quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Submarino nuclear: Nuclep conclui etapa do projeto iniciado há décadas que o presidente Lula prometeu realizar

 

A NUCLEP concluiu nesta quarta-feira (9/9), seu escopo na fabricação da Seção de Qualificação do Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA), uma das etapas técnicas necessárias à construção do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear, no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), da Marinha do Brasil. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu conseguir recursos no orçamento para concluir o projeto do primeiro submarino nuclear brasileiro, iniciado há cerca de 40 anos. O presidente fez a promessa na quarta-feira (19/8) ao discursar durante a segunda visita oficial no Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), em Iperó, São Paulo, onde o Brasil enriquece urânio e desenvolve o projeto atômico, que inseriu o país no seleto clube do átomo, na década de 80. 

Na ocasião, Lula disse que o submarino faz parte do projeto nuclear pacifico do Brasil, que tem acordo com a França desde 2009. O presidente lembrou que em 2007, quando visitou Aramar, prometeu e conseguiu liberar R$ 1,4 bilhão para o projeto. Mas depois, questões no orçamento impediram os avanços do projeto, entre outros, como o desenvolvimento de turbinas da Aeronáutica também, em 2010. A paralisação dos projetos prejudica estudantes de engenharia que acabam se formando e deixando o Brasil atraídos por empregos no exterior, reconhece Lula. 

Diretamente, ele disse a Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que o os projetos precisam também do Banco. O presidente comentou que as tecnologias em Aramar refletem décadas de investimentos técnicos, científicos e de capacitação profissional orientados pela Estratégia Nacional de Defesa, que não podem ser perdidas. Durante a visita foi destacado que esse domínio tecnológico é estratégico para a indústria e o desenvolvimento científico do país, com o submarino desempenhando papel importante na proteção do mar territorial e na soberania nacional. 

Lula disse que o submarino faz parte do projeto nuclear pacifico do Brasil, que tem acordo com a França desde 2009, quando ele e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, assinaram um acordo histórico para viabilizar o empreendimento atômico. Conforme amplamente divulgado na época, tratava-se de acordo de transferência de tecnologia para fabricação do submarino, sem envolver a tecnologia nuclear. O projeto caminha na base naval em Itaguaí (RJ). 

NUCLEP - 

Conforme a Nuclep informou nesta quarta-feira (9/9) a Seção de Qualificação funciona como uma representação de parte do casco resistente do futuro submarino. Ela é construída antes das seções definitivas para comprovar que materiais, processos de soldagem, equipamentos e profissionais atendem aos rigorosos requisitos técnicos exigidos pelo projeto. A estrutura não fará parte do submarino final, mas sua fabricação é essencial para atestar que a indústria está qualificada para construí-lo, informou a empresa. 

“A conclusão dessa etapa reforça uma competência desenvolvida pela NUCLEP ao longo de décadas na construção naval militar brasileira”. A empresa participou da fabricação de cascos resistentes de submarinos das classes Tupi e Tamoio e, no PROSUB, dos quatro submarinos convencionais da Classe Riachuelo: Riachuelo, Humaitá, Tonelero e Angostura. Para o presidente da NUCLEP, Adeilson Telles, o marco representa a preservação de um conhecimento estratégico para o país. 

“O Brasil levou décadas para formar profissionais, desenvolver tecnologia e construir uma capacidade industrial apta a participar de um projeto dessa complexidade. A conclusão da Seção de Qualificação mostra que esse conhecimento está no país e precisa ser preservado. Para a NUCLEP, é mais um marco de uma trajetória diretamente ligada à construção dos submarinos brasileiros. Para o Brasil, representa avanço em autonomia tecnológica, Defesa e soberania nacional”, afirma. A participação da NUCLEP no futuro SNCA também está ligada ao Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE), protótipo terrestre, em escala real, da planta de propulsão nuclear, visitada pelo presidente Lula. Em Aramar, a Nuclep participa da fabricação do Bloco 40, estrutura que abriga o reator nuclear e sistemas associados, e já concluiu uma importante fase desse fornecimento.

“Nossa empresa atua, assim, em duas frentes diretamente relacionadas ao futuro submarino: no desenvolvimento da tecnologia de propulsão nuclear em terra, por meio do LABGENE, e na qualificação dos processos industriais necessários à construção do casco resistente”. Segundo o engenheiro Vinícius Leone, gerente do contrato, a conclusão da etapa confirma a capacidade técnica desenvolvida para o programa. 

“Com a conclusão da Seção de Qualificação e os avanços obtidos no Bloco 40, a NUCLEP reafirma sua posição como um dos principais ativos tecnológicos da Base Industrial de Defesa brasileira, contribuindo diretamente para a preservação de competências críticas, para o fortalecimento da soberania nacional e para a continuidade de um projeto que colocará o Brasil entre o seleto grupo de nações detentoras da tecnologia de construção e operação de submarinos com propulsão nuclear," destaca. Com a entrega, comentou, “ampliamos nossa contribuição ao PROSUB e consolidamos nossa experiência em projetos estratégicos para a Base Industrial de Defesa, reunindo capacidade fabril, engenharia especializada e conhecimento aplicado ao desenvolvimento da autonomia tecnológica brasileira´. 

(FOTOS – GOVERNO FEDERAL – NUCLEP) – 

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