domingo, 6 de setembro de 2026

Com "doações" que vão de editais culturais a conserto de estrada mineradoras australianas avançam nos projetos de terras raras em MG

 


Para quebrar resistências e abrir caminhos visando alavancar seus projetos de exploração de minerais críticos, como as preciosas terras raras, mineradoras australianas fincadas desde 2024 nos municípios mineiros de Caldas e Poços de Caldas não medem esforços para adoçar vários segmentos da sociedade: da promoção de editais culturais à reparação de estrada, por exemplo. Como “não existe almoço grátis”, conforme a frase popularizada pelo economista Milton Friedman, neste caso, nem todos os mineiros “botam fé” em tamanha bondade. É o que pensam as ativistas ambientais Nara Gomes, com mestrado em Ciência Política, e Helena Sasseron, formada em Agricultura Biodinâmica pela Biodynamic Association USA. 

As guardiãs Nara e Helena, nas fotos, respectivamente,  conversaram com o Blog sobre as “doações” das empresas Viridis e Meteoric, e foram taxativas ao combater as atividades que, para elas, vão gerar danos irreparáveis ao meio ambiente e a população. 


A Meteoric Resources e o Governo de Minas Gerais anunciaram um acordo para viabilizar o investimento de R$ 60 milhões na pavimentação de 23 quilômetros da estrada que liga os municípios de Caldas e Andradas, no Sul de Minas Gerais. O projeto foi apresentado oficialmente na quarta-feira (26/8), durante a Exposibram, em Belo Horizonte. Entre as comunidades que devem ser beneficiadas estão Pocinhos do Rio Verde, Bom Retiro, Bocaina e Lagoa, anunciaram. Em Caldas, segundo a Meteoric, a estrada é utilizada para o transporte de uvas, gado de corte e eucalipto destinado à indústria, além do deslocamento de trabalhadores das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), empresa responsável há décadas pelo armazenamento de toneladas de materiais radioativos. A Meteoric prevê iniciar a produção de terras raras em 2028. 

Em julho, mais uma ação de “bondade”, na visão de ambientalistas: desta vez, da Viridis que, de um total de 60 propostas, formalizou a parceria com 12 projetos culturais e esportivos de Poços de Caldas. A cerimônia foi realizada na sede da empresa e reuniu lideranças dos projetos contemplados, além de representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Secretaria Municipal de Cultura e a Secretaria Municipal de Esportes. Os contemplados receberão aporte individual de R$ 28 mil, somando um investimento social de aproximadamente R$ 340 mil da empresa australiana. “As ações terão duração prevista de até 12 meses e vão beneficiar diretamente milhares de pessoas em diferentes bairros, principalmente da região Sul do município”, informou a Viridis. 

Estamos em um momento de maior conscientização nas nossas cidades sobre os impactos do projeto Colossus, da Viridis, e sobre a realidade da diferença entre o que as empresas vão ganhar e o que a população tem a perder. Consigo afirmar que a opinião pública em sua grande maioria é contra o projeto Colossus em Poços. Vemos isso nas visitas de porta em porta, nas reuniões que organizamos e nas redes sociais nas mais variadas páginas”, comentou Nara Gomes. E acrescentou: “No entanto, o município continua ignorando a população, fingindo que não pode fazer nada, uma vez que o processo de licenciamento é estadual, e ao mesmo tempo firmando parcerias com a empresa mineradora”. 

OFENSIVA DE OCUPAÇÃO - 

A mineradora, afirmou Nara, está nesta ofensiva de ocupação de todos os espaços sociais, patrocinando eventos de cultura, como este firmado em julho, no valor individual de apenas R$ 28 mil, atividades em escolas e projetos variados. “Estão querendo comprar a boa vontade da população. A intensificação dessa atuação aponta, de certa forma, para o avanço da opinião pública negativa”, comentou Nara, que também integra o Diretório Estadual da Unidade Popular pelo Socialismo e os coletivos Cacique Merong e Terra Viva Água Rara. 

A luta na região começou no final de 2024, em Caldas, quando as ativistas identificaram o projeto previsto para Poços. A publicação do Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) do Projeto Colossus (Viridis) catalisou uma movimentação de pessoas empenhadas em estudar e analisar o documento para entender os impactos previstos para a cidade e a região. “Assim surgiu o coletivo Terra Viva Água Rara, criado inicialmente com essa tarefa analítica, e uma vez que ficou clara a natureza destrutiva do projeto Colossus, o coletivo passou também a entender a necessidade de atuar para informar a população sobre o projeto e mobilizar as pessoas em sua oposição”, contou Nara. 

“Desde cedo ficou claro que a grande maioria da população não estava sabendo do projeto e seus impactos. Em 2025 organizamos (tanto pelo Terra Viva quanto pela Unidade Popular) panfletagens informativas no centro da cidade e nos bairros da Zona Sul principalmente. Entre as panfletagens fizemos mobilizações para a participação da população nas audiências públicas. A audiência realizada pela câmara dos vereadores teve uma boa participação popular, mas o espaço é menor”, relatou Nara.

“FOI UMA FARSA”. 

Segundo ela, na audiência oficial, parte das exigências do processo de licenciamento, “foi uma farsa”. Motivo, explicou: “Foi um evento totalmente dominado pela empresa e com baixa participação popular. Apesar das nossas mobilizações, uma parte muito pequena da população estava sequer sabendo do projeto de mineração”. 

