terça-feira, 3 de setembro de 2024

BNDES entrega estudo final com estimativas de custos para a conclusão ou não de Angra 3.

 


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entregou nesta terça-feira (3/9) a Eletronuclear o estudo de viabilidade sobre a usina nuclear Angra 3, cujas obras foram iniciadas em 1984. Segundo a Eletronuclear, estima-se que o custo para abandonar as obras de Angra 3 pode passar de R$21 bilhões, sem gerar energia elétrica. Já o custo para finalizar a construção foi avaliado em torno de R$23 bilhões. O montante já investido na obra é de quase R$12 bilhões. A expectativa é que a usina entre em operação comercial em 2031, se o governo bater o martelo pela conclusão das obras.

O estudo apresenta a viabilidade técnica, econômica e jurídica do projeto, e será enviado ao Ministério de Minas e Energia (MME) e aos acionistas (ENBPar e Eletrobras) no mesmo dia e, em seguida, o MME deverá encaminhar para o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que decidirá pela conclusão ou não da usina. A tarifa proposta no estudo está estimada em R$653,31 por megawatt-hora (MWh), valor similar à tarifa de referência definida pelo CNPE em 2018 (R$480,00, que atualmente correspondem a R$639,00). 

“O estudo identificou também que cerca de R$800 milhões em equipamentos de Angra 3 foram utilizados por Angra 2. Da mesma forma, entre R$500 milhões a R$600 milhões em combustível nuclear foram utilizados pela segunda usina brasileira, e tinham sido inicialmente comprados para a terceira. Por isso, aproximadamente R$1,4 bilhão será reembolsado pelo próprio caixa de Angra 2. Tal fato impacta positivamente a competitividade tarifária de Angra 3”, informou a Eletronuclear. 

Segundo a companhia, seguem algumas dívidas, por conta da desistência de continuar a usina; o que implicaria em um custo de cerca de R$21 bilhões, divididos da seguinte forma, com valores aproximados: R$9,2 bilhões para quitar financiamentos já existentes com a Caixa Econômica Federal (CEF) e o BNDES, incluindo multas e penalidades decorrentes da não conclusão da obra; R$2,5 bilhões para a rescisão de contratos firmados e suas respectivas penalidades; R$1,1 bilhão para a devolução de incentivos fiscais recebidos na importação e aquisição de equipamentos;  R$940 milhões em desmobilização da obras já realizada;R$7,3 bilhões de custo de oportunidade de capital investido. 

Com a sua finalização, a obra será financiada pela própria Eletronuclear junto a um consórcio de bancos, sem informar quais. Angra 3 fez parte do pacote do acordo nuclear Brasil-Alemanha, assinado em 1975, pelo general Ernesto Geisel. Iniciadas em 1984, as obras foram diversas vezes paralisadas. Terá potência de 1.405 megawatts, sendo capaz de produzir cerca de 12 milhões de MWh anuais. Com a conclusão de Angra 3, a Central Nuclear de Angra passará a gerar o equivalente a 70% do consumo do estado do Rio de Janeiro. 

(FOTO: ELETRONUCLEAR ) – 

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segunda-feira, 2 de setembro de 2024

INB omite informações sobre barragens em Caldas (MG): a BAR está em nível de alerta e a D4, de emergência. O dano potencial associado é alto

 


A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) omitiu ao público informações relevantes sobre a verdadeira situação da Barragem de Rejeitos (BAR) no município de Caldas (MG). Segundo a INB, a barragem teve o seu nível de emergência retirada pela Agência Nacional de Mineração (ANM), levando a população a acreditar que não há mais nenhum problema no local. O fato é que a ANM alterou o enquadramento da Barragem de Nível de Emergência 1 (NE1) para Nível de Alerta. Já a Barragem D4, continua em nível de emergência.  

Apesar de diversas melhorias, a ANM admite que ambas permanecem com “Dano Potencial Associado alto”. 


Segundo a ANM, a alteração foi fundamentada uma vez que a estabilidade da estrutura foi atestada por dois auditores externos na Inspeção de Segurança Regular do 1º ciclo de 2024 e na Revisão Periódica de Segurança de Barragens (RPSB) realizadas pelas empresas VTB Engenharia e WN Engenharia, respectivamente informou a ANM. A última vistoria da ANM à estrutura ocorreu entre os dias 09 e 10 de abril deste ano.  

