sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Brasil amplia sua capacidade de enriquecer urânio

 


Entre o final do ano e o início de 2022 a capacidade de enriquecimento de urânio no Brasil será ampliada com a inauguração da 9ª Cascata, na Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), no município de Resende (RJ), da Indústria Nucleares do Brasil (INB). A inauguração da 8ª Cascata, no dia 29 de novembro de 2019, envolveu investimentos da ordem de R$ 600 milhões. A tecnologia de enriquecimento isotópico de urânio é dominada apenas por um grupo seleto de países.

 Atualmente, em sua primeira fase de implantação, a Usina de Enriquecimento de Urânio conta com quatro módulos construídos, planejados para abrigar um total de dez cascatas de ultracentrífugas. As informações estão em relatórios da INB pesquisados pelo blog. 

“ A implantação da Usina de Enriquecimento deve prosseguir até que, ao final de sua segunda fase, seja alcançada com a Usina Comercial  de Enriquecimento de Urânio (UCEU), com capacidade de suprir com produção nacional, a demanda anual de urânio enriquecido para as usinas de Angra dos Reis: angra 1 e Angra 2, em funcionamento”. 

Com oito cascatas comissionadas a Usina de Enriquecimento encontra-se com uma capacidade nominal instalada de cerca de 54.000kg UTS/ano, o que equivale a aproximadamente 60% da necessidade anual estimada da Usina Angra 1. Com o comissionamento da 9ª Cascata, esta capacidade terá um aumento de cerca de 18%, chegando a 63.500kg de UTS/ano. Com a cascata 10ª Cascata, a capacidade deverá chegar a 70.000 kg de UTS/ano.

 Através da INB, o governo também quer expandir a Usina de Enriquecimento. Para isso, deve concluir o detalhamento do Projeto Básico e Planilhas de Quantitativos para a implantação da segunda fase da unidade. Estão previstos levantamento topográfico cadastral e planejamento georreferenciado do terreno onde se dará a ampliação e a sondagem do solo em profundidade. 

Há dois anos, quando anunciou a inauguração da 8ª Cascata, o Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, comentou: “Tivemos altos e baixos. Mas estamos vivendo um momento promissor. Pela primeira vez estamos vendo um governo dizer que a energia nuclear é prioridade de Estado”, afirmou o ministro. Na época, afirmou também que a intenção é viabilizar o ciclo completo do combustível, da mineração até a finalização com o enriquecimento.  

Na mesma época, o presidente da INB, Carlos Freire Moreira, disse que, com a entrada em operação da 8ª Cascata, a empresa aumentava em 20% a produção de urânio enriquecido no país.  “A 8ª cascata faz parte da 1ª fase de implantação da Usina de Enriquecimento de Urânio, prevista para ser concluída em 2021 com a instalação da 9ª e 10ª cascatas”, mas a 10ª não deverá ocorreu este ano. 

A implantação dessa 2ª fase contemplará três etapas. Esse contrato abrange a Etapa 1 que consiste na instalação de 12 cascatas de ultracentrífugas. Quando estiver concluída, a INB alcançará uma capacidade de enriquecimento de urânio que atenderá plenamente as necessidades de combustível nuclear das usinas de Angra I e Angra 2. 

A Unidade da INB, em Resende, está situada no Distrito de Engenheiros Passos, abrangendo uma área total de aproximadamente 600 hectares. Destes, somente 60 hectares eram efetivamente ocupados pela FCN, constituída pelas Unidades de Produção de Serviços de Enriquecimento Isotópico de Urânio, de Produção de Pó e Pastilhas de Urânio e de Produção do Elemento Combustível. A Usina de Enriquecimento Isotópico de Urânio ocupa cerca de 20% da área da FCN, ou seja, cerca de 12 hectares. 