E não parou aí, disse ela. Pelo contrário: “Organizamos um abaixo assinado demandando do prefeito a revogação da certidão de uso e ocupação do solo, único documento em que o município incide diretamente no processo de licenciamento. O abaixo assinado pedia sua revogação tendo em vista a avaliação de prejuízos para a cidade que adviriam da mineração no projeto Colossus. A coleta de assinaturas foi uma tarefa coletiva, encabeçada pelo Terra Viva Água Rara e a Unidade Popular”, contou. 

MORADORES PERCEBEM CONTRADIÇÕES - 

Para dar continuidade ao movimento, ela disse que o coletivo criou outra frente, buscando trabalhar na mobilização local direta, organizando reuniões de bairro, iniciando a construção do grupo de moradores Rara é a Vida. 

“Moradores da zona sul que tinham participado de uma atividade promovida pela empresa Viridis e perceberam as contradições no que a empresa apresentava, procuraram o coletivo para tirar dúvidas. A partir das informações que levamos, surgiu esse novo coletivo de moradores da zona sul, que tem atuado regularmente e continua crescendo, agora expandindo sua atuação para outras regiões da cidade. A tarefa de levar informações para a população continua sendo prioridade. Engajar a população na atuação contra o projeto é a outra tarefa essencial”, informou a ativista. 

Com o objetivo de impedir ou dificultar as ações das empresas australianas, ela disse que este ano foi organizada uma marcha contra a mineração de terras raras na nossa região, no dia 8 de maio, logo antes de uma nova audiência pública convocada em Poços pela deputada Bella Gonçalves (PT-MG). A marcha, lembrou, fez o trajeto do bairro Parque das Nações, Conjunto Habitacional, que será “um dos mais impactados pelo projeto”, até o Instituto Federal, onde foi a audiência. 

Nara reiterou que, como resultado da pressão popular e dessa audiência, conseguimos visita de uma comitiva interministerial, do qual participaram nove ministérios e outros órgãos do governo federal. Nos dias 24 e 25 de julho, a comitiva fez reunião de escuta com os movimentos sociais e grupos de moradores em Poços de Caldas, Caldas e Andradas. “Em Andradas, a mobilização contra a mineração tem um caráter mais econômico, uma vez que a mineração terá efeitos principalmente sobre os pequenos produtores daquela cidade (que são muitos)”, lembrou. O resultado das ações da comitiva ainda não foi divulgado. 

DESASTRE EM DIVERSOS ASPECTOS - 


A ativista ambiental Helena Sasseron, membro da CARACOL, Organização da Sociedade Civil em Andradas, município mineiro, relatou ao Blog no final de 2025, seu sentimento de tristeza quanto às decisões do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) de Minas Gerais que aprovou ontem (19/12) as licenças prévias dos projetos de mineração de terras raras das duas empresas australianas (LEIA A ENTREVISTA). 

Hoje, ela acrescentou que a sua principal preocupação com a exploração são os impactos - ou desastres - socioambientais: contaminação da água, do ar, destruição do ecossistema, das paisagens, de todos estes elementos de extrema importância para as principais atividades do município, que em sua maioria estão ligadas à agricultura familiar e ao turismo sustentável, e que dependem disso para que sigam existindo. 

“Por isso digo impactos/desastres socioambientais, e não apenas ambientais: tudo o que impacta o nosso meio ambiente irá impactar direta ou indiretamente as principais atividades socioeconômicas do município. Junto com estes impactos virá também o apagamento da nossa memória, da nossa tradição. Será um desastre em diversos aspectos: ambientais, sociais e econômicos”. 

RESISTÊNCIA - 

Ela afirma que hoje Andradas tem uma grande resistência com relação à mineração: “temos um histórico e, junto com ele, uma fama de sermos contra as atividades mineradoras. Nosso maior foco neste momento é informar a população, pois a desinformação se torna uma grande oportunidade para que as empresas mineradoras criem as suas verdades e iludam a população”. Em termos institucionais, informou que a prefeitura do município de Andradas está trabalhando num estudo de zoneamento ambiental para entender quais áreas tem vocação para atividades de alto grau poluidor (como a mineração) e quais áreas precisam ser protegidas e, portanto, não têm vocação para atividades poluidoras(mananciais, nascentes, zonas de recarga hídrica, matas ou florestas, patrimônios culturais, comunidades tradicionais, áreas de cultivo, áreas turísticas, marcos do município, por exemplo. 

TRISTEZA RELATADA EM DEZEMBRO - 

“Definir o sentimento perante à forma como foram votados hoje (DEZEMBRO DE 2025) os pareceres únicos dos Projetos Colossus (Viridis) e Caldeira (Meteoric), aprovando a Licença Prévia dos empreendimentos na reunião do COPAM, é muito difícil. Ele habita entre a tristeza, a raiva, a revolta e a incompreensão do que aconteceu. Mesmo com todas as informações e questionamentos trazidos por pessoas com vasto conhecimento da área de mineração, as inseguranças e denúncias faladas por representantes da sociedade civil, os órgãos responsáveis por defender o meio ambiente e escutar a população, simplesmente ignoraram as nossas vozes, as vozes de vereadores e Câmaras Municipais, e o MPF, e disseram sim às empresas”, conforme o Blog divulgou na ocasião. 

Os estudos hídricos ficaram para a fase seguinte, de licenciamento ambiental, mas mesmo assim as Licenças Prévias foram aprovadas - e se não tiver água suficiente para o volume absurdo que eles dizem precisar, eles voltarão atrás? Os órgãos responsáveis irão paralisar o projeto? Ou seguirão secando nascentes e o nosso ponto de recarga hídrica até que o projeto termine, e a gente fique sem água e com os rejeitos, como as mineradoras costumam fazer? 

