segunda-feira, 21 de setembro de 2026

TERRAS RARAS: outra mineradora australiana avança na exploração do cobiçado mineral; em Morro do Ferro (MG)

 


A mineradora australiana Power Minerals avança nos preparativos para desbravar as riquezas do território mineiro de olho nos minerais críticos, especialmente as terras raras. Em julho deste ano, a mineradora iniciou o “desenvolvimento” do Projeto Morro do Ferro, localizado nos munícipios de Poços de Caldas e Caldas. Em “carta de apresentação” representantes da mineradora mencionam que está sendo realizada uma avaliação socioeconômica que incluiu mapeamento de stakeholders (partes interessadas), por exemplo. 

Mas segundo informações em sites, a empresa já firmou acordo com o Governo de Minas Gerais para enquadrar o projeto como “prioritário” no Estado. Fotos mostram árvores cortadas, trabalhadores em cabanas, manuseando com equipamentos. 

Há cerca de 10 dias o Blog encaminhou perguntas para a Power Minerals: Solicitamos informações sobre o projeto Morro do Ferro, em Minas Gerais, que teve início em julho do corrente ano para reportagem a ser publicada no Blog. Seguem as perguntas: 1 – De que forma a Power Minerals obteve autorização para iniciar o projeto em Morro do Ferro? 2 – Como a empresa chegou ao local? 3 – O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva já anunciou que não autoriza essa atividade no território nacional.  A empresa contatou o governo federal? E o Estadual? Como está sendo realizado o contato com os municípios de Poços, Caldas e o distrito de Oliveira? 4 – Como está sendo realizado o contato com a população? 5 – Quais as etapas do projeto iniciado em julho? 6- A empresa INTEGRATIO está trabalhando de que forma? &- Existe uma forte rejeição de parte da população, políticos e ambientalistas quanto à exploração de minerais críticos, como terras raras, na região. Como a empresa analisa a questão? 8 – Como projetar escavar, explorar materiais críticos em Morro do Ferro, local turístico, histórico, repleto de histórias? 9 – Avaliação do investimento inicial, de agora, julho e posteriores? 10 – O que o Brasil ganha com o projeto Morro do Ferro? 

A Power Minerals retornou duas vezes, mas sem as respostas. Segundo a Brasil Mineral, em abril,  o negócio foi fechado por R$ 80 milhões. 

Na Carta de Apresentação, consta que a iniciativa da empresa visa um “estudo primário”. Os trabalhos de campo serão conduzidos pela Integratio – Mediação Social e Sustentabilidade contratada para apoiar os trabalhos de escuta, empresa fundada em 2005, em Belo Horizonte. 

Nos sites do setor de mineração e da própria mineradora australiana constam outras informações, que não estão na Carta de Apresentação que o Blog teve acesso, tais como: 

A Power Minerals firmou acordo com o Governo de Minas Gerais para enquadrar o projeto de Terras Raras Morro do Ferro como projeto prioritário do estado. O empreendimento, localizado em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, passa a integrar o regime previsto pela Lei Estadual nº 21.972/2016, que estabelece tratamento diferenciado para projetos considerados estratégicos”. 

Consta também que a o “acordo prevê a atuação coordenada de órgãos estaduais de meio ambiente e desenvolvimento econômico enquanto a empresa avança na exploração, nos estudos técnicos e, posteriormente, no licenciamento ambiental do projeto”. Na parte de licenciamento, informa que a mineradora terá “tramitação especializada”. 

E acrescenta:  com o novo enquadramento, o licenciamento do Morro do Ferro deverá ser direcionado à Superintendência de Projetos Prioritários (SUPPRI), vinculada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) ficará responsável pela análise técnica ambiental, incluindo inspeções no local e avaliações dos estudos apresentados pela empresa”. Não seria importante uma inspeção independente? 

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), por meio também da Invest Minas, segundo os sites, “deverá apoiar a companhia na interlocução com órgãos estaduais e municipais, na aproximação com fornecedores e prestadores de serviços e na avaliação de possíveis incentivos estaduais”. Mas ressalva que o acordo, contudo, não concede licenças ambientais ao empreendimento. “As Licenças Prévia (LP), de Instalação (LI) e de Operação (LO) continuam condicionadas às três etapas do processo de licenciamento, que deverá incluir EIA e Rima quando a empresa estiver preparada para apresentar o pedido”. 

Segundo a Power Minerals, em sites, o acordo representa uma etapa institucional para o desenvolvimento do empreendimento, mas não substitui os trabalhos técnicos necessários para avançar o projeto. “O Estado concordou em aplicar seu regime de projetos prioritários ao nosso projeto de terras raras em Poços de Caldas e em coordenar os órgãos de desenvolvimento econômico e ambiental à medida que avançamos da sondagem para os estudos e, posteriormente, para o licenciamento”, afirmou o CEO da Power Minerals, Alistair Stephens. “Vamos continuar avançando com o Morro do Ferro na ordem correta: concluir o atual programa de sondagem, finalizar os testes mineralógicos e metalúrgicos e trabalhar para obter uma primeira estimativa de recursos minerais conforme o código JORC. O acordo apoia esse trabalho, sem substituí-lo“; disse. 

ALTOS TEORES DE TERRAS RARAS - 

O Morro do Ferro está inserido no Complexo Alcalino de Poços de Caldas e possui mineralização de terras raras desde a superfície, associada à mineralogia de bastnasita e cerianita. A Power Minerals concluiu a aquisição do projeto em abril de 2026 e atualmente conduz sua primeira campanha de sondagem diamantada. 

Esta informação oficial contrasta com a Carta de Apresentação na qual os trabalhos estão sendo iniciados, os de mapeamento, inclusive.  Entre os resultados divulgados pela companhia estão 116 metros com teor de 4,78% de óxidos totais de terras raras (TREO) no furo MFSR-051; 137 metros com 4,31% de TREO no MFSR-052; e 108,55 metros com 4,15% de TREO no MFSR-053. A empresa ainda não possui uma estimativa de recurso mineral JORC para o Morro do Ferro. Os resultados de sondagem divulgados anteriormente, portanto, não constituem um recurso mineral ou reserva de minério. 

Até o momento as mineradoras australianas no foco da mídia são a Viridis, inclusive contemplada com financiamento do BNDES, e a Meteoric. A Power Minerals ganha visibilidade nos últimos meses.   

(FOTOS E FONTES- AGÊNCIA MINERAL BRASIL – SITES BRASIL MINERAL)– 

COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – contato: malheiros.tania@gmail.com   

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Em destaque

Bomba atômica! Pra quê? Brasil e Energia Nuclear - Editora Lacre

O livro “Bomba atômica! Pra quê? Brasil e Energia Nuclear”, da jornalista Tania Malheiros, em lançamento pela Editora Lacre, avança e apr...