quarta-feira, 17 de junho de 2026

Funcionários da INB denunciam desmonte da empresa e decidem manter o estado de greve

 


Os funcionários da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) decidiram nesta quarta-feira (17/6) manter o estado de greve iniciado há cerca de 10 dias, contra “a grave crise financeira, o desmonte e a farsa” na direção da empresa. A decisão foi anunciada pela Intersindical, entidade que reúne os sindicatos da categoria no Rio, Bahia, Minas Gerais, entre outros. A entidade informou que o movimento foi aprovado por 80% dos empregados. A INB é responsável pelas instalações em Resende (RJ) onde mantém as máquinas (ultracentrífugas) para o enriquecimento de urânio, produção de pastilhas e varetas com urânio para os reatores das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2; além de mina e produção de yellowcake em Caetité, na Bahia, Instalações em Caldas (MG), entre outras unidades que operam com material radioativo.

 


“A nossa resposta ao descaso veio forte. É um grito de alerta contra o sumiço da alta gestão e o risco real que paira sobre o monopólio nacional do ciclo do urânio. Enquanto os trabalhadores garantem a soberania do país no chão de fábrica, o presidente interino, Sr. Tomaz Albuquerque, aparece em vídeos ensaiados para tentar acalmar os ânimos, celebrando um suposto "equacionamento" de caixa e agradecendo por um "apoio" que não existe. Que apoio, presidente? A categoria acabou de decretar Estado de Greve contra a sua gestão!”. 

De fato, o presidente postou um vídeo que aparentemente mostra uma situação bem positiva da INB, o que se sabe nada verdadeira, diante das dificuldades de caixa da empresa notórias em todo o setor nuclear. 


“A Realidade dos Fatos: O Comando Invisível e o Lucro Privado A verdade que precisa ser dita é que a atual direção "lava as mãos" para a crise interna porque a sua prioridade parece ser outra: pavimentar o caminho para a flexibilização do monopólio e a privatização do setor. Sob o pretexto de "atrair investimentos", a alta administração aproveita fóruns internacionais e eventos empresariais para flertar com a abertura ao capital privado, surfando na instabilidade política e já de olho no cenário eleitoral deste ano. Eles sabem que uma mudança no governo federal seria o sinal verde para a entrega total das nossas riquezas minerais”, diz a nota divulgada pela Intersindical. 


Segundo a nota, os funcionários estão vivendo “um cenário de abandono institucional e ameaça severa aos nossos direitos”. E relacionaram: “Improviso não é planejamento: Celebrar o pagamento da folha do mês corrente é a prova de que a INB opera no limite do precipício. A gestão vive de aparências enquanto a empresa afunda.  O corte na carne já começou: Enquanto a diretoria sorri diante das câmeras falando em "mesma missão", trabalhadores terceirizados já foram demitidos! Famílias perderam o sustento hoje. Se não barrarmos isso agora, amanhã o alvo serão os direitos históricos dos funcionários orgânicos.  Para quem trabalha a presidência?”. 


A Intersindical faz denúncias graves: “A categoria exige saber por que o presidente — um advogado com forte histórico de prestação de serviços para mineradoras privadas — prefere o sumiço institucional a dialogar com os legítimos representantes dos empregados. Enquanto o chão de fábrica opera no limite, a atual gestão se distancia da realidade interna para construir pontes com o mercado e com interesses que nada têm a ver com o fortalecimento da nossa estatal. O balcão de negócios da mineração: Não esquecemos o histórico de ex-dirigentes que saíram da INB para abrir empresas privadas de urânio e terras raras. Não permitiremos que a INB continue sendo usada como escola de formação para o mercado privado. A crise de caixa que quase impediu nossos pagamentos não é um acidente de percurso; é a cartilha clássica do sucateamento planejado. Desestrutura-se a empresa pública hoje para justificar a privatização amanhã”. 

E avisa: “Convocação Geral: À Luta! Não seremos enganados por discursos pacificados enquanto nossos colegas são demitidos e o nosso patrimônio é oferecido ao mercado. Os trabalhadores da INB não vão assistir calados à entrega de uma empresa estratégica para a soberania do Brasil para beneficiar interesses particulares. Trabalhador e trabalhadora, a hora de agir é agora! O Estado de Greve é a nossa linha de defesa. Fique atento às próximas convocações do sindicato, participe ativamente das assembleias e mobilize os seus colegas de setor. Se mexerem com um, mexem com todos. Pela nossa dignidade, pelos nossos empregos e pela soberania nacional: todos e todas à mobilização!”. 

(FOTO: Instalações da INB e Central Nuclear de Angra, da ELETRONUCLEAR) -

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