Existem lacunas nos EIA e nos pareceres dos projetos, e existe uma pressa que nunca foi explicada para que isso seja aprovado antes de que haja uma legislação específica para terras raras, hoje inexistente no nosso país. Além disso, todo o estudo dos impactos ambientais parece desconsiderar o fato de que habitamos um planeta vivo, em que a natureza e os ecossistemas estão vivos e em constante transformação e movimento. Parece ignorar que as águas se movem, encontram o seu caminho, não são inertes e não respeitam fronteiras e divisas inventadas pelo ser humano. Me questiono como viverão as próximas gerações... que água irão beber? em que solo irão cultivar? E os nossos agricultores, como seguirão com as suas culturas, de onde tiram o seu sustento e alimentam a população, como ficam? Como ficará o nosso ar? Nós também não somos inertes, e não é uma questão de ser contra ou a favor dos empreendimentos, é apenas uma questão de querer que todas as possibilidades sejam levantadas, investigadas, e devidamente respondidas antes que se aprove qualquer projeto. As empresas e os órgãos têm pressa, nós, sociedade civil, temos precaução.” 

METEORIC NA ESTRADA  

A empresa australiana Meteoric participa de obras de infraestrutura em Minas Gerais, com investimentos de R$ 60 milhões para pavimentar trecho de 23 quilômetros entre Caldas e Andradas passando por Pocinhos do Rio Verde e “deverá beneficiar comunidades rurais, produtores e trabalhadores dos dois municípios”, anunciou mineradora, na Exposibram, em Belo Horizonte. A iniciativa reúne a empresa australiana, a Agência de Promoção de Investimento de Minas Gerais (Invest Minas), as Secretarias de Estado de Fazenda (SEF), de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra) e de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) e a Prefeitura de Caldas. 

O anúncio ocorreu no estande da Embaixada da Austrália na Exposibram, considerada o maior evento de mineração da América Latina, e contou com a participação de representantes das instituições envolvidas. A empresa afirmou que a pavimentação deverá contribuir para o desenvolvimento econômico dos municípios, com impactos nos setores de turismo, agronegócio e indústria mineral. “A melhoria da infraestrutura também deve facilitar o acesso das comunidades rurais a serviços públicos”. 

Segundo a Meteoric, em Caldas, a estrada é utilizada para o transporte de uvas, gado de corte e eucalipto destinado à indústria, além do deslocamento de trabalhadores das Indústrias Nucleares do Brasil (INB). Entre as comunidades que devem ser beneficiadas estão Pocinhos do Rio Verde, Bom Retiro, Bocaina e Lagoa. Já em Andradas, a rota atende os bairros rurais Gonçalves, Capão do Mel, Tanques, Pitangueiras e Teixeiras, região que concentra produção de flores, tomate e uvas, além da criação de gado. A estrada também é utilizada pelos dois municípios para acesso ao aterro sanitário. Conforme divulgou a Meteoric, “a parceria integra o compromisso da empresa de deixar um legado positivo associado ao Projeto Caldeira, empreendimento voltado à produção de terras-raras na região”. 

A secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Costa, agradeceu a confiança da Meteoric e da Embaixada da Austrália no potencial de Minas Gerais. Ela também destacou que os investimentos relacionados à implantação do empreendimento da mineradora na região estão estimados em mais de R$ 1 bilhão. O prefeito de Caldas, Airton Goulart, afirmou que a pavimentação deverá reduzir em cerca de 40 minutos o tempo de deslocamento até o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP). “É uma estrada que vai trazer progresso para o nosso município”, declarou. A embaixadora da Austrália no Brasil, Sophie Davies, também destacou a iniciativa. “Esse projeto mostra o compromisso que as empresas australianas têm com a comunidade e o investimento social que é tão importante para nós e para mostrar os padrões de alto nível dessas empresas representadas hoje pela Meteoric”, afirmou. 

O Projeto Caldeira prevê a exploração de terras-raras na região, e o estudo de viabilidade definitivo (DFS, na sigla em inglês) divulgado pela empresa neste mês estima investimento total de US$ 498,4 milhões. A mineradora australiana já obteve a licença prévia para o empreendimento e aguarda a licença de instalação (LI), que autoriza o início das obras, conforme informação oficial da empresa. A expectativa da empresa é que a licença de instalação seja concedida no último trimestre de 2026. Com isso, a previsão é que a produção do Projeto Caldeira tenha início no segundo semestre de 2028. 

NOTA DO BLOG – Segundo a literatura disponível, a frase "não existe almoço grátis" foi popularizada pelo economista Milton Friedman, que inclusive usou o lema como título de um de seus livros em 1975. No entanto, a autoria original da expressão exata em inglês ("there ain't no such thing as a free lunch") é frequentemente atribuída ao escritor de ficção científica Robert Heinlein, que a incluiu em sua obra de 1966 The Moon Is a Harsh Mistress (Revolta na Lua). 

NOTA DA VIRIDIS – Lançamento dos editais:  “Desde o início do Projeto Colossus, a Viridis tem como premissa promover a qualidade de vida nos territórios onde atua, por meio de um programa de diálogo e investimento social privado. Entre essas iniciativas está o Edital Viridis + Comunidades, que vai investir cerca de R$ 340 mil em 12 projetos esportivos e culturais de instituições e empreendedores locais. Entre eles, está a instalação de uma academia ao ar livre em uma instituição com mais de 100 anos de atuação em Poços de Caldas”. 

