domingo, 24 de novembro de 2024

Evento debate opção por reator nuclear modular de pequeno porte

 


“Os reatores modulares pequenos (SMRs) poderão desempenhar um papel crucial na descarbonização de setores de difícil redução de emissões, como as indústrias siderúrgicas, de cimento, alumínio e no transporte marítimo e aéreo, de várias maneiras: fornecimento de calor de alta temperatura; produção de hidrogênio limpo; eletrificação e cogeração; descarbonização do transporte marítimo; fornecimento de energia para processos de captura e armazenamento de carbono (CCUS); transporte aéreo e combustíveis sintéticos”. Quem garante é o engenheiro nuclear Leonam dos Santos Guimarães, Assessor da Diretoria da Amazul – Amazonia Azul e diretor técnico da Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Atividades Nucleares (Abdan). O especialista vai participar do 2º Workshop SMR Brasileiro, que começa nesta segunda-feira (25/11) e se estende até o dia 26 de novembro, na sede da Seaerj, no Rio (Rua do Russel, Nº 1, Glória).  

Segundo Leonam Guimarães, os SMRs têm o potencial de desempenhar um papel transformador na descarbonização de setores de difícil redução ao oferecer fontes de calor de alta temperatura, eletricidade limpa e produção de hidrogênio. “Sua flexibilidade, modularidade e capacidade de operar em locais mais diversos tornam-nos particularmente adequados para apoiar a transição energética nesses setores intensivos em carbono”. 

O SMR BRASILEIRO - 


Parceria da Aben, Amazul e Casa Viva, o 2º Workshop SMR Brasileiro acontecerá de forma integrada ao Seminário Múltiplas Aplicações da Energia Nuclear e das Radiações, que vai debater os benefícios socioeconômicos e ambientais da tecnologia nuclear e terá como tema central “O projeto do pequeno Reator Modular Brasileiro (SMBR), Aplicações, Licenciamento, Financiamento e Aceitação Pública”. 

A proposta é dar seguimento ao debate iniciado no 1º Worrkshop realizado durante o XV SIEN, em agosto, e avançar mais nessa discussão rumo à consolidação do projeto do primeiro SMR Brasileiro. A tecnologia de SMRs e suas possibilidades têm sido amplamente discutida, no Brasil e no exterior, e mais de 80 projetos de SMR estão em avaliação no exterior.  

"Diante da necessidade de conter o aumento da temperatura no planeta, os Pequenos Reatores Modulares (SMRs) vem ganhando papel estratégico. A tecnologia traz uma mudança de paradigma com a oportunidade de reduzir o tempo de construção e os custos iniciais de implantação associados às grandes centrais nucleares. Em consequência, levará a uma maior participação da energia nuclear na matriz energética global, com efeitos positivos para atual necessidade de redução de emissões de carbono, com segurança energética pela diversificação das fontes e garantia do abastecimento para atendimento das pessoas e da economia", segundo os organizadores do evento. 

Fonte de calor para a indústria - Eles defendem que muitas indústrias, especialmente a siderúrgica e a de cimento, requerem calor em altas temperaturas para seus processos produtivos. “Os SMRs, particularmente aqueles projetados para fornecer calor além de geração de eletricidade, como os reatores de alta temperatura (HTRs), podem suprir essa necessidade. O uso de calor nuclear substitui combustíveis fósseis em processos industriais, como a produção de aço e cimento, reduzindo significativamente as emissões de carbono”. 

“A captura e armazenamento de carbono (CCUS) é uma tecnologia que pode ser aplicada em indústrias como a de cimento e siderurgia, mas demanda grande quantidade de energia. SMRs poderiam fornecer a energia necessária para esses processos de forma sustentável, contribuindo para a redução líquida de carbono desses setores. Os SMRs também podem ser utilizados para gerar hidrogênio através da eletrólise da água ou processos termoquímicos, sem a emissão de carbono, ao contrário da produção de hidrogênio a partir de gás natural (a forma predominante atualmente). Esse hidrogênio pode ser usado como insumo em processos industriais, como na produção de aço com base em hidrogênio (DRI - Direct Reduced Iron), e também como combustível para transporte marítimo e aéreo, promovendo a descarbonização desses setores”. 

