quinta-feira, 15 de junho de 2023

Eletronuclear: é falsa a denúncia de bomba nas usinas nucleares de Angra; companhia já sofreu ataque cibernético

 


Mais uma vez a Eletronuclear se vê às voltas com denúncias de ataques às suas instalações nucleares. Nesta quinta-feira (15/06), a companhia afirmou em nota que é “falsa a informação da presença de uma bomba” na central nuclear de Angra dos Reis, onde estão em operação Angra 1 e Angra 2.  A denúncia foi recebida, nesta segunda-feira (12) à noite, e, apesar de “não ser considerada confiável”, foram cumpridos todos os protocolos de segurança, como a varredura total da central nuclear, que não identificou nenhum material explosivo no local, informou a empresa. No dia 3 de fevereiro de 2021, a Eletronuclear passou por outro problema: um ataque cibernético. 

Até julho do ano passado ações “maliciosas” contra instalações nucleares do Brasil foram registradas no primeiro Relatório Nacional das Ameaças à Segurança Físico Nuclear (Renasf) elaborado pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), que teria sido concluído na época. “A ABIN realiza o acompanhamento de grupos ou indivíduos com capacidade e intenção de cometer ações maliciosas contra instalações nucleares selecionadas, como sabotagem e obtenção ilegal de agentes selecionados, descritas no Renasf”, segundo a direção da ABIN, na época. 

ATAQUE CIBERNÉTICO - 

Em fevereiro de 2021, a companhia detectou um ataque por software nocivo (ransomware) que alcançou parte dos servidores da rede administrativa da empresa na noite daquela quarta-feira. Mais conhecido como ataque cibernético, o problema foi comunicado pela então holding Eletrobras, aos acionistas e mercado em geral. O incidente não afetou as usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, que não se conectam com os sistemas atingidos. Por razões de segurança, as unidades atômicas estão isoladas da rede administrativa. 

Segundo a companhia, o ataque não causou prejuízos para o fornecimento da energia elétrica ao Sistema Interligado Nacional. Por medidas preventivas, a empresa suspendeu temporariamente o funcionamento de alguns dos sistemas administrativos para proteger a integridade dos seus dados. O ataque estava sendo investigado por entidades governamentais responsáveis ​​pela segurança da energia nuclear. Mesmo sem afetar as unidades nucleares, segundo fontes, o ataque gerou apreensão em setores operacionais das unidades. 

FALSA BOMBA -

No caso da falsa bomba desta semana, “apesar de falsa", a denúncia foi informada aos órgãos competentes, incluindo Polícia Federal (PF), Polícia Militar, Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (GSI/Sipron), Ibama, prefeituras e câmara dos vereadores de Angra dos Reis e cidades vizinhas, Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e Colégio Naval da Marinha do Brasil. 

Em caso de incêndio, provocado por quaisquer razões, acrescentou, que a usina estaria “preparada para combater as chamas com eficácia e eficiência, já que a empresa possui uma brigada de incêndio formada por 17 bombeiros profissionais, que se mantêm presentes 24 horas por dia para evitar possíveis acidentes”. 

Informou também a companhia que que conta com um Plano de Proteção Física das Instalações Nucleares da Central Nuclear e que possui procedimentos e equipes de infraestrutura para lidar com situações semelhantes a essa. 

“A explosão de uma bomba nas instalações das usinas não seria capaz de provocar um acidente nuclear que colocasse em risco a população e/ou o meio ambiente, porque as usinas nucleares de Angra possuem sistemas de segurança redundantes, independentes e fisicamente separados com condições de resfriar o núcleo do reator e os geradores de vapor em situações normais ou de emergência, além de contar com sistemas de segurança que incluem numerosas barreiras protetoras de concreto e aço, garantindo a proteção contra impactos externos (terremotos, maremotos, inundações e explosões) ou aumento da pressão em seu interior”, informou em nota. 

