasão russa à Ucrânia, dois países europeus considerados irmãos, em termos culturais e de idioma, mas com rachaduras que requerem uma pausa operacional para se negociar. A Europa/União Européia há tempos desconhecia uma guerra de tais proporções em seu território, fenômeno  que levou, principalmente nações ocidentais a imporem sanções contra o invasor, incluindo bloqueio de contas bancárias, proibições de tráfego aéreo por seus aviões em seus tetos, embargos da importação de produtos , em particular energéticos como petróleo, gás e carvão, causando um cataclismo no setor energético e com conseqüências mundiais superiores às crises do petróleo dos anos de 1970. 

A  Europa, dependente em cerca de 40% de tais insumos e vendo  os preços dos derivados do petróleo disparando e causando uma inflação desconhecida desde o final da Segunda Guerra Mundial, seguida de  queda no crescimento econômico, é o local que mais sofre com a crise energética. O país europeu mais afetado é a Alemanha, que depende de 60% da importação de gás russo para suas indústrias, aquecimento residencial e, em particular, de eletricidade, pois equivocadamente, iniciou a desativação de seu parque gerador nuclear, as de melhor tecnologia e desempenho do mundo, após o acidente de Fukushima, para garantir à Chanceler Merkel o apoio do Partido Verde para sua sustentação no governo, após seu crescente desgaste político desde a crise econômica de 2008. 

Deve-se também ressaltar que a Alemanha, nas últimas décadas, passou a investir massiçamente em fontes renováveis intermitentes, como eólicas e solares que requerem a existência de fontes de geração de base, quando não existem ventos, ou luz solar, base esta suprida por nucleares, gás ou carvão, este na contra mão dos preceitos antipoluição ambiental, de acordo com os preceitos daquela que passou a ser conhecida pela denominada de “Nação Verde”. 

Deve-se, ainda, salientar que o preço do gás natural aumentou cerca de 700%, desde o início do ano passando e que seu uso é da maior relevância para o aquecimento durante o inverno europeu, bem como para a economia global, mesmo para países auto suficientes como os Estados Unidos da América – EUA que, em seu mercado interno, pratica preços internacionais, analogamente ao Brasil, bem como de petróleo, mas que tem enormes reservas estratégicas e auto-produção. Entretanto, os EUA não são auto-suficientes em combustível nuclear, importando mais 90% de suas necessidades de urânio levemente enriquecido para seu parque de geração de eletricidade e que é o maior do mundo, cerca 90 usinas em operação, mas sem dispor, sequer, hoje, de planta industrial de conversão de U3O8 em UF6.  Por este motivo, a exportação deste insumo não são incluídos no pacote de  boicotes à Rússia. 

Em 2021, os EUA importaram mais de US$ 1 bilhão, transformando, de combustíve nuclear levemente enriquecido de países como Rússia, Cazaquistão, Ubesquistão e, assim transformando, Ironicamente, o legado dos “Átomos para a Paz”, em Àtomos para Putin”. O maior perdedor da salgada conta do boicote à Rússia tem sido a União Européia, onde recessão e inflação andam de braços dados. 

Essa retrospectiva indica um futuro completamente diferente dos anos pretéritos e as capacidades nacionais de gerenciar suas deficiências em qualquer setor passam a ter a maior relevância e estão concentradas em seus centros de pesquisas, em particular, daqueles dedicados às tecnologias de ponta, aí incluídos a tecnologia nuclear, espacial e do fundo do mar, sendo grandes propagadores de tecnologia em todo o mundo. 

No que se refere à tecnologia nuclear, suas principais áreas de atuação, no Brasil, estão concentradas no setor de geração de energia , quer eletricidade para o suprimento da rede, quer para a propulsão naval, alimentando o submarino nuclear e reatores de pesquisas. Isto, para a produção do combustível nuclear, em todas as suas etapas, desde a prospecção de minério de minerais nucleares, produção de concentrado  de urânio - U3O8, sua transformação em gás -UF6 em escala piloto, enriquecimento isotópico do urânio com tecnologia desenvolvida pela Marinha do Brasil. 