Outro ponto positivo, segundo eles, é o fato de que os SMRs podem fornecer eletricidade limpa e calor simultaneamente (cogeração), atendendo a indústrias que demandam ambas as formas de energia. Isso não só proporciona uma fonte de energia livre de carbono, como também pode aumentar a eficiência energética dos processos industriais. A eletrificação de processos industriais intensivos em energia e asubstituição de fontes fósseis por energia nuclear pode reduzir consideravelmente as emissões de CO₂. 

Descarbonização dos transportes - Defendem também que, no transporte marítimo, que depende fortemente de combustíveis fósseis, os SMRs poderiam ser usados para fornecer energia nuclear a embarcações, similar ao que já ocorre em submarinos e navios quebra-gelo. “Essa abordagem poderia ser expandida para navios comerciais, reduzindo drasticamente as emissões associadas ao transporte marítimo”. 

Transporte aéreo e combustíveis sintéticos - “Embora o transporte aéreo seja um dos setores mais difíceis de descarbonizar diretamente com energia nuclear, SMRs poderiam apoiar a produção de combustíveis sintéticos, como combustíveis líquidos a partir de CO₂ capturado e hidrogênio produzido com energia nuclear. Isso ofereceria uma alternativa de baixo carbono para a aviação, que atualmente depende de combustíveis fósseis”.  

Em defesa da opção pelos reatores modulares, informam que a Petrobrás, inclusive, “já está estudando a possibilidade de usar reatores nucleares modulares de pequeno porte (SMRs) como fonte de energia de baixo carbono para as atividades de produção de petróleo e gás. A informação foi divulgada no Site da Agência EPBR e é parte do esforço da companhia para reduzir as emissões nas operações e ganhar competitividade com a extração de um petróleo com menos emissões associadas. No momento, o trabalho está na fase de levantamento de potenciais rotas tecnológicas e os desafios associados, assim como as potenciais aplicações nas operações. 

(FOTO: ACERVO PESSOAL E ARQUIVO GAZETA DO POVO) – FONTE: CASA VIVA 

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Usina nuclear Angra 2 está desligada

 


A usina Angra 2 está desligada, sem gerar energia, desde 8/11, conforme o BLOG antecipou que ocorreria no dia 25/10. A parada foi agora divulgada em “fatos relevantes” da página da Eletronuclear. O desligamento ocorreu para a troca de combustível (urânio enriquecido). Até ontem a usina estava gerando energia, segundo "fatos relevantes". O BLOG perguntou à companhia sobre a previsão de retorno de Angra 2 ao Sistema Integrado Nacional (SIN) e o valor pago pelo combustível à Indústrias Nucleares do Brasil (INB). A parada, segundo a companhia, vai durar 46 dias.  
 Novos equipamentos foram implementados em Angra 2 em 2017.  

Em março deste ano, visando evitar riscos elétricos para os trabalhadores, após identificação de pontos quentes em conexões do transformador do gerador elétrico principal de Angra 2, a usina nuclear foi desligada. O problema foi verificado durante uma inspeção termográfica de rotina, na área externa da unidade atômica. Os trabalhos precisaram que o transformador fosse desenergizado, evitando riscos elétricos para os trabalhadores. 

Em novembro de 2022, Angra 2 foi desligada: Um desarme automático do conjunto turbogerador, na parte não nuclear de Angra 2, devido ao “acionamento da proteção de falha para terra do rotor do gerador principal”, desconectou a usina nuclear do Sistema Interligado Nacional (SIN). A unidade operava a 100% de potência quando ocorreu o problema. A informação foi confirmada pela Eletronuclear nesta quinta-feira (10/11). 

Segundo a companha, todos os sistemas de segurança atuaram adequadamente, tendo o reator de Angra 2 permanecido em funcionamento com 23% de potência, conforme previsto em projeto. “O episódio não representou qualquer risco aos trabalhadores da central nuclear, à população ou ao meio ambiente”, informou a Eletronuclear. 

ANO 2020 – OXIDAÇÃO - 

Em julho, conforme o BLOG divulgou, problemas ocorreram durante o reabastecimento de combustível (urânio enriquecido), em Angra 2, que havia sido desligada no dia 22/6. Segundo a estatal, na inspeção foi detectada, “nos elementos combustíveis carregados no último ciclo, uma oxidação inesperada no revestimento dos tubos que contém as pastilhas de urânio enriquecido”. 

