
Às vésperas de completar um ano na presidência da
Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN), o médico nuclear e cardiologista
Rafael Willain Lopes, 47 anos, conversou com o Blog e fez um balanço sobre
algumas das situações críticas que ameaçam a continuidade da produção de radiofarmacos
(insumos usados na produção de radioisótopos, medicamentos destinados à
realização de diagnóstico e combate a doenças como o câncer), em 2024. “A
demanda por serviços é grande, está reprimida e deve crescer por conta do envelhecimento
populacional e doenças crônicas”, afirmou o médico, natural de Florianópolis, radicado
em São Paulo desde 2004. Na entrevista exclusiva, ele, alertou que é “preciso
que se resolva outras questões estruturais intrinsicamente relacionadas como a logística,
infraestrutura, financiamento, regulação. E para isso precisamos de toda ajuda possível
tanto pública, como privada, para suprir a demanda”. Falou também sobre a
quebra do monopólio da produção de responsabilidade do Instituto de Pesquisas
Energética e Nucleares (IPEN), por exemplo.
Eis a entrevista: BLOG: A
falta de radioisótopos gerou vários problemas e interrompeu o tratamento de
pacientes no decorrer de 2021. Como está a situação no momento?
RAFAEL WILLAIN
LOPES: Em relação ao presente e ao futuro, com à quebra de monopólio de
produção de radioisótopos de meia vida longa, aprovada em 2022 pelo Congresso
Nacional, a SBMN mantém o seu posicionamento em defesa da Medicina Nuclear
brasileira, alinhada com sua missão. A SBMN está trabalhando sempre em prol dos
pacientes que se beneficiam desta especialidade, buscando ampliar a utilização
de suas metodologias, assim como expandir o acesso dos pacientes a elas, para melhorar,
principalmente no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o acesso dos
pacientes aos procedimentos de medicina nuclear que impactam a tomada de
decisão e o resultado do tratamento, atuamos junto às diversas instituições, visando
a melhoria da qualidade de vida da população brasileira.
BLOG: E a
quebra do monopólio?
RAFAEL WILLAIN LOPES? Durante décadas, por
determinação legal, apenas ao IPEN era permitida a produção e a distribuição de
geradores de Tecnécio, dentre outros insumos radioativos, item fundamental à
nossa especialidade. Este cenário mudou, do ponto de vista legal, recentemente,
a partir do momento em que empresas privadas foram autorizadas a comercializar
tal material em território nacional. Somos imensamente gratos por todos os
esforços e todas as entregas que o IPEN fez à Medicina Nuclear desde o seu
surgimento, há 67 anos. Entendemos que o instituto prestou, presta e seguirá
prestando papel fundamental neste cenário. Não existe um futuro para a medicina
nuclear dissociado de um futuro para o IPEN, assim como para os demais
institutos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
BLOG: Há outros
passos a serem dados...
RAFAEL WILLAIN LOPES: O que deverá ser discutido
dentro de cada instituição, seja do IPEN, sejam em outros centros de pesquisa
da CNEN, será qual deverá ser esse papel. Como cada um pode colaborar para o
país e para a região específica em que se encontra. Em um país continental como
o Brasil, é natural que existam demandas regionais mais especificas. Por outro
lado, a entrada de outras empresas neste cenário tem o potencial de expandir a
Medicina Nuclear para horizontes que ainda não temos acesso. Acreditamos que a
demanda por serviços por parte da nossa população é grande, está reprimida, e
deve crescer por conta do envelhecimento populacional e doenças crônicas, e que,
resolvendo-se outras questões estruturais intrinsicamente relacionadas
(logística, infraestrutura, financiamento, regulação etc.), precisaremos de
toda ajuda possível, tanto pública quando privada, para suprir a demanda.
BLOG:
Qual a posição da SBMN?
RAFAEL WILLAIN LOPES: A SBMN apoia a pluralidade de participantes no
processo da Medicina Nuclear, declara seu fundamental apoio ao IPEN e
congratula qualquer empresa que possa, porventura, acrescentar opções. Ocorre
que discutir Medicina Nuclear no Brasil não passa, simplesmente, por permitir a
entrada de novos players no cenário de suprimento.
BLOG: Como assim?
