segunda-feira, 30 de março de 2026

Causas de fumaça detectada na sala de controle do reator nuclear em SP continuam em investigação

 


Continua em processo de apuração as causas que teriam provocado a interdição da sala de controle do reator nuclear de pesquisa IEA-RI, onde o Sistema de Combate a Incêndio do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN), detectou fumaça densa na segunda-feira passada (23/3). As evidências iniciais indicam a possibilidade de sobreaquecimento em painéis de distribuição, contendo componentes elétricos, segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).” Os módulos de controle foram “potencialmente danificados”. Não houve vazamento de radiação. Mesmo com o reator fora de operação, alguns sistemas permanecem energizados. 

No IEA-RI, em setembro do ano passado, técnicos conseguiram produzir um radioisótopo (medicamento) para combater o câncer, em especial o de próstata. Segundo a CNEN, o IEA-RI “encontra-se parado desde novembro de 2025 para troca dos refletores de grafite, que ficam ao redor do núcleo”. Os componentes, estão em “estágio de fabricação”, entre outras providências. 

Conforme nota divulgada pela Comissão semana passada, a equipe de operação que identificou ocorrência de fumaça, às 15, desligou a alimentação de energia elétrica do prédio do reator e adotou as medidas previstas em protocolo de segurança. “Não havia qualquer material radioativo nesta sala, apenas a instrumentação de controle do reator”, garantiu a Comissão. 

“Estamos contratando uma empresa para fornecer um laudo. No momento, estamos trabalhando com apoio da CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) para limpar o ar do prédio e contratar uma empresa para fazer a limpeza com equipamentos especializados. Assim que isso ocorrer, a empresa de engenharia irá trabalhar na execução do laudo técnico. Esta empresa já está contratada”, informou a Comissão. 

Caso o reator estivesse operando, segundo a CNEN, a situação poderia ser controlada mais rapidamente. “É possível que pessoas na sala de controle sentiriam o odor e logo tomariam as ações pertinentes, antes do alarme ser acionado. No entanto, do ponto de vista de segurança, o reator seria imediatamente desligado, ou em uma hipótese muito rara, com combinação de muitos cenários ruins, a queda da força da instalação levaria a isso”. 

BREVE HISTÓRIA DO REATOR, POR FREDERICO GENEZINI. 

"Na madrugada de 16 de setembro de 1957, o reator nuclear de pesquisas IEA-R1, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen/Cnen-SP), atingiu sua primeira criticalidade e permanece, desde então, operando com segurança. São inumeráveis as contribuições do reator na ciência, impulsionando o Programa Nuclear Brasileiro (PNB) há mais de seis décadas. O IEA-R1 é um reator de pesquisas tipo piscina, moderado e refrigerado à água e que utiliza elementos de berílio e de grafite como refletores. 

Operou nas duas primeiras décadas a uma potência de dois megawatts (2 MW), atualmente é licenciado para operar a uma potência máxima de 5 MW. Atua em P&D e serviços de irradiação com nêutrons para as seguintes finalidades: produção de radioisótopos para uso em Medicina Nuclear, produção de fontes radioativas para gamagrafia industrial e de radioisótopos para uso como radiotraçadores, irradiação de amostras para a realização de análises multielementares, pesquisas em Física Nuclear, serviços de neutrongrafia e treinamento de pessoal licenciado para operação de reatores". Frederico Antonio Genezini - Responsável pelos dois reatores nucleares de pesquisas do IPEN/CNEN - 

(FOTO -IPEN) - 

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