terça-feira, 20 de junho de 2023

Coppe lança Centro Virtual de Soluções de Baixo Carbono


A Coppe/UFRJ acaba de lançar o Centro Virtual de Soluções Tecnológicas de Baixo Carbono, com o objetivo de envolver a comunidade científica da instituição, em parceria com o poder público e a iniciativa privada, em busca de soluções para a descarbonização da economia. Neste âmbito, foram destacadas duas iniciativas: a plataforma digital BxC de soluções de baixo carbono, para permitir uma integração rápida e eficiente entre as empresas, as instituições e os especialistas da Coppe;  cursos de ensino a distância (CED) e soluções de baixo carbono, que terão dois módulos iniciais com início em agosto. O evento, na quinta-feira (15/6), reuniu grandes especialistas no assunto.

O diretor da Coppe, professor Romildo Toledo, destacou a importância do apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, através de sua Fundação de Amparo à Pesquisa do (Faperj), para a criação do Centro Virtual de Soluções Tecnológicas. “Temos o prazer de anunciar o Centro, é um tema de grande interesse da sociedade, um tema global. A Coppe lidera uma ação que, certamente, transbordará suas fronteiras, para toda a UFRJ, para que a gente busque descarbonizar os vários segmentos industriais, visando à transição energética. São desafios enormes que precisamos superar em um intervalo de tempo curto”, avaliou professor Romildo.

O Centro funcionará dando visibilidade às diversas competências que temos na Coppe. Teremos em nossa plataforma todos os nossos laboratórios. Temos cerca de 60 mil metros quadrados de infraestrutura laboratorial, e esse capital humano de mais de 300 professores e 700 pesquisadores, 300 pós-doutores, mais de dois mil mestres e doutores em formação, está à disposição para ajudar a solucionar a problemática da descarbonização”, completou.

A vice-diretora da Coppe, professora Suzana Kahn, à frente do projeto, destacou que a ideia vinha sendo pensada há tempo pela diretoria. “O mundo passa por muitas transformações, energética, digital, cultural, comportamental, e o fluxo de investimentos tem migrado e, com ele, o foco da pesquisa e desenvolvimento. Há tempos temos refletido como a academia pode servir melhor à sociedade e as empresas incorporarem a tecnologia que é desenvolvida aqui na universidade”, pontuou. 

“Na plataforma, a gente mostra áreas que dão sustentação ao tema, como transformação digital, inventário de carbono, análise de ciclo de vida, planejamento energético e ambiental. Conversamos com a Faperj sobre a importância de consolidar e sistematizar tudo isso. Mesmo muitos de nós da Coppe não conhecemos toda essa potencialidade. Por isso criamos essa plataforma BXC, com esse jeito meio Faria Lima de plataforma de negócios, com terminologia mais empresarial”, explicou professora Suzana.

“A forma de funcionamento é o recebimento da demanda, desenhamos juntos a estratégia, fazemos a conexão, enquadramos, acompanhamos a contratação e execução, articulação com spin offs e, finalmente, a chegada da solução de baixo carbono ao mercado. Nós temos a ideia de conectar as empresas a investidores que estão interessados em negócios relacionados ao baixo carbono, além de fundos filantrópicos, bancos de desenvolvimento e agências de fomento”, complementou a professora, idealizadora do projeto. Os lançamentos foram feitos durante o debate "Soluções Tecnológicas de Baixo Carbono: competências e visão de futuro", que reuniu grandes especialistas. O debate permanece disponível no canal da Coppe no youtube.

FONTE/FOTO – ASCOM COPPE – 

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Eletronuclear testa saída alternativa da Central Nuclear de Angra dos Reis

 


Um exercício simulado será realizado pela Eletronuclear das 9h às 11h desta quarta-feira (21/6), para checar a viabilidade de se usar uma saída alternativa da central nuclear para veículos chegarem à BR-101. Por conta da atividade, a rodovia Rio-Santos será bloqueada no início do viaduto da Marina Piraquara (sentido Angra x Paraty) e na base da CCR, na Trilha Porã. Também nos acessos de entrada e saída para a BR-101, como segue: Morro do Urubu; Observatório Nuclear; Trevo de Itaorna; EPTA; Torre de Micro-Ondas e Marina da Piraquara. 

