A mineradora australiana Meteoric Resources afirmou ao Blog em nota ontem à noite que recebeu da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), autarquia vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), o aval sobre a isenção da empresa no que se refere a níveis da radioatividade em suas instalações em Poços de Caldas (MG). No dia 3/9, a o Ministério Público Federal, através da Procuradoria da República no município de Divinópolis (MG), se posicionou favorável à suspensão dos processos de licenciamento ambiental número 634/2024, das empresas australianas Viridis e Meteoric, visando à exploração e o beneficiamento de terras raras, até que a ANSN, conclua a fiscalização e ateste se os níveis de radioatividade estão dentro dos limites de segurança, em Ação Civil Pública envolvendo os municípios de Caldas, Poços de Caldas e Andradas (MG). Em seminário recente sobre terras raras, dois geólogos do CDTN, da CNEN, afirmaram que as licenças ambientais das empresas deveriam ser canceladas. (Leia aqui)
Em nota, esta semana, a Meteoric afirmou que não tem problemas de radioatividade, visto que a ANSN realizou no dia 16 de junho de 2026, “inspeção regulatória nas instalações da Planta Piloto da Meteoric em Poços de Caldas, avaliando o processo operacional, fazendo medições de radioatividade e coletando amostras para análises químicas e radiológicas”. Após esta avaliação, segundo a Meteoric, a ANSN emitiu relatório conclusivo classificando a instalação como isenta de controle regulatório, de acordo com os critérios estabelecidos pela Norma ANSN 4.01, uma vez que as amostras analisadas apresentaram radioatividade total menor que 10 Bq/g.”
Na avaliação da mineradora, “o relatório técnico da ANSN encerra a discussão sobre a questão radiológica, atestando que não há risco de radioatividade associada às atividades desenvolvidas atualmente pela Meteoric e planejadas para serem executadas no âmbito do Projeto Caldeira”. A Meteoric declarou que “respeita a atuação institucional do Ministério Público e considera legítimo o acompanhamento dos órgãos de controle. Entretanto, informações técnicas atualizadas são relevantes para a adequada análise das questões levantadas no processo, como por exemplo, a manifestação definitiva da ANSN emitida no final de agosto”. A manifestação do MPF, por meio da Procuradoria da República, foi divulgada no dia 7/9, por entidades que integram a ACP.
VIRIDIS TAMBÉM SE DEFENDE -
A Viridis informou, a ANSN realizou fiscalização completa no centro de pesquisa e processamento de terras raras (CPTR) da mineradora, com levantamento radiométrico, medição das taxas de exposição à radiação gama e coleta de amostras em seis pontos do processo produtivo. O parecer conclusivo foi que a instalação é isenta de controle regulatório radiológico”, defende a empresa australiana. Na ação civil pública, os requerentes sustentam que “não foi feita a necessária consulta prévia, livre e informada, aos povos e comunidades tradicionais que vivem nas regiões afetadas; há violações da competência federal em razão do risco radioativo do empreendimento, do vício de competência hidrográfica e da existência de impactos interestaduais.
ANSN TEM EXIGÊNCIAS PARA SE MANIFESTAR -
O Blog recebeu a informação sobre a ACP no final da noite de 7/9 e desde então vem tentando contato com a ANSN. “Em relação à demanda, registramos que a ANSN não foi procurada para se manifestar antes da publicação da matéria. Nesse contexto, reiteramos nosso entendimento de que um eventual posicionamento posterior, dissociado da apuração que à antecedeu, não contribuiria de forma adequada para a compreensão da questão”, informou a ANSN.
Contribuiria sim, pois trata-se de um caso que mobiliza milhares de moradores, apenas 60 mil, no bairro conhecido como Zona Sul.
As atividades das empresas australianas têm sido alvo constante de denúncias e críticas de entidades civis, parlamentares federais, como a deputada Duda Salabert; estaduais, como Bella Gonçalves e Beatriz Cerqueira, municipais, ambientalistas. Moradores têm se manifestado nas redes sociais e em diversas reportagens veiculadas por muitos veículos de comunicação.
Há cerca de 60 dias em seminário sobre Terras Raras em Poços de Caldas, a deputada federal Duda Salabert reuniu moradores e entidades civis, além de representantes do governo estadual e federal. No evento, geólogos do Centro de Desenvolvimento Tecnológico Nuclear (CDTN), da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), defenderam o cancelamento das licenças das duas empresas, apresentando importantes argumentos, conforme o Blog publicou. São contradições que mereciam explicações dos órgãos que atuam na fiscalização, diante do medo que a população tem manifestado.
ENTIDADES NA ACP
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