FOTO -Unidade em Resende – INB – 

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quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Angra 2: concluída a transferência de combustível usado (urânio) para a Unidade de Armazenamento a Seco (UAS)


A Eletronuclear do grupo Eletrobras concluiu nesta quarta-feira (27/10) a transferência dos combustíveis usados (urânio) da usina nuclear Angra 2 para a Unidade de Armazenamento a Seco (UAS). No total, a companhia tem agora nove cascos, conhecidos como Hi-Storms, armazenados no depósito. Cada um contém 32 elementos combustíveis. As informações são da companhia, que está investindo cerca de US$ 50 milhões no projeto para abrigar os elementos combustíveis das usinas até 2045. 

 A atividade de transferência foi iniciada em abri e interrompida por conta do reabastecimento da usina em junho, sendo retomada em seguida. Assim, a estatal começou a retirar combustíveis usados da piscina de Angra 2, que chegou ao limite de sua capacidade, abrindo espaço para os que foram  descarregados do reator durante a parada. 

O próximo passo agora é realizar a transferência dos combustíveis usados de Angra 1 para a UAS. A empresa informou que no momento estão sendo finalizadas as mudanças de projeto na usina, como um “upgrade” (atualização) na ponte do edifício de combustível. O trabalho vai ocorrer de novembro a janeiro. 

Há cerca de um mês, dirigentes da Agência Internacional de Energia atômica (AIEA), visitaram as instalações nucleares brasileiras, entre elas, as usinas e a UAS. Todo o combustível usado nas usinas nucleares pode ser reprocessado para ser usado como plutônio. Plutônio é combustível utilizado para alimentar armas atômicas, mas o Brasil tem declarado o uso pacifico da energia nuclear, com fim exclusivo de geração de energia elétrica. 

TECNOLOGIA NORTE-AMERICANA -

 Inicialmente, a UAS contará com 15 módulos. No total, 288 elementos combustíveis foram retirados de Angra 2 e outros 222 serão retirados de Angra 1, abrindo espaço nas piscinas de armazenamento para mais cinco anos de operação de cada planta. O depósito comporta até 72 módulos, com capacidade para armazenar combustível usado até 2045. A tecnologia é da empresa norte-americana Holtec, que participa da operação com 50 profissionais; outros 20, são da Eletronuclear. 

Chamados de Hi-Storms, (cascos) são recipientes com duas paredes cilíndricas de aço preenchido com 70 centímetros de concreto de alta densidade, empregados para transportar os elementos combustíveis usados das piscinas das usinas à UAS. Segundo a Eletronuclear, os combustíveis usados são inseridos em cânisteres de aço inoxidável, totalmente selado, que, por sua vez, são inseridos nos Hi-Storms. E assim são transportados e armazenados sobre a laje da UAS. 

De acordo com a estatal, a transferência funciona da seguinte forma. Na piscina, os combustíveis usados são inseridos em um cânister, que, por sua vez, está acondicionado dentro de um recipiente chamado Hi-Trac. Cada cânister tem capacidade para conter 32 elementos combustíveis usados. Em seguida, o conjunto é retirado da piscina, o cânister é fechado e lacrado via solda, a água é removida de seu interior e gás hélio é inserido, para não haver corrosão no elemento combustível. 

Esse container é transferido do Hi-Trac para o Hi-Storm, invólucro de concreto especial reforçado, que recebe uma tampa, parafusada no recipiente. Na sequência, o Hi-Storm é levado à UAS em um carro de transferência, é içado e posicionado numa laje, onde permanecerá, concluindo o processo. 

A construção da UAS foi anunciada pelo blog na edição de 4 de agosto de 2018. Desde então foram movidas ações na Justiça contestando a segurança do empreendimento e a transferência do combustível; enquanto ambientalistas alertavam contra os perigos de contaminação radioativa para a população. 

Leia no blog: Brasil constrói depósito para combustível nuclear de Angra 1 e Angra 2 (04/08/2018); Angra 1 recebe combustível nuclear – Usinas nucleares: construção do depósito de combustível usado vai começar (29/10/2019); Começa em outubro treinamento inédito de pessoal para transferir combustível  usado (urânio) de Angra 1 e Angra 2 para Unidade de Armazenamento a Seco (15/09/2020); Procurador da República quer informações sobre segurança do depósito para urânio irradiado de usinas nucleares Angra 1 e Angra 2 (16/09/2020); Procurador da República move ação visando parar obras de UAS para armazenar urânio usado de Angra 1 e Angra 2, por falta de licenças ambientais (13/10/2020). 