Além da produção de elementos combustíveis na unidade industrial da INB em Resende e no IPEN, medicina nuclear incluindo o credenciamento de profissionais e de instalações que fazem uso de radiação, produção de radiofármacos, realização de exames específicos para prevenção e eliminação de doenças como o câncer, aplicações na indústria em controle de qualidade, agricultura em particular na conservação de alimentos, meio ambiente, irradiação de gemas preciosas, conservação de acervos históricos, tratamento e armazenamento de rejeitos radioativos. 

Também nas plantas industriais e institutos de pesquisas, segurança e proteção radiológica da população, pesquisas e ensino relacionados a esta tecnologia, transporte de material radioativo, medição de dose de radiação em profissionais a ela expostos, controle e salvaguarda de plantas nucleares, engenharia e projeto de instalações nucleares e radioativas, transmissão ao público em geral de todos estes elencos de funções da tecnologia nuclear tão necessários ao Brasil, dentre vários outros. O desenvolvimento da tecnologia e de insumos está concentrado, principalmente, em institutos de pesquisas, universidades, laboratórios, agências distritais e escritórios regionais, distribuídos por, praticamente, todo o País. 

A despeito dos desafios econômicos pelos quais o País vive, ele precisa de um Estado com visão estratégica e capaz de sensibilizar as classes políticas sobre o papel e importância das áreas de radiações e geração nuclear, que podem criar empregos de alto valor agregado, bem como a criação de plataformas científicas com elevados conhecimentos de ponta. Em função da atual restrição de recursos, aquelas atividades e projetos que demandam menor quantidade de recursos e atingem um maior contingente da população devem ter prioridades, na seguinte sequência: 

Ensino, pesquisas, aplicações nos inúmeros setores anteriormente citado, a partir da medicina nuclear: conclusão do Reator Brasileiro Multipropósito (RBM) que já dispõe de local licenciado, e projetos básico e detalhado e que, como seu nome diz se presta a uma infinidade de funções, mas em particular à produção de radiofármacos, cuja produção nacional não é capaz de atender toda a demanda, a qual é importada de alguns países. 

O RMB terminará inclusive a exportação de radiofármacos, com geração de receita para seu funcionamento, desenvolvimento tecnológico e criação de sinergia em sua área de localização que já abriga o centro Tecnológico da Marinha em Aramar e, assim, as futuras instalações da USP em área contígua, doada pelo Governo de São Paulo; O aumento das reservas nacionais de materiais radioativos, com a retomada do programa de prospecção em áreas promissoras já identificadas, com a participação da iniciativa privada, com vistas, inclusive à produção de fertilizantes, com a geração de recursos suplementares e o reposicionamento do País no ranking mundial, a produção de U3O8 para o mercado interno a preços competitivos e exportação de excedentes; 

Domínio da tecnologia de conversão do U3O8 em UF6, em escala industrial, no mínimo com a capacidade para alimentar nossas unidades de enriquecimento atualmente existentes e expansões no curto prazo, evitando o tanslado do U3O8 para o exterior e posterior internalização para ser enriquecido domesticamente; Quanto ao enriquecimento isotópico no País, realizado por meio da tecnologia de ultracentrifugação, desenvolvida de forma autônoma, pela Marinha do Brasil, e atualmente realizado em instalações industriais na INB e capazes de atender mais da metade da demanda de Angra 1, o ideal era dispor de capacidade para cobrir as três unidades definidas para Angra dos Reis, Angra1, 2 e3; Dar continuidade ao protótipo em terra do reator do submarino brasileiro, bem como a fabricação dos componentes encomendados à NUCLEP, a qual também está com encomenda de importantes componentes para Angra 3, encomendas da indústria do petróleo e do setor elétrico, relativas a sistemas de transmissão. 