(FOTOS – NARA GOMES E HELENA SASSERON – ACERVO PESSOAL. ESTRADA – METEORIC) – 

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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Os 70 anos do IPEN em livro de Marcelo Linardi


O uso da energia nuclear para fins pacíficos. Este é foco das atividades do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN) que, ao celebrar 70 anos no dia 31 de agosto, lançou o livro IPEN – 70 ANOS para contar sua história. A obra tem a assinatura do engenheiro Marcelo Linardi, pesquisador titular emérito que conhece profundamente a instituição e registra a multidisciplinaridade de aplicações de técnicas nucleares e fontes alternativas de energia. 

As 263 páginas apresentam a trajetória do IPEN e contém o registro de sua história mais recente, fazendo um recorte do período de 2000 a 2026 sem deixar de resgatar o grupo pioneiro e visionário que estabeleceu as bases da física moderna no Brasil a partir da década de 40. O físico, pesquisador e professor universitário brasileiro Marcello Damy de Sousa Santos é celebrado como o fundador do então Instituto de Energia Atômica, hoje o IPEN. 

Para Linardi, o foco nos últimos 26 anos é justificado por já haver um trabalho abrangente sobre a história do Instituto desde a sua fundação, em 1956, até o início dos anos 2000. Trata-se da tese de doutorado defendida em 2023 por Ana Maria Pinho Leite Gordon, intitulada “Um estudo de caso à luz da história da ciência, da tecnologia e da cultura brasileira”. 

A intenção agora é dar continuidade ao percurso e relembrar realizações exitosas do período, além de comprovar a importância estratégica do Instituto para a sociedade brasileira em vários setores do saber com aplicações nucleares na indústria, na medicina; combustíveis sustentáveis, como hidrogênio verde; sistemas energéticos e meio ambiente, materiais, lasers, biotecnologia e diversos outros. 


O prefácio tem a assinatura da superintendente da instituição, Isolda Costa, que defende a premissa de que “o conhecimento científico só se completa quando seus resultados alcançam a sociedade”. IPEN – 70 ANOS conta com a colaboração de mais de 80 especialistas e o apoio da Editora SENAI/SP e da Globaltec serviços editoriais. Esta é a quinta obra de uma série composta pelos títulos O IPEN e a Nanotecnologia, O IPEN e a Inovação Tecnológica, O IPEN e a Saúde, O Ipen e a Economia do Hidrogênio, todos editados pelo Senai-SP, onde é possível adquirir as obras na forma online.  

Os interessados em adquirir a obra IPEN – 70 ANOS podem solicitar o envio de um exemplar, sem custo, pelo email superintendente@ipen.br

O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) é uma autarquia estadual vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI) do Governo do Estado de São Paulo e gerida técnica e administrativamente pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Governo Federal. Está localizado numa área de 500 mil metros quadrados no campus da Universidade de São Paulo (USP). 

Linardi ressaltou que o IPEN tem destacada atuação em vários setores da atividade nuclear, com programas de pesquisas e desenvolvimento, produção de produtos e prestação de serviços. Também dispõe de programas de ensino em associação com a USP, com programa de PósGraduação avaliado pela CAPES/MEC e curso de mestrado profissional stricto sensu em Tecnologia das Radiações em Ciências da Saúde. 

(FOTOS – Acervo do autor -crédito para Sargento Walney - Foto Isolda Costa- Ipen) -

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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Senado aprova PL das terras raras: vitória para o presidente Lula

 

Rio de Janeiro, 2 de setembro de 2026 - 


O Senado aprovou nesta quarta-feira (2/9) a criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O Projeto de Lei (PL)  2.780/2024 prevê investimentos de até R$ 7 bilhões por meio de incentivos governamentais a projetos de processamento e transformação dos minerais. O texto segue para sanção. O PL está sendo chamado de PL das terras raras. 
O Brasil é um dos países com maiores reservas de vários desses minerais. Os minerais críticos e estratégicos são essenciais para projetos de transição energética e de tecnologias de ponta, como painéis solares, smartphones, notebooks e carros elétricos. Também são importantes para a indústria militar. A aprovação representa uma importante vitória para o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Na semana passada, insatisfeito com o avanço das empresas estrangeiras, do ramo,  no Brasil, ele pediu a votação urgente do PL  2.780/2024.  

A mineradora Serra Verde, em Minaçu, Goiás, por exemplo, está sendo vendida para os Estados Unidos, conforme tem sido anunciado.

. — Minerais críticos se tornam coluna mestra de outras cadeias produtivas, e sua quebra ou desabastecimento pode causar efeitos indesejados e significativos nos outros setores relevantes nacionais — explicou o relator da proposta, senador Eduardo Braga (MDB-AM). 

O projeto, do deputado Zé Silva (Solidariedade-MG), foi aprovado sem mudanças no mérito, com alterações apenas na redação. Por isso, não precisará voltar à Câmara. A proposta foi uma das anunciadas na lista de prioridades legislativas definidas pelo presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, em conjunto com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente da Câmara, Hugo Motta. 

Entre outras medidas, a política prevê a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), com aporte de R$ 2 bilhões da União para atividades vinculadas à produção de minerais críticos e estratégicos. Também está previsto investimento de R$ 5 bilhões para beneficiamento e transformação desses minerais dentro do território nacional. 

REGRAS -

A política de minerais críticos e estratégicos tem foco no processamento no território nacional, rastreabilidade, inovação e controle estatal. O texto define “minerais críticos” como aqueles cuja disponibilidade está em risco devido a limitações na cadeia de suprimento, e cuja escassez poderia afetar setores prioritários da economia nacional, como transição energética, segurança alimentar e soberania nacional. 

Já os “minerais estratégicos” são aqueles que têm importância para o Brasil em razão de o país ter reservas significativas essenciais para a balança comercial e para o desenvolvimento tecnológico com redução de emissões de gases do efeito estufa. 