UM POUCO DA HISTÓRIA - 

A segunda usina nuclear do governo brasileira começou a operar comercialmente em 2001. Com potência de 1.350 megawatts, o equivalente a 20% da energia elétrica consumida na cidade do Rio de Janeiro. A usina conta com um reator de água pressurizada (PWR) de tecnologia alemã da Siemwns/KWU (hoje Areva NP), fruto de acordo nuclear entre Brasil e Alemanha, assinado em 1975. Angra 2 começou a ser construída em 1981, mas teve o ritmo das obras desacelerado a partir de 1983, parando de vez em 1986. A unidade foi retomada no final de 1994 e concluída em 2000. O custo da produção da usina não costuma ser revelado, nem as despesas com as paradas por problemas técnicos, muito menos, com a troca de combustível. Há cerca de cinco anos, o combustível custava R$ 286 milhões. 

(FOTO: ELETRONUCLEAR)  - 

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quinta-feira, 21 de novembro de 2024

CNEN autoriza a operação de Angra 1 por mais 20 anos

 


A usina nuclear Angra I, em Angra dos Reis (RJ), foi autorizada nesta quinta-feira (21/11) a operar por mais 20 nos, pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Às vésperas de completar 40 anos, a decisão vinha sendo esperada pelo setor nuclear. Angra 1 começou a operar em 1985, mas foi desligada várias vezes por defeitos, problemas técnicos e ações judiciais. Foram tantos os desligamentos que chegou a ser batizada de “vagalume”. 

A Eletronuclear já admitiu que precisará buscar recursos adicionais para viabilizar a extensão de vida de Angra 1, capaz de produzir 640 MW, quando funciona 100% sincronizada ao sistema elétrico. A atual licença de operação da unidade expira em 24 de dezembro, mas a CNEN já estava com a autorização pronta,  segundo fontes. 

A empresa norte-americana Westinghouse, que vendeu a usina para o Brasil em 1970, foi contratada para participar do trabalho de avaliação, previsto para terminar em 2019, mas continuou.  Há cerca de duas décadas, a projeção era de que a unidade atômica deveria parar de funcionar até 2018. Mas nos últimos cinco anos foram investidos US$ 27 milhões na modernização do empreendimento, segundo a Eletronuclear, responsável pelas usinas nucleares.

Como parte desse programa foram realizadas várias substituições, como a troca de dois geradores de vapor e a tampa do vaso de pressão do reator, além do armazenamento da antiga. A tampa do vaso de pressão do reator e um mecanismo de inserção e extração das barras de controle foram fabricados pela empresa japonesa Mitsubishi Heavy Industries (MHI), que contratou a norte-americana Aquilex WSI Nuclear Services para realizar os serviços de troca, e a canadense Transco Plastic Industries, para fornecer o novo isolamento térmico. 

(FOTO: ABDAN) -

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segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Angra 1: licença para operação termina no Natal

 


A licença de operação da usina nuclear Angra 1 termina na véspera do Natal (24/12/2024). A licença que está sendo analisada pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) visa à prorrogação da vida útil da central atômica por mais vinte anos, mas poderá ter prazo menor, segundo fontes do setor. A Eletronuclear formalizou a solicitação em 2019.

Inaugurada em 1985, a usina completará 40 anos no próximo ano. Segundo auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) a piscina de Angra 1, que armazena rejeitos de baixa e média atividade, estará esgotada m 2028. 

Angra 1 foi comprada da norte-americana Westinghouse em 1970, depois de uma negociação iniciada na década de 60, em plena ditadura militar. As obras da usina sofreram diversos atrasos e depois de inaugurada, Angra 1 foi desligada diversas vezes por defeitos, problemas técnicos, ações judiciais e troca de combustível. 

Há cerca de duas décadas, a projeção era de que a unidade atômica poderia funcionar até 2018. Mas há cerca de cinco anos a Westinghouse prepara a usina para durar mais e já foram investidos pelo menos US$ 27 milhões na modernização do empreendimento, segundo a Eletronuclear, responsável pelas usinas nucleares. 

Como parte desse programa, foram realizadas várias substituições como a troca de dois geradores de vapor e a tampa do vaso de pressão do reator. A tampa do vaso de pressão do reator e um mecanismo de inserção e extração das barras de controle foram fabricados pela empresa japonesa Mitsubishi Heavy Industries (MHI), que contratou a norte-americana Aquilex WSI Nuclear Services para realizar os serviços de troca, e a canadense Transco Plastic Industries, para fornecer o novo isolamento térmico, conforme informações oficiais da Eletronuclear. 

