quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Ampolas com urânio enriquecido continuam desaparecidas. CNEN quer explicações da INB, mas não pode multar a empresa

 


Continua o mistério sobre o desaparecimento de duas ampolas com 8 gramas cada de urânio enriquecido armazenadas em uma sala sem condições de segurança, na Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), no município de Resende (RJ), conforme o BLOG divulgou ontem (16/8) com exclusividade. A sala de origem onde estavam inicialmente um total de 17 ampolas, é totalmente inapropriada: não possui câmeras, nem sistema de segurança para monitorar o ambiente, facilitando a ação criminosa. O desaparecimento foi constatado por um empregado da empresa no momento da transferência para outro local.

Nesta quinta-feira (17/8), a direção da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), se reuniu com técnicos da INB, exigiu uma série de explicações, mas a Comissão não pode multar a empresa, pois não tem esta atribuição legal. A atribuição caberá à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), criada em 2021, que não saiu do papel. A INB tenta amenizar o problema do desaparecimento das ampolas, mas especialistas do setor criticaram a empresa que visa expandir o enriquecimento de urânio e a abertura de minas “numa desorganização constante como esta do sumiço de material tão importante”, comentaram. 

A INB divulgou nota sobre o caso, com informações já divulgadas ontem pelo BLOG. 

Eis a nota:

 “Em referência ao noticiário recente veiculado na imprensa, a Indústrias Nucleares do Brasil – INB esclarece que, após uma transferência interna entre áreas de armazenamento na Fábrica de Combustível Nuclear – FCN, em Resende/RJ, realizada em julho, foi detectada pela inspetoria residente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) a ausência de dois tubos contendo amostras testemunho de hexafluoreto de urânio (UF6). A empresa destaca que os tubos possuem massa de aproximadamente 8 gramas de UF6 cada um e que, em relação aos riscos radiológicos, a liberação parcial ou total do conteúdo dos dois tubos não acarreta danos à saúde de um indivíduo do público em geral ou de um indivíduo ocupacionalmente exposto. Seguindo os protocolos de salvaguarda, a CNEN foi formalmente comunicada e acompanha as ações em andamento no âmbito da empresa. A INB vem concentrando todos os seus esforços para a localização das amostras, com atuação das equipes de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares, Proteção Física, Proteção Radiológica e Operação e Manutenção da Planta Química. A INB informou o evento ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI-PR) e à Polícia Federal. A empresa instaurou processo administrativo e busca identificar melhorias para que eventos como este não voltem a ocorrer. Sobre as amostras  - Cada cilindro de urânio utilizado na produção dos elementos combustíveis para as recargas das usinas de Angra tem armazenada uma amostra, denominada amostra testemunho. Esta amostra passa a integrar o inventário físico de material nuclear, verificado durante inspeções das agências internacionais (Agência Internacional de Energia Atômica - AIEA e Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares - ABACC). 

FOTO: FCN – 

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quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Ampolas com urânio enriquecido somem da INB em Resende (RJ). Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e PF foram comunicados

 


Duas ampolas "testemunhas de um cilindro" cada uma com oito gramas de urânio enriquecido (material altamente radioativo), desapareceram das instalações da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Resende, município de Rio de Janeiro. O urânio procedente da Urenco (consórcio de empresas da Alemanha, Inglaterra e Holanda) seria utilizado na produção de elementos combustíveis para a usina Angra 2. O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e a Policia Federal foram comunicados. 

Os cilindros com as ampolas estavam sendo armazenados numa sala comum, segundo fontes. A constatação do sumiço ocorreu quando houve a transferência para outra local, durante a contabilidade no dia 17 de julho. Segundo fontes, a descoberta foi feita pela INB e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN0, que teriam aberto sindicância para apurar o caso, considerado grave. Há pouco, a INB divulgou nota interna confirmando o desaparecimento do material radioativo, que seria parte da produção do combustível para a usina nuclear Angra 2. 

Eis a nota: “A Indústrias Nucleares do Brasil – INB informa que, após uma transferência interna entre áreas de armazenamento na Fábrica de Combustível Nuclear – FCN, em Resende/RJ, realizada em julho, foi detectada a ausência de dois tubos contendo amostras* testemunho de UF6 (hexafluoreto de urânio) enriquecido. Os recipientes contêm pequena quantidade do material utilizado na produção de combustível para Angra II. Com 8 cm de comprimento, cada tubo possui massa de aproximadamente 8 gramas de UF6 enriquecido. A empresa ressalta que, em relação aos riscos radiológicos, a liberação do conteúdo, caso ocorra, não acarreta danos à saúde de um indivíduo”. 

