segunda-feira, 17 de maio de 2021

Governo cria órgão fiscalizador nuclear federal; exceto para programa da Marinha visando enriquecimento de urânio e submarino atômico

 


O presidente Jair Bolsonaro acaba de criar a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), órgão para monitorar, regular e fiscalizar as atividades que usam tecnologia nuclear no Brasil, decisão que vinha sendo anunciada desde agosto de 2019. A Medida Provisória (MP- 1.049) foi publicada na edição de hoje (17/05) do Diário Oficial da União. A Autarquia não está vinculada a nenhum ministério. A fiscalização de embarcações nucleares, como submarinos e navios, está fora da MP-1049: ficará a cargo do Comando da Marinha, que desenvolve o projeto do submarino atômico desenvolvido pelo Centro Experimental de Aramar, em São Paulo, onde o Brasil dominou o ciclo do combustível, enriquecendo urânio a 20%, em 1987. Bolsonaro visitou Aramar em outubro de 2020.

As atribuições da nova Autoridade Nacional de Segurança Nuclear eram, até então, de responsabilidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o que durante décadas foi bastante contestado por ambientalistas e cientistas da área. A ANSN é autarquia federal, com patrimônio próprio, autonomia operacional e sede no do Rio de Janeiro, onde também funciona a CNEN, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). 

Segundo a MP-1049, entre as atribuições da nova empresa estão estabelecer normas sobre segurança nuclear e proteção radiológica, conceder autorizações para a transferência e o comércio de minerais radiativos, e controlar os estoques de material nuclear no País. Caberá também à ANSN licenciar operadores de reatores nucleares, as atividades de enriquecimento, processamento, industrialização e comércio de minerais nucleares e derivados, e até de pesquisas geológicas relacionadas a minerais nucleares. A autarquia será ainda responsável por aplicar sanções administrativas nos casos de infração às normas regulatórias. O texto da MP publicado no DOU detalhada essas sanções. 

A nova autarquia será formada a partir da cisão da CNEN, que também executa atividades de planejamento e pesquisa. De acordo com a literatura disponível sobre o assunto, a criação de um órgão regulatório específico para o setor já vem sendo discutida no governo federal desde a década de 1990, quando o Brasil assinou o Protocolo da Convenção de Segurança Nuclear, proposto pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O artigo 8º do protocolo prevê a “efetiva separação” entre as funções regulatória e as demais relacionadas ao setor nuclear. A ANSN será dirigida por uma diretoria colegiada, formada por um diretor-presidente e dois diretores, todos nomeados em ato do presidente da República. A MP prevê que a criação da ANSN não provocará aumento de despesas para o governo. 

O quadro de pessoal virá da CNEN. São 922 cargos efetivos, incluindo os que hoje estão vagos por falta de concurso público. De acordo com a MP- 1049, a receita da autarquia virá, principalmente, da taxa de licenciamento, controle e fiscalização de materiais nucleares e suas instalações (conhecida como TLC), hoje cobrada pela CNEN, e das multas a serem aplicadas a quem infringir as normas regulatórias. O valor das multas foi fixado entre R$ 5 mil e R$ 100 milhões, e será aplicado com base na situação econômica do infrator, conforme a MP-1049. FOTO: Aramar - Comando em defesa.

Angra 3: adiada a data de abertura das propostas para a retomada das obras

 


Foi adiada para o dia 29 de junho a abertura das propostas para a retomada das obras civis e montagem eletromecânica da usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis, em sessão pública prevista inicialmente para ocorrer nesta quinta-feira (20/5). A informação sobre o adiamento é da Eletronuclear. Segundo a empresa, subsidiária da Eletrobras, a postergação atende à solicitação de diversas empresas interessadas em participar, que alegam necessitar de mais tempo para a elaboração de suas propostas. 

O prazo também permitirá que a Eletronuclear “incorpore ao edital melhorias identificadas durante o processo e faça uma reavaliação do orçamento, tendo em vista o aumento real dos preços dos insumos para a construção civil ocasionado, em parte, pela pandemia da covid-19”. A Eletrobras prevê investir R$ 2,5 bilhões no projeto este ano, dos quais R$ 850 milhões já foram aportados durante o primeiro trimestre. Angra 3 já consumiu R$ 7 bilhões e precisa de outros R$ 15 bilhões para ser concluída e inaugurada em 2026. 

