A planta de produção da Unidade de Concentração de Urânio (URA), em Caetité, na Bahia, paralisada em janeiro do ano passado, por conta de forte vendaval, permanece ainda hoje com vários problemas, como nas áreas de manutenção, caldeiraria e pátio. Nas áreas que deveriam estar protegidas, estão guindastes, motores, cobertos com telhas do cancerígeno e amianto, que continuam quebradas. Contatada pelo Blog, a Indústrias Nucleares do Brasil (INB), responsável pelo empreendimento, não se manifestou.
Na mina, que faz parte da URA, trabalhadores extraem e separam o urânio das rochas. Na URA, é feito o beneficiamento, quando o urânio é transformado em yellowcake (pasta amarela). Em seguida, o segundo passo do ciclo do combustível.
O processo consiste na transformação do yellowcake em hexafluoreto de urânio (UF6), um composto que tem como propriedade passar para o estado gasoso em baixas temperaturas. Feito no exterior.
Na forma de gás é realizada a etapa de enriquecimento, o que o Brasil também ainda não faz em escala industrial.
Embora domine todo o ciclo do combustível, o País ainda tão possui condições para a realização de todo o processo, como a transformação do urânio em forma de gás e o mais complexo: o enriquecimento na quantidade e teor (cerca de 4%) necessários para alimentar os reatores de Angra 1 e Angra 2.
URÂNIO, DO PORTO DE SALVADOR À RÚSSIA -
Por manter as usinas, com a dependência externa, a INB firmou contrato com a Internexco GmbH, do grupo Rosatom, da Rússia, para a exportação temporária para processamento no exterior de até 275 mil kg de concentrado de urânio (U3O8) produzidos na URA.
Pelo contrato, serão realizadas as duas etapas de beneficiamento: conversão e enriquecimento. Os valores nunca são revelados.
“O produto final beneficiado será devolvido, até dezembro de 2027, na forma de UF6 enriquecido a 4,25% e será utilizado na fabricação do combustível nuclear, que abastece a central nuclear de Angra dos Reis”.
A empresa está planejando a logística para operações terrestres no Brasil, a contratação do transporte marítimo internacional do porto de Salvador até a Rússia, e o licenciamento da exportação. Desde o início das entradas em operação das usinas, o Brasil depende da importação das duas etapas do combustível para os reatores. Quando o contratante devolve o urânio enriquecido, a última etapa é realizada no Fábrica de Elementos Combustíveis (FEC), em Resende (RJ), da INB.
Lá, o urânio é colocado em pastilhas, em varetas de zircaroy e segue para Angra dos Reis. Todo o processo envolve investimentos milionários, para a manutenção dos reatores nucleares das usinas.
(FOTOS – BLOG - URA) –
COLABORE COM O BLOG – SETE ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – CONTATO: malheiros.tania@gmail.com -
Nenhum comentário:
Postar um comentário