Por seis anos, as empresas ligadas à mineração (pesquisa e lavra), beneficiamento e transformação de minerais críticos e estratégicos deverão direcionar 0,2% de sua receita operacional bruta ao fundo garantidor. Outra parte, de 0,3%, será direcionada pela empresa a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica relacionados a pesquisa, lavra, beneficiamento e transformação dos minerais. Após esse período, os 0,2% obrigatórios para o fundo poderão ser a ser destinados para os projetos de pesquisa, passando de 0,3% para 0,5% no total. 

Todos os recursos direcionáveis a projetos poderão ser considerados cumpridos se o dinheiro for colocado no FGAM ou em fundo privado com finalidade de incentivar pesquisa na área, que ainda depende de regulamento. O projeto inclui a prospecção e a pesquisa mineral no rol de projetos elegíveis à emissão de debêntures incentivadas, títulos de renda fixa emitidos por empresas privadas para financiar projetos de infraestrutura. 

— Com isso, estendemos os benefícios já utilizados por outros setores da infraestrutura nacional, de tal forma que investidores que financiem projetos minerais prioritários se equiparem àqueles do setor de energia, de transporte, e de saneamento, por exemplo, democratizando o acesso do setor ao mercado de capitais — explicou Braga. 

SOBERANIA NACIONAL -

 Durante a discussão em Plenário, o relator lembrou que o tema dos minerais críticos e estratégicos também está no PL 4.443/2025, do senador Renan Calheiros (MDB-AL). O texto aprovado nesta quarta-feira, de acordo com Braga, abrange quase a totalidade do que foi proposto no Senado. 

— Registramos nossos aplausos ao senador Renan pela iniciativa muito pertinente de apresentar e defender um projeto voltado à defesa da soberania nacional sobre minerais críticos e estratégicos — disse Braga, que também lembrou o trabalho dos senadores Esperidião Amin (PP-SC) e Wilder Morais (PL-GO), que foram relatores do texto nas comissões. 

O projeto foi elogiado pelo senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), que destacou o potencial do Brasil. O país, de acordo com o senador, tem as terras-raras, tem os cientistas e precisava vencer o gargalo de recursos para alimentar a cadeia produtiva, problema que será resolvido com o fundo.

 — Vai ajudar muitos setores e principalmente gerar nota fiscal, emprego, renda e desenvolvimento — comemorou. A líder do governo, senadora Teresa Leitão (PT-PE), agradeceu o empenho dos senadores, inclusive os oposicionistas, para aprovar o texto. 

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), por sua vez, lembrou que o mundo inteiro está atento às reservas do Brasil, inclusive as ainda não prospectadas. Para ela, embora a discussão tenha sido mais rápida do que poderia ser, a aprovação é positiva para o país. Tanto ela quanto os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Izalci Lucas (PL-DF) demonstraram preocupação com o papel do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. 

O senador Carlos Portinho (PL-RJ) chegou a apresentar destaque para deixar claro que o conselho não tem a competência de fiscalização. Ele afirmou que a mudança seria necessária para não enfraquecer o papel da Agência Nacional de Mineração (ANM). O destaque foi retirado após apelo do relator.

 CADASTRO - 

De acordo com a proposta, todos os instrumentos de fomento somente poderão ser acessados por projetos de minerais críticos e estratégicos que estejam no cadastro nacional a ser criado e habilitados pelo conselho. O cadastro unificará informações dos órgãos federais, estaduais, municipais e distritais ligados à atividade. Também será criado o Certificado Mineral de Baixo Carbono, com benefícios para empreendimentos que aderirem voluntariamente. 

O texto prevê que as áreas com potencial para a produção de minerais críticos e estratégicos deverão ser priorizadas em leilões da Agência Nacional de Mineração (ANM), incluindo as desoneradas. Área desonerada é aquela cujo direito minerário foi extinto por renúncia, desistência, caducidade ou indeferimento, retornando ao controle da agência. Com base em diretrizes do conselho, a agência terá que fixar um preço mínimo para as áreas. Já a autorização de pesquisa em áreas com minerais críticos ou estratégicos terá prazo máximo improrrogável de dez anos. Depois dos dez, se o interessado não tiver apresentado relatório final de pesquisa, o direito minerário será extinto. 

(AGÊNCIA SENADO/BLOG/VALOR) - FOTO - Portal Solar) – 

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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

UFRJ e chineses firmam parceria na área nuclear

 


O desenvolvimento conjunto de pequenos reatores modulares, pesquisas para o aprimoramento da exploração de urânio e intercâmbio de pesquisadores e estudantes. Estes são os principais pontos do memorando de cooperação técnica e pesquisa no setor nuclear firmado pelo reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Medronho e o diretor da CNNC Overseas Limited, Hu Pengfei. Medronho recebeu a delegação chinesa, composta por representantes da China National Nuclear Corporation (CNNC) e das subsidiárias China National Uranium Corporation (CNUC) e CNNC Overseas Limited, na quinta-feira (27/8), na Cidade Universitária. 


Com vigência de cinco anos, para o Brasil, afirmou Medronho, “o domínio da tecnologia nuclear para fins pacíficos é uma questão de desenvolvimento sustentável, segurança energética e soberania científica”. Ele lembrou que o país dispõe de importantes reservas de urânio, possui capacidade tecnológica relevante e reúne instituições acadêmicas e industriais preparadas para participar de projetos de elevada complexidade. “Nossa responsabilidade é transformar esse potencial em conhecimento, inovação, energia limpa e benefícios concretos para a sociedade, sempre observando os mais rigorosos padrões internacionais de segurança, responsabilidade ambiental e utilização pacífica da energia nuclear”, disse o reitor da UFRJ. 