RAFAEL
WILLAIN LOPES: A SBMN entende que urge discutirmos revisão de reembolso dos
procedimentos, tanto os oferecidos pelo SUS, que não sofrem qualquer tipo de
reajuste desde 2009, apesar dos crescentes custos, quanto os oferecidos aos
usuários do sistema de saúde suplementar. Ao resolvermos o gap de
financiamento existente no Brasil nestes procedimentos, vislumbramos um
crescimento da especialidade, com expansão de serviços em todo o Brasil. A
Medicina Nuclear brasileira se desenvolveu com o IPEN, segue e seguirá sendo
grande parceira deste instituto, com o qual mantemos inclusive projeto de
pesquisa junto a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A entrada de
outros entes nesse processo, por outro lado, pode ser auspicioso e vir a
beneficiar a todos. Quando se somam esforços, reduzem-se as limitações,
multiplicam-se os resultados e dividem-se os louros.
BLOG: Poderia
exemplificar? Tem relação com importação?
RAFAEL WILLAIN LOPES – Uma
vulnerabilidade da medicina nuclear do Brasil é a dependência externa de
radioisótopos, principal exemplo sendo o molibdênio-99 para a produção de
geradores de tecnécio, radiofármaco empregado na maioria dos exames de
cintilografia no país e que são fornecidos quase que na sua totalidade pelo
IPEN. O radioisótopo é importado, semanalmente, de países como Argentina,
Israel, África do Sul e Rússia. Qualquer irregularidade no seu fornecimento
impacta na produção dos geradores de tecnécio, que são distribuídos para todo o
país.
BLOG: A quantas anda a demanda pelo tratamento?
RAFAEL WILLAIN
LOPES: Anualmente, são realizados no país cerca de dois milhões de
procedimentos de medicina nuclear, considerando-se o conjunto da saúde
suplementar e Sistema Único de Saúde (SUS). Os exames de cintilografia do
miocárdio respondem pela metade dos procedimentos. Os radiofármacos também são
utilizados em exames de diagnóstico PET-CT e cintilografias tradicionais, além do
tratamento de doenças como o câncer de tireoide, com o iodo-131 e tumores
neuroendócrinos, com o lutécio-177.
BLOG: Qual a expectativa diante de
novos cenários?
RAFAEL WILLAIN LOPES: Nossa estimativa é de que esse
número, no entanto, deveria ser pelo menos o dobro, considerando o tamanho da
nossa população e a prevalência dessas doenças. Em outros países da América
Latina como Argentina e Chile, a possibilidade de um paciente realizar um exame
ou tratamento de medicina nuclear é duas vezes maior do que a disponibilidade
existente no Brasil, o gap é ainda maior se comparamos o número de
procedimentos realizados na medicina suplementar em relação ao sistema público.
Cerca de 94% dos serviços de medicina nuclear são privados - embora a grande
maioria das clínicas preste serviços para o SUS – e apenas 6% são públicos,
estimando-se, assim, que mesmo com um crescimento constante, seriam necessários
30 anos para que o número de procedimentos na saúde pública alcance os
realizados na saúde suplementar.
BLOG: Outras questões prementes?
RAFAEL WILLAIN LOPES: Sim. Além desde cenário desafiador, temos questões
ainda mais urgentes tais como a indisponibilidade de inúmeros kits liofilizados
(cold-kits), muitos com excepcionalidade de importação no momento autorizada
pela ANVISA. Mas isto também acarreta aumento de custos, que reduz a
disponibilidade de uso e, por consequente, dos exames que os utilizam. Some-se
a isso questões regulatórias que pairam há tempos sobre a medicina nuclear.
BLOG:
Problemas nacionais?
RAFAEL WILLAIN LOPES: Não são exclusivas de nosso
país. Mas diante da realidade brasileira, também impactam a utilização e até
uma eventual expansão da metodologia. Claro, para um país continental como o
nosso, com desafios para a interiorização da medicina e acesso a saúde pública
como um todo, questões de infraestrutura e logísticas, que já são limitantes. No
cenário da medicina nuclear tudo isso têm impacto ainda maior, colocando em
risco a sobrevivência de muitos serviços pelo país afora, assim como a
perspectiva de expansão de novos serviços, públicos e privados, tão necessário
para podermos atender à demanda crescente da nossa população em função do
envelhecimento e das doenças crônicas. A questão ficou evidente no último censo
recém publicado.
