A
construção da usina nuclear Angra 3, iniciada em 1984, ainda não foi concluída:
o projeto foi interrompido e recomeçado inúmera vezes e ainda faltam 35% da
obra, com custo estimado em R$ 23 bilhões para finalização, segundo
avaliação recente do BNDES. Mas qual seria o custo para o país desistir do
projeto? Na avaliação do professor Aquilino Senra, do Programa de Engenharia
Nuclear da Coppe/UFRJ, a pior decisão é não decidir. Aqui, ele detalha os
números: Potência prevista
: 1.405 MWh; Geração anual estimada
: A
usina nuclear Angra 3 foi projetada para gerar 12 milhões de MWh, suficiente
para abastecer cerca de 4,5; milhões de pessoas (equivalente ao consumo anual
das cidades de Brasília e Belo Horizonte); participação na demanda do RJ; a
usina nuclear Angra 3 quando em operação poderá atender cerca de 30% da demanda
de energia elétrica do estado do Rio de Janeiro, com base no consumo do ano
2024.
Juntamente com as usinas nucleares Angra I e Angra II o atendimento da
demanda será de 72%. Cenário da descontinuação da obra de Angra 3
: Custo
estimado de desmantelamento da obra realizada será de R$ 21 bilhões,
incluindo quitação de financiamentos, penalidades contratuais e custo de
oportunidade do capital investido. A manutenção da estrutura existente,
enquanto a decisão não é tomada é aproximadamente de R$ 1 bilhão por ano.
Substituição
por outra fonte de energia:
No caso da descontinuidade da obra de Angra 3,
para atender à crescente demanda de energia elétrica do país serão necessários
elevados investimentos para a implantação de uma outra fonte de energia. Essa
nova fonte deverá ter a mesma capacidade de geração de energia elétrica que
teria a usina nuclear de Angra 3, lembrando que a fonte nuclear é firme
(geração constante) com fator de capacidade de aproximadamente de 95%.
Por
exemplo, para gerar a mesma energia de Angra 3 em 40 anos, seria
necessário um parque eólico com mais do que o dobro da potência instalada de
Angra 3, ou seja 3.926 MWe médios admitindo-se um fator de capacidade da fonte
eólica de 34%. A área a ser ocupada seria superior a 500 km² (quase metade da
cidade do Rio de Janeiro). O custo médio total estimado é de, aproximadamente,
R$22 bilhões, sem incluir o custo com bancos de baterias para
garantir energia firme o tempo todo.
IMPACTO ECONÔMICO:
Segundo estudo recente
da FGV Energia, cada R$ 1 bilhão investido em energia nuclear gera até R$ 3,1
bilhões no PIB e até 22.500 empregos, sendo cerca de 17.500 no Estado do Rio de
Janeiro. A proximidade das grandes cidades (São Paulo, Rio de Janeiro e Belo
Horizonte) reduz perdas com transmissão e garante maior estabilidade ao Sistema
Interligado Nacional (SIN).
ENERGIA PARA O FUTURO:
O crescimento da demanda por
energia elétrica, impulsionado pelo desenvolvimento econômico e pelo aumento do
uso de Inteligência Artificial e datacenters, exige fontes de energia firmes,
estáveis e livres de carbono. Pequenos reatores modulares (SMRs) surgem como
alternativa para atender a esse tipo de demanda.
SEGURANÇA E REJEITOS:
Nesse
quesito, o professor Aquilino Senra alerta que, embora a geração de energia
nuclear suscite preocupações no público leigo em relação a segurança, ela é uma
fonte de energia com rígidos protocolos de segurança. “Angra I está operando há
41 anos e Angra 2 há 21 anos sem quaisquer problemas graves e com bom desempenho
operacional. Uma usina nuclear, no processo de licenciamento pré-operacional,
envolve uma análise probabilística de segurança que serve para avaliar e
quantificar os riscos associados ao seu funcionamento.
Essa análise considera
uma ampla gama de cenários de acidentes, identificando vulnerabilidades no
projeto e na operação do reator. Quanto aos rejeitos radioativos, eles são
inicialmente guardados nas piscinas de combustível nuclear usado, por um
período superior a 10 anos para resfriamento e posteriormente são guardados em
unidades de armazenamento a seco. São cilindros de aço e concreto, onde o
material é armazenado, com hélio, um gás inerte, para evitar corrosão, e que
ficam ao lado das usinas nucleares”.
Angra I opera há 41 anos e Angra 2 há 21,
sem incidentes graves. Caso o Brasil construísse e pusesse em operação as oito
usinas previstas em seu programa nuclear, os rejeitos, que resultassem de
décadas de operação, poderiam ser vitrificados e armazenados em depósito
subterrâneo, isolado por concreto, em local afastado do lençol freático e com
estabilidade geológica, em uma área tão pequena quanto de um campo de futebol.
CONCLUSÃO:
Concluir Angra 3: Investimento de R$ 23 bilhões, energia
firme para 4,5 milhões de pessoas, 30% da demanda do Estado do Rio
atendida, menor área ocupada e geração contínua sem emissões de gases de efeito
estufa. Desistir de Angra 3: Custo direto de R$ 21 bilhões, além da
necessidade de substituir a fonte nuclear por fontes de energia livres de
carbono, como por exemplo um parque eólico de 3.926 MWe, ocupando uma área
de 520 km² e com custo similar (R$ 22 bilhões).
RESULTADOS DOS NÚMEROS
Financeiramente
e energeticamente, concluir Angra 3 é mais vantajoso. Abandonar a usina
implicaria alto custo de descomissionamento e exigiria soluções complexas e
dispendiosas para gerar a mesma quantidade de energia, com impacto territorial
e intermitência de produção, caso a alternativa escolhida seja a de uma fonte
de energia renovável.
(FOTO: USINA -CENTRAL NUCLEAR, AUTOR MARCOS MICHAEL) – FOTO AQUILINO: DO BLOG -
REPORTAGEM PUBLICADA PELO INSTITUTO
ALBERTO LUIZ COIMBRA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DE ENGENHARIA, DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO DE JANEIRO – COPPE – UFRJ - EM 25/08/2025 –
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