segunda-feira, 8 de junho de 2026

Presidente interino da INB fala sobre "investimentos estratégicos" do Brasil a empresários nos EUA

 


O advogado Tomás Antônio Albuquerque de Paula Pessoa Filho, presidente interino da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), do Ministério de Minas e Energia (MNE), foi convidado para integrar uma mesa-redonda sobre “investimentos estratégicos”, organizada em maio pelo Business Council for International Understanding (BCIU), para dialogar com a estatal brasileira e executivos do mercado de minerais críticos e da cadeia de combustível nuclear.

O que os norte-americanos podem oferecer ao Brasil, enquanto o presidente Donald Trump ameaça o país com a cobrança de duras tarifas comerciais e deixa claro que o seu interesse é pelas terras raras brasileiras, participando inclusive dos negócios em torno da compra da mineradora Serra Verde, em Goiás, comentou um especialista do setor. “Não houve qualquer anúncio de parceria entre a INB e o Governo dos Estados Unidos. O que houve foi uma reunião institucional entre os presidentes dos dois países”, respondeu a INB, provavelmente trocando os presidentes de países (Brasil e EUA), por presidentes da INB e outras organizações. 


A INB não divulgou sequer uma declaração dos integrantes da missão. O que teriam colocado à mesa para a INB? Segundo a INB, durante a mesa redonda, Tomas Albuquerque apresentou “o papel estratégico do ciclo do combustível nuclear brasileiro e a parceria com a Westinghouse”; empresa que vendeu ao Brasil o reator de Angra 1, na década de 70, sem o combustível (urânio enriquecido); e que nos últimos cinco anos participa do projeto de expansão da vida útil da usina por mais 20 anos. 

Na reunião, Tomas Albuquerque, abordou as perspectivas de expansão do setor nuclear no país diante das metas previstas no Plano Nacional de Energia (PNE) 2050: daqui a mais de 20 anos. ”Foi uma oportunidade de apresentar o que é a INB, nossa parceria de décadas com a Westinghouse, além das mudanças legais e regulatórias que vêm ocorrendo no Brasil e a perspectiva de ampliação da participação da geração nucleoelétrica na matriz energética brasileira”, afirmou. 

PREPARAÇÃO ANTECIPADA - 

Segundo o presidente interino da INB, a revisão da meta do PNE 2050, que elevou de 10 para 14 gigawatts a previsão de geração nucleoelétrica, exigirá uma preparação antecipada da cadeia produtiva nacional para atender à futura demanda energética. “Hoje atendemos apenas dois reatores. Se imaginarmos uma geração de 14 gigawatts, precisaremos de mais 12 reatores. Isso exige que a INB se prepare desde já, ampliando sua área de mineração e aumentando a produção para algo em torno de três mil toneladas de urânio por ano”, previu. O BCIU é uma organização sem fins lucrativos, apartidária e sediada nos EUA, que promove diálogos focados em resultados entre governos, instituições multilaterais, empresas e outras partes interessadas, informou a INB. 

PRODUÇÃO NACIONAL DO URÂNIO - 

Tomás Albuquerque também participou de reunião com representantes da Westinghouse Electric Company, para discutir a ampliação da parceria estratégica entre as duas empresas diante das perspectivas de crescimento do setor nuclear brasileiro previstas no PNE 2050. Tomás Albuquerque disse que a reunião teve como foco fortalecer a cooperação entre a Westinghouse e a INB para viabilizar a expansão da cadeia produtiva do combustível nuclear no Brasil, necessária para atender ao aumento projetado da geração nucleoelétrica na matriz energética nacional. 

De acordo com Tomás, alcançar a meta do PNE 2050 exigirá um crescimento significativo da produção nacional de urânio. Participaram da reunião Kevin Askew, diretor de Soluções do Combustível Nuclear da Westinghouse; Chris Wagener, vice-presidente de Combustível Nuclear para as Américas; Stephen McKinney, vice-presidente de Mercado para as Américas; David Chan, vice-presidente de Mercado para a América Latina; e João Gonçalves, diretor técnico da Inframinerals. A Westinghouse Electric Company é uma das principais empresas globais do setor nuclear, com atuação em tecnologias para geração de energia, combustível nuclear e serviços para usinas nucleares. A empresa desenvolve tecnologias como o reator AP1000, utilizado em projetos nos Estados Unidos e na China, além de iniciativas em países como Polônia, Ucrânia e Bulgária.

ORIGEM NA POLÍTICA - 

Tomás Albuquerque, advogado, vem de família com forte tradição política no estado do Ceará. Ele é filho do ex-prefeito de Santa Quitéria, Tomás Figueiredo, e da ex-deputada estadual Cândida Figueiredo. Além disso, ele é neto do ex-deputado estadual Chico Figueiredo. Em Santa Quitéria, a INB desenvolve um projeto de extração de urânio e fosfato, em parceria om a Galvani, empresa privada. 

ESTADO DE GREVE - 

Desde a semana passada os empregados da INB estão em estado de greve, anunciado por lideranças sindicais da empresa. Eles temam ficar sem os seus salários, por conta de atrasos constantes de pagamentos da Eletronuclear à INB, que produz o combustível para as usinas Angra 1 e Angra 2, em funcionamento. A usina Angra 3 continua com as obras paradas. Na bolsa de a postas do setor nuclear, o comentário é de que a decisão sobre a retomada ou não das obras virá após as eleições. 

(FOTOS: INB) – 

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Um comentário:

  1. Tania sempre comunicando com rigor jornalístico. Em que outro veículo somos informados sobre energia nuclear? essa área tão importante, não só para a geração de energia, mas também para a produção de radiofármacos, essenciais para o diagnóstico e tratamento de câncer em hospitais de todo o país e para a agricultura e alimentação, com uso de radiação gama para esterilização de alimentos, combatendo pragas e aumentando o tempo de conservação para exportação. Viva Tania.

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