BLOG: E a questão financeira?
RAFAEL WILLAIN LOPES -
Por fim, é uma questão que hoje permeia todo sistema de saúde e não é
diferente na nossa área, a sustentabilidade financeira e que na medicina
nuclear vem se tornando crítica considerando a falta de reajuste dos
procedimentos da tabela SUS desde 2009, bem como as dificuldades com as fontes
pagadoras da saúde suplementar em seu momento talvez mais desafiador.
BLOG:
Quais as soluções?
RAFAEL WILLAIN LOPES: Neste ponto, um projeto de
grande relevância é o do reator multipropósito brasileiro (RMB), a cargo da
CNEN, que propiciará uma série de mudanças no contexto dos desafios que
enfrentamos, ao garantir a autonomia do país na produção de diversos isótopos,
principalmente o molibdênio-99. Dentro desta perspectiva, os geradores de
tecnécio serão produzidos com matéria prima brasileira, seja pelo IPEN ou até
mesmo pela iniciativa privada, que, com a flexibilização do monopólio, ocorrida
em 2022, já pode também exercer tal atividade, mas ambos o fariam com custo em
Real, o que facilitará sua distribuição e, principalmente, permitirá ampliar o
acesso e reduzir os custos da medicina nuclear para a população. Além disso, o
RMB será um polo de agregação do conhecimento que permitirá produzir novos
isótopos e terá capacidade para abastecer não só o Brasil, como outros países
da América Latina. O RMB sozinho não resolverá todos os problemas, mas pode
trazer em sua concepção perspectivas para um futuro menos incerto e ampliar
horizontes nas áreas da pesquisa, visando aplicações práticas e desenvolvimento
de capital humano e intelectual associada à prática da medicina nuclear e das
ciências nucleares nas mais variadas vertentes.
BLOG: Mas o RMB ainda é
projeto que levará alguns anos para se tornar realidade. Assim, o que temos de soluções
no horizonte atual?
RAFAEL WILLAIN LOPES: Diante de tantos desafios no
curto e longo prazo, temos buscado continuamente manter diálogo com as diversas
instituições e entes governamentais, tentando sensibilizar os tomadores de
decisão no intuito de compreenderem a importância da medicina nuclear para o
futuro da saúde da população. A delicada situação atual necessita de atenção
para que ela possa realizar todo o potencial que vem se apresentando no
horizonte.
BLOG: Bem complicado. R
AFAEL WILLAIN LOPES: Além das
perspectivas no campo da cardiologia, as maiores promessas residem no campo da
oncologia e do teranóstico, com a evolução de exames diagnósticos e tratamentos
a eles associados. Alguns já estão disponíveis no Brasil, muitos outros estão
por vir, e precisamos estar preparados para oferecê-los aos brasileiros, não
apenas na saúde suplementar, mas também e principalmente, no âmbito da saúde
pública e, para tanto, buscamos apoiar o desenvolvimento e implantação do
programa nuclear brasileiro e o plano de expansão da medicina nuclear, que
possuem dentro de sua concepção a importância da medicina nuclear e diretrizes
para ajudar em sua sobrevivência e desenvolvimento do seu grande potencial em
prol da população brasileira, que merece ter acesso ao que de melhor a medicina
nuclear pode oferecer atualmente.
BLOG: Poderia exemplificar?
RAFAEL
WILLAIN LOPES: Exemplos destes esforços vem se materializando ao longo do
tempo na forma de reuniões com a presidência da CNEN, Superintendência do IPEN,
fornecedores e parceiros, Ministérios e ou Ministros de estado e com o próprio
Vice-Presidente da República, explicando a urgência em olhar para a comunidade
da medicina nuclear, seus desafios, com destaque para o IPEN, a gravidade da
situação do seu Centro de Radiofarmácia e a incerteza de continuidade de
produção de Radiofármacos a partir de janeiro de 2024.
BLOG: Muito
grave. Poderia fornecer maiores informações?