Segundo a reitoria, a UFRJ tem uma contribuição histórica no desenvolvimento da Engenharia Nuclear no Brasil, que remonta à década de 1950. A Universidade abriga o Programa de Engenharia Nuclear da Coppe (PEN/UFRJ), fundado em 1968 e pioneiro na América Latina, o qual atua em integração com o Departamento de Engenharia Nuclear da Escola Politécnica (DNC) desde 1972. 

Atualmente, a UFRJ destaca-se como a única universidade brasileira a oferecer um curso de graduação em Engenharia Nuclear (desde 2010). Sua pós-graduação já formou mais de 600 mestres e centenas de doutores. “Os pesquisadores da UFRJ desenvolvem estudos de ponta em física e engenharia de reatores, termohidráulica, segurança nuclear, proteção radiológica, ciclo do combustível, análise de risco e novas tecnologias, informou a Universidade. 

(FOTO - Sônia Toledo (SGCOM/UFRJ) – 

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Meio ambiente, tecnologia e comunidade marcam seminário da Associação Poços Sustentável (APS)

 

Evento promovido pela APS teve como  temaPoços de Caldas e os Desafios do Século XXI: Meio Ambiente, Tecnologia e Comunidade”


Alunos e professores de escolas públicas e privadas de Poços de Caldas, representantes de empresas, organizações sociais e do poder público, participaram da quarta edição  do  Seminário do Observatório Social Poços Sustentável (APS), no último dia 18/8. O auditório do Espaço Cultural da Urca ficou lotado, mostrando o interesse do público pelo debate democrático sobre questões de grande interesse da sociedade. Este ano, o Seminário teve como tema  Poços de Caldas e os Desafios do Século XXI: Meio Ambiente, Tecnologia e Comunidade”, com a participação de especialistas que fizeram o público refletir sobre inteligência artificial, sustentabilidade, governança, educação e gestão de resíduos. 


Para debater estes temas tão importantes, foram convidados o professor e pesquisador Luciel Henrique de Oliveira, especialista em inovação, ESG e economia circular, que falou sobre Inteligência Artificial; o educador e facilitador de processos colaborativos Eduardo Tatit Vitale, que discorreu sobre Governança Socioambiental – Desafios e Soluções Locais para a Conservação das Águas, e Cristiane Hubner, diretora de Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (SEMAD), que apresentou as diretrizes para uma gestão adequada dos resíduos sólidos urbanos, abordando políticas públicas, coleta seletiva, planejamento municipal e o fortalecimento das organizações de catadores como agentes fundamentais da economia circular e da inclusão social. 

Também participou Maria José Scassiotti, associada da APS, falando sobre a atuação e as iniciativas da Associação, apresentado o curta Rastros Digitais, finalista do Festival de Curta-Metragem da Escola Estadual David Campista e realizada Roda de Conversa com todos os palestrantes, mediada pelo associado e presidente do Conselho de Administração da APS, José Edilberto da Silva Resende. 

“O nosso quarto Seminário foi um verdadeiro marco de engajamento, cidadania e troca de conhecimentos para a construção de um futuro mais sustentável para a nossa cidade”, destaca Terezinha Couto, diretora Executiva da APS. 

“O sucesso deste evento é reflexo direto da dedicação e da energia de muitas mãos e mentes comprometidas com um futuro melhor, desde a dedicação de nossos associados e voluntários, do apoio dos parceiros, que acreditaram nesta causa, até a generosidade dos palestrantes em compartilharem conteúdos enriquecedores, que provocaram reflexões fundamentais sobre nosso futuro.  Não posso deixar de agradecer o público presente, com destaque para as escolas do ensino médio, cooperativas de reciclagem, autoridades e organizações e empresas parceiras, pela participação e fortalecimento desse espaço de diálogo e transformação. Continuamos unidos por uma Poços de Caldas cada vez mais sustentável, justa e inclusiva”. 

SOBRE A APS

A  APS – Associação Poços Sustentável é uma organização sem fins lucrativos, suprapartidária, formada por voluntários que têm por Missão “sensibilizar e mobilizar os vários segmentos da sociedade para contribuir com a construção de uma cidade mais sustentável e justa”, respeitando a pluralidade e a diversidade no interesse coletivo, planejando, identificando demandas, colhendo opiniões, desenvolvendo projetos e mapeando indicadores.  

A APS tem como premissa buscar o melhor para as pessoas e para o meio ambiente tanto agora como para as futuras gerações, sendo ecologicamente correta, economicamente viável, socialmente justa e ética e culturalmente aceita. 

(FOTOS APS -- Espaço Cultural da Urca – e  voluntários da APS e palestrantes da quarta edição do Seminário do Observatório Poços Sustentável) – 

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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Presidente Lula é contra a exploração de terras raras por estrangeiros na mineradora Serra Verde

 


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é contra a exploração de terras raras em Goiás por empresa americana e avalia como rever negócio que vem sendo anunciado desde abril, como se fosse definitivo. Lula disse hoje (26/8) que tem 'muita gente estrangeira' comprando minerais críticos do Brasil antes da regulamentação do setor no país. O ponto do contrato mais criticado pelo governo é a previsão de envio de 100% da produção inicial para os Estados Unidos. A USA Rare Earth firmou um acordo para adquirir participação na mineradora Serra Verde, responsável por uma mina no município de Minaçu, anunciando anteontem, por exemplo, o aporte de mais recursos para a aquisição. 