A Eletronuclear acrescenta que a ameaça não foi divulgada para a população para não causar pânico sem fundamentos, uma vez que a denúncia é falsa e que as usinas nucleares possuem sistema de segurança capaz de evitar um acidente nuclear na região. Além disso, frisou, notícias como esta podem incentivar outros ataques, o que tornaria perigosa a comunicação ampla do caso. Entretanto, e apesar de não ser uma exigência em situações como essa, a empresa notificou todos os órgãos interessados no tema para garantir maior transparência e cuidado à situação. “No mais, a empresa reforça seu compromisso com a segurança da população local e de cidades vizinhas, razão pela qual todas as medidas cabíveis, necessárias e complementares foram tomadas pela Eletronuclear”, consta na nota. 

 Leia no BLOG, em 04/02/21, Ataque cibernético alcançou servidores administrativos da Eletronuclear, sem atingir usinas nucleares; 14/07/22,  Abin conclui relatório sobre ameaças a instalações nucleares brasileiras. 

FOTO: Central Nuclear - Eletronuclear 

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quarta-feira, 14 de junho de 2023

Barragem com material radioativo pode se romper em Caldas (MG); declarado estado de emergência

 


A Barragem D4 com material radioativo (urânio e tório) provenientes de rejeitos da mineração que estão a céu aberto, materiais pesados e muita lama, da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Caldas, (MG), corre o risco de se romper provocando uma tragédia ambiental inédita. O estado de emergência da barragem assumido em documento assinado ontem (13/6), pelo gerente da UDC, João Viçozo da Silva, mostra a gravidade da situação. 

A Barragem D4 é uma bacia de decantação que recebe a drenagem ácida da pilha (montanha) de rejeitos radioativos, metais pesados e lama associados a outros materiais. A primeira medida seria fazer o tratamento desse material para que tudo não fosse parar em outra barragem, a de Águas Claras, o que não acontece. Ou seja, o material de Barragem D4 é extravasado para a barragem de Águas Claras.  Assim, a emergência vai se tornando mais grave. Todo o material segue para o Ribeirão das Antas – rio principal do Planalto Poços de Caldas. Vale lembrar que o Ribeirão das Antas deságua no Rio Pardo, que segue banhando terras paulistas, como a cidade de Ribeirão Preto.

 A Barragem faz parte de uma história iniciada na década de 70, quando os militares e o governo federal decidiram abrir uma mina de urânio no local, fechada em 1982, por falta de viabilidade econômica. Mas o urânio já estava amontoado em tambores, em constante processo de corrosão. Para lá, foram levados também, na calada da noite, material radioativo produzido no Brooklin paulista pela Orquima, sucedida pela Nuclemon, fechada em 1992, que deixou um rasto de mortos e doentes.

 Até hoje, o problema se agrava, chegando ao alerta assinado pelo gerente da INB, ontem. Consta no documento que o “assoreamento do reservatório da barragem que saturou os sistemas de retenção de sólidos em suspensão – barreiras de turbidez e telas de retenção – intensificando o carregamento do sedimento a jusante (barragem de Águas Claras), assim como elevando o nível de água no reservatório. 

A emergência agora declarada é resultado de uma fiscalização da Agência Nacional de Mineração (ANM), responsável por barragens em todo o território nacional, desde a promulgação da Lei 14.514/2022, de 29/12/2022. Segundo Viçozo, uma reunião entre eles no dia 7 de junho concluiu por enquadrar a Barragem D4 no Nível 1 de emergência, com categoria de risco alto. À noite, a  Comissão Nacional de Energia Nuclear CNEN informou que foi informada sobre o ocorrido no dia 7 de junho. "A CNEN continua a exercer suas atribuições relativas à segurança radiológica, do público  do meio ambiente, de acordo com a legislação vigente", informou a Comissão.  

ANOMALIAS 

Em nota, a ANM informou que a estrutura da barragem apresenta anomalias, que não é considerada saudável, além de estar fora da normalidade. A ANM visitará a barragem nos próximos dias. 