“No dia 19/08/2024, a ANM alterou o enquadramento da Barra gem de Rejeitos (BAR) de Nível de Emergência 1 (NE1) para Nível de Alerta. Essa alteração foi fundamentada nos critérios estabelecidos nos Artigos 40 e 41 da Resolução ANM n° 95/2022, uma vez que a estabilidade da estrutura foi atestada por dois auditores externos na Inspeção de Segurança Regular (ISR) do 1° ciclo de 2024 e na Revisão Periódica de Segurança de Barragens (RPSB), realizadas pelas empresas VTB Engenharia e WN Engenharia, respectivamente. A última vistoria da ANM à estrutura ocorreu entre os dias 09/04/2024 e 10/04/2024”, informou a ANM. 

Em relação à Barragem D4, a estrutura permanece enquadrada em (NE 1), nível de emergência, “por não atender aos critérios de segurança hidráulica” estabelecidos nos Artigos 5° e 24 da Resolução ANM n° 95/2022. “Apesar de já terem sido executadas diversas ações que contribuíram para a melhoria de sua segurança (implantação de drenagem superficial, roçagem dos taludes, regularização de crista, instalação de instrumentação, investigações geotécnicas, implantação do canal de desvio do efluente, canal de desvio de águas pluviais), por exemplo. Atualmente, estão sendo executadas medidas adicionais, como a dragagem parcial do reservatório, que visam, dentre outras coisas, aumentar a borda livre e, consequentemente, a segurança hidráulica da barragem. 

Desde maio/2023, quando a ANM passou a fiscalizar a segurança da Barragem D4 e da Barragem de Rejeitos, foram realizadas 34 exigências referentes a essas duas estruturas. Dessas, 32 já tiveram o cumprimento analisado pela ANM e foram encerradas; duas, referentes à Barragem D4, permanecem em aberto, dentro do prazo concedido para atendimento. As datas das próximas vistorias às estruturas ainda não foram definidas pela ANM. 

DANO POTENCIAL ASSOCIADO  ALTO - 

Segundo a ANM, “de modo geral, embora as estruturas permaneçam com Dano Potencial Associado (DPA) alto”, nota-se uma evolução significativa na gestão de segurança, o que se traduz em maior segurança para a população e o meio ambiente. A ANM reconhece que desde maio/2023, ocorreram melhorias na confiabilidade das análises técnicas, no monitoramento, na governança, a partir de auditores externos e da engenharia de registro, maior conhecimento sobre as estruturas, melhorias nas condições de conservação, maior conformidade legislativa e com boas práticas de segurança de barragens, e, especificamente em relação à Barragem D4, incremento da segurança hidráulica por meio de obras. 

“Ainda assim, destaca-se que, nas duas estruturas, ainda são necessárias ações para garantir a segurança e a conformidade legislativa, o que permitirá a remoção dos níveis de emergência e alerta atualmente vigentes. Essas ações estão sendo monitoradas pela ANM”. 

Finalizou reiterando que a competência fiscalizatória da ANM sobre essas estruturas abrange, exclusivamente, a segurança das barragens. Aspectos concernentes à segurança nuclear e proteção radiológica são de competência da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), que ainda não foi regulamentada, e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). A Barragem de Rejeitos foi construída no início da década de 80 para conter os rejeitos procedentes da exploração na primeira mina de urânio do Brasil, Mina da Cava. Bacias e rios da região foram contaminados com esse material radioativo. 

(EM CASO DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO, SOLICITAMOS CREDITAR À MATÉRIA AO BLOG )

(FOTOS – BLOG – FONTES e INB - Colabore com o blog – Seis anos de jornalismo independente – contribua via Pix: 21 99601-5849 - CONTATO - malheiros.tania@gmail.com 

sábado, 31 de agosto de 2024

IPEN comemora 68 anos na liderança da produção de medicamentos para combater o câncer, mas com déficit de pessoal e rejeitos radioativos dos anos 70

 


O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), em São Paulo, um dos mais importantes da América Latina, está comemorando 68 anos de fundação esta semana, com atribuições fundamentais para garantir a saúde da população, mas dependendo de reposição no quadro de funcionários: dos cerca de 500, 60% já podem se aposentar. Enquanto o quadro de colaboradores é quase o mesmo. 

