terça-feira, 28 de julho de 2026

TERRAS RARAS: Brasil e Alemanha juntos no projeto "Regina"

 


Rio de Janeiro, 28 de julho de 2026 - O Brasil e a Alemanha mantêm um projeto voltado para minerais estratégicos: o Regina, em torno da utilização industrial de elementos de terras raras, praticamente desconhecido dos brasileiros. A informação sobre o Regina é da geóloga Tássia Arraes, coordenadora Setorial da Secretaria de Desenvolvimento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Ela participou de seminário sobre terras raras promovido recentemente pela deputada federal Duda Salabert (PSOL), em Poços de Caldas, MG. 

As pesquisas do Regina envolvem as cadeias produtivas de terras raras encontram-se em estágio avançado no País, o que acabou estimulando o envolvimento de instituições alemãs em busca do desenvolvimento tecnológico conjunto. 


A informação é do diretor-presidente do Instituto de Pesquisas, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), engenheiro metalúrgico, Fernando José Gomes Landgraf. Em dezembro do ano passado ele participou na cidade de Berlim do workshop ‘Strategic Minerals and Innovation in Brazil’, organizado conjuntamente pela embaixada brasileira e pela Câmara de Comércio Brasil-Alemanha. “A ideia é que o Brasil possa elaborar um produto – no caso, o superímã de terras raras – com valor agregado e não simplesmente a matéria-prima mineral. “Temos possibilidade de articular nossa cadeia produtiva para ir das minas ao superímã.”, disse Landgraf, no site do IPT. 

Do projeto participam um total de 19 instituições (11 brasileiras e 9 alemãs) entre as quais três são empresas. Cerca de 70 profissionais ligados a empresas alemãs da área de tecnologias de mineração participaram do evento. Estiveram presentes: (Fichtner Water & Transportation), interessadas no uso de terras raras (Siemens e BMW) e academia (universidades de Duisburg e Técnica de Clausthal, THGA e ICTs) estiveram presentes. 


Foram apresentados trabalhos técnicos brasileiros sobre o momento das terras raras no País. Landgraf mostrou o trabalho conjunto entre o IPT e a Universidade de São Paulo (USP) intitulado ‘A implantação e a estruturação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para produção de superímãs de terras raras’; Marcos Flavio Campos, da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresentou ‘As reservas e a pesquisa brasileira em terras raras’, e Paulo Wendhausen, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), discorreu sobre ‘O projeto Brasil-Alemanha de Tecnologia de Terras Raras – projeto REGINA’ (de Rare Earth Global Industry and New Application). 

ESTADO DE GOIÁS - 

André Carlos Silva, da Universidade Federal de Goiás (UFG), tratou de projetos de terras raras no estado de Goiás e Eduardo Soriano, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, mostrou a estratégia brasileira de ciência, tecnologia e inovação em terras raras. Lá, o então governador Ronaldo Caiado passou para os Estados Unidos a mineradora Serra Verde, a maior e única no Brasil que opera com terras raras, fazendo a separação dos 17 elementos. A mineradora brasileira Serra Verde foi anunciada como adquirida pela empresa norte-americana USA Rare Earth em 20 de abril de 2026. 

BOLHA DE PREÇOS – 

Na avaliação de Landgraf, o crescimento da parceria entre os dois países prende-se ao fato de as empresas alemãs serem grandes consumidoras de terras raras, muito utilizadas na fabricação de geradores eólicos e carros elétricos, por exemplo, e o Brasil como potencial fornecedor de superímãs. “Hoje o mercado mundial de terras raras é dominado pela China; decorrente dessa dependência, uma ‘bolha’ de preços ocorreu em 2011, o que gerou insegurança quanto à oferta do mineral no mercado internacional. O fenômeno repetiu-se em 2017. O preço do neodímio metálico aumentou cinco vezes entre janeiro e setembro deste ano, retornando em novembro ao patamar de janeiro, quando o quilo custava cerca de US$ 40.”

Para ele, há duas causas possíveis para a ‘bolha’ especulativa de preços deste ano: a primeira, embutida no anúncio do governo chinês de que sua legislação ambiental reduziria o número de empresas fornecedoras de terras raras para o mercado internacional; a segunda pode ter sido reflexo do estabelecimento de uma data-limite para o fim da produção de motores a combustão interna na Europa, com o consequente aumento na demanda por superímãs de terras raras para a motorização dos carros elétricos. Sobre a união de esforços entre o IPT e a Escola Politécnica da USP, Landgraf explicou que as duas instituições estão trabalhando no desenvolvimento tecnológico para a elaboração e a solidificação controlada da liga de neodímio-ferro-boro usada na fabricação dos superímãs.

Landgraf disse que via crescer a possibilidade de sucesso desta iniciativa diante do avanço de outro projeto, iniciado em agosto deste ano e também com foco no desenvolvimento dos superímãs de terras raras, que envolve sete instituições de pesquisa brasileiras e sete alemãs. “No Brasil a coordenação é da UFSC e, na Alemanha, do Instituto Fraunhofer IWKS, neste esforço importante que coloca em foco a internacionalização da pesquisa tecnológica brasileira”, conclui ele. 

No dia 13 de janeiro deste ano, Landgraf concedeu entrevista ao jornalista Luiz Nassif, sobre a questão das terras raras que fervilhava no País, mas não mencionou a parceria do Brasil com a Alemanha. Lembrou que existiam três empresas interessadas em operar com as terras raras, como as australianas a Viridis e  Meteoric, em Minas Gerais, que uma terceira norte-americana, chamada Clara, teria desistido. Entre um comentário e outro, ele fez questão de enfatizar a importância de que se faça estudos sobre os impactos das operações no meio ambiente. 

(FOTOS: MCTI e IPT) – COLABORE COM O BLOG – OITO ANOS DE JORNALISMO INDEPENDENTE – CONTRIBUA VIA PIX: 21 99601-5849 – CONTAT0: malheiros.tania@gmail.com   

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