O principal caminho aberto para a retomada das obras de Angra 3 começou no dia 25 de fevereiro, quando a Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras, publicou o edital no Diário Oficial da União, para a contratação da empresa, cujo nome deverá ser divulgado na próxima semana. O objetivo é adiantar algumas atividades de construção antes mesmo de se contratar a empreiteira que irá empreender a obra global e concluirá a construção da usina. 

A história da usina começou nas décadas de 70 e 80, época do apogeu da energia nuclear no Brasil, por conta das pressões e dos boicotes norte-americanas contra o país. Angra 3 é fruto do acordo nuclear Brasil-Alemanha, assinado pelo presidente Ernesto Geisel, em Bom, no dia 27 de junho de 1975. O mundo nuclear não era para principiantes e envolvia grandes jogadas: depois de vender Angra 1 para o Brasil, os EUA se negaram a fornecer o combustível (urânio enriquecido) para alimentar o reator fabricado pela norte-americana Westinghouse. 

Diante da crise, o Brasil fez a compra da África do Sul, enquanto o nacionalismo fervilhava. Cientistas defendiam que o Brasil deveria projetar o seu próprio reator comercial, mas foram vencidos.  O acordo estava assinado pelo general Geisel. Dados oficiais informam que as obras civis de Angra 3 tiveram início em 1984; sendo interrompidas em 1986. Nesse período, foram realizados cortes na rocha, abertura de cavas para a colocação de blocos de fundação e a preparação parcial do sítio. O governo também executou instalações parciais de infraestrutura do canteiro de obras. O material procedente da escavação foi utilizado para a construção do molhe de proteção da Baia de Itaorna, em frente à central nuclear de Angra. 

A Eletronuclear reconhece que a paralisação das obras de Angra 3 ocorreu por fatores políticos e econômicos, principalmente nas décadas de 1980 e 1990. Só depois da entrada em operação de Angra 2 – a primeira usina o acordo com a Alemanha – a construção de Angra 3 voltou à pauta. Problemas diversos foram entravando a continuidade das obras, que se arrastaram até 2015. O ano de 2015 marcou a mais recente parada das obras da usina, após denúncias de corrupção do então presidente da Eletronuclear, contra-almirante Othon Luiz Pinheiro, que acabou sendo preso. Até o ex-presidente da República, Michel Temer, e executivos da estatal, acusados de corrupção, também foram presos. Todos soltos, depois. 

PRIMEIRO CONCRETO - 

Em outubro será colocado o primeiro concreto – marco da retomada das obras de Angra 3. A contratação da empreiteira está prevista para o segundo semestre de 2022. Por fim, a entrada em operação programada para 2026. A Sociedade Angrense de Proteção Ambiental (SAPÊ) lamenta a falta de diálogo com   moradores e comunidades indígenas, originais daquelas terras. 

Angra 3 terá capacidade para gerar 1.350 Megawatts (MW), quando funcionar 100% sincronizada ao Sistema Integrado Nacional SIN), e que poderá atender ao consumo de uma cidade de 2 milhões de habitantes, como Belo Horizonte. Ambientalistas alertam sobre os perigos de acidentes radiativos, que provocaram milhares de mortes em todo o mundo. A Eletronuclear anuncia a contratação de sete mil empregos e garante a segurança da usina. 

Leia no Blog diversas matérias sobre Angra 3 e as usinas nucleares – 

Foto: Angra 3 – Acervo Eletronuclear.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Angra 3: propostas para a retomada das obras serão abertas quinta-feira (20/5)

 


As propostas para a retomada das obras civis e montagem eletromecânica da usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis, serão abertas em sessão pública prevista para ocorrer na próxima quinta-feira (20/5). A informação foi divulgada hoje (13/5), pelo presidente da Eletrobras, Rodrigo Limp, durante teleconferência com analistas. 

A Eletrobras prevê investir R$ 2,5 bilhões no projeto este ano, dos quais R$ 850 milhões já foram aportados durante o primeiro trimestre. Angra 3 já consumiu R$ 7 bilhões e precisa de outros R$ 15 bilhões para ser concluída e inaugurada em 2026. 

O principal caminho aberto para a retomada das obras de Angra 3 começou no dia 25 de fevereiro, quando a Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras, publicou o edital no Diário Oficial da União, para a contratação da empresa, cujo nome deverá ser divulgado na próxima semana. 