LEIA NO BLOG: 

18/04/2018; angra 1 deve ter mais 20 anos de vida útil; 07/11/2019: Eletronuclear formaliza a CNEN pedido para extensão de vida útil de Angra 1; 20/02/2020, Curto circuito causou o desligamento da usina nuclear angra 1; 21/02/2020; A Siemens, do grupo alemão, com sede nos EUA, vendeu equipamento com defeito para Angra 1; 13/03/2020; Usina nuclear Angra 1 volta a operar depois de quase um mês deligada; 06/08/2020; Angra 1: problemas técnicos desligam a usina duas vezes em menos de 30 dias; 01/09/2020; Angra 1: US$ 23,5 milhões para a extensão da vida útil; 31/05/2022; Angra1 – defeito em válvula desliga a usina nuclear; 06/06/2022; Angra 1 volta a operar após reparos em válvula; 14/09/2022; Angra 1 – bancos injetam milhões de dólares em programa de extensão da vida útil da usina; entre outras.

 FOTO: ABDAN - 

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quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Eletrobras: lucro líquido trimestral chega a R$ 7,195 bilhões, com aumento de 387,3% no ante igual período do ano anterior. Resultado acumulado do ano tem alta de 165%

 


A Eletrobras registrou aumento expressivo no lucro líquido e no indicador financeiro Ebitda regulatório no terceiro trimestre de 2024, segundo o balanço financeiro do período divulgado ontem (6/11) pela empresa. O lucro líquido societário chegou a R$ 7,195 bilhões no terceiro trimestre, com aumento de 387% ante igual período do ano passado. 

O Ebitda regulatório atingiu R$ 6,775 bilhões no terceiro trimestre, com alta de 9% em relação a igual período de 2023. Nos primeiros nove meses do ano, o indicador soma R$ 18,28 bilhões, com crescimento de 9,1% em relação ao acumulado nos três trimestres do ano passado. 

Os resultados que estamos apresentando hoje refletem um trabalho consistente de ajustes e ganhos de produtividade na companhia, sempre priorizando a segurança operacional, das pessoas e do meio ambiente. Estes números reforçam a liderança da Eletrobras no setor elétrico no Brasil e na América Latina”, disse o presidente da empresa, Ivan Monteiro. 

A Eletrobras alcançou uma sólida posição financeira no terceiro trimestre que permite acelerar os investimentos em geração e transmissão, confirmando o potencial de crescimento da empresa, sempre de forma sustentável, nos próximos anos”, completou o vice-presidente financeiro e de relações com investidores da companhia, Eduardo Haiama. 

Os investimentos nos nove meses de 2024 totalizaram R$ 4,934 bilhões, um crescimento de 12,5% em relação aos nove meses de 2023. Destaque para os investimentos de implantação e ampliação dos ativos de geração que totalizaram R$ 1,544 bilhão e os investimentos de reforço e melhoria dos ativos de transmissão, de R$ 2,039 bilhões no acumulado de nove meses. 

GERAÇÃO - 

Dois projetos encontram-se no estágio de obras que, quando concluídas, vão adicionar cerca de 330 MW à capacidade instalada da empresa ainda em 2024: o Parque Eólico Coxilha Negra, com 302 MW e localizado no Rio Grande do Sul, e a usina eólica de Casa Nova B, com 27 MW, localizado na Bahia. Em Coxilha Negra, que iniciou a operação teste em fevereiro de 2024, foi concluída a montagem de 55 dos 72 aerogeradores no final do terceiro trimestre. No final de setembro deste ano, 23 aerogeradores do Coxilha Negra 2 estavam operando comercialmente e outros 13 operando em teste. O avanço físico do empreendimento é de 93,8%. 

TRANSMISSÃO - 

No segmento de transmissão, a empresa está implementando 245 empreendimentos de grande porte, referentes a reforços, melhorias e empreendimentos de leilão, com Receita Anual Permitida (RAP) adicional associada de R$ 1,8 bilhão entre 2024 e 2029. A Eletrobras encerrou o terceiro trimestre do ano com 74 mil km de linhas, sendo 67,1 mil km próprias e 6,8 mil km em parcerias, e 404 subestações, considerando 295 próprias e 109 de terceiros. O investimento estimado em transmissão é de R$ 13,2 bilhões entre 2024 e 2029, com RAP adicional associada de R$ 1,8 bilhões.