Em 2021, o IPEN foi alvo de disputas políticas pelo controle da produção de radioisótopos (medicamentos para diagnóstico e tratamento de combate ao câncer), mas a excelência do Instituto manteve o seu protagonismo do trabalho. O IPEN continua suprindo 85% da demanda nacional: são pelo menos dois milhões de procedimentos por ano via o Instituto. 

E na contramão de tantos avanços, ainda armazena rejeitos radioativos da década de 70, por falta de um depósito definitivo no País. O BLOG conversou com a diretora do IPEN, a engenheira química, Isolda Costa. Ela iniciou sua trajetória no IPEN no início dos anos 1980 como bolsista, e tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de comando na Instituição. Eis a entrevista: 

BLOG: Como estão as atividades do IPEN no momento? 

ISOLDA: Temos pesquisas e ensino de excelência, dois programas de pós-graduação, o de Tecnologia Nuclear, com a Universidade de São Paulo; outro próprio, o Mestrado Profissional em Tecnologia das Radiações em Ciências da Saúde, além da Iniciação Científica, dos programas de pós-doutorado e estágios para alunos de graduação. Temos também duas áreas de produção, uma é a de radiofármacos, na qual suprimos 85% da demanda nacional, com cerca de dois milhões de procedimentos por ano.

 BLOG: Na área da radiação? 

ISOLDA: Temos também a única fábrica integrada de elemento combustível de toda a América Latina. Além disso, prestamos serviços, que incluem o recolhimento, depósito de rejeitos, serviços de calibração de equipamentos, de fontes, de detectores de radiação. O IPEN/CNEN também presta serviço de resposta à emergência radiológica no estado de São Paulo. 

BLOG: Outras pesquisas? 

ISOLDA: Temos a componente inovação, como parte da pesquisa. Importante salientar que há pesquisas básicas aplicadas, e no âmbito da pesquisa aplicada temos grandes investimentos com recursos orçamentários, usando a lei de inovação para fortalecer essa área.  

BLOG: Planos para o futuro. 

ISOLDA: Há muito a realizar, mas, no cenário atual, uma de nossas principais metas é incentivar, potencializar a área de inovação, que a gente acredita que as parcerias público-privadas serão o futuro. Também estamos estudando a mudança do modelo de gestão que nós temos hoje para a Rádiofarmácia, essa é uma das nossas metas para o futuro. 

BLOG: Como assim? 

ISOLDA: Temos o orçamento da União e projetos financiados pelas várias instâncias, que são parcerias com empresas, FAPESP, FINEP, CNPq. 

BLOG: No caso do radioisótopo houve a quebra do monopólio e o IPEN perderia a produção. Como ficou? 

ISOLDA: O IPEN/CNEN continua na produção como era antes da quebra do monopólio para a iniciativa privada porque nenhuma empresa ainda se capacitou para poder substituir. Eles previam que, em dois anos, teriam já instalação, mas isso não aconteceu. Portanto, o Instituto continua suprindo, abastecendo o mercado. 

BLOG: As importações de insumos continuam? 

ISOLDA: Nada mudou, por enquanto. O Instituto continua importando insumos da Rússia, da África do Sul e da Holanda. A perspectiva para o final deste ano e para 2025 é continuar importando, continuar atendendo a demanda. Inclusive, a gente tem projeto de modernização da área de produção do Iodo, para melhorar as condições de produção. 

BLOG: Como sobreviver? 

ISOLDA: O IPEN não tem repasse ao SUS, todo o nosso recurso que é gerado pela venda dos radiofármacos se transforma em uma GRU, ou seja, volta pro Caixa da União. E temos que esperar, todo ano, a aprovação da LOA, pra liberação dos recursos. 

BLOG: 

Qual a situação do contingente de servidores? 