A INB afirma na mesma nota que a Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN foi comunicada e acompanha as ações tomadas. “A empresa vem concentrando todos os seus esforços para a localização das amostras, com atuação das equipes de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares, Proteção Física, Proteção Radiológica e Operação e Manutenção da Planta Química. As buscas foram iniciadas assim que foi detectada a ausência dos tubos, sendo realizadas no interior das áreas supervisionadas e controladas, escritórios e, principalmente, no trajeto percorrido para transferência dos recipientes, além de outras áreas da Unidade”. Como os dois tubos não foram localizados no interior da FCN, a INB informou o “evento ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI-PR) e à Polícia Federal”. 

A empresa abriu um processo administrativo e procura identificar melhorias para que eventos como este não voltem a ocorrer. Sobre as amostras: Cada cilindro de urânio enriquecido utilizado na produção dos elementos combustíveis para as recargas das usinas de Angra tem armazenada uma amostra, denominada amostra testemunho. Esta amostra passa a integrar o inventário físico de material nuclear, verificado durante inspeções das agências internacionais (Agência Internacional de Energia Atômica - AIEA e Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares - ABACC). 

FOTO – INB - Rezende - 

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segunda-feira, 14 de agosto de 2023

CNEN propõe ao MCTI elaborar Programa Nuclear Brasileiro

 


“Garantir o uso seguro e pacífico da energia nuclear; desenvolver e disponibilizar tecnologias nuclear e correlatas, visando ao bem-estar da população." Esta é a missão da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), autarquia federal vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCT). Mas não se sabe o motivo, a CNEN está propondo ao governo a elaboração de um novo Programa Nuclear Brasileiro, enquanto enfrenta sérios problemas como déficit de pessoal, entre outros. 

A CNEN foi criada em 1956 e estruturada pela Lei 4.118, de 27 de agosto de 1962, para desenvolver a política nacional de energia nuclear. Órgão superior de planejamento, orientação, supervisão e fiscalização, a CNEN estabelece normas e regulamentos em radioproteção e é responsável por regular, licenciar e fiscalizar a produção e o uso da energia nuclear no Brasil. Desde 2021, passaria por diversas mudanças na área de fiscalização, com a criação da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), que não saiu do papel até hoje. O próprio presidente da Comissão, Francisco Rondinelli, experiente profissional, reconhecido e respeitado no setor, ainda não teve a sua nomeação definitiva publicada no Diário Oficial.

 O Blog tentou ouvir a CNEN sobre a proposta feita na quinta-feira passada (10/8) ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para a elaboração de um Programa Nuclear Brasileiro. Mas não houve retorno. O anúncio foi feito durante a visita do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Marcos Antônio Amaro dos Santos, em reunião na sede da Comissão em Botafogo, Zona Sul do Rio. 

Até o início da noite de hoje (14/8) a Comissão não divulgou informações sobre novo PNB. Mas relacionou prioridades, como a construção do Reator Multipropósito (RMB), para a produção de radioisótopos, projeto parado há anos por falta de recursos, que foi contemplado com R$ 1 bilhão no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) anunciado pelo Presidente Lula na semana passada. 

Segundo Rondinelli, prioridade também a construção do Laboratório de Fusão Nuclear, do Centro Tecnológico Ambiental para abrigar rejeitos radioativos (Centena) e projetos para Reatores Modulares (pequenas instalações), por exemplo. O Laboratório de Fusão Nuclear, Centena, projetado para funcionar no sítio do RMB, é um centro tecnológico ambiental destinado ao armazenamento de rejeitos radioativos, também destinada a produzir e disseminar conhecimento científico, com pesquisas avançadas. 

Sobre os reatores modulares (SMR), Rondinelli informou que hoje totalizam 86 projetos pelo mundo. “Os SMR têm uma série de vantagens:  representam uma solução econômica, com menor custo de implantação. Sua utilização no Brasil poderia beneficiar regiões remotas”, comentou. 

O ministro Marcos Santos destacou que o GSI, órgão de coordenação do Programa Nuclear Brasileiro, pretende auxiliar as deliberações que promovam maior desenvolvimento do Programa em todas as suas esferas de atuação. Acrescentou que “o RMB realmente é um objetivo a ser alcançado. Tenho procurado promover a implementação desse reator multipropósito. Assim como o Centena, é outro objetivo que vamos contribuir para sua implementação”. 