FOTO: UAS – Eletronuclear - 

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terça-feira, 26 de outubro de 2021

Angra 3: contrato para a retomada das obras está pronto para ser assinado

 


Está pronto o contrato para o início das atividades no canteiro de obras da central nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ), conforme o blog apurou nesta terça-feira (26/10). Para ser assinado com o consórcio vencedor, a Eletronuclear, gestora das usinas, aguarda apenas a autorização do Conselho da holding Eletrobras. Do ponto de vista legal, está tudo concluído para a retomadas das obras, colocando um ponto final no enredo iniciado a partir do acordo nuclear Brasil-Alemanha, em 1975. 

Desde o dia 22 de julho último, em sessão pública, quando a Eletronuclear declarou o consórcio vencedor, é grande a expectativa. Venceu a licitação o consórcio composto por Ferreira Guedes, Matricial e ADtranz para contratar a empresa que retomará as obras de Angra 3 no âmbito do Plano de Aceleração do Caminho Crítico da usina. O resultado foi divulgado após a documentação do licitante ter sido avaliada e aprovada. 

O lance vencedor foi de R$ 292 milhões, o que representa um deságio de aproximadamente 16% em relação ao valor de referência estabelecido pela Eletronuclear. No total, duas companhias e cinco consórcios participaram da sessão de abertura das propostas, realizada em 29 de junho. 

Entre as principais medidas que constam no Plano de Aceleração do Caminho Crítico está a conclusão da superestrutura de concreto do edifício do reator de Angra 3. Além disso, será feita uma parte importante da montagem eletromecânica, que inclui o fechamento da esfera de aço da contenção e a instalação da piscina de combustíveis usados, da ponte polar e do guindaste do semipórtico. O índice atual de conclusão da construção de Angra 3 é de 65%. A Eletronuclear prevê que a usina entre em operação em novembro de 2026. 

EMPRESA ESPANHOLA - 

Para resgatar um pouco a história recente de Angra 3, lembremos que o consórcio Angra Eurobras NES, formado pelas empresas Tractebel Engineering Ltda (líder), Tractebel Engineering S.A, e Empresários Agrupados Internacional S.A, - empresa espanhola de engenharia), venceu a concorrência para a estruturação do projeto de retomada e conclusão das obras da usina nuclear. 

Em junho, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinou o contrato com o consórcio. A Eletronuclear devia R$ 6,6 bilhões ao BNDES e a Caixa Econômica Federal (CEF) por conta de Angra 3. A usina já consumiu cerca de R$ 7 bilhões dos cofres públicos desde o início de sua construção em 1984; e precisaria de mais R$ 15 bilhões para ser inaugurada em 2026.

“O consórcio terá a atribuição de definir a projeção dos investimentos necessários à implementação do projeto, o cronograma detalhado da obra e a especificação de como se dará a contratação de uma ou mais construtoras para a realização dos trabalhos”. A contratação do consórcio faz parte dos serviços técnicos que o BNDES presta à Eletronuclear — proprietária da usina — desde 2019, visando estruturar o modelo jurídico, econômico e operacional de parceria junto à iniciativa privada, para a construção, manutenção e exploração de Angra 3. 

De acordo com modelo proposto pelo BNDES, as obras serão retomadas por meio de EPC (Engineering, Procurement and Construction), modalidade de contratação de serviços de engenharia na qual a construtora contratada ficará responsável ”não só pela execução da obra em si, mas também por eventuais complementos ao projeto de engenharia e pela compra dos materiais e equipamentos necessários à finalização da obra”. Angra 3 poderá ter um ou mais contratos de EPC, dependendo das recomendações técnicas a serem feitas pelo consórcio contratado. 