Às 18h26, a INB enviou nota afirmando que não há fatos novos no documento e que a barragem é "permanentemente monitorada" e que possui Plano de Ação de Emergência, entre outras coisas.

FOTO: barragem - 

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Emergência em barragem da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) em Caldas (MG)

 


A barragem da unidade de Caldas, da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Minas Gerais, está em situação de emergência. Entre as gravidades, em documento obtido pelo BLOG, consta o “assoreamento do reservatório da barragem que saturou os sistemas de retenção de sólídos em suspensão – barreiras de turbidez e telas de retenção – intensificando o carregamento do sedimento a jusante (barragem de Águas Claras), assim como elevando o nível de água no reservatório. O documento com o alerta de emergência está assinado pelo gerente em Descomissionamento de Caldas (UDC), João Viçozo Junior, com a data de ontem (13/06). O prefeito de Caldas, Ailton Goulart, não foi comunicado pela INB. Mais informações no BLOG hoje.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Medicina Nuclear: país deve criar complexo econômico-industrial; quer reduzir a desigualdade na oferta do tratamento contra o câncer

 


O Brasil deve criar um complexo econômico-industrial em saúde 4.0, para alavancar e integrar muitas áreas da medicina nuclear, como a radiofarmácia pública, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O assunto está sendo discutido entre o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Francisco Rondinelli Júnior, o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da CNEN Wilson Parejo Calvo, representantes de unidades técnico-científicas da CNEN e da Diretoria de Radioproteção e Segurança Nuclear e o coordenador-geral de Serviços, Informação e Conectividade do Ministério da Saúde, Rodrigo Leite, em reunião recente. Reduzir as desigualdades na oferta do tratamento contra doenças como o câncer é uma das metas.

 “O conceito advindo da indústria 4.0 trata de conectividade, automação e sistemas inteligentes”, afirmou Rodrigo Leite. Ele lembrou que 80% da população brasileira tem no SUS o único recurso para cuidar da saúde, destacando ainda “a importância do projeto de governo de uma neoindustrialização, com visão de futuro”.

 Para Rondinelli, há oportunidade de cooperação em diversas áreas, como insumos, regulação, controle, tecnologia, a partir das atividades de produção dos radiofármacos, elementos radioativos essenciais no diagnóstico e tratamento de diversas doenças, nas áreas de oncologia, neurologia, cardiologia, entre outras. 

No governo passado, o desabastecimento de radiofármacos  (medicamentos que utilizam radiação)  levou à crise diversas clínicas do SUS responsáveis pelo tratamento e diagnostico de pacientes com câncer e outras doenças. 

TRATAMENTO - 

O diretor de P&D da CNEN apresentou os diversos produtos desenvolvidos pelas unidades de pesquisa e frisou o quanto os institutos e centros da CNEN podem contribuir com a saúde pública. Citou estudos clínicos em curso e produtos essenciais para diagnóstico e terapia. Ao mesmo tempo, o uso de tratamentos como radioterapia, braquiterapia, o trabalho em metrologia das radiações, o licenciamento e controle, a radioproteção de trabalhadores, do público e do meio ambiente foram destacados em sua importância em saúde.

 “Um dos grandes objetivos nossos é que os laboratórios façam parte do complexo industrial de saúde pública e já temos experiências bem-sucedidas, como o IPEN (Instituto de Pesquisas Energética e Nucleares), no Estado de São Paulo”, enfatizou Calvo, ex-diretor geral do órgão. 

RECURSOS HUMANOS - 

O diretor lembrou que nas quatro unidades produtoras de radiofármacos da CNEN há infraestrutura essencial para propiciar produção e atendimento público e há necessidade de investimentos em recursos humanos, com recomposição de pessoal, e materiais, para que seja ampliada a escala de oferta desses insumos essenciais à saúde. O presidente da CNEN pontuou que já houve aporte do Fundo Nacional da Saúde em equipamentos e que com mais investimentos será possível ampliar a oferta para a população usuária da rede SUS. 