O objetivo é adiantar algumas atividades de construção antes mesmo de se contratar a empreiteira que irá empreender a obra global e concluirá a construção da usina. A história da usina começou nas décadas de 70 e 80, época do apogeu da energia nuclear no Brasil, por conta das pressões e dos boicotes norte-americanas contra o país. 

Angra 3 é fruto do acordo nuclear Brasil-Alemanha, assinado pelo presidente Ernesto Geisel, em Bom, no dia 27 de junho de 1975. O mundo nuclear não era para principiantes e envolvia grandes jogadas: depois de vender Angra 1 para o Brasil, os EUA se negaram a fornecer o combustível (urânio enriquecido) para alimentar o reator fabricado pela norte-americana Westinghouse. Diante da crise, o Brasil fez a compra da África do Sul, enquanto o nacionalismo fervilhava. Cientistas defendiam que o Brasil deveria projetar o seu próprio reator comercial, mas foram vencidos.  O acordo estava assinado pelo general Geisel. 

Dados oficiais informam que as obras civis de Angra 3 tiveram início em 1984; sendo interrompidas em 1986. Nesse período, foram realizados cortes na rocha, abertura de cavas para a colocação de blocos de fundação e a preparação parcial do sítio. O governo também executou instalações parciais de infraestrutura do canteiro de obras. O material procedente da escavação foi utilizado para a construção do molhe de proteção da Baia de Itaorna, em frente à central nuclear de Angra. 

A Eletronuclear reconhece que a paralisação das obras de Angra 3 ocorreu por fatores políticos e econômicos, principalmente nas décadas de 1980 e 1990. Só depois da entrada em operação de Angra 2 – a primeira usina o acordo com a Alemanha – a construção de Angra 3 voltou à pauta. Problemas diversos foram entravando a continuidade das obras, que se arrastaram até 2015. 

O ano de 2015 marcou a mais recente parada das obras da usina, após denúncias de corrupção do então presidente da Eletronuclear, contra-almirante Othon Luiz Pinheiro, que acabou sendo preso. Até o ex-presidente da República, Michel Temer, e executivos da estatal, acusados de corrupção, também foram presos. Todos soltos, depois. 

PRIMEIRO CONCRETO - 

Em outubro será colocado o primeiro concreto – marco da retomada das obras de Angra 3. A contratação da empreiteira está prevista para o segundo semestre de 2022. 

Por fim, a entrada em operação programada para 2026.

 A Sociedade Angrense de Proteção Ambiental (SAPÊ) lamenta a falta de diálogo com   moradores e comunidades indígenas, originais daquelas terras. Angra 3 terá capacidade para gerar 1.350 Megawatts (MW), quando funcionar 100% sincronizada ao Sistema Integrado Nacional SIN), e que poderá atender ao consumo de uma cidade de 2 milhões de habitantes, como Belo Horizonte. 

Ambientalistas alertam sobre os perigos de acidentes radiativos, que provocaram milhares de mortes em todo o mundo. A Eletronuclear anuncia a contratação de sete mil empregos e garante a segurança da usina. 

Leia no Blog diversas matérias sobre Angra 3 e as usinas nucleares – 

Foto: Angra 3 – Acervo Eletronuclear.

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Ministério Público Federal acolhe recurso contra transferência de combustível usado (urânio) de Angra 1 e Angra 2 para Unidade de Armazenamento a Seco (UAS)

 


O Ministério Público Federal, através do procurador Regional da República, Newton Penna, acaba de acolher o recurso impetrado pela Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (SAPÊ), para que a Eletronuclear não realize a transferência dos elementos combustíveis irradiados (urânio usado) das usinas Angra 1 e Angra 2, para a Unidade de Armazenamento a Seco (UAS), em Angra dos Reis, na Costa Verde do Estado. “A má gestão da política nuclear levou à situação crítica ora vivenciada “, declarou o procurador. 

Sobre os argumentos da SAPÊ de que o empreendimento foi realizado sem debate público e o conhecimento dos habitantes nativos da região, o procurador foi taxativo: “Não é justo, nem lícito, que as comunidades tradicionais paguem um preço alto pelas escolhas equivocadas da política nuclear governamental”.  Ele reconheceu a legitimidade da SAPÊ, lembrando que a entidade existe desde 1983, portanto, há 38 anos, tendo em seus objetivos estatutários a proteção do meio ambiente. 

A Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras, gestora das usinas e da UAS, iniciou a transferência no último dia 5/4, porque conseguiu revogar a decisão inicial impeditiva. Segundo a Eletronuclear, as piscinas das usinas que armazenam o combustível usado estão quase esgotadas e a paralisação poderia obrigar a empresa a ter que desligar as unidades atômicas. 