Segundo a companhia, a ação faz parte das atividades do Plano de Emergência Local (PEL). Além da Eletronuclear, a CCR, concessionária da BR-101, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o Centro de Coordenação e Controle de Emergência Nuclear (CCCEN) estarão envolvidos no evento, atuando na interface entre as ações planejadas pelas equipes do PEL e do Plano de Emergência Externo do Estado do Rio de Janeiro (PEE/RJ). A companhia não comentou se a paralisação de 24 horas, nesta terça-feira (20/6), de seus empegados que atuam na central de Angra dos Reis poderá afetar de alguma forma a simulação.

 FOTO: USINAS – 

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Funcionários da Central Nuclear de Angra fazem greve de 24 horas. Eletronuclear: usinas nucleares estão operando

 


Os empregados da Eletronuclear lotados na Central Nuclear de Angra dos Reis fazem greve de 24 horas hoje, terça-feira (20/6), por conta das negociações do Acordo Coletivo e Trabalho (ACT) 2023/2024, que está em curso entre a empresa e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica nos Municípios de Paraty e Angra dos Reis (Stiepar).

A Eletronuclear informou em nota que a paralisação não afeta a operação nem a segurança das usinas nucleares da companhia: Angra 1 Angra 2. “A Eletronuclear respeita a decisão de seus empregados de exercerem o direito de greve. Entende, porém, que deve assegurar aos que queiram comparecer à empresa o direito de acesso aos seus postos de trabalho”. 

FOTO: Central nuclear – 

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segunda-feira, 19 de junho de 2023

Indústria do cancerígeno amianto sofre mais uma derrota no STF

 


A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), que representa a indústria do amianto, foi derrotada na sexta-feira (16/6), por unanimidade de votos, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por tentar impedir que entrassem em vigor as leis desfavoráveis aos interesses da indústria.

“A pseudo entidade sindical que sempre serviu aos interesses patronais e há mais de 20 anos se presta a ser testa-de-ferro da indústria do amianto, sofreu acachapante derrota. O sindicalismo de fachada foi vencido ao tentar mais uma vez adiar que as leis estaduais de banimento do amianto de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Sul e a lei municipal da capital paulista entrassem em pleno vigor”, comemorou a auditora fiscal, Fernanda Giannasi, uma das fundadoras da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (ABREA). 

Portanto, segundo Giannasi, “agora não cabem mais recursos protelatórios com argumentos ridículos e extemporâneos de uso controlado, de risco de fechamento de empresas e desemprego, de inofensividade do amianto branco ou crisotila, repetidos à exaustão pelos pelegos. Vitória da ABREA como amicus curiae (amigos da corte) brilhantemente que foi defendida pelos competentes e dedicados advogados do escritório Mauro Menezes”.

FOTO: ABREA - 

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ANM vistoria barragens com material radioativo no Planalto de Poços de Caldas (MG); que não atendem quesitos de segurança

 


Equipe de fiscalização da Agência Nacional de Mineração (ANM) realizará vistoria em barragens de rejeitos de urânio da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) na terça e quarta-feira (20 e 21/6), no Planalto de Poços de Caldas (MG). Será a primeira vistoria oficial após a entrada em vigor da Lei 14.514/2022, que estabelece à ANM responsabilidade por fiscalizar a pesquisa e a lavra de minérios nucleares, competência antes atribuída à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

Nas últimas semanas, a INB cadastrou duas barragens no Sistema Integrado de Gestão de Barragens de Mineração (SIGBM) da ANM – a D4, de 351 metros cúbicos, e a de rejeitos (BAR), de 2,5 milhões metros cúbicos – e ambas foram classificadas para o Nível de Emergência 1, a partir dos requisitos mínimos estabelecidos na Resolução ANM nº 95/2023, a que passaram a ser submetidas.

No caso da barragem D4, a estrutura não possui borda livre, ou seja, um nível de, pelo menos, um metro de distância – estabelecido em lei – entre o nível de água do reservatório e a parte mais elevada da barragem, denominada crista. Em relação à barragem de rejeitos, o fator de segurança foi de 1,34, inferior ao mínimo de 1,50, determinado pela legislação. Conforme a resolução da ANM, fatores de segurança entre 1,30 e 1,50 levam à barragem ser enquadrada no nível de emergência 1.