ACESSO AOS RADIOISÓTOPOS - 

O IPEN foi pioneiro na oferta de vários produtos, os institutos têm expertise e desenvolvem pesquisas de grande importância e alcance. Alguns dos produtos são exclusivos, como é o caso do fluoroestradiol (¹⁸F) - ¹⁸FES, nome comercial Radiofes, radiofármaco desenvolvido pelo Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear para detectar câncer de mama. 

POPULAÇÃO MAIS CARENTE - 

Alguns dos temas apontados na reunião como de destaque foram a atuação CNEN em medicina nuclear; participação das discussões que possibilitem que os radiofármacos sejam mais disponíveis e acessíveis à sociedade, especialmente para a população mais carente. Na pauta também, a integração de informações que permitam sistema mais completo de informações para a segurança radiológica de trabalhadores e pacientes; modernização para ampliar o potencial de participação das diversas regiões brasileiras no uso dos radiofármacos.

 Para isso, o presidente da CNEN frisou a importância do Reator Multipropósito Brasileiro, projeto de arraste que trará autonomia no uso dos radiofármacos, estabilidade no fornecimento, já que o país se tornará autossuficiente com potencial inclusive para exportação de radioisótopos. 

DESIGUALDADE DE OFERTA - 

Na reunião, eles concordaram que a aproximação entre todos os agentes da cadeia produtiva e os Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Saúde trarão ganhos para quem mais importa: o cidadão, que demanda por cuidados de saúde de qualidade. Nesse sentido, está sendo organizado um workshop pelo IPEN, que contará com a participação de todas as unidades técnico-científicas - sobre a radiofarmácia pública, sua importância e como as tecnologias podem ser cada vez mais acessíveis. O gerente do Centro de Radiofarmácia do IPEN, Emerson Bernardes, lembrou que a desigualdade na oferta e distribuição dos radiofármacos nas diferentes regiões do país e como isso precisa e pode ser aperfeiçoado para o acesso cada vez mais universal.

 Leite parabenizou a nova gestão da CNEN por reativar o assunto.Afirmou que o momento é muito desafiador, mas que a reconstrução e a revalorização das instituições implicam na ampliação e fortalecimento do complexo industrial da saúde, e que há potencial também deste setor na geração de emprego. Rondinelli destacou a importância de todas as unidades CNEN na formação de recursos humanos para a saúde e como o RMB, projeto estruturante, trará fornecimento regular dos radiofármacos para o mercado nacional. A instalação a ser construída em Iperó, no interior de São Paulo, em área de dois milhões de metros quadrados, envolve também um acelerador de alta energia, um Laboratório de Fusão e vai alavancar o país em diversas áreas de pesquisa, desenvolvimento e inovação, elevando-o a um outro patamar.

 Leia no Blog diversas reportagens sobre a crise do desabastecimento de radioisótopos na rede pública, corte de verbas, durante o governo de Jair Bolsonaro. Lei também toda a história do projeto do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB). 

FOTO: IPEN – FONTE: IRD/CNEN -

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sexta-feira, 9 de junho de 2023

Ministro Alexandre de Moraes concede mais um ano de sobrevida à indústria do amianto, a fibra assassina

 


O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu mais um ano de sobrevida para a indústria do amianto, a Sama, do Grupo Eternit, no Estado de Goiás, explorar o cancerígeno amianto, que já havia sito banido de todo o território nacional. O ministro contradisse decisões do colegiado do STF, proibindo a exploração do mineral, nocivo à saúde e vida de brasileiros. O amianto, conhecido como fibra assassina, já foi considerado pelo Senado francês “a catástrofe sanitária do século XX”, lembrou a auditora fiscal Fernanda Giannasi,  fundadora da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (ABREA). 

De acordo com informações do STF, trata-se de Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pela Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho, tendo por objetivo a Lei estadual 20.514/2019, “que autoriza para fins exclusivos de exportação, a extração e o beneficiamento o amianto da variedade crisotila no Estado de Goiás". 