”Temos avançado na gestão financeira, com foco na redução dos custos, alongamento dos prazos e diversificação dos instrumentos de captação. Em 2024, captamos R$ 22,1 bilhões, destaque para a primeira emissão de bond pós-privatização de US$ 750 milhões com vencimento em 10 anos e a aprovação do primeiro financiamento com apoio de uma agência internacional de crédito à exportação. No 3T24, a Eletrobras tinha uma posição de caixa suficiente para amortizar 5 anos de suas dívidas. 

(FONTE: ELETROBRAS – FOTO Revista Amanhã – Coxilha Negra) - 

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terça-feira, 5 de novembro de 2024

Em 2025, quatro áreas serão liberadas para licitação da exploração de urânio no Brasil, anuncia o presidente da INB

 


Quatro áreas serão disponibilizadas para a licitação da exploração de urânio ao longo de 2025. A informação foi dada ontem (04/11) pelo presidente da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Adauto Seixas, durante evento da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), liderada pelos Estados Unidos, que reuniu representantes de 12 países, no Rio. Adauto mencionou o Pró-Urânio, Programa de Parcerias em Prospecção e Lavra de Urânio e materiais associados, com o qual a INB pretende selecionar parceiros para a retomada da pesquisa mineral em projetos exploratórios da empresa. A INB está sediando o evento, para uma semana de debates técnicos sobre a pesquisa mineral de urânio e a garantia de sua oferta futura para o Brasil e o mundo. 

Adauto tem grande experiência nas questões envolvendo urânio. Ele tomou posse na presidência da INB em setembro de 2023, depois de passar cerca de 30 anos atuando na unidade da empresa, em Caldas (MG), onde até hoje há um passivo ambiental sem precedentes na história do País. Segundo a INB, o objetivo do evento é “revisar as metodologias em uso pelos países membros da AIEA para reportar recursos de urânio, especialmente os recursos potenciais que ainda não foram descobertos, e avaliar as ferramentas disponíveis para sua avaliação e quantificação, de forma a produzir inventários mais precisos sobre a disponibilidade futura do minério”. 

“Nosso país tem um vasto potencial para a prospecção de urânio, com uma grande quantidade de recursos minerais ainda não descobertos. Então, para nós, o tema a ser discutido neste evento é de extrema relevância. Com o aumento esperado de demanda nos próximos anos, o mundo vai precisar de novos fornecedores. E a INB, como detentora da prerrogativa de realizar a pesquisa e lavra de urânio no país, tem e terá um papel central na prospecção de novas jazidas de urânio aqui no Brasil”, afirmou Adauto. 

O representante da Agência Internacional de Energia Atômica, Mark Mihalasky, disse que a intenção de promover um encontro técnico sobre o tema é antiga. “É um encontro muito importante, porque agora estamos começando a ver um renascimento nuclear”, afirmou. Mihalasky apresentou dados do setor, como as usinas nucleares em funcionamento e em construção no mundo, demonstrando a tendência de aumento da demanda por urânio e a importância de pesquisar e avaliar esses recursos minerais. 

Representando o Ministério de Minas e Energia, Vitor Saback, secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, falou sobre a relevância das discussões realizadas no evento para o futuro da energia nuclear: “A avaliação e quantificação de recursos minerais de urânio é de extrema importância para o nosso país e uma prioridade para o Ministério de Minas e Energia”. Saback destacou ainda que o crescimento da energia nuclear no Brasil está diretamente vinculado aos compromissos internacionais do Brasil de descarbonização e à transição para uma economia de baixo carbono. 

“Entendemos que a correta avaliação de nossas reservas é essencial para planejarmos o futuro de nossa matriz energética e garantirmos a segurança energética do país”, complementou. Vitor Saback vem do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, onde ocupou o cargo de assessor especial de Paulo Guedes, cuidou do relacionamento do Ministério da Economia com o Congresso Nacional. Em 2020, tornou-se diretor da Agência Nacional de Águas, tendo sido fundamental para a privatização do saneamento básico, por meio da aprovação do Marco Regulatório do setor. 