A empresa também poderá ocupar nichos no mercado externo criados com cancelamentos na Ucrânia, em particular se contar com um parceiro setorial musculoso; Conclusão da Usina Angra 3, com ou sem a participação de parceiro estrangeiro, mas baseada em um esquema de financiamento realista, inclusive de eventual parceiro; Preparação de um programa de longo prazo, em consonância com o planejamento elétrico governamental, avaliando locais candidatos, novas tecnologias, incluindo reatores de pequeno e médio porte, com especial atenção aos seus processos de licenciamentos nuclear e ambiental, uma vez que se tratam de tecnologias desconhecidas no país. 

Nesse contexto, é da maior relevância a intensificação do treinamento de pessoal, como indicado de forma prioritária anteriormente, não só para as reposições oriundas de intenso desligamento de pessoal, mas principalmente pelos novos desafios. 

Estamos certos de que um País com a grandiosidade e importância estratégica do nosso, não pode deixar de incluir em suas prioridades as atividades radiológicas e nucleares, tão importantes e de agora em diante mais restritas a transferência de tecnologias, conforme ressaltado na introdução, o que requererá um esforço autônomo muito maior, onde nossas organizações de pesquisas e desenvolvimento passarão a ter muito maior relevância. 

Também no setor energético, após o fim dos vultosos subsídios governamentais que alavancaram os setores de energias eólica e solar, torna-se necessário investir em uma energia de base, como a nuclear, para firmar o suprimento, em conjunto com nossos reservatórios de hidroelétricas, que ficará responsável por compensar a as intermitências das duas fontes e que representam as mais eficientes baterias perseguidas para tal compensação. 

Nesse contexto a produção de Angra 3 será da maior relevância, pois agregará ao sistema cerca de !400 Mw, juntamente com as de Angra 1 e Angra 2. de quase 2100 mW. Além disso, a nuclear não apresenta volatilidade de custos relativos a aspectos climáticos, como vento, luz e chuvas, além de sua contribuição à descarbonização evidenciada na COP 26. 

Assim, enfatizo que a elaboração desse texto é porque confio no entendimento de todos aqueles que ensejam o que há de melhor para os brasileiros, façam seu uso sem medo de restrições. 

OLGA SIMBALISTA – Engenheira elétrica e nuclear, faz parte da diretora da Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN); do Instituto Ilumina e do Board da American Nuclear Society, já recebeu doze prêmios por sua atuação na promoção dos direitos da mulher e, em 2014, e foi eleita Personalidade do Ano 2014 pela WEB da ONU. Com mestrado em engenharia nuclear, Olga Simbalista, comemora 41 anos de trabalho no setor. Recebeu também o Prêmio Full Energy de Personalidade do ano, em 2017, e, em 2018. 

FOTO: Arquivo pessoal .  

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quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Cerca de 16 mil tambores enferrujados com material radioativo começam a ser reembalados em Caldas

 


Para evitar vazamento de Torta II (material radioativo contendo urânio e tório) na Unidade de Descomissionamento de Caldas (UDC), em Caldas (MG), a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), desde 28/9, voltou a reembalar 16.100 tambores metálicos enferrujados, trabalho que deve durar de 12 a 14 meses. No início do ano, outros 3.500 tambores foram reembalados, além de 400 bombonas plásticas. 

A empresa contratou um leito de hospital em Poços de Caldas, destinado à descontaminação de vítima de um eventual acidente durante o trabalho. A operação conta com equipamentos e profissionais próprios e contratados. “Como sobreembalamos 3.500 tambores no início do ano, temos um parâmetro de como a operação deve acontecer e a previsão do tempo de término”, explicou o gerente da INB, João Viçozo da Silva Júnior. “Nessa operação também ocorrerá a pesagem e retirada de amostras para análises laboratoriais, objetivando aprimorar o inventário da Torta II”, informou. 

Os profissionais envolvidos na operação passaram por treinamentos antes do início da atividade no dia 28 de setembro passado. Para os funcionários do hospital contratado, foram ministrados treinamentos de proteção radiológica e de atendimento à emergência radiológica. 