Enquanto o STF prolonga a exploração da fibra mineral cancerígena no Brasil, por mais um ano, no mínimo, na quinta-feira (8/6) um Tribunal Italiano sentenciou o bilionário suíço Stephan Schmidheiny, ex-dono da multinacional ETERNIT, a 12 anos de prisão, após condená-lo sob a acusação de homicídio culposo agravado, relacionado à morte de centenas de pessoas por exposição ao amianto, lembrou Giannasi. 

TRAGÉDIA EM OSASCO - 

O caso do amianto é tão grave que no final do ano passado a Prefeitura de Osasco, em São Paulo, por meio da Secretaria de Emprego, Trabalho e Renda (SETRE), em parceria com a ABREA, inaugurou um memorial em homenagem às vítimas do cancerígeno amianto. Delegações nacionais e internacionais participaram do evento. O memorial tem um painel com o nome de mais de 600 pessoas que morreram em virtude da exposição ao amianto.

 Composto pela obra do artista brasilense W. Hermusch, o memorial tem uma escultura chamada “Árvore-Pulmão”, que materializa metaforicamente a luta pela vida de milhares de vítimas do mineral cancerígeno, que no final da vida não conseguem mais respirar em virtude das doenças provocadas pela fibra mortal. 

Além da Árvore-Pulmão, com sete metros de altura, o Memorial terá um painel com o nome de mais de 600 pessoas que morreram em virtude da exposição ao amianto. “Nesta tragédia do amianto, os obreiros entregavam inocentemente o seu cotidiano ao trabalho, que acreditavam estar garantindo o seu sustento e de suas famílias e, por conseguinte, a vida. A cada dia, entretanto, estavam sendo lentamente envenenados. Esta contradição cruel é o que a Árvore-Pulmão expressa”, lembrou Hermusch. 

LEGADO DE CONTAMINAÇÃO - 

O Memorial foi instalado na Praça Expedicionário Mario Buratti, nas proximidades de onde se situava a Eternit, a maior das unidades da multinacional suíça nas Américas, conhecida produtora de telhas, tubulações, caixas d'água e outros artefatos de cimento-amianto, e que permaneceu na cidade por 56 anos, entre 1937 a 1993, deixando para trás um enorme passivo socioambiental, um legado de contaminação e morte, como fez em vários países, principalmente Itália e Bélgica. 

“É uma tristeza sermos conhecidos como a capital nacional das vítimas do amianto, e em nada este memorial repara a perda dessas vidas, mas nossa intenção é eternizar seus nomes num espaço público para que sirvam de exemplo e que suas famílias saibam que reconhecemos a luta. Quem sai de casa todo dia em busca do sustento do lar, e morre em função do trabalho que desempenha, é um verdadeiro herói, e nada mais justo que haja um memorial em homenagem a isso”, lamentou Gelso Lima, Secretário de Emprego, Trabalho e Renda. O ministro Alexandre de Moraes podia visitar o Memorial para conhecer de mais perto o drama registrado no local, comentou Giannasi. 

Para o presidente da ABREA, Eliezer João de Souza, o Memorial visa manter viva a memória destas vítimas inocentes e representa um símbolo de resistência e luta contra o mineral que mata milhares de pessoas anualmente, não só no Brasil como em todo o mundo. 

“'É mais um momento histórico na luta contra o amianto, contra empresas, contra o capital, que visam apenas o lucro em detrimento da saúde e vida de seus trabalhadores. O Memorial é uma homenagem aos que se contaminaram com a fibra assassina e um alerta para as futuras gerações, para que possam evitar que tragédias como essa não se repitam. Essa catástrofe sanitária do século XX não pode se repetir”, finalizou. 

