quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Câmara dos Deputados debate a criação da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear

 


A Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados realiza audiência pública nesta sexta-feira (13), às 15 horas, sobre a criação da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). Pela Medida Provisória 1049/21, competem à autarquia o monitoramento, regulação e fiscalização de segurança nuclear, a proteção radiológica e segurança física das atividades nucleares, de materiais nucleares e fontes de radiação no território nacional. 

A MP 1049/21 visa desvincular as atividades relacionadas à fiscalização e controle dos usos da energia nuclear e repressão de ilícitos das atividades nucleares de promoção e fomento, segundo o deputado Glauber Braga (Psol-RJ), que solicitou a realização do debate. O deputado lembra que a matéria vem sendo debatida desde os anos 90 e afirma que o tema é bastante complexo para ser analisado em pouco tempo. 

Foram convidados para o debate representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI): diretor da Radioproteção e Segurança Nuclear da Comissão de Energia Nuclear (Cnen), Ricardo Gutterres; coordenador-geral de Reatores e Ciclo do Combustível, Jefferson Araújo Borges; e coordenador de Reatores e Ciclo do Combustível, José Antônio Barreto de Carvalho. 

Também estão entre os convidados o servidor da Cnen, especialista no assunto, Sidney Luiz Rabello; e o ambientalista e vencedor do Prêmio Nobel Alternativo da “Right Liverwood Award”, do Parlamento Sueco, Francisco Whitaker Ferreira, entre outros. 

O debate será realizado no plenário 5 e terá transmissão interativa pelo e - Democracia, informou a Agência Câmara de Notícias. Leia no Blog artigos sobre o assunto de autoria de Sidney Rabello; e a resposta do Ministério da Marinha. 

Foto: Unidade de Produção de Hexafluoreto de Urânio (urânio em forma de gás), no Centro Experimental Aramar, da Marinha, em São Paulo, onde é feito o enriquecimento: fiscalização sob controle nacional.

Eletrobras registra lucro líquido de R$ 2,5 bilhões no 2º trimestre do ano; em investimentos a usina nuclear Angra 3 ficou com R$ 250 milhões

 


A Eletrobras registrou lucro líquido de R$ 2,5 bilhões no segundo trimestre do ano, valor 439% superior ao mesmo período de 2020, enquanto o lucro líquido recorrente, de R$ 4,5 bilhões, foi 601% maior que o resultado obtido na mesma comparação. A companhia divulgou os resultados na noite desta quarta-feira (11/08). Em investimentos, a usina nuclear Angra 3 ficou com R$ 250 milhões. 

Também tiveram aumento expressivo a receita operacional líquida, que atingiu R$ 7,9 bilhões no segundo trimestre de 2021, com acréscimo de 49% em relação ao trimestre do ano anterior; e o Ebitda (sigla em inglês para lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 3,3 bilhões, com crescimento de 64%. Já o Ebitda recorrente foi 116% superior. 

“Os investimentos realizados em geração foram de R$ 483 milhões, dos quais R$ 154 milhões em manutenção e R$ 329 milhões em implantação. Deste total, R$ 250 milhões foram alocados em Angra 3. Já em transmissão, foram investidos R$ 277 milhões, dos quais R$ 213 milhões destinados a reforço e melhorias”. 

IMPORTAÇÃO DO URUGUAI - 

O resultado do trimestre foi impactado positivamente pelos resultados em transmissão, em decorrência da Revisão Tarifária Periódica, com efeitos a partir de julho de 2020; e pela melhora nos resultados de geração. Segundo a companhia, isto, principalmente devido aos seguintes fatores: aumento do volume e preços praticados nos contratos bilaterais do Ambiente de Contratação Livre (ACL); maior receita no mercado de curto prazo, decorrente da liquidação na CCEE, influenciada pelo aumento de preços do PLD; e maior comercialização de energia por conta de importação do Uruguai, devido à redução dos volumes das principais bacias hidrográficas que compõem o sistema interligado brasileiro. “Por outro lado, o resultado foi negativamente impactado pelas provisões para contingências judiciais”, informou a companhia. FOTO: Angra 3 - Acervo Eletronuclear .

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Bomba atômica sobre Hiroshima faz 76 anos nesta sexta (6/8); sobrevivente é homenageada pela Articulação Antinuclear Brasileira.