RAFAEL WILLAIN LOPES - Existe uma
preocupação real e legítima, também compartilhada pela SBMN, segundo a visão
exposta pelo IPEN, a sociedade em diversas reuniões, acerca de situações
críticas que ameaçam a continuidade da produção de radiofármacos. Essas
preocupações já foram endereçadas, tanto pelo IPEN como pela SBMN, em vários
fóruns e com as mais diversas autoridades e instituições, em que discorremos
sobre a falta de recursos necessários a investimentos de infraestrutura de
instalações do centro de radiofarmácia, além da adequação às boas práticas de
fabricação, uma exigência de longa data da ANVISA. Outra questão é a falta de
recursos humanos, considerando que o IPEN vem, consistentemente, perdendo boa
parte do seu capital humano, por conta da longevidade de seus servidores,
muitos já aposentados ou em processo, sem uma adequada reposição ao longo dos
anos, por conta da falta de concursos públicos e/ou outras alternativas.
Neste sentido, entende-se também a necessidade de evolução do modelo de gestão,
com mais agilidade, essencial para lidar com essas demandas, com as mudanças e
dinâmicas de um setor globalizado como o da produção de radioisótopos e de sua
cadeia logística, tanto mundial, como nacional. Diante desta incerteza de
continuidade da produção de radiofármacos, expressada pelo órgão, a SBMN se une
ao IPEN como voz em busca de soluções, visando garantir o futuro da produção de
radioisótopos e, assim, assegurar a continuidade da prestação dos bons serviços
que, historicamente, o uso desses radioisótopos na medicina tem oferecido a
população brasileira.
BLOG: O que está sendo feito?
RAFAEL WILLAIN LOPES: Estamos
cientes que estes órgãos e suas respectivas instâncias superiores estão
empenhados na busca por soluções no curto, médio e longo prazo, nós como SBMN
nos solidarizamos e empenhamos em expandir o diálogo, dar conhecimento e
visibilidade a estas questões e a necessidade de se colocar em prática soluções
no curto prazo, para que possamos realizar a promessa do futuro brilhante que
se anuncia para a medicina nuclear, de modo a contribuir, na prática para a melhoria
da qualidade de vida da população brasileira.
BLOG: Há metas?
RAFAEL
WILLAIN LOPES: Com a nova diretoria da SBMN, ainda ao final de 2022 elencamos
as seguintes metas que vêm norteando as principais ações deste novo biênio
2023-24, em consonância com a visão da instituição, e o que tem sido feito para
atingi-las: Apoiar e fomentar o ecossistema para o presente e futuro da
Medicina Nuclear: Acreditando ser papel da SBMN ouvir as
demandas dos diversos entes da comunidade nuclear, especialmente seus
associados, e buscando coordenar esses diferentes atores em prol de objetivos
comuns.
A SBMN se propõe a buscar a ampliação do uso e acesso das tecnologias
nucleares para fins diagnósticos e de tratamento, propondo novas indicações de
procedimentos já comprovadamente eficazes para Agência Nacional de Saúde (ANS)
e na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia no sistema Único de Saúde
(CONITEC) para uma quantidade cada vez maior de brasileiros alinhados a uma
conduta técnico-científica, ética e socialmente responsável. Realizamos, como
de costume, este ano, nossa prova de título de especialista em parceria com a
CNEN, assim como nosso 37º Congresso Brasileiro de Medicina Nuclear, que foi um
grande sucesso.
Temos trabalhado em nossas mídias com intuito de atingir tanto
o público leigo, desmistificando a medicina nuclear e seus usos em prol da
saúde e com toda a segurança a que estamos habituados em nossa prática
cotidiana, assim também suas indicações para médicos das mais diversas
especialidades e, claro, para os especialistas médicos e de áreas correlatas da
medicina nuclear, para quem oferecemos cursos, simpósios com treinamentos e
aulas, que vão desde conceitos básicos até técnicas avançadas, em conjunto com
diversas entidades como a Agência internacional de Energia Atômica – IAEA, a
própria CNEN e IPEN, Associação Brasileira de Física Médica- ABFM, Colégio
Brasileiro de Radiologia (CBR).
BLOG: O que a entidade tem feito pela
capacitação profissional?