RISCOS DE CONTAMINAÇAO - 

Em junho do ano passado, sob risco de contaminação radioativa, a empresa começou a substituição das coberturas (telhado) dos sítios de Torta I, na área AA-171 da unidade de Caldas. Havia riscos de disseminação radioativa via contaminação do solo, água de chuva e ar.  “Um dos acidentes que pode ocorrer é a queda de telhas com suspensão de Torta II no ar durante as atividades de troca de telhas, com ou sem vítimas. Abalroamento, cortes, esmagamentos, fraturas, atropelamentos, asfixias também são possíveis”, consta em documento a que o blog teve acesso com exclusividade. 

O local abriga os milhares de tambores com Torta II, armazenados há anos em Caldas, em condições nada seguras, cobertos por telhados danificados pelo tempo, chuvas e ventos. O material é herança maldita da extinta Nuclemon, em São Paulo, onde durante décadas o Brasil operou com material radioativo das areias monazíticas subtraídas do litoral da Bahia, Rio de Janeiro e Espírito Santo. As várias atividades envolvendo a troca do telhado estão sendo acompanhadas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). A unidade de Caldas está instalada numa de área de cerca de 18 km2, onde funcionou a primeira unidade de mineração e beneficiamento de urânio do Brasil. 

FOTO: Galpões da unidade de Caldas – INB – 

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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Denúncia de assédio sexual, depois de racismo e transfobia, nas Indústrias Nucleares do Brasil

 


Dois casos de assédios sexuais foram denunciados há cerca de 120 dias ao Conselho de Ética da Indústrias Nucleares do Brasil (INB). Um dos assédios teria ocorrido no refeitório da Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), em Resende (RJ). As vítimas têm medo de represálias, informou o vice-presidente do Sindicato dos Mineradores de Brumado e Microrregião, Lucas Mendonça. Na terça-feira (27/9), conforme o blog publicou com exclusividade, Mendonça formalizou denúncia de racismo e transfobia contra uma chefia da Gerência de Comunicação Institucional da INB, da FCN, junto à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADIP) e ao Ministério Público do Rio de Janeiro.  

“Negro e viado” traria “vergonha à empresa” foi a justificativa da funcionária para tentar adiar a contratação do profissional aprovado em quarto lugar no concurso público. Em comunicado interno, a INB informou ontem (29/9) que Claudia Maria Rangel Guimaraes, estava sendo afastada “temporariamente” da função de confiança de gerente da Comunicação Institucional. O documento está assinado por Márcio Adriano Coelho da Silva, presidente em exercício. 

Mas nesta sexta-feira (30/9), ela teria sido afastada da empresa, que abriu sindicância para apurar o caso. Caberá à Comissão de Sindicância analisar a denúncia contra Claudia, que poderá ser punida com justa causa. A situação de Claudia se complicou ainda mais ontem (29/9) quando grupos passaram a divulgar um áudio com os comentários racistas e homofóbicos que ela proferiu contra o candidato, numa das salas da empresa. Um dia após (28/9) a denúncia feita pelo Blog, a INB divulgou nota informando que “não coaduna com nenhum ato de discriminação de gênero, identidade sexual, raça e etnia, condição física, classe social, procedência geográfica, estado civil, idade, religião, cultura e convicção política”. E acrescentou que “este princípio basilar está fixado no Item 2.1.2 do Código de Ética, Conduta e Integridade da empresa”. 

A denúncia havia sido feita há cerca de 15 dias por funcionários que presenciaram as ofensas, inclusive negros, à Ouvidoria e ao Conselho de Ética, além da diretoria de finanças e administração, mas foi em vão.  Houve prevaricação, afirma Mendonça. Até o momento, segundo ele, o crime de racismo e transfobia vinha sendo mantido em sigilo pela empresa, mas já se tornou público entre os empregados que estão indignados. O caso ocorreu dentro da Unidade da INB, em Resende, na Rodovia Presidente Dutra KM 330 – em Engenheiro Passos. Funcionários de Resende também registraram denúncia na Delegacia de Polícia Local. Em Resende, a INB tem instalações de Enriquecimento de Urânio e de produção de elementos combustíveis para as usinas nucleares. 