O superintendente de Segurança de Barragens de Mineração da ANM, Luiz Paniago, explica que o enquadramento se deu pelas barragens não atenderem a quesitos relacionados à segurança hidráulica da estrutura e à segurança geotécnica da resolução da ANM.

Para sanar os problemas apresentados, serão necessárias obras para que a barragem D4 atinja a borda livre mínima de um metro. Em relação à barragem de rejeitos, estão sendo realizados diagnósticos técnicos para decidir como será feito o reforço da estrutura. 

Segundo Paniago, os problemas são sanáveis e não há qualquer necessidade de evacuação da população no momento. “É obrigação do empreendedor implementar e melhorar continuamente o seu sistema, de modo a assegurar, a qualquer tempo, a integridade do conjunto da instalação, visando a garantia da segurança das barragens”, destaca. “Esse tipo de estrutura não pode ter qualquer tipo de problema porque os danos sociais e ambientais seriam muito severos.” 

A ida a campo para vistoriar as barragens da INB, em Poços de Caldas, ocorre a pouco mais de seis meses da promulgação da nova lei. Durante esse tempo, as barragens cadastradas no sistema do CNEN foram transferidas ao sistema da ANM e a equipe de geotécnicos da agência se preparou para inspecionar barragens com elementos radioativos. “Nesse período, a equipe da ANM procurou o CNEN para entender como seriam feitas as transferências de informações técnicas para entrar nos novos ditames legais e também saber se seriam necessários, por exemplo, equipamentos de segurança individual diferenciados para esse tipo de inspeção”, detalha Paniago. 

NIVEIS DE ALERTA E EMERGÊNCIA -

 ]Os artigos 40 e 41 da Resolução ANM nº 95/2022 estabelecem as situações em que uma estrutura é enquadrada como em nível de alerta ou emergência (NE). Enquanto a situação de alerta ocorre quando se detecta anomalia sem risco imediato à segurança, mas que deve ser controlada e monitorada, nível de emergência é qualquer situação com potencial comprometimento de segurança da estrutura, podendo ser classificada em três níveis:

- NE1: a barragem possui anomalia que pode implicar em risco à estrutura, mas que pode ser controlada e monitorada e não demanda evacuação da população à jusante; ou quando o fator de segurança drenado estiver entre 1,3 ≤ FS < 1,5 ou fator de segurança não drenado de pico estiver entre 1,2 ≤ FS < 1,3 ou quando o fator de segurança não drenado de pico estiver entre 1,2 ≤ FS < 1,5. 

- NE2: anomalia identificada não pode ser controlada e, nesse caso, o empreendedor é obrigado a se articular com a Defesa Civil para providenciar a evacuação preventiva da população inserida na Zona de Autossalvamento (ZAS); ou quando o fator de segurança drenado estiver entre 1,1 ≤ FS < 1,3 ou Fator de Segurança não drenado de pico estiver entre 1,0 ≤ FS < 1,2.

- NE3: quando há risco iminente de ruptura e, nesse caso, o empreendedor é obrigado a alertar a população potencialmente afetada na ZAS de forma rápida e eficaz, para evacuação. Nesse nível de emergência, utilizam-se os sistemas de alerta e de avisos constantes no Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM), articula-se com a Defesa Civil e informa-se à ANM.ou quando o Fator de Segurança drenado estiver abaixo de 1,1 ou Fator de Segurança não drenado de pico estiver abaixo de 1,0. Em caso de não haver situação com potencial para comprometimento da segurança da estrutura, as barragens apresentam status ‘sem emergência’. 

FONTE: ASCOM – ANM – FOTO – INB – 

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sexta-feira, 16 de junho de 2023

Obras de artistas consagrados passam pelo processo de desinfeção por irradiação no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares

 


Obras de artistas consagrados como Carmela Gross, Siron Franco, Claudio Tozzi, Leda Catunda, entre outros, acabam de passar pelo processo de desinfeção por ionização gama do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN). A tecnologia, que consiste no uso de Cobalto-60, material radioativo, para descontaminar acervos e bens culturais de forma rápida e segura, tem sido cada vez mais utilizada mundialmente, e o IPEN é pioneiro na pesquisa e no desenvolvimento dessa área, no Brasil. As obras irradiadas pertencem ao acervo da Fundação Padre Anchieta – TV Cultura. De acordo com Lígia da Silva Farias, gerente de Documentação, elas haviam sido retiradas a fim de evitar a contaminação de outras peças. 