RAFAEL WILLAIN LOPES: No que se refere ao crescimento e reconhecimento da especialidade, buscamos
fortalecer os laços institucionais e criar, especialmente no âmbito da formação
e educação dos profissionais médicos e de áreas correlatas, proporcionando,
assim, sementes para o crescimento futuro do capital humano na área da saúde
nuclear brasileira.
Neste sentido, promovemos cursos e simpósios próprios ou em
parcerias com diversas instituições, nos mais diversos formatos, presencial, on
line, híbrido e contamos para isto com grande apoio de diversas instituições
como Agência Interaciona de Energia Atômica IAEA, CNEN, IPEN, Associação
Brasileira de Física Médica ABFM, Colégio Brasileiro de Radiologia CBR,
Associação Americana de Cardiologia ASNC, ALASBIMN, Associação Europeia de
Medicina Nuclear EANM, dentre outras. Além de diversos webinares, desde a nossa
já tradicional quinta- nuclear mensalmente discutindo casos e patologias com
participação de profissionais em formação de diversas partes do país, assim
como outros específicos que vem a atender a demandas e anseios da comunidade
nuclear para discutir temas relevantes a sua prática.
No intuito de alinhar
estes dois objetivos, buscamos firmar acordos de cooperação com entidades
médicas internacionais que facilitem o intercâmbio de profissionais entre seus
respectivos eventos científicos, seja na forma de vantagens para inscrições ou
participação direta em eventos ou programas específicos, espaço para entidade
nos eventos de forma a difundir a atuação da SBMN. Ainda neste alinhamento,
tivemos a oportunidade representar o Brasil integrando uma delegação, em um
fórum de especialista de Medicina Nuclear dos BRICS realizado em julho de 2023,
no qual podemos constatar a enorme capacidade de cooperação que podemos
oferecer aos demais países por meio do material humano e conhecimento acumulado
ao longo dos mais de 62 anos de história da SBMN e prática da especialidade no
Brasil, com profissionais de competência e renome internacional nas mais
diversas áreas da medicina nuclear, da mesma forma que podemos aprender muito e
trocar experiências sobre a produção de radiofármacos, com alguns dos líderes
mundiais do setor.
BLOG: Bom trânsito na administração pública?
RAFAEL
WILLAIN LOPES: Nas relações institucionais nacionais e internacionais
queremos fortalecer as relações da SBMN com os diversos órgãos
da administração pública na esfera federal, em especial, aqueles relacionados
ao exercício da medicina nuclear.
Buscamos reafirmar o papel da SBMN como o
interlocutor dos médicos nucleares, desta forma, dialogar com a
comunidade nuclear, e as mais diversa instituições, das mais diferentes
esferas, estaduais, federais, públicas e privadas, autarquias, ministérios,
poder executivo e legislativo, organizações sem fins lucrativos, conselhos de
classe, sociedades profissionais, médicas e não médicas, agências nacionais e
internacionais, visando a cooperação mútua, para difusão e expansão do conhecimento
sobre a medicina nuclear, sua prática e utilização, bem como perspectivas,
sempre com caráter institucional, quando possível na forma através de acordos
que possam perdurar e se fortalecer ao longo do tempo tendo como escopo o
crescimento do conjunto da comunidade da medicina nuclear e suas áreas de
atuação.
A exemplo disso, temos realizados ao longo deste ano reuniões institucionais
com ANVISA, suas gerências e presidência, IAEA, EANM, ALASBIMN, ABFM, CBR, com
diretorias e a presidência da CNEN, destacando-se na última semana com
ministérios como segurança institucional, saúde e o Vice-presidente da República
e na sequência com a superintendência do IPEN, tendo em vista alinhamentos
conjuntos.
BLOG: Qual o trabalho da SBMN na Educação?
RAFAEL WILLAIN
LOPES: No que se refere à Educação, trabalhamos junto
ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e sua câmara técnica de Medicina
Nuclear, juntamente com Ministério da Educação (MEC) e Comissão Nacional de
Residências Médicas (CNRM), visando uma proposta de inclusão da disciplina no
currículo da Medicina em todo o Brasil.
Apesar de termos recebido uma negativa
junto à câmara técnica do CFM em uma primeira consulta, continuamos buscando
rediscutir o assunto e levar o pleito adiante em outras esferas com MEC e CNRM,
uma vez que, sendo uma residência com acesso direto e fundamental, que os
estudantes de medicina tomem conhecimento da especialidade já na sua graduação,
se não por modo de uma disciplina formal, ao menos por uma carga horaria
dedicada a falar sobre a Medicina Nuclear.