A necessidade de transferência do material radioativo para a UAS, “não pode ser feita com atropelo ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural da cidade”, afirmou o procurador. 

Caberá ao Tribunal Regional Federal, da 2ª Região, do Rio de Janeiro, a decisão final sobre o caso, iniciado no ano passado, quando o Ministério Público Federal, através do procurador Igor Miranda, em ação civil pública, argumentou que o local não é seguro e que não está descartada a possibilidade de ocorrer acidente com radiação na instalação. 

A ação inicial tentou proibir a transferência do combustível. Enquanto isso, as obras continuavam, sob a aprovação do Instituto de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ao blog, o Ibama informou que a UAS “não é um novo empreendimento, mas sim, uma parte do processo de licenciamento ambiental” da Central Nuclear de Angra. A UAS, segundo o Ibama, consiste em “estrutura auxiliar” das duas usinas, “conforme as demais estruturas existentes no local”. 

Para os diretores da SAPÊ, a UAS “não passa de um “puxadinho”, como disse a coordenadora Maria Clara Sevalho. Na avaliação do advogado da SAPÊ, Roberto Nucci Riccetto, o parecer do procurador Newton Penna, fortalece o recurso interposto pela SAPE, “já que evidencia o equívoco da decisão judicial de primeiro grau em autorizar a utilização da UAS sem a elaboração de estudo prévio de impacto ambiental – EIA/RIMA, como determina o art. 225, §1º, IV, da CF/88”. 

Assim, disse o advogado, “a falta de planejamento da Eletronuclear não pode colocar em risco o meio ambiente”. O departamento jurídico da Eletrobras/Eletronuclear apresentou documento com mais de 65 páginas contestando os argumentos da SAPÊ. 

Leia no BLOG as primeiras matérias sobre a UAS, desde 4 de agosto de 2018. 

FOTO: UAS - Acervo Eletronuclear.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

CNEN autoriza operação de única unidade de concentrado de urânio no Brasil

 


A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) acaba de renovar a autorização para a operação permanente da Unidade de Concentrado de Urânio (URA), em Caetité, na Bahia, por mais 24 meses. Administrada pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), a URA é a única em atividade no país, onde são realizadas as duas primeiras etapas do ciclo do combustível nuclear: mineração e o beneficiamento do minério, que resulta no produto chamado concentrado de urânio ou yellowcake

A URA estava com essas atividades paradas desde 2016. A unidade ocupa uma área de 1.700 hectares, na província mineral com recursos que chagam a 99,1 mil toneladas de urânio e onde estão identificados 17 depósitos minerais, segundo a INB. De 2000 a 2015, produziu 3.750 toneladas de concentrado de urânio a partir da extração a céu aberto de uma outra mina chamada Cachoeira, fechada em 2009, por falta de segurança. 

RESERVAS - 

O Brasil detém uma das maiores reservas de urânio do mundo. Já esteve em quinto lugar, mas no ranking da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), de 2017, caiu para nono, o que ainda é bem significativo. Porém, por falta de pesquisas, o país pode ter muito mais urânio do que se contabiliza. 

Atualmente, os recursos nacionais são estimados em 244.788 toneladas de concentrado de urânio (U3O8). Desse total, 32,5% estão localizados no município de Itataia, no estado do Ceará, e 40,6%, em Caetité, na Bahia. São duas grandes jazidas, também conhecidas como Províncias Uraníferas, nas quais há diversas áreas potenciais a serem exploradas. 

Na baiana Caetité, o governo quer começar logo os trabalhos na Mina do Engenho. Para isso, assinou recentemente contrato com a empresa Tracomal Terraplenagem e Construções Machado, para a prestação de serviços de lavra. As negociações para a mina do Engenho começaram em 2017, mas a INB terá que cumprir exigências da CNEN e do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). 

Já a mina cearense de Santa Quitéria, em Itataia, é outra história. Para tocar o projeto emperrado há décadas, a INB firmou parceria com a empresa privada Galvani. Juntas, montaram o Consórcio Santa Quitéria, para extrair urânio associado ao fosfato. O negócio deve começar até 2024, com previsão de produção de até 1.600 toneladas de yellow cake por ano, com a aplicação de tecnologia de separação de fosfato do urânio. 