 


Nesta sexta-feira (6/8) serão realizadas várias homenagens aos mortos, desaparecidos e contaminados pela radiação, vítimas da destruição provocada pela bomba atômica que devastou a cidade japonesa de Hiroshima, durante a Segunda Guerra Mundial, em 1945. São 76 anos de uma tragédia que precisa ser lembrada para não ser repetida. Às 19h, uma das vítimas, Junko Watanabe, sobrevivente que vive em São Paulo, será homenageada em “live” apresentada por Joelma do Couto, da Articulação Antinuclear Brasileira, que reúne dezenas de entidades civis em todo o país, como a Diocese da Floresta, de Pernambuco.

 “Ela tinha apenas dois anos, em 6 de agosto de 1945, quando brincava com o irmão na vila perto de Hiroshima e houve o bombardeio pelos Estados Unidos”, comentou Joelma. “Os 76 anos do genocídio atômico de Hiroshima” é o título da “live”. 

Junko conta em entrevistas que soube que era sobrevivente aos 38 anos de idade. Os pais esconderam essa realidade dela por medo de represálias e preconceitos da sociedade. No ano passado, ela se apresentou em peça teatral do diretor e roteirista Rogério Nagai, por acreditar que a história de Hiroshima não deve ser esquecida. "Temos cada vez menos sobreviventes e precisamos manter essa história viva para que ela não se repita", diz. 

"Ainda que trate de uma tragédia, o texto traz uma reflexão sobre a paz por onde passa, com uma mensagem forte de resiliência, perdão e superação. Colocar os sobreviventes em cena é uma maneira que o projeto encontrou de mostrar a importância de propagar e manter a paz, para que acontecimentos como esse nunca mais se repitam", ressaltou Nagai. 

Também nesta sexta, às 19h30 haverá o debate “A saga das inúteis e perigosas chaleiras nucleares de Angra dos Reis”, com os especialistas Célio Bermann, Heitor Scalambrini, Chico Whithaker, Cristina Perfeito e Monique Chessa Reis. Os eventos podem ser assistidos pelos canais do “You Tube “ e Facebook, da Pascom - Diocese de Floresta. 

A data terá muitos outros eventos lembrando a tragédia. Às 8h15, o Centro Cultural Hiroshima do Brasil realiza o “Oficio Budista Onlive em Memória às Vítimas da Bomba Atômica e da Covid-19”, em seu canal no You Tube. As vítimas da Covid-19 que já passam de 550 mil, no Brasil, ressaltam.

 BOMBAS ATÔMICAS NORTE-AMERICANAS -  

Durante a Segunda Guerra Mundial o planeta assistiu à tragédia e ao horror provocados pelas bombas atômicas norte-americanas que destruíram Hiroshima e Nagasaki. A primeira era uma bomba de urânio, de 12 quilotons, lançada no dia 6 de agosto de 1945, sobre a cidade que, na época, estava com uma população de 350 mil habitantes. Sob os efeitos imediatos e posteriores à explosão, pelo menos 140 mil pessoas morreram até o final daquele ano. A explosão, que ocorreu 510 metros acima do centro de Hiroshima, provocou um imenso clarão, cegando instantaneamente milhares de pessoas. Eram 845 da manhã e os Estados Unidos mostravam ao planeta a força invencível de sua nova arma: a bomba atômica. 

Três dias depois, atingiram também Nagasaki. Foram milhares de mortos e feridos, além de sobreviventes que buscaram retomar suas vidas depois da tragédia. Os números oficiais informam entre 130 e 240 mil mortos como resultado destes que foram os primeiros e únicos ataques nucleares contra civis na história da humanidade. 

Especialistas afirmam que nunca saberemos exatamente o número de mortos. No caso da radiação, ela pode permanecer no corpo humano durante muito tempo, provocando doenças como câncer, que são diagnosticadas anos depois da contaminação.   


terça-feira, 3 de agosto de 2021

Ação trabalhista de cerca de R$ 4,7 milhões pode levar à leilão equipamentos da estatal INB para monitorar contaminação radioativa

 


Equipamentos destinados a monitorar casos de contaminação radioativa correm o risco de serem leiloados por conta de ação trabalhista no valor de R$ 4,7 milhões movida por 106 trabalhadores da unidade da cidade de Caldas (MG) contra a estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB). Do total de empregados, 14% não estão mais na ativa. Na ação, eles acusam a INB de pagar horas "in itineri" (horas de percurso)  de forma simples, sem levar em conta adicionais a que têm direito, pelo fato de o trabalho envolver riscos de contaminação radioativa, prejudiciais à saúde e à vida. 

A defesa dos trabalhadores quer o pagamento em dinheiro. A INB oferece equipamentos para serem leiloados.