ISOLDA: O número de servidores não chega a 500, dos quais 60% já podem se aposentar, e o número de colaboradores é praticamente o mesmo, 506. Estamos aguardando o concurso, provavelmente em janeiro, para dar mais fôlego a algumas áreas. Precisamos de, pelo menos, 50 vagas. 

BLOG: Por falta de depósitos, no passado, o IPEN servia também de depósito de material radioativo. E hoje? Onde está sendo armazenado (caso exista) o material radioativo descartado ou produzido pelo IPEN? 

ISOLDA: Na verdade, o IPEN armazena rejeitos desde os anos finais de 70 e continua até hoje recebendo rejeitos do próprio Instituto e do Estado de São Paulo. Então, nós não temos ainda problema de armazenamento. Os nossos depósitos são ativos e têm uma capacidade ainda grande, comparando com os outros depósitos existentes no Brasil, tipo Recife, Belo Horizonte. Somando a capacidade deles hoje, é menor do que o que o IPEN/CNEN ainda tem de espaço. 

BLOG: Novidade no aniversário? 

ISOLDA: Foi inaugurada a Unidade Móvel com Acelerador de Feixe de Elétrons para tratamento de efluentes industriais para fins de reuso. A unidade representa um avanço significativo na tecnologia de tratamento de efluentes, reforçando o compromisso do IPEN com a inovação e a sustentabilidade. O projeto contou com apoio da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA em sua sigla em Inglês), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), CNPq, Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A. (Nuclep) e Truckvan. O diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Wilson Aparecido Parejo Calvo, responsável pelo projeto, abiu a cerimônia de inauguração com uma apresentação na Sala de Seminários do CETER antes da visita às instalações. 

BLOG: Mensagem da direção do IPEN sobre a importância do Instituto para a sociedade, a ciência, estudantes, pesquisadores. 

ISOLDA: O IPEN desempenha um papel crucial na sociedade ao promover avanços significativos na área nuclear e correlatas, com destaque para saúde, meio ambiente, energias renováveis, lasers e aplicações, biotecnologia, ciência dos materiais, engenharia nuclear, metrologia das radiações, reatores, rejeitos e outras. Suas pesquisas e inovações contribuem para o desenvolvimento sustentável, oferecendo soluções que beneficiam tanto a população quanto o meio ambiente. Além disso, o IPEN é um importante centro de formação e capacitação para estudantes e pesquisadores, proporcionando um ambiente fértil para a troca de conhecimentos e o desenvolvimento de novas competências. Agradecemos a todos que colaboram e apoiam essa missão, pois juntos construímos um futuro mais promissor e sustentável. 

FOTO: ISOLDA COSTA - IPEN – CNEN – Produção de Reagentes Liofilizados para Radiognósticos. O PESQUISADOR Demerval Rodrigues participou de parte da entrevista. Colabore com o blog – seis anos de jornalismo independente – contribua via Pix: 21 99601-5849 - 

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Urânio irradiado de Angra 2 é transferido para UAS, orçada em US$ 50 milhões, com tecnologia dos EUA

 


A primeira etapa da segunda fase de transferência de elementos combustíveis irradiados (urânio enriquecido) da usina Angra 2 para a Unidade de Armazenamento a Seco, na central nuclear de Angra dos Reis (RJ), iniciada no dia 26 de abril, foi concluída na terça-feira (27/8), informou hoje (30/08) a Eletronuclear. Em 2018, o empreendimento foi orçado em US$ 50 milhões, com capacidade para armazenar os combustíveis irradiados até 2045. A vencedora da concorrência para a construção foi a Holtec, com sede em Camden, Nova Jersey, nos Estados Unidos. 


O sistema de armazenamento da UAS é semelhante ao utilizado em cerca de 70 locais nos Estados Unidos e é projetado para resistir a eventos como terremotos, tornados e inundações. Trata-se de operação de alta complexidade. Tanto que a desmobilização completa dos profissionais envolvidos na transferência está prevista para 30 de setembro.