Outro assunto que ganhou destaque na reunião foram os desafios em segurança cibernética e como o governo federal está atento a essa discussão. Pela CNEN, o titular da DGI/CNEN, Pedro Maffia, disse que a instituição tem participado de discussões e fóruns importantes nessa área, como o Encontro Guardião Cibernético (já em sua quinta edição em outubro de 2023), buscando um grande avanço em segurança da informação. 

Também tratando da segurança cibernética, Alessandro Facure, diretor da DRS/CNEN, exemplificou como os prejuízos nessa área podem não ser apenas financeiros, mas, também, para a saúde da população. “Na área médica exigimos certos registros para credenciar as instalações; ataques à segurança desses dados podem significar um imenso impacto”. Também participaram do encontro o assessor do Ministério, Agnaldo Vasconcelos, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, Wilson Calvo; diretor de Gestão Institucional, Pedro Maffia; coordenador-geral de Planejamento e Avaliação, Roberto Xavier, e procurador-geral, Rômulo Lima. 

FOTO/FONTE: SITE DA CNEN-  

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sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Comando do exercício simulado do plano de emergência da central nuclear de Angra aceita voluntários; greve de trabalhadores continua

 


Embora as imagens possam lembrar acidentes com radiação, são apenas simulações que fazem parte de exercícios do plano de emergência nuclear em Angra dos Reis, onde operam duas centrais atômicas, Angra 1 e Angra 2. O exercício será realizado da próxima terça-feira (15/8) até 18/8. Quem quiser participar como voluntário deve entrar em contato com os departamentos de Comunicação da Defesa Civil de Angra dos Reis e Paraty, por meio dos telefones informados pela Eletronuclear, gestora de Angra 1 e Angra 2: Defesa Civil de Angra dos Reis: (24) 3377-6016, (24) 3377-1134 ou (24) 3377-7991. Defesa Civil de Paraty: (24) 3371-1168 ou (24) 3371-1566. As informações são da Eletronuclear, que enfrenta greve de trabalhadores iniciada na quarta-feira (9/8), conforme reportagem publicada pelo Blog nesta quinta-feira (10/8). Os grevistas querem o cumprimento de acordos coletivos de 2020 e 2021. 


O Exercício Geral Integrado de Resposta à Emergência e Segurança Física Nuclear, nome oficial do evento, objetiva “avaliar a eficácia da estrutura de resposta, validar planos, identificar aspectos a melhorar e consolidar os procedimentos previstos” no Plano de Emergência Externo do Estado do Rio de Janeiro (PEE/RJ) para a Central Nuclear, “voltados para a proteção da população, do meio ambiente, das usinas nucleares e seus trabalhadores”, informou a companhia. 

FOTOS: Eletronuclear – 

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quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Eletronuclear anuncia exercício simulado de emergência; funcionários entraram em greve ontem

 


A Eletronuclear anunciou nesta quinta-feira (10/08) que cerca de 60 instituições com centenas de profissionais do município, Estado e Governo Federal, vão participar do exercício simulado de emergência nuclear em Angra dos Reis, de 15 a 18 deste mês. É uma operação complexa, que envolve várias entidades civis e militares. Mas os funcionários da companhia (exceto operadores das usinas nucleares) fizeram manifestação e entraram em greve ontem, quarta-feira. Eles querem o cumprimento de acordos trabalhistas firmados m 2020 e 2021. Segundo lideranças sindicais, a perda é de 4,18%. 

“A Eletronuclear mantém diálogo com sindicatos para fechar acordo coletivo”, anunciou a companhia. E ressaltou: “em primeiro lugar, as negociações seguem em curso com os sindicatos representantes dos empregados para o fechamento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2023-2024”. Ontem, a companhia reconheceu que em assembleia, os empregados da sede da Eletronuclear, no Rio de Janeiro, decidiram fazer uma paralisação de 48h, a partir desta quarta-feira (9), enquanto que os trabalhadores de Angra dos Reis resolveram parar por tempo indeterminado. 

“A companhia respeita o direito de greve dos profissionais”, acrescentou a Eletronuclear. “É importante frisar que a paralisação não afeta a operação nem a segurança das usinas da central nuclear de Angra, visto que as atividades essenciais estão mantidas”., garantiu em nota. Mas manteve a informação sobre a realização do exercício nuclear simulado na próxima semana.