A ação foi movida pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas Minerais de Poços de Caldas e Região, através do escritório da advogada Gemima Furini do Prado.  O processo está tramitando na 1ª Vara do Trabalho de Poços de Caldas (MG), onde a INB mantém unidade de produção desativada, mas que armazena toneladas de material radioativo. 

Os bens que podem ser leiloados estão em Caldas; na Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), em Resende (RJ), e na Unidade de Concentrado de Urânio, em Caetité, na Bahia. 

São eles: espectrômetro de massa, no valor de R$ 1.444.999,70, em Caldas; portal de monitoração de caminhões, que vale R$ 1.411.570,00, de Caetité; Sistema portátil de calibração para sensores de pressão absoluta, no valor de R$ 80.000,00, de Resende; Espectrômetro de massa com plasma, R$ 948.000,00; e caminhão guindaste, R$ 892.800,00, ambos em Caetité. 

A ação começou em 2017 e deve ter desfecho judicial este ano. Segundo relato da INB, o valor dos bens e seus componentes que estão referenciados nas notas fiscais anexas ao processo correspondem ao valor total de R$ 4.777.369,70, pelo que requer que sejam aceitos como garantia da execução. A INB adianta que não existem razões para a rejeição dos bens indicados porque o valor é superior ao valor da dívida. Os bens não são de difícil alienação”, informou a empresa.  N

o processo, como exemplo disso, consta que o portal de monitoramento de caminhões pode ser utilizado em diversas aplicações no setor industrial, como detecção de sucata radioativa em caminhões e vagões, por exemplo. O processo número 0011394-77.2017.5.03.0073 está em fase de execução, segundo Gemima. 

“O juiz homologou os cálculos, foi concedido prazo para a empresa garantir a execução e a INB indicou bens, dos quais o magistrado abriu vista para que nós nos manifestemos. Nos próximos dias a Justiça vai se pronunciar se prevalece esses bens como garantia da execução ou vai determinar a garantia da execução em dinheiro. Já impugnei os bens, pois pretendemos o pagamento em dinheiro. A decisão está prestes a ocorrer. A empresa pode recorrer e nós vamos contestar”, informou a advogada.

FOTO: Unidade Caldas/INB.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Angra 3: consórcio vencedor tem nomes mencionados em queda de viaduto. Recursos estão sendo analisados desde ontem (26/7)

 


Virou motivo de preocupação e piada entre alguns especialistas do setor nuclear a composição do consócio de empresas que venceu a sessão pública realizada nesta sexta-feira (23/7) para tocar as obras civis e a montagem eletromecânica da usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis, paradas desde 2015. Foi um tremendo “mico”, disseram porque o consórcio composto por Ferreira Guedes, Matricial e ADtranz vencedor, não tem experiência na área nuclear, além de outros problemas. Citação na Lava Jato (“operação abismo”), obras de um viaduto que desabou em Fortaleza em 2016, por exemplo. 

Com a sua imagem tão desgastada durante anos, com a prisão e depois liberação do então presidente da Eletronuclear, contra-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, por denúncias de corrupção na Lava Jato, o processo de licitação de Angra 3 poderia ter sido realizado com mais cautela, comentaram especialistas. 

O lance vencedor foi de R$ 292 milhões, o que representa um deságio de aproximadamente 16% em relação ao valor de referência estabelecido pela Eletronuclear. No total, duas companhias e cinco consórcios participaram da sessão de abertura das propostas, realizada em 29 de junho. 

A Eletronuclear não se manifestou sobre as questões delicadas envolvendo o consórcio vencedor. Mas informou que desde segunda-feira (26/7), o licitante que manifestou a intenção de recorrer tem cinco dias úteis para apresentar as razões do recurso, ficando os demais intimados para, caso queiram, apresentar contrarrazões em igual número de dias. A Eletronuclear terá cinco dias úteis, prorrogáveis pelo mesmo período, para fazer a análise dos recursos e contrarrazões apresentados. 

Após o fim da fase recursal da licitação, as empresas integrantes do consórcio vencedor serão submetidas a uma avaliação de compliance, antes de o processo ser encaminhado à autoridade competente para homologação. Em seguida, as companhias devem ser convocadas para assinar o contrato num prazo de 10 dias úteis, prorrogável por igual período. Depois da assinatura, iniciarão a mobilização do canteiro de obras de Angra 3, para que a construção da central nuclear possa ser reiniciada ainda em 2021. 