Os combustíveis usados não são considerados rejeitos radioativos, pois ainda contêm potencial energético significativo que pode ser reaproveitado no futuro. Uma vez processados podem servir como plutônio; daí estarem sob o crivo da Agência Internacional de Energia atômica (AIEA), com sede em Viena, na Áustria, liderada pelos Estados Unidos. Países como Rússia, França e Japão já utilizam técnicas de reciclagem para esse material. 

SEGUNDA FASE - 


Segundo a companhia, nesta etapa, foram transferidos 480 elementos combustíveis usados da usina Angra 2 para a UAS. A segunda fase, que começará em 2025 e se estenderá até 2026, estará focada em Angra 1. A unidade de armazenamento foi projetada para comportar 72 Hi-Storms, com capacidade para receber combustíveis usados até 2045.

Durante a primeira campanha, que aconteceu entre 2021 e 2022, foram transferidos 15. Na fase inicial da segunda, finalizada nesta semana, foram mais 15. Após a conclusão da atual etapa, incluindo os combustíveis usados de Angra 1, serão ao todo 48 Hi-Storms armazenados. 

TRANSFERÊNCIA - 

Segundo a Eletronuclear, a operação consiste na transferência de elementos combustíveis provenientes das paradas de reabastecimento das usinas, visando abrir espaço para que as piscinas de armazenamento possam receber novas quantidades. 

Primeiro, todas as atividades acontecem dentro do Edifício do Reator UJA (Área Controlada). É a fase do carregamento de elemento combustível no cânister, um subcasco que fica armazenado dentro de um casco, denominado de Hi-trac. 

Depois de receber o elemento combustível, ocorrem as seguintes etapas: solda da tampa do cânister, construídos com aço e concreto; drenagem da água e secagem interna. Nesse momento, o subcasco fica dentro do Hi-Trac, que é um casco temporário. Somente depois, esse subcasco é inserido dentro do Hi-Storm e, por fim, armazenado na UAS, projetada para receber os elementos combustíveis após o processo de resfriamento nas piscinas especiais das usinas. 

(FOTOS: Eletronuclear) – 

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quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Angra 2: vigésima recarga concluída. Dívidas da Eletronuclear com a INB passam de R$ 500 milhões

 


A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) divulgou hoje (28/8) que finalizou no dia 21/08 a 20ª recarga de combustível (urânio enriquecido) para a usina nuclear Angra 2, em Angra dos Reis (RJ), da Eletronuclear, que acumula dívidas de pelo menos R$ 500 milhões, junto à estatal. Até 2018, cada recarga custava cerca de R$ 268 milhões, nada mais foi divulgado depois. 


O enriquecimento e a produção de pastilhas são feitos na INB, em Resende (RJ). 


O processo passa também pela Urenco, consórcio formado por empresas da Inglaterra, Holanda e Alemanha, criado para enriquecer urânio. Cada recarga trocada – que são os elementos combustíveis irradiados - é transportada para a Unidade de Armazenamento a Seco (UAS), localizada na própria central nuclear de Angra, local que passa pelo crivo da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), pois pode servir de plutônio no futuro. O processo gera também rejeitos de baixa e média atividade, depositados na piscina da usina atômica, que estará esgotada em 2028. 


Segundo a INB, desta vez, foram produzidos 48 elementos combustíveis, que utilizaram aproximadamente 11.000 varetas com pastilhas de urânio enriquecido na fabricação de todos. Os elementos combustíveis são estruturas metálicas com até cinco metros formadas por um conjunto de varetas onde são colocadas pastilhas de urânio enriquecido entre 2% a 5%, informou a INB.

“A recarga é o processo de reabastecimento de uma usina nuclear por meio da substituição de elementos combustíveis descarregados por novos”. A previsão é que o transporte da 20ª recarga para a Angra 2 seja realizado até final de outubro. Segundo a Eletronuclear, Angra 2 está programada para ser desligada no dia 8 de novembro. 