Com o nome oficial de Exercício Geral Integrado de Resposta à Emergência e Segurança Física Nuclear, visa avaliar a “eficácia da estrutura de resposta, validar planos, identificar aspectos a melhorar e consolidar os procedimentos previstos” no Plano de Emergência Externo do Estado do Rio de Janeiro (PEE/RJ) para a Central Nuclear. O exercício, segundo a Eletronuclear está voltado para “a proteção da população, do meio ambiente, das usinas nucleares e seus trabalhadores”. 

O simulado começa na próxima terça-feira (15/8), às 10h, com cerimônia de abertura do exercício, na sede da Defesa Civil Municipal, seguida de outras atividades. Nos dias 16 e 17 serão realizadas atividades práticas simuladas, como ativação do sistema de alerta e alarme por sirenes; remoção aeromédica de radioacidentado para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro; distribuição de kits de iodeto de potássio; abrigagem de ilhéus; evacuação de parcela da população residente nas Zonas de Planejamento de Emergência 3 e 5; coleta de amostras de solo, ar, água e vegetação no Bracuí, na Vila Histórica de Mambucaba e em Tarituba; evacuação marítima na Praia Vermelha, entre outras. “O cenário é composto por eventos que possibilitem atingir as diversas classificações de emergência e níveis de segurança física nuclear”, informou a companhia. 

Ainda no dia 17, o general Marcos Antonio Amaro dos Santos, ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR), e sua comitiva estarão em Angra dos Reis para acompanhar o exercício. Estão previstas visitas aos hospitais de campanha, à central nuclear e ao Centro de Coordenação de Comando e Controle (CCCEN). À tarde, o ministro fará um sobrevoo de helicóptero na área de operação do exercício. No dia seguinte, haverá a avaliação do exercício. coordenado pelo GSI, que é o órgão central do Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (Sipron).  

FOTO: Manifestação de servidores em greve. 

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sábado, 5 de agosto de 2023

Veículos com fontes radioativas (Flúor-18) foram atacados por homens com pedaços de pau, pedras, pregos e entulhos. Depois, os bandidos desapareceram na mata

 


Dois veículos Fiat Fiorino que transportavam material radioativo (radioisótopo Flúor 18, de baixa atividade), foram atacados por dois homens armados com pedaços de pau, pedras, pregos e entulhos, na madrugada de quinta-feira (3/8) no Arco Metropolitano, em Japeri. Com os vidros dos veículos quebrados e pneus furados, os motoristas foram obrigados a parar. No momento do ataque, os ladrões foram diretamente aos baús dos carros, retiraram dois embalados com as fontes, entraram na mata e desapareceram. As fontes saíram da R2 Soluções em Radiofármacia, em Xerém, município de Duque de Caxias, na baixada fluminense, com destino a cinco empresas em São Paulo. 

O caso “não rendeu muito holofote”, segundo especialistas, “por que as fontes estavam blindadas e tinham atividade de poucas horas”. Mas se fossem materiais de alto grau de atividade como césio137, que provocou o acidente de Goiânia, em 1987, ou até mesmo combustível nuclear, “poderiam contaminar pessoas e o meio ambiente”. Questionaram também por que os veículos não estavam sendo acompanhados por nenhuma equipe de seguranças. “Quanta fragilidade na segurança e fiscalização", comentaram ao BLOG.

 Até o início da noite deste sábado, o mistério continuava: nem os ladrões, nem os embalados foram encontrados. Segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), a ocorrência foi registrada na Delegacia de Polícia Regional. “A meia-vida do radioisótopo Flúor-18 é de 109 minutos. Segundo a CNEN, isto significa que, em poucas horas, a radioatividade do radiofármaco fica bastante reduzida, não havendo potencial para causar efeitos adversos à saúde. Ainda assim, esclarecemos que deve ser evitada a abertura do embalado, bem como qualquer contato desnecessário com o material radioativo”, observam técnicos da CNEN.

 A Comissão informou que o roubo foi comunicado de imediato pelos responsáveis técnicos do laboratório produtor de radioisótopos, que é rotineiramente inspecionado e autorizado pela CNEN. Os embalados roubados seriam entregues às instituições Einstein Morumbi e BPS Joaquim. Após o conserto dos veículos, os demais foram entregues intactos às instituições Hermes Pardino, AC Camargo, HCOR e Plani SJC. 