De forma similar, achamos
extremamente importante divulgar as ciências nucleares para as áreas
correlatas, e despertar também interesse nos demais profissionais, fundamentais
para o crescimento do conjunto da comunidade, como Físicos, Biomédicos,
Farmacêuticos, Químicos, Biólogos, e claro, fomentar também a pesquisa, tão
intrinsicamente ligada à educação e ao avanço de qualquer área do conhecimento,
através da participação em eventos que visem divulgar as aplicações da medicina
nuclear, bem como sua multidisciplinaridade e as perspectivas de atuação neste
campo.
E, claro, temos nosso congresso anual, como grande vitrine, a
materialização e celebração da ciência da medicina nuclear nas suas mais
diferentes vertentes, onde buscamos dar espaços para todos, especialmente
pesquisadores de apresentarem seus trabalhos.
Também para a comunidade se
atualizar, discutir os avanços que poderão virar benefícios aos pacientes no
dia a dia de clinicas e hospitais através do aprimoramento técnico cientifico
de seus profissionais e métodos empregados, tanto nos diagnósticos, como nas
terapias que vêm ressurgindo com enormes perspectivas no campo agora do que se
convenciona chamar de teranóstico, a ideia de associação da terapia ao
diagnóstico, ou seja, eu trato o que eu vejo.
BLOG: Na área médica, o
que faz a SBMN no que diz respeito à ética?
RAFAEL WILLAIN LOPES: Fazemos
a defesa da atuação profissional ética e responsável,
trabalhando junto às instituições para o fortalecimento do papel do médico
nuclear como pivô central no cuidado de pacientes em sua jornada de diagnóstico
e tratamentos. Além disso, vamos criar um código de compliance e conduta da
SBMN, objetivando orientar sócios, diretores, funcionários e parceiros em suas
relações futuras, baseado nos preceitos do próprio código de ética médica,
tendo em vista a crescente relação da instituição com diversos entes públicos e
privados.
Com intuito de atingir este objetivo, já foi comunicado aos sócios em
assembleia, os desafios que o mundo moderno e a realidade pós pandemia nos
impõe nos aspecto de compliance e das relações com nossos parceiros, e que,
para isso, está sendo iniciado o processo de criação de uma cultura de
compliance interno e que deverá ter repercussão em todos os níveis de atividade
e relações da SBMN, visando ainda mais transparência e segurança, com a criação
de documentos relacionados que nos orientarão no futuro destas relações
institucionais. Também foi iniciada uma aproximação com as entidades de
classe regionais, associações médicas e conselhos, tendo em vistas possíveis
sinergias na busca por soluções de questões mais localizadas ou pontuais, e
neste sentido uma das sugestões que já surgiu seja a constituição de uma
comissão de ética permanente e independente da SBMN, a se discutir no processo
que se iniciará.
PERFIL -
RAFAEL WILLAIN LOPES - Formado em medicina aos 23 anos
pela Universidade Federal de Santa Catarina, cursou Residências em Medicina Interna e
Cardiologia em hospitais públicos (Hospital Regional de São José (SC) e
Instituto Cardiologia de Santa Catarina) da Secretaria de Saúde de Santa Catarina
e ambas pelo MEC, Pós-graduação Lato Sensu em Medicina Nuclear pela Faculdade
de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Doutorado em 2013 pelo Instituto Dante
Pazzanese/Universidade de São Paulo; foi membro do programa de desenvolvimento
de lideranças da Sociedade Americana de Cardiologia Nuclear (ASNC), ex-presidente
do Grupo de Estudos de Cardiologia Nuclear do Departamento de Ergometria e
Reabilitação (DERC) da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), membro do
corpo editorial do Journal Nuclear Cardiology - JNC e da Revista dos Arquivos
Brasileiros de Cardiologia – Imagem Cardiovascular - ABC-IC e coordenador
Médico e Responsável Técnico do Departamento de Medicina Nuclear do Hospital do
Coração/SP; entre outros.
FOTO: Arquivo pessoal.
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