As licenças estão em estudo pela CNEN e o Ibama, mas o ministro de Minas e Energia, Bento de Albuquerque, já se reuniu com as duas empresas que formam o consórcio, o que representa um aval para o novo modelo de negócio. Extração de urânio vale lembrar, ainda é monopólio da União. 

CICLO DO COMBUSTÍVEL - 

No ano passado, com investimentos de cerca de R$ 600 milhões foi inaugurada a 8ª cascata de ultracentrifugas (máquinas conectadas em série e paralelo, formando as chamadas cascatas).  Com a entrada em operação de mais uma cascata, a INB aumentou em 20% a produção de urânio enriquecido no país, sendo possível produzir 60% do necessário para abastecer a usina nuclear de Angra 1, no Complexo Nuclear de Angra dos Reis, na Costa Verde do estado do Rio de Janeiro. 

A 8ª cascata faz parte da 1ª fase de implantação da Usina de Enriquecimento de Urânio, prevista para ser concluída este ano, com a instalação da 9ª e 10ª cascatas. O presidente da INB, Carlos Freire Moreira, assinou contrato em novembro passado com a Amazônia Azul Tecnologias de Defesa (Amazul) para elaboração do detalhamento do projeto básico para ampliação da Usina de Enriquecimento de Urânio localizada na Fábrica de Combustível Nuclear, em Rezende (RJ). 

A implantação dessa 2ª fase contemplará três etapas. O contrato em questão abrange a Etapa 1 que consiste na instalação de 12 cascatas de ultracentrífugas. Quando estiver concluída essa etapa, a INB alcançará uma capacidade de enriquecimento de urânio que atenderá as necessidades de combustível nuclear das usinas de Angra 1 e   Angra 2. O governo planeja construir outras usinas no Nordeste. 

CRITICAS - 

O professor associado do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, doutor em Engenharia Mecânica, Célio Bermann, contesta a exploração das minas na Bahia e no Ceará. “Essas minas começaram a ser exploradas em 2000, até 2009, quando registraram pelo menos cinco acidentes que contaminaram parte dos rios e solo da região, de acordo com um relatório da Secretaria de Saúde daquele estado. Vários casos de câncer nos trabalhadores das minas foram notificados pelos serviços de saúde local, muito embora a relação causa-efeito com a exposição a material radioativo nunca tenha sido estabelecida”. 

Célio Bermann também coloca sob suspeição a intenção pacifica dos projetos e o objetivo econômico. “Essa não deve ser a razão de retomada, pois o preço do minério no mercado internacional não deixou de cair, notadamente após o acidente de Fukushima em março de 2011”, comenta. Em sua avaliação, a previsão de acréscimo de 10.000 MW nucleares anunciada pelo Ministério de Minas e Energia até 2050, envolvendo neste propósito a construção de uma central nuclear em Itacuruba, no estado de Pernambuco, às margens do Rio São Francisco, é mais um problema grave. “Aumentará os riscos de disponibilidade hídrica naquela região do semiárido nordestino, além das incertezas e riscos intrínsecos das usinas nucleares”. A usina de Itacuruba é uma das quatro que o governo intenciona construir no Nordeste. 

Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará fundaram o núcleo Tramas, para debater questões ambientais. Um dos focos é a mina do Consorcio Santa Quitéria, na jazida de Itataia. O pesquisador Rafael Dias Melo, do núcleo, apontou os riscos de contaminação do solo e dos recursos hídricos na região. “Ao longo dos anos, somente pela checagem de viabilidade, a parte do solo ao redor da jazida já estaria apresentando níveis de urânio acima do normal”, alertou. Ele também alerta sobre os problemas que serão provocados pela radiação aos moradores da região, “amentando a incidência de vários tipos de câncer, como o de pulmão”. 

O professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco, Heitor Scalambrini, engrossa a lista de pessoas renomadas, que contestam as ações do atual governo. “A diversificação da matriz elétrica se dá através das fontes como a solar, eólica, agroenergia, entre outras, fontes renováveis. Mas face a uma péssima informação, que muitas vezes é deliberadamente omitida para a sociedade; estamos diante de mais uma catástrofe que poderá acontecer no território nacional, diante das políticas que estão sendo implementadas, e que caminham contrárias aos interesses mais amplos da sociedade”, avisa Scalambrini, graduado em Física na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com mestrado em Ciências e Tecnologias Nucleares na UFPE, e doutorado na Universidade de Marselha/Comissariado de Energia Atômica-França. 