 FOTO: Radioisótopos produzidos pelo IPEN – Colabore como BLOG. Cinco anos de jornalismo independente – contribua, faça um PIX: 21 996015849 -contato: malheiros.tania@gmail.com

Fernanda Giannasi: "Falta pouco para fecharmos a tampa do caixão do amianto"

 


A luta pelo banimento do amianto (mineral cancerígeno) no Brasil dá mais um passo. Acaba de ser protocolado o Projeto de Lei (PL) 3684/2023, que propõe revogar os resquícios de legislações que deram sustentação, até recentemente, à tese do uso seguro ou controlado do mineral cancerígeno. A iniciativa, do mandato do deputado federal, Nilto Tatto, (PT-SP), “extirpará definitivamente estas excrescências do arcabouço jurídico nacional”, afirmou a auditora fiscal Fernanda Giannasi, fundadora da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (ABREA), que defende a saúde e vida dos trabalhadores desde a década de 80 e por isso recebeu o Prêmio “Faz a Diferença” de O Globo, em 2017. "Falta pouco para fecharmos a tampa do caixão do amianto", reiterou. 

Segundo Giannasi, os resquícios de legislações são a Lei 90955/95 e Decreto 2350/97, ambos sancionados em tempo recorde no governo de Fernando Henrique Cardoso para dar perenidade à exploração do mineral cancerígeno e à indústria do fibrocimento (telhas, principalmente) no país. “Ambas, em meados da década de 1990, já estavam ameaçadas por leis que pipocavam em todo o mundo e mesmo aqui em nosso país de banimento do nefasto amianto”. Giannasi informou que outro dispositivo legal que o PL 3684/2023 pretende revogar definitivamente é a “absurda Lei Jair Meneghelli (9976/2000) que, contrariando a proposta inicial, por nós da ABREA defendida, que proibiria o uso de amianto e mercúrio na indústria do cloro-soda, por pressão do poderoso lobby do setor petroquímico”.

 O lobby, acrescentou, “capitaneado pela Abiclor (Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados),que se transformou numa lei que permitia que as plantas industriais em funcionamento poderiam continuar a utilizar estes tóxicos sem data para substituição e que somente novas indústrias seriam impedidas de usá-los”. 

LEIS IMORAIS - 

“Muitos de vocês nos perguntarão se, com a decisão do STF que baniu o amianto em nosso país, haveria necessidade de se gastar tanta energia para leis que, na prática, perderam o sentido ou objeto. A questão que se coloca é que, embora banido, o amianto está em toda parte. Existe um enorme passivo a ser removido e destinado de forma sustentável e haverá a necessidade do descomissionamento de instalações contaminadas, em especial a mina de Cana Brava em Minaçu, Goiás, para o qual existe um vácuo jurídico, uma anomia, que o PL 3684/2003 pretende preencher. Esperamos que a mesma celeridade, com que se aprovou aquelas leis imorais e que afrontam nossa Constituição por ameaçarem a integridade física dos expostos e prejudicarem seriamente a saúde da população em geral, seja aplicada pelos nossos parlamentares ao PL 3684/2023”, completou Giannasi. 

MEMORIAL EM OSASCO - 

A luta da ABREA tem o apoio da Prefeitura de Osasco, em São Paulo, por meio da Secretaria de Emprego, Trabalho e Renda (SETRE), que em dezembro entregou um memorial em homenagem às vítimas do cancerígeno amianto. Composto pela obra do artista brasilense W. Hermusch, o memorial tem uma escultura chamada “Árvore-Pulmão”, que materializa metaforicamente a luta pela vida de milhares de vítimas, que no final da vida não conseguem mais respirar em virtude das doenças provocadas pela fibra mortal. 

Além da Árvore-Pulmão, com sete metros de altura, o Memorial tem um painel com o nome de mais de 600 pessoas que morreram em virtude da exposição ao amianto. “Nesta tragédia do amianto, os obreiros entregavam inocentemente o seu cotidiano ao trabalho, que acreditavam estar garantindo o seu sustento e de suas famílias e, por conseguinte, a vida. A cada dia, entretanto, estavam sendo lentamente envenenados. Esta contradição cruel é o que a Árvore-Pulmão expressa”, lembrou Hermusch. 

O Memorial está instalado na Praça Expedicionário Mario Buratti, nas proximidades de onde se situava a Eternit, a maior das unidades da multinacional suíça nas Américas, conhecida produtora de telhas, tubulações, caixas d'água e outros artefatos de cimento-amianto, e que permaneceu na cidade por 56 anos, entre 1937 a 1993, deixando para trás um enorme passivo socioambiental, um legado de contaminação e morte, como fez em vários países, principalmente Itália e Bélgica. 