A obra desta matéria é "Expansões Orgânicas", de Claudio Tozzi.  

 


"O tratamento por irradiação possibilitará, incialmente, que sejam colocadas de volta na Reserva Técnica e, em um futuro próximo, integrem exposições ou eventos destinados ao público, cenários de programas da própria TV, garantindo o cumprimento da missão institucional da FPA”, anunciou. No IPEN, esse trabalho é desenvolvido no Irradiador Multipropósito de Cobalto-60, coordenado pelo pesquisador Pablo Vasquez, do Centro de Tecnologia das Radiações (CETER). 

Ele conta que esse trabalho é realizado em colaboração principalmente com instituições públicas. A Biblioteca Mario de Andrade, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), o Museu Afro Brasil, do Instituto Lina Bo & Prieto Maria Bardi, foram algumas das beneficiadas, além de diversos acervos da Universidade de São Paulo (USP). 

No caso da FPA-TV Cultura, 78 obras, cerca de 30 metros cúbicos passaram pelo processo, que levou apenas quatro dias (precisamente 32 horas), um trabalho que levaria meses para ser concluído em processo químico, com a vantagem de que o material poder ser manuseado tranquilamente, sem risco para o usuário e sem a necessidade de "quarentena", informou Vasquez. Outro benefício da técnica de irradiação, segundo ele, é que, dependendo da característica das obras, elas podem ser processadas dentro das caixas utilizadas como embalagem para transporte, evitando assim possíveis acidentes na sua movimentação.

PROCESSO SEGURO -

Vasquez garante que o procedimento é seguro. A explicação é simples: a radiação gama proveniente do Cobalto-60 não possui energia suficiente para desestabilizar o núcleo do átomo, ou seja, é uma radiação cuja energia está abaixo do limiar de ativação da maior parte dos elementos, diferentemente do que ocorre, por exemplo, no bombardeamento por nêutrons no interior de um reator nuclear, que pode deixar traços de radioatividade no material.

 Segundo ele, a dose absorvida pelos produtos é o parâmetro fundamental a ser controlado. No caso de livros, por exemplo, geralmente, é utilizada dose muito baixa, mas suficiente para eliminar qualquer tipo de insetos como traças, cupins e outros microrganismos que causam danos. Para outras obras, os pesquisadores estudam as condições do objeto a ser irradiado (propriedades, dimensões, estado etc.) para definir a dose e o tempo de permanência na câmara de Cobalto-60. "Para cada benefício desejado, decide-se a dose mínima e a dose máxima aplicável ao produto, e a viabilidade de aplicação no irradiador. Toda obra ou produto que chega ao IPEN para ser desinfestado é devidamente embalado e não tem contato com material radiativo”, explica Vasquez. 

O pesquisador ressalta a importância de transferir tecnologia e divulgar o procedimento para a sociedade, principalmente porque as instituições governamentais – acervos públicos – podem usufruir da colaboração com o IPEN de forma gratuita. "A excelência do trabalho realizado pelo IPEN e seu impacto na preservação do patrimônio cultural brasileiro e nas outras áreas de atuação é motivo de orgulho de todos. Sua manutenção deve ser apoiada por toda a sociedade, que se beneficia direta ou indiretamente das ações aí realizadas”, afirmou Lígia Farias. 

SOBRE O IRRADIADOR - 

O Irradiador Multipropósito de Cobalto-60 com tecnologia 100% nacional, desenvolvido e implantado pela equipe técnica do CETER, está em operação há quase 20 anos. Foi idealizado para o desenvolvimento de novas aplicações utilizando a radiação ionizante gerada por fontes de Cobalto 60, dentre elas a redução da carga microbiana ou no combate a pragas em alimentos, a esterilização de produtos médicos-descartáveis e farmacêuticos, como os geradores de tecnécio-99m processados no Centro de Radiofarmácia do IPEN, e a indução de cor em pedras e gemas preciosas. 