FOTO: MEMORIAL – ABREA – 

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Energia solar para comunidades Yanomami

 


As comunidades Xitei, Olomai e Auaris já estão sendo beneficiadas com a energia elétrica produzida por geração solar, defendida por ambientalistas no Brasil e no mundo. Elas receberam esta semana diversos kits de placas fotovoltaicas com bateria ajudando no fornecimento de energia elétrica nas unidades de atendimento à saúde indígena Yanomami. De acordo com as informações oficiais, os kits eram esperados pela comunidade e pelos profissionais de saúde. Cada um deles têm capacidade de gerar 160 kWh/mês. Uma oferta de energia que dará condições de assegurar uma assistência em saúde de maior qualidade na maior terra indígena do Brasil, com quase 10 milhões de hectares, mais de 31 mil indígenas, 360 comunidades. 

A instalação dos equipamentos é uma parceria inédita entre o Ministério de Minas e Energia (MME), a Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), do Ministério da Saúde, e a distribuidora local Roraima Energia, que colaborou com o transporte e equipes de instalação até as comunidades. Segundo o MME, em Xitei, um dos kits de placas fotovoltaicas com bateria foi instalado no alojamento para ajudar no funcionamento de lâmpadas e do freezer de refrigeração de alimentos e medicamentos, e outro na enfermaria para abastecer as lâmpadas e o concentrador de ar. 

Em Olomai e Waputha, os kits instalados também têm ajudado a manter as lâmpadas de led da unidade básica de saúde indígena e um freezer (Waputha). Em Auaris, o sistema atende as lâmpadas e tomadas da enfermaria e dois microscópios do laboratório. Um outro kit, que vai ser instalado ainda nesta semana, vai atender ao polo base, com iluminação da cozinha, sala, banheiros e quartos e tomadas, para bebedouro e uso dos profissionais.

“Trata-se de mais uma importante entrega, reforçando o compromisso do ministério e do governo do presidente Lula com os povos Yanomami. Em parceria inédita com a Sesai, já fizemos diversas ações e vamos fazer ainda mais para fortalecer o fornecimento de energia elétrica nas unidades de saúde do território Yanomami. É muito importante que os profissionais que atuam nestas comunidades tenham melhores condições de atender os indígenas, oferecendo mais saúde e dignidade a essa população”, declarou o ministro Alexandre Silveira.

Os kits eram esperados pela comunidade e pelos profissionais de saúde. Cada um deles têm capacidade de gerar 160 kWh/mês. "Uma oferta de energia que nos dará condições de assegurar uma assistência em saúde de maior qualidade na maior terra indígena do Brasil, com quase 10 milhões de hectares, mais de 31 mil indígenas, 360 comunidades. Um trabalho importante do MME com o Ministério da Saúde que ajudará no funcionamento das nossas unidades de saúde e no abastecimento de água da região", explica o Secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba.

 PREVISÃO - 

Até o próximo semestre, a previsão é que mais 20 kits de placas solares e baterias sejam instaladas para ajudar no fornecimento de energia elétrica nas unidades de saúde. “Para isso, continuaremos atuando juntos, MME, SESAI e distribuidora local, definindo o melhor cronograma e respeitando toda a logística necessária, para que esses equipamentos cheguem o mais rápido possível para atendermos essas comunidades", explicou o secretário nacional de Energia Elétrica do MME, Gentil Sá. Até o fim do ano, a previsão é que mais de 60 kits de placas fotovoltaicas com bateria estejam instalados no território Yanomami.

SAÚDE INDÍGENA -

Desde janeiro de 2023, o MME tem instalado kits de placas fotovoltaicas com bateria em regiões do território Yanomami para melhorar o atendimento de saúde dessa comunidade indígena. Até então, as estruturas de saúde contavam apenas com motores geradores de energia a base de óleo diesel que ajudam na iluminação da edificação e freezer de acondicionamento de alimentos. Uma geração de energia que demandava alto consumo de combustíveis fósseis por dia, sobrecarregava os recursos das bases de saúde indígena e exigia uma logística complexa e perigosa de transportes desses combustíveis, já que os polos são acessados apenas por meio aéreo. Com a instalação das placas solares e das baterias, a logística será mais segura, haverá uma redução de custos e um aumento da renovabilidade da energia local, trazendo benefícios também para o meio ambiente. 