“É uma tristeza sermos conhecidos como a capital nacional das vítimas do amianto, e em nada este memorial repara a perda dessas vidas, mas nossa intenção é eternizar seus nomes num espaço público para que sirvam de exemplo e que suas famílias saibam que reconhecemos a luta. Quem sai de casa todo dia em busca do sustento do lar, e morre em função do trabalho que desempenha, é um verdadeiro herói, e nada mais justo que haja um memorial em homenagem a isso”, lamentou Gelso Lima, Secretário de Emprego, Trabalho e Renda. 

NO RIO. CARLOS MINC INICIA PROGRAMA ESTADUAL DE DESAMIANTAGEM.

 Medidas visando o banimento do cancerígeno amianto serão debatidas em audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), já anunciou em junho o deputado Carlos Minc. O parlamentar acabou de criar o Programa Estadual de Desamiantagem, para a substituição gradual do amianto nas instalações públicas e privadas de uso público, bem como para orientar a sua destinação final adequada, no âmbito do Estado. Na ocasião, Minc se reuniu na ALERJ com ativistas pelo fim do amianto, como Giannasi. 

Segundo o deputado, são princípios do Programa Estadual de Desamiantagem, consolidados no ordenamento jurídico vigente: a proteção à saúde da população; prevenção e precaução ambiental; desenvolvimento sustentável; como também a gestão ambiental descentralizada, democrática e eficiente; por exemplo. 

São instrumentos do Programa: a identificação e o mapeamento dos locais onde haja a utilização de amianto, suas edificações, dependências e instalações; a elaboração de manual de procedimentos para remoção do amianto, utilizando a literatura técnica mundial, tais como, Portugal , EUA e Itália;  de um plano estratégico que estabeleça o cronograma de substituição gradual dos materiais que contenham amianto / asbesto, bem como os seus sucedâneos possíveis; a celebração de convênios e/ou termos de cooperação técnica, voltados ao pleno cumprimento do que prevê a presente lei; como também a qualificação dos profissionais/técnicos para esse fim e levantamento de todos os equipamentos necessários.

 A operação de substituição dos produtos, materiais ou artefatos, em uso ou instalados, que contenham amianto, bem como nas atividades de demolição e remoção, não será permitida qualquer exposição humana a concentração de poeira acima de um décimo de fibras de amianto por centímetro cúbico ou concentração inferior previstas em normas ou leis federais, devendo os trabalhadores envolvidos na atividade utilizar os devidos Equipamentos de Proteção Individual (EPI´s) e Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC´s), previstos na normatização técnica específica. As empresas ou instituições, públicas e privadas, responsáveis pela execução de obras de demolição e remoção de material, que contenham amianto /asbesto, deverão adotar todas as medidas necessárias à proteção da saúde dos trabalhadores e trabalhadoras, nos termos da legislação específica vigente, especialmente às Normas da ABNT, a legislação sanitária estadual e nas Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego, legislação ambiental e outras disposições legais que sejam mais restritivas no que concerne às medidas de proteção ao meio ambiente e à saúde pública.

 Também terão que ser garantidas as medidas de proteção aos trabalhadores, que de qualquer forma, se exponham à poeira que contenha amianto, qualquer que seja o seu regime contratual de trabalho. Para execução das obras de identificação do risco, remoção, demolição e destinação final também serão observadas as disposições do “Guia de Boas Práticas de Desamiantagem” da Fundacentro.

 Nas obras de reformas e para remoção do amianto serão afixadas placas indicativas onde constarão o tipo de obra a ser realizada, o custo, bem como do nome do responsável técnico e de seu número de registro no órgão de classe, e da seguinte mensagem: 'Nesta obra está sendo retirado materiais contendo amianto / asbesto, por serem cancerígenos e prejudiciais à saúde'.

 A destinação final dos resíduos provenientes do Programa de Desamiantagem deverá ocorrer em aterros sanitários adequados para o recebimento do resíduo cancerígeno do amianto. A destinação final dos resíduos e entulhos contendo amianto, provenientes das obras de reformas e remoção dos materiais de construção civil, deverá obedecer ao disposto na Resolução nº 348, de 2004 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), que classifica estes resíduos como perigosos (Classe D) e, que, portanto, serão destinados em aterros industriais para lixos perigosos (Classe I) licenciados pelo órgão ambiental estadual ou municipal. O descumprimento à presente Lei sujeitará o infrator às sanções previstas na Lei 3467/2000.

 Leia no BLOG diversas matérias sobre o tema AMIANTO. 

FOTO: MEMORIAL EM OSASCO- 

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