Segundo Lidiane Delesderrier Gonçalves, superintendente da Área de Estruturação de Empresas e Desinvestimento do BNDES, o Angra Eurobras NES será responsável também por assessorar a contratação das construtoras. "Esse assessoramento, que incluirá a avaliação das propostas técnicas das empresas proponentes, é considerado de suma importância para garantir um processo seletivo bem-sucedido, atraindo empresas de reconhecida qualidade técnica", afirmou. 

Angra 3 vai gerar mais de 10 milhões de MWh por ano, energia suficiente para atender aproximadamente 6 milhões de residências. 

Formado pelas empresas Tractebel Engineering Ltda. (líder), Tractebel Engineering S.A. e Empresários Agrupados Internacional S.A., o consórcio terá a atribuição de definir a projeção dos investimentos necessários à implementação do projeto, o cronograma detalhado da obra e a especificação de como se dará a contratação de uma ou mais construtoras para a realização dos trabalhos.  

O grupo Tractebel, cuja história começa no século XIX, tem experiência em vários países do mundo na atuação com energia nuclear. A espanhola Empresários Agrupados, empresa de engenharia, criada em 1971, é atuante no setor de geração de energia elétrica, com experiência na implantação de usinas nucleares. 

“A contratação do consórcio, composto por empresas com vasta experiência em assessoramento à implementação de usinas nucleares no mundo, permitirá que se projete ao mercado a confiança necessária para atrair parceiros construtores de primeira linha e uma ampla gama de agentes financiadores no Brasil e no mundo”, explica Leonardo Cabral, diretor de Privatizações do BNDES. Angra 3 é a segunda usina comprada no pacote do acordo nuclear Brasil-Alemanha, em 1975. Terá potência instalada de 1.405 MW e cerca de 82.000 metros quadrados de área construída, o equivalente a dez campos de futebol. 

FOTO: Angra 3 – Eletronuclear/Eletrobras. 

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INB confirma negócios na Alemanha

 


A estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) confirmou as informações publicadas pelo blog sobre a contratação na Alemanha de uma linha de produção de grades espaçadoras a ser instalada em sua unidade, no município de Resende (RJ).  A empresa admitiu que é obrigada realizar a importação, para a “montagem final do Elemento Combustível para atender à demanda das usinas nuclear de Angra 2 e, futuramente, Angra 3”, da Eletronuclear. 

A INB acabou anunciando seus planos futuros: a instalação de uma linha de fabricação de grades espaçadoras na Fábrica de Componentes da INB em Resende, “um dos projetos de nacionalização, parte do planejamento estratégico da empresa para os próximos anos”. 

A tecnologia dos combustíveis para as usinas nucleares do tipo PWR, utilizada pelo Brasil, usa um componente metálico denominada grade espaçadora. Esta peça tem a função de posicionar e sustentar as varetas combustíveis que contém o material nuclear (sob forma de pequenas pastilhas cilíndricas). 

“A INB quer substituir tecnologias importadas para a completa produção em território nacional, reduzindo riscos logísticos e cambiais no suprimento destes componentes até então importados”, informou a empresa. 

Sobre as negociações da estatal com a empresa Framatome, nas cidades de Frankfurt e Erlangen, na Alemanha, para a compra de contêineres destinados ao transporte de combustível nuclear, a INB respondeu que está prestando suporte à Eletronuclear. “Visamos obter as especificações técnicas para a aquisição de mais contêineres de transporte de combustíveis nucleares (projetos Angra 1 e Angra 2 e Angra 3, no futuro, entre as instalações em Resende e a Central Nuclear de Angra dos Reis (RJ). 

“Os novos embalados permitirão reduzir a quantidade de transportes rodoviários entre as unidades industriais, otimizando custos e também reduzindo a interferência nas rodovias utilizadas, possibilitando a redução da quantidade de comboios em tráfego durante os períodos de recargas dos reatores”. 