FOTO/FONTE: ASCOM MME -

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quinta-feira, 8 de junho de 2023

Vitória para vítimas da radiação da Nuclemon: Justiça paulista decide pela continuidade do processo. INB queria arquivar

 


Por unanimidade de votos, a 18ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, deferiu a continuidade da Ação Civil Pública movida pela Associação Nacional dos Trabalhadores da Produção Nuclear (ANTPEN), em conjunto com o Ministério Público do Trabalho (MPT), em desfavor da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), visando o acompanhamento, tratamento e proteção integral à saúde, bem como o pagamento de indenização às vítimas da Usina de Santo Amaro (USAM), da extinta Nuclemon, no Brooklin paulista.

Durante décadas, a Nuclemon, sucedida pela INB, contaminou por radiação e produtos químicos um número incalculável de trabalhadores, muitos, contraíram graves doenças como o câncer. No processo, que tem como relator o desembargador Donizete Vieira da Silva, foi rejeitado o pleito da INB para se considerar a prescrição de dois anos utilizada para causas comuns trabalhistas, sob a alegação de que a Nuclemon teria encerrado as suas atividades na década de 90. Contrariando esta tese, a Justiça acolheu os argumentos de que doenças e óbitos decorrentes de contaminação radioativa, principalmente, podem levar muitos anos para serem diagnosticados e afastaram a prescrição de dois anos como queria a INB.

O processo de exploração da mão de obra operária começou na primeira unidade industrial nuclear brasileira, a Orquima, fundada na década de 50, responsável pela morte de centenas de trabalhadores, que desapareceram do mapa. A Nuclemon, sucedeu a Orquima, que lucrava e enriqueceu civis e militares, exportando material radioativo para os Estados Unidos, por exemplo. O material radioativo (urânio e tório) era procedente das terras raras, contidas nas areias monazíticas, subtraídas das praias  do litoral fluminense (praia de Buena, em São Francisco de Itabapoana), Bahia e Espírito Santo. Os nomes de número de vítimas nunca foram revelados.

A ANTPEN, dirigida por José Venâncio, ex-operário da Nuclemon, foi fundada em 2006 e passou a lutar pela causa, com apoio da auditora fiscal e engenheira civil Fernanda Giannasi; Sindicato dos Químicos de São Paulo; médica Maria Vera Catellano; e advogados Erica Coutinho, e Luiz Carlos Moro, voluntários, que trabalham em defesa das vítimas.

RESILIÊNCIA - 

"Esta importantíssima vitória de afastar a prescrição na Ação Civil Pública, que impedia que o processo para se obter justiça para as vítimas fosse adiante é fruto da resiliência e da união dos ex- empregados da extinta Nuclemon, atualmente INB, que há mais de 30 anos lutam pela atenção integral à sua saúde debilitada pelas péssimas condições de trabalho a que foram submetidos anos a fio nas duas unidades  fabris da empresa em São Paulo, nos bairros do Brooklin (USAM) e de Interlagos (USIN), e por uma indenização que minimamente repare os danos sofridos. Parabenizo em nome da diretoria da ANTPEN “as COBAIAS DA RADIAÇÃO”, como Tania Malheiros tão bem os definiu em seu último livro “A HISTÓRIA NÃO CONTADA DA MARCHA NUCLEAR BRASILEIRA E DE QUEM ELA DEIXOU PARA TRÁS”. Para não cometer injustiças não nomeio os personagens que estiveram à frente desta luta tão sofrida e ao mesmo tempo virtuosa, e esperamos seja vitoriosa em sua plenitude em muito em breve, mas a eles e elas prestamos nossas homenagens e agradecimentos por tudo que fizeram ao longo destas três últimas décadas.” (DEPOIMENTO DE FERNANDA GIANNASI).

FOTO: Material radioatiuvo - Nuclemon - Arquivo ANTPEN  

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