(FOTOS: 1) Angra 2 - ;2) Unidade de Enriquecimento em Resende - 3) UAS - Angra  dos Reis  - Fontes: Eletronuclear e INB) 

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segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Comandante da Marinha debate submarino nuclear na Índia; Brasil tem acordo com a França desde 2008

 


O comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, discutiu sobre a possibilidade de trabalhar em conjunto no setor de submarinos movidos a propulsão nuclear, em sua recente e primeira visita à Índia. “Temos depósitos de urânio suficientes, tecnologia de enriquecimento e estamos em um estágio muito avançado do desenvolvimento de pequenos reatores nucleares. Então, estamos interessados ​​em trabalhar com a Índia na área”, disse o almirante Olsen ao Times Now, canal de notícias na Índia de propriedade e operado pelo The Times Group. Desde 2008, o Brasil mantém um acordo com a França na área da propulsão nuclear. 


Tanto que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e da França, Emmanuel Macron participaram da cerimônia de lançamento do terceiro submarino convencional brasileiro, o Tonelero (S-42), em Itaguaí (RJ), no dia 27/3, fruto de parceria entre os dois países, iniciada em 2008. O fato divulgado pelo BLOG, que vinha sendo guardado a sete chaves é que militares da Marinha brasileira estão embarcados em submarinos nucleares franceses para receber treinamento. Formar a tripulação para comandar o submarino de propulsão nuclear nacional é mais um desafio, além de concluir toda a montagem do submarino, com previsão de lançamento em 2033. 

O Programa de Submarinos (PROSUB) faz parte do programa estratégico do Estado Brasileiro, concebido em 2008 por meio de parceria estabelecida entre Brasil e a França. O projeto baseado na engenhara simultânea contempla a construção desde a infraestrutura industrial e de apoio à operação e manutenção de submarinos, a construção de quatro submarinos convencionais e o projeto e a construção do primeiro submarino convencionalmente armado com propulsão nuclear brasileiro. 

BRASIL E INDIA - 

O almirante Olsen se encontrou com militares do alto escalão da Marinha Indiana e visitou o estaleiro Mazagon, em Mumbai. Ele expressou seu interesse em trabalhar com a Índia, um país membro do BRICS, em várias áreas, incluindo coleta e compartilhamento de inteligência marítima, segurança cibernética, antipirataria, busca e salvamento, crimes transnacionais, pesca ilegal e HADR (Humanitarian Assistance and Disaster Relief), com toda a gama de cooperação naval, informou o Times Now. A visita do Almirante Olsen é a terceira de altos oficiais militares nos últimos meses e há claramente um desejo de aumentar a cooperação “Sul-Sul”. “O mar nos conectará”, ressaltou o almirante Olsen, segundo o Times Now.

FONTE: Times Now - (FOTOS: Times Now - BLOG - Lula e Macron, foto arquivo da EBC) – 

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sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Angra 1 passará por teste no turbogerador, domingo

 


A usina Angra 1, em Angra dos Reis (RJ), passará por um teste programado no setor secundário da unidade atômica, sem contato com a área nuclear, neste domingo (25/8). O teste visa a verificar “a funcionalidade das válvulas de parada e controle do Turbogerador, - equipamento que faz parte do sistema que converte o calor em eletricidade”. A informação foi divulgada na noite desta sexta-feira (23/8) pela Eletronuclear, gestora das usinas nucleares. 

Segundo a companhia, o procedimento essencial é realizado a cada três meses, e está em conformidade com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). “Para isso, a carga da usina (644 MW) será reduzida gradualmente para 450 MWe, começando à meia-noite de sábado para domingo. O teste ocorrerá entre 1h e 6h, com a elevação da potência iniciando logo após, e o retorno à capacidade máxima de geração está previsto para o meio da tarde”, informou a companhia. 

Angra 1 foi comprada da norte-americana Westinghouse em 1970, mas depois de muitos problemas foi inaugurada em 1985, parando no ano seguinte para uma série de consertos, como reparos no circuito secundário onde houve vazamento de radiação sem atingir o meio ambiente. A usina deveria ter sido desligada, segundo técnicos, cerca de duas décadas depois, mas está sendo preparada para ter mais 20 anos de vida útil.  A autorização de funcionamento de Angra 1 termina no dia 24 dezembro deste ano, mas até lá, segundo fontes, a licença para a extensão da vida útil - não necessariamente por 20 anos -, será concedida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). 

(FOTO: ANGRA 1 - Eletronuclear) – 

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