A estatal também respondeu sobre a investigação da “causa raiz” que provocou corrosão em tubos de combustíveis (urânio enriquecido) da usina Angra 2, denunciada pelo blog no ano passado.  A INB informou que estudos técnicos foram contratados pela Eletronuclear junto à Framatome. Na qualidade de fabricante dos combustíveis nucleares para as usinas nucleares nacionais, a empresa está acompanhando as “ações diligentes e os respectivos desdobramentos”. Aguardamos as informações sobre as causas e os prejuízos financeiros causados pela corrosão.  

FOTO: Material nuclear transportado de Resende para a central nuclear de Angra. 

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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

"Sinal verde" para construção de usinas nucleares nos estados.

 


Se depender da vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Rosa Weber, o governo federal está com o caminho aberto para construir a primeira usina nuclear do Nordeste, em Itacuruba, Pernambuco. Na semana passada, a ministra julgou procedente o pedido para declarar a inconstitucionalidade do inteiro teor do artigo 216 da Constituição do Estado de Pernambuco, proibindo a instalação de plantas nucleares na região.  Outros estados estão em situação semelhante.

 “É sinal verde para a construção de usinas nucleares em Pernambuco e outros estados”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN), Carlos Mariz. No caso específico de Pernambuco, onde a usina seria construída às margens do Rio São Francisco, podendo haver contaminação radioativa nas águas, ele afirma que esse risco não existe: “Isso é só pra alarmar. Mais de 60% das usinas nucleares do mundo situam-se em rios. Só na França são 44. E rios como o Rio Sena, Rio Loire, apenas para citar alguns”. 

Mas a Articulação Antinuclear, organização que reúne cerca de 30 entidades civis no País, enviou carta aos ministros do STF contestando a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI - 6897) proposta pelo Procurador-Geral da República, Augusto Aras. Para a Articulação Antinuclear, a ADI é uma “investida contra a autonomia dos Estados e ocorre no momento em que o lobby nuclear coloca a questão como “a rota de energia do futuro”. 

“Ainda que o debate internacional sobre a transição energética oriente substituir a energia nuclear por fontes renováveis, face aos desafios climáticos e socioambientais, o governo brasileiro vem escalonando a cadeia produtiva do setor, ampliando negócios privados, como na exploração do urânio”, afirma a entidade em carta. 

Perguntado sobre a importância de maiores investimentos em energias alternativas, como a solar e a eólica, ele disse que são importantes, mas a “intermitência gera insegurança”. E comentou: “uma boa matriz precisa estar bem equilibrada na base dos três pilares fundamentais: segurança energética; segurança econômica; segurança ambiental. Precisamos de uma matriz de energia elétrica, bem balanceada, que comporte hidrelétricas, nucleares, solar, eólica, predominantemente”. 

A Articulação Nuclear contesta e reforça os perigos de acidentes com o uso de energia nuclear. “Os rejeitos radioativos que se acumulam no combustível usado dos reatores nucleares processam ficar isolados durante centenas de anos, expondo a sociedade a riscos de desastres com materiais de alta radioatividade”. Mas o STF mantém a sua posição pelo poder da União sobre os Estados. 

MESMA PROIBIÇÃO - 

Por unanimidade de votos, recentemente, o STF declarou a inconstitucionalidade de dispositivo da Constituição da Paraíba, que veda o depósito de lixo atômico não produzido no estado e a instalação de usinas nucleares em território paraibano. 

Segundo o STF, “a norma estadual invade a competência privativa da União para legislar sobre atividades nucleares”. A decisão foi tomada na sessão virtual encerrada no dia 14 de setembro, nos termos do voto da relatora, ministra Cármen Lúcia. A relatora lembrou que, em caso análogo, o STF julgou inconstitucional norma da Constituição de Sergipe com a mesma proibição. Aras questionou normas semelhantes de mais de 18 estados. 

O procurador-geral citou a Lei 4.118/1962, que instituiu a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), a Lei 6.189/1974, que regula as normas sobre instalações nucleares e transporte de material nuclear; e a Lei 10.308/2001, que trata de aspectos relacionados aos depósitos de rejeitos radioativos e à seleção dos locais de armazenamento. Segundo Aras, “não há espaço normativo para que estados editem normas paralelas sobre a matéria”. 