O negócio prevê a combinação das operações das duas companhias para criar uma cadeia completa de produção de ímãs — da extração à fabricação — fora da Ásia, região que hoje domina esse mercado. Mas ainda é necessária a aprovação dos acionistas em assembleia que deverá ocorrer nesta sexta-feira (28/8). 

O presidente falou sobre a Serra Verde ao defender a aprovação no Senado do projeto que cria a política nacional para minerais críticos após um almoço no Palácio da Alvorada com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). 

"Se a gente não regular e definir que essa riqueza mineral não é minha, não é do Alcolumbre, não é do Hugo Motta, não é individualmente de ninguém e de nenhum empresário e muito menos de outro país, que é uma riqueza do Brasil e por ser do Brasil a gente tem que garantir que essas coisas se transforme em uma coisa que faça o povo brasileiro sonhar de que a possibilidade que nós temos de garimpar, tratar e produzir coisas importantes nesse país é uma coisa sagrada para o futuro do nosso país", disse o presidente Lula. 

A Política Nacional de Minerais Críticos cria uma legislação específica para atrair investimentos nacionais para o setor, com um fundo de R$ 5 bilhões. O projeto já foi aprovado na Câmara em maio e aguarda somente a votação no Senado. Alcolumbre anunciou que levará ao plenário da Casa a proposta para a votação na próxima semana. Os minerais críticos ou estratégicos, como as terras raras, são fundamentais para a produção de imãs para a indústria de tecnologia, armamento, baterias de veículos elétrico, entre muitas outras. 

Leia hoje MATÉRIA EXCLUSIVA blog: 

Terras raras: acordos antigos passam pelas Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas, na misteriosa trajetória da mineradora Serra Verde - Acordos antigos de investimentos que passam pelas Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas, por Toronto no Canadá, cercam de mistérios a trajetória da mineradora Serra Verde, em Minaçu (Goiás). 

Desde abril a venda da Serra Verde para os Estados Unidos tem sido anunciada, com a cobiça do presidente Donald Trump pelas terras rara, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a soberania nacional, sobre os preciosos minerais estratégicos. 

(FOTOS – PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA) – 

Matéria principal com o 247, G1 e mídias do governo -  

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Terras raras: acordos antigos passam pelas Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas, na misteriosa trajetória da mineradora Serra Verde

 

Acordos antigos de investimentos que passam pelas Ilhas Cayman, Ilhas Virgens Britânicas, por Toronto no Canadá, cercam de mistérios a trajetória da mineradora Serra Verde, em Minaçu (Goiás). Desde abril a venda da Serra Verde para os Estados Unidos tem sido anunciada, com a cobiça do presidente Donald Trump pelas terras rara, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a soberania nacional, sobre os preciosos minerais estratégicos. Leia a reportagem exclusiva Blog. 


Rio de Janeiro, 26 de agosto de 2026 - Por meio de um contrato de crédito, de 21 de outubro de 2021, o OMF Fund III Ltda, um fundo de investimento, que opera de acordo com as leis das Ilhas Cayman, concordou em fornecer à SVRE Holding Ltda, empresa das Ilhas Virgens Britânicas, de acordo com as leis da região, uma determinada linhas de crédito de cerca de US$ 115 milhões. Tudo dentro do pacote da Serra Verde Pesquisa e Mineração, em Minaçu, Goiás, a maior operadora de terras raras no Brasil, no processo nº 48406.861427/2010-21, da Agência Nacional de Mineração (ANM), sobre Penhor de direitos Minerários. 

O negócio prossegue, conforme documentos, que o blog teve acesso, informando que tal facilidade está garantida pelo credor pignoratício (pessoa ou instituição que possui uma garantia real de penhor sobre um bem móvel de um devedor), e em conjunto com fiadores. Isto, conforme definido no contrato de crédito, “uma empresa validamente organizada e existente sob as Leis do Canadá, com sede estatutária neste endereço: University Avenue, 3rd Floor, Toronto, ON M5J 2P1, registrada no Business Corporations Act (Ontário, província mais populosa do Canadá, na região central-leste do país), sob o número 5027634 (Agente Global de Garantia), conforme consta no documento, “atuando como agente administrativo global e de garantias, “por si e em nome do Mutuante em relação às obrigações garantidas”. 


O negócio menciona alguns aditamentos. Este seria o terceiro. De acordo com o documento, o contrato de obrigações para fins do artigo 1424 do código brasileiro, as condições das obrigações, têm o mesmo significado do segundo contrato de crédito, de Royalties Original da A&R, com uma série de pontuações. Menciona juros, taxas, datas de pagamento, de 31 de dezembro de 2029, reembolso, valores que vão de U$S 2,5 milhões, a U$S 20 milhões, com a seguinte observação: “a partir de tal data, podendo chegar a U$S 50.000,00. 

NEGÓCIOS ANTIGOS - 

Tem mais de uma década as tratativas da Serra Verde com o Ministério de Minas e Energia (MME). De acordo com o processo nº 48406.861428/2010-75, o requerimento para pesquisa de lavra para terras raras, foi apresentado em 19 de outubro de 2010, pela Mining Ventures Brasil Pesquisas e Mineração Ltda, em uma área de 1446.81 hectares. O Alvará de Pesquisa nº 753/2011 foi publicado no Diário Oficial da União no dia 31 de janeiro de 2011, autorizou a requerente a pesquisar terras raras pelo prazo de três anos, nume área de 1.633.54 hectares no município de Minaçu. 

A trajetória da empresa que hoje pertenceria aos Estados Unidos está relatada neste documento: O relatório final de pesquisa para a substância foi apresentado em 6 de dezembro de 2013 e aprovado em 29 de abril de 2015 com redução de área de 1.633,54 hectares para 1.446,82 hectares consignando uma reserva medida de 5.287.102 toneladas, entre outras informações. 