Entre as principais medidas que constam no Plano de Aceleração do Caminho Crítico está a conclusão da superestrutura de concreto do edifício do reator de Angra 3. Além disso, será feita uma parte importante da montagem eletromecânica, que inclui o fechamento da esfera de aço da contenção e a instalação da piscina de combustíveis usados, da ponte polar e do guindaste do semipórtico. O índice atual de conclusão da construção de Angra 3 é de 65%. A Eletronuclear prevê que a usina entre em operação em novembro de 2026.

FOTO: Angra 3 - Acervo Eletronuclear. 

sexta-feira, 23 de julho de 2021

Eletronuclear divulga vencedor de licitação para obras de Angra 3, mas ainda cabe recurso.

 


A Eletronuclear declarou vencedor o consórcio composto por Ferreira Guedes, Matricial e ADtranz na licitação para contratar a empresa que retomará as obras de Angra 3 no âmbito do Plano de Aceleração do Caminho Crítico da usina. Conforme o blog noticiou ontem, a sessão pública ocorreu há pouco. O resultado foi divulgado após a documentação do licitante ter sido avaliada e aprovada. O lance vencedor foi de R$ 292 milhões, o que representa um deságio de aproximadamente 16% em relação ao valor de referência estabelecido pela Eletronuclear. 

No total, duas companhias e cinco consórcios participaram da sessão de abertura das propostas, realizada em 29 de junho. A partir de segunda-feira (26), os licitantes que manifestaram a intenção de recorrer têm cinco dias úteis para apresentar as razões dos recursos, ficando os demais intimados para, caso queiram, apresentar contrarrazões em igual número de dias. Então, a Eletronuclear terá cinco dias úteis, prorrogáveis pelo mesmo período, para fazer a análise dos recursos e contrarrazões apresentados. Após o fim da fase recursal da licitação, as empresas integrantes do consórcio vencedor serão submetidas a uma avaliação de compliance, antes de o processo ser encaminhado à autoridade competente para homologação. 

Em seguida, as companhias devem ser convocadas para assinar o contrato num prazo de 10 dias úteis, prorrogável por igual período. Depois da assinatura, iniciarão a mobilização do canteiro de obras de Angra 3, de forma que a construção da usina possa ser reiniciada ainda em 2021. Entre as principais medidas que constam no Plano de Aceleração do Caminho Crítico está a conclusão da superestrutura de concreto do edifício do reator de Angra 3. Além disso, será feita uma parte importante da montagem eletromecânica, que inclui o fechamento da esfera de aço da contenção e a instalação da piscina de combustíveis usados, da ponte polar e do guindaste do semipórtico. O índice atual de conclusão da construção de Angra 3 é de 65%. A Eletronuclear prevê que a usina entre em operação em novembro de 2026. 

Divulgação Abdan – Foto – Abdan -

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Angra 2 volta a operar, depois de parada para a troca de combustível (urânio enriquecido): 58 empregados apresentaram contaminação por coronavirus

 


Desligada para a troca de combustível (urânio enriquecido) no dia 6 de junho, a usina nuclear Angra 2 voltou a operar nesta quinta-feira (22/7). Segundo a Eletronuclear, a unidade foi sincronizada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) às 5h46. Quatorze empregados que trabalharam na parada apresentaram covid-19, o que representa em torno de 3% do total. Entre os terceirizados, foram registrados 44 casos no período, o que equivale a cerca de 4% do número de contratados. 

Assim como em 2020, o escopo da parada foi reduzido ao mínimo necessário para evitar a disseminação do coronavírus, informou a empresa. Por isso, foram contratados apenas 770 profissionais brasileiros e 70 estrangeiros, volume que está cerca de 30% abaixo do que é tipicamente praticado. No total, foram realizadas 4.193 atividades. Juntando todos os trabalhadores da parada, essa porcentagem ficou em 3,8%, o que representa uma melhoria em relação à última, de Angra 1, realizada no início desse ano, e à de Angra 2, em 2020. 

CRISE HÍDRICA - 

O presidente da Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, disse que a empresa superou complexos desafios: “Conseguimos sincronizar Angra 2 ao sistema interligado dois dias antes do prazo acordado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico. A operação da usina vai ser essencial para ajudar o país a mitigar os efeitos da crise hídrica atual”, comentou. 

Segundo ele, para diminuir ao máximo o risco de contaminação pelo coronavírus dos profissionais envolvidos, a Eletronuclear adotou uma série de medidas de segurança sanitária. Além disso, todos os contratados passaram por um treinamento especial sobre os protocolos implementados pela companhia, além de receber uma cartilha com procedimentos a serem cumpridos.

Leia mais sobre Angra 2 e usinas nucleares no BLOG. 

FOTO: Trabalhadores em Angra 2 - Eletronuclear. 


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