A Articulação Antinuclear Brasileira e da Coalização por um Brasil livre de Usinas Nucleares, reúne cerca de 30 entidades, que tem debatido em “lives”, por conta da pandemia, a posição contrária aos atuais projetos do governo. Prêmio Nobel Alternativo de 2006, o ativista e militante Chico Whitaker, faz parte do movimento. Whitaker prevê o crescimento do movimento, com a comprovação da viabilidade e importância do uso das energias alternativas.   

FOTO: URA - Acervo INB - 

terça-feira, 20 de abril de 2021

Usina nuclear Angra 3 depende de R$ 15 bilhões; retomada das obras avança em maio

 

 


A Eletronuclear deverá anunciar até maio o nome da empresa que retomará as obras civis (montagem e 
eletromecânica) da usina nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ), comprada no pacote do acordo Brasil-Alemanha, em 1975. O edital para a retomada foi divulgado no Diário Oficial da União no dia 25 de fevereiro. A previsão é de que Angra 3 será inaugurada em novembro de 2026. 

A usina já consumiu R$ 7 bilhões e precisa de R$ 15 bilhões para ser concluída. Por conta de Angra 3, as dívidas do governo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal (CEF) chegam a R$ 6,6 bilhões.

 A Eletrobras aprovou no final da última semana a emissão de R$ 2,7 bilhões em debêntures simples para a usina, como tem sido anunciado pela estatal. A emissão total de 2,7 milhões de títulos terá distribuição pública em duas séries: a primeira envolvendo 1,2 milhão e a segunda 1,5 milhão. 

Segundo nota divulgada pela Eletrobrás, os recursos captados serão utilizados para reforço de caixa no curso ordinário dos negócios da estatal, e a segunda parcela será destinada exclusivamente para “pagamentos futuros ou reembolso de gastos, despesas ou dívidas relacionadas à implantação da Usina Termonuclear Angra 3”. 

O lançamento do edital integra o plano de aceleração do caminho crítico da usina. O objetivo é adiantar algumas atividades de construção antes mesmo de se contratar a empreiteira que irá empreender a obra global e concluirá a construção da planta. Com isso, o primeiro concreto – marco da retomada das obras de Angra 3 – deve ser lançado em outubro. A contratação da empreiteira que dará sequência à obra está prevista para o segundo semestre de 2022.  O progresso físico global atual do empreendimento é de 65%. 

Angra 3 e as futuras usinas vão estar em discussão na Agenda do XII Seminário Internacional de Energia Nuclear (SIEN 2021), marcado para os dias 25, 26 e 27 de agosto. O evento deverá ser “online” devido à incerteza com relação à evolução do programa de vacinação contra a COVID-19 no País.  

FOTO: Angra 3 - acervo Eletronuclear -

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Usina nuclear Angra 1 será desligada neste sábado para a troca de combustível (urânio enriquecido); empresas nacionais e internacionais são contratadas para trabalhos diversos com 600 profissionais brasileiros e estrangeiros


A usina nuclear Angra 1, em Angra dos Reis (RJ), será desligada neste sábado (17/4) para a troca de combustível (urânio enriquecido). A Eletronuclear, gestora das usinas, informou que a unidade ficará desconectada do Sistema Interligado Nacional (SIN), durante 35 dias. A usina, que começou a operar em 1985, passará também por inspeções visando à extensão da vida útil por mais 20 anos. 

No total, 2.904 tarefas foram programadas para o período. Para executá-las, a empresa contratou firmas nacionais e internacionais, que estão disponibilizando aproximadamente 600 profissionais, sendo 30 estrangeiros, para atuar em conjunto com os técnicos da Eletronuclear. A empresa não informou o valor das despesas. 

Por conta da COVID-19, uma série de medidas foram tomadas, como ações de comunicação, treinamento e conscientização do pessoal contratado e próprio, além de reforço em relação à importância do distanciamento social (refeições em horário escalonado, reuniões por meio de videoconferência, demarcação no piso de acesso, etc.). Todas essas ações foram compiladas em uma cartilha, que foi disponibilizada para os profissionais envolvidos na parada. 

As paradas de reabastecimento ocorrem, aproximadamente, a cada 14 meses e são programadas com pelo menos um ano de antecedência, levando-se em consideração a duração do combustível nuclear e as necessidades do SIN. 

FOTO: Angra 1 - acervo Eletronuclear. 

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