A convocação do analista de comunicação está em andamento. O candidato havia feito contato com a empresa, visto que quando fez o concurso se inscreveu como gênero feminino e agora adotava o nome masculino. Tudo informado à empresa.  Agora, além de apurar o crime praticado pela então chefe da Comunicação Institucional, a INB terá também que apurar as denúncias de assédios sexuais. 

FÁBRICA DE COMBUSTIVEL NUCLEAR – 

É um conjunto de unidades industriais dedicadas ao processamento de quatro etapas do ciclo do combustível nuclear: o enriquecimento isotópico de urânio, a reconversão, a produção de pastilhas e a montagem do combustível que abastece os reatores das usinas nucleares. São informações oficiais da INB. 

“O combustível nuclear - ou Elemento Combustível - é uma estrutura metálica, com até 5 metros de altura, formada por um conjunto de tubos, chamados varetas dentro das quais são colocadas pastilhas de urânio enriquecido entre 2 e 5%. Os elementos combustíveis produzidos pela INB para as usinas de Angra dos Reis são de diferentes tecnologias, e por isso cada usina necessita de quantidades diferentes de elementos combustíveis. Angra 1 necessita de 121 elementos combustíveis, cada um deles contendo 235 varetas, 369 pastilhas por vareta; Angra 2 necessita de 193 elementos combustíveis, cada um deles contendo 236 varetas, 384 pastilhas por vareta”. 

Em uma área de 600 hectares, a FCN abriga a área administrativa da empresa, o Horto Florestal e as atividades relacionadas ao ciclo do combustível nuclear em quatro unidades industriais. Na FCN Reconversão a INB faz a produção de pó de dióxido de urânio (UO2). Na FCN Pastilhas, a produção de pastilhas de dióxido de urânio (UO2), e na FCN Componentes e Montagem, realiza a fabricação de componentes e a montagem do elemento combustível. Lá, opera ainda a Usina de enriquecimento de urânio. 

Segundo a INB, a Política do Sistema Integrado de Gestão da FCN está estabelecida e comunicada de forma que, entre outras coisas, haja “condição de trabalho segura e saudável para prevenção de acidentes, lesões e doenças ocupacionais; fortalecimento da cultura de segurança; satisfação dos colaboradores, clientes, provedores e acionistas, e de interação com a comunidade”, por exemplo. 

FOTO: FCN - ACERVO DA INB - 

LEIA A PRIMEIRA DENÚNCIA DIVULGADA NO BLOG DIA 27/9. OUTRA, EM 28/09.

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quarta-feira, 28 de setembro de 2022

INB confirma denúncia de racismo e transfobia praticados contra profissional negro transgênero. Leia a nota da empresa, que apura o caso.

 

A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) acaba de confirmar a denúncia de racismo e transfobia, feita ontem (27/9) pelo BLOG, praticada por uma chefia de Relações Públicas da Comunicação Institucional da empresa, para tentar adiar a contratação de um profissional negro transgênero aprovado em concurso público prestes a ser admitido na empresa. 

A INB “não coaduna com nenhum ato de discriminação de gênero, identidade sexual, raça e etnia, condição física, classe social, procedência geográfica, estado civil, idade, religião, cultura e convicção política”. E acrescenta: “Este princípio basilar está fixado no Item 2.1.2 do Código de Ética, Conduta e Integridade da empresa”. 

A INB informou que os fatos estão sendo apurados. “Cabe destacar ainda que, desde a ocorrência do evento, já está sendo conduzida a devida apuração dos fatos pelos órgãos competentes internos, seguindo o rito previsto nos manuais da empresa, onde, após a devida análise, será dado o encaminhamento adequado”. 

Até a formalização da denúncia feita pelo vice-presidente do Sindicato dos Mineradores de Brumado e Microrregião, Lucas Mendonça, a INB manteve-se em silêncio, sem prestar informações sobre o caso. Denúncias foram feitas também há cerca de 15 dias por empregados que testemunharam as ofensas proferidas contra o profissional. Desta forma, informa a empresa, “todos os processos de admissão de concursados estão ocorrendo normalmente, de acordo com a classificação do concurso e o previsto no respectivo Edital”. 