26 DE ABRIL DE 2016 - 

O requerimento de lavra foi protocolizado em 26 de abril de 2016, acompanhado de plano de aproveitamento econômico integrado para as áreas de alguns processos, objetivando a lavra conjunta das reservas aprovadas em cada processo para ser beneficiado em uma única usina. “Assim, em que pese a ANM (Agência Nacional de Mineração) ter aprovado uma jazida em cada um dos oito processos minerários, a Serra Verde está considerando para efeito de projeto como sendo uma jazida integrada denominada de Projeto ALF (sigla em Inglês) para exploração e beneficiamento de terras raras. 

IMPACTOS AMBIENTAIS - 

Em 28 de março de 2019, no mesmo documento do MME, consta que a Serra Verde Pesquisa e Mineração protocolou um plano de aproveitamento econômico integrado atualizado, substituindo o anterior, com o objeto de “otimizar os processos de beneficiamento e as operações de lavra, para reduzir o impacto ambiental do projeto”. Eis algumas informações do que a empresa declarou ter feito: alterou o ambiente em que ocorre a lixiviação das pilhas a céu aberto para tanques, com agitação em circuito fechado; reduziu as etapas de remoção de impurezas e osmose reserva, sendo que esta última foi eliminada; otimizou as operações de lavra. Reduziu a quantidade de minério a ser transportado”. 

No mesmo documento consta que a Serra Verde contava com 360 funcionários, que prorizav a contatação de moradores; o faturamento anual projetado integrado era de R$ 367.376.178,66, o faturamento anual estimado para o processo ANM nº 861.428/2010 era de R$ 9.515.043,03; custo anual direto do projeto integrado, R$ 151.600,000,00/ano; por exemplo. 

REJEITOS E PASTAGEM PLANTADA -

 “Os resíduos gerados pelo projeto ALF serão compactados e dispostos em duas pilhas, cujo volume total será de 140 Mm3 (cento e quarenta milhões de metros cúbicos), sendo que a pilha 1ocuparám uma área de 1.186.237 metros quadrados, com 111 metros de altura e a pilha 2, ocupará uma área de 1.712.355 metros quadrados, com uma altura de 101 metros. Segundo o documento do MME, “a utilização futura da área consistia na recuperação ambiental final buscando devolver a área parte de sua aptidão inicial que era a de pastagem plantada”. 

ABRIL DE 2026 - 

SERRA VERDE AOS ESTADOS UNIDOS.

 Tanto tempo depois, a direção da Serra Verde anuncia em alto e bom som que a empresa foi vendida para os Estados Unidos. Desde abril deste ano de 2026, os primeiros anúncios parecem surpreender. Aqui, o Blog relembra alguns amplamente divulgados pela direção da Serra Verde: 

“Temos o prazer de anunciar uma combinação acordada com a USA Rare Earth, Inc. (Nasdaq: USAR) para criar um líder global em terras raras, com operações em toda a cadeia de suprimentos de terras raras leves e pesadas, incluindo mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs. As operações de mineração e processamento da Serra Verde desempenharão um papel fundamental no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras — da mina ao ímã — fora da Ásia, quando combinadas com as operações de separação, processamento e fabricação de metais de classe mundial da USA Rare Earth, além de suas parcerias estratégicas que abrangem os EUA e os seus aliados”. 

“A compra da brasileira Serra Verde por cerca de US$ 2,8 bilhões, segundo a companhia, o acordo prevê a aquisição de 100% da Serra Verde, dona da mina e da planta de processamento Pela Ema, em Goiás. A operação será paga com US$ 300 milhões em dinheiro e 126,849 milhões de novas ações da USA Rare Earth, o que implica um valor de aproximadamente US$ 2,8 bilhões para a mineradora brasileira. O fechamento está previsto para o terceiro trimestre de 2026, sujeito a aprovações regulatórias e outras condições usuais. A Serra Verde é controlada por investidores privados e fundos, entre eles Denham Capital, Vision Blue Resources e Energy & Minerals Group”. 

“Em janeiro, a USA Rare Earth assinou uma carta de intenções não vinculante com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos para ter acesso potencial a até US$ 1,6 bilhão em apoio financeiro do governo dos EUA. Desse total, até US$ 277 milhões seriam em recursos federais diretos e até US$ 1,3 bilhão em um empréstimo sênior garantido. Na prática, o documento não representa liberação imediata de recursos, mas sinaliza que Washington vê a empresa como peça estratégica na tentativa de montar, fora da China, uma cadeia de terras raras, metais e ímãs voltada a setores considerados sensíveis, como semicondutores, defesa e energia. A Serra Verde iniciou a produção comercial em 2024 e já recebeu mais de US$ 1,1 bilhão em investimentos. A expectativa é que a mina atinja capacidade plena até 2027, com potencial de expansão nos anos seguintes”. 

“O governo dos Estados Unidos se comprometeu com pelo menos US$ 1,6 bilhão em empréstimos, aportes e compras futuras ligados à mineradora e à sua produção. Agora, os acionistas da USA Rare Earth podem dar nesta sexta-feira (28/8, segundo a jornalista Camila Alves Barros, do InvestNews,“o último grande passo para a conclusão da compra da mineradora brasileira. Eles decidirão se autorizam a emissão de 126,8 milhões de novas ações, que serão usadas como parte do pagamento. A USA Rare Earth espera concluir a operação logo após a assembleia, desde que as demais condições previstas no acordo sejam cumpridas”. 

O Blog tentou ouvir a Serra Verde. 

(FOTO- SITE DA SERRA VERDE) - 

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