FONTE E FOTOS: IPEN – 

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Presidente do STF, Rosa Weber, vota contra o cancerígeno amianto

 


A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Rosa Weber, divergiu do ministro Alexandre de Moraes, que na semana passada concedeu mais um ano de sobrevida para a indústria do amianto, a Sama, do Grupo Eternit, no Estado de Goiás, explorar o cancerígeno amianto, que já havia sito banido de todo o território nacional. 
A ministra adiantou seu voto divergente considerando a proximidade de sua aposentadoria, pois em sua opinião, o mais importante é a “preservação do direito à saúde, e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado”. 

Em sua decisão, na semana passada, o ministro contradisse decisões do colegiado do STF, proibindo a exploração do mineral, nocivo à saúde e vida de brasileiros. O amianto, conhecido como fibra assassina, já foi considerado pelo Senado francês “a catástrofe sanitária do século XX”, lembrou a auditora fiscal e fundadora da Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (ABEA), Fernanda Giannasi.  Ela alertou que o amianto já produziu a morte de milhares de pessoas no Brasil e no mundo.  

Rosa Weber demonstra "inequivocamente que quer liquidar a fatura do amianto em definitivo antes de se aposentar”, comentou Giannasi, uma das mais respeitadas e reconhecidas ativistas contra o amianto no Brasil e no mundo. Esta luta lhe conferiu o Prêmio “Faz a Diferença” de O Globo, em 2017, entre outros, na Europa. 

TRAGÉDIA EM OSASCO - 

O caso do amianto é tão grave que no final do ano passado a Prefeitura de Osasco, em São Paulo, por meio da Secretaria de Emprego, Trabalho e Renda (SETRE), em parceria com a ABREA, inaugurou um memorial em homenagem às vítimas do cancerígeno amianto. Delegações nacionais e internacionais participaram do evento. O memorial tem um painel com o nome de mais de 600 pessoas que morreram em virtude da exposição ao amianto. Composto pela obra do artista brasilense W. Hermusch, o memorial tem uma escultura chamada “Árvore-Pulmão”, que materializa metaforicamente a luta pela vida de milhares de vítimas do mineral cancerígeno, que no final da vida não conseguem mais respirar em virtude das doenças provocadas pela fibra mortal.

“Nesta tragédia do amianto, os obreiros entregavam inocentemente o seu cotidiano ao trabalho, que acreditavam estar garantindo o seu sustento e de suas famílias e, por conseguinte, a vida. A cada dia, entretanto, estavam sendo lentamente envenenados. Esta contradição cruel é o que a Árvore-Pulmão expressa”, lembrou Hermusch. 

LEGADO DE CONTAMINAÇÃO - 

O Memorial foi instalado na Praça Expedicionário Mario Buratti, nas proximidades de onde se situava a Eternit, a maior das unidades da multinacional suíça nas Américas, conhecida produtora de telhas, tubulações, caixas d'água e outros artefatos de cimento-amianto, e que permaneceu na cidade por 56 anos, entre 1937 a 1993, deixando para trás um enorme passivo socioambiental, um legado de contaminação e morte, como fez em vários países, principalmente Itália e Bélgica. 

“É uma tristeza sermos conhecidos como a capital nacional das vítimas do amianto, e em nada este memorial repara a perda dessas vidas, mas nossa intenção é eternizar seus nomes num espaço público para que sirvam de exemplo e que suas famílias saibam que reconhecemos a luta. Quem sai de casa todo dia em busca do sustento do lar, e morre em função do trabalho que desempenha, é um verdadeiro herói, e nada mais justo que haja um memorial em homenagem a isso”, lamentou Gelso Lima, Secretário de Emprego, Trabalho e Renda. 

Para o presidente da ABREA, Eliezer João de Souza, o Memorial visa manter viva a memória destas vítimas inocentes e representa um símbolo de resistência e luta contra o mineral que mata milhares de pessoas anualmente, não só no Brasil como em todo o mundo. “'É mais um momento histórico na luta contra o amianto, contra empresas, contra o capital, que visam apenas o lucro em detrimento da saúde e vida de seus trabalhadores. O Memorial é uma homenagem aos que se contaminaram com a fibra assassina e um alerta para as futuras gerações, para que possam evitar que tragédias como essa não se repitam. Essa catástrofe sanitária do século XX não pode se repetir”, finalizou. 

FOTO: ROSA WEBER – DIVULGAÇÂO – STF - 

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