LEIA NO BLOG A DENÚNCIA DIVULGADA ONTEM (27/09). 

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terça-feira, 27 de setembro de 2022

Racismo e transfobia provocam indignação nas Indústrias Nucleares do Brasil em Resende

 

O vice-presidente do Sindicato dos Mineradores de Brumado e Microrregião, Lucas Mendonça, acaba de formalizar denúncia de racismo e transfobia contra uma chefia da Gerência de Comunicação Institucional da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), junto à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADIP) e ao Ministério Público do Rio de Janeiro.  “Negro e veado” traria “vergonha à empresa” foi a justificativa da funcionária para tentar adiar a contratação do profissional aprovado em concurso público. 

A denúncia havia sido feita há cerca de 15 dias por funcionários que presenciaram as ofensas, inclusive negros, à Ouvidoria e ao Conselho de Ética, além da diretoria de finanças e administração, mas foi em vão.  Houve prevaricação, afirma Mendonça. Até o momento, segundo ele, o crime de racismo e transfobia vinha sendo mantido em sigilo pela empresa, mas já se tornou público entre os empregados que estão indignados. 

O caso ocorreu dentro da Unidade da INB, em Resende, na Rodovia Presidente Dutra KM 330 – em Engenheiro Passos. Funcionários de Resende também registraram denúncia hoje na Delegacia de Polícia Local. Em Resende, a INB tem instalações de Enriquecimento de Urânio e de produção de elementos combustíveis para as usinas nucleares. 

A convocação do analista de comunicação está em andamento. “O candidato havia feito contato com a empresa, visto que quando fez o concurso se inscreveu como gênero feminino e agora adotava o nome social de gênero masculino, sendo, portanto, transgênero”, informa a denúncia. A INB não se pronunciou.   

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sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Angra 1: usina é religada e preparada para durar mais 20 anos

 


A usina nuclear Angra 1, em Angra dos Reis (RJ), voltou a operar nesta quinta-feira (22/09), quando foi conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Angra 1 foi desligada no dia 11/08 para a troca de combustível (urânio enriquecido). A parada foi programada. A usina deve alcançar 100% de potência neste domingo (25). A usina está sendo preparada para durar mais 20 anos.

Segundo a Eletronuclear, durante a parada, cerca de um terço do combustível nuclear foi substituído. Também foram realizadas atividades de inspeção e manutenção periódicas e diversas modificações de projeto, que precisam ser feitas com a planta desligada. 

Na semana passada, a Eletronuclear confirmou o recebimento da primeira liberação de recursos, no valor de USD 12.998.909,49, do financiamento internacional obtido junto ao Santander para o Programa de Extensão da Vida Útil de Angra 1. A operação tem garantia do US Exim Bank e contragarantia da Eletrobras. Segundo a companhia, o montante vai reembolsar gastos já realizados no âmbito do Engineering Multiplier Program (EMP), que engloba estudos de viabilidade e serviços de pré-engenharia, design e meio ambiente. O valor total do financiamento contratado é USD 22.262.331,00. 

A Eletronuclear informou que a operação representa a consolidação do relacionamento da companhia com o US Exim Bank, marcando o retorno da agência multilateral do governo norte-americano à concessão de financiamentos a projetos na área nuclear. E já está sendo discutida a concessão de um empréstimo de longo prazo, no valor estimado de USD 430 milhões, voltado aos projetos que serão implementados no âmbito do programa, envolvendo os fornecedores Westinghouse, Holtec e Siemens. 

As usinas nucleares Angra 1 (norte-americana) e Angra 2 (alemã) foram licenciadas para operar por 40 anos. Angra 1 entrou em operação em 1985. O objetivo da Eletronuclear é estender a operação da unidade por mais 20 anos, para que possa continuar a operar até 2044. Angra 1 tem capacidade para gerar 640 MW, quando opera 100% sincronizada ao SIN, o que representa 10%da energia elétrica consumida na cidade do Rio de Janeiro. 

FOTO: Angra 1 – Acervo Eletronuclear – 

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