AÇÕES PROCEDENTES: AMAPÁ, PARANÁ E PARÁ - 

O STF declarou como procedentes três ações de controle constitucional da Procuradoria-Geral da República (PGR), que questionam legislações estaduais sobre atividades nucleares e materiais radioativos. Nas ações diretas de inconstitucionalidade o órgão ministerial defende que os dispositivos do Amapá, do Paraná e do Pará “invadem a competência privativa” da União para editar leis sobre a implantação e localização de usinas nucleares, além do armazenamento e processamento de material radioativo.

 A questão não é nova na jurisprudência da Corte, tendo o Tribunal decidido em diversas oportunidades pela incompetência dos Estados-membros para legislar sobre o assunto. O julgamento dessas e outras ações ocorreu por meio do Plenário Virtual, entre 8 e 18 de outubro.

 FOTO: Projeto da usina de Itacuruba (PE). 

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quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Material radioativo: a mineira Caldas pode ter depósito semelhante ao de Goiânia (césio-137)

 



O município de Caldas, em Minas Gerais, poderá ter um depósito de longo prazo para armazenar Torta II (material radioativo), semelhante ao existente em Goiânia, onde foram depositadas toneladas de materiais contaminados por césio-137, devido ao acidente ocorrido há 34 anos. O depósito de Caldas também teria estruturas de concreto enterradas, próximas à superfície, como em Goiânia. 

A informação foi dada nesta quarta-feira (20/10) pelo superintendente de desenvolvimento da Diretoria de Recursos Minerais da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Diógenes Salgado Alves, durante audiência pública na Câmara dos Vereadores da cidade, visando discutir a solução para o destino de cerca de 12 mil toneladas de Torta II, material radioativo, estocadas em Caldas. Lá, a INB manteve mina de urânio esgotada há anos, mas o local passou a receber Torta II de outras unidades paulistas. 

“Atualmente a solução proposta para remediar a situação é o armazenamento de toda a Torta II em novos galpões. Nessa proposta todos os tambores e bombonas deverão ser reembalados. O que está a granel deverá também ser acondicionado em tambores. Mas continuará sendo uma solução intermediária”, afirmou o superintendente. Durante a audiência, ele também informou planos para contratação se serviços em 2022, e ações em 2023. 

As ações em curso para o armazenamento da Torta II, segundo ele, são: remediação da situação de 1.100 tambores e 400 bombonas, com prazo de abril de 2022, a troca das coberturas dos silos; contratação do projeto executivo do novo Ponto de controle, estudos para a identificação de local preferencial  para a alternativa de armazenamento de longo prazo. E mais:  reembalar os tambores metálicos deteriorados até dezembro de 2023, por exemplo. 

TERRENOS - 

O mais recente caso envolvendo o material radioativo de Caldas voltou à tona no dia 27/8, divulgado pelo blog. No dia seguinte, a INB confirmou estar dialogando com o Ministério Público Federal de São Paulo e de Pouso Alegre, a transferência de mais Torta II para a sua unidade em Caldas. O material radioativo sairia de sua Usina de Interlagos (USIN) e de Botuxim, em Itu. A intenção, segundo fontes, é a venda dos dois terrenos em locais valiosos. A notícia desagradou à população e os parlamentares de Caldas. A partir daí têm sido frequentes as ações públicas para impedir que a cidade receba a Torta II paulista. 

ANTPEN LUTA NA JUSTIÇA - 

Os rejeitos radioativos fazem parte do estoque acumulado durante mais de 20 anos da Nuclemon, no Brooklin (SP), empresa da INB, que manuseou torta II e outros materiais nucleares, desde a década de 70.  A longa história gerou prejuízos materiais e humanos incalculáveis, como a contaminação de trabalhadores da empresa, que durante décadas, sem saber, manusearam elementos radioativos. Até hoje o caso da Nuclemon gera revolta aos ex-funcionários da empresa, fechada em 1992. 