Saback também é ligado aos senadores Davi Alcolumbre e Rogério Marinho, já defendeu publicamente o livre mercado e acumula condecorações de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, e das Forças Armadas, conforme consta em sua biografia pública. A cerimônia de abertura contou ainda com a presença de representantes da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e do Serviço Geológico do Brasil (SGB), entre outras empresas e instituições ligadas ao setor. O evento segue até o dia 8 de novembro. Na data, será realizada uma visita à Fábrica de Combustível Nuclear da INB, em Resende/RJ. 

(FONTE E FOTO: INB) 

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segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Angra 2: 1.241 profissionais, sendo 115 estrangeiros contratados, além de 500 servidores da Eletronuclear no roteiro para o reabastecimento de seu reator

 


A Eletronuclear contratou 1.241 profissionais, incluindo 115 estrangeiros - além de 500 trabalhadores da companhia - para as atividades envolvendo a troca de combustível (urânio enriquecido) da usina Angra 2. A unidade receberá a 20ª recarga produzida pela empresa Indústrias Nucleares do Brasil (INB), passando antes também por processo na Urenco (consórcio de empresas da Inglaterra, Holanda e Alemanha). As atividades começaram no dia 24/10 para o desligamento da usina programado para a sexta-feira (08/11). Entre os primeiros trabalhos estão a manutenção do transformador auxiliar e a revisão da bomba de injeção de segurança. 


Segundo a Eletronuclear, cerca de 4.500 atividades foram planejadas e estão sendo executadas. Algumas das equipes já estão em operação, enquanto outras finalizam etapas de exames médicos e treinamentos, por exemplo. A física do reator, Mônica Geórgia Lúcia Oliveira, responsável pela equipe de recebimento dos elementos combustíveis, comentou: "Recebemos o combustível e realizamos diversas análises para assegurar que ele está em condições adequadas para o uso futuro no reator, sem contaminantes ou falhas estruturais".

DESAFIOS CONSTANTES - 

Em março deste ano, visando evitar riscos elétricos para os trabalhadores, após identificação de pontos quentes em conexões do transformador do gerador elétrico principal de Angra 2, a usina nuclear foi desligada. O problema foi verificado durante uma inspeção termográfica de rotina, na área externa da unidade atômica. Os trabalhos precisaram que o transformador fosse desenergizado, evitando riscos elétricos para os trabalhadores. 

Em novembro de 2022, Angra 2 foi desligada: Um desarme automático do conjunto turbogerador, na parte não nuclear de Angra 2, devido ao “acionamento da proteção de falha para terra do rotor do gerador principal”, desconectou a usina nuclear do Sistema Interligado Nacional (SIN). A unidade operava a 100% de potência quando ocorreu o problema. A informação foi confirmada pela Eletronuclear nesta quinta-feira (10/11). Segundo a companha, todos os sistemas de segurança atuaram adequadamente, tendo o reator de Angra 2 permanecido em funcionamento com 23% de potência, conforme previsto em projeto. “O episódio não representou qualquer risco aos trabalhadores da central nuclear, à população ou ao meio ambiente”, informou a Eletronuclear.

ANO 2020 – OXIDAÇÃO -

Em julho, conforme o BLOG divulgou, problemas ocorreram durante o reabastecimento de combustível (urânio enriquecido), em Angra 2, que havia sido desligada no dia 22/6. Segundo a estatal, na inspeção foi detectada, “nos elementos combustíveis carregados no último ciclo, uma oxidação inesperada no revestimento dos tubos que contém as pastilhas de urânio enriquecido”. 

UM POUCO DA HISTÓRIA - 

A segunda usina nuclear do governo brasileira começou a operar comercialmente em 2001. Com potência de 1.350 megawatts, o equivalente a 20% da energia elétrica consumida na cidade do Rio de Janeiro. A usina conta com um reator de água pressurizada (PWR) de tecnologia alemã da Siemwns/KWU (hoje Areva NP), fruto de acordo nuclear entre Brasil e Alemanha, assinado em 1975. Angra 2 começou a ser construída em 1981, mas teve o ritmo das obras desacelerado a partir de 1983, parando de vez em 1986. A unidade foi retomada no final de 1994 e concluída em 2000. O custo da produção da usina não costuma ser revelado, nem as despesas com as paradas por problemas técnicos, muito menos, com a troca de combustível. Há cerca de cinco anos, o combustível custava R$ 286 milhões.

(FOTOS: ELETRONUCLEAR) – 

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