Abandonados pelo poder público, as vítimas e familiares – pois muitos já morreram-, em 2006, fundaram a ANTPEN (Associação Nacional dos Trabalhadores da Produção de Energia Nuclear), para lugar pela causa. São dezenas de pedidos de indenização na Justiça Paulista. Até hoje, o máximo que as vítimas conseguiram foi o pagamento de um plano de saúde. 

Na Justiça, a INB indica Caldas para receber mais material radioativo, alegando que o lugar é excelente para este objetivo. Indica também o município de Buena, em São Francisco de Itabapoana (RJ). 

Assim como o governo vendeu o terreno da Nuclemon no Brooklin por R$ 12.279,00 o metro quadrado; segundo fontes, a intenção da empresa é esvaziar e fazer o mesmo com o terreno da USIN avaliado hoje em cerca de R$ 3.469,55 por metro quadrado. 

Segundo o cronograma inicial de transferência da INB, conforme documentos do Ministério Público Federal – Procuradoria da República de São Paulo - a Torta II seria transportada para o local neste primeiro semestre de 2021 e primeiro semestre de 2022 e, ainda, no primeiro bimestre de 2023. O transporte efetivo desse material está previsto para o primeiro semestre de 2025. As promessas de buscar soluções para o problema ficaram consignadas em ata na audiência pública realizada ontem.  FOTOS: Unidade Industrial, galpão e tambores.












FOTOS- INB -

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terça-feira, 19 de outubro de 2021

Medicina Nuclear: demora na liberação de verbas ainda afeta tratamento de pacientes com câncer

 


Exames da Medicina Nuclear, tais como, cintilografias ósseas para osteomielite e pesquisas de metástase ósseas; do miocárdio para estratificação de doenças coronárias e infarto agudo do miocárdio; renais para avaliação de cicatrizes renais e obstrução ao fluxo urinário; no hipertireoidismo; no hiperparatireoidismo; e de perfusão cerebral para demências e epilepsia. São alguns dos exames que permanecerão suspensos nos próximos 15 dias, pela demora na liberação de recursos para a importação de radioisótopos pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, da Comissão Nacional de Energia Nuclear (IPEN-CNEN).

Embora o Lei nº 14.220 tenha sido sancionada pelo governo na sexta-feira (15/10), liberando R$ 63 milhões para a importação dos insumos, segundo a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN), a produção do radiofárnaco tecnécio, usado para esses exames, foi bastante afetada. A normalização deverá ocorrer nas próximas semanas, avalia o presidente da SBMN, médico nuclear George Coura.

 Conforme o blog tem informado, a produção dos medicamentos é o carro-chefe do IPEN-CNEN, do Ministério da Ciência, Tecnologias e Inovações. A privatização da produção estaria desagradando servidores comprometidos com o Instituto, um dos maiores da América Latina.Desde 21 de setembro, sem radioisótopos, por falta da liberação de verbas, centenas de pacientes com câncer tiveram o tratamento interrompido, gerando uma grave crise no país.

 Com os insumos importados da África do Sul, Holanda e Rússia, o IPEN produz os medicamentos para o atendimento de pacientes em cerca de 440 clínicas particulares e do Sistema Único de Saúde (SUS). Com a liberação dos R$ 63 milhões, o problema está momentaneamente resolvido, segundo Couta. “O desafio será acompanhar o valor do orçamento de 2022”.

 Para a direção do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Estado de São Paulo (SINDSEF-SP), a privatização está por trás de toda a engrenagem que ocasionou o atraso na liberação das verbas. O senador Álvaro Dias (Podemos-PR) defende a quebra do monopólio estatal da produção de radiofármacos. O parlamentar é autor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 517/10, que autoriza a iniciativa privada a produzir, sob regime de permissão, todos os radioisótopos de uso médico.

 FOTO: Portal do IPEN-CNEN. Este blog faz JORNALISMO INDEPENDENTE. A sua colaboração é muito importante para a manutenção do trabalho iniciado em 2018. Agradecemos a contribuição. PIX: 21 99601-5849.

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